segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Índios da etnia Pataxó se formam em medicina pela UFMG em BH

Amaynara e Vazigton entraram na universidade graças ao Programa de Vagas Suplementares para Estudantes Indígenas, iniciativa criada em 2009.

Vazigton e Amaynara
 
Seis anos após deixar a casa onde nasceu, Amaynara Pataxó, de 27 anos, voltou à sua aldeia em Carmésia, no Vale do Rio Doce, lugar onde vivem pouco mais de 300 índios, com o diploma de medicina na mala. “A primeira médica pataxó de Minas Gerais”, disse a jovem generalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
 
A colação de grau aconteceu em Belo Horizonte, no dia 23 de dezembro. Além de Amaynara, Vazigton Guedes Oliveira, também Pataxó, esteve entre os cerca de 130 formandos. “É de ‘encher os olhos’ adquirir o conhecimento para ajudar na comunidade”, contou o médico, o primeiro índio a se formar em medicina entre os quatro mil da etnia que vivem em Cumuruxatiba, distrito de Prado, no sul da Bahia. “É uma conquista em conjunto. De um povo”, disse.
 
Dra. Amaynara Pataxó posa para convite de formatura (Foto: Arquivo pessoal/Reprodução)
 
Amaynara e Vazigton entraram na UFMG graças ao Programa de Vagas Suplementares para Estudantes Indígenas, iniciativa criada em 2009 como projeto experimental. Segundo a universidade, entre 2010 e 2013, 46 alunos indígenas ingressaram nos cursos de Enfermagem, Medicina, Ciências Biológicas, Ciências Sociais, Agronomia e Odontologia por meio de processo seletivo especial.
“O pessoal do programa foi até a aldeia para saber se havia interesse dos jovens. Todos já sabiam da minha vontade de ser médica. De ajudar a minha comunidade através da medicina. Aí disseram, ‘agora é a vez da Amaynara’”, contou a jovem.
 
Os dois médicos querem se especializar em saúde da família e trabalhar com o povo indígena. “Aqui na comunidade sempre vem médico, mas ele fica pouco tempo. Quero ganhar experiência primeiro e retornar preparado para ajudar”, disse Vazigton. “O melhor de ser médica é o cuidado, o poder contribuir com o outro. As pessoas olham para nós com esperança”, contou Amaynara.
 
 
Vazigton posa de jaleco para o convite de formatura (Foto: Arquivo pessoal/Reprodução)
 
Choque cultural

“O trânsito é aterrorizante”, disse Vazigton ao se lembrar de Belo Horizonte. Acostumado à tranquilidade da aldeia em Cumuruxatiba, o índio demorou a se acostumar com a cidade grande. “Nunca precisei usar tênis em casa. Lá é litoral. Calor o ano todo. Quando cheguei a BH estava muito frio. Fiquei muito doente”, contou.
 
Amaynara já conhecia a capital mineira. “A gente vendia artesanato, fazia apresentações. Tinha noção do que era, mas morar é diferente, né?”. Segundo ela, todos se ajudam na comunidade em Carmésia. “Sempre podia contar com os meus parentes. Em BH é casa um por si”, disse.
“Foi difícil se adaptar ao ritmo. Foi tudo muito rápido. Mas conseguimos”, contou Vazigton.
 
 
Vazigton, índio Pataxó, colou grau usando cocar e outros adereços de sua tribo (Foto: Arquivo pessoal/Reprodução)
 
 
Amaynara Pataxó mostra o diploma enfeitada com adornos indígenas (Foto: Arquivo pessoal/Reprodução)
 

Um campo de concentração indígena a 200 quilômetros de Belo Horizonte (MG)

 
Nos anos 1970, a Fazenda Guarani aprisionou índios ‘delinquentes’ e grupos que lutavam por terras. “Ninguém podia entrar e ninguém podia sair”, conta um ex-confinado.
 
Localizada poucas horas a nordeste de Belo Horizonte (MG), próxima à região da Serra do Cipó, a Fazenda Guarani foi, a partir do fim de 1972, uma continuação da experiência de confinamento de índios iniciada quatro anos antes, com a instalação do Reformatório Krenak em Resplendor (MG).
 
