quinta-feira, 15 de junho de 2017

O que é Yeshua (Yshy)

Yeshua é um termo de raiz hebraica que significa “salvar” ou "salvação". É considerado por alguns estudiosos como o nome original de Jesus Cristo escrito em hebraico. Porém é um tema em discussão, visto que a língua falada na terra onde Jesus habitava era o aramaico.
 
 
 
Alguns religiosos consideram que usar o nome original "Yeshua" para se referir a Jesus seria o correto. No entanto, os estudos sobre a etimologia do termo e sua evolução desde o hebraico mostram como ocorreram as alterações do nome próprio.
 
Na verdade, Yeshua é uma forma abreviada de Yehoshua, nome hebraico que foi traduzido para o Português como Josué. "Yeoshua" significa "o Eterno salva". Em determinada história bíblica, a figura de Josué surge como o sucessor de Moisés na missão de conduzir o povo de Israel para a terra de Canaã.
 
O nome que se refere a Jesus, o Salvador, aparece escrito na Bíblia ora como Yeshua, ora como Yehoshua. Nas traduções do Antigo Testamento da Bíblia para o Grego, foi então feita a transliteração dos nomes “Yeshua” e “Yehoshua” para o nome único “Iesous”, que foi transliterado para o Latim como "Iesus" e para o Português como "Jesus".
 
 
A expressão Yeshua Hamashia é uma expressão em aramaico que significa Jesus Cristo, o Messias.
Existem várias músicas da autoria de vários artistas e bandas que são dedicadas a Jesus e contêm a palavra Yeshua.
 
 
 
 

Corpus Christi: celebração da presença de Jesus na Eucaristia

 
Eucaristia e Páscoa
 
A Igreja sempre realçou a estreita ligação entre a Eucaristia e a Páscoa do Senhor, um mistério de morte, ressurreição e presença no mundo. Sempre houve a convicção de que o Sacramento da Eucaristia é pascal, porque se refere à morte e à ressurreição de Jesus. É inegável o contexto pascal da instituição da Eucaristia, como atestam muitos textos do Novo Testamento (cf. Lc 22,15-18; Jo 6,4.51.54.58; 1Cor 10,21; 11,20.23.27). A Eucaristia jamais poderá ser dissociada da lembrança da “noite em que foi entregue” (1Cor 11,23). Para sempre será marcada pela palavra constitutiva e interpretativa: “isso é o meu corpo, que é para vós” (1Cor 11,24). Ela é uma instituição nova, “em meu sangue” (cf. 1Cor 11,25), que é o Reino escatológico nascido da imolação de Jesus. Proclama a morte do Senhor (cf. 1Cor 11,26). “É o sacramento do Cristo em sua morte, em sua ressurreição, em sua vinda atual e futura, o sacramento do Cristo no mistério pascal”, afirma um grande teólogo da Eucaristia. Ela é memorial do único e definitivo sacrifício de Cristo. 
 
Eucaristia: memorial da Páscoa
 
Na cruz temos o sacrifício único e perpétuo para o perdão dos pecados. E, neste caso, sacrifício não significa – como na linguagem coloquial – um esforço excessivo que alguém faz para realizar uma tarefa (“Fiz muito sacrifício para passar no concurso”, dizem alguns). O sacrifício de Jesus não é o esforço que ele fez para nos salvar. O sacrifício de Jesus foi sua entrega a Deus por nós. A entrega do Filho ao Pai para nos reconciliar com Deus. Sacrifício vem do latim “sacrum facere” (tornar sagrado, consagrar). Jesus, o Filho de Deus, na nossa condição humana marcada pelo pecado – sendo que ele mesmo não pecou –, se entregou ao Pai no Espírito Santo. E o Pai acolheu a oferta do Filho, ressuscitando-o no poder do Espírito Santo e nos salvando neste sacrifício.
 
Jesus se consagra por nós e somos salvos na sua consagração. O mistério pascal – morte e ressurreição – resume toda a vida de Jesus e se constitui ápice da história da revelação de Deus à humanidade. Jesus, morto e ressuscitado por nós, é a salvação da humanidade. Esse sacrifício na cruz foi realizado uma vez por todas. Um ato histórico e definitivo. Tudo o que Ele buscou realizar em sua vida terrena, através da pregação do Reino, o realizou com sua morte na cruz , na sua entrega ao Pai por nós. O sacrifício de Jesus na cruz substitui os sacrifícios antigos, ele é “o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. Ele é Sacerdote, altar e cordeiro.
 
Jesus, na última ceia, no contexto daquela celebração judaica, memorial da libertação do povo de Israel do Egito, nos deixou o memorial do seu sacrifício, para que a Igreja de todos os tempos viva de modo incessante o dom de sua Páscoa. Ele antecipou profeticamente, na quinta-feira, o seu sacrifício na cruz, dando a sua morte significado salvífico. Surpreendeu os seus discípulos, no contexto da ceia judaica, transformando o pão e o vinho em seu corpo e sangue, ou seja, sua vida que seria entregue na cruz para a salvação da humanidade.
 
Jesus deixa aos discípulos a ordem de celebrar para sempre a memória de sua morte salvadora, de seu sacrifício na cruz, e os educa para viver o único acontecimento determinante da história: seu mistério pascal, sua morte e ressurreição para a salvação de todos. A Eucaristia que celebramos se configura, pois, como memorial do sacrifício de Cristo.
 
Na sua Encíclica “Ecclesia de Eucharistia”, o Papa João Paulo II afirma sobre a Eucaristia: “Este sacrifício é tão decisivo para a salvação do gênero humano que Jesus Cristo realizou-o e só voltou ao Pai depois de ter deixado o meio de dele participarmos como se tivéssemos estado presentes. Assim cada fiel pode tomar parte nele, alimentando-se dos seus frutos inexauríveis. Esta é a fé que as gerações cristãs viveram ao longo dos séculos, e que o magistério da Igreja tem continuamente reafirmado com jubilo e gratidão por dom tão inestimável”.
 
Memorial não significa simplesmente lembrança. Na ceia judaica, os judeus se tornavam contemporâneos do evento de sua libertação do Egito. Pela Eucaristia, nos tornamos contemporâneos do evento de nossa salvação, a nova páscoa: Jesus, o Filho, entregue ao Pai por nós no seu sacrifício. E como podemos participar daquele evento? Porque o próprio Cristo pascal e glorioso se faz presente na Eucaristia, na plenitude de sua oferta ao Pai por nós. Ele é sempre o que se entregou por nós. Não há um Jesus pós-pascal, há somente o Jesus pascal, que foi glorificado pelo Pai no momento sua morte, do seu sacrifício.
 
A Eucaristia se revela uma forma de aparição do Ressuscitado. “O Pai, no poder do Espírito Santo, ressuscita o Filho nas espécies do pão e vinho”.  Por isto, a Eucaristia é “um pedacinho da eternidade”, o Filho, glorificado na nossa condição humana, vem a nós como plenitude da história da humanidade e da nossa história pessoal. Jesus está realmente presente na Eucaristia. Ela não é só símbolo, mas símbolo-realidade, ou seja, um símbolo que contém o que é simbolizado. O pão e o vinho se tornam a realidade do corpo ressuscitado de Jesus – ela é Corpus Christi. O corpo presente na Eucaristia é o mesmo que nasceu da Virgem Maria, morreu na cruz e ressuscitou por nós. Realidade grandiosa, só compreensível à luz da fé. Depois das palavras da instituição, o padre diz: “Eis o mistério da fé”. De fato, é grande o mistério da fé. Mas como compreender esta presença real?
   
