sábado, 14 de maio de 2016

Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos reflete sobre situações migratórias


Celebrações ocorrem de 8 a 15 de maio, nas comunidades cristãs do Brasil.

 
O lema bíblico “Chamados e chamadas para proclamar os altos feitos do Senhor” (1Pe2.9) inspira a Semana de Oração pela Unidade Cristã 2016. Este ano, a atividade ocorre, no Brasil, de 8 a 15 de maio e sugere reflexão sobre a realidade migratória no mundo. 
 
A proposta foi elaborada pelo movimento ecumênico da Letônia e adaptado para o Brasil pelo Movimento Ecumênico de Curitiba (MOVEC). 
 
A Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos (SOUC) é promovida mundialmente pelo Conselho Pontifício para Unidade dos Cristãos (CPUC) e pelo Conselho Mundial de Igrejas (CMI). No Brasil, o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic) coordena as iniciativas para a celebração da Semana em diversos estados.
 
Na carta, por ocasião da SOUC 2016, as igrejas cristãs recordam que o ano de 2015 foi caracterizado pelas ondas migratórias. “Também no início deste ano, vimos, na Europa, migrantes e refugiados desesperados em busca de novas condições de vida. Seus países foram destruídos por guerras e catástrofes ambientais”.
 
Ao final, da mensagem, as lideranças expressam proximidade com os povos refugiados. “Somos chamados e chamadas a proclamar os altos feitos do Senhor! Que essa proclamação se traduza em posturas de diálogo, acolhida e respeito para com aquelas pessoas que vêm ao nosso país em busca de novas oportunidades de vida”. 
 
Confira a íntegra da carta:

SOUC 2016: Carta das Igrejas
 
Queridas irmãs e irmãos das comunidades cristãs brasileiras!

“Chamados e chamadas para proclamar os altos feitos do Senhor” (1Pe2.9). Este é o lema bíblico que inspira a Semana de Oração pela Unidade Cristã 2016.
 
A Semana de Oração foi preparada pelas Igrejas da Letônia. Participaram diretamente do processo de elaboração do material as Igrejas: Católica Apostólica Romana, Luterana, Ortodoxa e Batista. 
 
O povo letão, no final do século XIX e primeira metade do século XX, foi obrigado a migrar por ocasião da ocupação russa. Parte dessa migração ocorreu por causa da perseguição religiosa. A Letônia foi submissa aos czares, que tentaram impor a religião oficial como expressão de fé. As pessoas de outras expressões religiosas, entre elas Judaísmo, Cristianismo (catolicismo e protestantismo) e o Islã, foram perseguidas.
 
Essa realidade mudou com o passar do tempo. Hoje, a Letônia é bem diferente. É possível o convívio entre diferentes expressões de fé. A realização e preparação da Semana de Oração pela Unidade é o exemplo concreto disso. 
 
Nossos irmãos e nossas irmãs da Letônia escolheram o texto do apóstolo Pedro, que lembra que nós, pessoas batizadas, somos “chamados e chamadas a proclamar os altos feitos do Senhor”. Proclamar os altos feitos de Deus significa não esquecermos a perspectiva de que através do Batismo que somos declarados filhos e filhas de Deus. O Batismo jamais deve ser banalizado. Ele é um sacramento que nos apresenta o desafio permanente de praticarmos e proclamarmos o amor gratuito de Deus pela humanidade. Uma das formas de proclamar esse amor é assumindo posturas de diálogo e de acolhida, em especial, com as pessoas que são diferentes de nós: de outras igrejas, religiões e culturas.
 
O ano de 2015 foi caracterizado pelas ondas migratórias. Também no início deste ano, vimos, na Europa, migrantes e refugiados desesperados em busca de novas condições de vida. Seus países foram destruídos por guerras e catástrofes ambientais. Alguns países optaram por fechar suas fronteiras para evitar a entrada de migrantes. Outros estão pensando nessa possibilidade. 
 
No Brasil, a situação não é tão dramática como é na Europa. Mas também aqui aumentou o número de pessoas migrantes e refugiadas. Muitas delas buscam o nosso país na esperança de encontrar amparo e resgatar a dignidade de vida. Infelizmente, no ano de 2015, alguns migrantes foram agredidos e sofreram preconceito. Atitudes racistas e preconceituosas não são coerentes com os altos feitos de Deus. Também é oportuno lembrar que é expressivo o número de grupos étnicos que, em tempos idos, vieram ao Brasil por razões de fome e guerra, aqui encontrando acolhida e amparo.
 
O Batismo nos conclama ao respeito pelo migrante. Mais do que tolerantes, precisamos ser respeitosos. A tolerância deveria ser uma convicção passageira. Ela deveria conduzir ao reconhecimento do direito à dignidade que é inerente a cada ser humano. 
 
Somos chamados e chamadas a proclamar os altos feitos do Senhor! Que essa proclamação se traduza em posturas de diálogo, acolhida e respeito para com aquelas pessoas que vêm ao nosso país em busca de novas oportunidades de vida. 
 
Que nossas Igrejas sejam motivadas para esse testemunho permanente de acolhida!
 
Na unidade de Cristo,

Dom Leonardo Ulrich Steiner
Secretário Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
 
Pastor Dr. Nestor Paulo Friedrich
Pastor Presidente da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil
 
Dom Francisco de Assis da Silva
Bispo Primaz da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil
 
Presbítero Wertson Brasil de Souza
Moderador da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil
 
Dom Paulo Titus
Arcebispo da Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia
 
 

sábado, 7 de maio de 2016

Papa Francisco “flagrado” confessando livremente na Praça de São Pedro

Como um sacerdote qualquer, ele ficou disponível para confessar os participantes do Jubileu dos Adolescentes – confira as imagens e relatos dos presentes.


O Papa Francisco surpreendeu todos ao confessar, como um sacerdote qualquer, 15 jovens que chegaram à Praça de São Pedro para participar do Jubileu dos Adolescentes, por ocasião do Ano da Misericórdia, de 23 a 25 de abril de 2016.
 
Vários peregrinos que passavam pelo Vaticano não acreditavam no que viam: entre os 150 padres que confessavam na Praça, havia um vestido de branco, sentado em uma cadeira de plástico e “muito atento ao escutar”. “Esse é o Papa Francisco? Mas está ali confessando tranquilamente, como qualquer padre!”, exclamavam, surpresos.
 
Não é a primeira vez que o Papa faz algo assim. Na Jornada Mundial da Juventude (JMJ) do Brasil, ele confessou 5 jovens no parque Quinta da Boa Vista, do Rio de Janeiro, no ato mais íntimo e reservado programado para o dia 26 de julho de 2013.
 
Papa Francisco    
 
‎@Pontifex_pt
Queridos jovens, os seus nomes estão escritos no céu, no coração misericordioso do Pai. Sejam corajosos, contracorrente!

