sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Como enfrentar o fundamentalismo

Atualmente em todo mundo, se verifica um aumento crescente do conservadorismo e de fenômenos fundamentalistas que se expressam pela homofobia, xenofobia, anti-feminismo, racismo e toda sorte de discriminações.
 
O fundamentalista está convencido de que a sua verdade é a única e que todos os demais ou são desviantes ou fora da verdade. Isso é recorrente nos programas televisivos das várias igrejas pentecostais, incluindo setores da Igreja Católica. Mas também no pensamento único de setores politicos. Pensam que só a verdade tem direito, a deles. O erro deve ser combatido. Eis a origem dos conflitos religosos e politicos. O fascimo começa com esse modo fechado de ver as coisas.
 
Como vamos enfrentar esse tipo de radicalismo? Além de muitas outras formas, creio que uma delas consiste no resgate do conceito bom do relativismo, palavra que muitos nem querem ouvir. Mas nele há muita verdade.
 
Ele deve ser pensado em duas direções: Em primeiro lugar, o relativo quer expressar o fato de que todos estão de alguma forma relacionados. Na esteira da física quântica, insiste a encíclica do Papa Francisco “sobre como cuidar da Casa Comum”:“tudo está intimamente relacionad; todas as criaturas existem na dependência uma das outras”(n.137;86). Por esta inter-relação todos são portadores da mesma humanidade. Somos uma espécie entre tantas, uma família.
 
Em segundo lugar, importa compreender que cada um é diferente e possui um valor em si mesmo. Mas está sempre em relação com outros e seus modos de ser. Dai ser importante relativizar todos os modos de ser; nenhum deles é absoluto a ponto de invalidar os demais; impõe-se também a atitude de respeito e de acolhida da diferença porque, pelo simples fato de estar-aí, goza de direito de existir e de co-existir
 
Quer dizer, nosso modo de ser, de habitar o mundo, de pensar, de valorar e de comer não é absoluto. Há mil outras formas diferentes de sermos humanos, desde a forma dos esquimós siberianos, passando pelos yanomamis do Brasil, até chegarmos aos moradores das comunidades da periferia e aos moradores de sofisticados Alphavilles, onde moram as elites opulentas e amedrontadas. O mesmo vale para as diferenças de cultura, de língua, de religião, de ética e de lazer.
 
Devemos alargar a compreensão do humano para além de nossa concretização. Vivemos na fase da geo-sociedade, socidade mundial, una, múltipla e diferente.
 
Todas estas manifestações humanas são portadoras de valor e de verdade. Mas são um valor e uma verdade relativos, vale dizer, relacionados uns aos outros, inter-relacionados, sendo que nenhum deles, tomado em si, é absoluto.
 
Então não há verdade absoluta? Vale o “everything goes” de alguns pós-modernos? Traduzindo: “vale tudo”? Não há o vale tudo. Tudo vale na medida em que mantem relação com os outros, respeitando-os em sua diferença e não prejudicando-os.
 
Cada um é portador de verdade mas ninguém pode ter o monopólio dela, nem uma religião, nem uma filosofia, nem um partido politico,nem uma ciência. Todos, de alguma forma, participam da verdade. Mas podem crescer para uma compreensão mais plena da verdade, na medida em que se relacionam.
Bem dizia o poeta espanhol António Machado: “Não a tua verdade. A verdade. Vem comigo buscá-la. A tua, guarde-a”. Se a buscarmos juntos, no diálogo e na recíproca relacionalidade, então mais e mais desaparece a minha verdade para dar lugar à nossa Verdade, comungada por todos.
 
A ilusão do Ocidente, dos USA e da Europa, é de imaginarem que a única janela que dá acesso à verdade, à religião verdadeira, à autêntica cultura e ao saber crítico é o seu modo de ver e de viver. As demais janelas apenas mostram paisagens distorcidas.
 
Pensando assim, se condenam a um fundamentalismo visceral que os fez, outrora, organizar massacres ao impor a sua religião na América Latina e na Áfica e, hoje, fazendo guerras com grande mortandade de civis, para impor a democracia no Iraque, no Afeganistão, na Síria e em todo o Norte da África. Aqui se dá também o fundamentalismo, de tipo occidental.
 
Devemos fazer o bom uso do relativismo, inspirados, por exemplo, na culinária. Há uma só culinária, a que prepara os alimentos humanos. Mas ela se concretiza em muitas formas e as várias cozinhas: a mineira, a nordestina, a japonesa, a chinesa, a mexicana e outras.
 
Ninguém pode dizer que só uma é a verdadeira e gostosa, por exemplo, a mineira ou a francesa, e as outras não. Todas são gostosas do seu jeito e todas mostram a extraordinária versatilidade da arte culinária.
 
Por que com a verdade deveria ser diferente? A base do fundamentalismo é essa arrogância que de que o seu modo de ser, sua ideia, a sua religião e a sua forma de governo é a melhor e a única válida no mundo.
 
Leonardo Boff é filósofo,teólogo, professor emérito de Etica da UERJ e escritor.
 
 

Congresso Eucarístico de Belém: Celebração da Igreja

Cardeal Odilo Pedro Scherer
Arcebispo de São Paulo (SP)

  
No domingo, 21 de agosto, após a Missa na praça da basílica de nossa Senhora de Nazaré, foi encerrado o 17º Congresso Eucarístico Nacional de Belém; ato final foi uma majestosa procissão pelas ruas da cidade, até à frente da Catedral “Nossa Senhora da Graça”, junto do Forte do Presépio, onde nasceu Belém. “Aqui esta cidade volta hoje às suas origens, onde há 400 anos ela foi fundada, para renovar o seu pacto com Cristo”, proclamou Dom Alberto Taveira Corrêa, arcebispo de Belém.
 