O Posto Indígena Guido Marlière, que abrigava o reformatório e os índios krenaks, vinha há anos tendo partes de suas terras ocupadas por fazendeiros. Algo que ocorria com a anuência do Serviço de Proteção aos Índios (SPI), órgão federal que antecedeu a Fundação Nacional do Índio (Funai). Durante décadas, foi política oficial do SPI o arrendamento a terceiros de lotes nas áreas dos índios. “Esse foi o instrumento que patrocinou oficialmente a invasão de quase todas as terras indígenas até então demarcadas em todo o país”, escreve Egon Reck, experiente ativista do Conselho Indigenista Missionário (Cimi).
 
A pressão para que fosse extinto o Posto Indígena Guido Marlière levou à negociação de uma permuta entre a Funai e o governo mineiro. As terras foram cedidas aos fazendeiros, e, em contrapartida, o órgão federal recebeu a Fazenda Guarani, uma área pertencente à Polícia Militar, no município de Carmésia (MG).  Em 1972, concretizado o acordo, a Ajudância Minas Bahia, órgão regional da Funai, transferiu para lá todos os indígenas de Resplendor – os krenaks e os presos do reformatório.
 
“Fomos despejados dentro de um vagão de carga, que nem animais”, conta Edmar Krenak, que era criança quando ocorreu a transferência. “Eu lembro da tristeza dos índios mais velhos. Meu pai mesmo não queria sair de dentro da casa. Armou-se de arco e flecha, deu um trabalho e teve que ir algemado”. Nesse novo “lar”, os krenaks relatam diversas privações. “Lá era muito frio e não tinha nada para comer. Só banana”, lembra Maria Sônia Krenak..
 

Na luta pelas terras em Aracruz

 
A Fazenda Guarani assumiu o papel, antes exercido pelo Reformatório Krenak, de central carcerária indígena da ditadura. Para o local passaram a ser enviados diversos os índios e comunidades envolvidos em litígios Brasil afora.
 
 
“Quando começamos a lutar pela demarcação das terras aqui no município de Aracruz (ES), eles levaram a gente para lá”, revela Toninho Guarani, indígena guarani mbyá que passou parte de sua adolescência em naquele local.“Eles colocavam a própria polícia militar para vigiar. Ninguém podia entrar e ninguém podia sair.”
 
Os guaranis, explica Toninho, caminham pelo mundo seguindo revelações. E foi uma revelação de sua avó que levou seu grupo a iniciar, ainda na década de 1940, uma caminhada de contornos épicos, partindo do sul do país em busca da chamada “terra sem males” – o local onde, segundo a crença da etnia, é possível alcançar um estado de perfeição e ascender a uma espécie de paraíso.
 
Já na década de 1960, eles chegaram em Aracruz (ES), então um município litorâneo com boa parte da sua fauna e mata preservados. Mas sobre aquele lugar, uma terra supostamente propícia para a busca da “terra sem males”, também repousavam planos para viabilizar enormes plantações de eucalipto. E o choque de interesses levou os indígenas, sob pressão e a contragosto, para a Fazenda Guarani.
 
“Em Minas Gerais e no Espírito Santo, se houve alguma resistência de um povo indígena, eles pegavam essas pessoas e levavam pra lá”, diz Toninho, que perdeu um irmão na Fazenda Guarani, morto devido a uma picada de cobra.
 
O confinamento, avalia ele, foi uma tentativa de impor o sedentarismo aos guaranis, cujas contínuas migrações pelo sul do continente, frequentemente associadas a motivações espirituais, são amplamente documentadas desde o século XIX. “Foi uma violação dos direitos sagrados dos nossos líderes religiosos. Nós lutamos para que o Estado brasileiro reconheça o direito do nosso povo de fazer essas caminhadas”, reivindica Toninho.
 
Depois de alguns anos, os guaranis fugiram da fazenda e empreenderam nova peregrinação – percorrendo longos trechos de carona ou mesmo a pé. Em 1983, a Justiça determinou a homologação da área indígena ocupada pelos guaranis naquele município.
 

