sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Pais influenciam mais o desempenho dos alunos do que infraestrutura da escola

Estudo também descobriu que nível socioeconômico das famílias é fator de melhora nas notas dos estudantes.
 
 
Pais que se envolvem na educação dos filhos tendem a melhorar o desempenho deles. Já aqueles que supervisionam e os ajudam sempre nas tarefas escolares, tirando sua autonomia, atrapalham o rendimento dos alunos. Esta é apenas uma das descobertas do Terceiro Estudo Regional Comparativo e Explicativo (Terce), lançado pelo Escritório Regional de Educação da Unesco para a América Latina e o Caribe. O estudo também descobriu que infraestrutura da escola e localização urbana ou rural, sozinhas, não influenciam no desempenho dos seus alunos.
 
O Terce é aplicado em 15 países (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana e Uruguai), além do estado de Nuevo León (México). Ele avalia o desempenho escolar no ensino fundamental em matemática, linguagem (leitura e escrita) e ciências naturais.
 
Além do envolvimento familiar, outros fatores que influenciam positivamente o rendimento dos alunos é a disponibilidade de material escolar, pontualidade dos professores nível socioeconômico das famílias, frequentar a pré-escola (desde os 4 anos) e as altas expectativas por parte dos pais. Por outro lado, os fatores que pioram o desempenho dos estudantes são faltar à escola e viver em regiões desfavorecidas.
 
Desempenho do Brasil

 Os alunos brasileiros superaram a média da região em matemática (4º ano) e em leitura (7º ano). Em escrita e ciências naturais, o Brasil fica na média em relação aos outros países. Em leitura, no 4º ano, e em matemática, no 7º ano, nossos adolescentes também ficaram na média.
 
Com informações da Agência Brasil
 

Alunos precisam de apoio psicológico, indica pesquisa com docentes

 
 
Para os professores brasileiros dos ensinos fundamental 1 e 2 e do ensino médio, os desajustes emocionais dos alunos prejudicam a escola, provocando indisciplina, defasagem de aprendizado e situações com as quais os docentes não estão preparados para lidar senão com o apoio de uma equipe escolar mais sólida e composta por especialistas diversos.
 
Essa é uma das conclusões que podem ser depreendidas da análise dos resultados da segunda edição da pesquisa Conselho de Classe, encomendada pela Fundação Lemann ao Ibope, que mistura um levantamento quantitativo com 1,6 mil professores à aferição qualitativa, feita com três grupos de três cidades brasileiras. A amostra, dizem os organizadores, é representativa da população docente brasileira nessas etapas da educação básica. São majoritariamente mulheres (79%), em especial no fundamental 1 (94%), na faixa dos 40 a 49 anos (38%, média geral de 41,1 anos), docentes do fundamental 1 (43%). Destes, 70% formados em pedagogia, outros 27% no magistério (ensino médio).
 
Segundo os organizadores, quatro temas surgiram com mais força. O primeiro deles foi considerado a maior urgência: a falta de acompanhamento psicológico para alunos que o necessitam (segundo a avaliação dos próprios professores). O segundo, o maior desafio: a defasagem dos estudantes em termos de aprendizagem, em especial os do ensino médio.
 
Os outros dois temas estão ligados à carreira: para os docentes, as prioridades deveriam ser investimentos em formação continuada, melhorias salariais e dos planos de carreira. Por fim, a pesquisa indica que 70% dos docentes fizeram algum tipo de formação continuada no ano anterior ao levantamento, realizado em 2015.
 
O item apontado como maior urgência pelos docentes coincide com outras pesquisas em que há prevalência de responsabilização das famílias como causa do insucesso escolar. Ao que parece, os professores se sentem desamparados para lidar com realidades que lhes fogem ao controle, o que é reforçado pelo percentual de docentes que gostariam de contar com apoio psicológico para alunos e para eles próprios, professores (96%), extensivo às famílias (90%). Números que reforçam a recorrência da doença do esgotamento profissional, chamada de Síndrome de Burnout, no âmbito da educação.
 
Os docentes dizem ser mais apoiados em suas dificuldades cotidianas por diretores (73%) e coordenadores pedagógicos (68%), evidenciando a importância estratégica dos gestores. Mas se ressentem da falta de outros profissionais que, acreditam, deveriam ser oferecidos pelas secretarias de Educação, tais como psicólogos (50%), psicopedagogos (28%), assistente social (8%) mediador de conflitos (7%) e fonoaudiólogo (4%).
 
Ao responder quais fatores deveriam ser enfrentados com maior urgência, os professores citaram um fator mais urgente e fizeram uma segunda lista, com três fatores. Na primeira, a necessidade de acompanhamento psicológico foi a mais citada (22%), seguida pela indisciplina (15%) e pela defasagem na aprendizagem (10%). Na segunda, a indisciplina apareceu em primeiro lugar, com 32%, seguida pela falta de acompanhamento psicológico e pela “aprovação de alunos que não estão preparados para o próximo ciclo”, ambos com 31%.
 

O notório desconhecimento da reforma do Ensino Médio

A MP 746/2016 estabelece mudanças capazez de aprofundar problemas que já existem na formação educacional dos jovens brasileiros.
 
Estudantes protestam em São Paulo contra a reforma do Ensino Médio proposta por Michel Temer.
 
De repente, não mais que de repente, o governo ilegítimo anuncia via Medida Provisória, mudanças estruturais sobre o ensino médio brasileiro. De maneira condizente com o autoritarismo que lhes é característico, Temer e seu Ministro da Educação, estabelecem na MP 746/2016 uma reforma capaz de aprofundar problemas que já existem na formação educacional dos jovens brasileiros.
 
Com uma canetada, Temer altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), sem considerar a opinião dos estudantes e suas entidades representativas, dos professores, que mais do que qualquer um, sabem o que se passa nas salas de aula Brasil adentro, ou a contribuição de pesquisadores que debatem a necessidade de mudanças no ensino médio como uma forma de enfrentar a evasão escolar e construir uma educação que dialogue com a realidade dos alunos. O resultado não poderia ser diferente: mais um retrocesso.
 
O Plano Nacional de Educação (PNE), esse sim fruto de intenso e extenso debate, deveria guiar as decisões dos governos, contudo várias de suas metas serão frontalmente atacadas caso essa MP venha a ser implementada.
 
Aliás, é a existência do PNE que assegura à educação a condição de política de Estado, não ficando à mercê de maiorias eventuais ou da vontade do governo da hora. Ainda mais de governos sem a legitimidade dos votos na urna.
 
Enquanto o PNE estabelece que é preciso garantir que todos professores e professoras da educação básica possuam graduação na área de conhecimento em que atuam, a MP passa a permitir que profissionais com “notório saber” possam dar aulas de conteúdos de áreas afins à sua formação. Dilma, que abriu mais de 100 mil vagas em licenciaturas para corrigir esta distorção, enfrentou o problema. Temer além de agravá-lo, quer ir além.
 
Como se isto não fosse suficiente, a MP altera ainda o artigo 26 da lei 9396/96 (LDB) que define os componentes curriculares obrigatórios da educação básica, composto pelas etapas da educação infantil, ensino fundamental e ensino médio.
 
Desta forma, se aprovada a MP ficarão obrigatórias somente as disciplinas de português e matemática. Trata-se uma medida para o empobrecimento cultural e educacional do currículo escolar, uma vez que todas as demais disciplinas estarão relativizadas.
 
Todas as formas de expressões lúdicas perdem espaço com essa MP. Contrariando até mesmo a Constituição Federal, em seu artigo 208, em que se estabelece o dever do Estado para com a Educação, determina-se a sua garantia por meio do acesso aos “níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística”.
 
Antes previstas a todas as etapas da Educação Básica, a MP termina com a obrigatoriedade do ensino de arte e de educação física no Ensino Médio. Além disso, as disciplinas de Filosofia e Sociologia podem desaparecer completamente dos currículos.
 
O ensino de línguas também fica prejudicado. Até agora, a LDB estabelecia a obrigatoriedade da língua estrangeira, mas o idioma era escolhido pela própria comunidade escolar; com a MP, o inglês passa a ser a única língua estrangeira compulsória.
 
Em um país que integra a América Latina e com movimentos migratórios tão diversos, deveria se buscar o plurilinguismo à luz das especificidades locais, e não se adotar uma perspectiva limitadora de nossa cultura. O mais urgente no ensino de línguas estrangeiras não é a imposição de um único idioma, mas as condições para o seu conhecimento.
 
