terça-feira, 29 de agosto de 2017

Pastoral da Sobriedade promove curso para a formação de novos agentes

A Coordenação Arquidiocesana da Pastoral da Sobriedade promoverá nos dias 16 e 17 de setembro, seu primeiro curso de formação de novos agentes da pastoral. O curso será realizado na Casa Mãe do Santíssimo Sacramento, no Engenho Novo, Vicariato Episcopal Norte.
 
Além da formação de novos agentes, outra meta da pastoral é ampliar os grupos de auto ajuda para que mais pessoas sejam atendidas pela pastoral. Atualmente, a Arquidiocese do Rio de Janeiro conta com apenas 22 núcleos da pastoral que desenvolvem ações de prevenção e recuperação da dependência química.
 
Presente em 167 dioceses e atingindo mais de 6 milhões de pessoas, a Pastoral da Sobriedade tem como meta nacional definida chegar a 75% das dioceses, organizar 3.500 grupos e mais de 500 comunidades terapêuticas para atendimento e recuperação de pessoas com algum tipo de dependência do uso de drogas.
 
A Pastoral da Sobriedade atua na prevenção, intervenção, recuperação e articulação nos Conselhos de Políticas Públicas para lutar por melhorias e direitos. Presente em 25 estados e no Distrito Federal, a Pastoral recebeu a medalha do Mérito da Secretaria Nacional Anti-Drogas por ser a organização que mais atende dependentes químicos no Brasil.
 
O investimento para participar do curso é de R$ 120,00, referente ao material didático composto por três livros, material impresso e alimentação nos dois dias de curso. Informações e inscrições poderão ser obtidas com o coordenador arquidiocesano da pastoral, José Roberto Silvestre, através do correio eletrônico jrobertosilvestre@ig.com.br 
 
A Casa Mãe do Santíssimo Sacramento fica na Rua Pedro Calazans, 55, Engenho Novo, Zona Norte do Rio.
 
Conheça a Pastoral da Sobriedade
 
A Pastoral da Sobriedade é uma ação concreta da Igreja que evangeliza pela busca da sobriedade como um modo de vida. A pastoral tem como objetivo prevenir e recuperar da dependência química e outras dependências, a partir da vivência dos “12 passos da Pastoral da Sobriedade” ou “Terapia do Amor”, pois trata todo e qualquer tipo de dependência, propõe mudança e valoriza a pessoa humana.
Os 12 passos são vivenciados periódica e clinicamente, traduzindo um Programa de Vida Nova que cumpre a primeira missão da Igreja: a evangelização. Os 12 passos são: admitir, confiar, entregar, arrepender-se, confessar, renascer, reparar, professar a fé, orar e vigiar, servir, celebrar e festejar.
 
A pastoral busca desenvolver ações conjuntas para integrar todas as pastorais, movimentos e comunidades terapêuticas, casas de recuperação para através da pedagogia libertadora de Jesus, resgatar e reinserir os excluídos, propondo uma mudança de vida através da conversão.
 
A identidade da Pastoral da Sobriedade é o grupo de auto-ajuda, espaço de consolidação de seu trabalho. A pastoral capacita aqueles, que de alguma maneira, se identificam com a causa e desejam lutar pela vida, tornando-se um agente.
 
 
Foto: Cláudio Santos
 

Significado de Vocação

Vocação é um termo derivado do verbo no latim “vocare” que significa “chamar”. É uma inclinação, uma tendência ou habilidade que leva o indivíduo a exercer uma determinada carreira ou profissão.
 
 
Vocação é uma competência que estimula as pessoas para a prática de atividades  que estão associadas aos seus desejos de seguir determinado caminho.
 
Por extensão, vocação é um talento, uma aptidão natural, um pendor, uma capacidade específica para executar algo que vai lhe dar prazer.
 

Vocação religiosa

 
Vocação religiosa é um chamado de Deus para a prática religiosa, é louvar e servir a Deus e ao próximo. Ter vocação religiosa é estar disponível para se separar das coisas que são do mundo e que não são do agrado de Deus.
 
Religiosos são cristãos que querem dedicar sua vida a Deus e ais irmãos, e encontrar em Deus sua segurança, alegria e realização pessoal.
 