A celebração do Congresso encheu uma semana inteira, tendo no seu centro a Eucaristia. A partir do tema – “Eucaristia e partilha na Amazônia missionária” – foi realizada uma extensa programação, com celebrações diárias, na Catedral de Belém envolvendo os diversos componentes do povo de Deus: leigos e suas organizações, religiosos e demais consagrados, os sacerdotes, os diáconos e bispos. Mas também foram destacados os próprios “bens da Igreja”, que são a Palavra de Deus, a Eucaristia, a Confissão e os demais sacramentos e a missão da Igreja; houve até primeira comunhão de crianças, numa envolvente celebração no estádio.
 
O Congresso Eucarístico, de fato, transcorreu como um verdadeiro Congresso eclesial, confirmando que “a Eucaristia faz a Igreja”. Enquanto “Congresso eclesial”, em torno da Eucaristia, não podia faltar a dimensão da caridade e da misericórdia. Após uma missa na Sé de Belém presidida pelo Legado Pontifício para o Congresso, o Cardeal Dom Cláudio Hummes, com a participação do pobres e moradores de rua, houve um almoço comunitário com eles. A partilha fraterna e a misericórdia foram sempre lembradas, como dimensões imprescindíveis da vida cristã e eclesial; houve um dia dedicado às confissões em todas as paróquias de Belém. Bispos e padres participantes do Congresso atenderam às confissões e também se confessaram. 
 
A dimensão missionária do Igreja esteve no centro do Congresso. Enquanto eram recordados os 400 anos do início da evangelização da Amazônia, foi também evidenciada a urgência da ação missionária no imenso território amazônico; a partilha eclesial e missionária de pessoas e de recursos materiais é inseparável da Eucaristia. As dioceses e prelazias da Amazônia dependem muito dessa partilha na realização de sua missão. 
 
Nos simpósios teológicos, bem frequentados, foi feita a reflexão sobre diversos aspectos da Liturgia e da vida eucarística da Igreja. Jornadas pastorais, que envolveram os participantes do Congresso nas 6 Regiões Episcopais da Arquidiocese, trataram de temas como a catequese e a evangelização, a caridade, o serviço aos doentes, a família, os jovens. Houve uma vigília eucarística em todas as paróquias.
 
Mas na Igreja nunca falta Maria, a Mãe de Jesus e de seus discípulos. Em Belém, é muito grande a devoção a Nossa Senhora de Nazaré e a procissão do “Círio de Nazaré”, que se faz todos os anos em sua homenagem, em outubro, é um dos maiores eventos religiosos do Brasil. Maria foi recordada com “mulher eucarística”, que viveu a “comunhão” com Jesus de maneira única; ela ensina toda a Igreja a viver conforme a vontade de Deus. É também ela a primeira missionária, que mostrou e continua mostrando ao mundo o seu filho, Jesus, convidando-nos a fazer tudo o que ele ordenou.
 
E não podiam faltar a partilha fraterna e a hospitalidade. São Paulo já recomendava a hospitalidade aos cristãos da Igreja primitiva e o povo das paróquias de Belém foi acolhedor e hospitaleiro para com os peregrinos. Belém também tem muito a mostrar para os hóspedes; além do mercado do “Ver-o-Peso”, com os produtos típicos da Amazônia, há muita história, belas igrejas e museus, com arte apreciável. 
 
O Congresso Eucarístico de Belém foi um verdadeiro Congresso eclesial, mostrando a riqueza e a diversidade da vida da Igreja e o envolvimento dos seus membros na vida das comunidades locais. Foi uma grande “semeadura”, assim como é toda obra evangelizadora da Igreja. Os frutos virão a seu tempo.
Publicado em O SÃO PAULO, de 24 08 2016

“Misericórdia na Família: Dom e Missão” é o tema da Semana Nacional da Família 2016

 
Com o tema “Misericórdia na Família: Dom e Missão”, a Semana Nacional da Família começou a ser celebrada em todas as paróquias e dioceses do Brasil. A iniciativa proposta pela Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) vai até o próximo domingo, 21 de agosto, e pretende ajudar as famílias a vivenciarem a espiritualidade.

Sobre a temática escolhida para celebrar a Semana este ano, o assessor da Comissão para a Vida e a Família da CNBB, padre Jorge Filho explica que o intuito é refletir e trazer o tema para vivência familiar. “Nós celebramos esta Semana Nacional da Família com este tema importante, lembrando que estamos vivenciando, com toda a Igreja, o Ano Jubilar da Misericórdia”, enfatizou.
 
É também por ocasião do Ano Santo da Misericórdia, proclamado pelo papa Francisco, que a Semana Nacional da Família ganha um sentido ainda maior, especialmente, porque convida as famílias a serem misericordiosas em suas relações.  “Nós estamos vivenciando essa beleza que é o Ano da Misericórdia, no qual a Igreja está sendo convidada a redescobrir a misericórdia de Deus para a vida dos homens e anunciar essa misericórdia”, sublinhou.
 
A Semana Nacional da Família também está em sintonia com a Exortação Apostólica Pós-Sinodal Amoris Laetitia, lançada este ano pelo papa Francisco. “Recebemos do papa esta Exortação Apostólica que fala do amor na família, então seria o grande momento de refletirmos sobre Amoris Laetitia dentro do Ano da Misericórdia e entendemos que a família precisa realmente deste apoio, deste empenho da Igreja para que ela possa tornar-se cada vez mais um instrumento também de evangelização para a nossa sociedade”, destacou o assessor.

“Hora da Família 2016”

Para as celebrações da Semana, a Comissão para a Vida e a Família da CNBB e a Pastoral Familiar (CNPF) oferecem o subsídio “Hora da Família 2016”. O material apresenta reflexões sobre temas familiares e roteiros de orações e cantos.
 