Eucaristia: Presença real
 
Segundo o Concílio de Trento (1545), depois da consagração não ficam mais o pão e o vinho, mas só as aparências do pão e do vinho. O Concílio declara que Cristo oferece aos discípulos o seu corpo, na aparência de pão e de vinho. Produz-se uma mudança de “substância”, o que a Igreja chama “transubstanciação”. A “substância” do pão e do vinho é transformada em corpo e sangue de Cristo.  “Substância” é o que faz com que uma coisa seja aquilo que ela é. Algo que a ciência não capta, mas que a razão diz que existe em cada coisa criada, como fundamento desta. Pois então, esta substância é que muda na Eucaristia, tornando-se Corpus Christi. A substância muda, mas ficam os “acidentes” do pão e do vinho. Estas explicações podem parecer difíceis. Para nós, basta saber que a Igreja, desde sempre, defendeu a presença real de Jesus na Eucaristia. A presença não é simbólica, mas ontológica, ou seja, diz respeito à realidade de Cristo ressuscitado.
   
Eucaristia: sacramento do Reino
 
A Eucaristia é, ainda, sacramento do Reino escatológico. Ela nos transporta para este Reino e nos faz descobrir o verdadeiro sentido da nossa existência cristã. João substitui o relato da Eucaristia pelo do lava-pés, gesto profético de Jesus que explica o sentido do seu sacrifício na cruz: ele é serviço, serviço de amor, serviço de escravo, pois cabia aos escravos aquele serviço (cf. Jo 13, 1-15). Depois de lavar os pés dos discípulos, diz Jesus: “Vós me chamais de mestre e Senhor, e dizeis bem, pois eu o sou. Se, portanto eu, que sou o Senhor e mestre, vos lavei os pés, vós também deveis lavar-vos os pés um dos outros”.
 
O sacrifício de Jesus na cruz é serviço de quem se entrega pelos irmãos, pela humanidade. Na Eucaristia, a Igreja recebe o corpo do seu Senhor e se transforma nele. E cada membro da Igreja, ao comungar, poderia dizer como São Paulo “Cristo vive em mim”. Se Cristo vive na Igreja e no fiel, a vida da Igreja e de cada discípulo deve ser expressão da presença de Cristo.
 
E só há uma forma de expressar Cristo: o amor. Não o amor abstrato, mas o amor que nos leva à solidariedade ilimitada que caracterizou a própria vida de Cristo e o que o levou a se entregar por nós. Amor que emerge, sobretudo, na solidariedade com os pobres e abandonados, os preferidos de Jesus. Comungar Jesus na Eucaristia desencadeia o sério compromisso de comungá-lo no irmão. O outro é também sacramento da presença de Jesus. Ele mesmo afirmou que estaria nos marginalizados (presos, famintos, sedentos, nus) e que seria servido neles (cf. Mt 25, 31-46). Quem verdadeiramente encontra Jesus na Eucaristia, o encontra no irmão, sobretudo naquele que mais carece de nossa atenção e cuidado: o pobre e indefeso. A festa de Corpus Christi nos recorda a presença real de Jesus, por amor a nós, neste sacramento. É “invenção de amor”, diz Santo Afonso. Ele está na Eucaristia para ser o amor da nossa vida nossa vida e para transformá-la em dom para outros, para que o reino escatológico comece a se tornar uma realidade histórica que culminará na eternidade.
 
 Pe. Paulo Sérgio Carrara, CSSR
Professor na FAJE e no ISTA, em Belo Horizonte
 

O Brasil realmente é o país da impunidade?

Com certeza, em uma pesquisa popular, a maior parte das respostas será no sentido de que o Brasil é o país da impunidade.
 
 
Acredito, inclusive, que até eu e você já dissemos isso ao menos uma vez na vida; outros até acreditam realmente nisso.
 
E não há nenhum problema, pois somos induzidos a pensar assim, é mais “interessante”(!).
 
Impunidade”, segundo o dicionário, é: “1 Estado de impune 2 Falta de castigo devido”; sendo que “impune” significa: “1 Que ficou sem castigo 2 Que não foi reprimido”.
 
Assim, é de se supor que no “país da impunidade” não tenha presos ou processos criminais, certo?!
 
Todavia, não é o que ocorre na realidade, ao menos não é o que os dados demonstram.
 
Segundo informações do CNJ, “Com as novas estatísticas, o Brasil passa a ter a terceira maior população carcerária do mundo, segundo dados do ICPS, sigla em inglês para Centro Internacional de Estudos Prisionais, do King’s College, de Londres. As prisões domiciliares fizeram o Brasil ultrapassar a Rússia, que tem 676.400 presos”.
 
Continua, “A nova população carcerária brasileira é de 715.655 presos. Os números apresentados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) a representantes dos tribunais de Justiça brasileiros, nesta quarta-feira (4/6), levam em conta as 147.937 pessoas em prisão domiciliar. Para realizar o levantamento inédito, o CNJ consultou os juízes responsáveis pelo monitoramento do sistema carcerário dos 26 estados e do Distrito Federal. De acordo com os dados anteriores do CNJ, que não contabilizavam prisões domiciliares, em maio deste ano a população carcerária era de 567.655.”.
 
Ademais, se a taxa de crescimento das prisões continuar no mesmo ritmo, um em cada 10 brasileiros estará atrás das grades em 2075.
 
No meu Estado (ES), a população carcerária cresceu 287% em sete anos. Em 2005, eram 5.136 pessoas presas. Em 2012, 14.790.
 
Como afirmar, então, que um país com tantos presos é o país da impunidade?
Podemos punir mal, mas não há possibilidade de afirmar que não punimos.
 
Acho melhor pensar por outra ótica, pelo lado de que é interessante (para o Estado) difundir essa ideia da impunidade.
 
É esse “medo” (imposto) que controla a nação.
 

Jesus, o vagabundo


 Ricardo Gondim
 
Vez por outra algumas palavras viram xingamentos. Elas ganham a boca do povo e servem direitinho para demonizar o outro: subversivo, terrorista, fascista, comunista, veado, ianque. Ultimamente ficou fácil, fácil, chamar as pessoas de vagabundas. Eu próprio já vesti a carapuça.
 
Não me protejo. Não me importo. Desprezo qualquer pedrada verbal. Dou de ombros para quem esbraveja adjetivos iracundos.
 
O mundo deve aos vagabundos. Charles Chaplin encarnou lá atrás, no tempo do cinema mudo, um doce e maravilhoso desocupado. Diante de máquinas de datilografia, nos ateliês, nas coxias de teatro, quanta beleza nasceu do ócio. Não fosse a vagabundagem de poetas, músicos, saltimbancos, repentistas, bardos, atores, nos condenaríamos a marchar com passo de ganso, como nos exércitos. Graças aos desocupados, a vida não fica tão cinzenta.
 
Pretendo ser um seguidor de Jesus. A rigor ele cabe no estigma de vagabundo. Jesus não tinha casa fixa, vivia de doações, rodeou-se de mulheres (algumas suspeitas) e tinha, entre os apóstolos, zelotes (os terroristas da época).
 
Andarilho, Jesus, viu-se mal afamado por gente “de bem” – que procurava ofendê-lo, tratando-o como glutão e beberrão. Não admira, seu movimento foi subterrâneo e marginal. Jesus de Nazaré frequentou favelas, tratou com leprosos, ouviu mendigos (jantou na casa de ricos também). Pouco ortodoxo, desafiou o clero quando ainda tinha 12 anos de idade. Foi também um vândalo – sua reação tempestiva ao virar as mesas dos cambistas no templo pode ter sido a gota d’água para ser crucificado.
 
Décadas depois, seus discípulos foram acusados de delirar (Paulo), de serem loucos e provocarem escândalos (crentes de Corinto). A história mostra que mesmo depois da constantinização e cooptação da fé, o legado de Jesus inspirou grupos de resistência. Jesus nunca deixou de inspirar “vagabundos”: Francisco de Assis na Itália, Thomas Müntzer na Alemanha, John Wesley na Inglaterra, Charles Finney nos Estados Unidos, Oscar Roméro em El Salvador, a estadunidense Dorothy Stang no Brasil.
 