A anuência dos altos escalões

 
Em 1973, pouco após a transferência do Reformatório Krenak para a Fazenda Guarani, mudou também a chefia da Ajudância Minas Bahia da Funai. Assumiu o posto João Geraldo Itatuitim Ruas, um quadro histórico do SPI e um dos primeiros servidores de origem indígenas a integrarem o serviço público brasileiro.
 
Itatuitim conta ter sido salvo da morte por uma missionária católica, após sua mãe morrer no parto – segundo a tradição de sua etnia, do Alto Xingu, as crianças que não recebiam o leite materno supostamente eram sacrificadas. Entregue ao Marechal Rondon, foi criado entre brancos e estudou com a mãe de Darcy Ribeiro antes de ingressar nas fileiras do órgão indigenista.
 
 
Com essa biografia, Itatuitim, sofreu ao se tornar encarregado da Fazenda Guarani ao assumir a Ajucância. “Imagina o que era para mim, como índio, ouvir a ordem do dia do cabo Vicente (policial militar e chefe local do posto indígena), botando todos os presidiários em fila indiana, antes de tomarem um café corrido, ameaçando baixar o cacete em quem andasse errado. E alertando que, para aquele que fugisse, havia quatro cachorros policiais, treinados e farejadores, prontos para agir”, exemplifica. “Eles não trabalhavam no sábado, que era dia de lavar a roupa, costurar, essas coisas todas. Mas, durante a semana, era trabalho escravo!”
 
Itatuitim conta ter procurado o general Bandeira de Mello, então presidente da Funai, para discutir o fim da instituição correcional. Do general, diz ele, ouviu a seguinte pergunta: “Por que você vai salvar 50 índios que já estão condenados à morte?”.
Não satisfeito, o chefe da Ajudância Minas Bahia procurou o então ministro do Interior – o engenheiro Maurício Rangel Reis, morto em 1986. “Ao invés de me tratar com educação, ele me maltratou. Disse que eu queria perdoar, e ameaçou me demitir”, relembra.
 
Mesmo assim, Itatuitim afirma ter começado a enviar diversos índios que estavam confinados na Fazenda Guarani de volta às suas aldeias de origem. Algo que, de acordo com ele, teria contribuído para a sua demissão da Funai, pouco tempo depois.
 
Além dos “infratores”, a Fazenda Guarani também recebia indígenas para “tratamento mental”. Apesar, no local, de não haver nenhum atendimento psiquiátrico disponível.
 
 
Um deles foi um índio da etnia campa que, segundo diz sua ficha individual, já havia sido clinicamente diagnosticado como esquizofrênico. Entre outras excentricidades, ele dizia ser dono de vários automóveis e aviões, além de amigo íntimo do mandatário supremo da nação. “Sempre que um avião passa sobre esse reformatório ele pula e grita, dizendo que é o presidente vindo buscá-lo”, escreveu o chefe de posto a seu respeito.
 
As denúncias sobre o uso da Fazenda Guarani como local de prisão, confinamento ou despejo de índios “sem terra” seguiram até o final da década de 1970. Atualmente, lá vive apenas um grupo pataxó, cujos primeiros representantes foram remanejados por conta de conflitos fundiários em Porto Seguro (BA), acompanhados de novas levas após a “desmilitarização” da fazenda. Hoje, a comunidade pataxó na Fazenda Guarani é composta por 280 pessoas.
 
Como resquícios da presença da polícia militar, o local ainda conserva as ruínas da antiga capela e do engenho. O casarão que servia como sede para os destacamentos policiais foi convertido em moradia para alguns dos indígenas. E a antiga solitária – um cubículo de, no máximo, quatro metros quadrados – virou um depósito onde se empilham os cachos de banana colhidos nas redondezas.
André Campos, 31 anos, é autor de reportagens e documentários investigativos e pesquisa há cinco anos as cadeias indígenas da ditadura.  Esta reportagem foi realizada através do Concurso de Microbolsas de Reportagem da Pública.
 http://apublica.org/2013/06/um-campo-de-concentracao-indigena-200-quilometros-de-belo-horizonte-mg/