A educação básica, conforme a legislação, deve qualificar para o trabalho, mas também assegurar uma formação para o exercício da cidadania. Qualquer reforma tem de ser calcada nessa concepção, e não na lógica da MP, que estabelece uma visão mercadológica, onde a educação tem finalidade meramente instrumental.
Ao estabelecer que apenas uma parte do Ensino Médio será comum a todos, e que após esse período se dará a separação dos alunos por opções formativas ou ênfases, que inclusive serão oferecidas de maneira facultativa pelos sistemas de ensino, sonegará o conhecimento para a ampla maioria dos estudantes, tal como ocorria no passado.
 
Não se trata de medida isolada, integra um conjunto de iniciativas tomadas pelo governo ilegítimo contra a educação. Estes que comprometem o financiamento da educação com a PEC 241, que congelará os investimentos por 20 anos, e promovem a entrega do Pré-Sal, que poderia prover os recursos necessários para a valorização e qualificação dos profissionais da educação, e enfrentar problemas estruturantes da educação brasileira, impedem também a perspectiva crítica e transformadora das escolas, reduzindo conteúdo, impedindo a livre expressão de ideias e debates através de programas falsamente “sem partido”, promovendo a perseguição aos docentes e aos estudantes e excluindo do ambiente escolar a diversidade humana.
 
Tais reformas educacionais, lembram o período da ditadura militar, orientadas por acordos com uma agência de Estado norte-americana, esta reforma novamente adere à lógica de subordinação da educação brasileira a modelos que desconhecem a riquíssima pedagógica nacional, representada por Paulo Freire, Darcy Ribeiro, Anísio Teixeira e tantos outros.
 
Ao editar essa Medida Provisória, que rasga as metas do PNE, ao mesmo tempo em que atacam nossas conquistas, este Governo golpista demonstra não apenas seu cinismo, como também um notório desconhecimento da realidade brasileira, das necessidades de nossos estudantes e dos meios necessários para que superemos os inúmeros desafios educacionais.
 
Como afirma Gaudêncio Frigotto, são “especialistas analfabetos sociais e doutores em prepotência, autoritarismo e segregação social, que por sua estreiteza de pensamento e por condição de classe, são incapazes de entender o que significa educação básica”.
 
A população sabe disso, e sua mobilização já os obrigou a prestar esclarecimentos. Será assim, por meio da constante denúncia e da pressão popular que teremos força para derrubar essa MP no Parlamento.
 
*Maria do Rosário é deputada federal (PT-RS)
 

Campanha Nacional em Defesa do Cerrado é lançada em Brasília

Campanha dá visibilidade à presença da diversidade humana, cultural e natural do Cerrado.


A Campanha Nacional em Defesa do Cerrado, que tem como tema “Cerrado, Berço das Águas: Sem Cerrado, Sem Água, Sem Vida”, foi lançada durante coletiva de imprensa, na terça-feira, 27, na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília. A atividade serviu para pautar e conscientizar a sociedade, em nível nacional e internacional, sobre a importância do Cerrado e os impactos dos grandes projetos do agronegócio, da mineração e da infraestrutura.

A Campanha conta com a participação de 36 organizações, movimentos sociais e entidades religiosas como a CNBB. De acordo com o assessor da Comissão de Justiça, Caridade e Paz da CNBB, frei Olavio Dotto, a temática relativa à campanha é debatida junto às Pastorais Sociais. Para ele, a Campanha fortalece a preocupação com o Cerrado e com os povos e comunidades que nele habitam, de modo especial os quilombolas e os indígenas.
 
É o caso do indígena Elson Guarani Kaiowá, um dos integrantes da mesa de abertura do evento. Liderança do tekoha, no Mato Grosso do Sul, Elson falou sobre a realidade enfrentada pelos Guarani e Kaiowá no seu Estado. De acordo com ele, os indígenas sofrem com ataques agrotóxicos em suas comunidades. 
 
“O nosso cerrado, no Mato Grosso do Sul, está totalmente destruído, devido ao avanço dos invasores do agronegócio sobre as terras indígenas. Temos sofrido muitos ataques e, além de termos pouca mata que ainda resta, ela continua sendo destruída, e isso nos prejudica muito, porque muitas comunidades indígenas ficam impedidas de utilizar os remédios tradicionais”, afirmou Elson. 
 
 
Outra visibilidade dada pela Campanha é a questão do Plano de Desenvolvimento Agropecuário do MATOPIBA, região considerada como grande fronteira agrícola nacional da atualidade, que compreende os Estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia e responde por grande parte da produção brasileira de grãos.
“Por trás, este projeto apresenta várias problemáticas. Primeiro você está tirando o ambiente natural das comunidades que ali estão e que são muitas, digamos que é um processo de expulsão. E segundo lugar, você está mexendo com o meio ambiente, você está modificando a biodiversidade que está ali, então a Campanha também alerta para isso - para os riscos do agronegócio”, sublinhou frei Olavio Dotto. 
Além de mostrar a realidade das comunidades e povos do Cerrado, a Campanha envolve a população na defesa do bioma e na luta por seus direitos. Participaram da mesa de lançamento, a antropóloga e professora da Universidade de Brasília (UnB), Mônica Nogueira; o indígena Elson Guarani Kaiowá, a liderança do Movimento Quilombola do Maranhão (Moquibom), Zilmar Pinto Mendes; o membro da Articulação Camponesa do Tocantins, Pedro Alves dos Santos e a representante da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Isolete Wichinieski. 

CNBB com informações do CIMI

MENSAGEM DA CNBB PARA AS ELEIÇÕES 2016

“Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Amós 5,24)
 
Neste ano de eleições municipais, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB dirige ao povo brasileiro uma mensagem de esperança, ânimo e coragem. Os cristãos católicos, de maneira especial, são chamados a dar a razão de sua esperança (cf. 1Pd 3,15) nesse tempo de profunda crise pela qual passa o Brasil.
 
Sonhamos e nos comprometemos com um país próspero, democrático, sem corrupção, socialmente igualitário, economicamente justo, ecologicamente sustentável, sem violência discriminação e mentiras; e com oportunidades iguais para todos. Só com participação cidadã de todos os brasileiros e brasileiras é possível a realização desse sonho. Esta participação democrática começa no município onde cada pessoa mora e constrói sua rede de relações. Se quisermos transformar o Brasil, comecemos por transformar os municípios. As eleições são um dos caminhos para atingirmos essa meta.
 
A política, do ponto de vista ético, “é o conjunto de ações pelas quais os homens buscam uma forma de convivência entre indivíduos, grupos, nações que ofereçam condições para a realização do bem comum”. Já do ponto de vista da organização, a política é o exercício do poder e o esforço por conquistá-lo1, a fim de que seja exercido na perspectiva do serviço.
 
Os cristãos leigos e leigas não podem “abdicar da participação na política” (Christifideles Laici, 42). A eles cabe, de maneira singular, a exigência do Evangelho de construir o bem comum na perspectiva do Reino de Deus. Contribui para isso a participação consciente no processo eleitoral, escolhendo e votando em candidatos honestos e competentes. Associando fé e vida, a cidadania não se esgota no direito-dever de votar, mas se dá também no acompanhamento do mandato dos eleitos.
 
As eleições municipais têm uma atração e uma força próprias pela proximidade dos candidatos com os eleitores. Se, por um lado, isso desperta mais interesse e facilita as relações, por outro, pode levar a práticas condenáveis como a compra e venda de votos, a divisão de famílias e da comunidade. Na política, é fundamental respeitar as diferenças e não fazer delas motivo para inimizades ou animosidades que desemboquem em violência de qualquer ordem.
 
Para escolher e votar bem é imprescindível conhecer, além dos programas dos partidos, os candidatos e sua proposta de trabalho, sabendo distinguir claramente as funções para as quais se candidatam. Dos prefeitos, no poder executivo, espera-se “conduta ética nas ações públicas, nos contratos assinados, nas relações com os demais agentes políticos e com os poderes econômicos”2. Dos legisladores, os vereadores, requer-se “uma ação correta de fiscalização e legislação que não passe por uma simples presença na bancada de sustentação ou de oposição ao executivo”3.
 
É fundamental considerar o passado do candidato, sua conduta moral e ética e, se já exerce algum cargo político, conhecer sua atuação na apresentação e votação de matérias e leis a favor do bem comum. A Lei da Ficha Limpa há de ser, neste caso, o instrumento iluminador do eleitor para barrar candidatos de ficha suja. 
 
