segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

“O Caso Spotlight”.

Onde anda o arcebispo que encobriu os abusos sexuais de padres, num caso denunciado pelo Boston Globe e retratado no filme "O Caso Spotlight"? "Vive em Roma", diz o Vaticano. E está reformado.
 
 
O filme “Spotlight”, que acaba de vencer o Óscar de melhor filme do ano, retrata uma investigação feita pelo jornal The Boston Globe, que revelou abusos sexuais a crianças cometidos por padres, nos Estados Unidos. No centro da polémica estava Bernard Law, arcebispo da Igreja de Boston, suspeito de ter encoberto dezenas de crimes mudando os padres da diocese, em vez de denunciar os crimes.
 
Bernard Law, que a BBC descreve como tendo sido “o bispo católico mais influente dos Estados Unidos”, foi obrigado a demitir-se do cargo, em 2002, perante o escândalo que abalou toda a Igreja. Mas continuou a exercer funções eclesiásticas, já que, dois anos depois, viria a ser nomeado arcipreste da Basílica de Santa Maria Maior, uma das mais importantes de Roma.
 
A função era mais “honorífica” que a anterior e Law tinha menos responsabilidades. Apesar disso, segundo relata a BBC, o bispo “manteve a [sua] influência” e “ia aparecendo em eventos eclesiásticos e diplomáticos”. Ao ponto de, no ano seguinte, em 2005, ter mesmo celebrado uma missa na Basílica de São Pedro, no Vaticano, e ter participado no conclave que elegeu Bento XVI como novo Papa.

 
A ideia de que manteve o seu poder na esfera religiosa é confirmada por John Allen, jornalista do The Boston Globe desde 2014, que cita a sua manutenção na Congregação para os Bispos, um organismo da Igreja cujas funções incluem, entre outras, a nomeação de bispos para várias dioceses norte-americanas, para explicar que Law continuou a ser figura importante e influente na esfera religiosa.
O que as pessoas acharam na altura é que como arcipreste não tinha nenhum poder. Mas o cargo [que manteve] na Congregação para os Bispos tinha uma importância enorme.
Em 2011, com 80 anos, Bernard Law reformou-se e “vive [agora] em Roma”, segundo afirmou o gabinete de imprensa do Vaticano à estação britânica. Segundo o gabinete de imprensa do Vaticano, apesar da reforma, tem o título de “arcipreste emérito” da Basílica de Santa Maria Maior e “arcebispo emérito” da Igreja de Boston.

 
Mesmo depois da investigação do The Boston Globe (que daria mais tarde origem ao filme “Spotlight”), o bispo nunca foi acusado de nada, muito menos condenado. E a sua mudança de país (dos Estados Unidos para Itália) parece ter-se devido mais à vontade de evitar um ambiente mais pesado (vários protestos civis foram convocados, pedindo a sua responsabilização criminal) do que a uma eventual fuga à justiça.
 

ONGs americanas acusam papa de minimizar casos de pedofilia

Na opinião de ativistas, papa Francisco deveria ser mais enfático sobre casos de pedofilia na Igreja
 
Organizações da sociedade civil norte-americanas acusam o papa Francisco de negligenciar casos de abuso sexual de crianças e adolescentes cometidos por religiosos e defendem a abertura dos arquivos do Vaticano com a divulgação de nomes dos acusados em todo o mundo.
"O papa nega o quão sério é o problema e minimiza a situação. Ele nega que crianças continuam sendo violadas", disse à BBC Brasil Barbara Blaine, fundadora da organização SNAP (sigla de Survivors Network of those Abused by Priests), uma rede que reúne vítimas de abusos cometidos por padres criada no final dos anos 80 nos Estados Unidos e em outros países.
 
"Na verdade, ele nem deveria se ocupar disso, deveria mandar os casos para que a polícia investigasse", afirmou ela.
A grande esperança de vítimas nos Estados Unidos é que o papa aborde este tema quando fizer seu discurso nas Nações Unidas na sexta-feira (25) e nas missas que realizará durante sua visita.
 
Na quarta-feira (23), em pronunciamento feito na Catedral de São Mateus Apóstolo, em Washington, Francisco pediu aos bispos americanos que trabalhem para que os escândalos não se repitam.
 
"Sei o quanto pesou sobre vocês a ferida dos últimos anos e acompanhei o seu generoso empenho para curar as vítimas e trabalhar para que tais crimes não aconteçam nunca mais", declarou o pontífice argentino.

Para Barbara Blaine (ao microfone), casos de pedofilia deveriam ser revelados e levados à polícia
 
Mas, para a ativista Blaine, Francisco deveria ser mais enfático sobre o tema. "Queremos que faça a diferença e tome uma atitude, não mais palavras. As palavras não vão proteger as crianças. Queremos que os arquivos sejam abertos, os padres punidos e os casos levados à polícia", defendeu.
 
É a primeira viagem de Francisco aos Estados Unidos – ele é quarto papa a desembarcar em território norte-americano. Espera-se que seu discurso na ONU aborde temas de direitos humanos e meio ambiente.
 
Muitos guardam com grande expectativa a possibilidade de o papa se encontrar com vítimas de pedofilia. A Missão Permanente de Observação da Santa Sé na ONU não confirmou se esse compromisso está na sua agenda.

Marco zero

Na opinião de Anne Barret Doyle, uma das diretoras da organização Bishop Accountability, que documenta desde 2003 casos de violações sexuais na Igreja Católica, o papa Francisco não poderá fugir do tema.
 
"Os EUA são o marco zero dos escândalos de abusos sexuais. Ele terá que tocar fundo no tema apesar de o encontro com vítimas não estar no seu programa oficial. Não tem como vir aos EUA e não tratar disso. O que está em questão é se ele realmente fará alguma ação significativa", disse à BBC Brasil.
 
Em junho, Francisco anunciou que criará um tribunal para julgar por "abuso de poder" bispos que acobertaram padres denunciados por crimes sexuais contra menores. Os casos serão julgados por uma seção judiciária a cargo da Congregação para a Doutrina da Fé, o braço do Vaticano para doutrinamento.

Público visitou a Trinity Church, ponto turístico católico de Nova York, às vésperas de visita do papa
 
Esta foi, segundo Doyle, a única medida anunciada por Francisco desde que assumiu o papado em 2013 para amenizar a que considera ser uma "crise epidêmica".
 
"Ainda é só uma ideia, não virou realidade. Existe apenas a promessa. Para mim o que existe é uma catástrofe, uma crise epidêmica, pois estamos falando de crimes cometidos e acobertados pela instituição mais poderosa do mundo. A Igreja Católica é uma instituição global que continua a permitir que padres culpados permaneçam trabalhando. É talvez a única no mundo que autorize que pedófilos continuem exercendo suas funções", criticou.
 
De acordo com a ONG Bishop Accountability, os dados oficiais da Igreja nos EUA indicam que 6,4 mil padres foram acusados de pedofilia entre 1950 e 2013.
 
"Pensamos que este número é subestimado e pode chegar a 10 mil. Já no mundo, é impossível saber quantos padres abusaram de crianças. Estimamos que (foram) cerca de 69 mil, entre padres e religiosos, desde a década de 50."
A Congregação para a Doutrina da Fé reúne, desde 2003, todas as acusações de abuso sexual contra crianças comprovadas verdadeiras. Já são 3,4 mil padres considerados culpados pela Igreja.
 
"Mas não sabemos quantos religiosos são de fato punidos e que tipo de punição recebem. Sob as leis canônicas, o bispo é quem decide e muitas (punições) são apenas uma advertência por escrito", ressaltou Doyle ao defender maior transparência por parte do Vaticano.

Papa pediu, nos EUA, que bispos atuem para evitar novos escândalos; ativistas acham pouco

Na sua opinião, o sigilo sobre quem são os pedófilos pode aumentar o risco de novos casos.
"A Igreja não está alertando os fiéis sobre quem são os criminosos. Deveriam publicar a lista com os nomes de todos os acusados e dos considerados culpados. Da forma como estão fazendo, não estão trabalhando com transparência. O papa Francisco não está sendo mais transparente em relação aos papas anteriores", diz Doyle.