Coreia do Norte abre primeiro congresso do partido único em quase 40 anos


A Coreia do Norte abriu nesta sexta-feira o congresso de seu partido único, a primeira assembleia política em quase 40 anos, cujo objetivo é consagrar Kim Jong-un como líder absoluto em um contexto de possíveis novos testes nucleares.

Milhares de delegados chegaram a Pyongyang, de todo o país, para assistir a este encontro excepcional do Partido dos Trabalhadores da Coreia (PTC), que aconteceu no imponente Palácio 25 de abril.

Kim Jong-un, de 33 anos, não havia nascido quando foi celebrado o último congresso, em 1980, e que consagrou seu falecido pai, Kim Jong-il, como herdeiro do regime dinástico, fundado por seu avô Kim Il-sung há quase 70 anos.

O dirigente máximo do país pronunciará um discurso muito esperado durante a abertura do Congresso, que será observado de perto pelos analistas para detectar possíveis mudanças na linha política ou reajustes na elite do poder.

Os jornalistas estrangeiros convidados a acompanhar o evento não estavam autorizados a entrar no edifício, cuja fachada foi decorada com retratos gigantes dos dois dirigentes falecidos. Fotógrafos e câmeras permaneciam a 200 metros do local.

Os jornalistas estavam acompanhados por “guardiões” e alguns norte-coreanos aceitaram conversar com os repórteres para defender o discurso oficial do regime.
 
Para Kim Hyang, de 26 anos, funcionário em um escritório, o arsenal nuclear norte-coreano é uma consequência dos ataques americanos.
 
“Precisamos de armas nucleares porque os Estados Unidos e seus sócios querem nos asfixiar. Ameaçam o Norte com armas nucleares. Queremos sim defender nossa soberania, a paz e a segurança, temos que ter a arma nuclear”, insistiu.
 
Ao mesmo tempo, a televisão estatal não exibiu imagens ao vivo do congresso durante a manhã. A programação foi dedicada a imagens de arquivo sobre as proezas do partido.
 
A imprensa oficial também elogiou o teste nuclear mais recente do país, em 6 de janeiro, considerado o símbolo “da grandeza e do prestígio” da Coreia do Norte como “Estado nuclear”.
 
Festa da propaganda
 
Não foram revelados detalhes sobre a reunião, nem sobre sua duração, mas o principal objetivo é reafirmar formalmente a condição de Kim Jong Un como líder supremo e inquestionável da Coreia do Norte.
 
O congresso deve confirmar a chamada estratégia “byungjin” iniciada por Kim Jong-un, que consiste em realizar ao mesmo tempo o desenvolvimento econômico e os programas nucleares e balísticos.
Por ocasião do congresso, as bandeiras do PTC e da Coreia do Norte decoram as longas avenidas de Pyongyang.
 
“Os grandes camaradas Kim Il-sung e Kim Jong-il sempre estarão entre nós”, afirmam as faixas na capital.
 
“Defendam o quartel-general da revolução coreana até a morte”, afirma outra faixa.
 
Desde a chegada ao poder de Kim Jong-un em dezembro de 2011, após a morte de seu pais, a Coreia do Norte executou dois testes nucleares e dois lançamentos de foguetes, considerados pela comunidade internacional como testes dissimulados de mísseis balísticos.
 
Analistas especulam sobre um possível quinto teste nuclear de Pyongyang durante o congresso, para reafirmar ao mundo o status de potência nuclear do país.
 
Horas antes do início do evento, a Comissão para a Reunificação Pacífica da Coreia do Norte publicou um comunicado no qual reivindica com orgulho o status.
 
“Nosso status de Estado nuclear dotado da bomba H não poderá ser modificado, pouco importa se alguém admite ou não”, afirma a nota.
 
Os especialistas do instituto EUA-Coreia da Universidade Johns-Hopkins afirmaram, no entanto, que de acordo com as mais recentes imagens de satélite da principal área norte-coreana de testes nucleares, localizada em Punggye-ri, nada permite determinar se o teste acontecerá ou não.
 
O governo sul-coreano acredita que o Norte está disposto a realizar um teste, inclusive durante o congresso.
 
De acordo com Seul, a assembleia política deve durar quatro dias, o primeiro deles dedicado ao discurso de Kim Jong-un e a um longo relatório sobre as ações do partido.
 
Os preparativos do congresso mobilizaram o país durante 70 dias, uma campanha que a organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch classificou de “trabalho forçado”.
 
(AFP)
 

Novo massacre no norte da Síria ofusca trégua em Aleppo


Pelo menos 28 civis morreram em bombardeios aéreos contra um campo de refugiados no norte da Síria, mais uma tragédia nesse país em guerra, no momento em que uma trégua na castigada cidade de Aleppo acabava de entrar em vigor, nesta quinta.
 
Em nova demonstração dos horrores da guerra, um campo de refugiados na província de Idleb (norte), onde se abrigavam famílias que escaparam dos combates de Aleppo, tornou-se alvo de ataques aéreos, de acordo com o Observatório Sírio de Direitos Humanos e ativistas no terreno.
 
O diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman, afirmou que os ataques foram dirigidos contra o campo da província de Idleb, controlada pela Frente Al-Nosra – a filial síria da rede Al-Qaeda – e por seus aliados rebeldes.
 
Morreram ao menos 28 civis, entre eles crianças, e outros 50 ficaram feridos. O OSDH advertiu que o número de mortos pode aumentar, já que muitos feridos se encontram em estado grave.
 
O diretor da agência de notícias local Shahba Press (pró-rebeldes), Mamun al-Jatib, acusou o governo de Bashar al-Assad.
 
“Dois aviões do governo de Assad lançaram quatro mísseis sobre o campo situado na localidade de Al-Kamuna. Dois mísseis caíram perto do campo, e outros dois, no interior, incendiando várias lojas”.
 
A comunidade internacional reagiu rapidamente ao ataque, com o diretor de Operações Humanitárias da ONU, Stephen O’Brien, advertindo que “se este ataque obsceno tinha como alvo deliberado uma estrutura civil, pode constituir um crime de guerra”.
 
“Estou horrorizado e chocado pela notícia de civis mortos hoje por bombardeios aéreos em dois assentamentos, onde pessoas refugiadas buscavam um santuário”.
 
A União Europeia qualificou o ataque de “inaceitável”, enquanto os Estados Unidos declararam que apesar de não confirmada a responsabilidade do regime sírio, o bombardeio corresponde “totalmente” a operações anteriores.
 
“Nada justifica um ataque contra civis na Síria, muito menos contra aparentemente um campo de refugiados”, disse o porta-voz do departamento americano de Estado Mark Tonner.
 
Respeito à trégua em Aleppo
 
A coalizão internacional concentra seus bombardeios sobre os extremistas do grupo Estado Islâmico (EI), enquanto o governo mobiliza sua Força Aérea contra os extremistas da Frente Al-Nosra e contra o EI. Aliados de Al-Assad, os russos atacam certos grupos rebeldes e os radicais.
 