Uma boa maneira de conhecer os candidatos e suas propostas é promover debates com os concorrentes. Em muitos casos cabe propor lhes a assinatura de cartas-compromisso em relação a alguma causa relevante para a comunidade como, por exemplo, a defesa do direito de crianças e adolescentes. Pode ser inovador e eficaz elaborar projetos de lei, com a ajuda de assessores, e solicitar a adesão de candidatos no sentido de aprovar os projetos de lei tanto para o executivo quanto para o legislativo.
 
É preciso estar atento aos custos das campanhas. O gasto exorbitante, além de afrontar os mais pobres, contradiz o compromisso com a sobriedade e a simplicidade que deveria ser assumido por candidatos e partidos. Cabe aos eleitores observar as fontes de arrecadação dos candidatos, bem como sua prestação de contas. A lei que proíbe o financiamento de campanha por empresas, aplicada pela primeira vez nessas eleições, é um dos passos que permitem devolver ao povo o protagonismo eleitoral, submetido antes ao poder econômico. Além disso, estanca uma das veias mais eficazes de corrupção, como atestam os escândalos noticiados pela imprensa. Da mesma forma, é preciso combater sistematicamente a vergonhosa prática de “Caixa 2”, tão comum nas campanhas eleitorais.
A compra e venda de votos e o uso da máquina administrativa nas campanhas constituem crime eleitoral que atenta contra a honra do eleitor e contra a cidadania. Exortamos os eleitores a fiscalizarem os candidatos e, constatando esse ato de corrupção, a denunciarem os envolvidos ao Ministério Público e à Justiça Eleitoral, conforme prevê a Lei 9840, uma conquista da mobilização popular há quase duas décadas.
 
A Igreja Católica não assume nenhuma candidatura, mas incentiva os cristãos leigos e leigas, que têm vocação para a militância político-partidária, a se lançarem candidatos. No discernimento dos melhores candidatos, tenha-se em conta seu compromisso com a vida, com a justiça, com a ética, com a transparência, com o fim da corrupção, além de seu testemunho na comunidade de fé. Promova-se a renovação de candidaturas, pondo fim ao carreirismo político. Por isso, exortamos as comunidades a aprofundarem seu conhecimento sobre a vida política de seu município e do país, fazendo sempre a opção por aqueles que se proponham a governar a partir dos pobres, não se rendendo à lógica da economia de mercado cujo centro é o lucro e não a pessoa. 
 
Após as eleições, é importante a comunidade se organizar para acompanhar os mandatos dos eleitos. Os cristãos leigos e leigas, inspirados na fé que vem do Evangelho, devem se preparar para assumir, de acordo com sua vocação, competência e capacitação, serviços nos Conselhos de participação popular, como o da Educação, Saúde, Criança e Adolescente, Juventude, Assistência Social etc. Devem, igualmente, acompanhar as reuniões das Câmaras Municipais onde se votam projetos e leis para o município. Estejam atentos à elaboração e implementação de políticas públicas que atendam especialmente às populações mais vulneráveis como crianças, jovens, idosos, migrantes, indígenas, quilombolas e os pobres. 
 
Confiamos que nossas comunidades saberão se organizar para tornar as eleições municipais ocasião de fortalecimento da democracia que deve ser cada vez mais participativa. Nosso horizonte seja sempre a construção do bem comum.  
 
Que Nossa Senhora Aparecida, Mãe e Padroeira dos brasileiros, nos acompanhe e auxilie no exercício de nossa cidadania a favor do Brasil e de nossos municípios, onde começa a democracia.
Aparecida - SP, 13 de abril de 2016.
 
 
Dom Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília
Presidente da CNBB
Dom Murilo Sebastião Ramos Krieger, SCJ
Arcebispo São Salvador da Bahia
Vice-Presidente da CNBB
Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBB
 
 

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Professora usa xadrez para dar lições de matemática e combater bullying


Uma vez por semana a professora de matemática Janice Corrêa Prestes, da escola estadual Professora Antonia Baptista Calazans Luz, em Apiaí, na região do Alto do Ribeira, no interior de São Paulo, dispensa o giz e a lousa para jogar xadrez com seus alunos. A prática, segundo a professora, ajuda os estudantes a ter mais concentração, a desenvolver suas habilidades cognitivas, a ser mais observadores, mais reflexivos e mais analíticos. Além disso, o jogo dá lições de respeito, ética, incentiva a amizade e a participação em competições. O xadrez também é usado em propostas de aumentar a autoestima do aluno e de combate ao bullying.

“Noventa por cento dos alunos gostam das aulas. Isso numa época de internet, computadores. Eles percebem que o jogo faz diferença na vida deles. A máquina não tem vida. Quando vão jogar, prestam atenção no outro, no olhar, na respiração”, disse Janice. “Quando analisam a jogada, eles têm que fazer uma síntese como nos exercícios." Segundo ela, cada peça do xadrez tem um significado que pode ser usado para desenvolver a autoestima do estudante.

Desde o início do projeto, em 2002, Janice percebeu melhora no rendimento e nas notas dos estudantes. "A escola teve nota acima da média nos testes do governo", disse. Outros professores aderiram à ideia. Os estudantes têm aula sobre a origem do xadrez na aula de história e sobre a trajetória do jogo em geografia. Praticam ainda na aula de educação física. Milena Gabriely dos Santos, de 17 anos, faz o terceiro ano do ensino médio. Tem aulas com a professora Janice desde a 5ª série. “O tabuleiro é matemática. O número de casas pode ser representado por uma fração, dar noção de simetria, equivalência, de horizontal, vertical, diagonal. Usei em um trabalho sobre cônicas e polígonos”, disse. A adolescente já decidiu que vai prestar vestibular para medicina. “O xadrez ajuda a lidar com o futuro, a tomar decisões sob pressão, a pensar nas consequências do que fazemos.”

Hoje, cerca de 20 alunos de Janice são voluntários em outras escolas no contraturno das aulas. Ensinam xadrez a outros estudantes. Jogam em casa também, com irmãs, primos, amigos e fazem de tudo para ensinar aos pais. Emanuele Aparecida Corrêa Camargo e Deiciane Jhenielly de Almeida Cunha, ambas de 15 anos e alunas do segundo ano do ensino médio, fazem parte do grupo de voluntários. “Queria passar algo para alguém. Está sendo bom de ver meus alunos aprendendo”, disse Emanuele. “Fiquei mais próxima da minha família, mais paciente, o jogo me trouxe mais calma”, disse Deiciane.

Combate ao bullying - Com um prêmio em dinheiro que o projeto ganhou, a escola construiu um tabuleiro e peças gigantes para os alunos jogarem no pátio. Os alunos criaram uma gincana com perguntas de matemática e conhecimentos gerais. Quem acerta caminha no tabuleiro gigante.

Há dois meses, os alunos criaram um projeto de combate ao bullying e ao preconceito em que usam o xadrez. Os estudantes usaram as peças do jogo para falar sobre o bullying às pessoas que passavam pela praça da cidade. Alguns consideram que o peão é nada, mas dependendo da jogada, pode ser a peça mais importante. O cavalo tem força, mas não pisa nos adversários", destaca a professora. O projeto do uso do xadrez nas escolas, da professora Janice, levou o deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL) a escrever um projeto de lei que obriga todas as escolas a ensinar xadrez aos estudantes. O texto já passou por comissões da Assembleia Legislativa e está na fila para votação no plenário.
 