De acordo com o padre Jorge Filho, o subsidio é um instrumento pedagógico para a vivência da Semana da Família. “Nós damos essa possibilidade de refletir a partir do Hora da Família, mas também claro cada diocese na sua realidade, cada instância na sua realidade vai saber criar momentos importantes de reflexão dentro dessa Semana Nacional da Família”, afirmou.
 
O subsídio “Hora da Família” é distribuído pela Secretaria Executiva Nacional da Pastoral Familiar – Secren. Encomendas podem ser feitas pelo telefone (61) 3443-2900 ou pelo e-mail vendas@cnpf.org . O material também é distribuído pelos casais coordenadores e agentes da Pastoral Familiar nos regionais e dioceses. 
 

Para além do pão e circo: as esquerdas e as Olimpíadas

Por Josué Medeiros
 
Torcedores do Brasil durante a estreia da seleção de handebol: a festa não esconde os problemas reais
 
Com o fim dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, o saldo que fica não é só das medalhas e recordes, dos dramas e superações protagonizados pelos atletas. As Olimpíadas causam sempre um impacto político complexo e não evidente, de difícil processamento para as esquerdas. A rejeição inicial ao megaevento não se sustenta quando começam as competições.
 
A disposição de boicotar as transmissões, de não se importar com as modalidades, desaparece, em geral, logo na festa de abertura. Seria uma contradição? Ou pior, hipocrisia? Seria errado, então, vibrar com as vitórias, se abater com as derrotas? Seguramente que não. Não é porque nos deixamos levar pelos Jogos que abrimos mãos dos nossos valores.
 
Nos envolvemos, nos emocionamos, comemoramos, torcemos e vaiamos, sem abandonar nossas posições críticas. Os pódios e cronômetros, as réguas e os placares não anulam nossa certeza de que o capital captura o esporte e tampouco cancelam nosso conhecimento de que poucos estão lucrando.
As manifestações culturais e simbólicas no capitalismo vão muito além da clássica fórmula do “pão e circo”. Sem dúvida que, em uma sociedade de classes, um acontecimento dessa monta “serve” aos propósitos da classe dominante. Isso, contudo, é apenas o ponto de partida. Não pode ser, jamais, o ponto de chegada.
 
Gramsci nos ensinou que a hegemonia da classe dirigente é fruto de um processo político e social múltiplo e diverso, com várias camadas e mediações e que conjuga as dimensões do consenso e da coerção.
 
Nesse emaranhado de valores e concepções de mundo que – difusa ou organizadamente – agem na sociedade, é importante reter do olhar gramsciano a possibilidade, mais ou menos aberta a depender da situação histórica e conjuntural, que os dominados têm de produzir fissuras no projeto de poder, de avançar com suas lutas e projetos em contextos e experiências que, a princípio, reforçam a dominação e a exploração. Novos consensos podem se desenvolver, contra a vontade das elites.
 
É na chave da disputa de hegemonia que as Olimpíadas impactam as esquerdas. Se os resultados dos Jogos são (salvo exceções) incontestáveis, as consequências políticas são, quase sempre, imprevistas, raramente são unilaterais para caber em fórmulas prontas e muitas vezes mudam com o tempo.
 
Existe uma dimensão geopolítica dos Jogos Olímpicos que atravessa sua história. Hitler utilizou as Olimpíadas de 1936 em Berlim – cuja candidatura foi definida em 1931, antes da ascensão do nazismo – para fazer uma poderosa propaganda das ideias acerca da suposta superioridade da “raça” ariana e também de afirmação da estética nazista.
 
O ditador alemão foi em parte exitoso, pois viu seu país liderar o quadro de medalhas daquele ano, mas foi frustrado no atletismo – modalidade esportiva mais importante dos Jogos – com as memoráveis vitórias de Jesse Owens, atleta negro dos Estados Unidos.
 
Outro momento geopolítico foi o atravessamento das Olimpíadas pela Guerra Fria. A União Soviética foi sede dos Jogos de 1980, e sofreu com um boicote de países do bloco capitalista. A revanche veio em 1984, quando a sede foi nos EUA, com o boicote do campo comunista. Na época, o impacto simbólico dos Jogos de Moscou foi infinitamente maior que aquele de Los Angeles, e não só graças ao choro do mascote Misha contra o boicote.
 
No final dos anos 1970 havia um enorme otimismo quanto ao destino dos países comunistas, e as Olimpíadas ajudaram a alimentar esse sentimento. Hoje sabemos que o sucesso daquele evento se assemelha mais a um último brilho de uma estrela em extinção.
 
As Olimpíadas do Rio de Janeiro carregaram sentidos geopolíticos diversos. A conquista brasileira para sediar os Jogos marcou a consolidação de uma nova configuração política na América do Sul. Em 2009 o ciclo de governos progressistas (Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Equador, Paraguai, Uruguai, Venezuela) estava no auge. Mesmo com contradições e impasses importantes, pela primeira vez na história da região combinavam-se processos de democracia política, crescimento econômico e diminuição da desigualdade.
 
O Brasil era o principal expoente desse processo. O ciclo progressista impactou a ordem mundial e abriu um campo de possibilidades para novas relações internacionais: O multilateralismo passou a lidar com um protagonismo inédito dos países em desenvolvimento, novas alianças e blocos se formaram (BRICS, IBAS, Unasul). Tal processo culminou em 2009 (uma semana antes do Rio ser escolhido sede da Olimpíadas) com a substituição do G-8 pelo G-20 como principal articulação política internacional.
 
As Olimpíadas do Rio poderiam ser a celebração dessa nova geopolítica. Não obstante, seu impacto no contexto internacional é justamente o oposto. A América do Sul vive hoje uma dramática reversão do ciclo progressista, com uma contraofensiva neoliberal que ameaça não só os direitos sociais, mas ataca os fundamentos mais básicos da democracia representativa.
 
