quarta-feira, 31 de maio de 2017

O “Conexão Repórter”, de Roberto Cabrini, revela corrupção no futebol brasileiro


O programa “Conexão Repórter”, do jornalista Roberto Cabrini no SBT, apresentou nesta quinta reportagem “Os porões do futebol”, fruto de cinco meses de investigação, na qual é abordada a corrupção no futebol brasileiro.
 
No documentário, Cabrini mostra gente, que se diz empresário ou agente de futebol, mas que na realidade comanda uma verdadeira fábrica de fraudes no meio futebolístico. O programa denuncia um mercado clandestino onde se paga por troca da idade de jogadores, resultados positivos em exames médicos nunca realizados e até a agilização no cadastro no registro de atletas profissionais da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
 
Para tanto, a matéria conta o passo a passo como um produtor do “Conexão Repórter” virou, mediante a pagamentos dentro de um esquema fraudulento, jogador de futebol profissional, obtendo registro inicialmente na Federação Paulista de Futebol e posteriormente figurando no chamado BID, Boletim Informativo Diário, o registro de jogadores da CBF, como atleta da Matonense, equipe do interior paulista. Segundo a reportagem, o destino final era o Tigres do Brasil, clube do futebol carioca.
 
Confederação Brasileira de Futebol
 
“Tudo que te passar nesse primeiro momento já é coisa que eu faço toda hora, porque profissionalizar jogador eu faço 40 por mês, entendeu? Eu já fui presidente de clube, já tenho o link direto na CBF e na Federação. Eu coloco qualquer jogador no site da CBF em uma semana”, diz o estelionatário em gravação exibida pelo programa, na qual também afirma ser possível, dentro do esquema, transformar alguém em jogador profissional do São Paulo. “No São Paulo, eu profissionalizo você por 50 mil reais”, diz ele a um possível “candidato”.
 
“Os porões do futebol”, de Cabrini, trata, ainda, de um esquema no qual agentes dizem oferecer vagas em grandes clubes do Brasil e em times estrangeiros e que, para convencer suas “vítimas”, afirmam saber como foram negociadas convocações para a Seleção Brasileira.
 
De acordo com a reportagem do Conexão Repórter, procurada, “a assessoria da CBF afirma que apenas fornece o programa de registro de jogadores. Segundo a entidade, o sistema é operado online pelo clube sem a necessidade de aprovação. A CBF nega que determinados agentes tenham privilégios para agilizar o registro de jogadores. A CBF nega, ainda, a existência de esquemas para convocação de jogadores para a Seleção.”
 
Já a Federação Paulista de Futebol disse ao programa que “não é responsável por checar questões relacionados a contratos e clubes com os jogadores.”
 

Significado de Ecologia

Ecologia é um ramo da Biologia que estuda as relações entre os seres vivos e o meio ambiente onde vivem, bem como a influência que cada um exerce sobre o outro.
 
A palavra "Ökologie" deriva da junção dos termos gregos “oikos”, que significa “casa” e “logos”, que significa “estudo”. Foi criada pelo cientista alemão Ernst Haeckel para designar a ciência que estuda as relações entre seres vivos e meio ambiente. A princípio um termo científico de uso restrito, caiu na linguagem comum nos anos 1960, com os movimentos de caráter ambientalista.
 
 
Os principais ramos de estudo e pesquisa em que se divide a Ecologia são: Autoecologia, Demoecologia (Dinâmica das Populações), Sinecologia (Ecologia Comunitária), Agroecologia, Ecofisiologia (Ecologia Ambiental) e Macroecologia.
 
O conceito de Ecologia Humana designa o estudo científico das relações entre os homens e o meio ambiente, incluindo as condições naturais, as interações e os aspectos econômicos, psicológicos, sociais e culturais.
 
A preservação e conservação do ambiente natural das diferentes espécies são conceitos de grande importância quando envolve as relações entre o homem e a biosfera.
 

Interações ecológicas

 
Na disciplina de Ecologia são estudados os processos, as dinâmicas e as interações entre todos os seres vivos de um ecossistema. As interações ecológicas são caracterizadas pelo benefício de ambos os seres vivos (harmônicas) ou pelo prejuízo de um deles (desarmônicas) e podem ocorrer entre seres da mesma espécie (intraespecíficas) ou espécies diferentes (interespecíficas).
 
 
Relações intraespecíficas harmônicas: sociedade (organização de indivíduos da mesma espécie) e colônia (agrupamento de indivíduos da mesma espécie com graus de dependência entre si);
 
Relações intraespecíficas desarmônicas: canibalismo e competições intra- e interespecíficas (seleção natural). São relações entre espécies iguais, porém há um prejuízo para pelo menos um dos lados.
 
Relações interespecíficas harmônicas: mutualismo (ou simbiose), protocooperação, inquilinismo (ou epibiose) e comensalismo;
 
Relações interespecíficas desarmônicas: amensalismo (ou antibiose), herbivorismo, predatismo, parasitismo e esclavagismo intra- e interespecífico.
 

"O nome de Deus é misericórdia"

"O nome de Deus é misericórdia" foi apresentado nesta terça-feira, entre outros, pelo Diretor italiano Roberto Benigni - AP

Cidade do Vaticano (RV) – A misericórdia é “a carteira de identidade” de Deus, afirma o Papa Francisco, no livro-entrevista “O nome de Deus é misericórdia”, nas livrarias italianas a partir desta terça-feira, 12. A obra é uma compilação de uma conversa entre o Pontífice e o vaticanista do jornal italiano “La Stampa”, Andrea Tornielli, e coordenador do site “Vatican Insider”. Dividido em nove capítulos e 40 perguntas, o livro – editado pela Piemme – tem a capa autografada pelo Papa Francisco. A primeira cópia do volume, em italiano, foi entregue ao Pontífice na tarde de segunda-feira, 11, na Casa Santa Marta.
 
Entrevista gravada em julho de 2015
 
Julho de 2015, Casa Santa Marta. O Papa Francisco recém havia retornado de sua viagem apostólica ao Equador, Bolívia e Paraguai. É uma tarde abafada quando recebe o jornalista Andrea Tornielli, munido de três gravadores. Diante de si, sobre uma pequena mesa, o Santo Padre tem uma Bíblia e um livro com citações dos Padres da Igreja. A misericórdia é o tema da conversa que nasce entre os dois, em vista do Jubileu Extraordinário que foi aberto cinco meses após. Hoje, os frutos daquele diálogo estão compilados no livro “O nome de Deus é misericórdia”.
 
Capítulo I – É o tempo da misericórdia
 
Oração, reflexão sobre os Pontífices precedentes e uma imagem da Igreja como “hospital de campanha”, que “aquece os corações das pessoas com a proximidade”. São estes os três fatores – explica o Papa – que o impeliram a convocar o Jubileu da Misericórdia. “A nossa época é um tempo oportuno” por isto – observa – porque hoje se vive um duplo drama: perdeu-se o sentido do pecado, e ele é considerado também incurável, imperdoável. Por isto, a humanidade ferida por tantas “doenças sociais” – pobreza, exclusão, escravidão do terceiro milênio, relativismo – tem necessidade de misericórdia, desta “carteira de identidade de Deus”, daquele que “permanece sempre fiel”, mesmo que o pecador o renegue.
 
A graça da vergonha torna o pecador consciente do pecado
 
Também é central neste primeiro capítulo a reflexão do Papa sobre o tema da vergonha, entendida como “uma graça”, porque torna o pecador consciente do próprio pecado. Em particular, a ênfase ao assim chamado “apostolado da escuta”, ou seja, a capacidade dos confessores de “ouvir com paciência”, pois hoje as pessoas “buscam sobretudo alguém que esteja disposto a doar o próprio tempo para escutar os seus dramas e as suas dificuldades”. Entre outras coisas – observa – é por isto que tantos procuram os quiromantes. O Pontífice destaca, ademais, “que se o confessor não pode absolver, dê alguma bênção, mesmo sem absolvição sacramental”, porque “o amor de Deus existe também para quem não está na disposição de receber o Sacramento”.
 
A grande responsabilidade de ser confessor
 
“Tenham ternura com estas pessoas – recomenda o Papa aos sacerdotes – não as afastem”, porque “as pessoas sofrem” e “ser confessor é uma grande responsabilidade”. A este respeito, o Pontífice cita o caso de sua sobrinha: “Eu tenho uma sobrinha que casou no civil com um homem, antes que pudesse ter o processo de nulidade matrimonial. Este homem era tão religioso, que todos os domingos, quando ia à missa, ia ao confessionário e dizia ao sacerdote: “Eu sei que o senhor não pode me absolver, mas pequei nisto e naquilo, me dê uma bênção”. Este é um homem religiosamente formado”.
 