Noto um  esforço esquisito de tentar “normalizar” Jesus como líder de uma religião pequeno-burguesa, conservadora, reacionária. Querem transformá-lo em um carimbador do status quo. O Jesus domesticado pela teologia, engessado pela instituição e  apequenado pela ganância do lucro, não corresponde ao filho de Deus dos evangelhos.
 
Será que gritaram “vagabundo, vagabundo, vagabundo” enquanto ele carregava a cruz pela Via Dolorosa? Nunca saberemos. Se gritaram, não erraram de todo. O mundo deve muito ao Divino Vagabundo, o Unigênito de Deus.
 
Soli Deo Gloria
 

Oração de libertação de Santo Antônio de Pádua

Foto: Canção Nova
 
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!
 
Eis aqui a Cruz do Senhor. Fugi, potestades inimigas! Venceu o Leão da tribo de Judá, descendente de Davi. Aleluia!
 
A vós, Antônio, cheio de amor a Deus e aos homens, que tiveste a sorte de estreitar entre teus braços ao Menino-Deus, a ti cheio de confiança, recorro na presente tribulação que me acompanha (diga o problema que o aflige).
 
Peço-te também por meus irmãos mais necessitados, pelos que sofrem e pelos oprimidos, pelos marginalizados e aqueles que, hoje, mais necessitam de sua proteção. Fazei com que nos amemos todos como irmãos e que no mundo haja amor e não ódio. Ajudai-nos a viver a mensagem de Cristo.
Vós, em presença do Senhor Jesus, não cesses de interceder a Ele, com Ele e por Ele a nosso favor ante o Pai. Amém.
 
Ato de consagração a Santo Antônio
 
“Ó, grande e bem-amado Santo Antônio de Pádua, vosso amor a Deus e ao próximo, vosso exemplo de vida cristã, fizeram de vós um dos maiores santos da Igreja. Eu vos suplico tomar sob vossa proteção valiosa minhas ocupações, empreendimentos e toda a minha vida.
Estou persuadido de que nenhum mal poderá me atingir enquanto eu estiver sob vossa proteção. Protegei-me e defendei-me, pois sou um pobre pecador. Recomendai minhas necessidades e apresentai-vos como meu medianeiro a Jesus, a quem tanto amais.
Por vosso mérito, Ele aumente minha fé e caridade, console-me nos sofrimentos, livre-me de todo mal e não me deixe sucumbir na tentação.
Ó Deus poderoso, livrai-me de todo perigo do corpo e da alma. Auxiliado continuamente por vós, possa viver na cristandade e santamente morrer.
Amém.
 
 

O Cristo cósmico:uma espiritualidade do universo

Uma das buscas mais persistentes entre os cientistas que vem geralmente das ciências da Terra e da vida é pela da unidade do Todo. Dizem: “precisamos identificar aquela fórmula que tudo explica e assim captaremos a mente de Deus”. Esta busca vem sob o nome de “A Teoria da Grande Unificação” ou “A Teoria Quântica dos Campos” ou, pelo pomposo nome de “A Teoria de Tudo”. Por mais esforços que se tenham feito, todos acabam se frustrando ou como o grande matemático Stephan Hawking, abandonando, por impossível, esta pretensão. O universo é por demais complexo para ser apreendido por uma única fórmula.
 

         Entretanto, pesquisando as partículas sub-atômicas, mais de cem, e as enegias primordiais, chegou-se a perceber que todas elas remetem àquilo que se chamou de “vácuo quântico” que de vácuo não possui nada porque é a plenitude de todas as potencialiades. Desse Fundo sem fundo surgiram todos os seres e o inteiro universo. É representado como um vasto oceano sem margens, de energia e de virtualidades. Outros o chamam de “Fonte Originária dos Seres” ou o “Abismo alimentador de Tudo”.

         Curiosamente, cosmólogos como um dos maiores deles, Brian Swimme, denomina-o de o Inefável e o Misterioso (The Hidden Heart of the Cosmos, 1996) Ora, estas são carcaterísticas que as religiões atribuem à Última Realidade que vem chamada por mil nomes, Tao, Javé, Alá, Olorum, Deus. O Vácuo pregnante de Energia se não é Deus (Deus é sempre maior) é a sua melhor metáfora e representação.

         O fundamental não é a matéria mas esse vácuo pregnante. Ela é uma das emergências desta Fonte Originária. Thomas Berry, o grande ecólogo/cosmólogo norte-americano, escreveu: “Precisamos sentir que somos carregados pela mesma energia que fez surgir a Terra, as estrelas e as galaxias; essa mesma energia fez emergir todas as formas de vida e a consciência reflexa dos humanos; é ela que inspira os poetas, os pensadores e os artistas de todos os tempos; estamos imersos num oceano de energia que vai além da nossa compreensão. Mas essa energia, em última instância, nos pertence, não pela dominação mas pela invocação”(The Great Work,1999, 175), quer dizer, abrindo-nos a ela.

         Se assim é tudo o que existe é uma emergência desta energia fontal: as culturas, as religiões, o próprio cristianismo e mesmo as figuras como Jesus, Moisés, Buda e cada um de nós. Tudo vinha sendo gestado dentro do processo cosmogênico na medida em que surgiam ordens mais complexas, cada vez interiorizadas e interconectadas com todos os seres. Quando acontece determinado nível de acumulação dessa energia de fundo, então ocorre a emergência dos fatos históricos e de cada pessoa singular.

         Quem viu esta gestação de Cristo no cosmos foi o paleontólogo e místico Teilhard de Chardin(+1955), aquele que reconciliou a fé crista com a ideia da evolução ampliada e com a nova cosmologia. Ele distingue o “crístico” do “cristão”. O crístico comparece como um dado objetivo dentro do processo da evolução. Seria aquele elo que une tudo com tudo. Porque estava lá dentro pôde irromper, um dia na história, na figura de Jesus de Nazaré, aquele por quem todas as coisas têm sua existência e consistência, no dizer de São Paulo.

         Portanto, quando este crístico é reconhecido subjetivamente, se transforma em conteúdo da consciência de um grupo, ele se trasnforma em “cristão”. Então surge o cristianismo histórico, fundado em Jesus, o Cristo, encarnação do crístico. Daí se deriva que suas raízes derradeiras não se encontram na Palestina do primeiro século, mas dentro do processo da evolução cósmica.

         Santo Agostinho escrevendo a um filósofo pagão (Epistola 102) intuíu esta verdade: ”Aquela que agora recebe o nome de religião cristã sempre existia anteriormente e não esteve ausente na origem do gênero humano, até que Cristo veio na carne; foi então que a veradeira religião que já existia, começou a ser chamada de cristã.”

         No budismo se faz semelhante raciocínio. Existe a budeidade (a capaciade de iluminação) que vem se forjando ao longo do processo da evolução, até que ela irrompeu em Sidarta Gautama que virou Buda. Este só pôde se manifestar na pessoa de Gautama porque antes, a budeidade, estava lá no processo evolucionáro. Então virou o Buda, como Jesus virou o Cristo.

         Quando esta comprensão vem internalizada a ponto de transformar nossa percepção das coisas, da natureza, da Terra e no Universo, então abre-se o caminho para uma experiência espiritual cósmica, de comunhão com tudo e com todos. Realizamos por esta via espiritual o que os cientistas buscavam pela via da ciência: um elo que tudo unifica e atrái para frente.

Leonardo Boff é articulista do JB on line e escreveu O Evangelho do Cristo cósmico, Record 2010.

O que é o Assédio sexual

O assédio sexual pode ser definido como avanços de carácter sexual, não aceitáveis e não requeridos, favores sexuais ou contactos verbais ou fisicos que criam uma atmosfera ofensiva e hostil. Pode também ser visto como uma forma de violencia contra mulheres ou homens e também como tratamento discriminatório. A palavra chave da definição é: Inaceitável.
 
O assédio sexual pode ter várias formas de comportamento.Incluí a violencia fisíca e a violencia mental como coerção - Forçar alguém a fazer o que não quer. Pode ter uma longa duração - a repetição de piadas ou trocadilhos de carácter sexual, convites constantes para sair ou inaceitável conversas de natureza sexual.Pode também ser apenas um único acidente - tocar or apalpar alguém, de forma inapropriada, ou até abuso sexual e violação.

O assédio sexual está ligado ao género sexual da pessoa?

Sim-O assédio sexual da pessoa está sempre relacionado com o seu sexo. Esta é a razão porque é considerado discriminatório.
 
De acordo com um estudo conduzido pela OIT (Organização Internacional do Trabalho) " O assédio sexual está intrinsecamente ligado com o poder e na maioria das vezes acontece em sociedades em que a mulher é tratada como objecto sexual e cidadãs de segunda classe. Um exemplo clássico é quando é pedido ás mulheres favores sexuais em troca de trabalho, de promoção ou aumento salarial. Outro exemplo é o assédio sexual de rua (piropo, bocas, xingar) que pode ir desde sons e assobios, palavras ofensivas ou até abuso e violação sexual.
 
Importante, o assédio sexual não é o mesmo que a relação consensual entre duas pessoas. É uma acção que não é aceitável, causa ofensa e preocupação e pode, em determinadas situações ser fisica/emocionalmente perigosa. A vitima pode sentir-se intimidada, desconfortável, envergonhada ou ameaçada.

O que é que pode ser considerado assédio sexual?

Existem diferentes definições legais para assédio sexual em diferentes países e jurisdições, mas a formas mais comuns de assédio sexual incluem:
  • Contar piadas com carácter obsceno e sexual
  • Mostrar ou partilhar imagens ou desenhos explicitamente sexuais
  • Cartas, notas, emails, chamadas telefónicas ou mensagens de natureza sexual
  • Avaliar pessoas pelos seus atributos fisicos
  • Comentários sexuais sobre a forma de vestir ou de parecer
  • Assobiar ou fazer sons inapropriados
  • Fazer sons de natureza sexual ou gestos
  • Ameaças directas ou indirectas com o objectivo de ter relações sexuais.
  • Convidar alguém repetidamente para ter sexo ou para sair
  • Chamar nomes, insultar
  • Olhar de forma ofensiva
  • Questões inapropriadas sobre a vida sexual de cada um
  • Tocar, abraçar, beijar, cutucar ou encostar em alguém
  • Seguir, controlar alguém
  • Tocar alguém para outros verem
  • Ataque sexual
  • Molestar
  • Violação

Onde é que acontece o assédio sexual?

O assédio sexual pode acontecer em qualquer lugar - no trabalho, na universidade, na rua, nas lojas, nos clubes, nos transportes públicos, no aeroporto e até em casa. É um comportamento sexual inaceitável que pode acontecer em espaços públicos ou privados

O assédio sexual é só de homens para mulheres?

Não. Os homens podem ser assediados por mulheres também, outros homens assediados por homens e mulheres por mulheres. Não existe um padrão de género.
 
O assediante pode ser um empregador, um colega, um cliente, um estranho, um familiar, um falso amigo, um grupo de pessoas ou até uma pessoa entrevistando para um trabalho.Não existe um padrão para o assediante, podem ser de forma variada.
 

Pedofilia no Estatuto da Criança e Adolescente: art. 241-E e sua interpretação constitucional

Pedofilia é uma forma doentia de satisfação sexual. Trata-se de uma perversão, um desvio sexual, que leva um indivíduo adulto a se sentir sexualmente atraído por crianças. Apesar da divergência conceitual entre médicos e psicanalistas, tendo-se como base a Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde, que no item F65.4, define pedofilia como preferência sexual por crianças, quer se trate de meninos, meninas ou de crianças de um ou do outro sexo, geralmente pré-púberes ou no início da puberdade.
Os pedófilos podem se transformar em agressores sexuais ao converterem suas fantasias em atos reais, porém nem todos necessariamente assim fazem, pois a perversão sexual pode ficar em estado oculto, latente, sem manifestação exterior. Por outro lado, nem todos aqueles que agridem sexualmente de crianças são necessariamente pedófilos no sentido clínico. Assim, tecnicamente é mais adequado utilizar o termo agressor sexual para descrever as pessoas que mantém relações sexuais com crianças e adolescentes, já que este conceito inclui os pedófilos, mas não se limita a eles (RODRIGUES, William Thiago de Souza. A pedofilia como tipo específico na legislação penal brasileira. In http://www.ambitojuridico.com.br/site/index.php?
 
n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=5071).
Todavia, no âmbito estritamente jurídico, a pedofilia é comumente conceituada como o abuso sexual de crianças e adolescentes, ensejando inúmeros crimes previstos tanto no ECA, quanto no CP.
Assim, temos no CP os crimes contra a dignidade sexual, possuindo capítulo específico acerca dos crimes sexuais contra vulneráveis:
  • Art. 217-A do CP – estupro de vulnerável;
  • Art. 218 do CP – mediação de menor de 14 anos para satisfazer a lascívia de outrem;
  • Art. 218-A do CP – satisfação da lascívia mediante a presença de menor de 14 anos;
  • 218-B do CP – favorecimento da prostituição ou outra forma de exploração sexual de criança, adolescente ou vulnerável.

O ECA também trata de crimes envolvendo a pedofilia:
  • Art. 240 do ECA – utilização de criança ou adolescente em cena pornográfica ou de sexo explícito;
  • Art. 241 do ECA – comércio de material pedófilo;
  • Art. 241-A do ECA – difusão de pedofilia;
  • Art. 241-B do ECA – posse de material pornográfico;
  • Art. 241-C do ECA – simulacro de pedofilia;
  • Art. 241-D do ECA – aliciamento de menores.
  • O art. 241-E do ECA trata-se de norma explicativa dos crimes previstos no art. 240, art. 241, art. 241-A a art. 241-D do ECA.
Art. 241-E. Para efeito dos crimes previstos nesta Lei, a expressão “cena de sexo explícito ou pornográfica” compreende qualquer situação que envolva criança ou adolescente em atividades sexuais explícitas, reais ou simuladas, ou exibição dos órgãos genitais de uma criança ou adolescente para fins primordialmente sexuais.
 
A doutrina não tem poupado críticas a esse dispositivo, que a pretexto de aclarar, trouxe maiores perplexidades. De qualquer forma, o dispositivo não deve ser interpretado restritivamente, mas sim extensivamente.
 
A interpretação extensiva situa-se no processo de hermenêutica das leis e do Direito, diante da necessidade de solução do caso concreto submetido à jurisdição. Considera-se interpretação extensiva aquela em que seja necessária a ampliação do sentido da lei (OLIVEIRA, Eugenio Pacelli de. Curso de Processo Penal. LumenJuris. 12ª ed. P. 24). Na interpretação extensiva, o texto da lei ficou aquém do que desejava. Necessita-se ampliar o seu alcance, para que assim possamos atingir o seu significado (TÁVORA, Nestor; ALENCAR, Rosmar Rodrigues. Curso de Direito Processual Penal. Editora Juspodivm. 3ª ed. P. 39). A interpretação extensiva é admitida em matéria penal, mesmo se tratando de tipos penais incriminadores, ainda que venha a prejudicar o réu (NUCCI, Guilherme de Souza. Manual de direito penal. Forense. 10ª ed. P. 37):
 
A interpretação extensiva no direito penal é vedada apenas naquelas situações em que se identifica um desvirtuamento na mens legis. (STF. RHC 106481, Relator (a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Primeira Turma, julgado em 08/02/2011).
 
Assim vejamos. O legislador trouxe o conceito de cena de sexo explícito ou pornográfica, compreendo qualquer situação que envolva crianças ou adolescentes em atividades sexuais explícitas, reais ou simuladas, ou a exibição de órgãos genitais de crianças ou adolescentes para fins primordialmente sexuais. Quando o legislador trouxe o conceito de cena de sexo explícito ou pornográfica, compreendo qualquer situação que envolva crianças e adolescentes em atividades sexuais, não limitou a expressão à prática de conjunção carnal ou atos libidinosos envolvendo crianças e adolescentes. Atividade sexual é expressão abrangente, capaz de abarcar a conjunção carnal, atos libidinosos e outros comportamentos eróticos, capazes de satisfazer a lascívia alheia, tal qual a exibição do corpo vestindo apenas roupas íntimas, a exibição dos seios, abrangendo, ainda, o streap-tease, dança sensual, utilização de uma fantasia erótica, etc., envolvendo crianças e adolescentes. Basta a conotação sexual, libidinosa ou erótica. Basta o fim primordialmente sexual previsto na norma explicativa.
 
O objetivo foi evidentemente não criminalizar as fotos, imagens e vídeos familiares, pois muito comum que pais registrem fotos e vídeos de seus filhos, muitas das vezes despidos, todavia, sem qualquer fim sexual, libidinoso ou erótico. O mesmo se diga no tocante às imagens de órgãos genitais de crianças e adolescentes, constantes em livros de medicina, não cabendo sua criminalização.
 
Como se não bastasse, deve-se invocar ainda a interpretação conforme a Constituição, ante o princípio da proteção integral (art. 227 §§ 1º e e art. 229 da CF) e da proteção suficiente (art. LIV da CF).
 
Não se pode interpretar a legislação infraconstitucional de outro modo. Como sabido, o constitucionalismo contemporâneo é chamado de neoconstitucionalismo. Este apresenta algumas características: a) a normatividade das regras e dos princípios; b) a superioridade das normas constitucionais; c) a centralidade da Constituição, assumindo o papel de norma centralizadora do sistema (BARCELLOS, Ana Paula de. Neoconstitucionalismo, Direitos Fundamentais e Controle das Políticas Públicas. In Leituras Complementares de Direito Constitucional. Direitos Humanos e Direitos Fundamentais. JusPodivm. 3ª ed. P. 152). Ante a superioridade das normas constitucionais, bem como o papel da Constituição de norma central do sistema, toda a legislação infraconstitucional deve ser obrigatoriamente interpretada à luz da Constituição, e não o contrário.
 
Deve-se observar que a criança e adolescente tem merecido especial proteção do Estado brasileiro, máxime a partir da nova ordem constitucional. Não é sem motivo que o art. 227 da Constituição Federal estabelece como dever não só da família e da sociedade, mas do Estado, “assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-la a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”. E, logo adiante, no parágrafo 4º do mesmo dispositivo constitucional, reforça-se o comando de que “a lei punirá severamente o abuso, a violência e a exploração sexual da criança e do adolescente”.
Como princípio norteador dos direitos das crianças e adolescentes, especial ênfase deve ser dado ao princípio da proteção integral, que baseia-se na ideia de que as crianças e adolescentes não são objeto de proteção, mas sim sujeitos de direito, merecedores de uma proteção diferenciada, eis que pessoas em condição de desenvolvimento biopsíquico. Ademais, a proteção deve ser integral, assegurando às crianças e adolescentes todos os direitos fundamentais capazes de garantir a dignidade infantojuvenil, colocando-os a salvo de toda e qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.
 
Lado outro, o art. 227 § da CF trata do que o constitucionalismo moderno chama de mandato constitucional de criminalização. A Constituição de 1988 contém um significativo elenco de normas que, em princípio, não outorgam direitos, mas que, antes, determinam a criminalização de condutas. Em todas essas normas é possível identificar um mandato de criminalização expresso, tendo em vista os bens e valores envolvidos. Exatamente o que acontece no dispositivo em referência. Portanto, não pode o legislador infraconstitucional, tampouco o exegeta, olvidar esse mandamento constitucional, como um verdadeiro imperativo de tutela.
 
Desta forma, a CF, expressamente, determinou a criminalização severa da exploração sexual de crianças e adolescentes. Assim, o legislador infraconstitucional, não pode proteger de forma insuficiente o bem jurídico que a Constituição expressamente determinou que deveria ser alvo de tutela criminal severa. Invoca-se aqui o princípio proteção suficiente, como vertente do princípio da proporcionalidade.
 
Mandatos Constitucionais de Criminalização: A Constituição de 1988 contém um significativo elenco de normas que, em princípio, não outorgam direitos, mas que, antes, determinam a criminalização de condutas (CF, art. , XLI, XLII, XLIII, XLIV; art. 7º, X; art. 227, § 4º). Em todas essas normas é possível identificar um mandato de criminalização expresso, tendo em vista os bens e valores envolvidos. Os direitos fundamentais não podem ser considerados apenas como proibições de intervenção (Eingriffsverbote), expressando também um postulado de proteção (Schutzgebote). Pode-se dizer que os direitos fundamentais expressam não apenas uma proibição do excesso (Übermassverbote), como também podem ser traduzidos como proibições de proteção insuficiente ou imperativos de tutela (Untermassverbote). Os mandatos constitucionais de criminalização, portanto, impõem ao legislador, para o seu devido cumprimento, o dever de observância do princípio da proporcionalidade como proibição de excesso e como proibição de proteção insuficiente. (STF. HC 104410, Relator (a): Min. GILMAR MENDES, Segunda Turma, julgado em 06/03/2012, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-062 DIVULG 26-03-2012 PUBLIC 27-03-2012)
 
Como sabido, o princípio da proporcionalidade (na sua dupla acepção: proibição do excesso e proibição da insuficiência) possibilita a ponderação das circunstâncias do caso concreto para a obtenção do resultado mais justo e coerente com o sistema jurídico-constitucional.
 
Com base no princípio da proteção suficiente (ou proibição da insuficiência), não pode o legislador, em matéria penal, agir de forma insuficiente, deficitária, a ponto de enfraquecer o sistema penal, e, consequentemente, desproteger os bens jurídicos tutelados pela norma penal.
 
É sabido que a previsão dos direitos fundamentais, no corpo de uma Constituição reforça o compromisso do Estado para a sua proteção, cabendo ao intérprete e aplicador da norma extrair-lhe a máxima efetividade. Se a proteção da criança e adolescente e a preservação de sua dignidade são metas prioritárias do Estado brasileiro, não se mostra ajustada ao novo paradigma constitucional qualquer norma que dificulte ou mesmo impeça essa proteção.
 
Daí a necessidade de uma interpretação constitucional do dispositivo (art. 241-E do ECA), extraindo dele a proteção integral e suficiente ao bem jurídico tutelado – a dignidade sexual das crianças e adolescentes.
 
Críticas a essa exegese certamente virão, à luz do garantismo penal-constitucional. Todavia, sob minha ótica, pensar dessa maneira é visualizar de forma estrábica e míope o Direito Penal Constitucional.
 
Em outras palavras, ao se levar ao extremo o garantismo, observamos um enfraquecimento do sistema penal e processual penal, e, consequentemente, dos aparatos estatais atuantes na persecução criminal, atenuando, por conseguinte, o poder-dever estatal de punir criminosos, de desmantelar grandes organizações criminosas, de coibir graves crimes (como a pedofilia), enfim, mitigando a possibilidade de transformar a realidade social em prol da paz, segurança e do bem comum, exatamente o que se espera do sistema judicial e em especial do sistema judicial-penal.
 
O que se propõe é uma nova perspectiva, à luz do constitucionalismo moderno, que pode ser chamada de direito penal funcional-garantista. A norma penal e processual penal não estão unicamente direcionadas às limitações e garantias atribuídas ao acusado, mas também estão estruturadas de modo que não se tornem obstáculo aos objetivos de política criminal de bons resultados (MACHADO, Fábio Guedes de Paula. Culpabilidade no direito penal. Quartier Latin. P. 294-295). Em outras palavras, a eficiência na atuação do jus puniendi pressupõe um direito penal e processual penal garantistas e, a um só tempo, funcionais, no qual os direitos fundamentais do acusado são respeitados e os bens jurídicos tutelados são suficientemente protegidos.
 
Conclui-se, portanto, que o art. 241-E do ECA deve ser interpretado extensivamente e à luz da Constituição Federal, com base nos princípios da proteção integral e da proteção suficiente.
 

A corrupção no Brasil também é bancada por nós!

Mauricio Alvarez da Silva*
Estamos novamente em meio a um turbilhão de escândalos públicos, o que tem sido uma situação constante desde a época em que éramos uma simples colônia. Como diz o adágio popular vivemos na “casa da mãe Joana”.
 
 
No entanto, a questão da corrupção no Brasil é muito mais profunda. Acredito que apenas uma pequena parte dos casos seja descoberta e venha a público. Imagino que grande parcela fique escondida nas entranhas públicas. Temos a corrupção política, a corrupção de servidores e de cidadãos desonestos. A corrupção sempre tem dois lados, um corrompendo e outro sendo corrompido.
 
É nítido que a máquina pública está comprometida. Desde criança escutamos falar sobre a tal da corrupção, agora vemos, todo dia, ao vivo e a cores na TV.
 
Na esfera política houve e há muito apadrinhamento para se obter a dita governabilidade. Não importa os interesses da sociedade, desde que os interesses pessoais e partidários sejam atendidos, com isso vem a briga pela distribuição de cargos públicos, comissionamentos e outras benesses. Isto ocorre em todos os níveis de governo (municipal, estadual e federal), afinal é preciso acomodar todos os camaradas.
 
O exemplo mais recente da corrupção política em nosso país é o escândalo do mensalão, que teve início em 2005 (sete anos atrás!) e somente agora está tendo um desfecho.
 
No âmbito administrativo temos um carnaval de queixas, denúncia e escândalos. Somente para citar alguns exemplos: a indústria de multas de trânsito em diversas cidades, desvio de verbas através de falsas ONGs, fiscais corruptos, licitações fraudulentas, entre tantas outras situações que podem preencher um livro.
 
Se pararmos para pensar, no final das contas, mesmo que inconscientemente, somos nós que financiamos toda essa corrupção. Os corruptos visam o dinheiro público, que em última análise é o seu dinheiro e o meu dinheiro, que disponibilizamos para a manutenção da sociedade.
 
Na medida em que os recursos destinados a financiar hospitais, escolas, saneamento básico e outras necessidades primárias são desviados, debaixo de nossos narizes, e não tomamos qualquer atitude, também temos nossa parcela de culpa, por uma simples questão de omissão.
 
Todo mês a arrecadação tributária bate recordes, o governo encosta os contribuintes na parede e suga a maior parcela dos seus recursos e tudo isso para quê? Para vermos que o nosso dinheiro está sendo desviado, utilizado para manter um gigantesco cabide de empregos, manter o inchaço da máquina pública ou aplicado em obras fúteis, enfim, uma grande parcela escoando pelo ralo.
 
A cada dois reais desviados ou desperdiçados é um litro de leite que está sendo tirado das crianças esfomeadas deste país!
 
Ao longo dos anos fomos vencidos pelo cansaço, nos tornamos um povo apático a tudo isto. Somos pacíficos, mas não precisamos ser omissos. Em outros países por questões muito menores o povo sai às ruas protestando e cobrando os seus direitos. Temos que limpar a administração dos maus políticos e servidores públicos que mancham nossa imagem, afinal carregamos a pecha de sermos uma sociedade corrupta.
 
Falta-nos esse poder de mobilização e indignação, afinal quem manda neste país é o povo brasileiro, sua vontade é soberana e cabe aos ocupantes dos cargos públicos nos representar e, sobretudo, nos respeitar.
 
A situação pode, sim, ser mudada. Desde que você e eu nos manifestemos abertamente, pois nossa manifestação, quando multiplicada, gerará a necessária mudança da opinião pública sobre o assunto. Sinta-se à vontade para utilizar ou compartilhar este artigo com seus amigos e colegas, e peça-os para manifestarem também em blogs, twitters e outros meios, enviando cópia para deputados, senadores e outras autoridades.
 
*Mauricio Alvarez da Silva é Contabilista atuante na área de auditoria independente há mais de 15 anos, com enfoque em controles internos, contabilidade e tributos, integra a equipe de colaboradores do Portal Tributário.
 

O valor do sinal da cruz

Se você soubesse a importância desta oração, garanto que você a colocaria mais em prática!

Pelo sinal da Santa Cruz,*
*(†) livrai-nos DEUS, nosso SENHOR,*
*(†) dos nossos inimigos!*
*(†) Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!*


Quando você acorda, você faz sobre si o “sinal da Cruz”? E antes das refeições? E quando vai dormir? Ao menos alguma vez ao dia? Não?! Se você soubesse a importância desta oração, garanto que você a colocaria mais em prática!
 
Muitas pessoas, não entendendo a importância dessa oração, a fazem de maneira displicente, ficando apenas no gesto, sem a efetiva invocação da Santíssima Trindade.
 
*O “sinal da Cruz” não é um gesto ritualístico, mas sim, uma verdadeira e poderosa oração! É o sinal dos cristãos! Por meio dele muitos santos invocaram a proteção do Altíssimo, e através dele pedimos a Deus que, pelos méritos da Santa Cruz de Seu Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, Ele nos livre dos nossos inimigos, e de todas as ciladas do mal, que atentam contra a nossa saúde física e espiritual.*
 
*Mas você sabe fazer o “sinal da Cruz”?!*
De forma solene, sem pressa, e com a maior devoção e respeito:
 
*† Pelo sinal da Santa Cruz (na testa): pedimos a Deus que nos dê bons pensamentos, nobres e puros. E que Ele afaste de nós os pensamentos ruins, que só nos causam mal.*
 
*† Livrai-nos Deus, Nosso Senhor (na boca): pedimos a Deus que de nossos lábios só saiam louvores. Que o nosso falar seja sempre para a edificação do Reino de Deus e para o bem estar do próximo.*
 
*† Dos nossos inimigos (sobre o coração): para que em nosso coração só reine o amor e a lei do Senhor, afastando-nos, pois, de todos os maus sentimentos, como o ódio, a avareza, a luxúria… Fazendo-nos verdadeiros adoradores.*
 
*† Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém! – É o ato livramento e deve ser feito com a maior reverência, consciência, fé e amor, pois expressa nossa fé no Mistério da Santíssima Trindade, cerne de nossa fé cristã, Deus em si mesmo. Deve ser feito com a mão direita, levando-a da testa à barriga, e do ombro esquerdo ao direito.*
 
Agora que você já sabe a importância do “sinal da Cruz”, *faça-o antes de sair de casa, antes de qualquer trabalho, nas horas difíceis e nas horas de alegria também.*
 
*Faça-o sobre si, e, sempre que possível, na testa de seu filho, de seu marido, de sua esposa, de seu irmão, de seu sobrinho…
 
Peça a Deus, sempre, para que Ele te livre e aos seus, de todos os males, afim de fazermos tudo, acordar, comer, estudar, trabalhar, dormir, viajar… Em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo! Amém!*
 
(Autor desconhecido. Via Juventude OA)
 

Como cuidar de nossa Casa Comum

 
Hoje para cuidar da Terra como nos sugeriu detalhamete o Papa Francisco em sua encíclica “Cuidado da Casa Comum” exige-se “uma conversão ecológica global”, “mudanças profundas nos estilos de vida, nos modelos de produção e de consumo, nas estruturas consolidadas de poder”(n.5). Esse propósito jamais será alcançado senão amarmos efetivamente a Terra como nossa Mãe e soubermos renunciar e até sofrer para garantir sua vitalidade para nós e para toda a comunidade de vida (n.223). A Mãe Terra é a base que tudo sustenta e alimenta. Nós não podemos viver sem ela. A sistemática agressão que sofreu nos últimos séculos tiraram-lhe o equilíbrio necessário. Eventualmente, poderá continuar pelos séculos afora, mas sem nós.
 
No dia 13 de agosto deste ano de 2015 ocorreu o Dia da Sobrecarga da Terra (The Earth Overshoot Day), dia em que se constatou a ultrapassagem da biocapacidade da Terra em atender as demandas humanas. Precisa-se de 1,6 planeta para atendê-las. Em outras palavras. Isso demonstra que o nosso estilo de vida é insustentável. Nesse cálculo não estão incluidas as demandas da inteira comunidade de vida. Isso torna mais urgente a nossa responsabilidade pelo futuro da Terra, de nossos companheiros de caminhada terrenal e de nosso projeto planetário.
 
Como cuidar da Terra? Em primeiro lugar há que considerar a Terra como um Todo vivo, sistêmico no qual todas as partes se encontram interdependentes e interrelacionadas. A Terra-Gaia fundamentalmente é constituída pelo conjunto de seus ecossistemas e com a imensa biosdiversdade que neles existe e com todos os seres animados e inertes que coexistem e sempre se interrelacionam como não se cansa de afirmar o texto papal, bem na linha do novo paradigma ecológico.
 
Cuidar da Terra como um todo orgânico é manter as condições pré-existentes há milhões e milhões de anos que propiciam a continuidade da Terra, um super Ente vivo, Gaia. Cuidar de cada ecosistema é compreender as singularidades de cada um, sua resiliência, sua capacidade de reprodução e de manter as relações de colaboração e mutualidade com todos os demais já que tudo é relacionado e includente. Compreender o ecosistema é dar-se conta dos desequilíbrios que podem ocorrer por interferências irresponsáveis de nossa cultura, voraz de bens e serviços.
 
Cuidar da Terra é principalmente cuidar de sua integridade e vitalidade. É não permitir que biomas inteiros ou toda uma vasta região seja desmatada e assim se degrade, alterando o regime das chuvas. Importante é assegurar a integridade de toda a sua biocapacidade. Isso vale não apenas para os seres orgânicos vivos e visíveis, mas principalmente para os microorganismos. Na verdade, são eles os ignotos trabalhadores que sustentam a vida do Planeta. Diz-nos o eminente biólogo Edward Wilson que “num só grama de terra, ou seja, menos de um punhado de chão, vivem cerca de 10 bilhões de bactérias, pertencentes a até 6 mil espécies diferentes”(A criação, 2008,p.26). Por aí se demonstra, empiricamente, que a Terra está viva e é realmente Gaia, superorganismo vivente e nós, a porção consciente e inteligente dela.
 
Cuidar da Terra é cuidar dos “commons”, quer dizer, dos bens e serviços comuns que ela gratuitamente oferece a todos os seres vivos como água, nutrientes, ar, sementes, fibras, climas etc. Estes bens comuns, exatamente por serem comuns, não podem ser privatizados e entrar como mercadorias no sistema de negócios como está ocorrendo velozmente em todas as partes. A Avaliação Ecosistêmica do Milênio, inventário pedido pela ONU de uns anos atrás, no qual participaram 1.360 especialistas de 95 países e revisados por outros 800 cientistas trouxeram resultados amedrontadores. Entre os 24 serviços ambientais, essenciais para a vida, como água, ar limpo, climas regulados, sementes, alimentos, energia, solos, nutrientes e outros, 15 estavam altamente degradados. Isto sinaliza claramente que as bases que sustentama vida estão ameaçadas.
 
De ano para ano, todos os indices estão piorando. Não sabemos quando esse processo destrutivo vai parar ou se transformar numa catástrofe. Havendo uma inflexão decisiva como o temido “aquecimento abrupto”, que faria o clima subir entre 4-6 graus Celsius, como advertiu a comunidade científica norte-americana, conheceríamos dizimações apocalípticas afetando milhões de pessoas. Temos confiança de que iremos ainda despertar. Mais que tudo cremos que “Deus é o Senhor soberano amante da vida”(Sb 11,26) e não deixará acontecer semelhante Armagedom.
 
Cuidar da Terra é cuidar de sua beleza, de suas paisagens, do esplendor de suas florestas, do encanto de suas flores, da diversidade exuberante de seres vivos da fauna e flora.
 
Cuidar da Terra é cuidar de sua melhor produção que somos nós seres humanos, homens e mulheres especialmente os mais vulneráveis. Cuidar da Terra é cuidar daquilo que ela através de nosso gênio produziu em culturas tão diversas, em línguas tão numerosas, em arte, em ciência, em religião, em bens culturais especialmente em espiritualidade e religiosiadade pelas quais nos damos conta da presença da Suprema Realidade que subjaz a todos os seres e nos carrega na palma de sua mão.
 
Cuidar da Terra é cuidar dos sonhos que ela suscita em nós, de cujo material nascem os santos, os sábios, os artistas, as pessoas que se orientam pela luz e tudo o que de sagrado e amoroso emegiu na história.
 
Cuidar da Terra é, finalmente, cuidar do Sagrado que arde em nós e que nos convence de que é melhor abraçar o outro do que rejeitá-lo e que a vida vale mais que todas as riquezas deste mundo. Então ela será de fato a Casa Comum do Ser.
 

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Referencial parabeniza ciganos pelo seu dia e agradece doação dos agentes da pastoral

 
Nesta quarta-feira, dia 24 de maio, é celebrado o Dia Nacional do Cigano. O bispo de Eunápolis (BA) e referencial da Pastoral dos Nômades, dom José Edson Santana Oliveira, escreveu uma mensagem parabenizando os ciganos pelo seu dia e agradecendo aos agentes de pastoral que dão a vida para levar cristo ao povo nômade. No texto, dom Edson ressalta os esforços para colocar os ciganos no coração da Igreja no Brasil, buscando caminhos para ajudar esta parcela da população a encontrar cada vez mais a sua dignidade, para que possa usufruir dos diretos que todo ser humano tem, independente de sua etnia.

A Pastoral dos Nômades apoia os esforços para mudar a percepção negativa dos ciganos, e ao mesmo tempo, busca favorecer um diálogo na dignidade, apoia o respeito as diferentes histórias e identidades, e ao mesmo tempo se une com o povo cigano nas suas lutas por direitos.

Dia Nacional dos Ciganos

Desde maio de 2005 comemora-se o Dia Nacional dos Ciganos no Brasil. A Pastoral dos Nômades quer parabenizar todo povo Cigano pelo seu dia. Quer também agradecer publicamente a todos os seus Agentes de Pastoral, que dão a vida para levar Cristo a estes nossos irmãos que estão a margem de sociedade e da Igreja.
 
Dia de festejarmos, de nos alegrarmos por esta data especial, mas, ao mesmo tempo, dia de convidarmos aos irmãos e irmãs, dentro e fora da Igreja, a refletir sobre a realidade Cigana no Brasil.
 
