domingo, 9 de abril de 2017

Após críticas sobre Síria, EUA enviam porta-aviões para península norte-coreana

Neste sábado, o governo da Coreia do Norte emitiu uma nota condenando a retaliação norte-americana a Bashar al-Assad; frota de ataque marítimo está posicionada para demonstrar a força do governo Trump frente a Kim Jong-un.

iG São Paulo
Como demonstração de força, Trump enviou porta-aviões à Coreia do Norte; Kim Jong-un criticou ação dos Estados Unidos na Síria
 
Três dias depois de usar navios para bombardear a Síria, os Estados Unidos ordenaram, neste domingo (9), que o porta-aviões "US Carl Vinson" e seu grupo de ataque em águas próximas seguissem em direção à Coreia do Norte.
 
O movimento norte-americano representa uma demonstração de força, após novas provocações do regime de Kim Jong-un. A ação acontece em um momento em que o presidente dos Estados Unidos , Donald Trump, procura promover sua capacidade defensiva na região frente às ambições nucleares da Coreia do Norte.
 
Ainda neste sábado (8), o governo da Coreia do Norte emitiu uma nota condenando o ataque do governo Trump à base militar síria – que, segundo o magnata, foi a responsável pelo lançamento de mísseis químicos, matando civis. No comunicado, Kim Jong-un classifica a ação de retaliação norte-americana como "inaceitável".
                
De acordo com a mensagem do governo norte-coreano, lida pela emissora pública estatal KCNA, o ataque foi "uma clara invasão" que "justifica" a decisão de Pyongyang de ter, desenvolver e reforçar seus armamentos nucleares. Segundo o ditador Kim Jong-un, o governo de Donald Trump "não é diferente" dos anteriores.

"Medida prudente"

O porta-voz do Pentágono, Dave Benham, afirmou que o envio da frota norte-americana às águas norte-coreanas se dá como "uma medida prudente", frente ao "irresponsável" programa de testes de mísseis de Kim Jong-un.
 
"O comando do Pacífico dos Estados Unidos ordenou ao grupo aeronaval do porta-aviões USS Carl Vinson que se mobilize como medida prudente para manter sua disposição e presença no Pacífico", disse Benham.
 
"A principal ameaça na região continua sendo a Coreia do Norte, devido a seu temerário, irresponsável e desestabilizador programa de testes de mísseis e a sua busca de armamento nuclear", acrescentou. 
                                  
O envio do porta-aviões também ocorre na mesma semana em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu na Flórida o líder chinês, Xi Jinping, e ambos discutiram a necessidade de evitar novas provocações da Coreia do Norte.
 

    Vereador que reclamou do salário no PA é preso por suspeita de corrupção

     
    O vereador de Parauapebas, na região sudoeste do Pará, Odilon Rocha de Sansão (PMDB), que ficou conhecido por reclamar do salário de R$ 10 mil, foi preso suspeito de corrupção durante operação comandada pelo MP-PA (Ministério Público do Pará) nessa terça-feira (26).
     
    A operação Filisteu foi comandada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MP-PA e desmontou um suposto esquema criminoso de fraudes a licitações e superfaturamento de terrenos desapropriados pela prefeitura, além da emissão de notas fiscais frias e desvio de recursos públicos para rateio entre integrantes da Câmara e comércio na região.
     
    Segundo o MP-PA, Odilon foi detido por suspeita de receber 50% dos valores superfaturados do empresário que vendia, de forma fraudulenta, as licitações em Parauapebas. O UOL não conseguiu localizar o advogado do parlamentar para que comentasse a prisão.
     
    No início de maio, durante sessão na Câmara, Odilon reclamou da remuneração dos parlamentares do município. "O vereador, para sobreviver com o salário de R$ 7.800 [salário após descontos] aqui dentro desta Casa, com o padrão de vida que depois de eleito ele tem e não é só eu, a gente mal dá para sobreviver", disse.
     
    "O valor que o vereador ganha aqui, se ele não for corrupto, ele mal se sustenta durante o mês", prosseguiu.

    A operação

    A operação do MP-PA cumpriu mandados para investigar ações suspeitas da prefeitura, da Secretaria Municipal de Obras e Câmara. Os mandados foram expedidos pelo juiz da comarca de Parauapebas, Libio Araújo Moura, e pelo Tribunal de Justiça do Pará.
     
    Além do vereador, mandados de busca e apreensão foram expedidos para serem cumpridos na sede prefeitura. Também foi preso um empresário do comércio local acusado de emitir e vender notas fiscais frias.
     

    Vereador tem que ser corrupto?

    "Se não for corrupto, mal se sustenta", diz vereador do Pará sobre salário de R$ 10 mil.

    Um vídeo do vereador do PMDB-PA, Odilon Rocha, deu o que falar nesta semana. Nele, o parlamentar afirma que nem dá para 'se sustentar' com salário de vereador, de R$ 10 mil.
     
    Vereador de Parauapebas Odilon Rocha do partido Solidariedade (do Paulinho da Força) diz sobre seu salário de mais de R$ 10 mil : ''Mal dá para sobreviver'.
     
    Na sessão do dia 24 de abril da Câmara Municipal de Parauapebas, Odilon disse que a remuneração dos vereadores é insuficiente e, aqueles que não são corruptos, mal conseguem se sustentar durante o mês.
        
    "O valor que o vereador ganha aqui, se ele não for corrupto, ele mal se sustenta durante o ano, durante o mês”, afirmou Rocha no vídeo.
     
    Na sessão de ontem (7), Odilon tentou explicar a declaração e acabou caindo em contradição. Ele disse que não quis acusar ninguém da casa de corrupto e, em sequência, disparou:
     
    "Se eu for sobreviver apenas com esse salário, com certeza absoluta, eu não passaria o padrão de vida que levo hoje".
     
    Além do salário, os vereadores de Parauapebas têm direito R$ 2,8 mil para custear despesas com combustível e R$ 1 mil para telefone, totalizando R$ 13.813 por mês, equivalente a 17 salários mínimos.
     

    Como ensinar nossas crianças que ninguém pode tocar no corpo delas


    O assunto é incômodo mas faz parte daquele grupo de questões que a gente não pode fugir de encarar. Estou falando objetivamente da gente saber como ensinar nossas crianças, mesmo pequenas, a não se tornarem vītimas de abuso físico ou sexual. Por favor, este post é um serviço. Não passe batido.
     
    Pensando nos meus filhos e nos seus, eu pesquisei a respeito do que os americanos - que dão muita importância para o assunto  - trazem para ser tratado de forma inteligente. Já foi o tempo que eu achava isso exagerado, hoje concordo demais que é muito, muito melhor prevenir. Então vamos às dicas que eu consegui reunir:
     
    1- Meu corpo é meu: a criança deve entender que o corpo dela lhe pertence, que ninguém tem direito, nem por brincadeira, de ficar tocando nela de forma que a deixe constrangida. Eu sei que a cultura brasileira aceita beijos e abraços sem ter fim. Eu sou assim e meus filhos também. Mas é preciso sinceramente evitar abraços e beijos para desconhecidos ou pouco conhecidos. Uma criança jamais deve ser obrigada a ter contato físico com quem ela não quer. 
     