Capítulo II - Confissão não é lavanderia, nem tortura. Ouvir, não interrogar
 
Além disto, se vai ao confessionário “não para ser julgado”, mas para “alguma coisa maior do que o juízo: para o encontro com a misericórdia” de Deus, sem a qual “o mundo não existiria”. Por isto – enfatiza Francisco – o confessionário não deve ser “nem uma lavanderia”, onde se lava o pecado a seco, como uma simples mancha, nem “uma sala de tortura”, onde se depara com “o excesso de curiosidade” de alguns confessores, curiosidades às vezes “um pouco doentias”, mórbidas, que transformam a confissão em um interrogatório.
 
Capítulo 3 - Reconhecer-se pecador. Um coração em pedaços é uma oferta agradável a Deus
 
Pelo contrário, “no diálogo com o confessor é necessário ser ouvidos, não interrogados”. Neste sentido, o sacerdote deve “aconselhar com delicadeza”. Mas para obter a misericórdia de Deus – reitera novamente Francisco – é importante reconhecer-se pecador, porque “o coração em pedaços é uma oferta agradável ao Senhor, é o sinal de que estamos conscientes de nossa necessidade de perdão, de misericórdia”. O Papa recorda, depois, que a misericórdia de Deus é “infinitamente maior do que o nosso pecado”, porque o Senhor “nos primeireia”, “antecipa-se a nós, nos espera” com o seu perdão, com a sua graça”. “Somente o fato de uma pessoa ir ao confessionário – explica – indica de que já existe um início de arrependimento”. E às vezes vale mais “a presença desajeitada e humilde de um penitente que tem dificuldade em falar, do que as tantas palavras de alguém que descreve o seu arrependimento”.
 
Capítulo IV – Também o Papa tem necessidade da misericórdia de Deus
 
O Papa define-se como “um homem que tem necessidade da misericórdia de Deus” e dá alguns conselhos ao penitente e ao confessor: ao penitente, sugere que não seja soberbo, mas que olhe “com sinceridade a si mesmo e ao próprios pecados”, para assim receber o dom da misericórdia de Deus. Aos confessores, por sua vez, Francisco sugere a pensarem, antes de tudo, nos próprios pecados e depois, ouvirem “com ternura”, sem “atirar nunca a primeira pedra”, mas procurando “assemelhar-se a Deus na sua misericórdia”. Como modelo, o Pontífice cita o pai que vai de encontro ao filho pródigo e o abraça, antes ainda que o jovem admita os seus pecados. “Este é o amor de Deus – sublinha o Papa – esta é a superabundância da misericórdia”.
 
Capítulo V – A Igreja condena o pecado, mas abraça o pecador
 
E para aqueles que afirmam que na Igreja existe “muita misericórdia”, o Papa responde sublinhando que “a Igreja condena o pecado”, mas “ao mesmo tempo abraça o pecador que se reconhece como tal, fala a ele da misericórdia de Deus”. É necessário perdoar “setenta vezes sete”, isto é, sempre”, enfatizou o Pontífice, porque “Deus é um pai cuidadoso, atento, pronto em acolher qualquer pessoa que dê um passo ou que tenha o desejo de dar um passo” em direção a ele, e “nenhum pecado humano, por mais grave que seja, pode prevalecer sobre a misericórdia e limitá-la”. A Igreja, portanto, “não está no mundo para condenar, mas para permitir o encontro com aquele amor visceral que é a misericórdia de Deus”.
 
Igreja deve estar “em saída”, ser “hospital de campanha” para os necessitados de perdão
 
Para fazer isto, porém, ela deve ser “Igreja em saída”, “hospital de campanha que vai de encontro aos tantos “feridos” necessitados de escuta, compreensão, perdão, amor”. É importante, de fato, “acolher com delicadeza aqueles que estão diante de nós, não ferir a sua dignidade”, afirma o Santo Padre, citando uma experiência pessoal, que remonta aos tempos em que era pároco na Argentina: uma mulher que se prostituía para manter os seus filhos, agradeceu a ele por sempre trata-la por “Senhora”.
 
Capítulo VI – Não lamber as feridas do pecado, mas ir em direção a Deus
 
Francisco também chama a atenção para a atitude de quem desespera “pela possibilidade de ser perdoado” e prefere lamber as feridas do pecado, impedindo de fato a cura. “Esta é uma doença narcisista que leva à amargura”, observa o Papa, em que se encontra “um prazer na amargura, um prazer doentio”. Pelo contrário, “o remédio existe”: basta somente dar um passo em direção a Deus ou ao menos ter o desejo de dar este passo, “assumindo a própria condição”, sem crer-se “autossuficiente” e sem esquecer as nossas origens, “a lama de onde fomos tirados, o nosso nada”. E isto “vale sobretudo para os consagrados”, sublinha. Na vida, de fato, o importante não é “não cair nunca”, mas sim, “levantar-se sempre”. Esta, então, é a missão da Igreja. “Que as pessoas percebam que sempre é possível recomeçar se permitimos que Jesus nos perdoe”.
 
Delicadeza e não marginalização das pessoas homossexuais
 
Respondendo, depois, a uma pergunta sobre pessoas homossexuais, o Papa explica o que afirmou em 2013, durante a coletiva de imprensa no avião que o trazia de retorno do Rio de Janeiro, isto é, “se uma pessoa é gay, busque o Senhor e tenha boa vontade, quem sou eu para julgá-la?”. “Eu havia parafraseado de memória o Catecismo da Igreja Católica – pondera – onde explica que estas pessoas devem ser tratadas com delicadeza e não devem ser marginalizadas”. O Papa aprecia a expressão “pessoa homossexual” porque, explica, “antes existe a pessoa, na sua totalidade e dignidade”, que “não é definida somente pela sua tendência homossexual”. “Eu prefiro que as pessoas homossexuais venham confessar-se, que permaneçam próximas ao Senhor, que se possa rezar juntos”, acrescentou.
 
Misericórdia é doutrina,  é o primeiro atributo de Deus
 
Quanto à relação entre verdade, doutrina e misericórdia, Francisco explica: “Eu amo antes dizer: a misericórdia é verdadeira”, “é o primeiro atributo de Deus”. “Depois se podem fazer reflexões teológicas sobre doutrina e misericórdia – acrescenta – mas sem esquecer de que a misericórdia é doutrina”. A este propósito, o Papa cita “os doutores da lei, os principais opositores de Jesus, que o desafiam em nome da doutrina”. Eles seguem uma lógica de pensamento e de fé que olha “ao medo de perder os justos, os já salvos”. Jesus, pelo contrário, segue outra lógica: aquela que redime o pecado, acolhe, abraça, transforma o mal em bem, a condenação em salvação. É a lógica de um Deus que é amor – explica o Papa – um Deus que quer a salvação de todos os homens, que não se detém “em estudar a situação em uma mesinha”, avaliando os prós e os contras. Para o Senhor, o que conta realmente é “alcançar os afastados e salvá-los”, curar e integrar “os marginalizados que estão fora” da sociedade.
 
Lógica de Deus é lógica do amor que escandaliza os “doutores da lei”
 
Certamente – sublinha Francisco – esta lógica pode escandalizar, antes como agora, provocando “o resmungo” de quem está habituado aos próprios “esquemas mentais e à própria pureza ritualística”, ao invés de “deixar-se surpreender” por um amor maior. Pelo contrário, é precisamente esta lógica o caminho que o Senhor nos indica diante das pessoas que “sofrem no físico e no espírito”, para vencer assim “preconceitos e rigidezes” e evitar de julgar e condenar “do alto da própria segurança”. Ir em direção aos marginalizados e aos pecadores – prossegue Francisco – não significa permitir aos lobos que entrem no rebanho, mas sim procurar alcançar todos, testemunhando a misericórdia, sem nunca cair na tentação de sentir-se “os justos ou os perfeitos”.
 
Adesão formal às regras leva à degradação do estupor
 
Quem se descobre “doente na alma”, de fato, deve encontrar portas abertas, não fechadas; acolhida, não julgamento ou condenação; ajuda, não marginalização. Os cristãos que “apagam aquilo que o Espírito acende no coração de um pecador”, avalia Francisco, são como os doutores da lei, “sepulcros caiados” que, com a hipocrisia, viviam apegados à letra da lei, sabiam somente fechar portas, colocar limites, mas negligenciavam o amor. Se prevalece a adesão formal às regras – chama a atenção o Papa – então se verifica “a degradação do estupor”, ou seja, se maravilha menos diante da salvação trazida por Deus, e isto nos leva a acreditar “conseguirmos fazer sozinhos, sermos nós os protagonistas”. Este comportamento “é a base do clericalismo” e leva os ministros de Deus a acreditarem-se como “donos da doutrina, titulares de um poder”.
 