No Twitter, a Al-Nosra anunciou o lançamento de uma “nova batalha” para libertar a região de Khan Tuman, ao sul de Aleppo, e garantiu que travam violentos combates contra o governo nessa área.
 
Nas últimas semanas, milhares de civis fugiram dos combates na província de Aleppo para se instalarem nos campos de refugiados que beiram a fronteira da Turquia, já que Ancara lhes nega a passagem.
 
O conflito, que deixou mais de 270.000 mortos, também causou o exílio em massa de mais da metade da população e uma grave crise humanitária.
 
Em Aleppo, a calma reinava nesta quinta-feira na cidade, após a entrada em vigor de uma trégua acertada por Estados Unidos e Rússia e aceita pelo governo sírio e pelos rebeldes para pôr fim aos combates que deixaram cerca de 300 mortos.
 
Desde que a trégua entrou em vigor, à 0h01 de quinta-feira (19h01 de Brasília), não houve novos bombardeios em Aleppo (norte), segunda cidade do país, dividida em dois desde 2012.
 
O diretor do OSDH confirmou a ausência de bombardeios, mas anunciou a morte de um civil poucos minutos depois de sua entrada em vigor em um ataque nos bairros do oeste, controlados pelo governo.
 
Na quarta-feira, o Conselho de Segurança da ONU se reuniu em Nova York para tratar de Aleppo e os representantes de seus países-membros denunciaram os “crimes de guerra” cometidos na cidade.
 
“A comunidade internacional deve aumentar a pressão sobre o governo e os russos para acabar com a violação da trégua (…) Caso contrário, ninguém os impedirá de lançar uma grande ofensiva contra Aleppo”, advertiu Riad Hijab, do Alto Comitê de Negociações (HCN), da oposição.
 
Na província de Homs (centro), pelo menos dez civis morreram, e 40 ficaram feridos nesta quinta, em um duplo atentado.
 
(AFP)
 

Necessário, somente o necessário

Uma reflexão espiritual a partir do filme"Mogli – O menino lobo"


Sinopse: Inspirado no livro de Rudyard Kipling, o filme conta a história de Mogli, um menino que foi criado por lobos e vive na selva, rodeado de animais selvagens como um urso e uma pantera negra, seus amigos. Tudo muda quando o tigre Shere Khan quer se vingar de Mogli e passa a ameaçar a todos para conseguir realizar seu desejo.
 
A moda dos filmes live-action (versões com atores e cenários reais de animações) parece ter ganhado os estúdios de Hollywood. Depois das versões de Alice nos País das Maravilhas (2010 e 2016), de Malévola e de Cinderela (2015), a Disney chega com Mogli: o Menino Lobo (The Jungle book) com grande sucesso de público e críticas.
 
Não é que o sucesso de público/crítica de um filme seja parâmetro para nós cristãos. Deadpool é recheado de palavrões e também foi amplamente aclamado. Nosso critério é, sobretudo, a capacidade de um filme unir qualidade de produção e valores morais. No caso da versão live-action de Mogli, podemos dizer que temos as duas coisas.
 
O primeiro ponto a se destacar é a fotografia e os efeitos especiais do filme. É de se ficar pasmo pela quantidade de cenas belas que o filme apresenta. A cada minuto que passa você leva um susto (no sentido positivo) pela qualidade dos cenários escolhidos, o cuidado com as cores, as sombras a iluminação e os efeitos mágicos que nos tiram da real possibilidade de um menino ser criado numa floresta e nos levam para o universo fabuloso de animais falantes.
 
Outro ponto a se destacar é a interpretação do novato Neel Sethi, que vive o Menino Lobo. Que figura carismática! Neel não só foi fiel ao carisma do Mogli no desenho original como fez algo digno de um verdadeiro ator: fez com que em determinados momentos realmente acreditássemos que tal história seria possível. Fez o que um verdadeiro artista faz quando nos faz duvidar se a fantasia é a realidade ou a realidade é fantasia. Enfim, tudo contribui para você ir ao cinema pelo menos para ver essa criança trilhar tão bem o caminho de um ator profissional. Os animais que contracenam com Neel (feitos de animação CGI fotorrealista) também são bem credíveis e principalmente carismáticos.
 
Outro destaque a ser levado em conta é a dublagem do filme. Como muitos amantes da sétima arte, não sou muito fã de filmes dublados. Resolvi, porém, dar uma chance, visto que esse filme é voltado para o público infantil e seria difícil encontrar uma sessão legendada. Para a minha surpresa a dublagem está excelente. Aliás, nem sei se ao assistir o filme novamente optarei pela versão legendada. O áudio ambiente, as falas, tudo está bem realista e criterioso. Vale a pena abdicar da versão legendada dessa vez.
 
Agora o ponto alto do filme são os valores morais nele apresentados. Os créditos por esse ponto, aliás, podem ser dados ao diretor Jon Favreau que, seguindo à risca os últimos Live-Action da Disney, preferiu manter os valores apresentados na versão original deste que, por si, já é um clássico.
 
Nesse filme podemos ver boas lições de generosidade (ex. na cena em que Mogli usa seus dons para salvar o elefante em apuros), de sacrifício (ex. a cena em que Baloo renuncia à amizade com Mogli para salvá-lo), de respeito às leis e tradições, da importância da família e da sociedade, etc. Seria possível tranquilamente levar um grupo jovem ou um grupo de catequese para o cinema e fazer um bom debate sobre tudo o que é comum à nossa conduta moral nesse filme.
 
Por fim, fiquei encantado por eles terem mantido inclusive o tema “carpe diem” do filme: “necessário, somente o necessário, o extraordinário é demais…”. O urso Baloo canta essa música tentando ensinar um estilo de vida diferente para Mogli. Não há porque criticá-lo. Como acontece na maior parte dos casos, a própria vida ensina que o necessário não é suficiente. A vida exige atos de doação e sacrifício. E nesse quesito, o urso bonachão soube muito bem o que fazer.
 
Ficha técnica:
Gênero: Aventura
Direção: Jon Favreau
Roteiro: Justin Marks
Elenco: Allan Trautman, Andy Serkis, Ben Kingsley, Bill Murray, Brandon Henschel, Christopher Walken, Emjay Anthony, Giancarlo Esposito, Idris Elba, Lupita Nyong’o, Neel Sethi, Sara Arrington, Scarlett Johansson
Produção: Brigham Taylor
Trilha Sonora: John Debney
Duração: 111 min.
Ano: 2016
País: Estados Unidos
Estreia: 14/04/2016 (Brasil)
Distribuidora: Disney
Estúdio: Walt Disney
Classificação: Livre
Informação complementar: Adpatação do livro de Rudyard Kipling, que ganhou animação pela Disney em 1967.
 