    2 - A lista das pessoas confiáveis: a criança precisa ter a certeza de quem ela pode contar. Quem são estas pessoas: o papai, a mamãe, a vovó, a professora? Que sejam. Mas vai ser muito importante para ela que os pais identifiquem estas pessoas deixando bem claro que a criança tem a quem recorrer, quem ela realmente deve confiar.
     
    3 - Partes íntimas: ninguém toca nas minhas partes íntimas é uma mensagem muito importante que as crianças precisam receber. Ninguém pode pedir que eu toque as partes íntimas dela também. Outra informação importante para as crianças é de que ninguém deve mostrar fotos de partes íntimas para ela. A criança precisa saber que pode contar para sua lista de pessoas confiáveis se algo do tipo acontecer. 
     
    4 - Ninguém pode ter segredo desconfortável: a criança tem que ter o ensinamento de que não pode ter segredo com ninguém que peça para algo não ser contado e que a faça se sentir mal ou incomodada com isso. Se isso vier a acontecer, ela também precisa ser ensinada a falar para alguém do seu grupo de pessoas confiáveis sobre essa história de segredo.
     
    5 - Nenhum adulto desconhecido pede ajuda à criança: essa eu achei uma regra de ouro. Os pais devem esclarecer aos filhos que não existe essa história de um adulto desconhecido pedir ajuda para criança (seja na porta da escola, na pracinha, no playground...). Que fique bem claro na cabecinha delas: adultos não precisam de ajuda de criança, isso não existe. Adulto pede ajuda a outro adulto. Com isso em mente, as crianças não titubeiam em dizer não, mesmo que os pais tenham ensinado a elas que elas precisam ser gentis. Assim se alguém abordá-los dessa forma, elas jamais devem seguir ou acreditar nessa pessoa.
     
    Fabiana Santos é jornalista, mãe de Alice, de 5 anos, e de Felipe, de 12 anos. Eles moram em Washington-DC. No ano passado, para ser voluntária na escola da filha, ela precisou fazer um curso para reconhecer e relatar abusos ou negligências cometidos a alguma criança. Este curso, em grande parte dos distritos escolares americanos, é obrigatório e gratuito. 
     

    Domingo de Ramos: Papa, Jesus está presente nos que padecem tribulações como Ele

    Cidade do Vaticano (RV) - Inicia-se neste Domingo de Ramos (09/04) a Semana Santa.
    O Papa Francisco presidiu a missa deste domingo, na Praça São Pedro, que contou com a participação de vários fiéis e peregrinos, cerca de quarenta mil pessoas.

     
    “Esta celebração tem, por assim dizer, duplo sabor: doce e amargo. É jubilosa e dolorosa, pois nela celebramos o Senhor que entra em Jerusalém, aclamado pelos seus discípulos como rei; ao mesmo tempo, porém, proclama-se solenemente a narração evangélica de sua Paixão. Por isso, o nosso coração experimenta o contraste pungente e prova, embora numa medida mínima, aquilo que deve ter sentido Jesus em seu coração naquele dia, quando rejubilou com os seus amigos e chorou sobre Jerusalém”, disse o Pontífice.
     
     
    “Há trinta e dois anos a dimensão jubilosa deste domingo tem sido enriquecida com a festa dos jovens: a Jornada Mundial da Juventude, que, este ano, se celebra no âmbito diocesano, mas daqui a pouco viverá, nesta Praça, um momento sempre emocionante, de horizontes abertos, com a passagem da Cruz dos jovens de Cracóvia para os do Panamá.”
     
    “O Evangelho, proclamado antes da procissão, apresenta Jesus que desce do Monte das Oliveiras montado num jumentinho, sobre o qual ainda ninguém se sentara; evidencia o entusiasmo dos discípulos, que acompanham o Mestre com aclamações festivas; e pode-se, provavelmente, imaginar que isso contagiou os adolescentes e os jovens da cidade, que se juntaram ao cortejo com os seus gritos. O próprio Jesus reconhece neste jubiloso acolhimento uma força irreprimível querida por Deus, respondendo assim aos fariseus escandalizados: «Eu vos digo, se eles se calarem, as pedras gritarão».”
     
    “Mas este Jesus, cuja entrada na Cidade Santa estava prevista precisamente assim nas Escrituras, não é um iludido que apregoa ilusões, um profeta «new age», um vendedor de fumaça. Longe disso! É um Messias bem definido, com a fisionomia concreta do servo, o servo de Deus e do homem que caminha para a paixão; é o grande Padecente da dor humana”, frisou o Papa.
     
    “Assim, enquanto festejamos o nosso Rei, pensemos nos sofrimentos que Ele deverá padecer nesta Semana. Pensemos nas calúnias, nos ultrajes, nas ciladas, nas traições, no abandono, no julgamento iníquo, nas pancadas, na flagelação, na coroa de espinhos... e, por fim, no caminho da cruz até à crucificação.”
     
    “Ele tinha dito claramente aos seus discípulos: «Se alguém quer vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga». Nunca prometeu honras nem sucessos. Os Evangelhos são claros. Sempre avisou os seus amigos de que a sua estrada era aquela: a vitória final passaria através da paixão e da cruz. E, para nós, vale o mesmo. Para seguir fielmente a Jesus, peçamos a graça de o fazer não por palavras mas com as obras, e ter a paciência de suportar a nossa cruz: não a recusar nem jogar fora, mas, com os olhos fixos n’Ele, aceitá-la e carregá-la a cada dia.”
     
    “Este Jesus, que aceita ser aclamado, mesmo sabendo que O espera o «crucifica-o!», não nos pede para O contemplarmos apenas nos quadros, nas fotografias, ou nos vídeos que circulam na rede. Não. Está presente em muitos dos nossos irmãos e irmãs que hoje, sim hoje, padecem tribulações como Ele: sofrem com o trabalho de escravos, sofrem com os dramas familiares, as doenças... Sofrem por causa das guerras e do terrorismo, por causa dos interesses que se movem por trás das armas que não cessam de matar. Homens e mulheres enganados, violados na sua dignidade, descartados.... Jesus está neles, em cada um deles, e com aquele rosto desfigurado, com aquela voz rouca, pede para ser enxergado, reconhecido, amado.”
     
    “Não há outro Jesus: é o mesmo que entrou em Jerusalém por entre o acenar de ramos de palmeira e oliveira. É o mesmo que foi pregado na cruz e morreu entre dois ladrões. Não temos outro Senhor para além d’Ele: Jesus, humilde Rei de justiça, misericórdia e paz.”
     