 
A vocação religiosa pode ser seguida por homens como também por mulheres, que ao sentirem o chamado de Deus, deixam tudo e colocam-se inteiramente a serviço dos irmãos mais necessitados. Essas mulheres buscam as congregações que mais se identificam e se preparam para serem irmãs ou freiras.
 
 
Para ir direto ao assunto, vocação é um chamado de Deus para viver a santidade de um modo específico em nossa vida. Vocação náo é uma carreira, não é algo que você faz; vocação é aquilo que você é.
 

 Os batizados são chamados a serem santos como pessoas solteiras ou casadas, irmãos ou irmãs consagrados, diáconos, sacerdotes ou bispos. Não importa a profissão que cada um tenha, ele ou ela é chamado(a) a estar em comunhão com Deus e assim buscar a santidade.

 
A conscientização deste chamado virá em tempos diferentes da vida e de diferentes modos. Pode vir de algo que você leu, de um acontecimento na vida, por meio de uma pessoa que você conheceu ou já conhecia.
 

 
 

Sob a ira de Deus!.

 
Quem são os padres brasileiros denunciados por abusos sexuais citados no filme candidato ao Oscar "Spotlight" e por que até os condenados na Justiça continuam livres.

Aos 19 anos, P.H. não quer relembrar os abusos que sofreu aos 14. Coroinha de uma igreja em Franca, no interior de São Paulo, afirma ter sido molestado pelo padre José Afonso Dé. Procurado pela reportagem de ISTOÉ, disse que precisaria “rezar” antes de decidir se daria entrevista. “É um assunto de más recordações”, limita-se a responder.
 

Dé foi condenado em 2011 a 60 anos e oito meses de prisão pelo estupro de nove adolescentes. Ao recorrer, garantiu sua liberdade enquanto espera o julgamento do Tribunal de Justiça de São Paulo, sem previsão para acontecer. O advogado do religioso, José Chiachiri Neto, afirma que Dé foi acusado por crimes que não cometeu, que só fazia brincadeiras como se fosse tocar nos órgãos genitais dos jovens. 

Afastado da igreja, o sacerdote recebe fiéis em casa, faz evangelização de casais e dá aulas de religiosidade. Depois de depor contra o padre, P.H. prefere o anonimato para evitar a dor. O caso de Franca é um dos quatro citados nos últimos minutos de projeção do filme candidato ao Oscar “Spotlight: Segredos Revelados”, que retoma os escândalos envolvendo padres pedófilos em Boston, nos Estados Unidos (leia mais no quadro ao lado). 

A cidade aparece numa lista com outras cem ao redor do mundo em que foram abertos processos judiciais contra sacerdotes, incluindo outras três brasileiras: Mariana (MG), Rio de Janeiro e Arapiraca (AL). Escândalos de repercussão nacional, as investigações contra padres dessas localidades levaram a uma absolvição e três condenações de réus que recorreram em liberdade, entre eles Dé. Um cumpriu pena de prisão.
 
Não sei se é oportuno mexer nesse latão de lixo”, afirma o padre Gino Nasini ao ser questionado sobre o assunto, para na sequência encerrar a conversa. Nasini é o autor de um dos únicos estudos brasileiros sobre o tema, publicado em 2001, que mostra que em 65% das dioceses a orientação é transferir o sacerdote envolvido em situações de má conduta sexual. “Era só o que se fazia, transferir o padre, até que as histórias de Boston foram denunciadas. Agora o acusado responde judicialmente”, afirma o religioso dominicano Frei Betto, referindo-se à história de “Spotlight”. 

Mas os casos que chegam à Justiça ainda são uma exceção entre os milhares acobertados pela Igreja Católica durante décadas. Desde o pontificado de João Paulo II (1978-2005) e principalmente no de Bento XVI (2005-2013), o manto do sigilo foi tirado à força e histórias de abusos de crianças por homens ditos religiosos vieram à tona. O papa alemão, inclusive, teria renunciado também para que seu sucessor tivesse energia para combater essa chaga dentro de suas fileiras. 