Relatos de vítimas

Barbara Blaine, a mesma que preside a rede de vítimas sobreviventes de abusos SNAP, contou sobre o seu caso: ela foi violada por um padre quando tinha 12 ou 13 anos, mas só começou a buscar ajuda aos 29.
 
"Eu era muito devota e acreditava no bispo, mas me custou anos para ver que o bispo não estava querendo me proteger, ele estava acobertando o caso e permitiu que o autor do crime continuasse abusando de mais crianças."
 
"Nunca vou saber como seria a minha vida se não tivesse sido violada sexualmente. Estava tão frustrada porque os oficiais da Igreja nunca me ajudaram. Busquei grupos de autoajuda e comecei a localizar novas vítimas", descreveu.

SNAP, grupo de vítimas do qual os ativistas da foto fazem parte, diz ter 21 mil pessoas cadastradas
 
A SNAP tem sede nos Estados Unidos e conta em seu cadastro com 21 mil membros, espalhados em 73 países. A partir de 2011, Blaine começou a reparar que o sofrimento vivido por outras vítimas no resto do mundo era semelhante.
 
A ideia, segundo ela, é tentar ajudar as vítimas para que possam superar seus traumas – muitas nunca tiveram coragem de falar com suas famílias. A BBC Brasil foi convidada para participar de um dos encontros de vítimas em Nova York.

A ativista norte-americana Barbara Blaine na infância, época em que sofreu abusos
 
No porão de um edifício antigo próximo à Times Square, bem no centro agitado de Manhattan, um grupo de cerca de 10 pessoas se reuniu para compartilhar suas histórias, lembranças e superações poucos dias antes da chegada do papa Francisco a Nova York.
 
Eram desconhecidos e de diferentes idades. O que os unia era o fato de todos terem vivido situações de violência sexual cometida tanto por freiras ou padres na infância.
 
"O que aprendemos dentro dos grupos de autoajuda é que o nosso próprio processo de cicatrização depende da forma como ajudamos a prevenir que outros casos aconteçam. É uma forma de empoderar as vítimas", explicou Blaine.
 
Hoje muitos se perguntam o paradeiro dos autores dos crimes. "A maioria descobriu que os religiosos foram removidos para outros locais, mas que continuam trabalhando com crianças", disse.

Sobrevivente de Milwaukee

"Sempre quis ter resposta à seguinte pergunta: uma mulher não pode se tornar padre, um homem casado também não, mas, por que, de acordo com as leis da Igreja, um pedófilo pode ser padre?", questiona Peter Isely.
 
Seu sonho quando criança era tornar-se sacerdote. Logo cedo, aos 8 anos, Isely foi enviado pela sua mãe a um seminário em Wisconsin, no centro-oeste do país. Era o desejo e seria o orgulho de sua mãe que o menino, criado numa família católica, garantisse o futuro no sacerdócio.
 
Seu sonho foi brutalmente frustrado. Adolescente, se tornou uma das 200 vítimas do escândalo de pedofilia no condado de Milwaukee.

Peter Isely foi uma das vítimas de escândalo em Milwaukee e hoje é ativista da SNAP

Pelo menos 45 sacerdotes de Milwaukee enfrentam acusações de abuso sexual entre os anos 1950 e 1970. Um dos sacerdotes processados é suspeito de ter molestado cerca de 200 meninos com deficiência auditiva.
 
O papa Francisco disse, em ocasiões, ter vergonha desse episódio macabro na história da Igreja Católica.
 
Isely tinha 13 anos quando foi violentado diversas vezes. "Havia dezenas de violadores. Éramos estudantes e vivíamos em dormitórios, então não tinha como escapar. Usaram a nossa fé para nos molestar. Foi a fé que nos tornou vulneráveis."
 
Hoje, passadas mais de três décadas, ele não teme falar abertamente do caso. "A primeira vez que uma vítima relata a sua história a gente nunca esquece. Depois, senti uma grande responsabilidade em fazer algo para evitar que mais crianças fossem molestadas", disse.
 
Ele atua como terapeuta e, junto com Barbara Blaine, ajudou a fundar o SNAP. Na sua opinião, o papa Francisco tem demonstrado vontade de mudar, mas na prática as leis continuam as mesmas.
 
"Assim como um médico pode perder a licença se comprovado um erro grave, isso deveria também se aplicar a um padre se comprovado que cometeu um crime. Os padres deveriam ser responsabilizados. As leis da Igreja não protegem os fiéis e as vítimas e, sim, os clérigos."
 
Perguntado se perdeu a fé, Isely é categórico: "mais importante que a fé é o amor. Talvez eu tenha perdido a fé, mas recuperei o amor que tinha quando criança, a inocência que foi tirada de mim".
Procurada pela BBC Brasil, a Missão Permanente de Observação da Santa Sé na ONU não se pronunciou.
 
 

Papa diz que quem acoberta pedofilia na Igreja 'é culpado'

O papa Francisco voltou nesta segunda-feira (28) a denunciar o comportamento daqueles, "incluindo alguns bispos", que são "culpados" de ter acobertado crimes de pedofilia na Igreja.
 
"Nós não podemos encobrir" atos de padres pedófilos e "aqueles que os acobertam são culpados, incluindo alguns bispos", ressaltou o Papa em uma coletiva de imprensa no avião que o trouxe dos Estados Unidos.

O papa Francisco fala no avião papal (Foto: Tony Gentile/Reuters)
 
"Os abusos sexuais ocorrem em toda parte: no ambiente doméstico, vizinhança, escolas, recintos desportivos", lembrou o pontífice argentino.
 
"Mas quando um padre comete um abuso, é muito grave, porque o seu objetivo é fazer a criança crescer, no amor de Deus, em direção à maturidade emocional, para o bem", acrescentou.
 
Domingo, na Filadélfia, o Papa recebeu vítimas de atos de pedofilia e declarou aos bispos americanos: "Deus chora. Os crimes e pecados de abusos sexuais de crianças não devem continuar a ser mantidos em segredo" e os responsáveis "vão responder por seus atos".
 
"Eu falei duramente", disse então no avião.
 
Perdão

 Dias antes, em Washington, ele atraiu a ira de organizações de vítimas por expressar sua "compaixão" para com os bispos americanos.
 
"Eu falava a todos os bispos dos Estados Unidos e senti a necessidade de expressar a minha compaixão por uma coisa horrível: muitos deles sofreram, eles não sabiam", explicou.
 
No entanto, ele disse compreender aqueles que não querem perdoar: "Uma vez, uma mulher me disse: 'Quando minha mãe descobriu que eu tinha sido abusada, ela blasfemou contra Deus, ela perdeu a fé e morreu ateia".
 
"Eu entendo esta mulher, e Deus, que é melhor, compreende também. Tenho certeza de que Deus a acolheu. Porque o que foi destruído foi a sua própria carne, a carne de sua filha. Eu não julgo alguém que não pode perdoar", declarou.
 
Escândalo

 O escândalo dos padres pedófilos contribuiu grandemente para desacreditar a Igreja Católica. Os casos envolvendo dezenas de milhares de crianças revelados ocorreram, essencialmente, entre os anos 1960-1980.
 
Dezenas de bispos também se recusaram a ouvir as queixas das vítimas e protegeram os padres acusados.
 
No início de junho, o Vaticano criou uma nova instância para julgar os bispos que são culpados de acobertar padres pedófilos.
 
 

Papa envia mensagem a educadores católicos reunidos em São Paulo

video
 
Francisco gravou uma vídeo-mensagem aos participantes do 24º Congresso Interamericano de Educação Católica, realizado em São Paulo de 13 a 15 de janeiro.

Abaixo, a transcrição da mensagem:

(Tradução: Vitor Alves Loscalzo)
 
Quero deixar uma saudação aos docentes da América, reunidos na linda terra brasileira. Organizado pela Confederação Interamericana de Educação Católica.
 
Eu os agradeço pelo o que fazem pela educação; é provavelmente um dos maiores desafios. Vocês sabem que o pacto educativo está quebrado. Vocês sabem que a educação em um mundo no qual, ao centro da organização mundial, não está o homem, e sim o medo. Em um mundo assim, é cada vez mais elitista a educação – e até diria nominalista – no sentido de dar a ela conteúdo de noções; de maneira que não completa o ser humano, pois a pessoa, para sentir-se pessoa, tem que sentir, tem que pensar, tem que fazer...essas três linguagens tão simples: a linguagem da mente, a do coração e a das mãos.
 
