quarta-feira, 28 de outubro de 2015

De novo a Ideologia de Gênero

Um comentário sobre a polêmica questão que apareceu no ENEM
 
O Ministério da Cultura não desiste mesmo de querer impor à sociedade brasileira, sobretudo aos jovens, a Ideologia de Gênero, que quer colocar em nossa cabeça a “fórceps” que não existe sexo, num desrespeito ao que já foi aprovado pelas autoridades do governo.
 
O Plano Nacional de Educação foi aprovado pelo Congresso Nacional, excluindo dele a Ideologia de Gênero; e a Lei foi sancionada pela Presidente da República. Ora, o assunto, ao menos em nível governamental, deveria cessar. Há uma definição clara e legal sobre a matéria.
 
Mas os ideólogos que defendem essa cultura, vencidos no campo legal, insistem em usar os meios controlados pelo governo para insistir nesta tecla.
 
 
Em um vídeo muito divulgado na internet, o Procurador Regional da República em Brasília, Dr. Guilherme Scheib, afirma que:
 
“O governo federal e alguns governos locais cometem graves ilegalidades contra a família e a infância, ao propor e implantar em escolas públicas e particulares a ideologia de gênero.
Diversas denúncias revelam a prática de ministrar aulas para crianças sobre sexo anal, bissexualidade, sexo com animais, prostituição e até masturbação. Além de apresentar temas sexuais complexos ao entendimento de crianças e adolescentes, procura-se relativizar abusivamente na mente das crianças os conceitos morais de masculinidade e feminilidade”. E o Procurador apresenta até um “Modelo de notificação extrajudicial” que se for necessário pode a ser entregue ao diretor da escola de seu filho (www.bit.ly/protegerfamilias).
 
Agora, a questão volta no ENEM (24-25 de outubro de 2015). Uma questão da prova de Ciências Humanas do Enem 2015 chamou a atenção porque colocou em uma das questões a ousada afirmação da feminista Simone de Beauvoir (†1986), uma das ativistas da Ideologia de Gênero:
“Ninguém nasce mulher, torna-se mulher. Nenhum destino biológico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado que qualificam o feminino”. “(Simone Beauvoir, O segundo sexo, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1980).
 
Ela deixa claro que “o objetivo final do movimento feminista é eliminar a diferenciação entre os sexos. A meta é a ectogênese, ou seja, a possibilidade de ter filhos fora de um corpo feminino”. Por isso, já se trabalha na construção de um útero artificial.
 
Leia também: A IDEOLOGIA DE GÊNERO
O Perigo da Ideologia de Gênero
Perguntas e respostas sobre Ideologia de gênero
Quer entender o que está por trás da Ideologia de Gênero?

O MEC não poderia insistir neste tema, com o propósito claro que fomentá-lo nas cabeças dos jovens, uma vez que a Lei o excluiu da Educação Nacional. Nitidamente se nota uma ação totalitária, pois é inserida contra a decisão das Instituições democráticas em vigor no país. Isto acontece porque a ideologia de gênero é algo tão absurdo, que só mesmo por caminhos desonestos e ditatoriais, pode ser imposto à sociedade.
 
É uma ideologia subversiva que derruba o Direito natural, desconstrói a pessoa, desnorteia a criança, destrói a família, o matrimônio e a maternidade; e, deste modo, fomentam um “estilo de vida” que incentiva todas as formas de experimentação sexual desde a mais tenra idade; inclusive a pedofilia e o incesto, defendidos sorrateiramente pela Simone Beauvoir e outras feministas.
 
 
É um projeto global que tem por objetivo garantir que as crianças percam todos os pontos de referência. Tira delas o último reduto que permite a identificação com algo sólido e enraizado: a identidade sexual.
 
A diferença sexual é a origem da humanidade. A reprodução humana ocorre devido a esta diferenciação. O Estado não pode querer substituir os pais na educação das crianças, de modo que não tenham nenhum controle sobre os filhos. É uma estratégia totalitária, que está operando tendenciosamente para impor a sua ideologia, aproveitando de nossos filhos. É uma Ideologização da educação com fins perversos. A genética prova, por nossos cromossomos, que só existem dois sexos: XX (mulher) ou XY (homem).
 
É preciso ler com atenção o que dizem algumas líderes feministas que defendem a ideologia de gênero:
Shulamith Firestone, feminista, em seu livro “A Dialética do Sexo”, diz: “Devemos incluir a opressão das crianças em qualquer programa feminista revolucionário…. Nossa etapa final deve ser a eliminação das próprias condições da feminilidade e da infância.”
 
Christine Riddiough – Presidente da Comissão Feminista de Socialistas Democratas da América [DSA Feminist Commission], grupo ativo na ONU: “A cultura gay/lésbica pode também ser vista como uma força subversiva, capaz desafiar a natureza hegemônica da ideia de família. Isso deve, contudo, ser feito de modo que as pessoas não percebam o que estamos fazendo por oposição à família em si mesma. Para que a natureza subversiva da cultura gay seja usada com eficiência, temos que apresentar modos alternativos de compreender as relações humanas”.
 
 
O Papa Francisco, recentemente, afirmou que a ideologia de gênero é um erro da mente humana que provoca muita confusão e ataca a família. O papa lamentou a prática ocidental de impor uma agenda de gênero a outras nações por meio de ajuda externa. Chamou isso de “colonização ideológica”, comparando-o à máquina de propaganda nazista. Segundo ele, existem “Herodes” modernos que “destroem e tramam projetos de morte, que desfiguram a face do homem e da mulher, destruindo a criação.”
 
A CNBB alertou os católicos para o seguinte: “Com a ideologia de gênero, deixou de ser válido aquilo que se lê na narração da criação: «Ele os criou homem e mulher» (Gn 1, 27). A introdução dessa ideologia na prática pedagógica das escolas trará consequências desastrosas para a vida das crianças e das famílias. O mais grave é que se quer introduzir esta proposta de forma silenciosa nos Planos Municipais de Educação, sem que os maiores interessados, que são os pais e educadores, tenham sido chamados para discuti-la”.
 
Não sejamos omissos diante dessa desconstrução da verdadeira missão da mulher e da família.
 

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

O tabagismo e suas implicações com o câncer

Por Dr. Adolfo Pentagna Silvestre - geriatra e oncologista clínico da Oncoclínica do Rio de Janeiro Tabaco e câncer

Diferentes trabalhos já comprovaram que o consumo de derivados do tabaco, como cigarro, cigarrilhas, narguilé e cachimbo, está associado ao surgimento de vários tipos de câncer.
 
O uso do tabaco é a maior causa de surgimento de câncer com potencial de prevenção e está implicado com 21% das causas mundiais de morte pela doença neoplásica. Aproximadamente metade dos fumantes morre de doenças relacionadas com o tabaco, e os adultos que fumam perdem em média 13 anos de sua vida devido a esse vício. Atualmente, quase 15% da população brasileira é fumante e 4,3% das pessoas consomem mais de 20 cigarros ao dia.
 
O fumo está muito relacionado com a neoplasia pulmonar e também está implicado como fator causal em leucemias, neoplasias da cavidade oral e nasal, seios paranasais, nasofaringe, laringe, esôfago, pâncreas, fígado, estômago, colo uterino, rim, bexiga, cólon e reto.
 
O tabaco age em múltiplos estágios da carcinogênese, como na entrega direta dos carcinógenos (elementos que podem induzir o câncer) aos tecidos, causando inflamação e interferindo nas barreiras naturais do organismo. O perigo do tabaco está mais comumente relacionado com os cigarros, mas também pode ocorrer com os charutos, cachimbos, tabaco mastigável e no fumante passivo.
 
Benefícios de parar de fumar
 
Diversos benefícios para a saúde acontecem após o fim do tabagismo e mesmo para os fumantes de longa data. Ocorre a diminuição do risco da maior parte das doenças relacionadas com o fumo e uma redução em todas as causas de mortalidade. As vantagens para a saúde ocorrem em todas as idades e podem ser medidas quase que imediatamente após o término do tabagismo.
 
Ao parar de fumar ocorre diminuição do risco de câncer de pulmão da ordem de 20 a 90% com a redução do risco se mostrando mais evidente após cinco anos. Posteriormente, ocorre um declínio progressivo do benefício com o aumento do tempo de abstinência. Ex-fumantes abstêmios por mais de 15 anos apresentam uma redução de 80 a 90% no risco da neoplasia pulmonar em comparação com fumantes. Apesar de tudo, o risco em ex-fumantes nunca será comparável ao daqueles que nunca fumaram, mesmo após períodos prolongados sem o tabaco.
 
Alguns estudos mostraram o benefício do fim do tabagismo, como uma pesquisa com mais de 200 mil participantes em que os adultos que cessaram o vício ganharam de seis a dez anos de expectativa de vida, dependendo da idade em que isso ocorreu.
Mesmo naqueles fumantes que não conseguem parar de fumar, a diminuição do uso do tabaco pode resultar em diminuição do dano, incluindo uma queda no risco de câncer de pulmão. Um estudo observacional com seguimento de 18 anos com quase 20 mil fumantes descobriu que aqueles que reduziam em 50% o uso do cigarro tinham uma redução de 27% no risco da neoplasia pulmonar comparados com aqueles que fumavam 15 cigarros ou mais por dia.
 
O fim do tabagismo pode ser benéfico mesmo naqueles que já trataram câncer de pulmão. Uma revisão de casos mostrou que mesmo aqueles que descobriam a neoplasia pulmonar em estágios iniciais ou limitados, mas que continuavam a fumar apresentavam maior risco de: morte por diversas causas, recorrência do tumor e desenvolvimento de um segundo tumor primário que não o blastoma pulmonar.
 
 
 
Tabaco e o tratamento do câncer
 
A suspensão do tabagismo durante o tratamento do câncer provoca menos complicações, aumenta a eficácia do combate ao tumor, melhora a sobrevida e diminui o risco de uma segunda neoplasia primária. A nicotina, que é a responsável pelo vício do tabaco, aumenta a proliferação celular, inibe a morte celular em várias linhagens celulares (como nas próprias células do câncer) e estimula a liberação de hormônios de estresse pelas células tumorais.
 
Alguns quimioterápicos como erlotinibe têm um aumento de sua depuração pelo organismo do fumante, levando à menor taxa de resposta e eficácia do tratamento e à diminuição da sobrevida naqueles que ainda fumam. Os derivados da platina são amplamente utilizados na neoplasia pulmonar e outros tipos de tumores, e também ocorre redução de sua atividade pelo fumo, pois este bloqueia a indução da apoptose (morte celular) e aumenta a proliferação celular.
 
O fumo também influencia negativamente na radioterapia, que é uma modalidade de tratamento muito empregada em diversos tipos de câncer e nos mais variados estágios. Ex-tabagistas há mais de dois anos ou que nunca fumaram viveram mais que o dobro do tempo daqueles com neoplasia de pulmão inicial que fumavam ou com menor tempo de suspensão do cigarro (27,9 meses vs. 13,7 meses) após a realização de radioterapia em caráter adjuvante (realizada após cirurgia curativa). Esse fenômeno também ocorre naqueles pacientes com neoplasia da cabeça e pescoço durante o tratamento com radioterapia.
 
Conclusão
 
O fumo é um fator independente para menor tempo de vida, maior risco de neoplasias e de morte por outras causas, altera a resposta ao tratamento das neoplasias com quimioterapia e/ou radioterapia, levando a piores desfechos do tratamento quando comparado a indivíduos que pararam de fumar ou que nunca fumaram. A suspensão do tabagismo é benéfica em todas as idades e sempre deve ser encorajada.
 

Novembro Azul: Mês de Conscientização do Câncer de Próstata.

 
O movimento conhecido como Novembro Azul teve início na Austrália, em 2003, por conta do Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata (17 de novembro). A partir daí, muitas entidades abraçaram essa causa para chamar a atenção do homem para a importância da prevenção e da detecção precoce desse tipo de câncer. Como no Outubro Rosa (dedicado à conscientização do câncer de mama), alguns monumentos também mudam sua iluminação para a cor azul durante o mês de novembro. Além disso, em muitos países, há reuniões entre os homens para falar sobre saúde masculina, incluindo não só o câncer de próstata, mas o câncer de testículo, depressão masculina e outras doenças.
 
No Brasil, é comum vermos alguns símbolos importantes do país, como o Cristo Redentor, a Igreja da Penha e o Maracanã, iluminados de azul durante o mês. Por isso, assim como durante todo o mês de outubro, a unidade de Botafogo da Oncoclínica também vai mudar de cor em novembro. Nossa atenção, no mês anterior dedicada aos cuidados com a mulher, estará voltada ao apoio e à conscientização dos homens sobre o câncer de próstata, chamando atenção para um dos tipos de câncer com maior incidência entre eles.
 
No entanto, o maior desafio é romper a resistência dos homens em fazer o exame preventivo, que ainda hoje é um tabu. O oncologista Dr. Marcos Joppert explica que a detecção precoce é extremamente importante para a cura do câncer de próstata e que ela é feita por meio do exame de toque retal combinado ao exame de sangue PSA. Ele lembra, também, que o exame de toque é útil não só para esse tipo de câncer, mas o de colorretal.
 
Dr. Marcos Joppert
 
Confira a seguir entrevista na íntegra com o Dr. Marcos Joppert.
 
O que é câncer de próstata?
 
Existem inúmeros tipos de cânceres, mas todos começam devido à multiplicação fora de controle das células. A próstata é uma glândula que produz um fluido que nutre e protege o espermatozoide. O câncer de próstata é um tumor maligno originário das células glandulares do tecido prostático. Como todos os tumores originários de glândulas, ele também é classificado como adenocarcinoma. Alguns tumores de próstata crescem e se espalham rapidamente, mas a maioria tem um crescimento lento.
                                                                                                                                           
Quais os principais sintomas dessa doença?
 
Dificuldade de urinar (fluxo lento ou fraco, gerando um esvaziamento incompleto da bexiga. Com isso, ocorre um aumento da frequência urinária, que incomoda particularmente durante a noite); presença de sangue na urina ou impotência e, em casos avançados, pode haver dores ósseas. Por nenhum desses sintomas serem específicos, quando presentes, devem ser discutidos com um médico. O ideal, no entanto, é que o câncer de próstata seja diagnosticado precocemente, antes do aparecimento de sintomas.         
 
Quais as principais formas de prevenção para esse câncer?
 
A causa do câncer de próstata não é conhecida, portanto, não temos meios de evitar a ocorrência desse tumor. Muitos fatores de risco, tais como idade, raça e histórico familiar, não podem ser modificados. O que é possível é fazer o diagnóstico precoce, conforme já discutimos. De uma forma geral, todos nós devemos evitar a obesidade e a inatividade física, devemos seguir uma dieta rica em frutas e vegetais e com moderada quantidade de gordura. O tabagismo também deve ser evitado. Esse estilo de vida é saudável e, certamente, previne vários problemas de saúde e é possível (embora não confirmado) que previna, também, o câncer de próstata.
 
Quais as opções de tratamentos existentes para essa doença?
 
O câncer de próstata pode ser inicialmente apenas observado. Alguns casos podem ser tratados por cirurgia, outros por radioterapia ou ainda por hormonioterapia. Por vezes é necessário integrar dois ou três desses métodos. Só após uma análise do caso, individualmente, o médico especialista poderá fazer uma recomendação de tratamento.
 
Quais os fatores de risco para desenvolver câncer de próstata?
 
O câncer de próstata é raro antes dos 40 anos de idade e o risco sobe rapidamente após os 50 anos. Seis de cada dez pacientes com câncer de próstata têm mais de 65 anos de idade. Os afrodescendentes têm mais risco de desenvolver câncer de próstata do que aqueles de descendência europeia. As pessoas que têm ou tiveram parentes com câncer de próstata têm maior risco para a doença, especialmente se um irmão foi acometido, quanto mais jovem for o parente acometido maior o risco para os familiares. Algumas famílias têm disposição genética para câncer de mama e ovário, os homens dessas famílias também têm uma incidência aumentada de câncer de próstata.
 
O câncer de próstata tem cura?
 
Sim, o câncer de próstata pode ser curado. Quanto mais precocemente o tumor for identificado maiores serão as chances de cura. Por isso, a visita ao seu médico para discutir o teste do PSA e realizar o toque retal é importante. Mas, mesmo quando não for curável, o câncer de próstata pode frequentemente ser controlado de uma forma muito eficaz.
 

"Saí do armário e estou muito feliz", diz padre gay afastado pelo Vaticano

 
Às vésperas do Sínodo da Família, que inicia neste domingo (04), o monsenhor polonês Krzysztof Charamsa, 43 anos, revelou ser homossexual em uma entrevista publicada pelo jornal italiano "Corriere della Sera". 

"Quero que a Igreja e a minha comunidade saibam o que sou: um sacerdote homossexual, feliz e orgulhoso da própria identidade. Tenho um companheiro. Estou pronto a pagar as consequências, mas é o momento para que a Igreja abra os olhos para os gays crentes e entenda que a solução que eles propõem, a abstinência total do amor na vida, é desumana. Quero com a minha história escutar um pouco a consciência desta minha Igreja. Ao Santo Padre, revelarei pessoalmente a minha identidade em uma carta", declarou o religioso.
 
Em coletiva, o padre afirmou que saiu do armário e está "muito feliz" após anos de silêncio.  Charamsa tem um cargo na Congregação para a Doutrina da Fé e é secretário-adjunto da Comissão Teológica Internacional vaticana, além de ser professor da Universidade Pontifícia Gregoriana e na Universidade Pontifícia Regina Apostolorum. Muito ativo nas redes sociais, do Twitter ao Linkedin, o teólogo também possui um blog - criado no fim do mês de agosto.
 

Padre foi afastado

 
A reação do Vaticano foi imediata e, como era de se esperar, muito dura. "Monsenhor Charamsa não poderá continuar a desenvolver as funções precedentes na Congregação para a Doutrina da Fé e nas Universidades Pontifícias, enquanto outros aspectos sobre sua situação serão de competência de seu responsável diocesano", afirmou o porta-voz da Santa Sé, padre Federico Lombardi. 

Para o representante, a "decisão de realizar uma manifestação assim clamorosa à vigília do Sínodo aparenta ser muito grave e irresponsável porque quer submeter a assembleia sinodal a uma indevida pressão midiática". 

O teólogo, ao invés disso, explica que quis falar antes do início do encontro de bispos e laicos porque quer que durante o evento seja debatido que "o amor homossexual é um amor que tem a necessidade da família". "Toda pessoa, também os gays, lésbicas e transexuais, leva no coração o desejo de amor e familiaridade", ressaltou Charamsa. O religioso ainda destacou que o papa Francisco vem sendo "fantástico" porque fez com que a Igreja "redescobrisse a beleza do diálogo". Segundo o polonês, antes de Jorge Mario Bergoglio, os membros da entidade "não dialogavam" e o Sínodo "precisa ser de todas as famílias".
 
 
Ao saber da reação do Vaticano, não apareceu publicamente, mas falou com a imprensa, dizendo que dedicava "o fato de assumir aos muitíssimos sacerdotes homossexuais que não tem força de sair do armário". Ao ser questionado se há muitos gays no próprio Vaticano, Charamsa respondeu que "em qualquer sociedade de apenas homens há muito mais gays do que no mundo em geral".
 
Sobre o fato de ser afastado de suas funções na Igreja, o teólogo disse que "irá procurar trabalho" e que também "já está pronto para a imprensa, em polonês e italiano, um livro em que conto minha experiência".   
 
 
 O Sínodo sobre a Família irá debater, entre os dias 4 e 25 de outubro, diversos temas referentes às famílias católicas. Entre os pontos mais polêmicos, estará uma possível maior abertura aos gays e também a comunhão aos divorciados que se casaram novamente. 
 

O movimento Outubro Rosa


O movimento conhecido como Outubro Rosa nasceu nos Estados Unidos, na década de 1990, para estimular a participação da população no controle do câncer de mama. A data é celebrada anualmente com o objetivo de compartilhar informações sobre o câncer de mama e promover a conscientização sobre a importância da detecção precoce da doença.
 
Desde 2010, o INCA participa do movimento, promovendo espaços de discussão sobre câncer de mama, divulgando e disponibilizando seus materiais informativos, tanto para profissionais de saúde quanto para a sociedade.


Campanha Outubro Rosa 2015

Em 2015, a campanha do INCA no Outubro Rosa tem como objetivo fortalecer as recomendações para o diagnóstico precoce e rastreamento de câncer de mama indicadas pelo Ministério da Saúde, desmistificando crenças em relação à doença e às formas de redução de risco e de detecção precoce.
 
Espera-se ampliar a compreensão sobre os desafios no controle do câncer de mama. Esse controle não depende apenas da realização da mamografia, mas também do acesso ao diagnóstico e ao tratamento com qualidade e no tempo oportuno. Ressalta-se ainda a necessidade de se realizar ações ao longo de todo o ano e não apenas no mês de outubro.
Os eixos da campanha são:
  • Divulgar informações gerais sobre câncer de mama.
  • Promover o conhecimento e estimular a postura de atenção das mulheres em relação às suas mamas e à necessidade de investigação oportuna das alterações suspeitas (Estratégia de Conscientização).
  • Informar sobre as recomendações nacionais para o rastreamento e os benefícios e os riscos da mamografia de rotina, possibilitando que a mulher tenha mais segurança para decidir sobre a realização do exame.
http://www.inca.gov.br/wcm/outubro-rosa/2015/movimento-outubro-rosa.asp

Sínodo. Mensagem do Papa: defender o homem e não ideias

 
Concluíram-se os trabalhos do Sínodo dos Bispos sobre a Família. Importante momento deste final de Sínodo foi a intervenção do Papa Francisco com uma mensagem em que realçou a importância de defender o homem e não as ideias, defender o espírito e não a letra da doutrina.
 
Após os vários agradecimentos a todos os que contribuíram para um percurso sinodal de intenso ritmo de trabalho o Papa Francisco disse ter-se interrogado sobre o que “há-de significar, para a Igreja, encerrar este Sínodo dedicado à família?”
 
Muitas as respostas encontradas pelo Santo Padre para completar o significado do Sínodo: a importância do matrimónio, escutar as vozes das famílias e dos pastores, olhar e ler a realidade, testemunhar o Evangelho como fonte viva de novidade eterna, afirmar a Igreja como sendo dos pobres e dos pecadores e abrir horizontes para difundir a liberdade dos Filhos de Deus.
 
Em particular, o Papa Francisco considerou que a experiência do Sínodo fez compreender melhor que defender a doutrina é defender o seu espírito e o homem em vez de ideias:
 
“A experiência do Sínodo fez-nos compreender melhor também que os verdadeiros defensores da doutrina não são os que defendem a letra, mas o espírito; não as ideias, mas o homem; não as fórmulas, mas a gratuidade do amor de Deus e do seu perdão.”
 
Francisco recordou Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI e no final do seu intenso discurso afirmou que “para a Igreja, encerrar o Sínodo significa voltar realmente a «caminhar juntos» para levar a toda a parte do mundo, a cada diocese, a cada comunidade e a cada situação a luz do Evangelho, o abraço da Igreja e o apoio da misericórdia Deus!”
 
Publicamos aqui  o texto integral do Santo Padre:
 
Amadas Beatitudes, Eminências, Excelências, Queridos irmãos e irmãs!
Quero, antes de mais, agradecer ao Senhor por ter guiado o nosso caminho sinodal nestes anos através do Espírito Santo, que nunca deixa faltar à Igreja o seu apoio.
 
Agradeço de todo o coração ao Cardeal Lorenzo Baldisseri, Secretário-Geral do Sínodo, a D. Fabio Fabene, Subsecretário e, juntamente com eles, agradeço ao Relator, o Cardeal Peter Erdö, e ao Secretário Especial, D. Bruno Forte, aos presidentes delegados, aos secretários, consultores, tradutores e todos aqueles que trabalharam de forma incansável e com total dedicação à Igreja: um cordial obrigado!
 
Agradeço a todos vós, amados padres sinodais, delegados fraternos, auditores, auditoras e conselheiros, párocos e famílias pela vossa activa e frutuosa participação.
 
Agradeço ainda a todas as pessoas que se empenharam, de forma anónima e em silêncio, prestando a sua generosa contribuição para os trabalhos deste Sínodo.
 
Estai certos de que a todos recordo na minha oração ao Senhor para que vos recompense com a abundância dos seus dons e graças!
 
Enquanto acompanhava os trabalhos do Sínodo, pus-me esta pergunta: Que há-de significar, para a Igreja, encerrar este Sínodo dedicado à família?
 
Certamente não significa que esgotámos todos os temas inerentes à família, mas que procurámos iluminá-los com a luz do Evangelho, da tradição e da história bimilenária da Igreja, infundindo neles a alegria da esperança, sem cair na fácil repetição do que é indiscutível ou já se disse.
 
Seguramente não significa que encontrámos soluções exaustivas para todas as dificuldades e dúvidas que desafiam e ameaçam a família, mas que colocámos tais dificuldades e dúvidas sob a luz da Fé, examinámo-las cuidadosamente, abordámo-las sem medo e sem esconder a cabeça na areia.
 
Significa que solicitámos todos a compreender a importância da instituição da família e do Matrimónio entre homem e mulher, fundado sobre a unidade e a indissolubilidade e a apreciá-la como base fundamental da sociedade e da vida humana.
 
Significa que escutámos e fizemos escutar as vozes das famílias e dos pastores da Igreja que vieram a Roma carregando sobre os ombros os fardos e as esperanças, as riquezas e os desafios das famílias do mundo inteiro.
 
Significa que demos provas da vitalidade da Igreja Católica, que não tem medo de abalar as consciências anestesiadas ou sujar as mãos discutindo, animada e francamente, sobre a família.
Significa que procurámos olhar e ler a realidade, melhor dito as realidades, de hoje com os olhos de Deus, para acender e iluminar, com a chama da fé, os corações dos homens, num período histórico de desânimo e de crise social, económica, moral e de prevalecente negatividade.
 
Significa que testemunhámos a todos que o Evangelho continua a ser, para a Igreja, a fonte viva de novidade eterna, contra aqueles que querem «endoutriná-lo» como pedras mortas para as jogar contra os outros.
 
Significa também que espoliámos os corações fechados que, frequentemente, se escondem mesmo por detrás dos ensinamentos da Igreja ou das boas intenções para se sentar na cátedra de Moisés e julgar, às vezes com superioridade e superficialidade, os casos difíceis e as famílias feridas.
Significa que afirmámos que a Igreja é Igreja dos pobres em espírito e dos pecadores à procura do perdão e não apenas dos justos e dos santos, ou melhor dos justos e dos santos quando se sentem pobres e pecadores.
Significa que procurámos abrir os horizontes para superar toda a hermenêutica conspiradora ou perspectiva fechada, para defender e difundir a liberdade dos filhos de Deus, para transmitir a beleza da Novidade cristã, por vezes coberta pela ferrugem duma linguagem arcaica ou simplesmente incompreensível.
 
No caminho deste Sínodo, as diferentes opiniões que se expressaram livremente – e às vezes, infelizmente, com métodos não inteiramente benévolos – enriqueceram e animaram certamente o diálogo, proporcionando a imagem viva duma Igreja que não usa «impressos prontos», mas que, da fonte inexaurível da sua fé, tira água viva para saciar os corações ressequidos.
 
1.  E vimos também – sem entrar nas questões dogmáticas, bem definidas pelo Magistério da Igreja – que aquilo que parece normal para um bispo de um continente, pode resultar estranho, quase um escândalo, para o bispo doutro continente; aquilo que se considera violação de um direito numa sociedade, pode ser preceito óbvio e intocável noutra; aquilo que para alguns é liberdade de consciência, para outros pode ser só confusão. Na realidade, as culturas são muito diferentes entre si e cada princípio geral, se quiser ser observado e aplicado, precisa de ser inculturado.2 O Sínodo de 1985, que comemorava o vigésimo aniversário do encerramento do Concílio Vaticano II, falou da inculturação como da «íntima transformação dos autênticos valores culturais mediante a integração no cristianismo e a encarnação do cristianismo nas várias culturas humanas».
 
3.  A inculturação não debilita os valores verdadeiros, mas demonstra a sua verdadeira força e a sua autenticidade, já que eles adaptam-se sem se alterar, antes transformam pacífica e gradualmente as várias culturas.
 
4.  Vimos, inclusive através da riqueza da nossa diversidade, que o desafio que temos pela frente é sempre o mesmo: anunciar o Evangelho ao homem de hoje, defendendo a família de todos os ataques ideológicos e individualistas.
 
E, sem nunca cair no perigo do relativismo ou de demonizar os outros, procurámos abraçar plena e corajosamente a bondade e a misericórdia de Deus, que ultrapassa os nossos cálculos humanos e nada mais quer senão que «todos os homens sejam salvos» (1 Tim 2, 4), para integrar e viver este Sínodo no contexto do Ano Extraordinário da Misericórdia que a Igreja está chamada a viver.
Amados irmãos!
 
A experiência do Sínodo fez-nos compreender melhor também que os verdadeiros defensores da doutrina não são os que defendem a letra, mas o espírito; não as ideias, mas o homem; não as fórmulas, mas a gratuidade do amor de Deus e do seu perdão. Isto não significa de forma alguma diminuir a importância das fórmulas, das leis e dos mandamentos divinos, mas exaltar a grandeza do verdadeiro Deus, que não nos trata segundo os nossos méritos nem segundo as nossas obras, mas unicamente segundo a generosidade sem limites da sua Misericórdia (cf. Rm 3, 21-30; Sal 129/130; Lc 11, 37-54). Significa vencer as tentações constantes do irmão mais velho (cf. Lc 15, 25-32) e dos trabalhadores invejosos (cf. Mt 20, 1-16). Antes, significa valorizar ainda mais as leis e os mandamentos, criados para o homem e não vice-versa (cf. Mc 2, 27).
 
Neste sentido, o necessário arrependimento, as obras e os esforços humanos ganham um sentido mais profundo, não como preço da Salvação – que não se pode adquirir – realizada por Cristo gratuitamente na Cruz, mas como resposta Àquele que nos amou primeiro e salvou com o preço do seu sangue inocente, quando ainda éramos pecadores (cf. Rm 5, 6).
 
O primeiro dever da Igreja não é aplicar condenações ou anátemas, mas proclamar a misericórdia de Deus, chamar à conversão e conduzir todos os homens à salvação do Senhor (cf. Jo 12, 44-50).
 
Do Beato Paulo VI temos estas palavras estupendas: «Por conseguinte podemos pensar que cada um dos nossos pecados ou fugas de Deus acende n’Ele uma chama de amor mais intenso, um desejo de nos reaver e inserir de novo no seu plano de salvação (...). Deus, em Cristo, revela-Se infinitamente bom (...). Deus é bom. E não apenas em Si mesmo; Deus – dizemo-lo chorando – é bom para nós. Ele nos ama, procura, pensa, conhece, inspira e espera… Ele – se tal se pode dizer – será feliz no dia em que regressarmos e Lhe dissermos: Senhor, na vossa bondade, perdoai-me. Vemos, assim, o nosso arrependimento tornar-se a alegria de Deus».
 
5.  Por sua vez São João Paulo II afirmava que «a Igreja vive uma vida autêntica, quando professa e proclama a misericórdia, (...) e quando aproxima os homens das fontes da misericórdia do Salvador das quais ela é depositária e dispensadora».
 
 
6. Também o Papa Bento XVI disse: «Na realidade, a misericórdia é o núcleo da mensagem evangélica, é o próprio nome de Deus (...). Tudo o que a Igreja diz e realiza, manifesta a misericórdia que Deus sente pelo homem, portanto, por nós. Quando a Igreja deve reafirmar uma verdade menosprezada, ou um bem traído, fá-lo sempre estimulada pelo amor misericordioso, para que os homens tenham vida e a tenham em abundância (cf. Jo 10, 10)».
 
7. Sob esta luz e graça, neste tempo de graça que a Igreja viveu dialogando e discutindo sobre a família, sentimo-nos enriquecidos mutuamente; e muitos de nós experimentaram a acção do Espírito Santo, que é o verdadeiro protagonista e artífice do Sínodo. Para todos nós, a palavra «família» já não soa como antes, a ponto de encontrarmos nela o resumo da sua vocação e o significado de todo o caminho sinodal.
 
8. Na verdade, para a Igreja, encerrar o Sínodo significa voltar realmente a «caminhar juntos» para levar a toda a parte do mundo, a cada diocese, a cada comunidade e a cada situação a luz do Evangelho, o abraço da Igreja e o apoio da misericórdia Deus!
Obrigado! 
Obrigado!
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1. Cf. PAPA FRANCISCO, Carta ao Magno Chanceler da "Pontificia Universidad Católica Argentina", no centenário da Faculdade de Teologia, 3 de Março de 2015.
 
2.  Cf. PONTIFÍCIA COMISSÃO BÍBLICA, Fé e cultura à luz da Bíblia. Actas da Sessão Plenária de 1979 da Pontifícia Comissão Bíblica, LDC, Leumann 1981; CONC. ECUM. VAT. II, Gaudium et spes, 44.
 
3.  Relação final (7 de Dezembro de 1985), II/D.4: L’Osservatore Romano (ed. portuguesa de 22/XII/1985), 652.
 
4.  «Em virtude da sua missão pastoral, a Igreja deve manter-se sempre atenta às mudanças históricas e à evolução das mentalidades. Certamente não para se submeter a elas, mas para superar os obstáculos que possam opor-se à recepção das suas recomendações e das suas directrizes» (Entrevista ao Cardeal Georges Cottier, La Civiltà Cattolica, 3963-3964, 8 de Agosto de 2015, p. 272).
 
5 Homilia, 23 de Junho de 1968: Insegnamenti 6, 1968, 1177-1178.
 
6.  Carta. enc. Dives in misericordia, 30 de Novembro de 1980, 13. Disse também: «No mistério pascal, (…) Deus mostra-Se-nos por aquilo que é: um Pai de coração terno, que não se rende diante da ingratidão dos seus filhos, e está sempre disposto ao perdão» (JOÃO PAULO II, Alocução do «Regina Caeli», 23 de Abril de 1995: Insegnamenti 18/1, 1995, 1035). E descrevia a resistência à misericórdia com estas palavras: «A mentalidade contemporânea, talvez mais do que a do homem do passado, parece opor-se ao Deus de misericórdia e, além disso, tende a separar da vida e a tirar do coração humano a própria ideia da misericórdia. A palavra e o conceito de misericórdia parecem causar mal-estar ao homem» (Carta enc. Dives in misericordia, 2).
 
7.  Alocução do «Regina Caeli», 30 de Março de 2008: Insegnamenti 4/1, 2008, 489-490. E, referindo-se ao poder da misericórdia, afirma: «É a misericórdia que põe um limite ao mal. Nela expressa-se a natureza muito peculiar de Deus - a sua santidade, o poder da verdade e do amor» (Homilia no Domingo da Divina Misericórdia, 15 de Abril de 2017: Insegnamenti 3/1, 2007, 667).
 
8.  Uma análise, em acróstico, da palavra «família» ajuda-nos a resumir a missão da Igreja na sua tarefa de: Formar as novas gerações para viverem seriamente o amor, não como pretensão individualista baseada apenas no prazer e no «usa e joga fora», mas para acreditarem novamente no amor autêntico, fecundo e perpétuo, como o único caminho para sair de si mesmo, para se abrir ao outro, para sair da solidão, para viver a vontade de Deus, para se realizar plenamente, para compreender que o matrimónio é o «espaço onde se manifesta o amor divino, para defender a sacralidade da vida, de toda a vida, para defender a unidade e a indissolubilidade do vínculo conjugal como sinal da graça de Deus e da capacidade que o homem tem de amar seriamente» (Homilia na Missa de Abertura do Sínodo, 4 de Outubro de 2015) e para valorizar os cursos pré-matrimoniais como oportunidade de aprofundar o sentido cristão do sacramento do Matrimónio; Aviar-se ao encontro dos outros, porque uma Igreja fechada em si mesma é uma Igreja morta; uma Igreja que não sai do seu aprisco para procurar, acolher e conduzir todos a Cristo é uma Igreja que atraiçoa a sua missão e vocação; Manifestar e estender a misericórdia de Deus às famílias necessitadas, às pessoas abandonadas, aos idosos negligenciados, aos filhos feridos pela separação dos pais, às famílias pobres que lutam para sobreviver, aos pecadores que batem às nossas portas e àqueles que se mantêm longe, aos deficientes e a todos aqueles que se sentem feridos na alma e no corpo e aos casais dilacerados pela dor, a doença, a morte ou a perseguição; Iluminar as consciências, frequentemente rodeadas por dinâmicas nocivas e subtis que procuram até pôr-se no lugar de Deus criador: tais dinâmicas devem ser desmascaradas e combatidas no pleno respeito pela dignidade de cada pessoa; ganhar e reconstruir com humildade a confiança na Igreja, seriamente diminuída por causa da conduta e dos pecados dos seus próprios filhos; infelizmente, o contratestemunho e os escândalos cometidos dentro da Igreja por alguns clérigos afectaram a sua credibilidade e obscureceram o fulgor da sua mensagem salvífica; Labutar intensamente por apoiar e incentivar as famílias sãs, as famílias fiéis, as famílias numerosas que continuam, não obstante as suas fadigas diárias, a dar um grande testemunho de fidelidade aos ensinamentos da Igreja e aos mandamentos do Senhor; Idear uma pastoral familiar renovada, que esteja baseada no Evangelho e respeite as diferenças culturais; uma pastoral capaz de transmitir a Boa Nova com linguagem atraente e jubilosa e tirar do coração dos jovens o medo de assumir compromissos definitivos; uma pastoral que preste uma atenção particular aos filhos que são as verdadeiras vítimas das lacerações familiares; uma pastoral inovadora que implemente uma preparação adequada para o sacramento do Matrimónio e ponha termo a costumes vigentes que muitas vezes se preocupam mais com a aparência duma formalidade do que com a educação para um compromisso que dure a vida inteira; Amar incondicionalmente todas as famílias e, de modo particular, aquelas que atravessam um período de dificuldade: nenhuma família deve sentir-se sozinha ou excluída do amor e do abraço da Igreja; o verdadeiro escândalo é o medo de amar e de manifestar concretamente este amor.
 

A América do Sul contra a guerra às drogas

Há mais de 300 milhões de consumidores no mundo, aponta o secretário da Unasul

Em abril de 2016, a Assembleia-Geral da ONU realizará uma sessão especial em Nova York para debater o futuro das políticas antidrogas. Na ocasião, a União das Nações Sul-Americanas (Unasul) deverá apresentar uma posição conjunta sobre o tema, com propostas alternativas e enfoque na proteção aos direitos humanos. O diagnóstico é claro: a “guerra às drogas” fracassou. Não apenas foi incapaz de reduzir o consumo, a produção e o tráfico de entorpecentes como gerou graves danos colaterais, a começar pelo morticínio nas cotidianas ações de repressão. “Apesar de todos os esforços da atual política, temos mais de 300 milhões de consumidores”, afirma Ernesto Samper, presidente da Colômbia entre 1994 e 1998 e secretário-geral da Unasul.
 
CartaCapital: Qual será a posição defendida pela Unasul?
 
Ernesto Samper: Entendo que a região do mundo que mais tem autoridade para propor uma abordagem distinta sobre a questão das drogas é a América do Sul. Trata-se do continente com maior experiência na luta contra os entorpecentes, dentro da atual política proibicionista. Até agora foi uma experiência pautada em ações como a destruição de cultivos ilícitos, o controle do narcotráfico e a repressão militarizada. Mas surgem medidas alternativas, como a regulamentação do consumo da maconha no Uruguai e o tratamento das mulas do narcotráfico no Equador.
 
CC:  É possível avaliar os impactos, positivos ou negativos, da experiência uruguaia? É uma política que poderia ser replicada?
 
ES: Não se pode dizer que a experiência de uma nação possa se repetir em outras. O que une os países do continente é a busca por alternativas não focadas simplesmente na proibição e na repressão. Apesar de todos os esforços da atual política, temos mais de 300 milhões de consumidores de drogas. Mas não pretendemos sair de um fundamentalismo proibicionista para um fundamentalismo legalizador. 
 
CC:  A “Guerra às Drogas” fracassou?
 
ES: O consumo e o tráfico geram violência. Mas a repressão também causa muitas mortes, e talvez seja o principal motivo da violência hoje. De modo geral, são as mulas e pequenos traficantes que têm sido presos e julgados. Temos erradicado os cultivos ilícitos, perseguido os consumidores, mas a região não faz o que é preciso para combater as organizações criminosas que comandam o narcotráfico. É preciso uma nova filosofia. Nem todos os países da América do Sul possuem uma legislação adequada para combater a lavagem de dinheiro. Tampouco há uma política uniforme de repressão ao narcotráfico. 

O acordo entre as Farc e Santos, presidente da Colômbia, indicam avanços. Créditos: Yamil Lage/ AFP

CC:  A quem interessa manter a política voltada para a proibição e a repressão? 
 
ES: Os primeiros interessados, a meu ver, são os próprios narcotraficantes, pois o preço da droga é determinado pelo custo de produção, da matéria-prima, mais a lógica da repressão que existe hoje. Um camponês colombiano recebe apenas 5% do valor final de um grama de cocaína. Todo o resto, 95%, vai para os intermediários, os distribuidores. O negócio é essencialmente o perigo que ele carrega, o risco.
 
CC:  Esse enfoque em direitos humanos quer dizer o quê, exatamente?
ES: Vamos tomar como exemplo a questão do consumo da droga. É preciso distinguir o consumo recreativo do vício. O consumo recreativo é um problema de costumes que demanda campanhas educativas. O vício tem a ver com políticas de saúde. Há também o consumo de maconha medicinal, que cria um problema de regulamentação. E existe o consumo ancestral dos povos indígenas, uma questão cultural. No tráfico, também há distinções. Há estudantes que vendem pequenas quantidades a seus colegas, são microtraficantes. Outro setor está preocupado em abastecer grandes mercados, como os Estados Unidos. Precisamos lidar com essas diferenças.
 
CC:  Os Estados Unidos foram os principais patrocinadores da “Guerra às Drogas”, sobretudo na América Latina. O senhor identifica algum sinal de abertura do governo americano em relação ao tema? 
 
ES: Sim. Quatro estados americanos legalizaram a produção e o consumo da maconha, ainda que para fins medicinais. A percepção sobre o tema tem mudado. Aliás, as grandes transformações do país sempre começaram pelos estados, e depois foram incorporadas por Washington. A abolição da escravatura, por exemplo, começou por iniciativa de algumas unidades da federação. Quando a Suprema Corte autorizou o casamento gay, várias regiões do país celebravam essas uniões. Ao menos na questão da maconha, que representa 60% do consumo de drogas ilícitas no mundo, acredito numa mudança de postura.
 
CC:  Recentemente, o governo da Colômbia e as Farc anunciaram um acordo de paz, após meio século de um conflito que resultou em 220 mil mortes. Esse acordo pode ter consequências positivas no combate ao narcotráfico? 
 
ES: Sem dúvidas. Ficou acertada a substituição social dos cultivos ilícitos por outros, como a palma africana. As Farc aceitaram revelar todas as rotas de exportação de droga que conhecem. Na história da Colômbia, o narcotráfico sempre financiou diferentes grupos armados, tanto a guerrilha quanto os paramilitares. As Farc associaram-se ao tráfico como estratégia de sobrevivência. 
 
CC:  Quando o senhor foi presidente da Colômbia, foi acusado de receber doações de campanha do narcotráfico. Que fim deu esse processo? 
 
ES: Um indivíduo que cuidava da minha campanha havia recebido dinheiro de traficantes, ativos sujos do exterior. Ele foi processado e condenado. Obviamente, recebi ataques de todos os cantos, mas não tinha relação com isso. É um tema presente em todas as campanhas, especialmente nas eleições regionais da Colômbia. Nenhum país está livre de ver campanhas contaminadas por recursos ilícitos, a menos que tenha um sistema de financiamento público e exclusivo. 
 

Os rumos da saúde e da segurança alimentar no Brasil

A produção de alimentos orgânicos é importante, mas ainda enfrenta complicações no Brasil
 
Fui convidado para uma mesa-redonda, em Campinas, na Faculdade de Engenharia de Alimentos da UNICAMP: “Da produção ao consumo de alimentos: desafios e tendências”. Assunto dos mais sérios e de alta reflexão.
 
Participaram também: o diretor da instituição, Dr. Antônio Meirelles; a Dra. Marília Nutti, pesquisadora da Embrapa; Ignez Novaes de Goes, representando a Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (ABIA); o Dr. William Latorre, Diretor Científico de várias instituições; e a Dra. Julicristie de Oliveira, professora da FEA/UNICAMP, especialista em saúde pública.
 
Tentei provocar e confundir os simpáticos cientistas, professores e especialistas que lá estavam, usando a “nova ordem econômica mundial”. Posso ter conseguido em parte. Pretendo expor o que penso em próxima coluna.
 
Essa gente trabalha, sô! Estudam, sabem muito, têm convicções protetivas sérias para as alimentação e saúde brasileiras. Pesquisam aqui, lá fora, confrontam conclusões. Com eles aprendi um monte de coisas. O assunto é polêmico, multidisciplinar, multifacetado.
 
Os perrengues começam dentro das fazendas, aprofundam-se nas legislações, visitam laboratórios, complicam-se até em hortas urbanas orgânicas, e a coisa pega ainda mais quando chega aos aditivos e alimentos processados.
 
Queixam-se dos leigos que, em folhas e telas cotidianas, falam em “ultra processados”, sem saber muito bem do que se trata.
 
Recomendo-lhes calma: se ultra processar for mais caro do que processar o negócio não irá para a frente. Caso contrário, sai de baixo. Hoje em dia, os temas estão sempre pautados pelos resultados econômicos, mesmo quando benéficos às populações.
 
Da forma que a pobreza cresce no planeta, vastos contingentes humanos se limitarão a colher os alimentos diretamente do solo e comê-los com folhas, caules, bichos e ainda alguns torrõezinhos de terra grudados nas raízes. A edição especial (outubro 2014, em inglês) da National Geographic, “Food”, afirma que um quarto da população mundial come insetos regularmente.
 
Das apresentações, a Marília (vou logo pegando intimidade) coordena a excelente Rede BioFORT, da Embrapa. Saúde na mesa do brasileiro. Biofortificar é pegar batata-doce, feijão, feijão-caupi, mandioca e milho, alimentos da cultura brasileira, e a eles acrescentar micronutrientes controlados (ferro, zinco, vitamina A) para maior sustança.
 
O trabalho vem sendo realizado em regiões com os mais baixos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do país. Entre 2012 e 2014, mais de 2.500 famílias puderam driblar a chamada “fome oculta”.
A Ignez confirmou ser necessária a preocupação com os níveis de sódio hoje consumidos, mas questionou o nível de exigências na rotulação dos produtos industrializados, quando 77% do sódio consumido saem dos próprios preparos domiciliares. Sugeriu mais educação e conscientização.
 
O Dr. William Latorre, embora reconhecendo avanços em outras áreas, como a medicina, remeteu o aumento da longevidade à melhor qualidade dos alimentos hoje consumidos.
 
Citou um exemplo que pouco ouço, mas me incomoda muito. As enormes porções servidas atualmente. Na minha opinião, fator monetário de péssimas consequências. Vender e cobrar mais, aumentar o desperdício.  
 
A doutora Julicristie, especialista em saúde pública, mexe em feridas sociais. Em diversos pontos, contestou os demais participantes. Vê o mundo sem óculos cor-de-rosa e me cativou ao citar duas obras seminais para o tema: “Geografia da Fome”, de Josué de Castro; e “Parceiros do Rio Bonito”, de Antônio Cândido.
 
Finalmente, o diretor da FEA, Antônio Meirelles, fez uma excelente explanação dos caminhos atuais da engenharia de alimentos e o quanto foi importante a UNICAMP ter sido pioneira na criação do curso.
 
Pensa que inovar não pode ser considerado negativo. Para o bem, muitas crendices errôneas foram abandonadas, a saúde e a segurança alimentares prosperaram, e não se pode parar saudosos de passados supostamente melhores.
 
De forma geral, o que todos lá pediram desaguava na palavra equilíbrio, justamente o que o planeta procura e não acha.
 
Na próxima coluna, volto ao assunto. Se não mudar de ideia.
ruidaher@yahoo.com.br
 

O que é o Estatuto da Família?

Comissão aprovou a definição de família como união entre homem e mulher
 

É um projeto de lei que tramita (está sendo analisado) na Câmara dos Deputados. O texto desse projeto tenta definir o que pode ser considerado uma família no Brasil. Ou seja, estabelece (cria) regras jurídicas para que tipo de grupo de pessoas pode ser chamado de família.
 
Não entendi: Por que um texto desses é necessário?

A Constituição de 1988 já tem uma definição do que é uma família. Ela diz uma família é o resultado da união entre um homem e uma mulher ou um dos pais e seus filhos. O tal projeto de lei serviria para criar regras mais claras para isso.
 
Certo. Então está tudo bem. Por que tem gente tão preocupada com isso?

Porque em 2011, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que pessoas do mesmo sexo também podem se unir juridicamente, com os mesmos direitos e deveres dos outros casais. Na prática, os casais homossexuais agora podem se casar no cartório por causa dessa decisão. O Estatuto da Família é, na verdade, uma tentativa de reagir a isso e definir em lei que tipo de família poderá ter acesso a direitos como pensão, INSS e licença-maternidade.
 
Agora fiquei confuso: se está na nossa lei, então o STF não está errado?

O STF serve justamente para interpretar questões difíceis, que não têm solução óbvia e tomar uma decisão respeitando os princípios da nossa Constituição. Nesse caso, mesmo que o texto da Constituição diga que a família é formada por homem e mulher, o que vale é a decisão do STF dizendo que casais de pessoas do mesmo sexo podem se casar.
 
Mas então o que vai acontecer se o Estatuto da Família for aprovado? A decisão do STF deixa de valer?

É justamente essa dúvida que está causando confusão. Teoricamente, mesmo que esse projeto de lei seja aprovado, a decisão do Supremo Tribunal Federal continua a valer. Mas vai acontecer uma briga política para questionar essa decisão do STF e tentar validar a lei da Câmara.
 
O que falta para o Estatuto da Família ser aprovado? 

Ainda faltam muitos passos. Ele acabou de ser aprovado na Comissão de Constituição e Justiça, o que significa que ele ainda tem que ser votado por todos os deputados e os senadores. Depois disso, tem de ser sancionado (aprovado) pela presidenta Dilma. Esse processo todo pode durar meses (ou até anos). E ainda há a possibilidade de que ele não seja aprovado.
 
Fiquei com uma dúvida ainda. Se já existe decisão sobre o que é o casamento, por que tem gente querendo debater isso de novo?

Essa é uma pergunta complicada. Acho que a gente pode dizer que existem grupos na nossa sociedade que não gostaram dessa história de pessoas do mesmo sexo poderem se casar. Elas são contra isso e decidiram tentar fazer uma batalha política para ver se, de alguma maneira, conseguem reverter isso. Um bom jeito de fazer isso é com um projeto de lei no Congresso. E é por isso que estamos conversando sobre esse assunto.
 
Bom, mas se o povo brasileiro não gosta de casamento de pessoas do mesmo sexo, então não é justo que ele seja proibido?

Justo não é. Primeiro, porque a orientação sexual e amorosa das pessoas não deveria ser uma questão na qual as leis interferem. E te explico o porquê: ser homossexual não é ilegal. E o casamento é um contrato entre duas pessoas. O Brasil é um país que separa a religião do estado, das leis. Ou seja, somos um país laico. Portanto, não há motivo para que o casamento entre pessoas do mesmo sexo não possa existir. Mesmo que 99% dos brasileiros seja contra a união homossexual, isso não torna justo proibir o casamento entre essas pessoas, porque as leis devem tratar todo mundo da mesma maneira.
 
Então quer dizer que as igrejas agora são obrigadas a casar homossexuais?

Não, isso não é verdade. As igrejas têm autonomia para decidir que tipo de pessoas pode casar segundo suas regras. Os casamentos civil e religioso são duas coisas separadas. O civil é um contrato legal, o religioso uma união baseada na fé e nos costumes daquela religião. O Estado (as leis) não se metem no casamento religioso. E, agora, a religião não pode mais determinar quem tem a possibilidade de casar no civil.
 
O que vai acontecer se o Estatuto da Família for aprovado?

Não se sabe com certeza. Mas imaginamos que vai começar uma batalha política e jurídica para definir se o projeto de lei vai contra a decisão do STF.
 

Papa Francisco critica bispos com 'corações fechados' ao fim de Sínodo

O papa Francisco, ao encerrar uma controversa reunião de bispos sobre questões familiares, neste sábado, censurou líderes imutáveis da Igreja que "enterram a cabeça na areia" e se escondem atrás de doutrina rígida enquanto as famílias sofrem.
 
O papa falou no final de um encontro de três semanas, conhecido como sínodo, onde bispos concordaram em uma abertura restrita para divorciados que se casaram novamente fora da Igreja Católica, mas rejeitaram pedidos de adoção de uma linguagem mais acolhedora em relação aos homossexuais.
 
 
Papa Francisco acena na chegada para o sínodo dos bispos, no Vaticano, na sexta (23) (Foto: AP Photo/Alessandra Tarantino)
Papa Francisco acena na chegada para o sínodo dos bispos, no Vaticano, na sexta (23) (Foto: AP Photo/Alessandra Tarantino)
 
 
Esse foi a mais recente de uma série de advertências do pontífice aos bispos, que ressaltou desde a sua eleição em 2013 que a Igreja 1,2 bilhão de membros deve estar aberta a mudanças, ao lado dos mais pobres e deve livrar-se da pompa e conservadorismo que tem afastado tantos católicos.
Em seu discurso final, o papa pareceu criticar ultraconservadores, dizendo que os líderes da Igreja devem enfrentar questões difíceis "sem medo, sem enterrar nossas cabeças na areia."
 
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Ele disse que o sínodo tinha "desnudado os corações fechados que freqüentemente se escondem por trás até mesmo dos ensinamentos da Igreja ou de boas intenções, a fim de se sentar na cadeira de Moisés e julgar, às vezes com superioridade e superficialidade, casos difíceis e famílias feridas."
Ele também denunciou "teorias da conspiração" e as "visões limitadas" de alguns participantes no encontro, e disse que a Igreja não pode transmitir a sua mensagem para as novas gerações "às vezes incrustadas em uma linguagem que é arcaica ou simplesmente incompreensível".
 
O resultado de um encontro no Vaticano, presidido pelo papa Francisco, marcou uma vitória dos conservadores na questão homossexual e dos progressistas sobre a espinhosa questão do novo casamento.
 
O documento final do sínodo reafirmou os ensinamentos da Igreja de que os gays não devem sofrer discriminação na sociedade, mas também repetiu a posição de que "não há qualquer fundamento" para o casamento entre pessoas do mesmo sexo, que "não pode nem mesmo remotamente" ser comparado a uniões heterossexuais.
 
 
Imagem divulgada pelo Vaticano mostra o Papa Francisco presidindo o sínodo extraordinário com cerca de 200 bispos no Vaticano nesta segunda-feira (6) (Foto: AFP PHOTO / OSSERVATORE ROMANO)
Imagem divulgada pelo Vaticano mostra o Papa Francisco presidindo o sínodo extraordinário com cerca de 200 bispos no Vaticano no dia 6 de outubro (Foto: AFP PHOTO / OSSERVATORE ROMANO)
 
 
O documento indica que a assembléia decidiu evitar uma linguagem abertamente controversa e buscar o consenso, a fim de evitar impasse sobre os temas mais sensíveis, deixando para o papa lidar com os detalhes.
 
O sínodo é um órgão consultivo que não tem o poder de alterar a doutrina da Igreja. O papa, que é o árbitro final sobre qualquer alteração e que fez um apelo por uma Igreja mais misericordiosa e inclusiva, pode usar o material para escrever seu próprio documento, conhecido como um "exortação apostólica".
 
 
Divorciados
 

 O documento do sínodo, por outro lado, ofereceu alguma esperança para a plena reintegração à Igreja de alguns católicos que se divorciaram e se casaram novamente em cerimônias civis.
 
Sob a doutrina atual da Igreja, eles que não podem receber a comunhão, a menos que se abstenham de ter relações sexuais com seu novo parceiro, porque seu primeiro casamento ainda é válido aos olhos da Igreja e eles são vistos como vivendo em pecado do adultério.
 
A única maneira para que esses católicos possa casar novamente é se receberem a anulação --decisão de que seu primeiro casamento nunca existiu em primeiro lugar por causa da falta de determinados pré-requisitos, como a maturidade psicológica ou livre arbítrio.
 
O documento fala de um chamado "foro interno", em que um sacerdote ou um bispo pode trabalhar com um católico que se divorciou e casou-se novamente para decidir conjuntamente, em particular e caso a caso, se ele ou ela pode ser totalmente reintegrados.
 
"Para que isso aconteça, as condições necessárias de humildade, discrição, amor à Igreja e seus ensinamentos devem ser garantidas em uma busca sincera da vontade de Deus", disse o documento.
 

Gênero e (des)igualdade na ciência

Todo mundo concorda que não existe sentido no argumento ‘homem é melhor do que mulher’, certo? Se você discorda, nem se dê ao trabalho de ler esse texto. Caso contrário, te convido a pensar comigo em possíveis fatores que levaram a situação da mulher na ciência (mais especificamente na física) nos dias de hoje.
 
Não sou nenhuma especialista no assunto e para ser sincera nunca tinha parado para pensar seriamente nisso até resolver escrever esse texto, mas sempre que me perguntavam se eu já tinha sofrido algum tipo de preconceito por ser mulher na física, eu sempre respondia prontamente que não. Mas esses dias aconteceu uma situação boba e que já tinha acontecido antes, no entanto a diferença é que dessa vez eu já havia lido um tanto sobre a situação das mulheres na vida acadêmica e estava com isso na minha cabeça e pensei “aaaaaah, era disso que eles estavam falando então!”. Resumindo a história, eu tinha uma reunião e um seminário para assistir, e posteriormente eu iria a um aniversário e não daria tempo de passar em casa. Como qualquer mulher faria, pensei em ir mais bem arrumada e maquiada, mas logo que me troquei e ia sair de casa me senti desconfortável. Pensei, “cara, não dá pra ir assim pra física!”. E foi nesse momento que passou um monte de coisas na minha cabeça para tentar entender porque eu me senti daquela forma. Parece idiota mas acho que tem muito mais coisa por trás e é uma situação mais frequente do que imaginamos. A verdade é que eu acho que é tão comum que nem paramos mais para pensar.
 
Já aviso que esse texto vai ser longo, mas vou tentar jogar várias ideias que eu li e que pensei sobre o assunto. Possíveis motivos, especulações ou experiências pessoais. Minha intenção não é trazer nenhuma verdade, apenas questionar e fazer com que as pessoas pensem sobre o assunto.
 
 
how_it_works
How it works, xkcd
 
 
Então vamos começar do começo. A primeira coisa a se pensar é porque já na graduação temos menos mulheres do que homens. O desinteresse das mulheres pela física já aparece desde o colégio e a questão, ao meu ver, é cultural. Muitos pais ainda tem uma visão preconceituosa do que é uma profissão de “mulher” e o que é uma profissão de “homem”.  O acesso das mulheres em instituições de ensino só veio a partir do final do século XIX em grande parte devido ao movimento feminista. Este, foi importante por levantar a questão do posicionamento da mulher na sociedade e voltar a atenção para sua condição como cidadã, independente do gênero. Mas se você for pensar, quantas gerações são necessárias para uma transformação completa de pensamentos e atitudes? A mudança cultural vem aos poucos, mas se pensarmos em um período longo, vemos que a participação das mulheres aumentou significativamente. Por outro lado, o estereótipo de um cientista permanece associado à imagem masculina. A imagem de físico que vem na cabeça de qualquer um é um velhinho descabelado com a língua de fora, ou mais recente, um maluco com vários transtorno obsessivo compulsivo, fobia social, arrogante e homem, vulgo o Sheldon. De qualquer forma é com essa imagem que somos expostos e sem referências femininas na ciência é difícil impulsionar uma mudança. Uma das poucas que ouvimos falar no colégio é a Marie Curie, principalmente porque nessa etapa do aprendizado ficamos presos na ciência de uma época um tanto quanto difícil para a ridícula minoria de mulheres cientistas. Mas pensando nessa questão da imagem do cientista, o que poderíamos fazer para mudar esse panorama? Será que é algo que pode ser feito com a ajuda da mídia ou nas escolas? É algo mais profundo que necessita de uma quebra de paradigma que ainda levará gerações para acontecer?
 
 
Figuras importantes na ciência. Quem você reconhece?
Figuras importantes na ciência. Quem você reconhece?
 
 
Passando adiante, durante a graduação e pós-graduação entram outros motivos que influenciam a desistência das mulheres uma vez que já foi superada a barreira inicial de preconceito frente a sociedade em uma profissão vista como predominantemente masculina. Colocando em linhas simples um problema complexo, vamos analisar duas possíveis situações. A primeira é a mulher que quer garantir estabilidade financeira antes de ter filhos. Na física você precisa de 4 anos de graduação, 2 anos de mestrado, 4 anos de doutorado e mais uns 4 anos de pós-doutorado, para depois ser capaz de prestar concursos e tornar-se professora/pesquisadora de uma boa universidade. Veja, que esse é o melhor cenário possível, ou seja, a estabilidade só vai vir com 32 anos ou mais (considerando alguém que tenha entrado na faculdade com 18 anos). Agora, mesmo com a estabilidade como a vida profissional é afetada com um filho? Bom, mesmo alguém que tenha um parceiro que ajude, certamente terá suas viagens à congressos reduzidas e seu sono e cansaço podendo afetar sua produtividade. Mas te garanto, que no final ninguém vai ver nada disso e a análise do seu desempenho vai ser rebaixada a um número apenas. Veja, um pai pode estar sujeito as mesmas coisas, de forma que ele também pode ter sua produtividade afetada e vai ser comparado com alguém que não passou pela mesma situação. O que eu quero dizer é que a vida acadêmica é hostil tanto com homens quanto com mulheres que optam por ter uma família. Claro não estou dizendo que não é possível, apenas que é difícil e não existe um suporte para tal.
 
A segunda situação é a mulher que tem filhos no meio do percurso, isto é, antes de ter um emprego fixo em uma universidade. A vida de bolsas de estudo na pós-graduação não dá direito a muita coisa e seu prazo é fixo, por exemplo, você vai ter 4 anos de bolsa de doutorado não importa o que aconteça no meio. Mais uma vez, é como se um filho fosse um peso pra quem escolhe a carreira acadêmica nas vistas de toda comunidade (colegas de trabalho, agências de fomento, a universidade, etc ) que vai julgar a produtividade daquela mulher. Ou seja, constituir uma família não é algo natural e sim visto como um obstáculo. O quanto isso afasta as mulheres da profissão? Quantas desistem no meio caminho por conta disso? Quantas deixam de chegar mais longe na profissão por terem se “atrasado” na carreira por conta dos filhos?
 
Agora vamos supor que você seja uma mulher que tendo consciência de todas essas questões e aceitando tudo isso, conseguiu superar os obstáculos e seguiu em frente na carreira acadêmica. Bom, ainda tem mais porque o conflito não é apenas você contra o mundo. Você tem que superar as próprias barreiras e preconceitos, afinal você ainda assim é parte desse mundo machista e cresceu sob os mesmos paradigmas. Assim, de certa forma acabamos mudando nosso comportamento para buscar aceitação e inclusão no grupo predominantemente masculino. Isso implica tentar se “camuflar” para não chamar atenção para o fato de ser uma exceção naquele meio. Isso mostra o começa do meu texto e porque queremos evitar atenção para o físico. Você quer evitar que duvidem da sua capacidade por atributos físicos ou comentários machistas do tipo “ela só conseguiu isso porque tem peitos”. De certa forma, queremos nos encaixar no estereótipo de cientista bem sucedido – de novo, um velhinho com cabelos brancos – para sermos levadas a sério. Precisamos provar o tempo todo que somos capazes e lidar com o machismo que normalmente está encoberto em “brincadeiras”. Uma piadinha de mau gosto sobre loiras, sobre alguma professora ou sobre aquela menina que tirou 10 na prova mas anda de saia curta. Mas é tudo “brincadeira” e perceba que não são apenas os homens que fazem isso com as mulheres, mas elas mesma tendem a concordar e aceitar isso. De qualquer forma, como essa situação transforma como as mulheres naquele meio se veem? Como isso reflete no seu desempenho e confiança? Ela passa a se ver espelhada nesse comentários e com o tempo isso afeta seu comportamento?
 
Seguindo na carreira acadêmica,existe um ponto que os contatos que você faz e conversas no corredor ou fora da sala de reunião passam a ser determinantes e aí surge uma diferença clara se você é homem ou mulher. Não é algo exclusivo do meio acadêmico mas uma consequência e amostra da sociedade sexista que vivemos. Suponha que você é homem e seu orientador (ou um professor importante) te chame para tomar uma cerveja, ver um jogo de futebol ou jantar depois do trabalho. Normal, né? Agora suponha que você seja mulher e o mesmo aconteça. Estranho, né? O que as outras pessoas vão pensar? Será que vão achar que ele está dando em cima de você ou o contrário? Então, até que ponto, essa exclusão mesmo que involuntária afeta a carreira das mulheres a longo prazo?
 
Outro ponto, é que mesmo dentro da carreira existe uma hierarquia de áreas. Algumas são predominantemente masculina, outras tem um pouco mais de mulheres. Parece que é um análogo da vida no colégio onde meninas devem gostar de história e meninos devem gostar de matemática. Só que agora, meninas devem gostar de física aplicada e meninos de física teórica (curiosamente estou em um congresso com uma professora e quatro alunas entre 60 pessoas). Enfim, nada mudou. Crescemos e amadurecemos mas os preconceitos e tabus continuam enraizados de alguma forma em nosso comportamento.
 
Veja que muitos dos exemplos que apontei existem na sociedade em geral e não são exclusivos do meio acadêmico,o que mostra que ainda vivemos em um mundo machista. E não é apenas culpa dos homens, nós mulheres temos esse pensamento de alguma forma em nós devido a nossa formação e a tudo que somos expostas. Acho que o primeiro passo para qualquer mudança é admitir que o problema é real e existe. Sim, os homens agem de maneira diferente com as mulheres dentro da carreira e isso reflete em diversos aspectos que ditam seu sucesso ou fracasso. E sim, nós mulheres em muitos momentos nos colocamos em uma situação submissa. Aceitamos brincadeira e nem sempre nos unimos quando outra mulher sofre algum tipo de julgamento sexista. Acabamos nos acostumando e ficando acomodadas no nosso dia-a-dia porém, indiretamente somos afetas pela falta de confiança, pelos obstáculos e dificuldades, desistindo ao invés de entender os motivos e incitar uma mudança. Meu objetivo com esse texto não é propor soluções imediatas e ações efetivas para uma transformação desse cenário, mas quero mostrar que esse assunto de certa forma é um tabu e não é falado diretamente. Talvez leve gerações para atingirmos uma real igualdade, mas a conscientização do problema é o primeiro passo. Certamente na próxima vez que perguntarem se sofro preconceito na física por ser mulher, minha resposta vai ser mais complicada que apenas um não.