Lei da Igreja é inclusiva, não exclusiva
 
A Igreja não deve nunca ser assim – afirma o Papa – não deve ter o comportamento de quem impõe “fardos pesados” nas costas das pessoas. “Para algumas pessoas rígidas – disse – faria bem uma escorregada, porque assim, reconhecendo-se pecadores, encontrariam Jesus”. “A grande lei da Igreja, de fato, é aquela do et et e não aquela do aut aut”. A este propósito Francisco cita exemplos negativos, como os cinquenta mil dólares pedidos a uma mulher por um processo de nulidade matrimonial ou como o funeral em uma igreja, recusado a uma criança, por esta não ser batizada.
 
Capítulo VII – Corrupção, um pecado elevado à sistema. Pecadores sim, corruptos não!
 
Ampla, após, a reflexão de Francisco sobre a corrupção, definida como “o pecado elevado à sistema, que tornou-se um hábito mental, um modo de viver”. O corrupto peca e não se arrepende – diz o Papa – finge ser cristão e com a sua vida dupla provoca escândalo, acredita não precisar mais pedir perdão, passa a vida em meio aos atalhos do oportunismo, ao preço da dignidade sua e dos outros. Com o seu “rosto de santinho”, o corrupto evade os impostos, dispensa os funcionários para não assumi-los definitivamente, explora o trabalho informal e depois se vangloria de suas espertezas com os amigos ou até mesmo vai à missa no domingo, mas depois usa o suborno no trabalho. E “frequentemente não se dá conta de seu estado” como “quem tem a respiração pesada”. “Pecadores sim, corruptos não!” – exorta o Papa – convidando a rezar, durante o Jubileu, para que Deus abra brechas nos corações do corruptos, dando a eles “a graça da vergonha”.
 
Justiça não basta por si só, é necessária a misericórdia
 
Após, o Pontífice recorda que a misericórdia “é um elemento indispensável”, para que exista fraternidade entre os homens. A justiça, por si só, de fato, não basta: com a misericórdia, Deus vai além da justiça, “a engloba e a supera” no amor. “Não existe justiça sem perdão – disse ainda Francisco, no fulcro de João Paulo II – e a capacidade de perdão está na base de todo projeto de uma sociedade futura, mais justa e solidária. E não somente: “a misericórdia contagia a humanidade” e isto se reflete “na justiça terrena, nas normas jurídicas”. Basta pensar à crescente rejeição da pena de morte que se registra a nível mundial.
 
Família, primeira escola de misericórdia
 
“Com a misericórdia a justiça é mais justa” – sublinha ainda Francisco - enfatizando que isto não significa “ser exageradamente condescendente, escancarar as portas das prisões a quem se manchou com crimes graves”, mas sim ajudar a quem caiu a levantar-se, porque Deus “perdoa tudo”, “realiza milagres também com a nossa miséria” e a sua misericórdia “será sempre maior do que qualquer pecado”, tanto que ninguém pode colocar um limite a ela. O Pontífice recorda, após, que a família “é a primeira escola da misericórdia”, pois nela “se é amado e se aprende a amar, se é perdoado e se aprende a perdoa”.
 
Capítulo VIII – A compaixão vence a globalização da indiferença
 
Quanto às características do amor infinito de Deus, o Papa Bergoglio recordou que Deus nos ama com compaixão e misericórdia; a primeira tem um rosto mais humano. A segunda, por sua vez, é divina. De fato, Jesus não olha à realidade a partir do exterior, “como se tirasse uma fotografia”, mas “deixa-se envolver”. Hoje existe necessidade desta compaixão - explica -  e existe necessidade dela para vencer “a globalização da indiferença”.
 
Capítulo IX – Praticar obras de misericórdia. Está em jogo a credibilidade dos cristãos
 
Na conclusão do livro-entrevista, o Papa coloca o foco nas obras de misericórdia, corporais e espirituais: “São atuais e sempre válidas – diz – estão na base do exame de consciência e ajudam a abrir-se à misericórdia de Deus”. Disto, vem a exortação a servir Jesus “em toda pessoa marginalizada”, excluída, faminta, sedenta, nua, prisioneira, doente, desempregada, perseguida, refugiada. Na acolhida do marginalizado, ferido no corpo, e do pecador, ferido na alma, joga-se, de fato, “a credibilidade dos cristãos”, conclui o Pontífice. Porque no fundo, como dizia São João da Cruz, “no anoitecer da vida, seremos julgado no amor”. (JE)
http://br.radiovaticana.va/news/2016/01/12/o_nome_de_deus_%C3%A9_miseric%C3%B3rdia_-_s%C3%ADntese/1200615

Van Gogh

Mestre em Artes Visuais (UDESC, 2010)
Graduada em Licenciatura em Desenho e Plástica (UFSM, 2008)
 
Vincent Willem Van Gogh foi um pintor holandês nascido em 30 de Março de 1853, considerado um dos artistas mais influentes dos últimos tempos, embora seu reconhecimento tenha se dado apenas depois de sua morte. Enquanto vivo vendeu apenas um quadro - “O Vinhedo vermelho”. Van Gogh nunca imaginou a fama que viria a ter. Era filho de Theodorus Van Gogh e Cornélia, uma mulher com tendências artísticas, tinha quatro irmãos mais novos, mas foi com Theo, segundo filho do casal, que Van Goh estabeleceu uma forte relação marcada por cartas trocadas entre os dois. Com a saúde mental debilitada e acessos de loucura, pôs fim a própria vida em julho de 1890 aos 37 anos.

Van Gogh
 
Decidiu tornar-se pintor apenas em 1880, insistindo, antes disso, no trabalho e na evangelização. Chegou a frequentar durante um ano o Seminário de Teologia. Nesse período morou em Haia, Londres, Ramsgate, Amsterdam e Borinage na Belgica até resolver seguir a carreira artística em 1886 e mudar-se para Paris acolhido por seu Irmão Theo que era um negociador de arte de pouca visibilidade. Apesar de pobre sempre incentivou e ajudou financeiramente seu irmão mais velho.
Em Paris foi apresentado ao Impressionismo, movimento do qual sofreu grande influência. Também admirava muito as gravuras japonesas, especialmente quanto ao colorido. Ainda na França conviveu com Edgar Degas, Georges Seurat, Henri de Toulouse-Lautrec, Paul Signac, Émile Bernard e Paul Gauguin, recebendo grande influência desses artistas.
 
Dois anos mais tarde, em 1888, parte para o sul da França em Arles e retoma o trabalho de forma fervorosa. Nesse mesmo período Gauguin resolve juntar-se ao amigo, a convivência entre os dois foi desastrosa. Apesar das constantes brigas, foram dois meses de trabalho intenso, até que no auge de uma discussão Van Gogh lhe ameaça com uma navalha. Gauguin volta para Paris e Van Gogh arrependido corta a própria orelha numa acesso de agressividade. Após esse episodio é internado no hospital da cidade, a partir daí suas crises começariam a se intensificar. Foi diagnosticado com depressão, internou-se voluntariamente num sanatório na cidade vizinha. Com as crises mais controladas volta às atividades, inspirado pela paisagem local, chegando a pintar um quadro por dia. Seus traços evoluíram de pequenas pinceladas para pinceladas espirais e curvas.
 
Deixou a clínica em maio de 1890 e partiu para Auvers perto de Paris e consequentemente perto do irmão Theo. Pintava regularmente e estava em plena atividade criativa. Encorajado por Camille Pissarro, começou a frequentar as consultas do Dr. Paul Gachet. Gachet foi a inspiração para uma das obras mais famosas de Van Gogh - Retrato do Doutor Gachet.
 
Contudo as crises continuavam e em 27 de julho de 1890, o artista sai para um passeio no campo, carregando consigo um revolver para atirar nas gralhas acaba dando num tiro no próprio peito. Uma possível razão para Van Gogh ter tomado essa atitude pode ter sido o desejo de deixar de ser uma preocupação para o irmão que além de sustenta-lo, sustentava a esposa e a mãe. Após o ocorrido ainda teve forças para voltar para casa onde morreu dois dias depois nos braços do irmão Theo, aos 37 anos de idade. Depois da morte do irmão, Theo cai em profunda depressão e morre seis messes depois, deixando a esposa e um filho chamado Vincent.
 
Embora desenhasse desde criança, começou a pintar relativamente tarde, no entanto soma mais de 800 telas. Entre suas pinturas mais conhecidas estão: Os Comedores de batatas; Caveira com cigarro acesso; A ponte Debaixo de Chuva; Natureza morta com absinto; A italiana; A vinha encarnada; A casa amarela; Retrato do Dr. Gachet; Girassóis; Vista de Arles com Lírios; Noite Estrelada.
 
Referências:
GOMBRICH, E.H. A história da arte. Rio de Janeiro: LTC, 2013.
Os Grandes Artistas: Van Gogh, Renoir, Manet. Editora Nova Cultura LTDA, São Paulo, 1991.
 