Francisco criou uma comissão específica, trata do assunto publicamente, mas nada mudou até agora. Além da omissão do Vaticano, a morosidade dos processos denota falta de rigor com a legislação. “Casos com vítimas crianças e adolescentes deveriam seguir o princípio constitucional da prioridade absoluta”, afirma Ariel de Castro Alves, fundador da Comissão Especial da Criança e do Adolescente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). 

Alves também afirma que os tribunais de Justiça levam em média dois anos para julgar uma apelação. Nos casos brasileiros, salvo o que houve cumprimento de pena, essa espera já leva pelo menos cinco anos. 
 
Bonifácio Buzzi, de Mariana, foi o único a ser preso definitivamente por abusar sexualmente de um menino de 10 anos. Em depoimento, a criança afirmou que Buzzi praticou sexo oral nele e lhe deu R$ 5 para que ficasse em silêncio. Em outra situação, pagou mais R$ 3 e repetiu a prática. Condenado em 2004, ficou foragido e foi preso em 2007, ao terminar de celebrar uma missa em um asilo em Barbacena. Cumpriu pena até 2015. Antes disso, foi condenado em 13 anos de prisão domiciliar em 1995 por abusar de dois meninos de 5 e 10 anos. O padre Bonifácio Buzzi, de 57 anos, se matou neste domingo numa cela do Presídio de Três Corações, Sul de Minas. Na sexta-feira, ele foi preso em cumprimento a mandado de prisão pela suspeita de abuso de duas crianças na zona rural da cidade, em maio deste ano.
Em 2007, no Rio de Janeiro, o padre polonês Marcin Michal Strachanowski começou a trocar mensagens de tom sexual com um rapaz de 16 anos, segundo depoimento do próprio jovem. As investidas culminaram na cena que um juiz carioca descreveu posteriormente como “masmorra erótica”, expressão que repercutiu mundialmente. Segundo o relatório de maio de 2010 em que se justifica a prisão preventiva de Strachanowski, ele algemou o rapaz a uma cama na casa paroquial e fez sexo oral nele. 

O mesmo documento afirma que o padre “fazia uso de sua autoridade de sacerdote” e ameaçava o adolescente. Nos autos do processo, o polonês admite ser gay e ter fotos e vídeos de relações sexuais entre homens, mas afirma nunca ter praticado o ato com ninguém. O caso foi encerrado em novembro do mesmo ano e Strachanowski foi absolvido. Procurada, a Arquidiocese do Rio de Janeiro esclarece que “nada foi comprovado e ele retornou à Polônia”.
Em outra denúncia no Rio de Janeiro, em Niterói, o padre Emilson Soares Corrêa foi indiciado em 2013 pelo Ministério Público por abuso sexual de uma jovem de 13 anos. Ele responde a processo criminal e está afastado de suas funções sacerdotais, de acordo com a Arquidiocese de Niterói. Na última cidade da lista, Arapiraca, segunda maior de Alagoas, apesar da condenação de três padres em 2010 e da repercussão nacional, os processos estão parados, segundo o promotor de Justiça Alberto Tenório de Vieira. 

A história foi divulgada por uma rede de tevê aberta, que teve acesso a um vídeo em que um dos sacerdotes fazia sexo com um adolescente. A denúncia foi feita por três rapazes. Um deles afirmou ser abusado desde os 9 anos. Disse também, em meio à CPI da Pedofilia, em 2011, que era coagido a dormir no mesmo quarto que um dos sacerdotes e fingia estar dormindo enquanto era beijado e acariciado nos órgãos genitais. 

Monsenhor Luiz Marques Barbosa foi condenado a 21 anos de prisão e os padres Edílson Duarte e Raimundo Gomes, a 16 anos e quatro meses. Foi a primeira vez que o Vaticano reconheceu um caso brasileiro de abuso sexual contra jovens. Os três acusados recorreram em liberdade. Gomes, porém, morreu em 2014, ao sofrer um AVC.
Ao relembrar a história, o promotor Vieira, que acompanhou a acusação desde o começo, salienta a situação de vulnerabilidade das vítimas. “Eram menores carentes, os pais procuraram refúgio espiritual e colocaram os filhos como sacristãos na igreja. Em troca disso, tinham um futuro bancado”, diz. Coincidentemente, em um diálogo do filme “Spotlight”, essa mesma nuance é ressaltada quando traçado o perfil social dos menores abusados pelo padre John J. Geoghan nos Estados Unidos, desde 1974. Lá, foram quase 30 anos para que o criminoso fosse punido.