Neste momento o trabalho de vocês é muito grande. Eu já sei! Os educadores são os que sofrem, em geral, a maior injustiça. São os mais mal pagos. Não há consciência do bem que pode fazer um educador.
 
É preciso abrir o plano da educação em direção à cultura do encontro. Que os jovens se encontrem entre eles, saibam sentir, saibam trabalhar juntos. Seja da religião que for, seja da etnia que for, da cultura que for...mas juntos pela humanidade. Isso é a cultura do encontro, esse é o momento em que a educação ensina a encontrar-se com as pessoas e a levar adiante obras de semeadura.  Isso foi o que, em Buenos Aires - não a mim, a mim isso não me ocorreu, ocorreu a alguns laicos -, me levou a favorecer o que, naquele momento, se chamou Escola de Vizinhos. Tratava-se de integrar o pensamento, o sentimento das crianças que estavam na educação...todas as suas inquietudes. Isso foi amadurecendo, se desenvolveu e, hoje em dia, é essa associação que se chama SCHOLAS, que está abrindo caminhos através do esporte, da arte... – o esporte educa, educa no que é o trabalho em equipe. A arte educa, a ciência educa, o diálogo educa. Isso é o que faz, hoje em dia, a SCHOLAS, e que, seguramente, está presente no encontro de vocês.
 
A vocês, peço, por favor, que sigam adiante. Que não se fechem a novas propostas, a propostas audazes de educação. A concepção educativa como transmissão de conteúdos, acabou-se. Está esgotada. Um educador brasileiro... Não me recordo o nome... Mattos... [Luis Alves de Mattos]... Dizia que a educação deve estar baseada em três pilares: transmissão de conteúdos, transmissão de hábitos, e transmissão de valores. Uma linda, uma linda expressão! Bom, isso, agora, traduzam em atividades, e aí sim vão fazer a cultura do encontro e não a do desencontro. Ou pior, a cultura de não integração, da exclusão, na qual somente uma elite, por meio de uma educação seletiva, terá o poder no dia de amanhã ou no dia de hoje mesmo. 
 
Eu os agradeço pelo o que fazem, eu os agradeço pela vocação. Ser educador é o  que fez Jesus. Educou-nos. Contra todo um sistema educativo; dos doutores da lei, da rigidez...leiam todos  os “elogios” que Jesus fez àquelas pessoas, no capitulo 23  de São Matheus. E Jesus nos educa por meio de outra maneira, outro estilo. Educa-nos em duas colunas muito grandes: as Bem Aventuranças, no começo do Evangelho e o protocolo sob o qual seremos julgados, que está em Matheus, 25.  Com isso, destruiu todo um sistema educativo baseado em normas, em preceitos, que, em última instância, pode-se dizer que era a profecia de o que  foi a ilustração – hoje em dia a ilustração não nos serve para nada -.
 
Que Deus os abençoe. Rezem por mim. Sigam adiante e trabalhem. E Oxalá os governos sejam consciente e os paguem mais.
 
 

Em tom apocalítico, estudo da Nasa vê planeta Terra à beira de um colapso

 
Civilizações baseadas em uma cultura avançada, sofisticada, complexa e criativa também podem ser frágeis e constantes. Alguns exemplos foram os impérios Romano, Mesopotâmico, Máuria, Gupta e Han, entre outros. A constatação foi utilizada por um estudo recente da Nasa para demonstrar que a nossa civilização também corre risco e estaria próxima a um abismo, devido a fatores como crescimento da população e mudanças climáticas.
 
O estudo foi baseado em um modelo desenvolvido por Safa Motesharrei, um matemático da Universidade de Maryland. Ao analisar ciências ambientais e sociais, o pesquisador concluiu que a modernidade não vai livrar o homem do caos. Segundo ele, “o processo de ascensão-e-colapso é, na verdade, um ciclo recorrente encontrado em toda a História”.
 
Na pesquisa, financiada pelo Goddard Space Flight Center (da Nasa), Motesharrei lista as causas de um possível fim do mundo. O colapso pode vir da falta de controle de aspectos básicos que regem uma civilização, como a população, o clima, o estado das culturas agrícolas e a disponibilidade de água e energia.
 
O Observatório da Nasa já constatou diversas vezes a multiplicação de eventos climáticos extremos, como o frio intenso do último inverno na América do Norte e o calor que, nos últimos meses, afligiu a Austrália e a América do Sul. Seus estragos paralisam setores vitais para o funcionamento da sociedade.
 
Desigualdade social
 
A economia também tem papel de destaque. Quanto maior for a desigualdade social, maiores as chances de um desastre. Segundo a pesquisa, a diferença entre as classes sociais pauta o fim de impérios há mais de cinco mil anos.
 
Com o desenvolvimento tecnológico, agricultura e indústria registraram um aumento de produtividade nos últimos 200 anos. Ao mesmo tempo, porém, contribuíram para que a demanda crescesse de um modo quase incessante. Hoje, se todos adotassem o estilo de vida dos norte-americanos, seriam necessários cinco planetas para atender as necessidades da população. Por isso, segundo Motesharrei e sua equipe, “achamos difícil evitar o colapso”.
 
Luz no fim do túnel
 
A pesquisa da Nasa, no entanto, ressalta que o fim da civilização ainda pode ser evitado, desde que ela passe por grandes modificações. As principais são controlar a taxa de crescimento populacional e diminuir a dependência por recursos naturais — além disso, estes bens deveriam ser distribuídos de um modo mais igualitário.
 
No documento, a agência lida mais com análises teóricas. Outros estudos mostram como crises no clima ou em setores como o energético podem criar uma convulsão social.
 
Fonte: EcoD
 

Segundo maior lago da Bolívia seca totalmente

Imagens dos últimos três anos revelam evaporação do Poopó. Agência europeia aponta mudanças climáticas, El Niño e retirada de água para mineração e agricultura como responsáveis pelo desastre.

Imagens do lago, feitas em 2014, 2015 e 2016
 
A Agência Espacial Europeia (ESA) comprovou por meio de imagens de satélite o desaparecimento do segundo maior lago da Bolívia. As fotografias mostram a evaporação completa dos 3 mil quilômetros quadrados do lago Poopó. Especialistas apontam as mudanças climáticas e o fenômeno El Niño como fatores que contribuíram para o desastre.
 
Fotografias tiradas em 27 de abril de 2014, 20 de julho de 2015 e 22 de janeiro deste ano mostram a redução e o desaparecimento da água do lago, localizado na Cordilheira dos Andes e o maior do país depois do Titicaca.
 
“Embora não seja a primeira vez que o Poopó evaporou (a última foi em 1994), há o temor de que leve muitos anos para que ele se recomponha, se isso realmente ocorrer”, afirmou a ESA.
O lago é um ponto de parada de aves migratórias, além de ser fonte de água para espécies de animais ameaçadas de extinção, como a suçuarana-sul-americana-do-norte, uma subespécie de puma.

O lago é um ponto de parada de aves migratórias, além de ser fonte de água para espécies de animais ameaçadas
 
A ESA aponta as mudanças climáticas associadas com a seca causada pelo fenômeno El Niño como alguns dos fatores responsáveis pela evaporação. A retirada de água de rios que abastecem o Poopó, para a mineração e agricultura, também contribuíram para acentuar o desastre.
 
O governo boliviano havia anunciado em dezembro do ano passado o desaparecimento do lago. Na época, fora aprovada uma declaração de desastre natural que permitia acelerar o uso de recursos para diminuir os impactos da catástrofe. O fenômeno foi confirmado cientificamente pela agência espacial somente nesta segunda-feira (08/02), após a avaliação de imagens.
 
“Os pescadores locais perderam seu meio de sustento, e o ecossistema do lago se mostra extremamente vulnerável”, afirmou a ESA. A Bolívia estima que serão necessários cerca de 114 milhões de dólares para salvar o Poopó.