Por Fernanda Nogueira (Do G1, em São Paulo )
 
 

O professor na encruzilhada: entre estudantes e a instituição escolar

 
 
Lúcio Alves de Barros*
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A Justiça de Minas Gerais colocou fim na discussão jurídica sobre o assassinato do professor e mestre em educação física Kassio Vinicius Castro Gomes, de 39 anos. O estudante Amilton Loyola Caires, de 24 anos, foi considerado inimputável com base em um laudo de sanidade mental o qual comprovou que o estudante possui esquizofrenia. O crime aconteceu em dezembro de 2010 no Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix, considerado uma das mais tradicionais redes de ensino em Belo Horizonte. Explicar a família o desfecho da história será um problema e não creio que a justificativa possa apagar o giz do quadro dramático que, certamente, não teve início naquela organização escolar. De todo modo é bom sempre lembrar o acontecimento, não somente pela crueldade e pelo motivo torpe, mas principalmente devido aos inúmeros acontecimentos de violência(s) que vem acontecendo nas escolas (públicas e privadas), faculdades e universidades. Um argumento me parece bastante forte.
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Longe da esquizofrenia do garoto, há tempos assistimos o descaso, a desvalorização e o desrespeito com o professor. A mercantilização da educação que inegavelmente levou o “curso superior” a muitos estudantes não deixou de produzir efeitos perversos e inesperados. Como é próprio da natureza das relações de mercado, quem possui o capital pode pagar (quase) tudo. Dito de outra forma, caso o estudante faça parte daqueles que tem o dinheiro em abundância e se interesse por um diploma de “nível superior” pode ele facilmente ser médico, advogado, engenheiro e tudo mais. E vejam que somente citei as profissões que no passado eram consideradas nobres e que hoje penam com sua também banalização. Com a porta de entrada aberta qualquer cachorro entra na igreja e esse é o caso do ensino superior. Já não existe seleção: é preciso antes somente saber se o candidato à vaga pode realmente pagar a mensalidade. Se ele pode bancar o custeio e ainda mostrar que mantém o pagamento sem maiores dificuldades o mercado cuida do resto. Aparece aqui a figura potente do cliente, um ser flexível, líquido, medíocre, perigoso, cheio de desejos e poder que devido ao dinheiro faz questão de bradar a velha frase: “estou pagando”. E aqui se encontra uma grande barreira no campo da educação. Esta barreira formada por alunos novos e velhos que sabem o valor do capital e das relações que ele é capaz de tecer. E como fazer para reprovar um cliente/capital sem possibilidades de ser violentado simbolicamente ou pragmaticamente. Impossível!
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O docente, diante do muro do mercado formado por várias vozes que colocam em xeque o professor, assiste atônito a perda de sua autoridade, o respeito e o equilíbrio emocional e torna-se questão de tempo para que sua economia psíquica termine em tristeza, cansaço, desilusão e desistência. E basta uma palavra, uma reflexão com base em anos de estudos e pesquisas ou uma chamada de atenção por causa de um celular ligado e uma conversa informal e lá se foi mais uma mercadoria que deve ser ensacada e colocada frente ao vendedor para sofrer a recauchutagem ou a imediata troca. Este cliente é perigoso, não importa se o docente tem família, história de vida, mérito no trabalho, etc. O discente de hoje não quer colocar em prática os próprios esforços. Ele não busca o mérito e a excelência, busca o diploma - o canudo como se diz - e pronto. E quem atrapalha esses denominados estudantes clientes? A mercadoria falante e romântica chamada professor e que decidiu não abrir mão de sua autoridade, sapiência, integridade, dignidade, anos de estudos, méritos e princípios éticos.
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Esse muro do mercado de diplomas, no qual vemos o professor funcionar como cerca elétrica e cacos de vidro, que o cliente aluno tenta ultrapassar sem dificuldades ainda sofre de outro problema. Como é de natureza do mercado, o "cliente tem sempre razão" e nesse caso nada como operar com a dúvida. Ao plantar a dúvida, raramente não aceita pelos gerentes, coordenadores, supervisores e diretores, os verdadeiros avatares do capital, o professor recebe a roupagem da culpabilidade que, em geral, é legitimada pelo aparelho autoritário e sem escrúpulos dos proprietários do mercado. O que causa mal-estar, talvez, nem seja os proprietários desses novos e velhos meios de produção de diplomas, mas os próprios docentes que acabam dando uma se pequena burguesia e operando em desfavor daqueles que antes eram iguais. A dúvida colocada, construída, trabalhada e legitimada acaba em cansaço, em atos litigiosos, discussões, fofocas sem fim e muita tristeza e resignação. O docente, de mera cerca e caco de vidro passa pela incrível metamorfose de ser o único culpado de todas e das várias mazelas e problemas que ainda vão estourar em salas de aula. A educação, definitivamente perdeu a essência do cuidado, do respeito ao outro, da diferença e da necessária emancipação humana na busca de mais e mais reconhecimento. Não deve ser por acaso que educadores reconhecidos já decretaram o fim da educação.
As relações sociais, latentes e manifestas, como a do caso do professor assassinado, no mercado educacional hoje são bem claras e só não percebe quem não deseja. De um lado os estudantes, entendidos como clientes, observadores do marketing educacional e que buscam um local no qual lhes garantirão menores custos e maiores benefícios em busca do título. Afinal, estão pagando e quanto mais barato, fácil e rápido melhor, não importando a qualidade e o conhecimento que se transformou em obstáculo na voz e nas ações pedagógicas levadas a efeito pelo professor. Do outro lado, temos os proprietários dos estabelecimentos de ensino e de sua pequena guarda burguesa, não raramente composta por professores incumbidos da função de limpar a área, chamar atenção dos "companheiros”, atender o cliente da melhor maneira possível, dar vida maior à dúvida quando jogada no ar, mostrar serviço forjado por ele mesmo e ganhar o dinheiro como se dono ele também fosse da organização. Neste campo, abre-se mão dos regulamentos internos, das hierarquias tácitas e das formais. A ideia é legitimar um culpado, um herege e nada melhor do que aquele que se encontra no meio do processo e que na verdade não passa de um apêndice da organização que pode mudar quantas vezes quiser as peças do xadrez. Em geral, os professores não nadam contra a maré, a maioria observa o sofrimento do outro e espera sua caída. A desgraça alheia é o meio eficaz para que o igual se sinta melhor e com possibilidades de crescimento em um mercado que não é competitivo, é seletivo. E seletivo porque deve ficar nele somente os que conseguem navegar em tais relações sem que elas atinjam em cheio suas subjetividades. Esta seleção é socialmente produzida. Não adianta ser verdadeiro, competente, honesto, ter um currículo respeitável, etc.
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Em jogo, está a manutenção da clientela e não é por acaso que um dos problemas que vem enfrentando as organizações do ensino privado é a evasão dos estudantes. Na economia esta questão é simples: com muitos clientes mantem-se alto os preços, inclusive o nível do professorado, com menos clientes diminuem-se os preços e o nível de formação dos docentes. Na educação a lógica é a do entra qualquer um, mas não vão sair todos aqueles que entraram. E não saem não é porque não suportam a qualificação dos docentes ou o saber organizacional, é porque simplesmente não dão conta de pagar ou usaram do poder da clientela de buscar produtos sempre mais baratos e fáceis de achar no mercado.
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De qualquer forma, na caixa de pandora que se transformou a educação superior no Brasil, o docente se vê em uma encruzilhada tensa e perigosa. De um lado, muitos e muitos alunos, salas ainda lotadas e heterogêneas nas quais não se tem sequer o tempo de saber o nome e a historia do estudante. A educação é em massa e certamente Henry Ford ficaria feliz em ralação a isso. De outro lado, aparece a figura fantástica e fantasmagórica desse sujeito taylorista, capitão do mato e capataz encontrado no meio dos próprios professores que - pelo menos na teoria - sofrem os mesmos constrangimentos. E a violência daqueles que nos é igual é sempre pior, pois eles sabem dos jogos, relações e mecanismos da profissão. Não creio que a presente situação vai mudar tão cedo. Muito pelo contrário, as relações estão ficando mais tensas e uma espécie de violência simbólica, de uma educação superior paranoica tem se forjado porque o docente, encarcerado no meio do mudo é como cego em meio a tiroteio. Vai ele tomar bala para todo lado, algumas perdidas outras encontradas. Ele vai cair e como bêbado vai se levantar e continuar a buscar novos muros. Tudo termina quando no coração covardemente é cravada uma faca e sem forças ele cai deixando-nos surpreendidos e na espera da próxima vítima.
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* é professor e sociólogo. Organizador dos livros, “Polícia em Movimento”.  Belo Horizonte: Ed. ASPRA, 2006 e “Mulher, política e sociedade”. Brumadinho, MG: Ed. ASA, 2009.
 

Gelo da Groenlândia está derretendo mais rápido do que se pensava

 
A camada de gelo altamente instável da Groenlândia está derretendo 7,6% mais rápido do que se pensava – disseram cientistas esta semana, depois de descobrirem um ponto sob a superfície da Terra que estava distorcendo seus cálculos.
 