Consultada sobre os escândalos de pedofilia envolvendo o clero brasileiro, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) não respondeu à reportagem até o fechamento desta edição. Das arquidioceses inquiridas, só a do Rio de Janeiro e a de Niterói se manifestaram. Três especialistas em religião ligados à Igreja foram procurados e também se negaram a comentar. 

Sem qualquer apoio eclesiástico, aqueles que se vêem em uma situação de abuso também se calam. Em “Spotlight”, muitas vítimas decidiram contar suas histórias como maneira de expurgar o trauma. Por aqui, o único caso de um depoimento aberto foi Marcelo Ribeiro, autor do livro “Sem Medo de Falar - Relato de Uma Vítima de Pedofilia” (Companhia das Letras). O empresário de 50 anos consegue falar dos abusos sofridos com detalhes. 

Diz que começaram aos 11 anos, quando dormia em um alojamento com outros colegas do coral católico do qual participava. Acordou no meio da noite, olhou para trás e viu o maestro, um padre, na mesma cama que ele fazendo sinal de silêncio. Notou a calça do pijama abaixada. Sem entender o que acontecia, voltou a dormir. Coagido pelo poder que o sacerdote representava, acreditava que o certo era obedecê-lo. 

Foi estuprado pelo padre João Marcos Porto Maciel desde os 13 e quase diariamente entre os 15 e 16 anos, até que decidiu cortar sua ligação com a igreja. Afastado do sacerdócio, Maciel é investigado pelo Ministério Público desde 2014 por crimes de abuso contra crianças que teria cometido nos últimos anos, processo cuja abertura foi incitada pelo relato de Ribeiro. “Há muitas histórias como a minha, mas ninguém quer falar. A pessoa vai denunciar padres por que, se nada é feito?

Fonte: Isto É

Ipê

O ipê-roxo é uma das árvores mais representativas da flora brasileira.
Fabio Pili/Alamy
 
 
O ipê é uma árvore diferente da maioria das outras: quando suas flores nascem, as folhas caem dos galhos. Quando se vê um ipê florido, sabemos que a primavera está próxima — a maioria dos ipês floresce no final do inverno ou no começo da primavera. A imagem do ipê é bastante representativa do Centro-Oeste e do Sudeste do Brasil.
 
Sua madeira é de lei — quer dizer, é madeira de qualidade. Por ser dura e resistente, é empregada na construção civil e naval, em assoalhos, vigas, eixos de rodas e peças de marcenaria. Por ser muito procurada, tem de ser plantada em grande quantidade — para reflorestamento —, a fim de que não seja extinta. Suas flores são lindas e embelezam as ruas em que se encontram.

Ipê Rosa
 
O ipê cresce devagar e pode chegar a 30 metros de altura, mas a maioria tem de 7 a 15 metros de altura. É do gênero Tabebuia, palavra tupi que significa “árvore de casca grossa”. As espécies mais conhecidas são o ipê-amarelo, também chamado de pau-d’arco, frequente em Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná; o ipê-roxo, de flores cor-de-rosa, comum nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul; e o ipê-branco, que se encontra muito no Rio de Janeiro e em Minas Gerais.

Ipê Branco
 
As árvores florescem no inverno e na primavera. O ipê-roxo é o primeiro a florir: de junho a agosto nas regiões quentes, um pouco antes nos locais mais frios. O ipê-amarelo floresce entre agosto e setembro e o ipê-branco, de setembro a outubro. No Brasil, existem doze tipos de ipês com flor em tons de amarelo.

Ipê Amarelo
 
O ipê é a árvore-símbolo do Brasil. (A árvore nacional é o pau-brasil, que deu nome ao país.)
 

Padre é preso em Goiás acusado de abuso sexual de jovens para “recuperar virgindade”

Ação foi em cumprimento a mandado expedido pela Justiça em Anicuns após requerimento feito pelo Ministério Público de Goiás
 
Em cumprimento a mandado expedido pela Justiça em Anicuns, o padre Iran Rodrigo Souza de Oliveira foi preso nesta quarta-feira (16/8) em Caiapônia, na Operação Sacrilégio. A prisão foi determinada pelo Judiciário em atendimento a requerimento feito pelo Ministério Público de Goiás, que investiga acusações de abuso sexual contra o religioso feitas por jovens residentes em Americano do Brasil. A prisão do religioso ocorreu em Caiapônia, por cuja paróquia ele responde.
 
O padre detido foi levado para Anicuns, onde prestaria depoimento ao MP ainda hoje. O cumprimento da ordem judicial de prisão foi feito pelo promotor Danni Sales Silva, que conduziu as investigações, com apoio do Centro de Inteligência (CI) do MP e das Polícias Militar e Civil. Também foi cumprido mandado de busca e apreensão na residência do suspeito, tendo sido apreendidos no local computador, arquivos de mídia, pen drives e um celular.
 
 
A investigação apura, inicialmente, a prática, pelo religioso, dos crimes de violação sexual mediante fraude, como adquirir, possuir ou armazenar, por qualquer meio, fotografia, vídeo ou outra forma de registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente. A partir da deflagração da operação, a apuração deve avançar ainda para verificar se teria havido também a prática de estupro de vulnerável.
 
A apuração que está sendo conduzida pelo MP foi instruída com o depoimento das jovens que teriam sido abusadas pelo padre e também de amigos e familiares que conheciam as histórias. Conforme os relatos, alguns dos abusos ocorreram dentro da casa paroquial de Americano do Brasil, no período em que o religioso esteve naquela paróquia.
 
Santificação
 
Os depoimentos detalharam a estratégia que teria sido utilizada pelo padre para seduzir e convencer as vítimas a aceitar a prática do abuso. De acordo com o relato de uma delas, hoje com 17 anos, quando tinha 14 (em 2014), ela teria procurado o religioso e se confessado com ele, em razão de ter perdido a virgindade e estar arrependida. O suspeito, então, a teria questionado se, caso houvesse uma forma de ela recuperar a virgindade, ela aceitaria fazer o procedimento.
 
Com o “sim” da jovem, o religioso a teria orientado a ir em casa tomar banho e retornar depois à casa paroquial. Ao voltar, destacou a garota nas declarações ao promotor, o padre teria dito que faria um procedimento de “santificação” para que ela voltasse a ser virgem. Em seguida, teria solicitado que ela tirasse toda a roupa e a teria tocado em várias partes do corpo, seios, por exemplo, e também a genitália. O toque na vagina, segundo afirmado à vítima, teria como finalidade exatamente “santificar” o local para a recuperação da virgindade.
 
Esses contatos íntimos, salienta o depoimento, teriam continuado em outras ocasiões, como em um encontro religioso em Caldas Novas em 2015. Nessa ocasião, o padre teria explicado à jovem que iria tocá-la para conferir se “havia voltado a ser virgem”.
 
A jovem relatou ainda ao MP que trocou várias mensagens por aplicativo de celular com o religioso, nas quais ele a teria orientado a seguir um outro ritual de santificação, após o qual deveria lhe enviar, pelo celular, fotos de seu corpo nu, incluindo da vagina, visando comprovar a “santificação”. Essa troca de mensagens foi objeto do registro em uma ata notarial em cartório, medida aconselhada por uma amiga da garota, e também de uma medida judicial de interceptação telemática, que comprovou as conversas.
 
Já com as conversas sob monitoramento telemático, o suspeito, neste mês de agosto, solicitou novamente por mensagem novas fotos da vítima, em várias posições, incluindo a genitália. Com base nessas mensagens, a equipe do CI solicitou a identificação do proprietário do número do celular, confirmando pertencer ao padre. Esse fatos levararam ao requerimento da prisão preventiva e à deflagração da operação.
 
Com uma outra jovem ouvida pelo MP, os fatos, bem semelhantes, inclusive com o ritual da santificação, teriam ocorrido quando ela tinha 21 anos, também em 2014.
 
(Com assessoria do MP)
 
https://www.jornalopcao.com.br/ultimas-noticias/padre-e-preso-em-goias-acusado-de-abuso-sexual-de-jovens-para-recuperar-virgindade-102565/

O Cristo cósmico:uma espiritualidade do universo

Uma das buscas mais persistentes entre os cientistas que vem geralmente das ciências da Terra e da vida é pela da unidade do Todo. Dizem: “precisamos identificar aquela fórmula que tudo explica e assim captaremos a mente de Deus”. Esta busca vem sob o nome de “A Teoria da Grande Unificação” ou “A Teoria Quântica dos Campos” ou, pelo pomposo nome de “A Teoria de Tudo”. Por mais esforços que se tenham feito, todos acabam se frustrando ou como o grande matemático Stephan Hawking, abandonando, por impossível, esta pretensão. O universo é por demais complexo para ser apreendido por uma única fórmula.

         Entretanto, pesquisando as partículas sub-atômicas, mais de cem, e as enegias primordiais, chegou-se a perceber que todas elas remetem àquilo que se chamou de “vácuo quântico” que de vácuo não possui nada porque é a plenitude de todas as potencialiades. Desse Fundo sem fundo surgiram todos os seres e o inteiro universo. É representado como um vasto oceano sem margens, de energia e de virtualidades. Outros o chamam de “Fonte Originária dos Seres” ou o “Abismo alimentador de Tudo”.

         Curiosamente, cosmólogos como um dos maiores deles, Brian Swimme, denomina-o de o Inefável e o Misterioso (The Hidden Heart of the Cosmos, 1996) Ora, estas são carcaterísticas que as religiões atribuem à Última Realidade que vem chamada por mil nomes, Tao, Javé, Alá, Olorum, Deus. O Vácuo pregnante de Energia se não é Deus (Deus é sempre maior) é a sua melhor metáfora e representação.

         O fundamental não é a matéria mas esse vácuo pregnante. Ela é uma das emergências desta Fonte Originária. Thomas Berry, o grande ecólogo/cosmólogo norte-americano, escreveu: “Precisamos sentir que somos carregados pela mesma energia que fez surgir a Terra, as estrelas e as galaxias; essa mesma energia fez emergir todas as formas de vida e a consciência reflexa dos humanos; é ela que inspira os poetas, os pensadores e os artistas de todos os tempos; estamos imersos num oceano de energia que vai além da nossa compreensão. Mas essa energia, em última instância, nos pertence, não pela dominação mas pela invocação”(The Great Work,1999, 175), quer dizer, abrindo-nos a ela.

         Se assim é tudo o que existe é uma emergência desta energia fontal: as culturas, as religiões, o próprio cristianismo e mesmo as figuras como Jesus, Moisés, Buda e cada um de nós. Tudo vinha sendo gestado dentro do processo cosmogênico na medida em que surgiam ordens mais complexas, cada vez interiorizadas e interconectadas com todos os seres. Quando acontece determinado nível de acumulação dessa energia de fundo, então ocorre a emergência dos fatos históricos e de cada pessoa singular.

         Quem viu esta gestação de Cristo no cosmos foi o paleontólogo e místico Teilhard de Chardin(+1955), aquele que reconciliou a fé crista com a ideia da evolução ampliada e com a nova cosmologia. Ele distingue o “crístico” do “cristão”. O crístico comparece como um dado objetivo dentro do processo da evolução. Seria aquele elo que une tudo com tudo. Porque estava lá dentro pôde irromper, um dia na história, na figura de Jesus de Nazaré, aquele por quem todas as coisas têm sua existência e consistência, no dizer de São Paulo.

         Portanto, quando este crístico é reconhecido subjetivamente, se transforma em conteúdo da consciência de um grupo, ele se trasnforma em “cristão”. Então surge o cristianismo histórico, fundado em Jesus, o Cristo, encarnação do crístico. Daí se deriva que suas raízes derradeiras não se encontram na Palestina do primeiro século, mas dentro do processo da evolução cósmica.

         Santo Agostinho escrevendo a um filósofo pagão (Epistola 102) intuíu esta verdade: ”Aquela que agora recebe o nome de religião cristã sempre existia anteriormente e não esteve ausente na origem do gênero humano, até que Cristo veio na carne; foi então que a veradeira religião que já existia, começou a ser chamada de cristã.”