Fonte: DW-CN/efe/epd/ots

http://www.revistaecologica.com/segundo-maior-lago-da-bolivia-desaparece/

Samarco transformou o Rio Doce em Rio da Morte, afirma especialista

 
“É uma tragédia sem igual no mundo. O Rio Doce tornou-se o maior esgoto a céu aberto do planeta com 850km de extensão e o rastro da contaminação pode ser visto do espaço. Não há como recuperar o rio em menos de 50 anos”, diz Alexandre Galvanini Valente, engenheiro, pesquisador em nutrição celular e ativista de direitos dos animais de SP que vem acompanhando e estudando as análises da água do Rio Doce, atingido pelo rompimento da barragem da Samarco em MG. Alexandre falou com tribo indígena e viu de perto uma fauna agonizante.
 
Segundo o pesquisador, foram atingidas 28 espécies de anfíbios, 248 espécies de aves e uma lista de mamíferos, alguns em vias de extinção, que faz qualquer amante dos animais chegar as lágrimas: Gambá, Catita, Tamanduá Mirim, Tatu-galinha, Tatu-peba, Tatu-testa, Tatu-rabo-mole, Mico-estrela, Sagüi, Sauá, Raposa, Lobo-guará, Quati, Mão pelada, Jaratataca, Irara, Furão, Lontra, Gato-mourisco, Jaguatirica, Onça Pintada, Onça parda, Veado-mateiro e Veado-catingueiro. Nessa entrevista dada com exclusividade à ANDA ele relata quais doenças os animais irão sofrer e descarta uma visão otimista.
 
O surucuá-grande-de-barriga-amarela tem um nome comprido, mas pode ter uma vida curta no arredores do Rio Doce
 
ANDA: Você tem acompanhado a análise da água do Rio Doce por diversos Órgãos do governo. Quais elementos foram achados?

Alexandre: Os rejeitos são basicamente compostos por 63% goethita (FeOOH), 24,6% hematita (Fe2O3), 11% quartzo (SiO2) e 6,7% caulinita (A12Si2O5(OH)4), porém, como a água de processo passa várias vezes pela barragem, ela acaba funcionando como filtro-concentrador também para elementos como cromo, manganês e o chumbo. As águas analisadas apresentaram altos teores de ferro, alumínio, manganês, cromo, cobre arsênio e chumbo sendo os últimos três não presentes em grandes teores no rejeito, o que demonstra que a frente de onda de lama revolveu violentamente o fundo solubilizando metais antes sepultados. A bacia hidrográfica do Rio Doce abriga mais de 100 barragens de mineração vertendo contaminantes noite e dia.
 
ANDA: Que problemas essa água pode causar à saúde dos animais que dela dependem?

Alexandre: Podemos esperar problemas neurológicos pelo alumínio e o manganês que afetam o sistema nervoso central. Órgãos como fígado, pâncreas e coração podem ser afetados pela overdose de ferro levando ao desenvolvimento de cirrose hepática e morte. Os animais bentônicos, aqueles que vivem dentro dos sedimentos, são altamente sensíveis a alterações físico-químicas e estão ameaçados.
 
A onça-pintada, já quase extinta, agora enfrenta mais esse obstáculo à sobrevivência
 
ANDA: Como acontece a poluição do Rio Doce?

Alexandre: A quantidade é impressionante. A lama atingiu o Parque Nacional do Rio Doce com área total de 35.976 hectares nos municípios de Timóteo, Marliéria e Dionísio. Em relação aos peixes são mais de mil toneladas exterminadas de mais de 80 espécies sendo doze delas endêmicas, ou seja, só vistas no Rio Doce. Os pescadores choravam e diziam jamais terem visto tantas espécies que eles desconheciam e os tamanhos eram impressionantes. Os moribundos tentavam sair das águas nas margens e o fino material dos rejeitos entupiam as brânquias matando-os por ausência de oxigênio.
No mar a pluma atingiu comboios onde temos o projeto Tamar e a área de proteção Costa das Algas que é berçário de peixes representativo para todo o Atlântico.
 
ANDA: Qual a concentração de ferro?

Alexandre: Fiz cálculos do despejo de ferro no oceano baseado na concentração nas águas e na vazão do Rio Doce no estuário e encontrei 3300 toneladas de ferro lançados ao mar por dia. Isto é como se voce lançasse 3300 carros populares ao mar todo santo dia e estes níveis permanecerão por décadas. O impacto desse lançamento nas cadeias alimentares dos ecossistemas aquáticos ainda é desconhecida e eles são a base da cadeia alimentar no mar. Outro cálculo que fiz mostrou que desde a entrada do Parque Nacional próximo a Ipatinga e Governador Valadares o Rio Doce teve 700 toneladas de ferro adicionados as suas águas. O Rio não se autodepura e sim se contamina no seu caminho ao mar. Os números todos são de arrepiar, basta imaginar que falamos de quase uma tonelada de rejeitos para cada cidadão brasileiro sendo lançados de uma só vez em Mariana.
 
ANDA: É possível que essa água gere mutações genéticas nos animais que sobreviverem?

Alexandre: Contaminação com estes metais poluentes não causam mutações genéticas. Nesse ponto a natureza é sábia e na fauna livre animais mutantes não conseguem sobreviver. A totalidade das mortes e os efeitos dificilmente poderão ser quantificados, já que os animais adoecem na mata e morrem sem que registros possam ser feitos. Muitas espécies têm se refugiado nos afluentes e não sabemos se eles poderão sustentar este volume adicional. Há escassez de alimentos.
 
O benedito-de-testa-amarela é um pássaro que depende do Rio Doce. Descrição: Pássaro com cabeça preta, testa e papo amarelos, peito vermelho e listras pretas e amarelas no resto do corpo. Uma beleza deslumbrante em cima de uma árvore
 
ANDA: Na sua opinião existe algum meio de reverter a situação?
Alexandre: Desde o início sabíamos que o desastre era incontrolável e a massa gigantesca libertada na natureza mudou o sedimento do Rio Doce drasticamente. Se apenas 1% permaneceu no leito teremos níveis altos de contaminantes por 20 anos. A vida no rio foi extinta e espécies endêmicas junto. Não há como recuperar o rio em menos de 50 anos. Séculos serão necessários para que o leito do rio volte a ter seus sedimentos originais.
 
ANDA: Haverá testes de toxicidade da água do Rio Doce em ratos?

Alexandre: Toda vez que falamos em toxidade acabamos tocando na questão da vivissecção. Os testes desse gênero têm os ratos como espécie eleita. Infelizmente temos centenas de fazendas que bombeiam as águas do Rio Doce para o gado dessedentar e isso já funcionará com um teste de toxicidade. Não bastasse toda crueldade envolvida na pecuária ainda temos mais este sofrimento impresso. A cultura vivisseccionista está fortemente impregnada no ensino e quem me conhece sabe que sou absolutamente contra a tortura de animais em laboratórios. A toxicologia os exige e fatalmente serão realizados.
 
O mico-estrela vive nas redondezas do Parque Nacional do Rio Doce
 
ANDA: Além do prejuízo à fauna terrestre e aquática, a água contaminada do Rio Doce tende a matar a flora ao redor do Rio?

Alexandre: Toda vegetação subaquática foi exterminada até os unicelulares. Nas margens o alumínio tem características fitotóxicas, principalmente, em solos ácidos, e impede o desenvolvimento das raízes. Com relação as plantas, as raízes têm característica seletiva e a planta se protege de contaminações como esta. A mata ciliar varrida também será difícil de ser recomposta, pois, o rejeito é solo impróprio para o crescimento da vida.
 
ANDA: Na sua opinião o que a tragédia do Rio Doce representa?

Alexandre: Em minha opinião a tragédia é sem igual no mundo, basta lembrar que o Rio Sena e o Doce são similares em extensão e vazão e se o crime fosse lá todos os responsáveis estariam presos. Tivemos um impacto profundo na Tribo Krenak. Falei com o líder Douglas Krenak e membros da tribo choram copiosamente o assassinato do “Watu” pelos “Kraí” (homens brancos). O rio é sagrado na cultura deles e esses índios remanescentes dos Botocudos vem sendo massacrados fazem séculos. Reduzidos agora a 300 membros sofrem mais este duro golpe bem no símbolo central de suas tradições.