Na Argentina, o presidente Macri anulou por decreto leis que haviam sido aprovadas por maiorias incontestáveis no parlamento, como a legislação que democratiza os meios de comunicação; na Venezuela a oposição ao chavismo alimenta um clima de guerra civil; no Paraguai e no Brasil presidentes eleitos foram depostos por golpes de estados articulados pelas maiorias parlamentares conservadoras em associação com o Poder Judiciário e as elites empresariais.
 
Para as esquerdas sul-americanas, os Jogos marcam um momento de crise sem precedentes. A cidadania ativa brasileira sentiu em especial esse sabor amargo. Após meses de luta em defesa da soberania popular, o que se vê é o governo golpista usando as Olimpíadas para normalizar a situação política.
 
Mais grave é que a própria forma como o megaevento foi organizado é reveladora dos limites e contradições dos governos do PT, que fechou os olhos ao custo social e ambiental altíssimo dos Jogos: milhares de pessoas perderam suas casas e foram removidas em processos autoritários; áreas de proteção ambiental foram degradadas e privatizadas; o legado em infraestrutura será apropriado por poucos, na medida em que a rede de metrô não foi ampliada, a de trem não foi modernizada e que a baía de Guanabara segue poluída.
 
O pior é que, em nome da segurança dos atletas e turistas, a presidenta Dilma enviou ao Congresso uma absurda lei antiterrorismo, que agora será usada contra os movimentos sociais pelo governo golpista.
 
Para além do aspecto geopolítico, as Olimpíadas têm também um resultado político mais etéreo, menos mensurável, e nem por isso menos importante. Os Jogos também são momentos de reafirmação de novos consensos na medida em que reforçam certos valores e experiências, e que amplificam a visibilidade de certas pautas e lutas.
 
A luta contra o racismo sempre se fez presente nas Olimpíadas. Jesse Owens fez da sua vitória em Berlim um fator de mobilização contra o brutal racismo que prevalecia na sociedade estadunidense. Trinta e dois anos depois, em 1968, na Cidade do México, dois corredores negros dos EUA, Tommie Smith e John Carlos, foram além de Owens e denunciaram o racismo ao receberem suas medalhas de ouro e bronze, eternizando o momento com o imortal gesto dos Panteras Negras. Por conta disso tiveram suas medalhas cassadas e foram expulsos dos Jogos. Em 1976 um conjunto de nações africanas boicotou as Olimpíadas de Montreal em protesto contra o bárbaro Apartheid na África do Sul.
 
No Brasil não seria diferente, e embora a repercussão não tenha sido internacional, foi significativo que a primeira medalha de ouro que o país conquistou tenha sido com Rafaela Silva, uma atleta negra, moradora de uma favela carioca e que sofreu ataques racistas em 2012, nos Jogos de Londres, quando foi desclassificada.
 
Ademais, foram as Olimpíadas mais gays da história, com o maior número de atletas assumidos. Essa marca esteve presente na abertura dos Jogos, com a transexual Lea T puxando a delegação brasileira. O diretor da cerimônia, Fernando Meirelles, declarou antes da festa que o deputado fascista Jair Bolsonaro e o candidato republicano não aprovariam a exibição, cujo conteúdo exaltou os povos indígenas, os negros e as mulheres.  
 
Na maioria do povo brasileiro, o sentimento ao final das Olimpíadas é de satisfação, uma saudade e uma vontade que durasse mais. O mesmo vale para as esquerdas, ainda aturdidas com a consolidação do golpe, e que tiveram nos Jogos um momento de recarregar as baterias para retomar a luta contra o neoliberalismo e em defesa da constituição e da soberania. Enfim, primeiramente, fora Temer
 
*Josué Medeiros é professor de Ciência Política e membro do Grupo de Reflexão sobre Relações Internacionais/GR-RI.
 

A Missa e seu significado

 
“Pegando o cálice, deu graças e disse: 'Tomai este cálice e distribuí-o entre vós (...) Tomou em seguida o pão e depois de ter dado graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: 'Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim'. Do mesmo modo tomou também o cálice, depois de cear, dizendo: "Este cálice é a nova aliança em meu sangue, que é derramado por vós...".

(Lc 22, 17-20)

Nessa ocasião Jesus celebrou a primeira missa. É importante notar que o Senhor pede que o cálice seja distribuído entre todos; é a partilha, a comunhão entre os presentes. Depois, Jesus diz “isto é”. Ele não disse isto representa ou significa, mas disse bem claramente “é”. Neste momento, no mundo inteiro é celebrada uma missa onde o pão é transformado no Corpo de Cristo e o vinho transformado em Seu Sangue, pelo poder do Espírito Santo.

O grande milagre
A Missa é a maior, a mais completa e a mais poderosa oração da qual dispõe o católico.

Entretanto, se não conhecemos o seu valor e significado e repetimos as orações de maneira mecânica, não usufruiremos os imensos benefícios que a missa traz.

Lembremo-nos, antes de qualquer coisa, de que somos convidados especiais. Jesus convida a cada um de nós em particular para esta festa. Preparemo-nos, portanto, de um modo muito mais cuidadoso do que para qualquer outra festa, porque nesse caso o anfitrião é Deus em pessoa.

Ao entrar na Igreja, saibamos dar valor à graça de Deus que nos trouxe ao momento presente, abrindo nosso coração na certeza de que Deus nos ama. Ao entrar, é também importante persignar-se com água benta, pois essa é uma maneira de recordarmos o nosso Batismo e invocar a proteção e a bênção do Senhor.

A Missa é para todos, mas a maneira de cada um participar pode ser diferente. Depende da fé que as pessoas têm. Existe quem vem à Missa para fazer pedidos a Deus, outros apenas para cumprir uma obrigação e outros com alegria e fé, para louvar e bendizer a Deus. E você porque veio à Missa? (pausa)

Reflitamos um pouco mais sobre a forma de como cada um participa da Missa lendo a seguinte história:

Numa certa cidade, uma bela catedral estava sendo construída. Ela era inteiramente feita de pedras, e centenas de operários moviam-se por todos os lados para levantá-la. Um dia, um visitante ilustre passou para visitar a grande construção. O visitante observou como aqueles trabalhadores passavam, um após o outro, carregando pesadas pedras, e resolveu entrevistar três deles. A pergunta foi a mesma para todos.