Publicado na revista Science Advances, o estudo gera preocupações sobre o impacto crescente do derretimento do gelo na subida do nível do mar, uma vez que a Groenlândia é a segunda maior camada de gelo do mundo, depois da camada da Antártica.
 
De 2003 a 2013, a Groenlândia perdeu 2.700 gigatons (2.700 bilhões de toneladas métricas) de gelo, e não 2.500 gigatons como se pensava anteriormente.
 
Isso significa que a camada de gelo está perdendo anualmente cerca de 20 gigatons a mais do que afirmam as estimativas mais recentes.
 
A diferença de 7,6% foi descrita como “uma correção bastante modesta” pelo autor do estudo Michael Bevis, professor de Ciências da Terra da Universidade Estadual de Ohio.
 
“Isso não muda tanto as nossas estimativas de perda total de massa em toda a Groenlândia”, ressaltou Bevis.
 
“Mas isso traz uma mudança mais significativa para o nosso entendimento de em que parte da camada de gelo essa perda aconteceu, e onde ela está acontecendo agora”, acrescentou.
 
Usando dados de satélite, os pesquisadores descobriram que uma coluna quente de rocha parcialmente derretida no manto da Terra – que também alimenta os vulcões da Islândia – tinha suavizado a rocha sob a Groenlândia de uma maneira que levou os cientistas a subestimarem o derretimento.
 
Bevis descreveu a camada de gelo da Groenlândia como a “mais instável” do mundo e disse que as pesquisas mais recentes vão “levar a projeções mais bem informadas de aumento do nível do mar”.
 
 
 

7 contundentes afirmações do padre Amorth sobre o diabo e suas ações no mundo

1. Satanás é o tentador desde o princípio dos tempos:
“Satanás é o tentador desde o princípio e é monótono – ele me confirmou isto: usa o mesmo método para tentar o homem, que é livre; usa as suas fraquezas. A ação ordinária é tentar; e a extraordinária, e muito rara, é a possessão diabólica”.
 
2. O diabo é uma pessoa, não uma simples representação do mal:
“Satanás quer que não falemos dele; ele se esconde. O diabo é uma pessoa. Não é só uma mera representação do mal”, disse o pe. Amorth ao canal TV2000.
 
Em seu livro O último exorcista, o sacerdote reforçou que “não devemos nos esquecer de que o diabo é mentiroso; por isso é necessário relativizar e, se possível, comprovar as respostas dele. É preciso comprovar tudo, especialmente um dado fundamental: a origem da vexação ou possessão, quem é o autor do malefício. É preciso comprovar porque o demônio pretende semear ódios e rancores; ele pode dizer que foi a sogra, a irmã, a prima ou a tia, e depois se descobre que não era verdade”.
 
3. O diabo tem medo de Nossa Senhora:
“O diabo tem medo de Nossa Senhora, porque ela é uma criatura nascida sem pecado, humilde e obediente a Deus desde sempre. Uma vez eu perguntei ao diabo: ‘Por que você se sobressalta mais quando invoco a Virgem Maria do que quando invoco Jesus?’. E a resposta dele: ‘Porque me humilha mais ser derrotado por uma criatura humana do que ser derrotado por Ele [por Jesus]’”.
 
4. O Estado Islâmico (ISIS) é dirigido por Satanás:
“Onde há mal, pequeno ou grande, é sempre o demônio que sugere […] Sem dúvida, o ISIS, eu tenho certeza, onde há guerra e destruição está sempre o diabo rindo por trás. Deus não permitiria isso jamais, Deus só quer coisas boas. E essa gente [do Estado Islâmico] pode também disparar contra o papa sem hesitação…”, afirmou o sacerdote a Fabio Marchese Regona, do Il giornale.it, em 27 de maio de 2015.
 
5. O diabo odeia a Igreja católica e adora as seitas:
No livro O último exorcista, o pe. Amorth assegura que as seitas são usadas pelo diabo para atingir os seus objetivos.
 
“Quando se faz um pacto com Satanás, o próprio diabo reconhece que a única religião verdadeira é a cristã católica, fiel ao papa, e, por isso, as seitas lutam contra ela. Toleram a duras penas as outras religiões cristãs, enquanto apoiam religiões falsas. As seitas costumam se esconder atrás de nomes e objetivos falsos, quase sempre como terapias alternativas à medicina tradicional”.
 
6. Fé, oração e jejum para combater o diabo:
Em um vídeo de 17 de abril de 2015, voltado aos exorcistas, o pe. Amorth recordou: “Não valemos nem um centavo se não acreditamos em Jesus”; “a oração e a confissão” são instrumentos irrenunciáveis para um “limpo servidor de Jesus”. No mesmo vídeo, ele incentiva o jejum a fim de preparar o corpo para as privações que o diabo pode usar para nos tentar.
 
7. Uma resposta às ameaças do diabo:
Nosso Senhor, afirma ele, concede aos exorcistas e aos batizados “toda a graça para enfrentar e superar o diabo”.
 
No livro Deus é mais belo que o diabo, ele atesta que cada um pode responder às ameaças do diabo: “Estou envolto no manto de Maria. Que podes fazer contra mim? Tenho ao meu lado o arcanjo São Miguel. Tenta lutar contra ele. Tenho o meu anjo da guarda, que vela para que eu não seja tocado; tu não podes fazer nada”.
 


http://pt.aleteia.org/2016/09/22/7-contundentes-afirmacoes-do-padre-amorth-sobre-o-diabo-e-suas-acoes-no-mundo/
 

Oração pelos falecidos

Reze agora, com fé e confiança na misericórdia de Deus.
 
Pai santo, Deus eterno e Todo-Poderoso, nós vos pedimos por (nome do falecido), que chamastes deste mundo.
 
Dai-lhe a felicidade, a luz e a paz. Que ele, tendo passado pela morte, participe do convívio de vossos santos na luz eterna, como prometestes a Abraão e à sua descendência.
 
Que sua alma nada sofra, e vos digneis ressuscitá-lo com os vossos santos no dia da ressurreição e da recompensa.
 
Perdoai-lhe os pecados para que alcance junto a Vós a vida imortal no reino eterno.
Por Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 Amém
 
(Rezar Pai-Nosso e Ave-Maria.)
 
Dai-lhe, Senhor, o repouso eterno
e brilhe para ele a vossa luz! (3 vezes)
 


Papa: corrupção vicia; gera pobreza, exploração e sofrimento

A reflexão do Papa no Angelus deste domingo (18/09) teve como inspiração a liturgia do dia. Francisco falou aos milhares de fiéis presentes na Praça São Pedro sobre a diferença entre a “astúcia mundana” e a “astúcia cristã”.
 
“A mundanidade se manifesta com comportamentos de corrupção, de engano, de opressão, e constitui a estrada mais errante, a estrada do pecado, mesmo se é aquela mais cômoda de ser percorrida. O espírito do Evangelho, ao contrário, requer um estilo de vida sério e compromissado, marcado pela honestidade, correto, no respeito aos outros e de sua dignidade, com senso de dever. Esta é a astúcia cristã!”, esclareceu o Papa.
 
Escolha justa
 
Francisco afirmou que o “percurso da vida comporta uma escolha entre duas estradas” opostas.
“Não se pode oscilar entre uma e outra, porque se movem sobre lógicas diferentes e contrastantes. É importante decidir qual direção tomar e, a seguir, escolhida aquela justa, caminhar com impulso e determinação, confiando na graça do Senhor e no apoio de seu Espírito”. disse.
 
Único Patrão
 
Jesus – prosseguiu o Papa – “hoje nos exorta a fazer uma escolha clara entre Ele e o espírito do mundo, entre a lógica da corrupção e da cobiça, entre aquela da retidão e da partilha”.
 
“Alguns se comportam com a corrupção como com as drogas: pensa que pode usá-la e parar quando quiser. Porém, a corrupção vicia e gera pobreza, exploração e sofrimento. E quantas vítimas existem hoje no mundo, desta corrupção difusa. Quando, ao contrário, procuramos seguir a lógica evangélica da integridade (…) servimos ao patrão justo: Deus”.
 