Rodrigo Alvarez sobre Fábio de Melo: “É um padre que está trazendo a religião para o nosso tempo”

A vida sofrida ao lado da família em Formiga (MG), o caminho percorrido para ser tornar o sacerdote e as polêmicas agora reveladas, como a quebra dos votos de castidade por conta de uma paixão. Todas essas histórias do padre Fábio de Melo estão no livro Humano Demais (Ed. Globo), escrito pelo jornalista Rodrigo Alvarez, da TV Globo. O autor e o biografado participam hoje, às 19 horas, do lançamento da obra na Fnac do shopping Flamboyant. Rodrigo Alvarez nunca deixou Goiânia de fora dos seus lançamentos. Em 2014, veio à cidade para sessão de autógrafos de Aparecida: A Biografia da Santa que Perdeu a Cabeça, Ficou Negra, Foi Roubada, Cobiçada pelos Políticos e Conquistou o Brasil; e no ano passado, Maria – A Biografia da Mulher que Gerou o Homem mais Importante da História, Viveu um Inferno, Dividiu os Cristãos, Conquistou Meio Mundo e É Chamada de Mãe de Deus. “É impossível não ir para Goiânia, sou casado com uma goiana; então, criei uma afinidade como se fosse minha segunda terra. É um lugar que sempre quero visitar”, conta em entrevista por telefone ao POPULAR. Confira o bate-papo com o jornalista, que contou um pouco mais sobre o processo de produção da obra.

O jornalista Rodrigo Alvarez e o padre Fábio de Melo lançam livro hoje em Goiânia

Como surgiu o seu interesse em escrever a biografia do padre Fábio de Melo?
Vinha trabalhando com temas religiosos desde 2011. Fiz uma pesquisa sobre Nossa Senhora Aparecida e foi o primeiro livro que publiquei sobre o tema. Em 2014 e no começo do ano passado estava terminando de escrever Maria e fui fazer uma reportagem do Jornal Nacional sobre uma peregrinação de centenas de brasileiros em Jerusalém da qual ele participou. Eu não conhecia o padre Fábio de Melo e a gente conversou por muito tempo sobre os assuntos que eu estava trabalhando. Fiquei muito interessado nas visões que ele tem sobre temas religiosos e a forma como ele apresentava isso. Fiquei tão curioso e espantado que eu perguntei para ele se tudo que ele estava me dizendo ele falava em público porque era uma visão que destoava do lugar comum da igreja, dos padres convencionais. Fiquei interessado de ver que era possível haver um padre desse tipo no Brasil. Depois de uma semana, achei que a história dele era muito interessante e quis escrever enquanto ele estivesse no auge. A gente se encontrou em diversos lugares diferentes, como na República Checa, em Belém do Pará, na Paraíba, fomos a Gaza juntos. O que não era possível fizemos por telefone. Ficamos conversando durante um ano e meio.
 
O que mais surpreendeu você no processo de pesquisa?
Foi muito chocante ver a tragédia que foi a vida dele na infância. Era quase impossível que ele existisse dentro daquela família. O pai, alcoólatra, pedreiro, quase analfabeto, com dificuldades financeiras e desempregado toda hora. A mãe lavadeira ganhando quase nada de dinheiro. Cada dois irmãos dividindo uma mesma cama de solteiro, um para cada lado porque não cabia na casa. Às vezes faltando comida, só comendo frango no fim de semana porque no resto da semana não era possível. Nenhum dos irmãos foi para a escola e é surpreendente como um deles estudou durante 28 anos, com mestrado, duas faculdades, numa família com essas condições. Isso foi o primeiro choque e fui na tentativa de descobrir como isso era possível. Ao longo do livro você vai descobrindo alguns anjos que pegaram na mão dele.
 