    Após reduzirem salários, vereadores dizem que política não pode ser “balcão de negócio”

    Os vereadores da pequena cidade de Água Branca, no Sertão paraibano, esperam dar um exemplo à Paraíba com a redução dos próprios salários de quase R$ 3 mil para um salário mínimo. Procurado pelo blog, o presidente da Câmara Municipal, Mira Martins (Pros), justificou a decisão dizendo que “a política não pode ser um balcão de negócio”. Trocando em miúdos, segundo ele, a proposta visa tirar da política nas próximas eleições quem estiver interessado apenas em dinheiro. “O descrédito das pessoas na política mostra que ela precisa ser mudada”, acrescentou. As sessões na Casa ocorrem a cada 15 dias.
     
     
    Martins diz que não foi fácil convencer os colegas, mas todos acabaram aceitando que a proposta era a melhor para a cidade. O prefeito de Água Branca, Tarcísio Firmino (PSB), também abriu mão de receber os vencimentos inerentes ao cargo, optando pelo salário de agente da Receita Estadual. “Ele não recebe os salários de prefeito desde que assumiu o cargo”, diz, orgulhoso, o presidente da Câmara, que não pretende concorrer à reeleição. O salário do prefeito, que ele abriu mão, é de R$ 8 mil e do vice-prefeito, de R$ 4 mil.
     
    Matins vai lançar como substituto um filho de 22 anos, para manter a tradição da família na Câmara Municipal de Água Branca. O pai dele foi vereador em duas oportunidades e a mãe em cinco. Os salários dos vereadores que assumirem em fevereiro de 2017 e ficarem no cargo até janeiro de 2021 não poderão ser superiores a um salário mínimo, que hoje fica na casa dos R$ 880,00. Os vencimentos do prefeito, vice e secretários, segundo ele, devem ser votados até o fim do ano em projeto do executivo.
     

    Água Branca tem pouco mais de 10 mil habitantes, segundo o IBGE. O dinheiro que sobrar do Legislativo, segundo Martins, será repassado para o Executivo investir em obras. No ano passado, a Casa devolveu R$ 5,6 mil para serem usados na construção de um poço artesiano na zona rural. Neste ano, ele calcula a devolução de R$ 30 mil. Os salários dos nove vereadores custam aos cofres da Câmara Municipal, atualmente, R$ 25,6 mil por mês. Com a mudança, ficará em R$ 8,8 mil.
     
    Pela legislação, os vereadores podem alterar os próprios vencimentos até o fim do ano, visando a próxima legislatura. Isso por que eles são impedidos por lei de legislar em causa própria.
     

    segunda-feira, 3 de abril de 2017

    Câmara quer alterar medidas contra a corrupção para livrar investigados pela Lava Jato

    Quando chegou na Câmara dos Deputados como uma iniciativa popular apoiada por mais de 2 milhões de cidadãos brasileiros, as Dez Medidas Contra a Corrupção elaboradas pelo Ministério Público Federal pareciam ser uma arma fundamental no combate ao crime que mais tem gerado manchetes de jornais nos últimos dois anos e que, indiretamente, resultou no impeachment da presidenta Dilma Rousseff (PT). Nesta quarta-feira, ele acabou ganhando apoio dos partidos durante a votação na Comissão Especial da Câmara. Por unanimidade, os deputados presentes votaram a favor do relatório produzido pelo deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), com 12 medidas finais, duas a mais do que a proposta pelo Ministério Público.
     
    O projeto agora irá a plenário. Mas corre o risco de ser modificado por acordo de lideranças políticas que se articulam para anistiar a prática de crime de caixa 2, que é a doação oculta e ilegal para campanhas eleitorais. A Comissão havia mantido a punição ao caixa 2.
     
    Outros pontos que geraram polêmica é a inserção de um ponto que garanta punir juízes e promotores pelo crime de responsabilidade e o de transformar o crime de corrupção como hediondo. Com relação ao cerco aos investigadores e magistrados, o relator retirou esse quesito depois de várias idas e vindas e após sofrer pressão principalmente dos procuradores que atuam na Lava Jato. Mas pode voltar para o projeto na votação no plenário. Já o agravante ao crime ficou definido da seguinte maneira: será hediondo a partir do momento em que o valor de recursos públicos desviado for superior a 10.000 salários mínimos. Nos cálculos de hoje, o valor seria 8,8 milhões de reais.
     
    A aprovação só aconteceu após 14 horas de debate, e depois de uma intensa tentativa de alterar seu conteúdo para fragilizar algumas medidas. Uma delas era a inserção da anistia ao caixa dois. Se no plenário o projeto for aprovado dessa maneira, boa parte dos políticos que estão sendo investigados pela operação Lava Jato poderão ser beneficiados com redução de penas, já que as apurações mostram que essa era uma das maneiras que empreiteiras pagavam propina para participarem do esquema que desviou bilhões de reais da Petrobras.
     
    Uma intensa articulação encabeçada pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), da qual participaram líderes de quase todos os partidos, governistas ou oposicionistas, previa a votação de um projeto dessa magnitude de maneira simbólica. Ou seja, sem que se pudesse saber como cada parlamentar votou. A emenda à proposta legislativa que anistiaria o delito não teria a assinatura de um único deputado ou partido, seria algo coletivo. A ideia era não deixar as digitais dos que querem desvirtuar a proposta inicial. O acordo foi fechado em um almoço na residência oficial da Presidência da Câmara do qual também participou o ministro da secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima.
     
     
    Na hora agá, porém, o remendo ao projeto foi deixado de lado. “Seria uma maluquice”, disse o deputado Lorenzoni, segundo o jornal O Globo. A tentativa de isentar o crime de caixa 2 gerou revolta entre alguns deputados. Dos 58 deputados do PT (principal envolvido na Lava Jato até agora), 26 assinaram um documento dizendo-se contrários a essa anistia. Ainda assim, alguns petistas participaram das conversas com Maia e os demais líderes. No texto dos petistas há uma clara referência ao impeachment de Rousseff. “Queremos repudiar qualquer tentativa de anistia ao caixa dois, que se pretenda, como penduricalho, agregar a estas medidas contra a corrupção. Entendemos que seja este um dos objetivos do golpe: " ‘estancar a sangria’, nas palavras de um dos golpistas; proteger deputados que votaram pelo impeachment da presidenta Dilma e que podem ser envolvidos com este crime eleitoral nas investigações em curso”.
     
    O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, já havia manifestado no início deste mês que não era possível anistiar esse delito. Ainda assim, alguns deputados entendem que, conforme ela for redigida, a anistia seria possível, sim.
     
    A proposta inicial do Ministério Público tinha dez medidas. Depois de mais de uma centena de oitivas de especialistas convidados, o relator Lorenzoni as aumentou para 18, mas as reduziu para 12 depois de duas semanas de longos debates na comissão especial para se discutir o assunto. Outros dois pontos que geraram polêmica foi o de punir juízes e promotores pelo crime de responsabilidade e o de transformar o crime de corrupção em hediondo. Hoje ele é classificado como um crime comum. Com relação ao cerco aos investigadores e magistrados, o relator retirou esse quesito depois de várias idas e vindas e após sofrer pressão principalmente dos procuradores que atuam na Lava Jato.
     
     
    Para defender as medidas, o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força tarefa da Lava Jato, esteve na Câmara nesta terça e quarta-feira, buscando apoio de deputados.
     
    Sobre as seguidas alterações no relatório e sobre as pressões que sofreu de seus pares, Lorenzoni foi sintético. “O que estávamos tentando fazer aqui estava imbuído de boas intenções. Mas de boas intenções o inferno está cheio”. Durante a discussão do relatório na comissão, contudo, o relator disse que fazia um pente fino no projeto e que estava “muito feliz” em saber que a ação popular apresentada pelo Ministério Público ficou adequada.
     
    A pressão para modificar o projeto corre em paralelo às notícias de que a Odebrecht finalmente firmou acordo para a delação de crimes cometidos pela empresa, com o suborno de políticos de todo o espectro partidário. O assunto aumentou a pressão em Brasília. A ansiedade do Congresso em limitar o poder das medidas revela o temor dos parlamentares de serem atingidos e acabem punidos por envolvimento em crimes de colarinho branco.
     
     

    Por que o papa Francisco está sofrendo oposição dos conservadores da Igreja

    Popular entre muitos católicos, pontífice enfrenta resistência a mudanças que promove na Igreja, motivo de revolta entre alas mais tradicionais do Vaticano (Foto: Alessandro Bianchi/Reuters)
     
    Ele é amado por muitos, mas não por todos - principalmente os conservadores. A oposição ao papa Francisco se faz cada vez mais presente e visível. Há quem minimize esse movimento, mas outros acreditam que o papa possa estar no centro de uma trama política sofisticada com objetivo de enfraquecê-lo.
     
    O episódio mais recente - e talvez o mais teatral - se deu no mês passado, quando bairros próximos ao Vaticano amanheceram tomados por cartazes apócrifos com críticas ao pontífice. Um jornal falso que zombava do pontífice também foi enviado a cardeais da cidade.
     
    Líder de partido de extrema-direita na Itália, Matteo Salvini (à dir. na foto) exibe camiseta com a inscrição "Meu papa é Bento" (Foto: BBC)
     
    Os cartazes traziam uma foto do papa com expressão fechada, e textos com referências a problemas que Francisco teve com setores mais conservadores da Igreja Católica.
     
    "Francisco, você destituiu os chefes das congregações, removeu sacerdotes, decapitou a Ordem de Malta e a dos Franciscanos da Imaculada, ignorou cardeais. Onde está sua misericórdia?", dizia o texto, coberto horas depois pela Prefeitura de Roma com a inscrição "publicidade ilegal".
     
    Na mesma época, cardeais de Roma receberam uma versão falsa do jornal do Vaticano, o L'Osservatore Romano. Na capa, em um ataque irônico ao pontífice, havia uma lista de perguntas ao papa feitas por cardeais conservadores em que a resposta era sempre sic et non (sim e não).
    Eleito em março de 2013 após escândalos que abalaram a imagem do Vaticano, o papa tomou medidas e fez declarações de impacto que polarizam opiniões dentro e fora do mundo católico.
     
    Reestruturou, por exemplo, as confusas finanças do Vaticano, criou comissão para combater abuso sexual de crianças na Igreja, fez duras críticas ao capitalismo e ajudou a reaproximar Cuba e EUA. Também chama a atenção sua defesa de uma Igreja mais tolerante em questões de família - já pediu a sacerdotes que não tratem divorciados como excomungados e procurem acolher católicos homossexuais.
     
    Para seus detratores, porém, ele age de forma autoritária e centralizadora. "O Papa é o vigário de Cristo na Terra, mas não é Cristo. Pode errar, pecar e até ser corrigido. Não concordo com seu modo de governar. A Igreja está hoje imersa em confusão e desorientação: os fieis precisam de certezas, mas não conseguem encontrá-las. Corremos o risco de uma cisão", diz Roberto De Mattei, presidente da Fundação Lepanto, que faz campanha pela "defesa dos princípios e instituições da civilização cristã".
     
    De Mattei e sua fundação sempre foram duros com o para argentino, e chegaram a ser apontados como suspeitos de estar por trás da ideia dos cartazes - os responsáveis não foram identificados.
     
    "Não sei quem são os autores (dos cartazes), mas não fomos nós. Em Roma você percebe um clima de medo, típico de regimes totalitários. Estamos diante de uma monarquia absoluta que usa a colaboração de cardeais e bispos, mas lhes dá pouca autonomia. O papa ama nomear comissários especiais para muitos assuntos, assim, ao final, ele sempre pode decidir", disse De Mattei à BBC Brasil.
     

    Tipos de oposição

     
     
    Para o historiador Massimo Faggioli, professor de Teologia na Villanova University (EUA), é possível identificar três tipos de oposição ao papa Francisco: teológica, institucional e política.
     
    "A teológica parte de alguns setores na Igreja que acham que o papa é muito moderno em questões como casamento e família. É uma oposição pequena, que age de forma respeitosa", diz o professor.
     
    'A Igreja está hoje imersa em confusão e desorientação', afirma Roberto De Mattei (Foto: Divulgação)
     
    Entre esse setor estão quatro cardeais ultraconservadores que em setembro de 2016 pediram, em carta pública, que o papa corrija "erros doutrinários" da encíclica Amoris Laetitia (Alegria do Amor), um guia para a vida em família que prega a aceitação, pela Igreja, de certas realidades da sociedade contemporânea.
     
    Na oposição institucional, afirma Faggiolo, há pessoas que querem manter o status quo. "Alguns cardeais têm medo de perder privilégios ou da mudança de mecanismos para a nomeação dos bispos", diz.
     
    O historiador vê a oposição política como a mais forte. "O papa fala sobre vivermos juntos, de construir pontes em vez de muros. São questões 'inconvenientes' para a política global da atualidade, pois contrastam com ideias da direita francesa, italiana e americana. São tidas como uma ameaça. O papa pode lidar com as duas primeiras oposições, mas a política é a mais difícil", afirma.
     
    A reação contra o papa não se concentra apenas na Itália e na Europa. Autor do livro "Os inimigos de Francisco" (com lançamento previsto no Brasil para o segundo semestre), o jornalista italiano Nello Scavo diz que há grupos nos EUA que trabalham pelo enfraquecimento da liderança de Jorge Bergoglio, o nome de batismo do papa.
     
    "Há grupos financeiros, fabricantes de armas e multinacionais que querem que o papa perca poder. Sua retórica é muito anti-establishment. Ele afirmou que a nossa economia mata, condenou o capitalismo e se fez escutar em questões ecológicas", diz Scavo, citando críticas à Francisco feitas pelo centro de estudos conservador American Enterprise Institute (AEI).
     
    O AEI conta em seus quadros com vários ex-integrantes do governo George W. Bush (2001-2008), entre eles o ex-vice-presidente Dick Cheney. "Cheney faz parte do AEI, foi membro do conselho da Lockheed Martin, principal fabricante de sistemas de defesa no mundo, e a AEI tem a Halliburton entre seus principais financiadores", afirma o jornaista, citando a multinacional de serviços para exploração de petróleo.
     
    Jornalista da emissora católica canadense Salt and Light, Matteo Ciofi diz que a oposição teológica é, de fato, a que menos deve preocupar o papa. "Não é possível que um cardeal africano e um europeu possam ter a mesma visão sobre a família. Faz parte das diferenças culturais, é normal que haja críticas. O problema, dentro da Igreja, se concentra naqueles que não querem perder privilégios", diz.
     

    Papa e política


    Um dos cardeais que assinaram a carta pública contra a encíclica Amoris Laetitia, o americano Raymond Leo Burke teve reunião recente com Matteo Salvini, líder do partido de extrema-direita italiano Liga do Norte.
     
    Com discurso anti-imigração, Salvini fez duras críticas ao papa quando o pontífice visitou um campo de refugiados na ilha grega de Lesbos, em abril de 2016.
     
    "Com todo o respeito, o papa está errado. Parece-me que a catástrofe ocorre na Itália, não na Grécia. Ele quer convidar outros milhares de imigrantes para a Itália? Uma coisa é acomodar os poucos que escaparam da guerra, outra é incentivar e financiar uma invasão sem precedentes. Tem pobres na Grécia, mas também a dois minutos do Vaticano", afirmou o político, que já foi fotografado usando camiseta com a frase "Meu papa é Bento", referência ao antecessor de Bergoglio.
     
    Cardeal americano Raymond Burke acredita que o papa esteja fazendo ajustes perigosos na tradição de mais de 2 mil anos do Cristianismo (Foto: LATIN MASS SOCIETY)
     
    Para Roberto De Mattei, da Fundação Lepanto, não é a direita que se opõe ao papa, mas é a esquerda que quer torná-lo um símbolo. "Os movimentos de esquerda querem fazer dele um anti-(Donald)Trump porque não dispõem de outras pessoas carismáticas."
     

    Quem é mais corrupto? O politico que compra ou o eleitor que vende o voto?

     
    O brasileiro vive se queixando da política e dos políticos, o que é uma situação controversa, pois foi esse mesmo brasileiro quem votou e elegeu o político do qual se queixa. Isso só acontece porque muitos cidadãos não acompanham o horário eleitoral pelo rádio ou pela tv, não buscam informações sobre os candidatos, não dão valor a esse direito conquistado com sacrifício, que é a democracia, em resumo, não é um bom eleitor, e se não é bom eleitor, não é nem bom cidadão.
     
    E quando se fala que o povo não sabe votar, não se trata em usar a urna eletrônica, mas sim de quem vemos na foto que aparece nela após digitarmos os números…
     
    As pessoas vendem seus votos em troca de favores pessoais mínimos e insignificantes perante tudo aquilo que é dever do governo realizar após eleito. Iludidas, acreditam que foram bem pagas. Mas e depois, quem vai pagar a construção da escola e de estradas, o hospital, a manutenção da creche, o salário dos policiais, dos professores, dos médicos…? Tanto se fala em corrupção dos políticos, no entanto, vender o voto é uma atitude honesta? Nesse cenário, quem é mais corrupto: o candidato que compra votos ou o eleitor que o vende?
     
    Voto consciente e voto honesto não têm preço. Sem a intenção de generalizar, geralmente, em época de campanha política á assim: de um lado vemos a esperteza e a destreza dos marketeiros e publicitários partidários, associadas à “lábia” dos candidatos, que são verdadeiras armas na guerra da propaganda eleitoral em busca de votos, enquanto, no outro extremo, temos a ignorância e o desinteresse do eleitor.

    É lamentável e revoltante escutar pessoas declararem que não se importam com a política. Fazem pouco caso de um importante ato de cidadania respaldado pela nossa Constituição: o de escolher os nossos representantes.
     
    Diz o ditado que “o destino de quem não gosta de política é ser governado por quem gosta”, porém, será que todos aqueles que gostam de política são preparados para governar? Se fosse assim, penso que não teríamos tantos candidatos barrados pela “ficha limpa”. Todavia, nem sempre as opções que temos são as melhores possíveis.
     
    Talvez o candidato que escolhermos não será capaz de resolver todos os problemas sociais. Mas se conseguirmos colocar entre os nossos representantes pessoas honestas e trabalhadoras, certamente vamos ter progresso. Um progresso não apenas no sentido de solucionar os tais problemas sociais, mas sim no que se refere a alcançarmos um engrandecimento daquilo que chamamos de Cidadania.
     
    O programa “CQC”, da Band, mostrou a nua e crua realidade do eleitor brasileiro, um eleitor que mal conhece o indivíduo em quem vai confiar seu voto, um eleitor que se ilude facilmente pela demagogia dos políticos.
     

    Somos todos desonestos

    Era uma vez um jovem honesto e idealista que, um dia, descontente com o rumo do país, resolveu entrar para a política. Seu objetivo: mudar o país para melhor. Em sua terceira campanha eleitoral, finalmente se elegeu vereador.
     
     
    Eleito, ele começou a enfrentar dificuldades na Câmara Legislativa Municipal. Três anos depois, nada do que propôs havia sequer sido votado, quanto mais aprovado. Enquanto isso, vários de seus colegas aprovavam tudo o que queriam, normalmente apenas em benefício próprio. As eleições se aproximavam e, com elas, a necessidade de financiamento para a próxima campanha eleitoral e de alguma realização para apresentar a seus eleitores. Ele resolveu que, em nome de um bem maior, seu projeto de um país melhor, por uma única vez, aceitaria participar de um esquema ilícito para aprovar seu projeto e financiar sua campanha. Afinal, o que era uma única “pequena” irregularidade em relação a seu importante e grandioso projeto?
     
    Depois disso, ele se elegeu deputado estadual, deputado federal e há mais de 20 anos é senador. Neste meio tempo, aprovou inúmeros projetos. Hoje, é rico, poderoso e invejado. O jovem que 40 anos antes quis entrar para a política para mudar o país não o reconheceria. Ele virou político para combater pessoas como a que ele mesmo acabou se tornando.
     
    Cercado por outros corruptos, hoje ele sequer acha que o que faz é corrupção. É apenas a forma como as coisas são feitas. Nós seres humanos temos a habilidade de acostumarmo-nos com quase qualquer situação, o que é muito útil para lidar com as mudanças que a vida sempre traz. Infelizmente, esta habilidade vem com um grande ônus. Nós nos acostumamos e consideramos normal o que a maioria está fazendo, principalmente se incluir nosso próprio grupo social. Até ao nazismo, em um dado contexto histórico, muitos acabaram se acostumando e vários até aderindo.
     
    No Brasil, acostumamo-nos com a corrupção. A percepção é que a maioria é corrupta. Trouxas são os que não aproveitam as oportunidades de benefícios próprios que determinados cargos ou situações criam. Esta percepção acaba determinando as ações de muitos e criando uma profecia auto-realizável. Se você acha que essa história só vale para políticos e empreiteiros, atire a primeira pedra quem nunca traiu a namorada, colou na prova ou guiou no acostamento.
     
    O mesmo sujeito que joga uma garrafa na rua e se queixa de como sua cidade está suja, não joga nem uma bituca de cigarro e elogia a limpeza quando viaja para Miami ou Cingapura. O padrão aqui é sujar e reclamar. Lá, é cuidar e elogiar. A pessoa é a mesma.
     
    Precisamos criar condições que estimulem os comportamentos que queremos. A cidade de Nova York, onde morei por quase dez anos, é famosa por ter reduzido radicalmente a criminalidade e a sujeira com tolerância zero a ambas. Aqui, precisamos estender a tolerância zero a todos os padrões errados com os quais nos acostumamos. Aceitando pequenos delitos abrimos a porta para delitos cada vez mais graves, até que eles se tornam a norma.
     
    No Japão, um político corrupto sente tanta vergonha quando descoberto que, muitas vezes, se suicida. No Brasil, até recentemente, políticos corruptos sequer temiam ser punidos.
     
    Tomara que a Operação Lava-Jato e punições severas aos culpados comecem a criar uma nova cultura no país, mas se queremos realmente que o país mude, temos antes de mais nada que ser a mudança que queremos ver.
     
    Ricardo Amorim é apresentador do Manhattan Connection da Globonews, colunista da revista IstoÉ, presidente da Ricam Consultoria, único brasileiro na lista dos melhores e mais importantes palestrantes mundiais do Speakers Corner e economista mais influente do Brasil segundo a revista Forbes internacional e uma das 100 pessoas mais influentes do Brasil segundo a Forbes Brasil.
    Siga-o no Twitter: @ricamconsult.
     

    O Homem justo, o esposo

    17. No decorrer da sua vida, que foi uma peregrinação na fé, José, como Maria, permaneceu fiel até ao fim ao chamamento de Deus. A vida de Maria foi o cumprimento até às últimas consequências daquele primeiro fiat (faça-se) pronunciado no momento da Anunciação; ao passo que José - como já foi dito - não proferiu palavra alguma, a quando da sua «anunciação»:  «fez como o anjo do Senhor lhe ordenara» (Mt 1, 24). E este primeiro «fez» tornou-se o princípio da «caminhada de José». Ao longo desta caminhada, os Evangelhos não registram palavra alguma que ele tenha dito. Masesse silêncio de José tem uma especial eloquência: graças a tal atitude, pode captar-se perfeitamente a verdade contida no juízo que dele nos dá o Evangelho: o «justo» (Mt 1, 19).

    É necessário saber ler bem esta verdade, porque nela está contido um dos mais importantes testemunhos acerca do homem e da sua vocação. No decurso das gerações a Igreja lê, de maneira cada vez mais atenta e mais cônscia este testemunho, como que tirando do tesouro desta insígne figura «coisas novas e coisas velhas» (Mt 13, 52).
     

    18. O homem «justo» de Nazaré possui sobretudo as características bem nítidas do esposo. O Evangelista fala de Maria como de «uma virgem desposada com um homem ... chamado José» (Lc 1, 27). Antes de começar a realizar-se «o mistério escondido desde todos os séculos em Deus» (Ef 3, 9), os Evangelhos põem diante de nós a imagem do esposo e da esposa. Segundo o costume do povo hebraico, o matrimônio constava de duas fases: primeiro, era celebrado o matrimônio legal (verdadeiro matrimônio); e depois, só passado um certo período, é que o esposo introduzia a esposa na própria casa. Antes de viver junto com Maria, portanto, José já era o seu «esposo»; Maria, porém, conservava no seu íntimo o desejo de fazer o dom total de si mesma exclusivamente a Deus. Poder-se-ia perguntar de que modo este desejo se conciliava com as «núpcias». A resposta vem-nos somente do desenrolar dos acontecimentos salvíficos, isto é, da ação especial do próprio Deus. Desde o momento da Anunciação, Maria sabe que deve realizar-se o seu desejo virginal, de entregar-se a Deus de modo exclusivo e total, precisamente tornando-se mãe do Filho de Deus. A maternidade por obra do Espírito Santo é a forma de doação que o próprio Deus espera da Virgem, «desposada» com José. E Maria pronuncia o seu fiat (faça-se).
    O fato de ela ser «desposada» com José está incluído no mesmo desígnio de Deus. Isso é indicado por ambos os Evangelistas citados, mas de maneira particular por São Mateus. São muito significativas as palavras ditas a José: «Não temas receber contigo Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é obra do Espírito Santo» (Mt 1, 20). Elas explicam o mistério da esposa de José: Maria é virgem na sua maternidade. Nela «o Filho do Altíssimo» assume um corpo humano e torna-se «o Filho do homem».

    Dirigindo-se a José com as palavras do anjo, Deus dirige-se a ele como sendo esposo da Virgem de Nazaré. Aquilo que nela se realizou por obra do Espírito Santo exprime ao mesmo tempo uma confirmação especial do vínculo esponsal, que já existia antes entre José e Maria. O mensageiro diz claramente a José: «Não temas receber contigo, Maria, tua esposa». Por conseguinte, aquilo que tinha acontecido anteriormente - os seus esponsais com Maria - tinha acontecido por vontade de Deus e, portanto, devia ser conservado. Na sua maternidade divina, Maria deve continuar a viver como «uma virgem, esposa de um esposo» (cf. Lc 1, 27).

    19. Nas palavras da «anunciação» noturna, José escuta não apenas a verdade divina acerca da inefável vocação da sua esposa, mas ouve novamente também a verdade acerca da própria vocação. Este homem «justo», que, segundo o espírito das mais nobres tradições do povo eleito, amava a Virgem de Nazaré e a ela se encontrava ligado por amor esponsal, é novamente chamado por Deus para este amor.

    «José fez como lhe ordenara o anjo do Senhor e recebeu consigo a sua esposa»; o que se gerou nela «é obra do Espírito Santo». Ora, de tais expressões, não se imporá porventura deduzir que também o seu amor de homem tinha sido regenerado pelo Espírito Santo? Não se imporá porventura pensar que o amor de Deus, que foi derramado no coração humano pelo Espírito Santo (cf. Rom 5, 5), forma do modo mais perfeito todo o amor humano? Ele forma também - e de maneira absolutamente singular - o amor esponsal dos cônjuges, nele dando profundidade a tudo aquilo que seja humanamente digno e belo e tenha as marcas da exclusiva entrega, da aliança das pessoas e da comunhão autêntica, a exemplo de Mistério trinitário.

    «José ... recebeu consigo a sua esposa, a qual, sem que ele a conhecesse, deu à luz um filho» (Mt 1, 24-25). Estas palavras indicam ainda outra proximidade esponsal. A profundeza desta proximidade, a intensidade espiritual da união e do contacto entre pessoas - do homem e da mulher - provêm em última análise do Espírito que dá a vida (cf. Jo 6, 63). José, obediente ao Espírito, encontra precisamente nele a fonte do amor, do seu amor esponsal de homem; e este amor foi maior do que aquele «homem justo» poderia esperar, segundo a medida do próprio coração humano.
     

    20. Na Liturgia, Maria é celebrada como tendo estado «unida a José, homem justo, por um vínculo de amor esponsal e virginal». (31) Trata-se, de fato , de dois amores que , conjuntamente, representam o mistério da Igreja, virgem e esposa, a qual tem no matrimônio de Maria e José o seu símbolo. «A virgindade e o celibato por amor do Reino de Deus não só não se contrapõem à dignidade do matrimônio, mas pressupõem-na e confirmam-na. O matrimônio e a virgindade são os dois modos de exprimir e de ver o único Mistério da Aliança de Deus com o seu povo», (32) que é comunhão de amor entre Deus e os homens.

    Mediante o sacrifício total de si próprio, José exprime o seu amor generoso para com a Mãe de Deus, fazendo-lhe «dom esponsal de si». Muito embora decidido a afastar-se, para não ser obstáculo ao plano de Deus que nela estava a realizar- se, por ordem expressa do anjo ele manteve-a consigo e respeitou a sua condição de pertencer exclusivamente a Deus.

    Por outro lado, foi do matrimônio com Maria que advieram para José a sua dignidade singular e os seus direitos em relação a Jesus. «é certo que a dignidade da Mãe de Deus assenta tão alto, que nada pode haver de mais sublime; mas, por isso mesmo que entre a Santíssima Virgem a José foi estreitado o vínculo conjugal, não há dúvida de que ele se aproximou como ninguém dessa altíssima dignidade, em virtude da qual a Mãe de Deus ocupa lugar eminente, a grande distância de todas as criaturas. Uma vez que o casamento é a comunidade e a amizade máxima a que, por sua natureza, anda ligada a comunhão de bens, segue-se que, se Deus quis dar José como esposo à Virgem, deu-lo não apenas como companheiro na vida, testemunha da sua virgindade e garante da sua honestidade, mas também para que ele participasse, mediante o pacto conjugal, na sua excelsa grandeza. (33)

    21. Um tal vínculo de caridade constituiu a vida da Sagrada Família; primeiro, na pobreza de Belém, depois, durante o exílio no Egito e, em seguida, quando ela morava em Nazaré. A Igreja rodeia de profunda veneração esta Família, apresentando-a como modelo para todas as famílias. A Família de Nazaré, diretamente inserida no mistério da Encarnação, constitui ela própria um mistério particular. E ao mesmo tempo - como na Encarnação - é a este mistério que pertence a verdadeira paternidade: a forma humana da família do Filho de Deus, verdadeira família humana, formada pelo mistério divino. Nela, José é o pai: a sua paternidade, porém, não é só «aparente», ou apenas «substitutiva»; mas está dotada plenamente da autenticidade da paternidade humana, da autenticidade da missão paterna na família. Nisto está contida uma consequência da união hipostática: humanidade assumida na unidade da Pessoa divina do Verbo-Filho, Jesus Cristo. Juntamente com a assunção da humanidade, em Cristo foi também «assumido» tudo aquilo que é humano e, em particular, a família, primeira dimensão da sua existência na terra. Neste contexto foi «assumida» também a paternidade humana de José.

    Com base neste princípio, adquirem o seu significado profundo as palavras dirigidas por Maria a Jesus, no templo, quando ele tinha doze anos: «Teu pai e eu ... andávamos à tua procura». Não se trata de uma frase convencional: as palavras da Mãe de Jesus indicam toda a realidade da Encarnação, que pertence ao mistério da Família de Nazaré. José, que desde o princípio aceitou, mediante «a obediência da fé», a sua paternidade humana em relação a Jesus, seguindo a luz do Espírito Santo que por meio da fé se doa ao homem, por certo ia descobrindo cada vez mais amplamente o dom inefável desta sua paternidade.
    EXORTAÇÃO APOSTÓLICA REDEMPTORIS CUSTOS DO SUMO PONTÍFICE JOÃO PAULO II SOBRE A FIGURA E A MISSÃO DE SÃO JOSÉ NA VIDA DE CRISTO E DA IGREJA
     

    O mistério dos anjos: quem são eles?

    Pe. Françoá Costa
     
    Ao colocar a palavra “anjos” num buscador de internet, é incrível a quantidade de informação que aparece, muitas contaminadas por doutrinas esotéricas. No entanto, é ainda mais curioso quando se busca imagens de anjos: seres fofinhos, bebezinhos; por vezes, afeminados, com bochechinhas vermelhas, asinhas simpáticas etc. Muitos artigos sobre os anjos estão, sem dúvida, contaminadas por doutrinas esotéricas. Inclusive, é possível encontrar um anjo específico para cada dia da semana, entre outras coisas absurdas. No entanto, é preciso dizer que também se encontra muita coisa boa.
     
    Os anjos não são reencarnações, não são homens ou mulheres com asas, não são lugares nos quais se sente a presença de Deus, não são gnomos nem duendes, não são uma espécie de energia, nem tampouco uma fumaça branca. Um dos artigos bons que encontrei em internet foi o de P. B. Celestino que, em relação a isso, dizia: “a humanidade no seu conjunto pa rece obedecer a uma espécie de “lei do bêbado”: depois de uma queda para a direita, procura compen sá-la inclinando-se para a esquerda, e acaba caindo nessa direção. Assim, às épocas de racionalismo exacerbado e míope, seguem-se outras em que proliferam as mais tresloucadas fantasias e crendices, e a doutrina sobre os anjos é das que mais facilmente se prestam a essas deformações. O nosso tempo inclui -se entre as segundas, a julgar pelo número de “caricaturas” deformadas desses seres não-humanos ― sob a forma de duendes, gnomos, espíritos “desen carnados”, deidades e extraterrestres ― que se mistu ram inextricavelmente nas estantes das livrarias e lo jas de bibelôs, bem como nas cabeças de alguns…”
     
    O calendário litúrgico da Igreja Católica celebra duas festas angélicas, no dia 29 de setembro, a festa dos três arcanjos – S. Miguel, S. Gabriel e S. Rafael – e, no dia 2 de outubro, os anjos da guarda. Quem são eles?
     
    Talvez o Concílio da Igreja que mais se dedicou a explicar a doutrina sobre os anjos foi o Concilio de Latrão IV, no ano 1215. Nele se afirmou, num contexto de profissão da fé, que os anjos foram criados por Deus desde o inicio do tempo, também os demônios. No caso dos demônios, o Concilio nos diz que foram anjos criados bons, mas que depois se fizeram maus. Logicamente, houve pronunciamentos magisteriais sobre os anjos antes dessa data, por exemplo, o Papa Zacarias, no ano 745, rejeitou os vários nomes dos anjos, ficando somente com os de Miguel, Gabriel e Rafael porque a Sagrada Escritura só fala desses três. O Concilio de Aix-la-Chapelle, no ano 789, fez a mesma coisa.
     
    O que nos diz a Bíblia sobre os anjos? Bastante. Os dicionários bíblicos dedicam a esse tema varias páginas. Em resumo: anjo vem da palavra grega angelos, que serviu para traduzir a palavra hebraica mal’ak, que – de maneira geral – significa “mensageiro”. Eles são filhos de Deus (Jó 1,6; 2,1), são protetores dos homens (Sl 90,11), moram nos céus (Mt 28,2), são de natureza espiritual (1 Re 22,19-21; Dn 3,86; Hb 1,14). Há anjos bons e anjos maus (Zc 3,1). Existem serafins (Is 6), querubins (Gn 3,24; Ex 25,22; Ez 10,1-20), tronos, dominações, potestades e principados (Cl 1,16), virtudes (Ef 1,21), arcanjos (1 Ts 4,15-16; Judas 9), anjos que cuidam dos indivíduos (Tb 5; Sl 90,11; Dn 3,49s; Mt 18,10). Nos Evangelhos também se lê que eles contemplam o rosto de Deus (Mt 22,30; 18,10) e se alegram pela conversão daqueles que estavam afastados de Deus (Lc 15,10), dizem ainda que eles levaram o corpo de Lázaro ao seio de Abraão (Lc 16,22).
     
    Como se pode ver, as afirmações do Magistério da Igreja estão solidamente apoiadas pela Tradição Escriturística. Com relação aos três arcanjos, acontece a mesma coisa. Gabriel que significa “Deus é força” aparece em Dn 8,16; 9,21; Lc 1,19.26; Miguel que significa “Quem como Deus?” aparece em Dn 10,13.22; 12,1; Jud 9; Ap 12,7; São Miguel é o padroeiro de toda a Igreja; Rafael – “Deus cura” – aparece em Tb 3,25. A distinção mais divulgada de uma hierarquia entre os anjos aparece no livro De coelesti hierarquia – Sobre a hierarquia celeste – atribuído a Dionísio, o Areopagita, entre os séculos IV e V. Nessa obra, os anjos são distribuídos em três ordens, cada ordem formado por três coros, num total de nove coros angélicos: serafins, querubins e tronos fazem parte da primeira hierarquia; dominações, virtudes e potestades, formam a segunda hierarquia dos anjos; os principados, os arcanjos e os anjos estariam na terceira. Todos esses anjos têm – como resume o teólogo francês J. Daniélou – duas funções: louvar a Trindade Santíssima e guardar e defender tudo o que é de Deus.
     
    O Catecismo da Igreja Católica diz que os anjos são criaturas pessoais, ou seja, dotadas de inteligência e vontade; são, ademais, imortais por serem puramente espirituais e superam em perfeição as criaturas visíveis (Cat. 330).
     
    A perfeição dos anjos não permite, no entanto, que eles penetrem nas nossas consciências; temos que manifestar-lhes as nossas necessidades, mas basta falar com eles mentalmente e eles nos entenderão. O fato dos anjos serem pessoas (angélicas) nos faz ver que são capazes de relações de amizade e de fraternidade com as pessoas humanas. Os santos anjos são nossos amigos. Como seria bom se cultivássemos essa amizade frequentemente, conversando com eles, pedindo a sua proteção e agradecendo os seus favores. Nessas angélicas relações amistosas, o nosso anjo da guarda ocupa o primeiro posto, é o anjo que mais deveria ser tratado por nós.
     
    A devoção aos anjos não contradiz a centralidade de Cristo, único Senhor.
     
    Todos os anjos estão ao serviço de Jesus Cristo e é uma honra para eles servir a Cristo e a todos os seres humanos por amor ao Deus Uno e Trino. O Catecismo da Igreja destaca esse serviço humilde e eficaz a Cristo e a toda a Igreja (Cat. 333-335). Os santos foram muito devotos dos anjos. São Josemaría Escrivá, por exemplo, deixava que o seu anjo da guarda contasse o número de orações e mortificações que ele ia fazendo, tinha-o presente nos trabalhos apostólicos que realizava, chamava-o “Relojoeirinho” (porque era muito pontual em despertar-lhe e até consertou-lhe um relógio numa ocasião), dedicava as terças-feiras a tratá-lo mais intensamente, rezava ao anjo da guarda de alguém com quem tinha que conversar ou escrever-lhe uma carta; viu o Opus Dei no dia 2 de outubro de 1928, festa dos anjos da guarda; confiou os diversos trabalhos dessa nova fundação a cada um dos arcanjos. “Caminho”, esse clássico-moderno de espiritualidade, dedica nove pontos seguidos à devoção aos anjos. Como São Josemaría, poderíamos elencar vários outros santos cuja devoção aos anjos nos anima a ser mais amigos desses celestes espíritos.
     
    Os anjos estão presentes na liturgia da Igreja, máxime quando a Santa Missa é celebrada. Os textos litúrgicos fazem referências a esses celestes adoradores de Deus. O “Glória a Deus nas alturas” foi uma oração entoada por eles (cfr Lc 2,13-14). As orações eucarísticas, na sua primeira parte, os prefácios, terminam “com os anjos e os arcanjos e com todos os coros celestiais” cantando o hino da glória de Deus que é o “Santo, Santo, Santo”, hino dos serafins (cfr. Is 6). Na oração eucarística I ou Cânon Romano, a oferenda é levada ao Deus todo-poderoso “per manus sancti angeli”, ou seja, pelas mãos do santo anjo. São Beda dizia que “da mesma maneira que vemos como os anjos rodeavam o corpo do Senhor no sepulcro, devemos crer que estão fazendo a corte a Jesus na consagração”.
     
    Enfim, toda a vida do novo Povo de Deus, que é a Igreja do Deus vivo, recebe a proteção dos anjos. São Miguel Arcanjo é padroeiro de toda a Igreja. Nós, membros da Igreja, podemos intensificar nos próximos dias a nossa devoção a esses celestiais guardiões da nossa fé, esperança e caridade, do nosso trabalho pela causa de Deus e do nosso caminho rumo ao céu. Sejamos gratos aos nossos anjos da guarda e, sobretudo, agradeçamos ao Senhor por esses angélicos companheiros.
     
     
    _____________________________________________________________
    Referência bibligráfica: A. VACANT, “Ange”, in F. VIGOUROUX (ed.), Dictionaire biblique, I,1 A, Paris : Letouzei et Ané, 1895, 576-590. A. V. de PRADA, O Fundador do Opus Dei (3 volumes), São Paulo: Quadrante, 2004. CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA, n. 325-336. F. F. CARVAJAL, Antología de textos para hacer oración y para la predicación, Madrid: Palabra, 1983, 85-95. J. DANIÉLOU, O mistério do Advento, RJ: Agir, 1958. P. B. CELESTINO, Os anjos, São Paulo: Quadrante. O artigo de P. B. CELESTINO, “Os anjos e o nosso anjo” se encontra em http://www.quadrante.com.br/ sessão “artigos >> doutrina e teologia” (visitada no dia 26/09/2010). P.-M. GALOPIN, “Ángel”, in P.-M. BOGAGERT e outros (responsáveis), Diccionario Enciclopédico de la Biblica, BARCELONA: HERDER, 1993, 73-76.