Ao saudar os presentes na Praça São Pedro, Francisco recordou que visitará Assis na próxima terça-feira por ocasião do Dia de Oração pela Paz e convidou todos a rezarem pela paz.
 

http://pt.aleteia.org/2016/09/18/papa-corrupcao-vicia-gera-pobreza-exploracao-e-sofrimento/
 

“O mundo está cansado de mentirosos, de padres da moda, de arautos de cruzadas”

 
Palavras do Papa Francisco a bispos recém-nomeados. Aos novos bispos do curso anual de formação, o papa afirma que fazer pastoral da misericórdia não é fazer liquidação de pérolas. “Não poupem esforços para ir ao encontro do povo de Deus, estejam perto das famílias com fragilidade. Nos seminários, apontem para a qualidade, não para a quantidade. Desconfiem dos seminaristas que se refugiam na rigidez.”
 
“O mundo está cansado de encantadores mentirosos… e, eu me permito dizer, de padres ou bispos na moda. As pessoas ‘farejam’ e se afastam quando reconhecem os narcisistas, os manipuladores, os defensores das causas próprias, os arautos de cruzadas vãs.”
 
O Papa Francisco dirigiu um longo discurso aos bispos recém-nomeados, em Roma, para um curso de formação, tocando diversas questões do seu ministério, a partir da necessidade de tornar pastoral – “isto é, acessível, tangível, encontrável” – a misericórdia, que é o “resumo daquilo que Deus oferece ao mundo”.
 
Os bispos, disse Jorge Mario Bergoglio, devem ser capazes de encantar e de atrair os homens e as mulheres do nosso tempo a Deus, sem “lamentações”, sem “deixar nada de não tentado a fim de alcançá-los” ou “recuperá-los”, e graças aos percursos de iniciação (“Hoje, pedem-se frutos demais de árvores que não foram cultivadas o suficiente”).
 
Além disso, é necessário vigiar a formação dos futuros sacerdotes, apontando para a “qualidade do discipulado”, e não para a “quantidade” de seminaristas, e usando “cautela e responsabilidade” ao acolher sacerdotes na diocese. Francisco também convidou os novos bispos a estarem perto do seu clero, àqueles que Deus coloca “por acaso” no seu caminho e às famílias com as suas “fragilidades”.
“Perguntem a Deus, que é rico em misericórdia – disse o papa aos 154 novos bispos (16 dos territórios de missão) que participaram do curso anual de formação promovido conjuntamente pela Congregação para os Bispos e pela Congregação para as Igrejas Orientais – o segredo para tornar pastoral a Sua misericórdia nas suas dioceses. De fato, é preciso que a misericórdia forme e informe as estruturas pastorais das nossas Igrejas. Não se trata de rebaixar as exigências ou vender barato as nossas pérolas. Ou, melhor, a única condição que a pérola preciosa dá àqueles que a encontram é a de não poder reivindicar menos do que tudo. Não tenham medo de propor a Misericórdia como resumo daquilo que Deus oferece ao mundo, porque o coração do homem não pode aspirar a nada maior”, disse Francisco, que, sobre a misericórdia como “limite para o mal”, citou Bento XVI, acrescentando duas perguntas retóricas: “Por acaso, as nossas inseguranças e desconfianças são capazes de suscitar doçura e consolação na solidão e no abandono?”.
 
Para tornar a misericórdia “acessível, tangível, encontrável”, acima de tudo, o papa recordou que “um Deus distante e indiferente pode ser ignorado, mas não resistimos facilmente a um Deus tão próximo e, além disso, ferido por amor. A bondade, a beleza, a verdade, o amor, o bem – eis o que podemos oferecer a este mundo mendicante, ainda que em vasos meio quebrados. No entanto, não se trata de atrair a si mesmos. O mundo – disse Francisco – está cansado de encantadores mentirosos… e, eu me permito dizer, de padres ou bispos na moda. As pessoas ‘farejam’ e se afastam quando reconhecem os narcisistas, os manipuladores, os defensores de causas próprias, os arautos de cruzadas vãs. Em vez disso, tentem ajudar a Deus, que já Se introduz antes ainda da chegada de vocês”.
 
Nesse sentido, “Deus não se rende nunca! Somos nós, que, acostumados ao rendimento, muitas vezes nos acomodamos, preferindo nos deixar convencer que realmente puderam eliminá-Lo e inventamos discursos amargos para justificar a preguiça que nos bloqueia no som imóvel das lamentações vãs: as lamentações de um bispo são coisas feias”.
 
Em segundo lugar, é necessário, segundo o papa, “iniciar” aqueles que são confiados aos pastores: “Eu lhes peço para não terem outra perspectiva para olhar os seus fiéis do que a da sua unicidade, de não deixarem nada de não tentado a fim de alcançá-los, de não poupar qualquer esforço para recuperá-los. Sejam bispos capazes de iniciar as suas Igrejas nesse abismo de amor. Hoje – disse Francisco – pedem-se frutos demais de árvores que não foram cultivadas o suficiente. Perdeu-se o sentido da iniciação, e, no entanto, nas coisas realmente essenciais da vida, tem-se acesso apenas mediante a iniciação. Pensem na emergência educativa, na transmissão tanto dos conteúdos quanto dos valores, no analfabetismo afetivo, nos percursos vocacionais, no discernimento nas famílias, na busca da paz: tudo isso requer iniciação e percursos guiados, com perseverança, paciência e constância, que são os sinais que distinguem o bom pastor do mercenário”.
 
Francisco se debruçou com atenção particular sobre o tema da formação dos futuros padres: “Peço-lhes que cuidem com especial solicitude as estruturas de iniciação das suas Igrejas, em particular os seminários. Não os deixem ser tentados pelos números e pela quantidade das vocações, mas busquem a qualidade do discipulado. Não privem os seminaristas da sua firme e terna paternidade. Façam-nos crescer a ponto de adquirir a liberdade de estar em Deus ‘tranquilos’ e serenos como crianças desmamadas nos braços da sua mãe”; não como presas dos próprios caprichos e escravos das próprias fragilidades, mas livres para abraçar aquilo que Deus lhes pede, mesmo quando isso não parece tão doce quanto o seio materno era no início. E fiquem atentos quando alguns seminaristas se refugiam na rigidez; por baixo, sempre há algo de feio”.
E ainda: “Eu lhes peço também para agirem com grande prudência e responsabilidade ao acolher candidatos ou incardinar sacerdotes nas suas Igrejas locais. Por favor, prudência e responsabilidade nisso. Lembrem-se de que, desde o início, quis-se como inseparável a relação entre uma Igreja local e os seus sacerdotes, e nunca se aceitou um clero vagante ou em trânsito de um lugar para outro. E essa é uma doença dos nossos tempos”.
 
Por fim, o papa pediu que os bispos sejam “capazes de acompanhar”, citando, a esse respeito, a parábola do bom samaritano: “Sejam bispos com o coração ferido por tal misericórdia e, portanto, incansável na humilde tarefa de acompanhar o homem que, ‘por acaso’, Deus colocou no seu caminho”.
 
E, ainda, recomendou o papa aos novos bispos, “acompanhem por primeiro, e com paciente solicitude, o seu clero” e “reservem um acompanhamento especial para todas as famílias, regozijando-se com o seu amor generoso e encorajando o imenso bem que elas dispensam neste mundo. Acompanhem sobretudo as mais feridas. Não ‘passem ao largo’ diante da sua fragilidade”.
 
“Fico alegre por acolhê-los e por poder compartilhar com vocês alguns pensamentos que vêm ao coração do sucessor de Pedro, quando vejo diante de mim aqueles que foram ‘pescados’ pelo coração de Deus para guiar o Seu povo santo”, tinha iniciado o papa.
 
“Deus os livre de tornar vão tal frêmito, de domesticá-lo e esvaziá-lo da sua potência ‘desestabilizadora’. Deixem-se desestabilizar, é bom para um bispo”, disse Francisco.
 
“Muitos, hoje, se mascaram e se escondem. Eles gostam de construir personagens e inventar perfis. Tornam-se escravos dos parcos recursos que recolhem e aos quais se agarram como se bastassem para comprar o amor que não tem preço. Não suportam o frêmito de se saberem conhecidos por Alguém que é maior e não despreza o nosso pouco, é mais Santo e não culpa a nossa fraqueza, é realmente bom e não se escandaliza com as nossas chagas. Não seja assim para vocês”, concluiu: “Deixem que tal frêmito percorra vocês. Não removam-nos nem o silenciem”.
 

“As vítimas das guerras imploram paz”, diz o papa Francisco

Dia Mundial de Oração pela Paz fez parte do evento “Sede de Paz. Religiões e Culturas em diálogo”.

 
O papa Francisco foi hoje, dia 20, a Assis, na Itália, para celebrar os 30 anos do histórico Encontro de Oração pela Paz, realizado no dia 27 de outubro de 1986, por iniciativa de São João Paulo II. De acordo com a Rádio Vaticano, cerca de 500 líderes religiosos e personalidades da política e da cultura estiveram presentes. O Dia Mundial de Oração pela Paz fez parte do evento “Sede de Paz. Religiões e Culturas em diálogo”, promovido pela diocese de Assis, Famílias Franciscanas e Comunidade de Santo Egídio. 
 
Na ocasião, o papa Francisco reuniu-se com os representantes cristãos na Basílica inferior de São Francisco para a oração ecumênica. Em sua meditação, o pontífice destacou que as palavras de Jesus são interpeladoras, pois pedem acolhimento no coração e resposta com a vida. “Na sua exclamação ‘tenho sede’, podemos ouvir a voz dos que sofrem, o grito escondido dos pequenos inocentes a quem é negada a luz deste mundo, a súplica instante dos pobres e dos mais necessitados de paz”, disse Francisco.
 
As vítimas das guerras “que poluem os povos de ódio e a terra de armas”, segundo o pontífice, imploram paz. Também o fazem aqueles que vivem sob a ameaça dos bombardeamentos ou são forçados a deixar a casa e emigrar para o desconhecido, despojados de tudo. “Todos eles são irmãos e irmãs do Crucificado, pequeninos do seu Reino, membros feridos e sedentos da sua carne. Têm sede. Mas, frequentemente, é-lhes dado, como a Jesus, o vinagre amargo da rejeição”, disse.

Encontro

O papa Francisco celebrou pela manhã na capela da Casa Santa Marta e seguiu para Assis, onde chegou de helicóptero às 10h55. O pontífice foi de carro até o Sacro Convento de Assis, onde foi recebido, entre outros, pelo patriarca de Constantinopla, Bartolomeu I; o patriarca Sírio-ortodoxo de Antioquia Ignatius Efrem II; pelo vice-presidente da Universidade de Al-Azhar, no Egito, Abbas Schuman; pelo arcebispo de Cantuária e primaz da Igreja Anglicana Justin Welby; pelo rabino chefe de Roma, Riccardo di Segni, entre outros.
 
Juntos, dirigiram-se ao Claustro de Sisto IV, onde aguardavam representantes de Igrejas e Religiões de todo o mundo, além dos Bispos da Úmbria. Francisco saudou um a um os presentes. Às 13 horas, no refeitório do Sacro Convento, aconteceu um almoço comum, do qual participaram 12 refugiados provenientes de países em guerra, atualmente acolhidos pela Comunidade de Santo Egídio.
 

O encontro com os representantes cristãos na Basílica inferior de São Francisco para a oração ecumênica ocorreu na parte da tarde, quando o papa fez sua meditação sobre as palavras que ressoam ao contemplar Jesus crucificado: “Tenho sede!”. Para o pontífice a sede é, “ainda mais do que a fome, a necessidade extrema do ser humano, mas representa também a sua extrema miséria. Não necessitamos somente de água, mas sobretudo de amor, ‘elemento não menos essencial para se viver’”.
 
Neste momento de encontro foram acesas velas recordando os países passam por guerras.
Ao final do evento, Francisco agradeceu aos representantes das Igrejas, Comunidades cristãs e Religiões pela presença e participação. Ele lembrou que todos se encontravam reunidos em Assis como peregrinos à procura da paz, movidos pelo desejo de testemunhá-la, sobretudo pela necessidade de rezar por ela, “porque a paz é dom de Deus e cabe a nós invoca-la, acolhê-la e construí-la cada dia com a sua ajuda”, frisou.
 
“Sair, pôr-se a caminho, encontrar-se em conjunto, trabalhar pela paz: não são movimentos apenas físicos, mas sobretudo da alma”, acrescentou, “são respostas espirituais concretas para superar os fechamentos, abrindo-se a Deus e aos irmãos. É Deus que no-lo pede, exortando-nos a enfrentar a grande doença do nosso tempo: a indiferença”, disse o papa.
 
Leia o pronunciamento do papa aos representantes cristãos:
 
"À vista de Jesus crucificado, ressoam também para nós as suas palavras: «Tenho sede!» (Jo 19, 28). A sede é, ainda mais do que a fome, a necessidade extrema do ser humano, mas representa também a sua extrema miséria. Assim contemplamos o mistério do Deus Altíssimo, que Se tornou, por misericórdia, miserável entre os homens.
 
De que tem sede o Senhor? Certamente de água, elemento essencial para a vida; mas sobretudo de amor, elemento não menos essencial para se viver. Tem sede de nos dar a água viva do seu amor, mas também de receber o nosso amor. O profeta Jeremias expressou o comprazimento de Deus pelo nosso amor: «Recordo-Me da tua fidelidade no tempo da tua juventude, dos amores do tempo do teu noivado» (Jr 2, 2). Mas deu voz também ao sofrimento divino, quando o homem, ingrato, abandonou o amor, quando – parece dizer também hoje o Senhor – «Me abandonou a Mim, nascente de águas vivas, e construiu cisternas para si, cisternas rotas, que não podem reter as águas» (Jr 2, 13). É o drama do «coração árido», do amor não correspondido; um drama que se renova no Evangelho, quando, à sede de Jesus, o homem responde com vinagre, que é vinho estragado. Como profeticamente lamentou o salmista, «deram-me (…) vinagre, quando tive sede» (Sal 69/68, 22).
 
«O Amor não é amado»: tal era, segundo algumas crónicas, a realidade que turvava São Francisco de Assis. Por amor do Senhor que sofre, não se envergonhava de chorar e lamentar-se em voz alta (cf. Fontes Franciscanas, n. 1413). Esta mesma realidade nos deve estar a peito ao contemplarmos Deus crucificado, sedento de amor. Madre Teresa de Calcutá quis que, nas capelas de cada comunidade, estivesse escrito perto do Crucifixo: «Tenho sede». Apagar a sede de amor de Jesus na cruz, através do serviço aos mais pobres dos pobres, foi a sua resposta. Na verdade, o Senhor é saciado pelo nosso amor compassivo; é consolado quando, em nome d’Ele, nos inclinamos sobre as misérias alheias. No Juízo, chamará «benditos» aqueles que deram de beber a quem tinha sede, aqueles que ofereceram amor concreto a quem estava necessitado: «Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes» (Mt 25, 40).
 
As palavras de Jesus interpelam-nos, pedem acolhimento no coração e resposta com a vida. Na sua exclamação «tenho sede», podemos ouvir a voz dos que sofrem, o grito escondido dos pequenos inocentes a quem é negada a luz deste mundo, a súplica instante dos pobres e dos mais necessitados de paz. Imploram paz as vítimas das guerras que poluem os povos de ódio e a terra de armas; imploram paz os nossos irmãos e irmãs que vivem sob a ameaça dos bombardeamentos ou são forçados a deixar a casa e emigrar para o desconhecido, despojados de tudo. Todos eles são irmãos e irmãs do Crucificado, pequeninos do seu Reino, membros feridos e sedentos da sua carne. Têm sede. Mas, frequentemente, é-lhes dado, como a Jesus, o vinagre amargo da rejeição. Quem os ouve? Quem se preocupa em responder-lhes? Deparam-se muitas vezes com o silêncio ensurdecedor da indiferença, o egoísmo de quem se sente incomodado, a frieza de quem apaga o seu grito de ajuda com mesma facilidade com que muda de canal na televisão.
 
À vista de Cristo crucificado, «poder e sabedoria de Deus» (1 Cor 1, 24), nós, cristãos, somos chamados a contemplar o mistério do Amor não amado e a derramar misericórdia sobre o mundo. Na cruz, árvore de vida, o mal foi transformado em bem; também nós, discípulos do Crucificado, somos chamados a ser «árvores de vida», que absorvem a poluição da indiferença e restituem ao mundo o oxigénio do amor. Do lado de Cristo, na cruz, saiu água, símbolo do Espírito que dá a vida (cf. Jo 19, 34); do mesmo modo saia de nós, seus fiéis, compaixão por todos os sedentos de hoje.
 