- O que você está fazendo?

- Carregando pedras, disse o primeiro.
- Defendendo meu pão, respondeu o segundo.

Mas o terceiro respondeu:

- Estou construindo uma catedral, onde muitos louvarão a Deus, e onde meus filhos aprenderão o caminho do céu.

Essa história relata que apesar de todos estarem realizando a mesma tarefa, porém a maneira de cada um realizar é diferente. Assim igualmente acontece com a Missa. Ela é a mesma para todos, contudo a maneira de participar é diferente, dependendo da fé e do interesse de cada um:

- Existem os que vão para cumprir um preceito;

- Há os que vão à Missa para fazer seus pedidos e orações;

- E há aqueles que vão à Missa para louvar a Deus em comunhão com seus irmãos.

MAS PORQUE IR À IGREJA?

O individualismo não tem lugar no Evangelho, pois a Palavra de Deus nos ensina a viver fraternalmente. O próprio céu é visto como uma multidão em festa e não como indivíduos isolados. A Igreja é o povo de Deus. Com ela Jesus fez a Nova e Eterna Aliança no seu Sangue. A palavra Igreja significa Assembléia. É um povo reunido na fé, no amor e na esperança pelo chamado de Jesus Cristo.

A Missa foi sempre o centro da comunidade e o sinal da unidade, pois é celebrada por aqueles que receberam o mesmo batismo, vivem a mesma fé e se alimentam do mesmo Pão. Todos os fiéis formam um só "corpo". São Paulo disse aos cristãos: "Agora não há mais judeus nem grego, nem escravo, nem livre, nem homem, nem mulher. Pois todos vós sois UM SÓ em Cristo Jesus" (Gl 3,28).
 

Amatrice, uma cidade devastada

Mortos são ​​envoltos em lençóis de algodão e carregados por bombeiros pelas ruas devastadas
 
As equipes de resgate no povoado de Amatrice correm contra o tempo. "Há ainda chance, porque às vezes soterrados conseguem sobreviver dois ou três dias", diz um dos integrantes da equipe de resgate, que veio com seu cão de busca de Bolonha até a região do terremoto, que já deixou mais de 240 mortos. Os cães farejam se há pessoas ainda embaixo das casas destruídas pelo tremor, de magnitude 6,2, ocorrido na madrugada de terça para quarta 24.
 
Bombeiros escalam com cuidado os destroços. O líder da operação usa um apito e grita exigindo silêncio. Em seguida, toda a área fica quieta. Todas as máquinas são paralisadas. Nenhuma palavra pode ser falada. Jornalistas têm de interromper as suas transmissões.
 
Se mesmo assim alguém continua a falar, os moradores reclamam com xingamentos até que, finalmente, todos fiquem em silêncio. As equipes de busca esperam ouvir sinais ou pedidos de ajuda vindos de dentro dos entulhos. O líder do grupo de busca grita às vezes na direção dos escombros. "Se você está vivo, bata em alguma coisa, dê um sinal, grite, para que possamos te ouvir."
 
Desta vez não há sucesso, mas as equipes de resgate conseguem retirar algumas pessoas vivas dos escombros. Quando elas são encontradas, têm que suportar muitas vezes algumas horas, até a remoção de todas as vigas de madeira, tijolos e blocos de concreto – sem que o resto do edifício desabe, e as pessoas localizadas sejam ainda mais soterradas. De repente a terra treme.
 
Os restos da fachada de um mosteiro balançam ameaçadoramente, embora sejam apoiados por uma escavadeira. As equipes de busca saem o mais rapidamente possível da área dos escombros. Nas ruas do entorno, passantes, policiais, soldados e jornalistas correm em todas as direções. Mas não dá para fugir das réplicas, que levam apenas um par de segundos.
 
A terra treme em todos os lugares de Amatrice. A fachada do mosteiro permanece de pé. Durante os tremores principais, os andares da velha ruína desabaram como um castelo de cartas. Sete freiras devem estar sob os escombros.
 
Os ajudantes rompem com uma pequena retroescavadeira as paredes e janelas da sala ainda parcialmente intacta para tentar encontrar as mulheres. Os trabalhos ocorrem madrugada adentro, embora seja extremamente difícil e perigoso para os socorristas trabalhar no escuro.
 
Não há postes de luz acesos. Nenhuma das casas de Amatrice tem luz. O fornecimento de energia foi interrompido. Apenas o corpo de bombeiros tem geradores e carros de luz para a iluminação, que são usados nos lugares onde a busca ainda é possível, onde talvez haja sinais de sobreviventes.
 
Breve visita de Renzi
 
No antigo jardim do convento, uma sobrevivente de Amatrice observa o trabalho silencioso das equipes de resgate. Ela reza e, em seguida, leva as mãos à boca. Ela tem esperança, mas também diz: "Por que Deus faz isso­ com a gente?" O padre de Amatrice, que era conhecida por suas belas igrejas, também está atordoado. "Eu não consigo dizer nada." Ele pede só que sua comunidade encontre a força para continuar vivendo, de alguma forma.
 
O primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, promete ajuda, assistência aos sem-teto e à possível reconstrução. Ele chega de helicóptero e cumprimenta paramédicos e bombeiros com um tapa nos ombros. Ele agradece a eles por seus esforços e promete assistência financeira rápida para as localidades atingidas pelo terremoto. "Toda a Itália deve permanecer unida agora." Depois de alguns minutos, se vai.
 