Uma coisa que sempre cerca a imagem do biografado é a polêmica da figura do padre galã. Como você trata do tema no livro?
Em vários momentos aparece isso. De fato, por ele ser um cara bonito e, quando ele era seminarista, isso fez com que as meninas fossem atrás dele. Como os amigos diziam, as garotas pegavam no pé do padre e ele cedeu à tentação. Primeiro, ele teve um amor platônico, teve pequenos namorinhos, apaixonava-se toda hora, isso era comum entre seminaristas. Ele era o bonitão da turma e chovia menina em cima dele. Quando ele já tinha feito o voto de castidade, ele conta isso no livro, teve um namoro muito intenso com todas as cores que você possa imaginar, teve relação sexual, vivia na casa dessa namorada, que era um pouco mais velha que ele, ela tinha 25 anos e ele, 22. Ele quase desistiu de ser padre e chegou ao ponto de pensar como seria sua vida casado. Ela o convidou para morar na casa dela. Ele só não desistiu de ser padre porque ela desistiu dele. Depois disso, ele fez um corte de nunca mais fazer isso e decidiu seguir o caminho de padre. Aí, ele virou um pregador que atrai multidões e passou a falar para os não católicos também. Isso me interessou porque ele não é um padre que está repetindo dogmas, é um padre que está trazendo a religião para o nosso tempo.
 
Quais foram as ponderações do padre depois do livro pronto? Teve alguma censura?
A revisão que ele quis fazer foi dos capítulos em que o conteúdo teológico era mais intenso. Como a gente fez entrevistas e acaba caindo em uma informalidade quando conversamos, ele quis ler as partes em que ele fala sobre Jesus Cristo, pensamentos sobre a igreja, porque ele já foi muito vítima de distorções e tinha preocupação que uma frase curta demais escrita por mim pudesse criar uma interpretação errada sobre a maneira que ele entende a religião. Ele leu com atenção três capítulos e me pediu para falar mais sobre alguns temas, não para mudar. Não teve nenhuma censura, tanto que tem muita coisa que é desagradável para ele. Muita gente critica o padre por ele ser vaidoso, mas ele não esconde que é vaidoso, ele gosta de se vestir bem, arrumar o cabelo. Ele sempre foi ligado à estética, como ele diz, tem uma aptidão para o belo.
 
Como surgiu o seu interesse por temas religiosos?
Eu me interessei pelo fenômeno cultural de Aparecida, queria entender como o Brasil tinha uma santa que era um símbolo tão importante quanto nossa bandeira e hino. O que fez Aparecida ser o que ela é? O que fez o brasileiro se identificar tanto? Então, olhei sempre para os temas com um olhar histórico e cultural e as relevâncias que eles têm para o mundo. Aparecida para o Brasil, Maria para o mundo. Aí quando você entra no assunto acaba se especializando nele. Eu gosto muito desse assunto, de história da religião, o efeito que ela tem sobre as pessoas. A fase que passei como correspondente em Jerusalém também me enriqueceu. Na época que escrevi Maria cada lugar que estava pesquisando podia ir até lá. Viajei para oito países para escrever aquela obra. Eu estava onde as coisas aconteceram e respirando aquilo. Assim, o papel que me proponho a fazer também é de trazer o passado para o entendimento do nosso presente.
 
PERFIL
 
Rodrigo Alvarez começou a trabalhar como repórter em 1999, no Jornal das Dez, da Globonews, até que se tornou jornalista da TV Globo em Nova York. Em 2010, voltou para o Brasil e passou a fazer reportagens para o dominical Fantástico. Ele foi correspondente da TV Globo no Oriente Médio, se destacando na cobertura dos conflitos na região e atualmente atua em Berlim (Alemanha).
 

Vaticano dispensa padre após ele revelar ser gay

Demissão não teria relação com comentários sobre sua situação pessoal de padre.
Itália - O Vaticano dispensou um padre de seu posto em um serviço da Santa Sé neste sábado, depois que ele disse a um jornal que é gay e exortou a Igreja Católica a alterar a sua posição sobre a homossexualidade.
 
O monsenhor Krzystof Charamsa foi removido de sua posição na Congregação para a Doutrina da Fé, braço doutrinal do Vaticano onde trabalhava desde 2003, segundo um comunicado.

 
Charamsa, de 43 anos e teólogo polonês, anunciou que é gay e tem um parceiro em uma longa entrevista com o jornal italiano "Corriere della Sera" neste sábado.
Mais tarde, ele realizou uma coletiva de imprensa com o seu parceiro, um homem espanhol, e ativistas gays em um restaurante de Roma. Eles haviam planejado uma manifestação em frente ao Vaticano, mas mudaram o local várias horas antes do momento em que o evento deveria ter começado.
 
O Vaticano disse que a demissão de Charamsa não tem relação com seus comentários sobre sua situação pessoal, que afirmou "merecer respeito".
 
Mas o Vaticano disse que ter dado a entrevista e a manifestação prevista foram atos "graves e irresponsáveis", dado o seu calendário, às vésperas de um sínodo de bispos que vai discutir questões de família, incluindo como chegar aos gays.
 
O Vaticano acrescentou ainda que as ações do padre sujeitariam o sínodo, que o Papa Francisco deve abrir no domingo, a "pressão da mídia indevida".
 

Mais da metade dos padres do Vaticano são gays, afirma teólogo

Poucos dias depois de o ex-oficial da Congregação para a Doutrina da Fé, Krzysztof Charamsa, ter vindo a público sobre sua homossexualidade e o longo relacionamento que mantém com outro homem, outro ex-funcionário do papa faz declarações sobre a sexualidade dos altos escalões da igreja Católica. Em entrevista à revista alemã Stern, o teólogo David Berger afirma: Charamsa está longe de ser o único homossexual no alto da hierarquia sacerdotal. “O porcentual de homossexuais entre os sacerdotes católicos costuma ser bem alta. No Vaticano, a proporção é ainda maior. Eu estimaria que por volta de metade.”

David Berger
 
Berger foi professor da Academia Pontíficia São Tomás Aquinas, no Vaticano, mas teve que deixar o cargo quando declarou-se homossexual. Ele explicou como esse fenômeno acontece: “a razão disso é que a homossexualidade é demonizada na Igreja, é um pecado muito grave. Por outro lado, a imagem do sacerdote é muito atraente para os homens gays. Quando se é padre, devido à imagem celibatária do ofício, ninguém questiona por que você não é casado com uma mulher. O celibato permite ao padre entrar num mundo livre de mulheres.”
 
Isso acaba gerando consequências na própria hierarquia da igreja, continua: “forma-se um grande grupo de homens com consciência pesada, que fazem tudo que podem para mostrarem-se inteligentes, leais ao papa e muito dedicados. Esses padres conseguem aproveitar as melhores oportunidades de carreira e, consequentemente, chegar ao Vaticano”.
 
“Uma vez lá, eles encontram uma rede de outros gays que ajudam-se mutuamente”, finaliza.
O próprio cerimonial da igreja Católica também seria um atrativo para os homossexuais, aponta Berger. “Toda a paramentação é muito atraente para os gays. Gays gostam de ópera, gostam de se vestir bem. Eu já passei muitas noites com padres gays que não falavam de nada além de qual casula [vestimenta sacerdotal], chapéu e outros apetrechos pretendiam comprar para si.”
 
Berger também afirma que a principal regra no Vaticano é que pode-se fazer sexo gay na vida privada, mas em público eles devem manter-se fieis aos princípios da igreja Católica e jamais falarem sobre sua sexualidade. “Muitas vezes os padres não veem-se como gays – apesar de fazerem sexo com outros homens, rejeitam a subcultura gay. Cria-se uma distinção entre a homossexualidade e a cultura gay. Não deve-se dizer jamais ‘eu sou gay e isso é bom’.” O armário acaba sendo uma maneira de exercer poder sobre outros padres: “Depois que um sacerdote declara-se homossexual, aqueles em posições de poder não têm mais nada para usar contra ele. É um desastre sem precedentes.”
 
O teólogo encerra a entrevista afirmando que não há nada na Biblia que realmente condene a homossexualidade, e opina sobre o que precisaria mudar na igreja Católica: “Ela precisa decidir se quer ser uma instituição de poder, ou a igreja que Jesus fundou. Considerar onde está o ser humano e buscá-lo onde estiver. Em seguida, teriam que aceitar a todos como os criou deus – até mesmo os homossexuais e sua necessidade de amor e sexualidade.”
 

O maravilhoso mundo dos animais

Canídeos
Raposa-do-ártico





































































































 A raposa-do-Ártico (Alopex lagopus), também conhecida por raposa-polar, é uma raposa de pequenas dimensões existente no Hemisfério Norte. Apesar de alguns classificadores a terem colocado no gênero Vulpes, este animal de há muito é considerado como único membro do gênero Alopex.

Coiote


























 O coiote (Canis latrans) é um mamífero membro da família Canidae e do genêro Canis. Os coiotes são encontrados apenas na América do Norte e Central. Os coiotes geralmente vivem sós, mas podem se organizar em matilhas ocasionalmente. Coiotes vivem em média 6 anos.

Coydog























Coydog é o nome do híbrido de um coiote (Canis latrans) com um cão-doméstico (Canis lupus familiaris).

Lobo-cinzento

























































































O lobo ou lobo-cinzento (Canis lupus) é o maior membro selvagem da família canidae. É um sobrevivente da Era do Gelo originário durante o Pleistoceno Superior, cerca de 300.000 anos atrás. Atualmente, o próprio cachorro é considerado uma subespécie de lobo.

Lobo-ártico






















O Lobo-ártico, lobo-polar ou lobo-branco (Canis lupus arctos) é uma sub-espécie de lobo-cinzento nativa do Canadá e da Groenlândia.

Dingo































 O dingo (Canis lupus dingo) é uma sub-espécie de lobo, assim como o cão doméstico, originária da Ásia e que se encontra atualmente em estado selvagem na Austrália e sudeste asiático. A origem dos dingos permanece incerta mas crê-se que resultem de uma das primeiras domesticações do lobo.

Cão-da-carolina




















O cão-da-carolina ou dingo-americano é uma espécie de cão selvagem descoberta na década de 1970.

Cão-cantor-da-nova-guiné













O cão-cantor-da-nova-guiné (Canis lupus hallstromi) é tipo raro e antigo de canídeo primitivo que já habitou toda a ilha da Nova Guiné. Esse canídeo é relativamente pouco conhecido. Quase nada se sabe sobre sua vida, estrutura social, status genético ou sobre o número de indivíduos selvagens ainda existentes. Todos os estudos foram feitos nos poucos indivíduos em cativeiro.

Wolfdog
 















Wolfdog é o nome do híbrido de um cão domético (Canis lupus familiaris) com alguma outra subespécie de lobo-cinzento.

Lobo-etíope















 O lobo-etíope (Canis simensis), também chamado lobo abissínio, é um dos mais raros e mais ameaçados canídeos do mundo. A sua distribuição resume-se a áreas da Etiópia e Eritréia, normalmente acima dos 3,000 m. Atualmente existem menos de 500 indivíduos adultos em meio selvagem.

Lobo-vermelho 















 O lobo-vermelho (Canis rufus) é uma espécie de lobo em perigo crítico de extinção, devido a pressões ecológicas. Acredita-se que essa espécie possivelmente possa ser o híbrido entre o lobo-cinzento e o coiote.

Lobo-guará
















 O lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) é o maior canídeo nativo da América do Sul. A sua distribuição geográfica estende-se pelo sul do Brasil, Paraguai, Peru e Bolívia a leste dos Andes, estando extinto no Uruguai e talvez na Argentina, e é considerado uma espécie ameaçada. O Brasil abriga o maior número de animais, dos cerca de 25.000 indivíduos da espécie, cerca de 22.000 estão em território brasileiro. Os biomas de sua ocorrência no Brasil são: Cerrado, Pantanal, Campos do Sul, parte da Caatinga e Mata Atlântica.

Cão-selvagem-africano































































O cão-selvagem-africano, mabeco ou cão-caçador-africano (Lycaon pictus) é um canídeo típico de África que vive em zonas de savana e vegetação esparsa. A espécie já foi comum em toda a África sub-sahariana (exceto em áreas de floresta tropical ou densa e zonas desérticas). A sua distribuição geográfica atual limita-se à Namíbia, Botswana, Moçambique, algumas zonas do Zimbabué e África do Sul.

Cão-selvagem-asiático


























O cão-selvagem-asiático (Cuon alpinus) é uma espécie de canideo nativa da Rússia, Mongólia, Casaquistão, Quirguistão e Tadjiquistão.

Cachorro-vinagre






















 O cachorro-vinagre ou cachorro-do-mato (Speothos venaticus) é um canídeo nativo da América do Sul, que habita as florestas e pantanais entre o Panamá e o norte da Argentina. São animais semi-aquáticos que conseguem nadar e mergulhar com grande facilidade. A União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais - IUCN lista a espécie como vulnerável, devido ao isolamento e esparsa densidade das suas populações e à destruição do seu habitat.

Chacal-de-dorso-negro

























 O Chacal-de-dorso-negro (Canis mesomelas), é um membro da família Canidae. Tem hábitos noturnos, e durante o dia escapa do calor refugiando-se no seu esconderijo, entre as rochas, ou debaixo da vegetação. Possui uma grande resistência que o permite correr grandes distâncias durante toda uma noite se precisar. Ainda que goste de uma vida solitária, pode chegar a formar pequenos grupos conformados pela sua própria família. Alimenta-se de pequenos mamíferos, insetos e répteis, mas prefere as carcaças.

Guaraxaim














 O guaraxaim (Cerdocyon thous) é um canídeo amplamente distribuído pela América do Sul, incluindo o Brasil. São onívoros e oportunistas, e sua dieta consiste de frutas, ovos, artrópodes, répteis, pequenos mamíferos e carcaças de animais mortos.

Graxaim













O graxaim ou sorro (Pseudalopex gymnocercus) é um canídeo encontrado nos campos úmidos do Sul do Brasil, no Paraguai, no Norte da Argentina e no Uruguai.

Raposa-tibetana



















 A raposa-tibetana, raposa-do-Himalaia ou raposa-da-areia (Vulpes ferrilata) é uma espécie de raposa endêmica do planalto tibetano, no Nepal, China, Índia em altitudes até cerca de 5300 metros

Raposa-vermelha





















 A raposa-vermelha (Vulpes vulpes) é um mamífero, carnívoro, de médio porte, com os pelos geralmente castanho-avermelhados.

Raposa-prateada






















 A raposa-prateada é uma variação melânica da raposa-vermelha (Vulpes vulpes).

Raposa-cinzenta













 A raposa-cinzenta (Urocyon cinereoargenteus) é uma espécie de raposa que habita um território compreendido deste a região sul do Canadá, passando por vários estados da América, ao Norte da Venezuela e Colômbia. Esta espécie e a sua parente próxima raposa-das-ilhas são os únicos animais ainda existentes do gênero Urocyon, que é considerado um dos gêneros de canídeos mais antigos.

Raposa-cinzenta-argentina














 A raposa-cinzenta-argentina (Pseudalopex griseus) é uma das seis espécies do gênero Pseudalopex. Pode ser encontrada no Cone Sul da América do Sul, particularmente na Argentina e Chile. Pesa de 2,5 a 4 kg e mede entre 45 a 70 cm de comprimento. A sua dieta consiste principalmente em roedores, coelhos e aves.

Raposa-das-estepes



















 A raposa-das-estepes (Vulpes corsac) é uma raposa nativa da Mongólia, principalmente em áreas de estepe ou em meios de desertos.

Raposa-do-campo













Raposa-do-campo, raposinha-do-campo, cachorro-de-dentes-pequenos ou jaguapitanga (Pseudalopex vetulus) é um canídeo nativo do Brasil, que habita os campos e cerrados do Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e São Paulo.

Feneco
































































 Os fenecos ou raposas-do-deserto (Vulpes zerda) são pequenas raposas, sendo inclusive os menores caninos dos dias de hoje. O feneco é um animal de hábitos noturnos. Durante a noite caça pequenos roedores, insetos (como, por exemplo, gafanhotos), lagartos, pequenas aves e ovos, além de algumas plantas. A comida no deserto é rara, e por isso quase todas as formas de vida de lá servem de alimento para o feneco, salvo quando se trata de um animal mais forte que ele.
 
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