 Os moradores ribeirinhos olham a paisagem com tristeza e apesar da cor do rio parecer barrenta na verdade encontra-se tingida pelo óxido de ferro ali presente
 
 O lobo-guará é um dos mamíferos que dependem da água do Rio Doce
 
ANDA: Como foi sua entrevista à rede ABR de rádio em Boston?

Alexandre: Afirmei que se algum peixe fosse visto no rio nos próximos 10 anos o felizardo ganharia 1 milhão de dólares. O desastre atingiu o rio na piracema e as espécies necropsiadas estavam lotadas de ovas. Tudo que olho neste desastre tem proporções astronômicas. Desde o início venho publicando números nas redes sociais e a Samarco com sua assessoria de crise mente tentando afirmar que o Rio Doce permite tratamento de água para consumo e que tudo se normalizará em pouco tempo. Fato é que a mineradora deve fechar o ano de 2015 apresentando dividendos aos acionistas e retomada da operação em 6 meses permitirá lucros de 30 bilhões de dólares até o esgotamento da jazida. O fato dos moradores das áreas atingidas terem recebido donativos demonstra o fraco apoio que receberam. O governador de Minas planeja ação judicial coletiva e isto sabemos que pouco chegará para a recuperação do rio. Obras de dragagem de mais de 200 km atingidos é algo virtualmente impossível de ser feito. Agora é sentar e chorar como estão fazendo os membros da tribo Krenak.
 
 

GCM DE BARUERI LINO ESPECIALISTA EM SEGURANÇA PÚBLICA FALA SOBRE GUARDA MUNICIPAL CATEGORIA DIFERENCIADA

 
Guarda Municipal:
Categoria Diferenciada de Servidor Público Municipal
Carlos Alberto Lino da Silva
GCMB – Guarda Civil Municipal de Barueri, São Paulo, Brasil.
Profª. Drª. Fabiane Ferraz Silveira Fogaça
Universidade de Taubaté e Universidade Federal de São Carlos

RESUMO

A Constituição da Republica Federativa do Brasil de 1988 inseriu a Guarda Municipal no
capítulo da Segurança Pública. A Lei nº. 13.022 de 8 de Agosto de 2014 estabelece as
diretrizes e competências da Guarda Municipal.
Servidor público são todos aqueles
empregados de uma administração estatal da União, Estados, Distrito Federal e Municípios.
Categoria diferenciada é a que se forma dos empregados que exerçam profissões ou funções
diferenciadas por força de estatuto profissional especial ou em consequência de condições de
vida singular. Este trabalho dimensiona e revisa de forma descritiva a produção científica
sobre Guarda Municipal e a discute como categoria diferenciada de servidor público
municipal, visando construir uma nova teoria e uma nova forma de apresentação do assunto.
Palavras-chave: Guarda Municipal. Servidor Público. Categoria Diferenciada.

1 INTRODUÇÃO

A Constituição da República Federativa do Brasil dispõe que segurança pública é
um dever do Estado, que visa à preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas
e do patrimônio através da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Ferroviária
Federal, Polícias Civis, Polícias Militares, Corpos de Bombeiros Militares e Guardas
Municipais.

A Guarda Municipal é um dos poucos órgãos, senão o único, de prestação de
serviço público municipal, que está inserida na Constituição Federal. Desde a promulgação da
Constituição Federal de 1988 a categoria profissional de Guardas Municipais tem se
expandido por vários municípios brasileiros. A Pesquisa de Informações Básicas Municipais
(IBGE 2014) demonstra que existem 1.081Guardas Municipais distribuídas em municípios
brasileiros com exceção do Acre, há 25 estados que contam com este órgão de segurança
pública municipal.

A Lei nº. 13.022 de 8 de Agosto de 2014 estabelece diretrizes e competências da
Guarda Municipal. Dentre as especificidades desta instituição por meio do poder de polícia
estão a de prevenir, inibir e coibir infrações penais ou administrativas e atos infracionais na
realização do patrulhamento preventivo. As Guardas Municipais são formadas por servidores
públicos de carreira única com uma estrutura hierárquica de postos e graduações de Guarda
Municipal a Comandante.

Diante da expansão das Guardas Municipais, os seus membros com base em um
conjunto de leis começaram a se organizar em entidades de classe como categoria
diferenciada de servidor público, contudo os sindicatos de servidores públicos municipais
seguindo parecer da Confederação dos Servidores Públicos do Brasil - CSPB afirmam que no
serviço público não há categoria diferenciada, pois todos os servidores estão submetidos há
único regime jurídico.

Diante do conflito de representação em função da classificação de Servidores
Públicos Comuns e Especiais e de como essas diferentes características podem influenciar no
ambiente de trabalho torna-se fundamental na gestão de pessoas observarem as
particularidades da especialização profissional. Especialmente no caso da Guarda Municipal
cujo comprometimento organizacional da instituição e de seus membros deve estar associado
aos princípios mínimos de atuação.
 

A SEGURANÇA PÚBLICA NO BRASIL

Na última década, a questão da segurança pública passou a ser considerada problema fundamental e principal desafio ao estado de direito no Brasil. A segurança ganhou enorme visibilidade pública e jamais, em nossa história recente, esteve tão presente nos debates tanto de especialistas como do público em geral.

Os problemas relacionados com o aumento das taxas de criminalidade, o aumento da sensação de insegurança, sobretudo nos grandes centros urbanos, a degradação do espaço público, as dificuldades relacionadas à reforma das instituições da administração da justiça criminal, a violência policial, a ineficiência preventiva de nossas instituições, a superpopulação nos presídios, rebeliões, fugas, degradação das condições de internação de jovens em conflito com a lei, corrupção, aumento dos custos operacionais do sistema, problema relacionados à eficiência da investigação criminal e das perícias policiais e morosidade judicial, entre tantos outros, representam desafios para o sucesso do processo de consolidação política da democracia no Brasil.
 
Lalo de Almeida/Folha Imagem  
Imagem extraída de www.worldpress.com 
Cidade de São Paulo, centro e periferia
 
A amplitude dos temas e problemas afetos à segurança pública alerta para a necessidade de qualificação do debate sobre segurança e para a incorporação de novos atores, cenários e paradigmas às políticas públicas.
 
O problema da segurança, portanto, não pode mais estar apenas adstrito ao repertório tradicional do direito e das instituições da justiça, particularmente, da justiça criminal, presídios e polícia. Evidentemente, as soluções devem passar pelo fortalecimento da capacidade do Estado em gerir a violência, pela retomada da capacidade gerencial no âmbito das políticas públicas de segurança, mas também devem passar pelo alongamento dos pontos de contato das instituições públicas com a sociedade civil e com a produção acadêmica mais relevante à área. 
 
Em síntese, os novos gestores da segurança pública (não apenas policiais, promotores, juízes e burocratas da administração pública) devem enfrentar estes desafios além de fazer com que o amplo debate nacional sobre o tema transforme-se em real controle sobre as políticas de segurança pública e, mais ainda, estimule a parceria entre órgãos do poder público e sociedade civil na luta por segurança e qualidade de vida dos cidadãos brasileiros.
 
Trata-se na verdade de ampliar a sensibilidade de todo o complexo sistema da segurança aos influxos de novas idéias e energias provenientes da sociedade e de criar um novo referencial que veja na segurança espaço importante para a consolidação democrática e para o exercício de um controle social da segurança.
 

Qual o real motivo do caos da saúde pública no Brasil?

No último período, a grande mídia veiculou diariamente reportagens sobre o caos do sistema de saúde pública brasileiro. Apesar desta massificação, nenhuma novidade foi apresentada para nós, usuários e trabalhadores do SUS (o Sistema Único de Saúde).
 
O SUS é uma importante conquista da classe trabalhadora brasileira. O reconhecimento constitucional da saúde como direito de todos e dever do Estado se deu em meio ao ascenso das lutas na década de 1980.  Nesse contexto, o SUS deveria ser organizado sob as diretrizes da Seguridade Social, apoiado em uma noção abrangente de direito e proteção social. Contudo, na prática, a configuração do SUS universal e estatal não se efetivou, devido a problemas estruturais de subfinanciamento e da forte presença do setor privado, que perduram até a atualidade, 25 anos após a sua concepção.
 