Na vizinha L'Aquila pessoas estão há anos à espera da prometida ajuda estatal, após o devastador terremoto que a localidade enfrentou. "As pessoas lá ainda vivem em contêineres", diz um fotógrafo italiano que trabalha para revistas australianas. "Até que isso aqui fique de pé novamente, vão se passar anos, ou mesmo décadas."
 
A ajuda vai chegando vinda de toda a Itália (Foto: Marco Zeppetella/AFP)
 
Infraestrutura destruída
 
A estrada de acesso a Amatrice afundou com o terremoto. Em um ponto, o asfalto paira no ar sobre o precipício. Os trabalhadores das equipes de resgate têm que passar em fila indiana pelo lugar. Corajosos operadores de escavadeiras cruzam com seus veículos pesados através da passagem estreita. Ninguém sabe quanto tempo ela ainda suportará. O hospital de Amatrice também fica nessa estrada, e também foi fortemente danificado.
 
A Cruz Vermelha e os funcionários do hospital montaram um hospital de campanha ao ar livre no estacionamento do hospital. De tempos em tempos, as equipes de salvamento trazem um paciente. Mas isso ocorre raramente.
 
Muitas vezes, só mortos ainda são retirados dos escombros. Entre as vítimas estão relativamente muitas crianças, porque passavam férias em Amatrice, considerada um dos mais belos vilarejos da Itália.
 
Mortos são ​​envoltos em lençóis de algodão e carregados por bombeiros pelas ruas devastadas. Na frente, um homem corre e pede às pessoas que façam um corredor de emergência. Dezenas de cinegrafistas tentam filmar a cena.
 
Os moradores de Amatrice acompanham esse espetáculo lutando para se conter. Algumas meninas estão sentadas em frente dos escombros de sua casa. Elas parecem olhar no vazio, são cobertas com poeira. Muitas pessoas cavam com as próprias mãos, procurando desaparecidos.
 
A ajuda vai chegando vinda de toda a Itália. As estradas de acesso estão entupidas com caminhões, ambulâncias e veículos da polícia. O tráfego é caótico. Os membros das equipes de resgate também têm que ter onde se acomodar. Eles constroem seus acampamentos para poderem dormir e comer. Também foi construído um acampamento para os sem-teto.
 
No rádio, são feitos apelos para que aqueles que ainda têm um quarto vazio concedam abrigo para uma vítima do terremoto. Nas cidades vizinhas, pessoas doam sangue. Mesmo em Roma, há pontos de recolha para doações de mantimentos.
Por Bernd Riegert
 

Quais foram as sete últimas palavras de Jesus Cristo na cruz e o que significam?

Encontre a seguir as sete declarações que Jesus Cristo fez na cruz (não em uma ordem particular):


 (1) Mateus 27:46 nos diz que perto da hora nona exclamou Jesus em alta voz, dizendo: “Eli, Eli, lamá sabactâni; isto é, Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” Aqui Jesus estava expressando seus sentimentos de abandono por Deus ter colocado os pecados do mundo sobre Ele - e por causa disso, Deus teve que se "virar" contra Jesus. Quando Jesus estava sentindo o peso do pecado, Ele estava passando por uma separação de Deus pela primeira e única vez em toda a eternidade. Este foi também um cumprimento da declaração profética no Salmo 22:1.

(2) "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem" (Lucas 23:34). Aqueles que crucificaram Jesus não estavam cientes da extensão do que estavam fazendo porque não o reconheceram como o Messias. Sua ignorância da verdade divina não significava que mereciam perdão, e a oração de Cristo mesmo ao meio do seu escárnio é uma expressão da compaixão ilimitada da graça divina.

(3) "Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso" (Lucas 23:43). Nesta declaração, Jesus está assegurando um dos criminosos na cruz de que quando morresse, ele estaria com Jesus no céu. Isso foi concedido porque, mesmo na hora da sua morte, o criminoso tinha expressado sua fé em Jesus, reconhecendo-o pelo que Ele era (Lucas 23:42).

(4) "Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito" (Lucas 23:46). Aqui, Jesus está voluntariamente entregando a sua alma nas mãos do Pai, o que indica que Ele estava prestes a morrer e que Deus tinha aceitado o Seu sacrifício. Ele "se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus" (Hebreus 9:14).

(5) "Mulher, eis aí o teu filho!" e "Eis aí tua mãe!" Quando Jesus viu a sua mãe em pé perto da cruz com o apóstolo João, o discípulo a quem amava, Ele confiou os cuidados de sua mãe nas mãos de João. E desde aquela hora, João levou-a à sua própria casa (João 19:26-27). Neste versículo, Jesus, o Filho sempre compassivo, está se assegurando de que sua mãe terrena seria bem cuidada depois de Sua morte.

(6) "Tenho sede" (João 19:28). Jesus está aqui cumprindo a profecia messiânica do Salmo 69:21: "Puseram fel na minha comida e para matar-me a sede deram-me vinagre." Ao dizer que estava com sede, Ele incitou os guardas romanos a darem-Lhe vinagre, o que era habitual em um crucificação, cumprindo assim a profecia.

(7): "Está consumado!" (João 19:30). As últimas palavras de Jesus significavam que o Seu sofrimento tinha acabado e que todo o trabalho que o Seu Pai havia dado-lhe a fazer, ou seja, pregar o evangelho, executar milagres e obter a salvação eterna para o Seu povo, havia sido realizado, cumprido, concretizado. A dívida do pecado havia sido paga.
 

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Significado de Educação

Educação é o ato de educar, de instruir, é polidez, disciplinamento.
 
No seu sentido mais amplo, educação significa o meio em que os hábitos, costumes e valores de uma comunidade são transferidos de uma geração para a geração seguinte. A educação vai se formando através de situações presenciadas e experiências vividas por cada indivíduo ao longo da sua vida.
 
O conceito de educação engloba o nível de cortesia, delicadeza e civilidade demonstrada por um indivíduo e a sua capacidade de socialização.
 
 
De acordo com o filósofo teórico da área da pedagogia René Hubert, a educação é um conjunto de ações e influências exercidas voluntariamente por um ser humano em outro, normalmente de um adulto em um jovem. Essas ações pretendem alcançar um determinado propósito no indivíduo para que ele possa desempenhar alguma função nos contextos sociais, econômicos, culturais e políticos de uma sociedade.
 
No sentido técnico, a educação é o processo contínuo de desenvolvimento das faculdades físicas, intelectuais e morais do ser humano, a fim de melhor se integrar na sociedade ou no seu próprio grupo.
 
Educação (do latim educations) no sentido formal é todo o processo contínuo de formação e ensino aprendizagem que faz parte do currículo dos estabelecimentos oficializados de ensino, sejam eles públicos ou privados.
 
No Brasil, de acordo com a Lei de Diretrizes e Bases, a Educação divide-se em dois níveis, a educação básica e o ensino superior. A educação básica compreende a Educação Infantil, o Ensino Fundamental e o Ensino Médio. A educação nacional remete para o grupo de órgãos que fazem a gestão do ensino público e fiscalização do ensino particular.
 
 
No processo educativo em estabelecimentos de ensino, os conhecimentos e habilidades são transferidos para as crianças, jovens e adultos sempre com o objetivo desenvolver o raciocínio dos alunos, ensinar a pensar sobre diferentes problemas, auxiliar no crescimento intelectual e na formação de cidadãos capazes de gerar transformações positivas na sociedade.
 
A educação não se limita apenas a normais morais e intelectuais, mas também pode estar relacionada com o aspecto físico, como é o caso da educação física.
 

Educação ambiental

 
O conceito de educação ambiental implica a sensibilização e aprendizagem em relação ao meio ambiente. São abordados temas como a reciclagem e energias renováveis, com o objetivo de criar atitudes que contribuam para a diminuição do impacto ambiental.
 
A lei 9.795 de 1999 classifica a educação ambiental como "os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade."
 

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Igreja no Brasil presente nas Olimpíadas 2016

Projetos marcam a participação eclesial no maior evento esportivo do mundo.
Promoção de valores humanos, atendimento religioso na Vila Olímpica e desenvolvimento de projetos sociais são algumas das principais iniciativas da Igreja no Brasil para os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos Rio 2016, que acontecerão de 5 a 21 de agosto e de 7 a 18 de setembro, respectivamente. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), a Pastoral do Turismo (Pastur) e as arquidioceses que recebem os jogos, entre elas a da cidade-sede das Olimpíadas, Rio de Janeiro, realizam ações de evangelização durante o evento.
 
“Sabemos que o mundo dos esportes é um campo, ao mesmo tempo, fértil e aberto para a evangelização. O Rio de Janeiro vai receber esses grandes eventos esportivos e a arquidiocese não pode se omitir diante da responsabilidade de fazer com que o Evangelho seja anunciado e os legados humanos e sociais se destaquem”, afirma o arcebispo do Rio de Janeiro, cardeal Orani João Tempesta.
 

Ações pastorais e sociais

 
A arquidiocese do Rio é responsável pela evangelização na cidade-sede dos jogos. Na Vila Olímpica, local que recebe as delegações, há uma “capelania” inter-religiosa para atendimento dos atletas. Um sacerdote foi nomeado para a ocasião. Nas paróquias próximas à Vila, as pessoas são acolhidas e podem participar de celebrações de missas em diferentes idiomas. 
 
 
Alguns símbolos fortalecem os “laços entre a evangelização e o mundo dos esportes”, como as bandeiras Olímpica e Paraolímpica, abençoadas pelo papa Francisco em sua visita ao Brasil, em 2013, e a Cruz Olímpica e o ícone da Paz, objetos que marcam a presença da Igreja nos grandes eventos esportivos mundiais.
 
Além disso, duas iniciativas representam o caráter social da ação da Igreja nos Jogos Rio 2016: “Rio se Move” e “100 dias de Paz”. 
 
Em parceria com a CNBB, a CRB e entidades alemãs, o projeto “Rio se Move” pretende dar maior visibilidade a iniciativas existentes na Cáritas arquidiocesana em prol dos que sofrem de exclusão social presente na dinâmica dos grandes eventos, assim como às ações da Pastoral do Esporte.
 
Por sua vez, a iniciativa “100 dias de paz”, que começou no dia 15 de junho e prosseguirá durante cinquenta dias após as Paraolimpíadas, engloba diversas atividades a serem realizadas antes, durante e depois dos Jogos Olímpicos, com a finalidade de atingir jovens, atletas e o público em geral, levando os valores cristãos católicos ao esporte. Os 100 dias de paz fundamentam-se na Trégua Olímpica, criada no século VIII a.C, com o objetivo de estabelecer a paz entre os países em conflito.
 

Desafios e esperanças

 
Diante do atual contexto de crise no Brasil e em particular no estado do Rio de Janeiro, cardeal Orani Tempesta acredita que a população do Rio pode reencontrar e reanimar as esperanças com a realização dos jogos na cidade. “A par dos legados econômicos e de infraestrutura, que almejamos que se convertam em benefícios para a nossa sofrida sociedade, há valores perenes ligados às Olimpíadas que podem e devem ser cultivados, pois contribuem para a promoção das pessoas”, disse durante reunião do Comitê Rio 2016 com os Líderes Religiosos.
 
“Em meio à nossa sofrida realidade atual, podemos afirmar que as Olimpíadas são, realmente, um marco de esperança, que deve prosseguir adiante. Uma esperança que não se apresenta inatingível, mas aponta para o futuro, pois parte de cada um de nós, quando buscamos trabalhar pela ‘civilização do amor’”, falou ao citar um trecho da encíclica do papa Francisco Laudato Si’ – sobre o cuidado da casa comum.
 

“Este é o nosso sonho olímpico" 

 
A Pastoral do Turismo no Brasil lançou Campanha “Este é o nosso sonho olímpico”, com valores humanos e cristãos que não podem faltar para que aquela que é considerada “a maior festa do esporte mundial” seja para todos e todas. 
 
A Campanha acontece por meio de publicações semanais nas redes sociais. “Trata-se de uma ‘palavra’, uma presença da Igreja num momento importante como este. Nossos limites nos possibilitam apenas uma ação assim. Mas faremos dela um grito, um despertar, um vírus do bem nas redes sociais. Esperamos que aqueles que têm acesso, que vejam, ao menos uma vez, os ‘memes’, reflita um pouco, saia da lógica do mercado e do mundo para pensar, efetivamente, em jogos saudáveis sob todos os aspectos”, explica o coordenador nacional da Pastoral, padre Manoel de Oliveira Filho.
 
A Campanha alerta para questões como a proteção e cuidado com a vida e o meio ambiente e pretende, ainda, favorecer o diálogo entre as diferentes culturas presentes no evento mundial.
 

“Jogue a Favor da Vida”

 
A partir do modelo de trabalho desenvolvido na Copa do Mundo no Brasil 2014 contra a prática do turismo sexual, a Rede Internacional das Consagradas contra o Tráfico Humano Talitha Kum e a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB) seguem com a Campanha “Jogue a Favor da Vida”. De acordo com a organização, os Jogos Olímpicos são oportunidades de lazer, cultura e emprego temporário, mas, também, ocasião para intensificar o turismo sexual, com ação de quadrilhas que se organizam para aliciar, explorar e traficar pessoas.
 
A Campanha, que tem como lema “Exploração sexual não é turismo, é crime”,  busca prevenir os riscos do turismo sexual, alertando os turistas que irão ao Rio de Janeiro, principalmente, para que não paguem por prestações sexuais de pessoas que podem estar envolvidas no tráfico humano.
 
A proposta é mobilizar o maior número de participantes nas mídias sociais, levando o debate para dentro das escolas e com os turistas que virão para o Brasil.
 

Viva a solidariedade

 
Com a finalidade de dar continuidade às ações do projeto "Rio se move" e com o objetivo de realizar pelo país atividades socioeducativas, esportivas e de solidariedade, a CNBB, a CRB e a Associação Nacional de Educação Católica do Brasil (Anec) apresentaram o projeto “Viva a Solidariedade!”. A iniciativa levará as ações do projeto iniciado na arquidiocese do Rio de Janeiro para o âmbito nacional. Para isso, propõe às instituições educacionais e eclesiais a realização de ideias que visem contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e solidária, promovendo, por meio do espírito olímpico, momentos de interação entre a família, escola e comunidade.
 
 
Para participar, basta inscrever a instituição que deseja fazer parte  e cadastrar a ação solidária no site do projeto. Uma assessoria técnica dos organizadores vai acompanhar essa ação e posteriormente dar ênfase ao trabalho, divulgando-o.
 
Saiba mais sobre o #VivaaSolidariedade no site: http://anec.org.br/vivasolidariedade/
 

MENSAGEM AOS PADRES

Neste dia de São João Maria Vianney, dia do Padre, recordando todos os padres de nosso imenso Brasil, manifestamos reconhecimento e gratidão. Reconhecimento por todo bem realizado nas diversas Igrejas Particulares, em comunhão com os respectivos Bispos. Gratidão pela vida de cada um feita entrega, serviço, dom de amor! Quantos padres dispostos, alegres, despojados! Quantos padres prontos para curar as feridas de pessoas marcadas por dificuldades de todo tipo: materiais, psíquicas, espirituais e por situações escandalosas dentro e fora da Igreja! 
 
 
O Povo de Deus precisa de pastores identificados com Jesus e com uma Igreja, pobre e para os pobres.  Tem necessidade da presença de Padres acolhedores, solidários, fraternos com os irmãos, encantados e apaixonados pela missão. Enfim, nós todos precisamos de Padres que sejam santos, pois, sem a lógica da santidade, o ministério Presbiteral vale muito pouco e não passa de uma simples função social.  
 
Padre, tu foste amado e escolhido pelo Senhor! Ele manifestou ternura para contigo. Essa ternura tu compartilhas com o teu povo. Ternura essa que se expressa em pensamentos, palavras e ações, pois és participante da missão de Cristo, Cabeça e Pastor. Ele é fiel!
 
Permanecer em Jesus é a alegria verdadeira de nossa vida. Sem Ele, tudo em nossa vida emudece e perde sentido. Pois, foi Ele mesmo quem disse: “Sem mim, nada podeis fazer” (Jo 15,5). Decorrem desta íntima união com Jesus Cristo a conversão pessoal e pastoral, a solicitude pastoral pelos pobres e sofredores e o ardor missionário. Em outras palavras, a santidade. 
 
Caro irmão padre, sabemos do muito que nossos coirmãos fazem nas diversas realidades que marcam a vida de nosso povo. A messe é grande, os desafios enormes! Sabemos da necessidade de ‘trabalhadores para a vinha do Senhor’. Por isso, vamos juntos nesse Dia do Padre, contando com a intercessão de São João Maria Vianney, ainda mais intensamente pedir ao Senhor da vinha que suscite no coração de muitos jovens, o desejo de abraçar o ministério ordenado!
 
 
Que juntos possamos adquirir sempre mais o ‘cheiro da ovelha’ e o ‘sorriso de padre’! Que nos conscientizemos sempre mais de nossa condição frágil sem deixar de buscar intensamente, com todas as forças, corresponder ao amor do Senhor. 
 
Querido Padre, neste seu dia, receba os cumprimentos, reconhecimento pelos trabalhos que desenvolve à serviço da evangelização e orações da Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB.