sábado, 7 de novembro de 2015

Desastre em Mariana: 5 perguntas sem resposta sobre rompimento de barragem

Rompimento de barragem liberou 'mar de lama' que soterrou diversas casas
 
O rompimento de duas barragens de uma mineradora liberou uma enxurrada de lama que causou grande destruição em um distrito de Mariana, em Minas Gerais, e deixou pelo menos um morto.
As barragens de Fundão e Santarém, da mineradora Samarco, entre os municípios de Mariana e Ouro Preto, se romperam na quinta-feira à tarde, e liberaram uma onda de lama que teria chegado a 2,5 m de altura.
 
Moradores relataram um cenário de devastação no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, o mais atingido, a cerca de 2 km do rompimento. Há relatos de desaparecidos e pessoas ilhadas, mas o número real de vítimas ainda é desconhecido.
 
Veja abaixo algumas perguntas ainda sem resposta sobre o desastre.
 

O que causou o rompimento?

 
A Samarco disse ter registrado dois pequenos tremores na área duas horas antes do rompimento, por volta das 16h20 de quinta-feira, segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura de Mariana.
 
Não se sabe o que teria causado estes tremores - se seriam abalos sísmicos ou a força do próprio rompimento.
 
A empresa inicialmente informou que apenas uma barragem havia se rompido, a de Fundão, mas informou à noite que uma segunda barragem, a de Santarém, também sofreu ruptura.
 
Em comunicado divulgado em sua página no Facebook nesta sexta-feira, a empresa disse que "não há confirmação das causas e a completa extensão do ocorrido" e que "investigações e estudos apontarão as reais causas".
 
Segundo a Samarco, a última fiscalização das barragens pela Superintendência Regional de Regularização Ambiental (Supram) foi em julho deste ano e indicou que elas estavam em "totais condições de segurança".

A lama pode ser tóxica?

Lama eliminada por barragens devastou região de Bento Rodrigues
 
Sabe-se que as barragens continham água e rejeitos de minério de ferro. A maioria deste material é considerada de baixo potencial poluidor, segundo artigo da Escola de Minas da Universidade Federal de Ouro Preto.
 
A empresa disse nesta sexta que o rejeito é inerte. "Ele é composto, em sua maior parte, por sílica (areia) proveniente do beneficiamento do minério de ferro e não apresenta nenhum elemento químico que seja danoso à saúde".
 
Especialistas seriam enviados à área nesta sexta-feira para avaliar o material que vazou.

Há risco de novos rompimentos?

Estradas foram interrompidas e acesso a áreas é realizado apenas por helicópteros
 
O Corpo de Bombeiros estaria monitorando uma terceira barragem para verificar o risco de rompimento.
 
Não é a primeira vez que barragens se rompem em Minas Gerais. Em 2014, um acidente em Itabirito, a cerca de 60 km de Belo Horizonte, deixou três trabalhadores mortos.
 
Quantas pessoas podem ter sido afetadas?
 
Distrito de Bento Rodrigues, a cerca de 2km do acidente, foi o mais afetado
 
O distrito de Bento Rodrigues tem cerca de 600 moradores. Outros vilarejos foram atingidos pela lama e a estimativa é de que até 2 mil pessoas possam ter sido afetadas.
 
 Mas estes moradores foram alertados e tiveram tempo de buscarem abrigo. A Prefeitura de Mariana confirmou um morto, mas este número pode subir.
 
Por que informações de vítimas são conflitantes?
 
Sobreviventes foram socorridos na quinta-feira à noite, mas teme-se que haja mais feridos e soterrados
 
Alguns veículos de comunicação falaram em números mais altos de mortos - citando fontes não oficiais.
 
A incerteza se deve em parte ao acesso restrito ao distrito de Bento Rodrigues, realizado apenas por helicóptero. Imagens aéreas de TV mostraram casas completamente destruídas e soterradas por lama.
Moradores relataram haver vários desaparecidos e pessoas ilhadas. As operações aéreas de resgate seriam retomadas nesta manhã.
 

Segurança Pública brasileira é improdutiva, violenta e reproduz desigualdades

Apenas a polícia brasileira foi responsável por seis mortes por dia, em 2013, reflexo da ideologia militar da corporação, segundo o relatório da Comissão. Hoje, o Brasil é responsável por um em cada dez homicídios no mundo
 
"A Polícia Militar tem uma organização e formação preparada para a guerra contra um inimigo interno e não para a proteção. Desse modo, não reconhece na população pobre uma cidadania titular de direitos fundamentais, apenas suspeitos que, no mínimo, devem ser vigiados e disciplinados, porque assim querem os sucessivos governantes, ontem e hoje." Essa é a conclusão do capítulo sobre a militarização da polícia brasileira, presente no relatório final da Comissão da Verdade "Rubens Paiva", divulgado nesta quinta-feira 12.
 
Através de um estudo histórico, que recupera a formação das polícias brasileiras desde o período colonial, o relatório sistematiza o modelo escolhido pelo Brasil para formar seus policias e sugere uma profunda reforma da Segurança Pública a fim de acabar com o crescimento recorde de mortes de civis e policiais e com a "improdutividade" das corporações, que hoje estão divididas em duas polícias, cada uma com duas carreiras.
 
O debate sobre a necessidade de reformar a Segurança Pública brasileira não é exclusividade da Comissão da Verdade. Segundo pesquisa DataFolha de 2014, a segurança já é a segunda maior preocupação dos brasileiros. E não é à toa. Hoje, o Brasil é responsável por um em cada dez assassinatos cometidos no mundo. Diariamente, 154 pessoas são mortas no País. Por outro lado, fontes extraoficiais estimam que o número de pessoas presas no Brasil já beira 600 mil pessoas, o que faz do País o terceiro maior em população carcerária do mundo, apenas atrás de Estados Unidos e China. Em doze anos, o crescimento carcerário brasileiro foi de mais de 620%, enquanto o populacional foi em torno de 30%.
 
Uma das causas deste cenário de caos reside, segundo o relatório, na incapacidade da Polícia Militar se adaptar ao regime democrático. "A Polícia Militar foi e continua sendo um aparelho bélico do Estado, empregada pelos sucessivos governantes no controle de seu inimigo interno, ou seja, seu próprio povo, ora conduzindo-o a prisões medievais, ora produzindo uma matança trágica entre os residentes nas periferias das cidades ou nas favelas", afirma o texto. Segundo o documento, a concepção militar da polícia é voltada para o controle político e não para a prevenção da violência e criminalidade. A avaliação do relatório é reforçada por levantamentos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e da Anistia Internacional. Segundo estas organizações, a polícia brasileira matou, em média, seis pessoas por dia, em 2013. No ano anterior, 30 mil jovens brasileiros foram mortos, sendo 77% deles, negros.
 
A alta letalidade policial e suas práticas repressivas não foram, no entanto, as únicas marcas deixadas pela ditadura na gestão da segurança pública brasileira. Em depoimento prestado à Comissão, o ex-funcionário da Secretaria Nacional de Segurança Pública Luiz Eduardo Soares revelou que, até meados dos anos 2000, policiais militares ainda recebiam aulas de tortura nas corporações. "Nós nos esquecemos que a transição (democrática) passou de forma insuficiente pelas áreas da Segurança Pública", disse. “Até 1996, na formação da Polícia Civil do Rio de Janeiro havia aulas sobre como bater. Não é defesa pessoal, porque é indispensável, é como bater. O Bope oferecia, até 2006, aulas de tortura. E não estou me referindo, portanto, apenas às veleidades ideológicas de um e de outro, nós estamos falando de procedimentos institucionais”, completou Soares, que também é ex-secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro.
 
Assim como no período ditatorial, os assassinatos e a tortura exercidos pelos agentes públicos seguem, na maioria dos casos, impunes. A ONG Conectas Direitos Humanos analisou, em 2014, 455 decisões de todos os Tribunais de Justiça do Brasil sobre denúncias de torturas. Ao final, o levantamento constatou que policiais e funcionários do sistema prisional condenados em um primeiro julgamento foram absolvidos, na segunda instância, em 19% dos casos. Entre agentes privados, o índice de absolvição cai praticamente pela metade (10%).
 
A dependência da polícia por parte de órgãos investigativos e de perícia, como o Instituto Médico Legal (IML), é uma das razões para a impunidade em casos de violência policial. "É como se um colega produzisse provas contra outro, o que implica em conflitos de interesse", afirma Vivian Calderoni, advogada da Conectas. O mesmo raciocínio é utilizado pelo documento da comissão em relação às mortes decorrentes de conflito com a polícia, os chamados autos de resistência. "Não há investigação sobre os autos de resistência, o que garante, através da impunidade, a permissividade dos crimes, com aval e promoção institucional", afirma o documento. Atualmente, existem diversos projetos pelo fim dos autos de resistência no Congresso, porém, todos estão emperrados na burocracia do parlamento.
 
Levantamentos como o da ONG Conectas revelam que a cultura de uma polícia repressiva e, muitas vezes, impune, é uma realidade nacional. De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a tropa mais letal do País é a do Rio de Janeiro, seguida pela de São Paulo, depois Bahia e Pará, "estados governados por partidos políticos diferentes, o que sugere que essa cultura carcerária é compartilhada por diversas forças políticas", diz a comissão.
Por outro lado, o Brasil também possui o recorde de policiais assassinados no mundo: 490 em 2013, 43 a mais do que em 2012. Por conta disso, a proposta de desmilitarização policial encontra grande aceitação entre os policiais de baixa patente. Uma pesquisa da FGV, de 2014, mostra que 73,7% dos policiais apoiam a desmilitarização. Segundo a mesma pesquisa, entre os policiais militares, o índice sobe para 76,1%.
Ao todo, estima-se que os custos ligados à violência, em 2013, giraram em torno de 258 bilhões de reais, sendo que a maior decorreu da perda do capital humano, com mortes e invalidez, representando 114 bilhões de reais.


Uma história de repressão
 
 
Do ponto de vista da organização e instrução, a polícia brasileira, do Brasil Colônia até a República, se constituiu como uma força militar, com a finalidade de garantir a ordem interna e, por vezes, ser o exército da elite do estado ou província. No Brasil colônia, por exemplo, uma das funções da polícia era garantir a submissão dos escravos. Já na República, a polícia paulista era caracterizada como uma força militar estadual, ou seja, um pequeno exército a serviço da elite cafeeira.
 
No entanto, foi em 1967, com o decreto da Doutrina de Segurança Nacional, que se fortaleceu a ideia das polícias como forças repressivas com o intuito de combater um inimigo interno, no caso, o comunismo ou a subversão. "Com a criação da Doutrina de Segurança Nacional se criou a figura do inimigo interno. O Exército tem o seu inimigo externo, mas na Doutrina de Segurança Nacional se cria a figura do inimigo interno, que é para fazer o combate à luta armada", afirma o coronel reformado da Polícia Militar Fábio Gonçalves, em depoimento.
 
Em 1969, o presidente ditador Costa e Silva, outra vez por meio de decreto, reorganiza as polícias militares. No mesmo ano, tem início a Operação Bandeirante, um órgão de repressão política criado por acordo entre as Forças Armadas e a Polícia Militar paulista, sob ordem do governo estadual e com apoio político e material de empresários. No ano seguinte, a relação entre militares e policiais militares se intensifica e cria-se o DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna), que posteriormente terá sua atuação nacionalizada com órgãos semelhantes fora do estado de São Paulo.
 
Segundo o relatório, é neste bojo que acontece a unificação da Força Pública e Guardas Civis Estaduais, consolidando a Polícia Militar como a conhecemos hoje. "[Graças ao] golpe dentro do golpe [AI5] que se militarizam ao extremo as forças de segurança, centraliza-se o comando, o controle, a coordenação do sistema", diz o relatório.
 
Nesse sentido, o relatório sugere a desmilitarização e unificação das polícias, com o fim da duplicidade das carreira policiais, como medida fundamental para reverter o carácter repressivo das forças de segurança civil. Além disso, pede-se a revogação dos decretos que integra a P/2 das Polícias Militares ao Serviço Secreto do Exército, produtos legais também da ditadura civil-militar.

http://www.cartacapital.com.br/sociedade/seguranca-publica-brasileira-e-improdutiva-violenta-e-reproduz-desigualdades-3055.html
 

RELEMBRAR: "Precisa-se de Matéria Prima para construir um País"

A crença geral anterior era que Collor não servia, bem como Itamar e Fernando Henrique. Agora dizemos que Lula não serve. E o que vier depois de Lula também não servirá para nada. Por isso estou começando a suspeitar que o problema não está no ladrão corrupto que foi Collor, ou na farsa que é o Lula. O problema está em nós. Nós como POVO.
 
Nós como matéria prima de um país. Porque pertenço a um país onde a "ESPERTEZA" é a moeda que sempre é valorizada, tanto ou mais do que o dólar.
 
Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família, baseada em valores e respeito aos demais. Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nas calçadas onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO OS DEMAIS ONDE ESTÃO.
 
Pertenço ao país onde as "EMPRESAS PRIVADAS" são papelarias particulares de seus empregados desonestos, que levam para casa, como se fosse correto, folhas de papel, lápis, canetas, clipes e tudo o que possa ser útil para o trabalho dos filhos ...e para eles mesmos.
 
Pertenço a um país onde a gente se sente o máximo porque conseguiu "puxar" a tevê a cabo do vizinho, onde a gente frauda a declaração de imposto de renda para não pagar ou pagar menos impostos. Pertenço a um país onde a impontualidade é um hábito.
 
Onde os diretores das empresas não valorizam o capital humano.
Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e depois reclamam do governo por não limpar os esgotos.
Onde pessoas fazem "gatos" para roubar luz e água e nos queixamos de como esses serviços estão caros.
 
Onde não existe a cultura pela leitura (exemplo maior nosso atual Presidente, que recentemente falou que é "muito chato ter que ler") e não há consciência nem memória política, histórica nem econômica.
Onde nossos congressistas trabalham dois dias por semana para aprovar projetos e leis que só servem para afundar ao que não tem, encher o saco ao que tem pouco e beneficiar só a alguns.
 
Pertenço a um país onde as carteiras de motorista e os certificados médicos podem ser "comprados", sem fazer nenhum exame.
 
Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no ônibus, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não dar o lugar. Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o pedestre.
 
Um país onde fazemos um monte de coisa errada, mas nos esbaldamos em criticar nossos governantes. Quanto mais analiso os defeitos do Fernando Henrique e do Lula, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem "molhei" a mão de um guarda de trânsito para não ser multado. Quanto mais digo o quanto o Dirceu é culpado, melhor sou eu como brasileiro, apesar de ainda hoje de manhã passei para trás um cliente através de uma fraude, o que me ajudou a pagar algumas dívidas. Não. Não. Não. Já basta.
 
Como "Matéria Prima" de um país, temos muitas coisas boas, mas nos falta muito para sermos os homens e mulheres que nosso país precisa. Esses defeitos, essa "ESPERTEZA BRASILEIRA" congênita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até converter-se em casos de escândalo, essa falta de qualidade humana, mais do que Collor, Itamar, Fernando Henrique ou Lula, é que é real e honestamente ruim, porque todos eles são brasileiros como nós, ELEITOS POR NÓS.
 
Nascidos aqui, não em outra parte... Me entristeço. Porque, ainda que Lula renunciasse hoje mesmo, o próximo presidente que o suceder terá que continuar trabalhando com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não poderá fazer nada... Não tenho nenhuma garantia de que alguém o possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá. Nem serviu Collor, nem serviu Itamar, não serviu Fernando Henrique, e nem serve Lula, nem servirá o que vier. Qual é a alternativa?
 
Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror? Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa "outra coisa" não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados....igualmente sacaneados!!! É muito gostoso ser brasileiro. Mas quando essa brasilinidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, aí a coisa muda... Não esperemos acender uma vela a todos os Santos, a ver se nos mandam um Messias.
 
Nós temos que mudar, um novo governador com os mesmos brasileiros não poderá fazer nada. Está muito claro...... Somos nós os que temos que mudar.
 
Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda nos acontecendo: desculpamos a mediocridade mediante programas de televisão nefastos e francamente tolerantes com o fracasso. É a indústria da desculpa e da estupidez.
 
Agora, depois desta mensagem, francamente decidi procurar o responsável, não para castigá-lo, senão para exigir-lhe (sim, exigir-lhe) que melhore seu comportamento e que não se faça de surdo, de desentendido. Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO. AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO EM OUTRO LADO.
E você, o que pensa?.... MEDITE!!!!!"
 
Autor: João Ubaldo Ribeiro - Escritor
 

5 livros para entender os confrontos entre Israel e Palestina


The Ethnic 
Cleansing 
of Palestine
Ilan Pappé
Oneworld Publications Limited, 2007
Ilan Pappé é um dos principais historiados israelenses que fizeram uma revisão da história de Israel. Nesta obra, sem tradução no Brasil, ele discute a criação do Estado de Israel e argumenta, por meio de documentos e entrevistas, que os palestinos foram deliberadamente expulsos em um plano de limpeza étnica, elaborado antes de 1948 por líderes sionistas.
Imagem e Realidade do Conflito 
Israel-Palestina

Norman Finkelstein
Record, 2005
Norman Finkelstein é um dos judeus mais conhecidos na luta pró-palestina. Cientista político norte-americano e filho de sobreviventes do Holocausto, Finkelstein desenvolveu pesquisa sobre o uso dessa tragédia para fins políticos e econômicos. Nesta obra, ele discute os fundamentos do sionismo e analisa eventos contemporâneos, como o processo de paz dos anos 1990.

A Muralha de 
Ferro – Israel 
e o mundo árabe
Avi Shlaim
Editora Fissus, 2004
Avi Shlaim também está entre a lista de historiadores israelenses que pesquisam a narrativa oficial do Estado de Israel, focando-se, sobretudo na relação de Israel com os países árabes e na origem do movimento sionista. Neste livro, Shlaim contesta a versão israelense da Guerra de 1948 e expõe os princípios basilares do Estado de Israel – a exclusão da população nativa árabe.

Orientalismo – 
O Oriente como invenção do Ocidente
Edward Said
Cia das Letras, 2007
Edward Said é um dos mais proeminentes intelectuais palestinos. Crítico literário e ativista político, em Orientalismo, seu livro mais famoso, Said desenvolve a ideia de que o Ocidente fabricou uma imagem fictícia sobre o mundo árabe, marcada pelo signo do exotismo e da inferioridade, que embasou a dominação colonial.

100 Mitos sobre 
o Médio Oriente
Fred Halliday. 
Tinta da China
Lisboa, 2008
Pesquisador de Relações Internacionais, Fred Halliday esteve envolvido em toda a sua carreira acadêmica em debates sobre o Oriente Médio, nos quais procurou desconstruir a predominância da cultura e religião nos estudos sobre a região. Neste livro, ele selecionou cem fatos históricos, do conflito na Palestina até a Guerra Irã-Iraque, que foram mal interpretados, 
explicando-os.

http://www.cartaeducacao.com.br/cultura/por-dentro-do-conflito-no-oriente-medio/

Inhotim, um gigante cultural

 Aberto desde 2006, o Instituto Inhotim está em um município de 35 mil habitantes.
 
Em Minas Gerais, cravado na Serra da Moeda, em Brumadinho, a uma hora de Belo Horizonte, o Instituto Inhotim é hoje o maior museu a céu aberto do mundo, contando com um dos mais amplos acervos de arte contemporânea do Brasil.
Figura ainda, juntamente com o Instituto Ricardo Brennand, no Recife, como os únicos do País na lista dos melhores museus do mundo. Esse gigante cultural e ambiental, aberto ao público desde 2006, está dentro de um município com pouco mais de 35 mil habitantes, segundo projeção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para 2015.
Até então, a cultura local girava em torno do minério e da ruralidade, como boa parte das pequenas cidades do interior. Aos poucos, não só a economia de Brumadinho foi transformada por Inhotim, mas a proximidade e o acesso à arte contemporânea e ao riquíssimo acervo botânico têm, após quase uma década de fundação, aberto portas e janelas ao pensamento crítico dessa população, em especial a alunos e professores, por meio dos programas educativos do Instituto.

         Aberto em 2006, Instituto Inhotim está localizado em uma cidade de 35 mil habitantes.
 
“Queremos estabelecer uma relação”. A partir dessa afirmação, segundo a gerente de projetos educacionais do Instituto Inhotim, Maria Eugênia Salcedo, nasceram aproximadamente 16 programas educativos – alguns com fôlego impressionante, como o Escola Integrada, que leva 1,5 mil alunos de Belo Horizonte por semana para passar o dia entre museu e Jardim Botânico.”
 
A arte contemporânea num primeiro momento pode parecer hermética, difícil de acessar, mas esse medo pode ser facilmente substituído pelo interesse, porque tem uma potência questionadora. E é isso o que vemos acontecer. É essa ideia de estar em dúvida, de questionar o tempo todo que o instituto trouxe, é assim que ele nasceu, e é isso o que inspira os projetos educativos”, explica Maria Eugênia.
Tudo em Inhotim faz com que a tradicional visita de escolas aos museus, além dos projetos educativos de longa duração, fuja do convencional. São 140 hectares de visitação, esparramados entre jardins e florestas, 22 galerias e o acervo com mais de 100 renomados artistas brasileiros e estrangeiros, de 30 diferentes nacionalidades.
 
A busca utópica do instituto em mudar a educação materializa-se em seus projetos. O primeiro, “Descentralizando o Acesso” nasce da necessidade de diálogo permanente com as escolas públicas da região do Inhotim.
 
No entorno, 15 municípios são convidados. Primeiramente, professores do Ensino Básico são chamados para uma conversa dentro do instituto, onde é feita a formação dos acervos dos museus.
Depois, educadores do museu vão às escolas, num segundo momento de debate com os professores. Por fim, os professores levam os alunos ao parque, juntamente com uma proposta de seu desejo. Alunos fantasiados, teatro no jardim, visitação e debate sobre uma obra ou autor específico: a cada educador cabe escolher o tipo de vivência que os alunos terão naquela oportunidade.
 
Um material impresso reúne tanto o acervo escolhido quanto o objeto do trabalho naquele ano, como as experiências e debates entre educadores. Esse material é produzido ao longo do ano em parcerias, e vira caderno de apoio para o grupo de professores que participará do programa no seguinte.
 
“Foi uma quebra de paradigma para nós e uma construção política mesmo. Temos a experiência do professor que acabou o curso, do ano passado, o que ele sentiu. E do professor que entra. A polifonia de vozes dos professores é algo que eu quero ouvir mais.
 
Essa polifonia sobre uma obra, ou sobre maquetes, por exemplo, que é uma coisa supercomum nas escolas, ao longo do ano os professores têm subvertido. Às vezes adotam, às vezes subvertem, às vezes utilizam e os alunos subvertem. Nosso desafio é levar essa energia transformadora para dentro das salas de aula”, diz Maria Eugênia.
 
Entre os programas que estabelecem uma relação mais duradoura com os alunos, a menina dos olhos de gestores do instituto e da comunidade de Brumadinho é o “Laboratório”.
Nele, 30 alunos de escolas públicas do município são selecionados para durante um ano receberem uma bolsa de estudos que os possibilita pesquisar arte. Esse um ano pode ser prorrogado para mais dois por meio do Fundo de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig).
 
Rhayane Estéfane Alves, de 15 anos, moradora da comunidade quilombola de Marinhos, há 9 quilômetros de Brumadinho entrou no programa em 2012, e está no último ano como bolsista. Além do Laboratório, Rhayane frequenta também aulas de percussão oferecidas pelo Inhotim aos quilombolas.
 
“Entrei com a ideia de conhecer mais do mundo, das coisas, para me soltar. E descobri que, antes de mais nada, precisava conhecer a minha cultura. É incrível conhecer outras culturas, mas eu tenho esse dever de passar a minha adiante. Hoje me entendo melhor, entendo a minha comunidade, e me sinto muito livre e segura para sugerir ideias novas”, afirma a aluna, que pensa em continuar a estudar artes ao fim do vínculo com o museu.
 
“Tenho muito amor pelo Inhotim. Me pego pensando como seria a minha vida se o museu não existisse aqui. Não faço a menor ideia. Acho que iria fazer uma coisa qualquer, seria vazio.”
O projeto Laboratório possibilita não somente que os estudantes vivam e convivam com o melhor da arte contemporânea no Brasil, mas também o intercâmbio cultural, artístico, ambiental, com outros países.
 
“Isso era absolutamente impensável para um jovem daqui, no início da sua adolescência e vivendo em comunidades ainda muito carentes de Brumadinho, senão de comunidades rurais. Pensa num jovem criado em fazendas, sítios, pesquisando as artes mais elaboradas do mundo, indo conhecer Nova York, Londres, Buenos Aires”, diz a coordenadora de projetos da Secretaria de Educação da Prefeitura de Brumadinho, Marcélia de Deus.
 
Os alunos saem do Laboratório com uma formação que ninguém parece saber exatamente em que: vai de curadoria em artes, meio ambiente, arte contemporânea e, é claro, a formação das cidades. De 2007, quando o programa foi criado, até hoje, o perfil dos alunos que buscam a vaga já se alterou.
“Antes eles chegavam aqui muito mais por estarem desmotivados com a escola ou movidos pela curiosidade. Hoje, eles chegam sabendo o que querem. Às vezes eles não sabem exatamente o que é isso, mas dizem que querem mudar a sua cidade, querem participar mais e melhorar a sua comunidade”, afirma Maria Eugênia Salcedo.
 
“Não é possível ser um povo contemporâneo sendo um povo sem memória”, a afirmação vem da diretora adjunta do Inhotim, Raquel Novaes, quando fala sobre o instituto nascer sem a ideia de ser um portador solitário de conhecimento, mas que usa Brumadinho e as comunidades do entorno como objeto de investigação e referência na concepção de projetos e mostras.
 
“Dos nossos funcionários 88% são de Brumadinho. O Inhotim tem um grau elevado de pertencimento na comunidade. Nas nossas metodologias, levamos em conta propostas que repercutem a tradição da própria região”, diz Raquel. A pesquisa do meio em que se vive, cidade, estado, país e mundo, mote do programa Laboratório, por exemplo, estabelece, portanto, o diálogo tão desejado pela instituição, e tão bem aproveitado pelos municípios.
 
Raquel cita a aluna Rhayane como um exemplo bem-sucedido. “Na comunidade dessa aluna, por ser quilombola, optamos por aulas com instrumentos de percussão, nessa tentativa de resgate à memória. Ela afirma-se como quilombola e repercute ainda na comunidade dela um olhar adquirido no estudo de arte contemporânea. Essa menina influi criticamente nessa comunidade. Programas continuados como esse tem uma capacidade de alteração social imensos, e já percebemos esses efeitos.”
 
A troca de Inhotim com essas pequeninas cidades provoca o entendimento que uma pergunta sem resposta pode também ser produtivo. Que área senão com as artes isso é possível?
 

O machismo e o preconceito cultural mataram Amanda Bueno

Cícera Alves de Sena tornou-se parte das estatísticas que comprovam a necessidade de existir uma lei como a do Feminicídio: foi assassinada por seu companheiro ao ter a cabeça batida diversas vezes no chão. Depois de morta, levou um tiro, tudo porque desconfiou de uma ligação recebida pelo noivo em seu celular. 
 
Amanda Bueno foi vítima não apenas do feminicídio, mas de um País que não aceita suas raízes
 
O feminicídio foi tido como corriqueiro inclusive pela mídia, que ajudou a disseminar o estigma envolto no tipo de trabalho exercido pela vítima. Cícera, mais conhecida como Amanda Bueno, era uma dançarina de funk que participou do grupo Gaiola das Popozudas, do qual fazia parte também Valesca Popozuda.
 
As manchetes traziam os dizeres: “Dançarina de funk é morta pelo noivo”, ou “Dançarina de funk é assassinada”. A humanidade de Cícera/Amanda foi-lhe retirada à força devido à sua profissão. Apesar de parecer surpreendente aos ouvidos de alguns, ser dançarina é um trabalho tão digno quanto qualquer outro. O problema é que Amanda dançava funk, um estilo musical ainda visto com preconceito por parte da população brasileira, principalmente por ser associado à cultura negra e periférica.
 
Temos aqui um combo: além de ser mulher, ela subvertia os estereótipos de moralidade impostos. Dentro de uma sociedades como a brasileira, isso significa que há justificativa para qualquer tipo de violência contra ela, já que Amanda não fazia parte do seleto grupo das “mulheres que se dão ao respeito”.
 
Reportagens publicadas sobre o caso reduziram Amanda à sua profissão, como se o fato de ela já ter dançado funk fosse relevante às motivações de seu assassinato. Isso deu margem para que ocorresse uma onda de ódio propagada pelas redes sociais, culpando-a por ter ficado com um homem violento ou dizendo que ela mereceu por ser “vulgar”.
 
Nesse caso, emergem o elitismo e o eurocentrismo que permeiam a rejeição ao funk, ao rap e ao hip-hop brasileiros, três estilos musicais tratados como subculturas, das quais fazem parte os grupos mais marginalizados do país: negros/negras, pobres e travestis. 
 
A origem dessa mentalidade se encontra numa elite que lucra com o turismo vendendo a imagem do País do funk, das bundas, das mulatas e do samba, enquanto impõem à população uma cultura oposta, branca, eurocêntrica e colonizada. A nossa origem negra/indígena é exaltada aos gringos como “exótica” ao mesmo tempo em que, para nós, ela é suja, vulgar e de mau gosto.
 
Em resumo: o Brasil é “modificado” para ser vendido para fora e recebe, em troca, toda a bagagem que eles trazem consigo. Isso até lembra a nossa colonização: nos exploram, humilham e desculturalizam. É dessa maneira que o funk se torna, além de marginalizado, subordinado a um suposto “bom gosto” baseado em costumes europeus.
Amanda Bueno, portanto, foi vítima não apenas do feminicídio, mas também de um País que não aceita suas raízes e, ao contrário, faz de tudo para apagá-las ou associá-las a valores morais considerados negativos.
 
Ela era “só” uma dançarina de funk, então estava "pedindo". Ela era “só” uma dançarina de funk, então fez por merecer. Ela era “só” uma dançarina de funk, então não era um ser humano digno de direitos e de respeito.
 

Brasil, um país sem uma política de segurança pública

Policiais durante uma abordagem em São Paulo. / Marcelo Camargo (Ag. Brasil)

Há duas décadas as primeiras pesquisas de opinião identificaram que a segurança pública seria um dos temas que deveriam ser levados aos debates presidenciais no Brasil. Isso porque é um assunto que passou a preocupar os cidadãos, diante do aumento das taxas de roubos e homicídios, da baixa resolução dos crimes e do consequente aumento da sensação de insegurança.
 
Naquela época, a taxa de homicídios era de 20,2 para cada grupo de 100.000 habitantes. Ou seja, a cada dia 83 pessoas eram assassinadas no país. Depois de dois governos tucanos (Fernando Henrique Cardoso – 1995 a 2002) e quase três petistas (Lula da Silva – 2003 a 2010 e Dilma Rousseff – 2011 a 2014) a taxa saltou para 29, o que quer dizer que 154 assassinatos acontecem por dia.
 
Com exceção dessa elevação, pouco parece ter mudado, segundo analistas consultados pelo EL PAÍS e conforme os mais recentes levantamentos feito a esse respeito. Uma pesquisa do Instituto Datafolha divulgada no início deste mês mostrou que 25% dos brasileiros dizem que o problema que mais o aflige é a segurança pública. Só a saúde tem um índice maior, 32%.
 
Casos recentes de assassinatos, como uma chacina em janeiro no interior de São Paulo ou a rebelião em uma penitenciária do Paraná neste fim de semana, só reforçam essa percepção negativa que atinge governadores, prefeitos e o presidente da vez. “Para os cidadãos não importa se a lei diz que a responsabilidade pela segurança pública é do Estado. Para eles, todos são responsáveis e, de certa maneira, eles têm razão”, ponderou o coordenador do Núcleo de Estudos sobre Violência da Universidade de Brasília, Arthur Trindade Costa.
 
Pesquisador do tema há quase vinte anos, Costa diz que as ações precisariam de uma integração maior entre todos os entes e esse protagonismo deveria ser da União. “Até agora, o governo federal se mostrou muito tímido na tarefa de induzir reformas e em buscar instrumentos que melhorem a segurança”, avalia.
 
O que chama a atenção é a falta de continuidade de projetos nas trocas de governos. Um exemplo é o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), criado na gestão Lula, mantido nos primeiro anos de Rousseff, e extinto por ela mesma na segunda parte de seu mandato em troca do projeto Brasil Mais Seguro.
 
“Em muitos casos a participação do governo federal se resume em comprar viaturas e oferecer treinamento para os policiais. Isso não é uma política de segurança”, diz o sociólogo José Luiz Ratton, professor da Universidade Federal de Pernambuco e um dos idealizadores do Pacto Pela Vida, projeto do governo pernambucano que reduziu os homicídios em quase 60% em sete anos.
 

Obscuro

 
A falta de transparência na divulgação dos dados é outro fator que dificulta a criação de um plano nacional de segurança e de qualquer outro planejamento. Países como os Estados Unidos ou o Canadá produzem há quase um século anuários estatísticos detalhando onde ocorreram os principais crimes. O governo brasileiro nunca fez por si só nada parecido. Ao invés disso, financia alguns projetos específicos, como o anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública ou Mapa da Violência. São iniciativas importantes, mas sem o carimbo direto da União.
 
Sem informação, o índice de esclarecimento de crimes se reduz. Isso sem contar a falta de estrutura que influencia diretamente nesse quesito também. O estudo “Investigação sobre homicídios no Brasil”, lançado em maio de 2013, mostra que dependendo do Estado menos de 15% dos casos são solucionados. Um dos problemas é a falta de estrutura. Em algumas cidades do entorno do Distrito Federal, por exemplo, há quatro policiais para esclarecer qualquer crime. “Para se solucionar um homicídio, o ideal é que o policial esteja no local do assassinato em menos de 24 horas depois do ocorrido. Mas com essa quantidade de pessoal, isso não é possível”, afirma o pesquisador Trindade Costa.
 
Outro empecilho é a falta de empenho dos governantes. “O papel do gestor de segurança é fundamental. Os casos brasileiros em que houve um avanço tiveram a participação direta dos secretários ou governadores. Isso deveria ser replicado nacionalmente”, pondera o pesquisador Bráulio Silva, do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública da Universidade Federal de Minas Gerais.
 
Nas eleições deste ano o tema voltou a fazer parte dos programas de governo dos principais candidatos. As equipes das campanhas do PSDB, de Aécio Neves, e do PSB, de Marina Silva, já deixaram claro que vão tentar repetir as ações que seus partidos tomaram em dois Estados que governaram, Minas Gerais e Pernambuco. Já o PT, de Dilma Rousseff, não deixou claro se manterá a atual política de financiamento eventual dos Estados, sem uma intervenção direta, ou se implantará algo mais profundo.
 
Para o sociólogo Pedro Bodê de Moraes, da Universidade Federal do Paraná, sem uma política de segurança que privilegie a redução principalmente dos homicídios, o Governo vai passar um duro recado à sociedade: “A vida vale muito pouco no Brasil”.
 

Enormes reservas de água doce estão escondidas no fundo do oceano

 
Ao realizar perfurações no fundo do oceano, a última coisa que alguém espera encontrar é água doce. Mas em uma recente expedição no Mar Báltico, cientistas dinamarqueses viram jorrar água doce de uma perfuração no oceano. Na verdade, há reservas submarinas escondidas em todo o mundo, e algumas poderiam saciar a nossa sede durante as próximas décadas.
 
No mar Báltico, a água ficou presa por uma camada de areia depositada há pelo menos 100 mil anos, durante a última era glacial. A equipe dinamarquesa encontrou água doce em vários lugares do Mar Báltico, mas ainda não sabem o tamanho das reservas.
 
Um relatório do ano passado, no entanto, estima que há 500.000 km³ de água doce presos debaixo dos oceanos no mundo, 100 vezes a quantidade de água subterrânea que bombeamos de aquíferos no último século.
 
O navio de pesquisa Greatship Manisha, que encontrou a água no Báltico. Crédito: ECORD
 
Toda essa água foi presa há centenas de milhares de anos, numa época em que os níveis do mar estavam mais baixos. Naquela época, esses aquíferos submarinos eram simplesmente subterrâneos. Então geleiras derreteram e o nível do mar subiu, mas a água permaneceu selada pela areia até 5 km abaixo da superfície do oceano.
 
A água potável é um recurso cada vez mais escasso, então precisaremos dela mais do que nunca. Será que um dia teremos “plataformas de água”, assim como as de petróleo, que perfuram o oceano buscando água doce?
 
Essa possibilidade já foi levantada por Vincent Post, principal autor do relatório sobre o mapeamento da água submarina. “Há duas maneiras de acessar essa água”, diz ele em comunicado: “construir uma plataforma em alto-mar e perfurar o fundo do oceano, ou perfurar a partir de terras ou ilhas próximas aos aquíferos”.
 
Bem, vamos considerar os aspectos econômicos. Nos EUA, a água da torneira é absurdamente barata, algo como US$ 0,00001 por litro. (No Brasil, ela é ainda mais barata.) A dessalinização, considerada um meio muito caro de obter água doce, pode custar 100 vezes isso, ou absurdos US$ 0,001 por litro.
Mas o petróleo bruto, que nós furamos o fundo do oceano para obter, custa pouco mais de US$ 100 por barril, o que sai a US$ 0,67 por litro. Sim, empresas de petróleo têm lucros bem altos, mas o preço da água ainda é milhares de vezes inferior ao do petróleo.
 
Os preços da água certamente vão aumentar no futuro, e talvez os custos de perfuração caiam também, mas ainda há um monte de zeros para se conciliar. Em vez de ver essas reservas submarinas como mais um recurso para explorar, talvez possamos vê-las como o que elas são: relíquias de uma Terra antiga, enterradas e escondidas há muito tempo.
 
 

Que fim levou o Aquífero Guarani, o super reservatório de água brasileiro?

 
“Onde foi parar o Aquífero Guarani quando a gente mais precisa dele?” Essa foi a pergunta que um amigo me mandou, um mês atrás, quando o Gizmodo publicou uma reportagem em parceria com o TAB UOL sobre a crise hídrica em São Paulo (se você não sabe do que estou falando, dê uma olhada aqui). Pois é. Há dois grupos de pessoas obcecadas com o Aquífero Guarani: os estudantes de ensino médio e as pessoas acima de 35 anos.
 
Os estudantes de ensino médio sabem que, uma hora, o Aquífero Guarani vai cair no vestibular. E o vestibular é feito, basicamente, por pessoas com mais de 35 anos que passaram os últimos anos da década de 90 e os primeiros dos anos 2000 ouvindo sobre as maravilhas do Aquífero Guarani. Ele seria mais uma prova de que o Brasil (e seus vizinhos) foram agraciados pela mãe natureza com aquele carinho de quem leva leite na cama para você dormir mais tranquilo toda noite (mesmo quando você é casado e tem filhos).
 
Mas… o que raios mesmo é o Aquífero Guarani e qual o papel dele na atual (e talvez nas futuras) crises de falta de água? Aos fatos, senhoras e senhores. Porque você que não é estudante de ensino médio e tem menos de 35 anos também vai gostar de saber algumas coisas.
 
O que é o Aquífero Guarani?
 
Ele é uma gigantesca caixa d’água subterrânea que se espalha por um milhão de quilômetros quadrados em quatro países: Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. É grande, muito grande. O território que ele ocupa é equivalente a duas Franças (sem baguete, queijo e vinho – e você não o vê mesmo, já que ele fica escondidinho debaixo da terra).
 
Sua capacidade também é impressionante. Ele tem 37 mil quilômetros cúbicos de água. O quanto é isso em número de gente? Um quilômetro cúbico é equivalente a um trilhão de litros de água. Então, vem comigo. Respire fundo.
 
O Aquífero Guarani tem 37 mil vezes um trilhão de litros de água. Para um ser humano normal, é praticamente impossível captar a magnitude disso. Mas talvez ajude dizendo que o Aquífero Guarani tem (pausa dramática)…
 
… a capacidade de 40 mil sistemas cantareiras. Dá para abastecer a população mundial, com muitas sobras.
 
E por que ele não é usado QUANDO A GENTE MAIS PRECISA DELE? 
 
É hora de derrubar algumas premissas. Ele é usado, sim. No Estado de São Paulo, por exemplo,  65% das cidades são abastecidas com águas subterrâneas (inclusive do Aquífero).  Várias cidades do interior de São Paulo, como Ribeirão Preto, já usam os recursos do Aquífero. É por isso que a seca nessas regiões, embora severa, não teve um impacto gigantesco.
 
Só que há alguns problemas em usar o aquífero. Primeiro que a água não pertence a apenas um país, mas a quatro. Tem de ter muita cautela. Se você tirar muito aqui, a Argentina vai reclamar (com razão). Afinal, a água não fica parada. Ela vai e vem, vai e vem, se movimentando com aquele balanço gostoso das profundezas da terra.
 
Por isso, a exploração do Aquífero precisa ser coordenada entre os quatro países, o que não é muito fácil. Houve avanços relevantes nos anos 2000, com acordos bem importantes assinados. Mas, você sabe, o acordo é só o começo de alguma coisa. O que pega é a aplicação.
 
São países com água, empresas que tiram água, empresas e pessoas que precisam de água. Além disso, em alguns países a água subterrânea não está sob administração nacional, mas dos Estados. É muita gente envolvida. Não estamos falando de biribinha, mas daquele líquido que nos permite viver de boas nesse planeta.
 
 
A segunda é que nem sempre é fácil tirar essa água. A imagem de caixa d’água ajuda a entender o que o Aquífero é, mas também engana.  O reservatório não é uma obra de engenharia, mas um buraco irregular cheio de água embaixo da terra. Como engenheiros, geógrafos e mais um monte de gente não se cansam de dizer, não basta ter o recurso: é preciso conseguir explorá-lo e saber usá-lo. Isso serve tanto para água quanto para petróleo (embora água seja muito mais importante que petróleo). Por isso que há projetos pilotos em andamento, nos países onde ele está, para pesquisar mais o aquífero e entender o quanto ele pode ser usado. São Paulo, de certa forma, faz parte dessa iniciativa.
Apesar desses obstáculos, o Aquífero já vem sendo utilizado – como eu falei, uma parte do interior de São Paulo já o usa legalmente. Atenção para o legalmente, porque isso tem a ver com o próximo ponto.
 
Posso abrir um poço de água e usar minha cota do Aquífero? 
 
Não. Poço artesiano é coisa séria. Imagine se todo mundo sair por aí abrindo poço de água. Primeiro, nem toda a água do Aquífero tem a mesma qualidade. Segundo que um poço não é só um ponto de extração de água – também é mais um ponto em que a água debaixo da terra entra em contato com o mundão daqui de cima. E aí é que mora o perigo.
 
O Aquífero Guarani é abastecido por chuvas. Essa chuva entra por fendas na terra, por fendas em lagos, por rios. Ele tem vários pontos de entrada — por isso que ficou tão grande (tem a ver com tipos de rochas também, mas isso é papo de geólogo e, confesso, ainda não cheguei naquele nível de admirar a beleza de uma rocha. Mas eu chego lá um dia, espero).
 
Em algumas regiões do interior de São Paulo, já há suspeitas de contaminação em trechos do aquífero por defensivos agrícolas. Nada sério — mas pode ficar sério. Afinal, são muitos pontos de entrada.
Por isso que os governos entram no jogo. Eu sei, eu sei. A gente anda de bode com TODO E QUALQUER GOVERNO (com alguma razão). Mas algumas coisas não tem jeito mesmo. O governo precisa regular a exploração para que esse enorme potencial não se esvaia por aí.
 
 
Você pode falar com a empresa de água que abastece sua cidade e se informar sobre como abrir um poço. Há várias por aí – e a Sabesp, a mais famosa, é apenas uma delas. Ribeirão Preto, por exemplo, tem sua própria companhia de abastecimento de água. Campinas também.
 
Se quiser abrir um poço, faça a coisa certa. Se informe sobre como fazer e deixe tudo regularizado. E, se os governos aprontarem, coloque a boca no mundo. Governos não podem brincar com água. Se tem um lado bom dessa crise é que, finalmente, estamos levando a menina água a sério.
 
 

A ciência da gordura: como ela é armazenada no corpo – e como queimá-la


Segundo o Ministério da Saúde, 51% da população brasileira com mais de 18 anos está acima do peso ideal. Se você está nesse grupo de pessoas, então tem alguns quilinhos de gordura para perder. E talvez você fique mais motivado ao ver meio quilo de gordura humana – você precisa eliminá-la do seu corpo agora mesmo.
 
No entanto, ainda há muitas concepções incorretas sobre a gordura — e alguns desses enganos podem atrapalhar seu esforço para perder peso. Então vamos nos livrar dessa desinformação ingerindo um pouco de conhecimento.
 

O que é a gordura corporal?

 
Vamos começar pelo lado bom: pense na gordura corporal como “energia potencial”. As calorias presentes na comida que você ingere são um combustível. Depois que as calorias entram na sua corrente sanguínea, este combustível é queimado em vários processos metabólicos. Isso inclui sua atividade muscular, digestão, respiração, funções cerebrais, crescimento dos cabelos etc. O básico da sobrevivência, para resumir.
 
Porém, algumas vezes nós consumimos mais calorias do que o corpo consegue queimar. Quando isso acontece, nosso corpo pensa: “ué, eu não preciso de toda essa energia agora. Melhor guardar, vai que eu preciso mais tarde, né?” E aí começa o milagre da gordura. Seu corpo pega essas calorias que sobraram e guarda nas células de gordura (ou células adiposas). Elas se expandem à medida que coletam mais combustível, e encolhem quando você usa um pouco dessa energia.
 
Mas preste atenção, esta é uma explicação muito superficial. É importante notar que, quando a energia potencial é estocada dentro das células adiposas, ela não está pronta para ser usada como antes, quando circulava pela corrente sanguínea. Ela passa por uma conversão química que guarda a energia de maneira mais eficiente. É mais ou menos um arquivo .zip: isso deixa a energia mais compacta e fácil de armazenar, mas o conteúdo em si tem seu acesso dificultado. Quando chega a hora de tirar a energia dessas células, outra conversão química se inicia para deixá-la pronta para uso.
 

Como é queimada a gordura?

 
Então, quando você perde gordura, para onde ela vai? A maioria das pessoas não sabe. Se você se lembra do princípio da conservação da massa, lá das aulas de química do colégio, sabe que a matéria não pode simplesmente aparecer ou desaparecer — ao invés disso, ela passa por reações químicas e muda de estado.
 
As mitocôndrias são o centro de energia da célula. Nos seus músculos ou fígado, elas tiram um pouco de gordura (estocada como triglicérides) das suas células adiposas e a colocam num processo metabólico que a transforma em calor, dióxido de carbono, água e ATP (trifosfato de adenosina). Vamos explicar um por um.
 
Calor: A energia térmica tem uma importância crucial na manutenção da sua vida. Sabe como você, um mamífero de sangue quente, mantém sua temperatura em cerca de 37°C? Sim, queimando calorias! Quando você está com frio, queima bem mais calorias para permanecer quente. E, caso você esteja se perguntando quanta energia térmica pode ser armazenada na gordura, faça o seguinte: frite um bacon, tire o excesso de gordura, ponha numa lata e coloque um pavio. Você ficará chocado com o tempo que esta vela improvisada ficará acesa.
 
ATP: nós precisamos de ATP para fazer os músculos funcionarem. Nossa principal fonte imediata de energia é produzida quando quebramos uma molécula de fosfato do ATP, o que fornece uma pequena explosão de energia nos músculos. O ATP se torna, então, ADP, e não pode ser usado novamente até que ele pegue outra molécula de fosfato. É o ciclo de Krebs, cara: ele leva combustível para seus músculos.
 
Dióxido de carbono: Sempre que você queima alguma coisa (veja o calor mencionado acima), isto reage e forma dióxido de carbono. Vale para a gasolina, vale para a gordura corporal. O dióxido de carbono irá viajar por sua corrente sanguínea até os pulmões, onde eles serão expelidos.
 
Água: A gordura, geralmente, parece meio molhada, né? É porque tem água nela. Você vai urinar a água formada no processo.
Então, é para aí que vai o peso que você perde.
 

Células adiposas são eternas

 
Eis um dos erros mais comuns sobre a gordura: quando você perde peso, você não perde nenhuma célula de gordura. Não, nem sequer umazinha. O corpo humano possui, em média, entre 10 bilhões e 30 bilhões de células adiposas, e elas serão para sempre suas. Ah, mas sabe o que é pior? Se você ganhar mais peso, pode produzir mais células adiposas (pessoas obesas chegam a ter cerca de 100 bilhões), e de novo, você não pode perdê-las (a única exceção é a lipoaspiração, que remove fisicamente as células). Então como é que a gente perde peso?!
 
As células de gordura agem mais ou menos como balões. Quando você perde peso, você retira algo desses balões inflados, ou seja, faz encolher as células adiposas. Você pode reduzi-las até que estejam praticamente vazias, mas elas sempre estarão lá — esperando para ser reabastecidas, atormentando seus pesadelos rechonchudos.
 
E más notícias: a gordura adora andar com mais gordura. Como ela e os músculos são basicamente inimigos (nós chegaremos lá ainda), suas células adiposas tentam erodir suas células musculares. O pior é que, enquanto a maioria da gordura fica debaixo da sua pele, a mais perigosa se acumula ao redor dos seus órgãos internos – é por isso que a gordura abdominal é mais problemática do que nas outras áreas do corpo.
 
Esta gordura, chamada de gordura visceral, é metabolicamente ativa, e expele produtos bioquímicos que aumentam o risco de ataque cardíaco, derrame, insuficiência hepática, diabetes e pressão alta. Além disso, a gordura visceral inibe a produção de um hormônio muito importante, chamado adiponectina, que regula o metabolismo do seu corpo. Em outras palavras, quando mais gordura visceral você acumula, mais lentamente seu metabolismo irá funcionar – ou seja, mais fácil você armazenará gordura. É um ciclo difícil de quebrar.
 

Como são queimadas as calorias

 
Como a gordura corporal é composta basicamente por calorias estocadas, o jeito mais conhecido para perder peso é queimar mais calorias do que você está ingerindo. Faça isso e seu corpo irá começar a retirar as calorias que faltam das suas reservas de gordura. Há mais nuances que isso, claro, mas para a maioria dos casos, isso vale. Mas como exatamente estas calorias são queimadas?
 
Se você já fez algum exercício programado numa esteira ou numa bicicleta ergométrica, provavelmente já viu coisas como “cardio zone” ou “fat-burning zone”. Nós chegaremos lá daqui a pouco, mas por enquanto, tudo que você precisa saber é isso: o exercício físico é só um pedacinho da queima de gordura.
 
Há um excelente artigo (em inglês) na Active.com detalhando minuciosamente estes processos, mas aqui vai uma explicação resumida. Há três categorias de processos responsáveis pela queima metabólica. Entre 60% e 70% das calorias queimadas por dia são processadas apenas por você estar vivo. Isto não tem nada a ver com se mexer. Nada. É a chamada taxa metabólica basal. Outros 10% a 15% são queimados pelo simples ato de digerir o que você come, o chamado metabolismo digestivo (ou efeito térmico do alimento). Como diz a Active, estes dois representam entre 70% e 85% — tudo isso mal tendo que mover um dedo.
 
Os últimos 15% a 30% vêm da atividade física, seja na forma de malhação (termogênese associada a exercícios, ou EAT) ou apenas por andar pelo seu apartamento (termogênese de atividades que não são exercício, ou NEAT).
 

Botando pra queimar

 
Bem, se entre 60% e 70% da queima de calorias está ligada ao seu metabolismo em estado de repouso, não faz mais sentido começar por aí? Sim! Vamos voltar à nossa vela de gordura do início do texto para fazer uma analogia.
 
Então, como nós podemos aumentar o fogo do nosso metabolismo interno?
 
A resposta mais simples é acrescentar músculos. O tecido muscular, em repouso, queima de duas a três vezes mais calorias que o tecido adiposo. Exercícios aeróbicos são importantes para sua saúde e condicionamento físico, não se engane. Mas se sua meta é queimar gordura, concentre-se um pouco mais em musculação e em exercícios calistênicos – que usam o próprio peso do corpo como resistência. Isto provavelmente trará resultados melhores e mais rápidos. Não porque isto queime mais calorias enquanto você os pratica, mas porque isto aumenta sua chama metabólica, o que queima mais calorias o tempo todo.
 
Depois disso, vamos ver a alimentação. Lembre-se, entre 10% e 15% da sua queima metabólica vem da simples digestão da comida. Se você quer aumentar isso, pode adicionar mais proteínas magras ao que você come. A digestão de proteínas queima entre duas a três vezes mais calorias do que a dos carboidratos ou da gordura. Além disso, mesmo que toda caloria consumida (seja ela tirada de proteína, carboidrato ou gordura) possa ser estocada como gordura, o corpo estoca mais prontamente a energia obtida da gordura consumida. Dito isso, uma dieta equilibrada é extremamente importante para se manter saudável, e mais uma vez: se você quer perder gordura, deve consumir menos calorias do que gasta.
 
Por fim, o componente dos exercícios (entre 15% e 30% do seu metabolismo). Então, sabe aquilo lá de “fat-burning zone”, zona aeróbica, tudo aquilo que aparece na sua esteira? Tecnicamente, isso não está errado. Quando você se exercita numa intensidade menor, está queimando mais calorias que são obtidas da gordura; por outro lado, em exercícios de mais intensidade, a maioria das calorias queimadas vem dos carboidratos mais prontamente disponíveis, que são os que você consumiu recentemente.
 
PORÉM, tem uma coisinha. Dois terços das calorias que você queima não têm nada a ver com exercícios; mas isso só acontece se você consegue criar um déficit calórico. E você consegue isso muito mais facilmente com exercícios de alta intensidade e intercalados. Isso simplesmente queima muito mais calorias, então você tem um impacto (perda de gordura) muito maior.
 
Dizendo de outra forma: mesmo que os exercícios mais lentos, da “fat-burning zone”, tecnicamente retirem mais calorias da gordura durante o exercício, os exercícios de alta intensidade vão queimar mais calorias no total, o que resulta em mais calorias retiradas da suas reservas de gordura com o tempo, o que vai reduzi-las mais. Além disso, exercícios de alta intensidade tonificam mais os seus músculos — veja e compare os maratonistas com os velocistas. E, novamente, mais músculo resulta em um metabolismo mais ativo, e isso acaba queimando gordura mais rápido.
 
Para ser sincero, isto tudo é bem superficial. Este artigo tinha como objetivo ser uma visão geral e, por isso, há muitas coisas que não puderam ser incluídas. Os artigos que linkamos têm mais detalhes técnicos e, para aqueles que se interessarem, recomendamos consultá-los. Mas, para todo mundo, nós esperamos que este texto tenha esclarecido um pouco melhor sobre como perder a barriguinha.
 
Imagens por Olly/Shutterstock e Jonathan D. Blundell/Flickr


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