 

A capela de San Juan de Gaztelugatxe: um antigo enclave dos Templários?

A pequena ilha, na Baía de Biscaia, guarda zelosamente mais que história
 
Gaztelugatxe é uma pequena ilha na Baía de Biscaia, ligada ao continente por uma passagem estreita que inclui uma ponte de dois arcos e uma magnífica escadaria, com duzentos e trinta degraus, que leva a uma capela do século IX.
A capela é dedicada a São João Batista, de quem a ilha recebe o nome.
Alguns historiadores – cronistas da ilha vizinha de Aketze, a cidade vizinha de Bakio e Cabo Matxitxako –, dizem que em algum momento a capela, que devido à sua posição na Baía permite observar toda a costa, foi um enclave templário: em 1053, a ilha foi doada a um monge chamado Zianno, aparentemente o abade do monastério de São João da Penha, em Huesca, por um casal, Dona Tota Ortiz e o tenente Eneko López.

                            A capela é dedicada a São João Batista, de quem recebe o nome
 
A importância estratégica do local ficou registrada nos anais da história quando se tornou o ponto principal da resistência contra o avanço do reino de Castilla sobre o de Pamplona, no século XIV, durante o reinado de Alfonso XI: a capela Gaztelugatxe foi defendida por apenas sete cavaleiros (chefiados por Juan Núñez de Lara) por mais de um mês, contra o exército do monarca castelhano, que terminou retirando-se do local, humilhado e derrotado. Levaria mais de 300 anos para que Gaztelugatxe fosse pela primeira – e única – vez saqueada: as tropas do pirata inglês Sir Francis Drake, em 1593, tomaram o lugar e levaram tudo o que conseguiram de valor. Pouco tempo depois, durante a guerra entre Espanha e França, catorze navios tomaram a ilha.
 
Gaztelugatxe é uma pequena ilha na Baía de Biscaia, ligada ao continente por uma passagem estreita que inclui uma ponte de dois arcos e uma magnífica escadaria, com duzentos e trinta degraus
 
Hoje, Gaztelugatxe é um lugar de peregrinação para os devotos de São João Batista, e também para aqueles que visitam as cidades vizinhas de Bermeo e Bakio, especialmente durante o outono e a primavera: no verão, o local fica cheio de gente; no inverno, a capela fica fechada.

http://pt.aleteia.org/2016/05/06/a-capela-de-san-juan-de-gaztelugatxe-um-antigo-enclave-dos-templarios/

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Saiba como a eletricidade sem fio pode mudar nossas vidas

A infinidade de fios plugados nas tomadas que nos cercam por todos os lados estão com os dias contados! Uma nova tecnologia que promete distribuir energia elétrica sem a necessidade de fios já é realidade e está prestes a fazer parte do nosso dia a dia.
 
A ideia surgiu em 2002, quando um físico do Instituto de Tecnologia de Massachussets acordou no meio da noite incomodado com os “bips” do celular que acusava bateria fraca. Olhando ao redor, ele viu algumas tomadas a poucos centímetros de distância, mas sem qualquer disposição para levantar da cama e procurar um carregador. Foi a partir dessa noite mal dormida que o físico resolveu ampliar sua pesquisa sobre ressonância magnética para criar um sistema de transmissão de eletricidade sem fios.
 
 
O brasileiro André Kurs é um dos idealizadores do projeto. Há 13 anos, ele mudou para os Estados Unidos para estudar no MIT e fez parte da pesquisa original do projeto desde o início. Hoje ele é um dos fundadores da WiTricity, a startup que desenvolveu e aperfeiçoou a tecnologia.
 
Em poucas palavras, a tecnologia transfere energia elétrica através de campos magnéticos que oscilam a altas frequências que variam de 100 mil a 10 milhões de vezes por segundo, dependendo da aplicação. O sistema funciona com duas bobinas: a primeira serve como fonte da eletricidade, enquanto a segunda capta a energia transmitida. O alcance do campo magnético varia conforme o tamanho das bobinas. Em uma aplicação para carregar o celular alcançaria pelo menos meio metro de distância.
 
“Nós tivemos que otimizar a estrutura dessas bobinas e a tecnologia funciona a distâncias proporcionais aos tamanhos das bobinas”, diz Kurs.
 
Nikola Tesla criou a corrente alternada e revolucionou a transmissão de energia elétrica
 
Há aproximadamente 100 anos, o engenheiro croata Nikola Tesla pesquisou bastante sobre a transmissão de eletricidade sem fio. Mas a estratégia, segundo o pessoal da WiTricity, era bem diferente – claro, a tecnologia também. Resumo da ópera: o projeto de Tesla ficou esquecido por boa parte do último século.
 
 
A novidade anunciada pela startup pode representar uma verdadeira revolução no mundo da eletrônica. Nos últimos anos de pesquisa e desenvolvimento, eles diminuíram bastante o tamanho do sistema para poder embarcá-lo em dispositivos móveis como smartphones, tablets e notebooks. A tecnologia de alimentação sem fio também já foi testada em TVs e até carros elétricos. Aliás, indo um pouquinho mais longe, a tecnologia poderia possibilitar a construção de uma estrada cheia de ressonadores para carregar carros elétricos em movimento. Já pensou?!

O que reforça a hipótese são os parceiros da startup; que prometem mais novidades em breve. A Toyota, por exemplo, anunciou recentemente que vai integrar a tecnologia no modelo híbrido Prius a partir de 2015. Para integrar sua tecnologia em outros produtos, a WiTricity também trabalha com outras grandes montadoras como Audi e Mitsubishi e até com grandes empresas de tecnologia como a Intel e a Foxconn, empresa de Taiwan que fabrica praticamente todos os produtos da Apple.
 
Agora, será que tudo isso é seguro? Os inventores da transmissão de energia elétrica wireless garantem que seus produtos seguem normas e regulamentos internacionais que determinam limites sobre o grau de radiação que um ser humano pode ser exposto.
 
 
“Nós estamos muito abaixo dos limites de segurança. São os mesmos limites que fabricantes de celulares tem de obedecer. Segundo as normas aceitas internacionalmente, o sistema é seguro”, diz o fundador da WiTricity.

Mais do que isso, a eficiência energética da tecnologia sem fio da WiTricity é de 90% em casos de alto nível de energia – como é o caso do carro elétrico. E no caso de um smartphone, por exemplo, essa eficiência cai um pouco, mas ainda assim fica na casa dos 80%. Ou seja, o consumo de energia pela tecnologia sem fio é um pouco maior, mas nada que pese muito no bolso. E se pensarmos no fim dos fios…essa equação se fecha facilmente.
 
Bom, como dissemos, o grande desafio agora é incorporar a tecnologia aos produtos do nosso cotidiano. Mas se crescemos e vivemos acostumados – e às vezes até chateados – com tantos fios, talvez as próximas gerações nunca mais tenham que plugar mais nada na tomada.
 
“Nosso sonho é nunca mais ter que recarregar nenhum aparelho seu. Você pode deixá-lo em cima da mesa, ou no bolso, mas nunca mais ter que pensar em colocar algo na tomada”, completa André Kurs.
 
 

Líderes mundiais assinam Acordo de Paris em Nova Iorque

Representantes de 175 países reúnem-se na ONU para assinatura histórica de acordo internacional, aderindo à luta contra mudanças climáticas. “Estamos numa corrida contra o tempo”, afirma Ban Ki-moon

Ban Ki-moon discursa diante da ONU
 

Líderes de 175 países assinaram nesta sexta-feira (22/04) o Acordo Climático de Paris, em cerimônia realizada na sede da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova Iorque. “Este é um momento histórico”, afirmou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.
 
O número é recorde para um acordo internacional em seu primeiro dia de assinaturas – os Estados têm um ano para fazê-lo, a partir desta sexta. “Estamos numa corrida contra o tempo. A era do consumo sem consequências chegou ao fim”, declarou Ban.
 
Realizada no Dia da Terra, a cerimônia ocorreu quatro meses depois da conclusão do Acordo de Paris, marcando o primeiro passo no processo de vinculação dos países às promessas que fizeram para reduzir as emissões de gases do efeito estufa.
 
Após a assinatura, os Estados devem agora aprovar o acordo formalmente por meio de seus procedimentos internos. Segundo a ONU, 15 países – incluindo pequenas ilhas ameaçadas pela elevação dos mares – já encaminharam a ratificação nesta sexta-feira.
 
O acordo entra em vigor quando for ratificado por pelo menos 55 países, responsáveis por cerca de 55% das emissões globais. A data prevista é 2020, mas diversos dirigentes manifestaram a intenção de realizar a ratificação rapidamente para antecipar essa previsão.
 
A presidente Dilma Rousseff esteve pessoalmente em Nova Iorque para a assinatura do acordo. Em nota, o governo afirma que “iniciará imediatamente o processo doméstico para a pronta ratificação, de modo a contribuir para sua entrada em vigor”.
 
Os dois maiores emissores mundiais de gases do efeito estufa, China e Estados Unidos – que não estiveram representados por seus presidentes – afirmaram que ratificarão o acordo em seus países até o final deste ano, e pediram que outras nações também o façam.
 
“Não há como voltar atrás”
 
O presidente da França, François Hollande – o primeiro a assinar o acordo e anfitrião da cúpula em Paris no ano passado –, também afirmou o compromisso de ratificar a questão ainda em 2016. “Não há como voltar atrás agora”, declarou o líder nesta sexta-feira.
 
Em discurso durante a cerimônia, o ator americano Leonardo DiCaprio, embaixador das Nações Unidas para questões do clima, clamou por uma ação sem precedentes a fim de frear as mudanças climáticas e abandonar o uso de combustíveis fósseis.
 
“Não é possível salvar o planeta a menos que deixemos os combustíveis fósseis debaixo da terra, aonde eles pertencem”, disse o ator. “É necessária uma transformação profunda. As ferramentas estão em nossas mãos se as aplicarmos antes que seja tarde demais.”
 
Fechado por 195 países em dezembro de 2015, o Acordo de Paris define como objetivo a limitação do aquecimento global a 2ºC em relação à era pré-industrial. Para isso, os Estados fizeram promessas de reduzir suas emissões nos próximos anos.
 
Fonte: DW-EK/afp/ap/dpa/lusa
 

A revolucionária descoberta no rio Amazonas

Cientistas anunciam que na foz do rio há um recife de coral “gigantesco”, maior que as áreas metropolitanas do Rio e de São Paulo. Revelação quebra paradigma vigente e pode ajudar a estudar ecossistemas semelhantes

 
Foz do Rio Amazonas
 
A água doce do rio Amazonas, repleta de sedimentos, desemboca no Oceano Atlântico. Até agora, acreditava-se que a pouca luminosidade e o baixo nível de oxigênio, assim como a elevada acidez do rio, resultavam numa espécie de ruptura nos recifes de corais que ocupam a costa do continente americano. Mas uma equipe de cientistas acaba de revolucionar essa crença.
 
Pesquisadores americanos e brasileiros revelaram a existência de um recife de coral com cerca de mil quilômetros de extensão na foz do rio Amazonas, entre a fronteira da Guiana Francesa e o estado do Maranhão.
 
“Esta é a primeira vez que um recife foi descoberto em tais condições”, disse Fabiano Thompson, um dos cientistas da equipe. “Consta nos livros que é impossível haver recifes em áreas desse tipo, que recifes não se formam na foz de grandes rios, como o Amazonas e o Ganges, por causa das águas ácidas e repletas de sedimentos.”
 
Rico ecossistema
 
No recife do Amazonas, os pesquisadores identificaram 61 diferentes tipos de esponjas – incluindo três novas espécies – e 73 espécies de peixes, assim como lagostas e ofiuroides. Devido à baixa luminosidade, o recife contém poucos corais, sendo dominado pela esponjas e por um tipo de alga marinha de aparência semelhante à dos corais.
 
Diferentemente dos recifes de coral tropicais, o do Amazonas depende menos da fotossíntese de mais da quimiossíntese – processo bioquímico e microbiano que produz matéria orgânica a partir de minerais, e não da luz.
 
Cientistas acreditam que recife do Amazonas seja mais resistente à acidez que a Grande Barreira de Corais australiana
“A fotossínteses não desempenha um papel importante na base da cadeia alimentar. É uma quebra de paradigma encontrar um recife baseado na quimiossíntese”, disse Thompson à DW. Segundo o pesquisador, recifes semelhantes podem estar “escondidos em muitos lugares do mundo”.
O recife do Amazonas fica na plataforma continental, a cerca de 80 quilômetros da costa, numa profundidade de até 120 metros – mais fundo do que recifes de coral costumam ocorrer.1
 
 
 
 
Peixes e esponjas associados a corais foram registrados na área pela primeira vez em 1977, e em 1999, corais foram encontrados no extremo sul da foz do rio. Mas esta é a primeira vez que o recife, descrito por Thompson como “gigantesco”, foi confirmado e mapeado.
 
“Havia uma pequena evidência nos estudos de 1977 e 1999. Mas isso não garantia a existência do recife e que ele era funcional. O recife está totalmente vivo, abrigando grande quantidade de peixes e lagostas”, diz o cientista.
 
Exemplo útil
 
Thompson e sua equipe acreditam que estudar o recife poderia fornecer insights sobre como ecossistemas de corais lidam com condições não ideais, com implicações para outros corais mundo afora, que enfrentam pressão crescente das mudanças climáticas e da acidificação dos mares.
 
Na semana passada, cientistas australianos relataram que 93% da Grande Barreira de Coral – o maior sistema de recifes do mundo – foi afetado pelo processo de branqueamento, que ocorre como resultado da elevação da temperatura dos mares.
 
Segundo Thompson, pode ser que recifes profundos sob condições marginais, como o do Amazonas, sejam mais resistentes à acidificação que recifes de coral tropicais.
 
No entanto, o próprio recife amazônico pode estar em risco diante de uma ameaça ainda mais imediata que o aquecimento global: a prospecção de petróleo. Num artigo publicado na revista Science Advances, os cientistas apontam que 125 blocos petrolíferos foram oferecidos para perfuração ao longo da plataforma amazônica. Desses, 20 “em breve estarão produzindo petróleo próximo do recife de coral”.
 
Portanto, seriam necessários estudos mais abrangentes sobre a biodiversidade da área. “Atividades industriais de larga escala desse tipo representam um grande desafio ambiental. Empresas deveriam catalisar uma avaliação socioecológica mais completa sobre o sistema [de recifes]”, escreveram os pesquisadores.
 
Até agora, os cientistas mapearam mil quilômetros quadrados – cerca de um nono da área total do recife, que é maior do que as regiões metropolitanas de São Paulo e do Rio de Janeiro.
 
Fonte: DW/Ruby Russel (lpf)
 

Vereadores perplexos com os possíveis impactos do fracking nas cidades

Bastou meia hora de informações sobre os riscos e perigos de contaminação provocados pelo fraturamento hidráulico, ou fracking, à água, agricultura e saúde das pessoas e animais para que os mais de 2.000 vereadores de todo o país que participaram esta semana em Brasília da Marcha dos Vereadores entrassem em pânico.

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Muitos dos presentes estavam ouvindo pela primeira vez sobre a ameaça desta perversa e poluente tecnologia que, por seus danos irreversíveis, é banida em muitos países como Alemanha, França, Bélgica e até no estado de Nova York, nos Estados Unidos. No final da apresentação, os vereadores ficaram motivados a se posicionar contra o uso da tecnologia de fraturamento hidráulico.

“As nossas principais reservas de águas subterrâneas, as maiores e melhores áreas agrícolas e pecuárias, reservas florestais e marinhas, bem como 53 milhões de brasileiros em centros urbanos serão impactados pelos químicos e pelo metano de forma permanente caso o fracking aconteça no Brasil”, afirmou em palestra o Eng. Dr. Juliano Bueno de Araujo,  fundador da COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil e pela Sustentabilidade – e coordenador de Campanhas Climáticas da 350.org Brasil.
“A imagem dos rios e água da torneira pegando fogo é a realidade em muitos lugares onde o fracking acontece. Não queremos correr esse risco aqui e nem em lugar algum ”, alertou Juliano.
Perigos

Fracking é o método não convencional altamente poluente para exploração de petróleo e gás de xisto (shale gas) que o governo brasileiro quer implantar no Brasil, sem nenhuma consulta à sociedade, aos prefeitos e vereadores, integrantes dos movimentos social e ambientalista, povos indígenas ou comunidades tradicionais.

No processo são injetados milhões de litros de água, toneladas de areia e um coquetel com mais de 700 produtos químicos para fraturar, quebrar o folhelho pirobetuminoso para liberar o gás metano. Muitos destes produtos são tóxicos, cancerígenos, radioativos. Parte do fluído hidráulico volta para a superfície pela tubulação e chega às areias de rejeito; outra parte fica no subsolo e percola (sobe) através de microfraturas da rocha até à superfície e também atinge os aquíferos e lençóis freáticos, contaminando o solo e o ar junto com o metano liberado.

Vereadores reunidos em Brasília
 
Pelo menos 372 cidades em 15 estados podem ser impactadas pela exploração pelo método fracking, isto porque a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) já vendeu blocos em várias rodadas de licitações. “Destes 15 Estados, o Ministério Público Federal, sensibilizado pela COESUS e parceiros sobre os riscos ambientais, econômicos e sociais, conseguiu suspender liminarmente os efeitos dos leilões em seis. Os demais estados estão à mercê do fracking, infelizmente”, lamentou Juliano. A contaminação se dá num raio de até 80 quilômetros de cada poço perfurado, provocando um rastro de destruição e contaminação nas cidades vizinhas.

O coordenador de campanhas Climáticas da 350.org convidou os presentes à marcha que integrem a Frente Nacional de Vereadores Contra o fracking. “O objetivo é aprovar uma legislação municipal em cada uma destas cidades proibindo atividades de exploração pelo método e impedindo a concessão de alvarás, uso de água e trânsito de caminhões com produtos químicos, bem como a retirada da licença social de empreendimentos desta natureza”, explicou. Mais de 50 cidades brasileiras já aprovaram leis proibitivas, única solução possível enquanto não houve uma legislação nacional e em cada estado banindo o fracking.

Perplexidade

Vereador Tio Jardel de São João dos Patos (MA) e Juliano Bueno de Araujo
 
“Como pode a gente não saber de algo tão terrível assim? Não ser consultado sobre uma tecnologia que contamina a água, impacta a natureza e a vida das pessoas dessa forma? Que absurdo é esse?”, questionou o vereador Tio Jardel de São João dos Patos, cidade do Maranhão vizinha de Mirador, que está na lista na ANP.

O vereador ficou mais impressionado ainda quando viu fotos dos caminhões de que recentemente fizeram testes sísmicos e exploratórios no Paraná e Argentina. Tio Jardel lembrou que entre 2013 e 2014, vários caminhões desse tipo estiveram na cidade sem que ninguém soubesse nada sobre os seus verdadeiros objetivos. “Temos que investigar, pois ali em Mirador, bem próxima, é a nascente do rio Itapecuru, o mais importante da região”, alertou.
“No que depender de mim, vamos convidar lideranças políticas, religiosas e da sociedade civil para promover a maior mobilização regional de todos os tempos”, garantiu Tio Jardel.
 
Outro que se mostrou perplexo foi o também vereador do Maranhão presente à Marcha, Asaf Sobrinho, da cidade de São Pedro dos Crentes. “Nunca tinha ouvido falar disso. Como pode?”, indagou Asaf, que é superintendente da União dos Vereadores do Brasil (UVB).

Carta do Oeste do Paraná

O presidente da UVB, vereador Gilson Conzatti da cidade de Irai no Rio Grande do Sul, recebeu dos vereadores de Toledo presentes ao evento um documento que traz a história da luta contra o fracking dos municípios da região Oeste do Paraná. Desde 2013, as cidades no entorno de Toledo que tiveram blocos vendidos para exploração não convencional do gás de xisto estão mobilizadas para esclarecer a população e impedir que o fraturamento hidráulico aconteça no Estado, trabalho este iniciado por Juliano Bueno de Araujo ainda em 2013. Proporcionalmente, o Paraná é o estado brasileiro que pode ser mais impactado já que os blocos vendidos atingem 122 das 399 cidades.

Diversas audiências públicas, marchas, eventos e manifestações foram realizadas desde então com a participação e apoio do prefeito de Toledo Beto Lunitti e dos vereadores Tita Furlan e Vagner Delabio. É preciso ressaltar que os dois vereadores acompanharam há alguns meses uma missão internacional realizada pela 350.org Brasil e COESUS â Argentina para visitas aos campos de fracking.

“Não vamos permitir que a nossa cidade de Toledo, primeiro PIB agropecuário do Paraná, e o nosso estado agrícola por vocação, que fica sob os aquíferos Serra Geral e Guarani, sejam devastados pelo fracking”, salientou o presidente da Câmara de Vereadores de Toledo, Ademar Dorfschmidt, que tem mobilizado Vereadores em todo Brasil junto à Campanha Nacional Não Fracking Brasil. Ademar está divulgando o exemplo de Toledo, onde a Câmara Municipal realiza sistematicamente ações de divulgação sobre os males do fracking e a promoção de energias renováveis como biogás, hidráulica, solar e eólica.

Junto com os colegas de mandato Airton Paula, Edinaldo Santos, Expedito Ferreira e Sueli Guerra, Ademar entregou o documento à presidência da UVB e à Coordenação Nacional da COESUS, sendo ainda o principal articulador da participação da Coalizão Não Fracking Brasil no maior evento nacional de vereadores do país.

Fotos: COESUS/350.org Brasil

http://www.revistaecologica.com/vereadores-perplexos-com-os-possiveis-impactos-do-fracking-nas-cidades/

1º de Maio. A luta dos trabalhadores e das trabalhadoras contra a barbárie

Há 130 anos começava a luta dos trabalhadores e trabalhadoras por seus direitos. Uma greve geral em Chicago, Estados Unidos, nos primeiros dias de maio de 1886 marcou a data em que se celebra a busca por melhores condições laborais.
 
De 3 a 4 de maio uma paralisação com a participação de milhares de trabalhadores, que reivindicavam a redução da jornada de trabalho de 16 horas para 8 horas diárias, culminou na morte de 22 pessoas e em dezenas de feridos.
 
Três anos mais tarde no dia 20 de junho, na França, a Internacional Socialista decide convocar anualmente, no dia 1º de maio, uma greve geral para que os trabalhadores e trabalhadoras pudessem batalhar por seus direitos. A data escolhida foi em homenagem aos dias de Chicago.
 
Em 1º de maio de 1891 é realizada uma grande manifestação no norte da França, que dispersada pela polícia acaba com a vida de dez manifestantes. Posteriormente a Internacional Socialista de Bruxelas, na Bélgica, torna a data o dia mundial do pleito por melhores condições laborais. Em 1919 o senado francês reconhece a jornada de 8 horas diárias e o 1º de maio como feriado, fazendo com que, mais tarde, diversos outros países legitimassem a data em homenagem aos trabalhadores.
 
Desumanização
 
 
No entanto, a luta por melhores condições de trabalho nunca deixou de existir e ser tema de discussões. E é isso que se apresenta na edição 233 dos Cadernos IHU ideias, de autoria de Elsa Bevian, intitulado Capitalismo biocognitivo e trabalho: desafios à saúde e segurança. A edição aponta para a precarização constante das condições de trabalho e as consequências desta situação, com o “crescente adoecimento físico e mental dos trabalhadores”.
 
No texto, a professora destaca a desumanização que emerge do capitalismo biocognitivo que leva a situações degradantes dentro das empresas, com uma pressão cada vez maior pela maximização da produção com o menor custo. Segundo Elsa, “a tecnologia está substituindo trabalhadores e eliminando postos de trabalho em todos os ramos econômicos, em larga escala, no planeta. Há mais exigências das empresas sobre os trabalhadores: explorar ao máximo para diminuir o custo, reestruturação produtiva, sistema célula, em que o próprio trabalhador é o “lobo” do trabalhador; não há mais solidariedade, amizade, nem humanismo no ambiente de trabalho, só cobranças e exigências”.
 
Resistência
 
Elsa Bevian frisa que precisamos mudar esse quadro e enfrentar o modelo capitalista, que aliado ao processo de financeirização da vida torna-se obscuro. E ressalta a luta não é fácil, mas que “o capitalismo não pode tudo! O Estado deve permitir a resistência, para que sejamos governados um pouco menos. Não dá para primeiro esperar uma sociedade totalmente perfeita, para que seja possível melhorar a sociedade em que se vive; também é ilusão acreditarmos que vamos conseguir resolver tudo. A resistência hoje é mais difícil, porque a economia é global e a política é local. A ética não é universal, porque a política não é universal, porém as pessoas não são só totalmente governáveis, também têm capacidade de se insurgir, especialmente em sociedades democráticas”.
 
Elsa ainda nos convoca a questionar a pensar sobre outras alternativas com relação ao mundo do trabalho. “Como podemos alimentar o desejo e a possibilidade de sermos um pouco mais capazes de viver com os outros de forma livre? Como podemos ainda nos encantar pela política e nos encontrar na política?”; e assim nos propõe a criar relações de resistência.
 
Foto: Leslie Chavez / IHU
 
Elsa Cristine Bevian
 
É professora titular do Departamento de Direito pela Fundação Universidade Regional de Blumenau – FURB, onde leciona Direito do Trabalho e Direito Sindical e coordenadora do Grupo de Pesquisas Trabalho, Constituição e Globalização na mesma instituição. Possui doutorado em Ciências Humanas pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC. Durante o doutorado, passou pela Universidade Rovira i Virgili, em Tarragona, e pelo Instituto de Pesquisas Sociais (Institut für Sozialforschung), em Frankfurt. Sua Tese doutoral versa sobre “O Adoecimento dos Trabalhadores com a Globalização da Economia e Espaços Políticos de Resistência”. É mestre em Ciência Jurídica pela Universidade do Vale do Itajaí – Univali, possui graduação em Direito pela FURB.
 
O mundo do trabalho
 
O mundo do trabalho, principalmente o brasileiro, anualmente é tema de discussão da Revista IHU On-Line, que sempre faz memória ao dia 1º de maio publicando uma edição da revista à luz de melhores condições de trabalho. Este ano a edição será publicada no dia 2 maio. Confira nesse dia a íntegra da revista aqui.
 
 
 

Estudantes travam guerra de resistência na Assembleia para garantir CPI da merenda

Desde a tarde da última terça-feira (3), a Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) está ocupada por uma centena de jovens secundaristas com um objetivo: pressionar a Casa para que ela investigue o desvio de dinheiro público na compra merenda de suas escolas. Enquanto a temperatura do lado de fora atingia 13ºC na madrugada, lá dentro a situação não era melhor. O ar condicionado ficou ligado a madrugada toda e o presidente da Alesp, o deputado Fernando Capez (PSDB), proibiu que os estudantes recebessem os cobertores enviados por seus parentes, que faziam vigília do lado de fora, ou por apoiadores do movimento.
 

“A temperatura ficou no mínimo. Tivemos que compartilhar nossos agasalhos para suportar o frio”, conta o estudante Erik Borges, de 17 anos, que ocupa o Plenário desde a tarde de ontem. O frio também não foi o único problema enfrentado pelos estudantes no local. Eles foram proibidos, por ordem expressa de Capez, de receber qualquer suprimento, desde comida e água a roupas, itens de higiene pessoal e cobertores.

“Tenho epilepsia e preciso comer em horários controlados. Quase desmaiei de fome porque só comemos pão de manhã. A comida foi doada pela população, mas só conseguiu chegar até a gente porque alguns deputados, favoráveis ao movimento, retiraram as doações do portão lá fora e trouxeram até aqui”. Era mais de 18h quando Borges conversou com a reportagem, momento em que comia sua primeira refeição completa do dia: arroz, feijão, frango e salada.

A estratégia de deixar os estudantes sem nenhum mantimento foi explicitamente declarada nesta manhã por Capez, durante coletiva de imprensa. A tática foi definida por ele mesmo como “saturação”, ou "isolamento". A ideia é forçar a saída pacífica dos estudantes do local, enquanto a Casa aguarda a aprovação, pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, do pedido de reintegração de posse, encaminhado nesta quarta.

Enquanto isso, os estudantes estão cercados no Plenário: as portas de vidro fumê estão trancadas e há policiais guardando os corredores, fazendo também um controle dos alunos que saem para ir ao banheiro. Segundo estudantes que ocupam o Plenário, entrevistados pelo EL PAÍS, o sinal de wifi foi cortado e a energia das tomadas também, para dificultar a comunicação dos alunos com a família e a imprensa. A imprensa, inclusive, está proibida de entrar no prédio. Quando consegue, sem o consentimento da Polícia Militar, é impedida de acessar o Plenário.

O clima é de medo. “Começamos a manhã já tensos. Logo de manhã o Capez cortou a entrada de alimentos, de água, a energia das tomadas. Tivemos que fazer uma comissão com os deputados para negociar com eles o acesso a coisas básicas para a gente conseguir sobreviver. Conseguimos a entrada pelo menos de alimentos e água”, explica Emerson Santos, presidente da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (Upes) e aluno da Etec de Artes. “Também recebemos a notícia que foi pedida a reintegração de posse.

Ficamos alertas porque soubemos que a polícia estava isolando a Alesp, ninguém entrava, ninguém saída. Um controle mais rigoroso da segurança da Casa. Começaram a pegar nossos nomes, RG, data de nascimento para ter acesso ao banheiro. Algo estava acontecendo”, complementa.

Segundo Santos, as ameaças de reintegração não inibem o movimento. Eles afirmam que só deixam o prédio quando conseguirem as 32 assinaturas de deputados necessárias para dar abertura a uma Comissão Parlamentar de Inquérito que investigue os desvios. Desde janeiro, o Ministério Público de São Paulo investiga um esquema de superfaturamento na compra de suco de laranja para as escolas estaduais, com uma propina que chegava a 30% do contrato. Mas, nesses últimos meses, nada se apurou na Assembleia. Capez, o presidente da Casa e aliado do Governador Geraldo Alckmin, foi apontado em delações premiadas como um dos favorecidos pelo esquema –o que ele nega.

“A ideia é que a gente permaneça aqui até conseguir as assinaturas necessárias [para abrir a CPI]. Conseguimos 25 e agora faltam apenas 7. Está surgindo resultado. Se a gente permanecer resistente aqui a gente consegue reverter a situação”, afirma o presidente da Upes. “Mostramos a nossa força na ocupação das escolas no ano passado, protestando contra uma reorganização que fecharia diversas vagas e escolas. Conseguimos nosso objetivo lá. E vamos conseguir aqui. Os ladrões da merenda precisam ser punidos”, complementa.

A energia das tomadas ainda não foi restabelecida no Plenário, mas o pouco de bateria que os estudantes conseguem poupar de seus celulares é dedicado a publicações nas redes sociais do movimento estudantil, convocando apoiadores a irem até a Alesp e fazerem também pressão pela abertura da CPI. Outra parte é dedicada a mensagens para a família. “Meus pais devem estar muito preocupados. Não temos como carregar celular, então nos comunicamos muito pouco”, conta Barbara Silva, estudante de 20 anos que ocupa o Plenário desde a última terça-feira.

Muitos pais aguardam apreensivos o desfecho da ocupação do lado de fora, onde estão armadas diversas barracas de doações e reunidos cerca de cem apoiadores do movimento. Também disputam espaço no local a Polícia Militar, que teve seu contingente aumentado no começo da tarde. Cerca de cinquenta viaturas aguardam no estacionamento da Alesp e diversos policiais formam cordões ao redor da grade que separa os cidadãos do prédio legislativo.

Fernanda Almeida é madrasta de uma das alunas que ocupam o Plenário e acompanha atentamente cada movimento de abertura e fechamento dos portões cerrados da Alesp e vigiados por policiais. Não conseguiu entrar. “Minha enteada disse que não vai sair de lá enquanto não abrirem a CPI. Eu tenho medo por ela, mas o que ela está fazendo é lutar por seus direitos. A ocupação é legítima e representa uma luta contra a precarização do ensino nas escolas técnicas do Estado”, diz.

Cláudia Rodrigues, que representa a União Brasileiras de Mulheres (UBM), defende que o papel dos pais e responsáveis que fazem “vigília” no local é o de pressionar as autoridades para garantir que os alunos tenham tudo que precisam. “Quando chegaram doações de alimentos hoje de manhã, não estavam deixando entrar. Fizemos pressão e conseguimos que a comida fosse levada aos estudantes. Estamos nos mobilizando também e envolvendo entidades de direitos humanos para garantir que ninguém machuque os jovens. Eles não têm mais de 20 anos”, destaca.

A deputada Leci Brandão (PCdoB), que acompanha os estudantes no Plenário, vez ou outra vai lá fora tranquilizar os pais. Em uma de suas saídas, afirmou ao grupo, impedido de entrar na Alesp: “Os alunos me pediram para dar um recado: estão bem e estamos assegurando que eles tenham tudo o que precisam. Continuem providenciando ajuda que ela chegará até eles, não se preocupem”.

Esta é a segunda ocupação estudantil em prol da CPI da Merenda. A primeira foi feita no Centro Paula Souza, centro administrativo das escolas técnicas que está sob ocupação desde o dia 28 de março. A reintegração de posse do prédio está marcada para a próxima quinta-feira (5).

http://ihu.unisinos.br/noticias/554595-estudantes-travam-guerra-de-resistencia-na-assembleia-para-garantir-cpi-da-merenda