Devemos refletir sobre os vários séculos de anticiganismo que criaram condições inaceitáveis para os ciganos. Historicamente, eles foram marginalizados e vítimas de violência. Hoje, sofrem uma exclusão social constante e são obrigados a lutar pelo acesso à educação, moradia, emprego, acesso aos serviços sociais e assistência médica. Muitas vezes lhes são negados os direitos civis fundamentais, como certidões de nascimento e relativos direitos jurídicos.
 
Apesar de estarem no Brasil desde 1574, considerando alguns esforços de inclusão, eles ainda permanecem à margem de nossa consciência e de nossas sociedades.
 
A Pastoral dos Nômades apoia os esforços para mudar a percepção negativa dos ciganos, e ao mesmo tempo, busca favorecer um diálogo na dignidade, apoia o respeito as diferentes histórias e identidades, e ao mesmo tempo se une com o povo cigano nas suas lutas por direitos.
 
Para os católicos convidamos a sair em missão junto ao povo cigano, como nos orienta o Papa Francisco na exortação apostólica “Alegria do Evangelho” 23: “A intimidade da Igreja com Jesus é uma intimidade itinerante, e missionária”. […] Fiel ao modelo do Mestre, é vital que hoje a Igreja saia para anunciar o Evangelho a todos, em todos os lugares, em todas as ocasiões, sem demora, sem repugnâncias e sem medo. A alegria do Evangelho é para todo o povo, não se pode excluir ninguém; assim foi anunciada pelo anjo aos pastores de Belém: “Não temais, pois anuncio-vos uma grande alegria, que o será para todo o povo” (Lc 2, 10). O Apocalipse fala de “uma Boa-Nova de valor eterno para anunciar aos habitantes da terra: a todas as nações, tribos, línguas e povos” (Ap 14, 6).
 
Precisamos ir as periferias existenciais e envolver-se com a realidades destes nossos irmãos que estão que muitas vezes nas periferias das periferias, tanto existenciais como geográficas. Juntos, devemos nos arrepender dos pecados de discriminação e perseguição, e voltar a nos comprometer na obra difícil de reconciliação. Como nos disse o Papa Paulo VI em relação ao povo cigano, eles devem estar no coração da Igreja!
 
A Igreja do Brasil tem procurado viver esta experiência, buscando caminhos para ajudar os Ciganos a encontrarem cada vez mais a sua dignidade, para que possam usufruir dos diretos que todo ser humano tem, independente de sua etnia.
 
Que os Bens-Aventurados Zeferino e Emilia, a canastera, Mártires do Rosário, Ciganos e Mártires, ilumine a todos para que Deus possa abrir o nosso coração para acolher Jesus na pessoa do Cigano, como o irmão que Deus nos enviou para caminharmos juntos rumo à Terra Prometida, onde viveremos como uma grande família, e teremos “vida e vida em abundância” (Cf Jo 10,10).
 
Que Deus suscite no coração dos Católicos o empenho e as Orações para que não faltem vocações comprometidas com a Pastoral para os irmãos Nômades.
Eunápolis, 24 de Maio de 2017.
 

A incrível história do brasileiro chamado de louco pelos vizinhos por plantar a própria floresta

Prestes a completar 84 anos, Antonio Vicente orgulha-se de ter plantado a própria floresta Gibby Zobel 
 
Antonio Vicente era chamado de louco pelos vizinhos.
Afinal, quem compraria um pedaço de terra a 200 km de São Paulo para começar a plantar árvores?
"Quando comecei a plantar, as pessoas me diziam: 'você não viverá para comer as frutas, porque essas árvores vão demorar 20 anos para crescer'", conta Vicente ao repórter Gibby Zobel, do programa Outlook, do Serviço Mundial da BBC.
 

Eu respondia: 'Vou plantar essas sementes, porque alguém plantou as que estou comendo agora. Vou plantá-las para que outros possam comê-las."
 
Vicente, prestes a completar 84 anos, comprou seu terreno em 1973, uma época na qual o governo militar oferecia facilidades de crédito para investimentos em tecnologia agrícola, com o objetivo de impulsionar a agricultura.
 
Mas sua ideia era exatamente a oposta.
 
Criado em uma família numerosa de agricultores, ele via com preocupação como a expansão dos campos destruía as fauna e flora locais, e como a falta de árvores afetava os recursos hídricos.
 
"Quando era criança, os agricultores cortavam as árvores para criar pastagens e pelo carvão. A água secou e nunca voltou", explica.
 
"Pensei comigo: 'a água é o bem mais valioso, ninguém fabrica água e a população não para de crescer. O que vai acontecer? Ficaremos sem água."
As florestas são fundamentais para a preservação da água porque absorvem e retém esta matéria-prima em suas raízes. Além disso, evitam a erosão do solo.
 
A primeira árvore que Vicente plantou foi uma castanheira  Gibby Zobel
 

Recuperação da floresta

 
Quando tinha 14 anos, Vicente saiu do campo e passou a trabalhar como ferreiro na cidade.
Com o dinheiro da venda de seu negócio, pôde comprar 30 hectares em uma região de planície perto de São Francisco Xavier, distrito de 5 mil habitantes que faz parte de São José dos Campos, no interior de São Paulo.
 

"A vida na cidade não era fácil", lembra ele.
 
"Acabei tendo de viver debaixo de uma árvore porque não tinha dinheiro para o aluguel. Tomava banho no rio e vivia debaixo da árvore, cercado de raposas e ratos. Juntei muitas folhas e fiz uma cama, onde dormi", diz Vicente.
 
"Mas nunca passei fome. Comia sanduíches de banana no café da manhã, almoço e jantar", acrescenta.
 
Após retornar ao campo, começou a plantar, uma por uma, cada uma das árvores que hoje formam a floresta úmida tropical com cerca de 50 mil unidades.
 

'Nadando contra a corrente'

 
Vicente nadava contra a corrente: durante os últimos 30 anos, em que se dedicou a reflorestar sua propriedade, cerca de 183 mil hectares de mata atlântica no Estado de São Paulo foram desflorestados para dar lugar à agricultura.
 
Segundo a Fundação Mata Atlântica SOS e o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), a mata atlântica cobria originalmente 69% do Estado de São Paulo.
Hoje, a proporção caiu para 14%.
 
Depois de ter diminuído, ritmo de desmatamento voltou a crescer no Brasil  SPL
 
 
E, ainda que esteja distante do pico de 2004, quando 27 mil hectares foram destruídos, o ritmo de desmatamento voltou a aumentar.
 
Entre agosto de 2015 e julho de 2016, por exemplo, foram destruídos 8 mil hectares de floresta - uma alta de 29% em relação ao ano anterior e o nível mais elevado desde 2008, segundo dados do Inpe.
 

Animais e água

 
Um quadro pendurado na parede da casa de Vicente serve de lembrança das mudanças que ele conseguiu com seu próprio esforço.
 
"Em 1973, não havia nada aqui, como você pode ver. Tudo era pastagem. Minha casa é a mais bonita de toda essa região, mas hoje não se pode tirar uma foto desse ângulo porque as árvores a encobrem, porque estão muito grandes", brinca Vicente.
 
Com o replantio, muitos animais reapareceram.
 
"Há tucanos, todo tipo de aves, pacas, esquilos, lagartos, gambás e, inclusive, javalis", enumera.
"Temos também uma onça pequena e uma jaguatirica, que come todas as galinhas", ri.
 
O mais importante, contudo, é que os cursos de água também voltaram a brotar.
Quando Vicente comprou o terreno, só havia uma fonte. Agora, há cerca de 20.


http://www.bbc.com/portuguese/brasil-40082660