 
A saúde é um tema de relevância no cenário nacional e internacional, devido às suas implicações sociais (é uma necessidade humana básica e, por isso, deve ser compreendida como um direito universal, independente do poder de compra dos indivíduos); políticas (é um importante elemento de pressão social e política sobre os governantes) e econômicas (é um espaço de acumulação de capital, que envolve uma considerável quantia de recursos, públicos e privados).
 
Pesquisa recente do IBGE (2013) apontou que 75% dos brasileiros não têm planos de saúde, ou seja, utilizam exclusivamente o SUS. E os 25% conveniados estão em sua imensa maioria insatisfeito com o atendimento prestado pelo setor privado e também recorrem com frequência ao SUS.
 
O SUS é viável?

 O SUS vive um paradoxo. O Brasil tem uma rede de saúde gratuita e de livre acesso a toda a população e, ao mesmo tempo, vê o mercado da saúde (planos e consultas particulares) se fortalecer e, inclusive, gastar mais dinheiro do que o Estado.
 
O relatório da Comissão da Seguridade Social da Câmara dos Deputados (2011) confirma que o investimento em saúde no Brasil está abaixo da média dos países com sistemas universais, cerca de 8% do PIB. Contudo, no país o setor privado é quem puxa os gastos, ou seja, 55% dos gastos em saúde beneficiam os 25% conveniados a planos de saúde, enquanto que 45% dos gastos cobrem os 75% da população que não tem plano de saúde. Essa conta, além de provar que não há viabilidade econômica para a saúde privada, demonstra também que a prioridade do governo não tem sido fortalecer o SUS público e estatal. A consequência é o sucateamento do mesmo, e com isso, um forte incentivo para que mais brasileiros, mesmo sem condições econômicas, migrem para planos privados. Em países com modelos de saúde próximos ao SUS, essa diferença se inverte, o peso do investimento estatal é superior: Inglaterra (82%), Canadá (72%) e Noruega e Suécia (72%).
 
Segundo dados da Frente Nacional Contra a Privatização da Saúde (2013), aproximadamente 45% dos gastos público são utilizados para o reembolso da rede privada contratada. Do total de internações realizadas no setor privado, na primeira década dos anos 2000, 74,5% foi custeada pelo SUS; do total dos recursos públicos do SUS destinados aos procedimentos hospitalares de média e alta complexidade, 57% foi destinado à rede privada-filantrópica contratada e apenas 43% à rede pública, no período de 2008 a 2012, caracterizando a privatização progressiva do fundo público, uma afronta ao artigo 199 da Constituição Federal, que assegura que o setor filantrópico ou privado é complementar ao público.
 
Para agravar a penúria das verbas para o SUS, foi prorrogada até 2015 a DRU (Desvinculação de Receitas da União), que permite ao governo retirar até 20% do orçamento da Seguridade Social e transferir para outras áreas como o pagamento de juros da dívida pública aos banqueiros nacionais e internacionais, que já consomem em torno de 47% da receita da União. Além disto, a regulamentação da Emenda 29 frustrou as expectativas dos brasileiros, não trazendo os esperados novos aportes de recursos para a saúde, principalmente ao não regulamentar o percentual dos recursos federais.
 
A recente votação pelo Senado do projeto que destina 25% dos royalties do Pré-sal para a saúde, também gerou expectativas em muitos que acreditam que essa medida irá mudar os rumos do setor. Mas a estimativa feita pela Auditoria Cidadã da Dívida é que, em 2022, o valor que será acrescentado ao orçamento da saúde equivale apenas 0,4% do PIB. Um valor do tamanho da preocupação dos governadores com a saúde, quase zero.
 
O subfinanciamento impossibilita o SUS de existir plenamente, como idealizado na Constituição. Na prática, garantir o financiamento mínimo necessário consiste em triplicar os recursos para a saúde pública estatal. Deste modo, se o governo brasileiro quer ser sério com a saúde pública deveria parar de fazer propaganda enganosa, semeando ilusões que medidas paliativas como o programa “Mais Médicos” melhorarão as condições de saúde do povo brasileiro. Deveria garantir de fato, legalmente e na prática, o financiamento mínimo de 10% do PIB para a saúde pública estatal.
 
O subfinanciamento é o principal responsável pela falta de atendimento, demora na marcação de consultas, exames e cirurgias, precariedade de infraestrutura, ausência de recursos nas unidades de saúde e ainda, pelo déficit de profissionais, médicos, enfermeiras e todos os outros que são parte da equipe multiprofissional. Em suma, a política econômica aplicada pelo governo federal em detrimento das políticas sociais, tem sido a responsável pela morte de dezenas, quiçá centenas de brasileiros todos os dias.
 
Privatizar não é a solução!

 O setor privado corrói o SUS desde a sua criação, sendo inclusive compreendido pelos governantes e gestores como complementar. Tal compreensão é uma contradição, visto que lucro e direito sociais universais não caminham juntos, ainda mais, na sociedade capitalista marcada por desigualdades econômicas, políticas e sociais, e essas têm implicações para a saúde. 
 
Essa promíscua aliança entre governos e empresário da saúde se aprofunda a cada ano. Ao longo de 25 anos, o SUS tornou-se uma arena de corrupção e mau uso do dinheiro público: contratos ilegais e superfaturados, cooperativas, terceirizações, quarteirizações e modelos de gestão privatizantes que, a depender de quem está à frente dos mandatos de presidente, governadores e prefeitos podem ser: Organizações Sociais, Fundações Estatais de Direito Privado, e a  Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) que o PT de Dilma busca impor na rede federal (hospitais e institutos universitários).
 
Estas representam a flexibilização da gestão pública e a implementação de modelos organizacionais que seguem a lógica de mercado para gerir os serviços públicos e constituem grave ataque ao caráter público- coletivo e social da saúde. Têm sido concretizados nas três esferas governamentais por meio da proposição ou edição de Leis e Emendas Constitucionais que alteram o arcabouço jurídico e até os princípios que orientam a boa administração pública. Em resumo, essas empresas representam a negação do direito universal à saúde de responsabilidade estatal, o estímulo à privatização do fundo público, o consentimento governamental para se operar mais desvios de recurso público e a precarização das condições e relações de trabalho. 
 
Outras medidas do governo Dilma para privilegiar ainda mais os empresários da saúde incluem: a mudança constitucional que abriu o mercado nacional para seguradoras estrangeiras; a promoção do “perdão” das dívidas dos hospitais filantrópicos (leia-se privados), por meio do PROSUS, em troca estes hospitais aumentariam em 5% o atendimento a pacientes SUS. Segundo dados do Ministério da Saúde (2013) com esta medida os incentivos pagos aos principais hospitais filantrópicos saltaram 185%, chegando a R$ 968,6 milhões em 2012, contra R$ 340 milhões em 2011; e, mais recentemente Dilma quer implementar uma política de subsídios do Estado aos planos de saúde e assim  “barateá-los” a fim de ampliar adesão da população aos mesmos (principalmente os estratos sociais médios mais pauperizados). O PT de Dilma está aprofundando a destruição do SUS como nunca antes da história desse país.
 
 
Só as mobilizações e a resistência podem salvar o SUS!

 Há uma ofensiva contra o SUS articulada pelos empresários da saúde, grande mídia e governos. Pouco se fala no subfinanciamento, difunde-se o discurso falacioso que o problema do SUS se resume a má gestão pública quando, na verdade, deseja-se ampliar o espaço de acumulação de capital na saúde. É fato, há uma intencional incapacidade de gestão pública comprovada por parte do governo e do Ministério da Saúde, ou seja, os que gerem o SUS são aqueles que têm interesse em sucateá-lo.
 
O cenário é alarmante, o SUS sobrevive à duras penas a seus defeitos “congênitos”: subfinanciamento e a privatização, que são aprofundados cotidianamente pelas políticas de caráter neoliberais.  Uma transformação real no SUS só poderá acontecer nos marcos de uma política econômica que coloque como prioridade o atendimento às necessidades da população. De Collor a Dilma, passando por Lula, o que há é subfinanciamento e favorecimento da mercantilização da saúde, enquanto os trabalhadores padecem e morrem sem atendimento.
 
As perspectivas são preocupantes se analisarmos as transformações demográficas, sociais e econômicas pelas quais passa o Brasil. Destaca-se o envelhecimento da população e, com isso, o inevitável aumento da demanda pelo SUS e ainda, no campo econômico, a existência de uma crise econômica ainda latente no país, mas que já se expressa na reestruturação produtiva (precarização das relações e condições de trabalho), na carestia do custo de vida e nos baixos salários que impactam a saúde dos trabalhadores. Assim, mais uma vez, os governantes optam por atuar na contramão das necessidades e demandas da população.
 
A defesa do SUS está na ordem do dia, e não é tarefa apenas dos trabalhadores, mas para o conjunto da classe, pois o direito à saúde universal é uma necessidade básica e precisa ser defendido de maneira intransigente, visto que é parte constituinte do direito à vida. Portanto, a única possibilidade para nós, usuários e trabalhadores, é lutar pelo SUS 100% estatal, público e de qualidade para assegurar o direito universal à saúde. Mas isto só será possível com a aplicação de no mínimo 10% do PIB para a saúde pública estatal e o fim das privatizações. Assim sendo, em 2014 é o momento de entornarmos num único grito: “Da Copa eu abro mão, eu quero é dinheiro para saúde e educação!”.
 
 

O caos na Saúde pública brasileira

A saúde pública no Brasil é uma questão que necessita de mais atenção dos órgãos competentes. A realidade nos mostra um país desestabilizado onde as políticas públicas são incoerentes e desrespeitam a sociedade. É vergonhoso ver nossas crianças e idosos morrendo em corredores dos hospitais públicos; ora por falta de atendimento, ora por falta de remédios. Outro aspecto relevante desse “quadro negro” brasileiro é em relação às greves que assolam cada vez mais o povo oprimido, que luta constantemente por uma vaga nos postos de saúde.
 
 
Os profissionais da área chegam ao ponto de se ferem obrigados a parar suas atividades justamente para reivindicar do governo, melhores condições de trabalho e até mesmo reajuste salarial. Estamos diante de uma situação onde a vítima desse caos público somos nada mais, nada menos que nós mesmo, ou do povo oprimido? Uma reforma administrativa é essencial. Outros problemas que afligem a saúde dos brasileiros são inumeráveis. A falta de estrutura e a super lotação dos postos de saúde e hospitais públicos são dilemas que necessitam ser revistas.
 
O resultado desse serviço de “excelência” do Governo vem sendo mostrado constantemente nos noticiários da TV, como é o caso do nordeste vive atualmente um dilema em se tratando de saúde pública, “Uma criança de um ano e cinco meses morreu por falta de atendimento em um posto de saúde de Maceió. Não havia pediatra de plantão, por causa da greve dos médicos da rede estadual”. Quantas crianças precisaram perder a vida para que essa situação se transforme? É evidente que nosso país não é dos melhores e que somos taxados como país de terceiro mundo. Mas o povo humilde que sofre com tantas filas, greves e falta de remédios, merece ser tratados como terceiros?
 
 
Nosso país não é o primeiro, mas pelo menos merecemos uma saúde de primeira, digna de alimentar as esperanças de um povo sofredor. Que luta dia-a-dia para pelo menos conseguir uma consulta através do SUS. O Sistema Único de Saúde precisa urgentemente ser reformulado. A sociedade pede emergência e os brasileiros se humilham:
- Alguém ajuda?
 
[ Pedro Martins ]      
  Estudante de Jornalismo

http://www.gostodeler.com.br/materia/2658/O_caos_na_Sa%C3%BAde.html

Transporte público é rotina na vida de milionários na Europa e EUA

Ex-prefeito Michel Bloomberg no 'subway' de NY
 
Artigo comenta a lista divulgada em vários sites de autoridades e homens ricos mundo afora que diariamente preferem se deslocar de ônibus ou metrô.
 
“País rico não é aquele que pobre anda de carro, é aquele que rico anda de transporte público”. A frase, bastante conhecida entre os que acompanham o tema da mobilidade urbana, foi usada repetidas vezes, por exemplo pelo ex-prefeito de Bogotá Enrique Peñalosa, responsável pela implantação do sistema de ônibus Transmilênio, que opera desde 2000 na capital colombiana, ele também um usuário convicto do transporte público. 
 
O tema é tratado no artigo que o jornalista Adamo Bazani escreveu em seu blog Ponto de Ônibus. Ele comenta o levantamento que circulou em diversos sites de notícias, como no da revista Época, e que em tradução livre intitula-se: “Veja como 7 dos maiores bilionários levam uma vida simples”. 
 
O artigo abre citando o caso do ricaço Ingvar Kamprad, fundador da IKEA, gigante dos móveis na Europa. “No dia a dia, ele usa ônibus para chegar ao escritório, mesmo tendo no banco US$ 39,3 bilhões. Considerado o segundo homem mais rico da Europa, Kamprad almoça na cantina da empresa, ao lado dos funcionários, e seu carro é um Volvo, modelo antigão.” – diz o texto. E prossegue o post:
 
"Em outras ocasiões, também foram comuns notícias de bilionários e autoridades tendo o transporte público como rotina. Um dos exemplos mais clássicos é do ex-prefeito de Nova York, o empresário de sucesso Michael Bloomberg, que também é visto com frequência em ônibus e metrô indo para o trabalho.
 
O que para nós é notícia, para o mundo desenvolvido já é algo corriqueiro.
 
Muitos podem dizer que é claro que esses milionários usam transporte público em suas cidades porque os ônibus trens e metrô prestam um serviço de muito mais qualidade do que se é observado no Brasil de maneira geral.
 
E é verdade. Afinal estes homens de negócios, cujas decisões impactam diretamente a vida de milhões de famílias em todo o mundo, não poderiam ficar esperando 30 minutos no ponto de ônibus ou entrar em um trem que dá pane a todo momento. Mas estes milionários, mesmo com um transporte público de qualidade, poderiam muito bem usar apenas seus carros e helicópteros.
 
Também é legítima a afirmação de que o contexto das cidades brasileiras não permitiria que milionários e bilionários usassem o transporte público por causa da violência. Afinal, hoje tem sido comum pessoas perderem a vida por simples celulares, muitos roubados em arrastões dentro de ônibus, estações e vagões.
 
Mas a questão também não é só essa. Existe nestes países desenvolvidos toda uma estrutura cultural que permite com que os que possuem uma condição financeira melhor enxerguem o transporte público como parte do seu dia a dia.
 
E além de melhorar a infraestrutura dos transportes, os serviços e a segurança pública, países como Brasil têm uma longa barreira cultural para vencer (...)
 

Mobilidade Urbana Sustentável

O que é mobilidade urbana sustentável

Mobilidade é o grande desafio das cidades contemporâneas, em todas as partes do mundo. A opção pelo automóvel - que parecia ser a resposta eficiente do século 20 à necessidade de circulação - levou à paralisia do trânsito, com desperdício de tempo e combustível, além dos problemas ambientais de poluição atmosférica e de ocupação do espaço público. No Brasil, a frota de automóveis e motocicletas teve crescimento de até 400% nos últimos dez anos.
 
 
O portal Mobilize Brasil busca difundir boas práticas de transportes coletivos integrados, que melhorem a qualidade dos ambientes urbanos. Mobilidade urbana sustentável, em outras palavras.
 
Mobilidade urbana sustentável envolve a implantação de sistemas sobre trilhos, como metrôs, trens e bondes modernos (VLTs), ônibus "limpos", com integração a ciclovias, esteiras rolantes, elevadores de grande capacidade. E soluções inovadoras, como os teleféricos de Medellin (Colômbia), ou sistemas de bicicletas públicas, como os implantados em Copenhague, Paris, Barcelona, Bogotá, Boston e várias outras cidades mundiais.
 
Por fim, a mobilidade urbana também demanda calçadas confortáveis, niveladas, sem buracos e obstáculos, porque um terço das viagens realizadas nas cidades brasileiras é feita a pé ou em cadeiras de rodas.
 
Somente a requalificação dos transportes públicos poderá reduzir o ronco dos motores e permitir que as ruas deixem de ser "vias" de passagem e voltem a ser locais de convivência.
 

Secretária de Educação discute participação da família e comunidade no processo educacional

Na noite da última quinta-feira (25/02), a secretária de Estado de Educação, Macaé Evaristo, se reuniu com pais e mães de estudantes de escolas estaduais, integrantes dos colegiados escolares, professores e demais profissionais da Educação em Coronel Fabriciano, no Vale do Aço, para discutir a importância das famílias e da comunidade escolar no processo educacional, especialmente no momento do debate do Plano Estadual de Educação (PEE), que está em tramitação na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
 
 Participaram da reunião pais e mães de estudantes de escolas estaduais, integrantes dos colegiados escolares, e profissionais da Educação. Foto: Carlos Alberto/Imprensa MG
 
Macaé Evaristo ressaltou as 20 metas previstas no PEE, afirmando que elas se configuram em um grande desafio. “O Plano prevê a universalização da Educação Infantil, a ampliação da Educação Integral e profissionalizante, a universalização do ensino médio. São grandes desafios. E não estamos falando de metas que estão longe. Estamos falando de metas que precisamos atingir agora. É a vida real. É a vida e o futuro de nossas crianças e adolescentes”, afirmou.
 
A secretária de Educação lembrou a redução das matrículas no ensino médio, afirmando que é necessário que os jovens tenham acompanhamento dos pais em seus estudos. “Não podemos deixar para lá e pensar que eles já conseguem se virar sozinhos. É neste momento, em que eles estão fazendo suas escolhas, que precisamos estar perto. Precisamos cuidar. Essa é uma tarefa para as famílias e toda comunidade. Estamos falando de nossos filhos, sobrinhos, netos, vizinhos. Estamos falando de nossas crianças. Vamos colar nos nossos adolescentes”, destacou.
 
 O financiamento da Educação foi um dos assuntos destacados pela secretária Macaé Evaristo. Foto: Carlos Alberto/Imprensa MG
 
Questões como o financiamento da Educação também foram ressaltadas por Macaé Evaristo. Ela lembrou que é importante que toda a comunidade acompanhe os fatos nacionais e, como exemplo, citou o debate no Congresso Nacional sobre a destinação de royalties da exploração do petróleo da camada do pré-sal para a educação. “Todo mundo fala da importância da Educação. Mas neste momento a destinação de recursos da exploração do pré-sal para Educação está ameaçada. Não podemos deixar isto acontecer. Educação de qualidade pressupõe recursos financeiros, financiamento”, destacou. “O Plano Estadual de Educação implica uma luta que é ampla, mas ela tem também uma dimensão que é da rotina do dia a dia, da qual não podemos abrir mão. Eu acredito que é possível fazer escola pública de qualidade se trabalharmos articulados com a participação das famílias e da comunidade”, concluiu.
 
Após a palestra da secretária, foi aberto o debate e temas como desligamentos dos servidores que foram efetivados pela Lei 100, designações de professores e violência na escola foram debatidos. Estiveram presentes ao encontro a prefeita de Coronel Fabriciano, Rosângela Mendes, secretários de Educação dos municípios do Vale do Aço, superintendentes regionais de ensino da região e a equipe técnica da Secretaria de Estado da Educação.
 

A coisa é séria

Diferenças observáveis entre o mosquito Aedes aegypti e o pernilongo comum Culex
 
Foi picado por um mosquito, ficou coçando, com calombo e vermelhidão no local da picada? Relaxe. Não foi o Aedes, pois este não deixa marcas.


Você está sendo picado por um mosquito. Quando percebe o delinquente pousado na sua pele, ele já se encontra com o organismo cheio de sangue – o seu sangue! O pequeno demônio, ao perceber seus movimentos de pânico, liga os motores e sai voando serelepe.Nesse ponto você se lembra das notícias do jornal que leu pela manhã e então o pânico se transforma em desespero. Logo você se imagina entrando nas estatísticas e na sua cabeça começa a soar uma sirene de ambulância.

Calma! Pode ser que o fugitivo seja um Culex quinquefasciatus (o pernilongo comum) e não o temido Aedes aegypti. Tudo que você precisa fazer é se acalmar e repassar a lista de características que o levem a identificar o diabo que lhe atacou. Quem sabe o agressor foi um Culex?... Nesse caso, você já sabe o pior que pode lhe acontecer: pele avermelhada, coceira e – se você tiver alergia – aqueles calombos que surgem na pele. Se for assim, agradeça: pior mesmo é se o agressor não deixar nenhuma lembrancinha visível. Vamos às diferenças.

TAMANHO: o Aedes mede de 5 a 7 milímetros sendo maior que o Culex que vai de 3 a 4 milímetros. Eu sei que é difícil medir um mosquito com uma régua, ainda mais em movimento. Mas você já deve ter noção do tamanho de um pernilongo comum (o Culex). O Aedes é maior, tem quase o dobro de tamanho.COR: o Culex veste modelitos num marronzinho básico, meio sem graça. Já o Aedes traja elegantes conjuntos em faixas pretas e brancas intercaladas, imitando camisa de presidiário (lembra dos Irmãos Metralha?).

HORÁRIO DE ATIVIDADE: o Culex é um mosquito boêmio, sai para colher sangue após as 18 horas e durante a noite. Já o Aedes trabalha em meio-expediente, das 9h às 13h aproximadamente. Este é o horário de alerta.SOM DURANTE O VOO: o Culex é aquele mosquito que tem som de mosquito. Ouviu aqueles zumbidos irritantes que você sabe imitar? É o Culex. O Aedes tem o motor silencioso: você não vai sentir a aproximação do perigo.

VELOCIDADE DE ESCAPE: aqui o Aedes leva uma enorme vantagem. Tem um motor supersônico equipado com processador Core i7 de última geração, de forma que não adianta tentar acertar o Aedes com raquete elétrica. Já o Culex, quando veio para o Brasil entrou pela Bahia onde adquiriu alguns hábitos modorrentos, além de que vem equipado com um processador Intel 286. Comparando os dois, o Culex é como um fusca e o Aedes uma Ferrari. Se for rápido, você consegue enfiar a mão no Culex. No Aedes é bem mais difícil.

LOCAL DE REPRODUÇÃO: o Aedes é um bicho limpo, coloca seus ovos em água comum, proveniente da chuva, da rega de plantas, etc. Dessa forma, qualquer recipiente que possa conter água funciona como berço para uma futura legião de aedezinhos. Já o Culex é sujo pra chuchu. Coloca seus ovos na água suja e contaminada, como a água de esgotos. Portanto, aquele buraco escuro com água fedorenta e poluída está mais para Culex do que para Aedes. Se quiser distância do Aedes, preste atenção em potinhos, pneus velhos, tampinhas, enfim, qualquer coisa que contenha ou possa vir a conter água.
PICADA: a picada do sugismundo Culex não poderia passar em branco: pele vermelha, coceira e calombos, como já foi dito. Já 
o Aedes chupa, com classe e anestesia, e não deixa sinal algum na pele. O grande problema do Aedes é  o que ele deixa SOB a pele.
RESISTÊNCIA DOS OVOS: os ovos do Culex murcham fora da água contaminada e tornam-se inviáveis. Já o Aedes coloca ovos blindados que duram até um ano e meio em ambiente seco. Tem gente dizendo que uma estratégia seria colocar propositalmente potes com água para as fêmeas do Aedes depositarem os ovos e depois despejar fora a água antes que as larvas se desenvolvam. Pelo que foi dito eu não recomendaria essa solução. O melhor mesmo é eliminar qualquer coisinha (ou coisona) que possa conter água parada.
CONSEQUÊNCIAS: o pior vem agora... Uma picada de Culex, repetindo, no máximo traz coceira, calombos ou o avermelhado na pele. Ele também pode transmitir o verme da filariose (elefantíase), mas trata-se de uma doença não epidêmica e rara. O Aedes iniciou como uma startup, lançando a dengue, que se tornou um enorme sucesso comercial. Em função disso, a Aedes & Cia criou novos produtos e agora oferece também a febre chikungunya e o zika. Ao entrar em contato com o Aedes você pode adquirir cada produto isoladamente ou em combos. Esconjura!
Quer saber? A coisa é séria. Colabore com a sua parte. O grande problema é o Aedes. Eu sei que rola o risco da gente também detonar o Culex nessa guerra e deixar as pererecas sem alimento. São os efeitos colaterais.
 
Recebido por E-MAIL CIRCULAR DE INTERESSE GERAL