 

A compaixão, a misericórdia e o olhar amoroso de Jesus

Margarida Maria Alacoque
 
Deus é onipotente e poderia fazer tudo o que Ele pretende sem nenhuma mediação, mas frequentemente vemos na história do mundo como Ele se vale de nós humanos, criaturas dele, para manifestar seu amor. Os santos são pessoas que, de maneira especial, foram instrumentos eficazes nas mãos de Deus. Santa Margarida Maria Alacoque foi um desses instrumentos, por meio do qual Deus quis manifestar de maneira especial a grande devoção do Sagrado Coração de seu Filho Jesus.
 
Não iremos nos deter na vida dessa santa, apesar de ser uma história muito bonita, mas vamos olhar algumas atitudes de Jesus que mostram um pouco como esse Sagrado Coração vive e quer que vivamos. Vejamos um pouco sobre a compaixão, sobre a misericórdia e sobre o olhar amoroso de Jesus.
 
Compaixão
 
Apoiemo-nos no seguinte trecho bíblico para meditar um pouco sobre a compaixão: “Ao ver as multidões, Jesus sentiu grande compaixão pelas pessoas, pois que estavam aflitas e desamparadas como ovelhas que não têm pastor” (Mt 9, 36).
 
A compaixão é a capacidade de sentir com a outra pessoa, em outras palavras, é a capacidade de experimentar o mesmo que o outro está experimentando. É uma espécie de solidariedade na dor e no sofrimento. Lendo dessa maneira, entendemos que Jesus não teve simplesmente um sentimento de pena pelas pessoas que estavam desamparadas, mas experimentou com elas o sofrimento de estar desamparado. Talvez possamos dizer que essa experiência tenha sido levada ao extremo quando Jesus estava crucificado e clamando “Meu Deus, porque me abandonaste”?
 
Somos chamados a viver isso também quando vemos o sofrimento alheio. Um cristão não assiste o sofrimento do lado de fora, mas entra em comunhão com o que sofre. Nessa comunhão é possível acontecer uma verdadeira ressurreição para uma vida nova, da mesma maneira como Jesus se abaixou até nós para nos resgatar do nosso pecado.
 
Misericórdia
O Papa Francisco convocou um ano santo da misericórdia para enfatizar a importância de, nos tempos atuais, olharmos para essa virtude. Em seu texto Misericordiae Vultus o Papa nos diz: “Precisamos sempre de contemplar o mistério da misericórdia. É fonte de alegria, serenidade e paz. É condição da nossa salvação. Misericórdia: é a palavra que revela o mistério da Santíssima Trindade. Misericórdia: é o ato último e supremo pelo qual Deus vem ao nosso encontro. Misericórdia: é a lei fundamental que mora no coração de cada pessoa, quando vê com olhos sinceros o irmão que encontra no caminho da vida. Misericórdia: é o caminho que une Deus e o homem, porque nos abre o coração à esperança de sermos amados para sempre, apesar da limitação do nosso pecado”.
 
No princípio do texto, o Papa diz que Jesus Cristo é o rosto da misericórdia do Pai. Que nesse ano santo da misericórdia possamos contemplar a Jesus e o seu Sagrado Coração, para aprender dele como viver de maneira mais misericordiosa.
 
Olhar amoroso
 
Penso que tanto a compaixão como a misericórdia podem ser entendidos como o resultado de um olhar amoroso de Deus ao mundo e, de maneira especial, aos homens. No Evangelho do 'Jovem Rico', depois que este disse já observar os mandamentos desde sua juventude, lemos que Jesus o olhou com amor. Que olhar deve ter sido esse! Tão simples e tão profundo. Um olhar que vai até o fundo de cada um de nós, “mais cortante que qualquer espada de dois gumes”, que compreende toda a miséria do homem e a necessidade do amor de Deus.
 
É esse olhar que permite a compaixão e a misericórdia pelo outro, porque percebemos que estamos todos na mesma situação de pecadores necessitados do perdão de Deus. Que nesse dia possamos aprofundar um pouco mais no Sagrado Coração de Jesus e buscar com a nossa vida ser cada vez mais parecidos com Ele.
 

http://www.a12.com/formacao/detalhes/a-compaixao-a-misericordia-e-olhar-amoroso-de-jesus
 

Maria de Nazaré, quem é esta mulher?

Por Jesus Espeja
 
Como cristãos, temos motivos de sobra para celebrar Maria como “rainha e senhora”, mas corremos o risco de esquecer a história daquela mulher simples que viveu num pequeno povoado de uma região periférica no mundo daquele tempo.
 
Maria de Nazaré é alguém de nossa raça. Como os demais seres humanos, nasceu e viveu num contexto histórico, social, econômico, político e cultural.
 
Como as outras mulheres, sua natureza humana se desgastou; viu-se atingida pelas inclemências dos anos e envelheceu. Não viveu segregada e protegida. Não é fácil conhecer a história de Maria com objetividade, uma vez que as fontes são os Evangelhos, nos quais os fatos históricos já se apresentam interpretados a partir da fé. Não se deve, porém esquecer essa história que há de ser ponto de partida insubstituível em toda reflexão mariológica.
 
No Novo Testamento há diversas tradições. Maria é referência indireta nos escritos paulinos. Marcos a apresenta como mulher do povo e participante de sua mentalidade. Os Evangelhos da infância apresentam uma teologia bem elaborada sobre a fisionomia espiritual da Virgem, enquanto o quarto evangelista destaca sua fidelidade e seu significado na comunidade cristã.
De todas essas interpretações podemos concluir:

– Maria foi uma mulher simples do povo e sensível às necessidades dos pobres.
 
 
Embora os Evangelhos nada digam sobre os pais de Miryam, nome original de Maria, segundo a tradição eles se chamavam Joaquim e Ana. Vivia em Nazaré, um povoado sem renome e de má fama, na região norte chamada Galiléia. Sua existência deve ter sido como a de qualquer outra jovem daquela cultura: arrumar a casa, ajudar os irmãos menores, e participar nas festas religiosas. Ainda se conserva em Nazaré a “fonte da Virgem”. Ali ela comentaria com as outras mulheres os acontecimentos e rumores de cada dia.
 
Contam os Evangelhos que Miryam estava prometida para ser esposa de um carpinteiro justo e honrado que se chamava José, e talvez tivesse emigrado da Judéia. Maria e José pertencem ao povo humilde, de modo que quando seus conterrâneos vêem que Jesus fala tão bem, se admiram: “Mas não é este o filho do carpinteiro e de Maria?” (Mc 6,2).
 
Aquela mulher é sensível às necessidades dos outros. Sabendo que sua parenta Isabel já está no sexto mês de gravidez, desloca-se para lhe dar assistência. Quando participava de uma festa de casamento, percebe que falta vinho, e procura falar com Jesus para resolver o problema, e impedir que os noivos fiquem envergonhados. – Miryam recebeu de Deus um favor singular na concepção e no nascimento de Jesus. Movida pelo Espírito, entregou-se totalmente ao projeto de salvação, vivendo sua maternidade até as últimas consequências.
 
Nos primeiros meses de gestação, a criança se configura física e psicologicamente por obra de sua mãe, que não só a alimenta com a própria vida como também a torna centro de seus pensamentos, afetos e cuidados. A mãe amolda misteriosamente a personalidade de seu filho.
 
A frase do evangelho é bem eloquente: “Maria deu à luz o filho primogênito. Envolveu-o em panos e o deitou numa manjedoura, por não haver lugar na hospedaria” (Lc 2,7).
 
Nesse gesto está implícito o amor materno e a ternura que viveu aquela jovem mãe ao encontrar-se diante de seu filho. A experiência singular que Maria teve de Deus não diminuiu seu afeto materno; tornou-o mais profundo, delicado e total.
 
– A Virgem fez sua caminhada na surpresa e na obscuridade da fé.
 
Os evangelhos da infância sugerem que os inícios não foram fáceis: conflito com José pela gravidez inexplicável, perseguição do rei Herodes, e fuga do país durante a noite, para defender o filho.
 
Parece que os familiares de Jesus não entenderam sua decisão de abandonar suas seguranças sociais e dedicar-se ao anúncio do Reino, interessando-se pelos marginalizados. Pensavam que ele havia perdido o juízo e queriam traze-lo de volta à casa. Quando viram que ia tendo êxito, lhe diziam que fosse para Jerusalém, a capital da Palestina: “Ninguém faz tais coisas em segredo, se deseja ser conhecido do público” (Jo 7,4).
 
Os evangelistas querem deixar bem claro que Maria disse “sim” ao projeto de Deus, sendo “a pobre” inteiramente disponível à vontade divina. Isto, porém não impede, até exige, que vivesse sua entrega num processo histórico marcado pela surpresa, o conflito e o sofrimento. Diante de comportamentos estranhos de Jesus, “ficava perplexa”, “vacilava em seu íntimo”. Deve ter sido uma mulher contemplativa da passagem de Deus pela história.
 
Lc 2,49-50 acusa certo desgosto de Maria quando o menino Jesus permanece no templo de Jerusalém sem avisar a seus pais. Maria, sem dúvida, teve de sofrer uma desorientação quando Jesus deixou sua profissão e sua casa; mas, acima de tudo, como toda boa mãe, teve que defender o filho contra as críticas dos familiares. E o transtorno deve ter sido terrível quando a Mãe veio a saber que haviam prendido seu filho, e o tinham condenado por blasfemo. Conforme a tradição evangélica, Maria permaneceu junto à cruz, junto a Jesus abandonado por todos. A fé verdadeira se prova e amadurece na escuridão.
 
-A última noticia que temos de Maria, com certa garantia histórica, é o que encontramos em At 1,14: permanecia em oração com a primeira comunidade cristã, suplicando a vinda do Espírito. Nada dizem os escritos apostólicos sobre os últimos dias e a morte da Virgem. Segundo Jo 19,27, o “discípulo amado” acolhe em sua casa a mãe de Jesus. Embora a intenção principal do evangelista seja mais teológica que histórica, talvez tenha vindo daí a tradição popular: Maria ficou com o “discípulo amado” (que se veio identificando com João) em Patmos, e ali terminou seus dias.
 

Claude Monet

Claude Monet é o principal e mais dedicado representante do movimento Impressionista. Sempre preferiu a pintura ao ar livre, não importando as condições climáticas, com a finalidade de capturar todos os efeitos da natureza. No início de sua carreira foi incompreendido, especialmente por sua família, resultando em dificuldades financeiras por anos. Somente por volta dos 40 anos de idade começou a vender seus quadros, morreu como um artista rico e consagrado.

Claude Monet, em 1899. Foto de Nadar (Gaspard-Félix Tournachon). / via Wikimedia Commons
 
Monet nasceu em Paris em 14 de novembro de 1840 e aos cinco anos mudou-se para Havre. Começou a pintar desde muito jovem o que lhe rendeu algum dinheiro vendendo caricaturas, com o dinheiro comprava materiais de pintura. Em 1858 conheceu Eugène Boudin, um pintor de paisagens que o encorajou a pintar ao ar livre. No ano seguinte mudou-se para Paris a fim de especializar suas técnicas. Nessa época Paris atraia os mais variados artistas do mundo e lá Monet conheceu Camille Pissarro e Manet entre outros artistas de vanguarda. Contrário ao desejo da família, Monet recusou-se a frequentar a Escola de Belas-Artes preferindo estudar no Atelier de Suisse, uma escola de postura mais livre que não adotava ensino formal. Assim Monet poderia dedicar-se ao que mais gostava a pintura ao ar livre. No entanto essa atitude lhe rendeu o corte de sua mesada, resultando em sérias complicações financeiras.
Nos anos que se seguiram Monet conheceu Camille Doncieux com que viria a ter dois filhos, Jean e Michel. Em 1879 Camille morreu de tuberculose.
 
Em 1861 foi convocado para servir o exército e defender a França na guerra. Após quase um ano na Argélia, Monet volta à França e retoma seus estudos ao ar livre, passando a estudar com Charles Gleyre. Em 1866, Monet expôs o retrato de Camille Doncieux em um Salão.
 
Em 1874 foi realizada em Paris a primeira exposição dos impressionistas, contando com obras de Monet, Renoir, Degas e Cézanne. O termo Impressionismo, deriva do quadro de Monet chamado Impressão, sol levante (1872). Em função da exposição um jornalista da época Louis Leroy atacou a obra de Monet num artigo intitulado “Exibição dos impressionistas” para o jornal Le Charivari.
 
Em 1880 Monet realiza sua primeira exposição individual, que foi um sucesso. O público começava a ver com bons olhos as pinturas impressionistas.
 
Monet passou por sérias dificuldades financeiras, porém tinha um fiel comprador de suas obras, o milionário Ernest Hoschedé. Anos mais tarde Monet viria a casar com a esposa do seu comprador, Alice Hoschedé, após ambos ficarem viúvos.
 
Em 1883 Monet mudou para Giverny e em 1892 casou-se com Alice, estabelecendo-se numa grande propriedade as margens do rio. Monet continuava seus estudos impressionistas e na década de 1890 pintou uma série da Catedral de Rouen em diferentes horários e pontos de vista, desde o amanhecer até o anoitecer. O jardim de sua residência em Giverny também foi inspiração para uma série de obras chamada Ninfeias.
 
Um dos pilares da pintura impressionista era retratar o que a mente concebe da paisagem em detrimento ao que olho humano vê. Nesse sentido Monet desenvolveu técnicas que o ajudariam a representar essa realidade. Usando pinceladas firmes e fragmentadas, por exemplo, Monet retratava a ondulação e os reflexos da água com genialidade.
 
No fim de sua vida Claude Monet sofreu com catarata o que afetou seu entusiasmo para continuar seus estudos. Monet morreu em 1926 e encontra-se enterrado no cemitério da igreja de Giverny.
 
Referências bibliográficas:
O mais dedicado impressionista. Disponível em: < http://mestres.folha.com.br/pintores/04/ >.
Os Grandes Artistas – romantismo e impressionismo: Degas, Toulouse-Lautrec, Monet. Editora Nova Cultura LTDA, São Paulo, 1991.

Arquivado em: Biografias, Pintura
 
 

Homem ( Bispo) de coragem diz Não à Pedofilia

 
Dom José Carlos Souza Campos, nasceu em Itaúna- MG,  no dia 03/01/1968. Conta, portanto, com 48 anos. É filho de: José Pinheiro Campos e Dona Piedade Souza Campos. Tem, atualmente, cinco irmãos, pois dois são falecidos.

Em 1983, entrou para o Seminário Diocesano, em Divinópolis. Morou em Pará de Minas, non seminário, em 1984 e 1985. Mudou-se para Belo Horizonte onde cursou filosofia e teologia. Fez seu curso de mestrado em teologia na  Pontificia Università Gregoriana, em Roma, de 2000 a 2002. Sua tese trabalhou a seguinte questão: Na pergunta sobre o homem, a inevitável pergunta sobre Deus. Um percurso de  antropologia filosófico-teológica, na obra de Juan Alfaro.Sua ordenação sacerdotal aconteceu em Itaúna, no dia 30/05/1993.

Durante boa parte de sua vida exerceu o magistério. Foi professor em Belo Horizonte e Pará de Minas.  Trabalhou no Colégio Berlaar Sagrado Coração de Maria, como professor de Língua Portuguesa. Lecionou filosofia e espanhol no Seminário São José. Foi professor de filosofia da religião, antropologia filosófica e outras disciplinas nas escolas da região.

Dom José Carlos é uma pessoa simples e de grande companheirismo. Conta com a amizade do clero e das pessoas mais humildes. É companheiro, sabe ouvir e orientar, com sabedoria, quem o procura. Em seu trabalho pastoral já atuou em diversas paróquias e comunidades. Sempre deixou verdadeiras amizades por onde passou. Tem profundidade no que fala, mais suas colocaçãoes são compreendidas por todos. É um homem de Deus e continuará conduzindo, com firmeza e doçura, a Diocese de Divinópolis.
 
No dia 26 de fevereiro de 2014 foi nomeado pelo Papa Francisco como bispo da Diocese de Divinópolis, e no dia 25 de maio do mesmo ano foi ordenado bispo e tomou posse na Diocese.
 
ESCOLARIDADE
 
1º GRAU: Curso de 1º Grau: Escola Estadual Dª Maria Augusta de Faria – Itaúna (1ª a 4ª Série) – 1975 a 1978, Escola Estadual de Itaúna – Itaúna (5ª a 8ª Série) – 1979 – 1982.

2º GRAU: Escola São José e São Geraldo – Divinópolis (1º ano) – 1983, Colégio Sagrado Coração de Maria (2º e 3º anos) – Pará de Minas – MG., 1984 a 1985.


CURSOS SUPERIORES
FILOSOFIA PUC – MINAS – Belo Horizonte – 1989 – 1992, TEOLOGIA: Seminário Provincial Coração Eucarístico de Jesus, Belo Horizonte – 1989 a 1992.
 

MESTRADO EM TEOLOGIA FUNDAMENTAL
Pontifícia Università Gregoriana Roma – Itália – 2000 a 2002. Tese: Na pergunta sobre o homem, a inevitável pergunta sobre Deus. Um percurso de antropologia filosófico-teológica, na obra de Juan Algaro.

 
  •  Nascido em Itaúna - MG :03 de janeiro de 1968
  •  Ordenado Sacerdote em Itaúna - MG:  30 de maio de 1993
  •  Eleito Bispo em Divinópolis - MG : 26 de fevereiro de 2014
  •  Sagrado Bispo em Divinópolis - MG :  25 de maio de 2014
  •  Posse em Divinópolis - MG:  25 de maio de 2014
 
O Brasão
 
 
 
 
O escudo do brasão
 
A forma de coração sinaliza um amor oferecido generosamente a Deus, à Igreja de Jesus Cristo e ao rebanho confiado ao Bispo Diocesano.
 
A cruz grega, onde se leem os caracteres IC-XC e NIKA, sobre a qual o brasão é sustentado, simboliza a confiança em Jesus (IC) Cristo (XC) Vencedor (NIKA), em cujo nome e sob cujo poder o Bispo quer avançar, certo das vitórias sobre o Maligno e suas investidas na ação pastoral.
 
O galero verde ou chapéu prelatício, os cordões e as doze borlas verdessimbolizam a dignidade apostólica e dimensão peregrinante da fé e da missão.O Bispo é apóstolo peregrino como os Doze. São os elementos que apontam a identidade episcopal do brasão.
 

O conteúdo do brasão
 
A pedra preta à base interna do brasão representa a origem geográfica do Bispo, nascidoem Itaúna-MG, que, na língua tupi-guarani, significa pedra negra.
 
O vermelho representa tanto a origem eclesial do Bispo, que é a Igreja Particular de Divinópolis, cujo titular é o Divino Espírito Santo, como também representa os dois primeiros graus do Sacramento da Ordem, recebidos em festas litúrgicas vermelhas: o diaconato, em 1992, na festa dos Apóstolos Pedro e Paulo, e o presbiterato, em 1993, na festa de Pentecostes.
 
O vaso com chama representa a vocação orante da Igreja e o desejo do Bispo de que, como guardião da vida de fé, a Igreja que lhe é confiada seja sempre ardente e ardorosa na oração pessoal e comunitária e na intercessão orante e mútua dos irmãos.
 
A estrela azul, exatamente como uma das que inundam o manto azul da Virgem de Guadalupe, devoção mariana particular do Bispo, e da cor do manto da Virgem de Lourdes, em cujo dia ele recebeu a comunicação de sua nomeação como Bispo de Divinópolis, representa a devoção filial do Bispo à Virgem Santíssima, sob cuja sombra cresceu na sua comunidade de origem, ali invocada como Virgem da Piedade. A Maria, Mãe da Igreja, o Bispo confia seu ministério e sua Igreja, que tem como padroeira a Virgem Imaculada, e também para recordar o dia da ordenação episcopal, celebrada nas memórias dos títulos marianos de Nossa Senhora Auxiliadora e Nossa Senhora do Sagrado Coração.
 
O centro é tomado pela figura do Cristo, Bom e Belo Pastor, com coração ardente, que carinhosamente acolhe e aperta sobre o peito a ovelha, que contempla sua face e se aconchega entre seus braços. O Bispo quer ser próximo, ter cheiro das ovelhas, cuidar delas com amor. Com o olhar fixo no Bom Pastor, o Bispo quer cuidar dos que lhe foram confiados. E é este Cristo Bom que se quer anunciar, como início e fim da trajetória da existência humana, daí o livro das Escrituras com as duas letras gregas, alfa e ômega.A auréola fulgurante não apenas expressa a santidade e a divindade do Bom Pastor, mas, redonda como uma hóstia, quer sinalizar a Eucaristia, em torno da qual o Bispo quer construir e sustentar sua Igreja e seu rebanho.

O lema episcopal
 
Em latim “ASPICIENTES IN IESUM” (em português: “Com os olhos fitos em Jesus”) recorda três passagens da Escritura, nas quais o Bispo busca a certeza da proximidade de Deus na condução do seu ministério: Salmo 15,8 (“Ponho meus olhos no Senhor, com ele não vacilarei.”); Salmo 25,15 (“Meus olhos estão fitos no Senhor, pois Ele tirará meus pés das armadilhas.”) e Hebreus 12,2, donde se tira o lema: “Com os olhos fitos em Jesus, iniciador e consumador de nossa fé.”
 

Escândalo de abuso sexual de menores choca futebol inglês

 
Sequência de denúncias de abuso sexual causou comoção no Reino Unido (iStockphoto/Getty Images)

O noticiário esportivo da Inglaterra foi abalado nesta semana por uma sequência de denúncias de ex-jogadores de futebol, que dizem ter sido vítimas de abuso sexual quando ainda eram crianças. Na quarta-feira, Andy Woodward, ex-zagueiro com passagens por pequenos clubes ingleses, revelou à emissora BBC que foi abusado durante quatro anos por Barry Bennell, seu treinador nas categorias de base do Crewe Alexandra, time do noroeste da Inglaterra que hoje disputa a 4ª divisão. A denúncia encorajou outros atletas que também se disseram vítimas do treinador pedófilo – que foi várias vezes preso, mudou de nome e hoje está foragido. 
 
Woodward contou ter sofrido o primeiro abuso aos 11 anos, semanas depois de estrear pelo Crewe. Na época, ele jogava em seu time do bairro e foi convidado justamente pelo treinador Bennel a integrar a equipe, que mantinha ligações com o Manchester City. “Só queria jogar futebol e vi o clube como o início de um sonho. Só que eram os meninos de natureza suave e os mais frágeis que Bennell buscava. Eu era uma criança que achava que ele ajudaria no começo do futebol”, afirmou Woodward. Ele conta que não teve coragem de denunciar o treinador, pois sofria ameaças.
 
Andy Woodward, em entrevista à BBC (Reprodução)
 
As revelações de Woodward desencadearam uma série de outras denúncias. Ao todo, sete atletas se disseram vítimas de pedofilia por parte de treinadores: além de Woodward, Chris Unsworth, Jason Dunford, Paul Stewart, Steve Walters,  David White e outro, que preferiu preservar sua identidade. 
Unsworth, de 44 anos, formado nas divisões de base do Manchester City e do Crewe Alexandra, relatou que foi violentado por Barry Bennel “entre 50 e 100 vezes” a partir dos nove anos.
 
“Estava vendo pela televisão a revelação de Andy e não disse nada. Joguei com ele quando jovem e o conhecia muito. Quando pensei sobre aquilo, disse a mim mesmo que deveria contar e ajudar as pessoas. Nunca tinha contado a ninguém”, afirmou Unsworth, que deixou o futebol aos 16 anos, à BBC.
 
Jason Dunford, outro ex-jogador do Crew Alexandra, também revelou ter sido violentado pelo treinador. “Lembro do dia que Bennell começou a tocar em mim e eu pedi que não o fizesse. Depois disso, ele começou a me atormentar, dizendo que eu jogaria a cada domingo, depois ficaria no banco sem atuar e, em seguida, fora do time”, disse Dunford.  Outros casos foram registrados quando Bennell trabalhava no Whitehill FC, uma equipe amadora de Manchester.
 
Paul Stewart, um renomado jogador inglês, se uniu às denúncias. Sem citar o nome do agressor, disse que também foi vítima de abuso sexual por parte de um treinador, quando era criança. “As cicatrizes mentais levaram-me a ter outros problemas com bebidas e drogas. Queria que as pessoas soubessem o quanto é difícil”, disse Stewart, jogador com passagens por Manchester United, Liverpool, Tottenham e seleção inglesa, ao jornal inglês Daily Mirror.
 
Stewart revelou ainda que o treinador ameaçava matar a sua família caso ele contasse algo a alguém. Ele disse ainda que o número de casos pode superar uma centena e comparou o escândalo com o de Jimmy Savile, apresentador da BBC, já morto, que abusou de mais de 200 crianças e adultos durante mais de 50 anos.
 
Gordon Taylor, presidente do sindicato dos jogadores profissionais da Inglaterra (PFA), afirmou que a entidade foi contactada mais de dez vezes por jogadores para denunciar casos de abuso.  A Federação Inglesa (FA) também criou uma linha telefônica para que os ex-jogadores possam fazer suas denúncias.
 

O treinador pedófilo


O ex-treinador britânico Barry Bennell (Reprodução)

Barry Bennell tem hoje 62 anos e está foragido. Após as últimas denúncias, policiais foram até sua casa, na cidade de Milton Keynes, e deixaram o local carregando caixas e um cachorro. Segundo os principais jornais britânicos, Bennel foi preso três vezes por abuso sexual de menores. Em 1998, ele foi  condenado a nove anos de prisão após admitir 23 acusações de abuso sexual contra meninos de 9 a 15 anos de idade.
 
Há dois anos, Bennell voltou a ser condenado a dois anos de prisão por abusar de uma criança de 12, em Macclesfield, mas seguia respondendo em liberdade. Desde então, ele utilizava um nome falso, Richard Jones, e vivia em Milton Keynes, em uma rua próxima a escolas. 
 

terça-feira, 2 de maio de 2017

Santo Tomás de Aquino, o Doutor Angélico

Queridos irmãos e irmãs:
 
Após algumas catequeses sobre o sacerdócio e minhas últimas viagens, voltamos hoje ao nosso tema principal, isto é, para a meditação sobre alguns grandes pensadores da Idade Média. Havíamos visto a grande figura de São Boaventura, franciscano, e hoje gostaria de falar daquele que a Igreja chama o Doctor communis: São Tomás de Aquino. Meu adorado antecessor, o Papa João Paulo II, em sua encíclica Fides et ratio, lembrou que São Tomás “sempre foi proposto pela Igreja como mestre do pensamento e modelo do modo certo de fazer teologia” (n. 43). Não surpreende que, depois de Santo Agostinho, entre os escritores eclesiásticos mencionados no Catecismo da Igreja Católica, São Tomás seja citado mais que qualquer outro, até 61 vezes! Foi chamado também Doctor Angelicus, talvez por suas virtudes, em particular a sublimidade de seu pensamento e a pureza de sua vida.
 
Santo Tomás de Aquino ou Doutor Angélico
 
Tomás nasceu entre 1224 e 1225, no castelo que sua família, nobre e rica, possuía em Roccasecca, nas proximidades de Aquino, perto da célebre abadia de Monte Cassino, onde foi enviado por seus pais para receber os primeiros elementos de sua instrução. Um ano depois, mudou-se para a capital do Reino de Sicília, Nápoles, onde Federico II havia fundado uma prestigiosa Universidade. Nela era ensinado, sem as limitações existentes em outros lugares, o pensamento do filósofo grego Aristóteles, a quem o jovem Tomás foi apresentado e de quem intuiu grande valor imediatamente. Mas, sobretudo naqueles anos transcorridos em Nápoles, nasceu sua vocação dominicana. Tomás foi, de fato, atraído pelo ideal da ordem fundada não muitos anos antes por São Domingos. Contudo, quando revestiu o hábito dominicano, sua família opôs-se a esta escolha, obrigando-o a deixar o convento e a passar algum tempo em família.
 
Em 1245, já maior de idade, pôde retomar seu caminho de resposta ao chamado de Deus. Foi enviado a Paris para estudar teologia, sob a orientação de outro santo, Alberto Magno, sobre o qual falei recentemente. Alberto e Tomás estreitaram uma verdadeira e profunda amizade e aprenderam a estimar-se e a apreciar-se, até o ponto que Alberto quis que seu discípulo o acompanhasse, também, a Colônia, aonde ele havia sido enviado pelos superiores da ordem para fundar um estudo teológico. Tomás manteve, então, contato com todas as obras de Aristóteles e de seus comentaristas árabes, que Alberto ilustrava e explicava.
 
Naquele período, a cultura do mundo latino estava profundamente estimulada pelo encontro com as obras de Aristóteles, que haviam sido ignoradas por muito tempo. Tratava-se de textos sobre a natureza do conhecimento, sobre ciências naturais, sobre metafísica, sobre a alma e sobre a ética, repletos de informações e instruções que pareciam válidas e convincentes. Era toda uma visão completa do mundo elaborada sem e antes de Cristo, com a pura razão, e parecia impor-se à razão como “a” própria visão; era, portanto, uma fascinação incrível para os jovens verem e conhecerem esta filosofia. Muitos acolheram com entusiasmo, até mesmo com entusiasmo acrítico, esta enorme bagagem do antigo conhecimento, que parecia poder renovar vantajosamente a cultura, abrir totalmente novos horizontes. Outros, porém, temiam que o pensamento pagão de Aristóteles estivesse em oposição à fé cristã e recusavam estudá-lo.
 
Encontraram-se duas culturas: a cultura pré-cristã de Aristóteles, com sua racionalidade radical, e a cultura clássica cristã. Certos ambientes eram levados à rejeição de Aristóteles, também pela apresentação que deste filósofo faziam os comentaristas árabes Avicena e Averróis. Na realidade, foram eles que transmitiram para o mundo latino a filosofia aristotélica. Por exemplo, estes comentaristas tinham ensinado que os homens não têm uma inteligência pessoal, mas que há um único intelecto universal, uma substância espiritual comum a todos, que opera em todos como “única”: portanto, uma despersonalização do homem. Outro ponto discutível transmitido pelos comentaristas árabes era aquele segundo o qual o mundo é eterno como Deus. Desencadearam-se, compreensivelmente, disputas sem fim no mundo universitário e no eclesiástico. A filosofia aristotélica ia se difundindo, inclusive pelas pessoas simples.
 
Tomás de Aquino, na escola de Alberto Magno, realizou uma operação de fundamental importância para a história da filosofia e da teologia, diria que para a história da cultura: estudou a fundo Aristóteles e seus intérpretes, procurando novas traduções latinas dos textos originais em grego. Assim, não se apoiava apenas nos comentaristas árabes, sendo que podia ler pessoalmente os textos originais, e comentou grande parte dos trabalhos aristotélicos, distinguindo neles o que era válido do que era duvidoso ou completamente rejeitável, mostrando a concordância com os dados da Revelação cristã e utilizando ampla e intensamente o pensamento aristotélico na exposição dos manuscritos teológicos que compôs. Em definitivo, Tomás de Aquino mostrou que entre a fé cristã e a razão subsiste uma harmonia natural. E esta é a grande obra de Tomás, que, naquele momento de confrontação entre duas culturas – momento em que parecia que a fé teria que render-se à razão -, mostrou que ambas caminham juntas; que, quando a razão parecia incompatível com a fé, não era razão, e quando a fé parecia opor-se à verdadeira racionalidade, não era fé; assim, criou uma nova síntese, que formou a cultura dos séculos seguintes.
 
Por seus excelentes dotes intelectuais, Tomás foi chamado a Paris como professor de teologia na cátedra dominicana. Aqui começou também sua produção literária, que prosseguiu até sua morte e que tem algo de prodigioso: comentários à Sagrada Escritura, porque o professor de teologia era, sobretudo, intérprete da Escrituras, comentários aos manuscritos de Aristóteles, obras sistemáticas poderosas, entre as quais sobressai a Summa Theologiae, tratados e discursos sobre argumentos diversos. Para a composição de seus textos, era ajudado por alguns secretários, entre eles seu irmão Reginaldo de Piperno, que o seguiu fielmente e ao qual esteve ligado por uma amizade sincera e fraterna, caracterizada por uma grande confiança. Esta é uma característica dos santos: eles cultivavam a amizade, porque esta é uma das manifestações mais nobres do coração humano e tem em si algo de divino, como Tomás mesmo explicou em algumas quaestiones da Summa Theologia, na qual escreve: “A caridade é a amizade do homem com Deus principalmente, e com os seres que Lhe pertencem (II, q. 23, a.1)”.
 
Não permaneceu durante muito tempo e de um modo estável em Paris. Em 1259 participou do Capítulo Geral dos Dominicanos para Valenciennes, onde foi membro de uma comissão que estabeleceu o programa de estudos da ordem. De 1261 a 1265, depois, Tomás esteve em Orvieto. O Pontífice Urbano IV, que sentia por ele uma grande estima, o encarregou da composição dos textos litúrgicos para a festa de Corpus Domini, que celebramos amanhã, instituída depois do milagre eucarístico de Bolsena. Tomás teve uma alma perfeitamente eucarística. Os belíssimos hinos que a liturgia da Igreja canta para celebrar o mistério da presença real do Corpo e do Sangue do Senhor, na Eucaristia são atribuídos à sua fé e à sua sabedoria teológica. Entre 1265 e 1268, Tomás residiu em Roma, onde, provavelmente, dirigia um Studium, quer dizer, uma Casa de Estudos da Ordem, e onde começou a escrever sua Summa Theologiae (cf. Jean-Pierre Torrell, Tommaso d’Aquino. L’uomo e il teologo, Casale Monf., 1994, pp. 118-184).
 
Em 1269, foi chamado novamente a Paris para um segundo ciclo de ensinos. Os estudantes – compreende-se – estavam encantados com suas lições. Um ex-aluno seu declarou que uma enorme multidão de estudantes seguia os cursos de Tomás, tanto que as salas de aula não conseguiam comportar-lhes, e acrescentou, com uma anotação pessoal que “escutá-lo era para ele uma felicidade profunda”. A interpretação de Aristóteles dada por Tomás não era aceita por todos, mas até mesmo seus adversários no campo acadêmico, como Godofredo de Fontaines, por exemplo, admitiam que a doutrina de Tomás era superior a outras por sua utilidade e valor e servia a todos os demais doutores. Talvez também para subtraí-lo das vivazes discussões em curso, os superiores enviaram-no mais uma vez a Nápoles, para colocar-se à disposição do rei Carlos I, que queria organizar os estudos universitários.
 
Além do estudo e do ensino, Tomás dedicou-se também à pregação ao povo. E também o povo ia de bom grado escutá-lo. Diria que é verdadeiramente uma graça grande quando os teólogos sabem falar com simplicidade e fervor aos fiéis. Por outro lado, o ministério da pregação ajuda os próprios especialistas em teologia, num saudável realismo pastoral, e enriquece de estímulos vivazes sua investigação.
 
Os últimos meses da vida terrena de Tomás permanecem rodeados de uma atmosfera particular, diria misteriosa. Em dezembro de 1273, chamou seu amigo e secretário Reginaldo para comunicar-lhe sua decisão de interromper todo o trabalho, porque durante a celebração da Missa havia compreendido, a partir de uma revelação sobrenatural, que tudo que ele tinha escrito até então era apenas “um montão de palha”. É um episódio misterioso que nos ajuda compreender não apenas a humildade pessoal de Tomás, mas também o fato de que tudo aquilo que chegamos a pensar e a dizer sobre a fé, por mais elevado e puro que seja, é infinitamente superado pela grandeza e pela beleza de Deus, que nos será revelada em plenitude no Paraíso. Um mês depois, cada vez mais absorto em uma meditação pensativa, Tomás morreu enquanto estava de viagem para Lyon, aonde ia para participar do Concílio Ecumênico proclamado pelo Papa Gregório X. Apagou-se na Abadia Cisterciense de Fossanova, após ter recebido o Viático com sentimentos de grande piedade.
 
A vida e o ensinamento de São Tomás de Aquino poderia se resumir em um episódio apanhado pelos biógrafos antigos. Enquanto o santo, como era seu costume, estava em oração perante o crucifixo, pelo início da manhã na Capela de São Nicolau, em Nápoles, Domingo de Caserta, o sacristão da igreja, sentiu desenvolver-se um diálogo. Tomás perguntava, preocupado, se o que havia escrito sobre os mistérios da fé cristã estava correto. E o Crucifixo respondeu: “Tu tens falado bem de mim, Tomás. Qual será tua recompensa?”. E a resposta que Tomás deu é a que nós também, amigos e discípulos de Jesus, sempre quisemos dizer: “Nada mais que Tu, Senhor” (Ibidem, p. 320).
 
Fonte: Zenit

http://www.presbiteros.com.br/site/santo-tomas-de-aquino-o-doutor-angelico/

Especialistas dizem que Darcy Ribeiro estava certo: educação é o caminho para reduzir a criminalidade

Educadores e juristas ouvidos pelo Estado de Minas são unânimes: inchaço do sistema carcerário brasileiro seria evitado com melhorias no ensino. No Brasil, presos custam 13 vezes mais que estudante.
 
Desde o agravamento da crise do sistema prisional brasileiro – que teve seu estopim com o derramamento de sangue nos presídios de Manaus e Boa Vista, no início do mês –, uma frase do antropólogo Darcy Ribeiro (1922-1997) tem sido constantemente repetida em discursos e nas redes sociais na internet. “Se os governantes não construírem escolas, em 20 anos faltará dinheiro para construir presídios”, disse o mineiro, em uma conferência, em 1982. O Estado de Minas conversou com sociólogos, psicólogos e criminalistas para saber até que ponto o incentivo em educação – sobretudo no ensino básico – é um fator preponderante para diminuir a inserção no mundo do crime. A resposta: sim, a profecia feita em 1982 se concretizou e Darcy Ribeiro não só tinha razão, como o país atravessa uma crise no sistema prisional sem precedentes, com 622 mil presos, – sendo quase a metade de temporários, aguardando julgamento – e um déficit de 250 mil vagas no sistema prisional. 
  
Os dados são do último Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (Infopen), do Ministério da Justiça. A previsão, se o crescimento da população carcerária mantiver o ritmo, é de que o Brasil supere a marca de 1 milhão de detentos em 2022. Segundo a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, também presidente do Conselho Nacional de Justiça, um preso custa ao estado 13 vezes mais que um estudante: em média, R$ 2,4 mil por mês (R$ 28,8 mil por ano), enquanto um estudante de ensino médio custa atualmente R$ 2,2 mil por ano.
 
"Fracassei em tudo o que tentei na vida.Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui.Tentei salvar os índios, não consegui. Tentei fazer uma universidade séria e fracassei. Tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei. Mas os fracassos são minhas vitórias. Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu." Darcy Ribeiro (1922-1997) (foto: Arquivo/EM)

“Investimento em educação, de fato, reduz a vulnerabilidade das pessoas, que ficam menos expostas ao crime. É pacificado na literatura, um fato científico”, afirma o pesquisador Rafael Alcadipani, professor da Fundação Getulio Vargas e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. “Mas precisamos ir além desse mantra: temos que exigir qualidade no ensino e menos desigualdade. Países com menos desigualdade geram um povo educado e, consequentemente, menos violento.”


ESCOLA DE QUALIDADE
 
 
Em 2013, um estudo do departamento de Economia, Administração e Sociologia da Universidade de São Paulo (USP) mostrou que para cada investimento de 1% em educação, 0,1% do índice de criminalidade era reduzido. Para obter esse número, a pesquisa analisou o gasto público em educação entre 2000 e 2009, e como o investimento impactou na redução da taxa de homicídios. Depois, observou como uma escola voltada para o desenvolvimento de conhecimento tem menos chance de desenvolver alunos violentos do que escolas com traços como depredação do patrimônio, atuação de gangues e tráficos de drogas.

“A escola, como sempre, é um meio de transformação. Mas estamos falando de uma boa escola: com professores valorizados, bem formados, para que crianças possam sonhar com um futuro que não seja miserável”, afirma Vanessa Barros, professora do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Minas Gerais e integrante do Observatório Nacional do Sistema Prisional. “Estamos falando de adolescentes e jovens que moram nas periferias, lugares mais vulneráveis. Os dados mostram que a escolaridade na população carcerária é baixa e a realidade nos mostra que se houvesse escolas de qualidade, de fato, eles poderiam ter um futuro diferente”, garante a psicóloga.
 
 
DEDICAÇÃO AO CONHECIMENTO
 
 
 Um dos principais pensadores da história do Brasil, Darcy Ribeiro deixou uma obra que extrapola os limites de sua principal devoção: a educação. Em mais de meio século de produção intelectual, o mineiro nascido em Montes Claros, em 26 de outubro de 1922, e formado em antropologia pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo, em 1946, deixou como legado um extenso trabalho etnográfico e de defesa da causa indígena, foi ministro de Estado, escreveu obras políticas e se debruçou sobre o Brasil para descobrir as raízes de seus diversos problemas.
As primeiras incursões na vida pública foram ainda na década de 1950, na pasta da Educação, logo depois de criar a Universidade de Brasília (UnB). Nos anos 1960, foi ministro-chefe do governo João Goulart, antes de partir para o exílio, que durou até 1976. Ainda na política, foi vice-governador de Leonel Brizola no Rio Janeiro (1982) e eleito senador pelo mesmo estado em 1991, cargo que ocupou até a morte, em 17 de fevereiro de 1997, aos 74 anos. Entre suas obras mais aclamadas estão o romance Maíra (1976) e O povo brasileiro – a formação e o sentido do Brasil (1995).


http://www.em.com.br/app/noticia/politica/2017/01/15/interna_politica,839547/educacao-e-o-caminho-para-reduzir-a-criminalidade.shtml
 

Construir mais prisões ou prender menos? As duas coisas.

 
Em 68% das prisões brasileiras há mais do que nove presos por vaga. Em números absolutos, os maiores déficits estão no estado de São Paulo, que tem 62.572 mil presos a mais do que o número de vagas; Minas Gerais, com 13.515; e Pernambuco, com 15.194. Ao todo, o Brasil tem um déficit de aproximadamente 170 mil vagas. Os dados são do sistema Geopresídios, do Conselho Nacional de Justiça.
 
Dessa forma, os presídios ficam superlotados, sem higiene e com ambientes fétidos e insalubres. Locais onde o homem e a mulher estão devidamente abandonados pelo Estado. Hoje, no Brasil, a população carcerária se aproxima dos 550 mil presos, número sufi ciente para lotar seis Maracanãs e meio.
 
De acordo com o levantamento feito pela equipe Direito Direito, apenas nove crimes são responsáveis por 94% dos aprisionamentos no Brasil. Entre eles o tráfico de drogas, com 125 mil presos, e os crimes patrimoniais – furto, roubo e estelionato - com 240 mil.
 
Mais penitenciárias?
 
Para o juiz de direito titular da Vara de Execuções Penais do Amazonas, Luís Carlos Valois, só há duas formas de resolver o problema da superlotação: construindo mais penitenciárias ou prendendo menos. Ele explica, entretanto, que nem toda conduta deve ser criminalizada.
 
“A questão das drogas é um grande exemplo. Misturam-se pequenos traficantes com homicidas, latrocidas e estupradores em razão dessa superlotação e em prejuízo da sociedade. Eu entendo que a prisão deveria ficar somente para os casos mais graves, de crimes cometidos com violência contra a pessoa. Esse sim seria um bom começo”, comenta.
 
Fonte: Brasil de Fato, em 01/03/2013.