         No budismo se faz semelhante raciocínio. Existe a budeidade (a capaciade de iluminação) que vem se forjando ao longo do processo da evolução, até que ela irrompeu em Sidarta Gautama que virou Buda. Este só pôde se manifestar na pessoa de Gautama porque antes, a budeidade, estava lá no processo evolucionáro. Então virou o Buda, como Jesus virou o Cristo.

         Quando esta comprensão vem internalizada a ponto de transformar nossa percepção das coisas, da natureza, da Terra e no Universo, então abre-se o caminho para uma experiência espiritual cósmica, de comunhão com tudo e com todos. Realizamos por esta via espiritual o que os cientistas buscavam pela via da ciência: um elo que tudo unifica e atrái para frente.

Leonardo Boff é articulista do JB on line e escreveu O Evangelho do Cristo cósmico, Record 2010.


https://leonardoboff.wordpress.com/2016/09/23/o-cristo-cosmicouma-espiritualidade-do-universo/

 

Filme 'Spotlight' expõe entranhas da religião e da imprensa

investigação jornalística retratada no filme "Spotlight - Segredos Revelados" foi o que deu visibilidade ao pesadelo subterrâneo dos abusos sexuais contra crianças praticados por sacerdotes católicos. Antes havia denúncias esparsas, sempre refutadas pela igreja.
 
 
As primeiras reportagens da série publicada em 2002 pelo jornal "The Boston Globe" implicavam 70 padres na cidade, que abriga uma das maiores comunidades católicas dos Estados Unidos. Essa cifra logo se multiplicou, conforme casos semelhantes passaram a irromper em toda parte.
 
Em 2014, o Vaticano alegava haver aplicado sanções contra cerca de 3.500 religiosos nos últimos dez anos (quase 1%, num universo de 400 mil); os papas anterior e atual amontoaram pedidos de desculpas. O assunto é dramático para a instituição porque os crimes não se restringiam aos abusos cometidos, em geral por padres que cativavam meninos em situação familiar vulnerável.
 
Como atestaram as reportagens da equipe investigativa do jornal (chamada "spotlight", holofote), um meticuloso esquema de acobertamento dos delitos e proteção dos infratores era mobilizado por superiores hierárquicos, no caso de Boston por seu infame arcebispo, o cardeal Bernard Law, que renunciou em dezembro de 2002.
 
Parece óbvio que uma parcela de sacerdotes mantém alguma vida sexual, o que deve favorecer certo "silêncio obsequioso" na corporação. Além disso, embora as estatísticas não sejam conclusivas ao comparar a prática de crimes sexuais por adultos leigos e religiosos, é de se imaginar que uma profissão que recruta celibatários e lhes confere poderes supostamente mágicos corre o risco de atrair indivíduos propensos a distúrbios como a pedofilia.
 
O filme que o diretor Tom McCarthy fez da persistente apuração levada a cabo pelo "Globe" é sóbrio, cinzento como uma tarde bostoniana (dispensável o piano um tanto pernóstico da trilha). Em meio às inevitáveis cenas de jornalismo explícito (anotações frenéticas, portas batidas na cara de repórteres etc.), uma aura de suave heroísmo banha a equipe do jornal.
 
O adversário aqui não é uma ditadura sanguinária, mas a melíflua e sufocante influência que a igreja irradia sobre Boston e que se faz sentir dentro mesmo de seu principal periódico, onde muitos editores provêm de tradicionais famílias católicas.
 
Foi devido à obsessão de três forasteiros –um editor-executivo judeu, um repórter de origem portuguesa e um advogado armênio– que se rompeu o circuito da inércia acomodatícia, quando o jornal, depois de tatear às cegas, decide enfim aprofundar a investigação dos indícios de abuso.
 
Esse aspecto do filme dissolve o maniqueísmo latente. Denúncias contra padres e bispos haviam sido recebidas antes pelo "Globe" e registradas em notas despercebidas, quando não sumiram no buraco negro que existe em toda Redação, feito de falta de tempo, recursos, paciência e incentivo para quebrar o hábito. Demorou para a notícia ser percebida, mas sua repercussão ainda ecoa.

SPOTLIGHT - SEGREDOS REVELADOS
DIREÇÃO: Tom Mccarthy
ELENCO: Michael Keaton, Mark Ruffalo, Rachel Mcadams
PRODUÇÃO: EUA, 2015, 12 anos