Como a Maria ao pé da cruz, conceda-nos o Senhor estar unidos a Ele e próximos de quem sofre. Aproximando-nos de quantos vivem hoje como crucificados e tirando a força de amar do Crucificado Ressuscitado, crescerão ainda mais a harmonia e a comunhão entre nós. «Com efeito, Ele é a nossa paz» (Ef 2, 14), Ele que veio anunciar a paz àqueles que estavam perto e aos que estavam longe (cf. Ef 2, 17). Ele nos guarde a todos no amor e nos congregue na unidade, para nos tornarmos o que Ele deseja: «um só» (Jo 17, 21)".
 
Com informações e foto da Rádio Vaticano
 
 

“O aborto é a violação do direito à vida do nascituro”, afirma dom Cipollini

Artigo do bispo de Santo André (SP) aborda orientações da Igreja sobre legalização do aborto.
 
 
O debate acerca da legalização do aborto voltou à tona nas últimas semanas por conta de uma enquete do portal e-Cidadania do Senado Federal a respeito de uma sugestão para regular a interrupção voluntária da gravidez, dentro das doze primeiras semanas de gestação, pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O bispo de Santo André (SP) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Doutrina da Fé da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Pedro Carlos Cipollini, escreveu um artigo, que foi publicado no site da entidade, com a orientação da Igreja aos católicos.
 
“A orientação da Igreja é a favor da vida. Há valores que não se podem desprezar sob pena de se pagar um preço alto”, afirmou o bispo, que lembrou o mandamento de não matar. “Se a vontade do povo, o capricho de alguns, o interesse de poucos, constituísse o direito, poderíamos então criar o direito ao roubo, latrocínio, etc. Aqui é preciso considerar que a luz de milhões de velas não corresponde à luz de um único sol”, refletiu.
 
A proposta apresentada no portal legislativo que permite a apresentação de ideias e a votação sobre as matérias por parte dos internautas já alcançou mais de 358 mil votos desde setembro de 2014, quando foi aberta – até o fim daquele ano, quando a sugestão foi encaminhada para a Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado e começou a tramitar, foram contabilizados pouco mais de 20 mil votos.
 
Dom Cipollini afirma que o real objetivo da proposta é legalizar o aborto, mas que isso não é possível. “O direito à vida é uma cláusula pétrea da constituição (Art. 5). O aborto é a violação do direito à vida do nascituro”, sustenta. O bispo ainda lembra que as campanhas em favor do aborto reduzem a questão somente ao aspecto da saúde. “Estão de costas para o povo, com a falácia de que defendem o próprio povo. A democracia supõe o direito à dignidade da pessoa humana. A pedra fundamental da dignidade humana é o direito à vida, sua defesa principalmente onde se encontra ameaçada, e justo ali onde não tem como se defender”, completa.

Descarte

No artigo, dom Cipollini questiona o porquê de as soluções dos problemas sociais terem de passar sempre pela morte dos mais fracos e não pela promoção da vida e por que não usar a mesma diligência para promover leis que favoreçam a educação, saneamento básico e uma justa distribuição de renda, reafirmando um questionamento do papa Francisco a respeito.
 
“Não parece factível um caminho educativo para acolher os seres frágeis que nos rodeiam, que de repente nos atrapalham e são inoportunos, se não protegemos um embrião humano, embora sua chegada nos ocasione desconfortos e dificuldades”, disse Francisco em junho de 2015. “Em vez de resolver os problemas dos pobres e de pensar num mundo diferente, algumas pessoas propõem a redução da natalidade”, lamentou o pontífice naquela ocasião.
 
O artigo de dom Cipollini segue a mesma linha de reflexão, quando aponta para a ação de grupos de países ricos, cientistas e estudiosos motivados por instituições interessadas na diminuição da população pobre. 
 

Nota da CNBB sobre ação no STF que inclui a questão do aborto


O Conselho Pastoral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) emitiu nesta quarta-feira, 21 de setembro de 2016, Nota Oficial para manifestar a posição do episcopado com relação a Ação Direta de Inconstitucionalidade-ADI 5581 que tramita no Supremo Tribunal Federal-STF. Essa ADI questiona a lei 13.301/2016 que trata da adoção de medidas de vigilância em saúde, relativas ao vírus da dengue, chikungunya e zika.

Os bispos concordam que é urgente “que o Governo implemente políticas públicas para enfrentar efetivamente o vírus da zika, como, por exemplo, um eficiente diagnóstico e acompanhamento na rede pública de saúde”. No entanto, consideram estranho e indigno que se introduza nesse contexto da ADI a questão do aborto: “É uma incoerência que ela defenda os direitos da criança afetada pela síndrome congênita e, ao mesmo tempo, elimine seu direito de nascer”.
 
Intitulada "Em defesa da integridade da vida", a Nota da CNBB destaca a posição tradicional da Igreja sobre o aborto e traz uma denúncia sobre os interesses de grupos que que se aproveitam para colocar a questão do aborto no contexto do debate da ADI: “Repudiamos o aborto e quaisquer iniciativas que atentam contra a vida, particularmente, as que se aproveitam das situações de fragilidade que atingem as famílias. São atitudes que utilizam os mais vulneráveis para colocar em prática interesses de grupos que mostram desprezo pela integridade da vida humana”.
 
Os membros do Conselho apontaram para o exemplo das paralimpíadas: “As paralimpíadas trouxeram uma lição a ser assimilada por todos. O sentimento humano que brota da realidade dos atletas paralímpicos, particularmente das crianças que participaram das cerimônias festivas, nasce da certeza de que a humanidade se revela ainda mais na fragilidade”.  E os bispos concluem pedindo para que as comunidades cristãs ofereçam acolhimento e apoio às vítimas da microcefalia: “Solidarizamo-nos com as famílias que convivem com a realidade da microcefalia e pedimos às nossas comunidades que lhes ofereçam acolhida e apoio”.
 
 
Leia a nota na íntegra:
 
 

NOTA DA CNBB EM DEFESA DA INTEGRIDADE DA VIDA

“ Escolhe, pois, a vida, para que vivas. ” (Dt 30,19b)

O Conselho Episcopal Pastoral – CONSEP, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, reunido em Brasília-DF, nos dias 20 e 21 de setembro de 2016, vem manifestar sua posição com relação a Ação Direta de Inconstitucionalidade-ADI 5581 que tramita no Supremo Tribunal Federal-STF. Essa ADI questiona a lei 13.301/2016 que trata da adoção de medidas de vigilância em saúde, relativas ao vírus da dengue, chikungunya e zika.
 
Urge, de fato, como pede a ADI, que o Governo implemente políticas públicas para enfrentar efetivamente o vírus da zika, como, por exemplo, um eficiente diagnóstico e acompanhamento na rede pública de saúde. Além disso, seja estendido por toda a vida o benefício para criança com microcefalia e não por apenas três anos, como estabelece o artigo 18 da lei 13.301/2016. Ao contrário do que prevê o parágrafo segundo desse artigo, o benefício seja concedido imediatamente ao nascimento da criança e não após a cessação do salário maternidade.
 
Causa-nos estranheza e indignação a introdução do aborto na ADI. É uma incoerência que ela defenda os direitos da criança afetada pela síndrome congênita e, ao mesmo tempo, elimine seu direito de nascer. Nenhuma deficiência, por mais grave que seja, diminui o valor e a dignidade da vida humana e justifica o aborto. “Merecem grande admiração as famílias que enfrentam com amor a difícil prova de um filho com deficiência. Elas dão à Igreja e à sociedade um precioso testemunho de fidelidade ao dom da vida” (Papa Francisco, Amoris Laetitia, 47).
 
Repudiamos o aborto e quaisquer iniciativas que atentam contra a vida, particularmente, as que se aproveitam das situações de fragilidade que atingem as famílias. São atitudes que utilizam os mais vulneráveis para colocar em prática interesses de grupos que mostram desprezo pela integridade da vida humana.
 
As paralimpíadas trouxeram uma lição a ser assimilada por todos. O sentimento humano que brota da realidade dos atletas paralímpicos, particularmente das crianças que participaram das cerimônias festivas, nasce da certeza de que a humanidade se revela ainda mais na fragilidade.
Solidarizamo-nos com as famílias que convivem com a realidade da microcefalia e pedimos às nossas comunidades que lhes ofereçam acolhida e apoio. Rogamos a proteção de Nossa Senhora, Mãe de Jesus, para todos os brasileiros e brasileiras.
 
Dom Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília
Presidente da CNBB
 
Dom Murilo Sebastião Ramos KriegerArcebispo de São Salvador da Bahia
Vice-Presidente da CNBB
 
Dom Leonardo Ulrich SteinerBispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBB