segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Sou católica e descobri que meu marido é homossexual, o que faço?

 
Se o cônjuge mantém relações sexuais com pessoas do mesmo sexo, o matrimônio poderia ser nulo por vícios de consentimento, e tudo indica que o mais correto seja iniciar um processo de nulidade matrimonial, ou seja, declarar que não houve matrimônio.

Dentro das causas que são motivo de nulidade do matrimônio canônico, encontram-se: os impedimentos dirimentes, os vícios de consentimento e as violações à forma de celebração.

O vínculo matrimonial surge do consentimento, sendo este o elemento mais decisivo do pacto conjugal e o que contém sua eficácia causal propriamente dita. Por isso, o consentimento não pode ser suprido pelo ordenamento jurídico.

E se o consentimento é anômalo ou está viciado, o próprio matrimônio é inválido ou nulo. Depois, é impossível reconhecer como válido um matrimônio quando houve intervenção de algum vício que afetou o consentimento dos contraentes ou de um deles.

A homossexualidade apresenta um vínculo estreito com a nulidade matrimonial, dado que, nos matrimônios contraídos por um homossexual, concorrem normalmente dois fatos com uma força que invalida o consentimento intercambiado.

Quais são estes dois fatos? O erro (por parte do cônjuge heterossexual) e a incapacidade consensual (por parte do cônjuge homossexual).

O erro se refere ao desconhecimento que a pessoa tinha da condição homossexual do eu cônjuge.

A heterossexualidade é uma qualidade substancial e identificativa da pessoa enquanto cônjuge, que se espera em uma pessoa com quem se deseja contrair matrimônio.

Segundo o Código de Direito Canônico, o erro sobre a pessoa torna o matrimônio inválido (1097, 1).

Este erro costuma ter um papel determinante na origem do consentimento, pois leva a pessoa a tomar a decisão de contrair um matrimônio pelo qual não optaria no caso de conhecer previamente a verdadeira tendência sexual do seu futuro cônjuge.

Um agravante é um dolo, quando a pessoa homossexual oculta sua condição de homossexual.

A incapacidade consensual (por parte do cônjuge homossexual) é a impossibilidade de assumir as obrigações essenciais do matrimônio por causas de natureza psíquica.

Que causas? Existem certos transtornos psicossexuais que afetam a estrutura pessoal do sujeito, que lhe impõem uma incapacidade psicopatológica de cumprir as obrigações essenciais do matrimônio.

Há antecedentes em casos de certos tipos de homossexualidade e de promiscuidade sexual.

E há unanimidade nos canonistas em afirmar que a verdadeira condição homossexual provocará diretamente a incapacidade do sujeito para assumir e cumprir as obrigações essenciais do matrimônio.

Por quê? A orientação sexual profunda do homossexual tem um significado verdadeiramente constitutivo da pessoa que afeta sua dimensão conjugal pela possível incapacidade de constituir o consórcio de toda a vida com o seu cônjuge – que exige pelo menos certa capacidade de relação e entrega interpessoal em todos os níveis (amoroso, afetivo, sexual etc.); afeta a complementariedade entre um homem (no sentido pleno da palavra) e uma mulher (no sentido pleno da palavra).

Por sua orientação sexual, a pessoa homossexual poderia carecer da capacidade necessária de fazer um consórcio heterossexual perpétuo, harmônico e exclusivo como o casamento, e causaria a invalidez do matrimônio pela incapacidade de assumir as obrigações essenciais do casamento.
 

Refugiada conta como é a vida no mercado de escravas do Estado Islâmico

 
Sequestradas, agredidas, vendidas e estupradas: o grupo Estado Islâmico (EI) tem no Iraque um “mercados de escravas”, nos quais as mulheres das minorias, como as yazidis ou as cristãs, são vendidas para servir de escravas sexuais, contou à AFP uma jovem que conseguiu escapar desse inferno.
 
No livro “Escravas do Daech” (nome do EI em árabe), que será lançado na próxima sexta-feira, na França, Jinan, uma curda de 18 anos, conta como foram seus três meses de cativeiro no Iraque, em 2014, nas mãos dos jihadistas, e como conseguiu fugir uma noite roubando umas chaves.
 
Depois de ficar presa em vários lugares, entre eles um cárcere em Masul, Jinan foi comprada por dois homens, um ex-policial e um imã, que a prenderam em uma casa junto com outras curdas.
 
“Eles nos torturavam, queriam nos converter à força”, conta Jinan à AFP, em Paris, onde se encontra para a publicação de seu livro, escrito junto com o jornalista francês Thierry Oberlé.
 
“Se negávamos, éramos agredidas, presas do lado de fora em pleno sol, obrigadas a beber água onde flutuavam ratos mortos. Às vezes, nos submetiam a choques elétricos”, ela afirmou.
 
“Esses homens não são humanos, só pensam em morte, em matar. Usam drogas sem parar. Querem se vingar de todo o mundo. Afirmam que um dia o Estado Islâmico reinará no mundo inteiro”, completou.
 
Em Mossul, Jinan foi levada a um imenso salão com colunas, onde dezenas de mulheres estavam reunidas. “Combatentes circulavam a nossa volta. Brincavam, davam risadas grosseiras, nos beliscavam nas nádegas. Um deles me pegou pelo rosto: ‘esta tem belos seios, mas quero uma curda com olhos azuis, com feições claras. Parece que essas são as melhores. Estou disposto a pagar o preço que for'”, disse o jihadista.
 
Trocada por uma pistola
 
A jovem recorda ter visto nesse mesmo mercado de escravas compradores iraquianos, sírios, mas também estrangeiros ocidentais, cuja nacionalidade não sabe determinar. As jovens mais bonitas são reservadas a clientes do Golfo, que podem pagar seu maior preço.
 
Nas casas onde são retidas, o dia era marcado pelas inúmeras visitas de compradores. “Há vendedores que atuam como intermediários, emires que inspecionam a mercadoria”.
 
“Troco sua pistola Beretta pela moreninha, mas se preferir pagar o preço inteiro são 150 dólares. Aceitamos também dinares iraquianos”, disse um deles.
 
Convencidos de que sua escrava não entendia árabe, seus “donos” falam livremente diante dela. Uma noite ela os ouve conversando:
 
“Um homem não pode adquirir mais de três mulheres, a menos que venham da Síria, Turquia ou do Golfo”, lamenta um deles, que se chamava Abu Omar.
 
“É para favorecer o negócio”, responde o outro, Abu Anas. “Um comprador saudita tem gastos de transporte e alimentação que um membro do Estado Islâmico não tem. Há uma cota mais alta para rentabilizar suas compras. É um bom acordo: a casa de finanças do Estado Islâmico aumenta sua renda para apoiar os jihadistas, e nossos irmãos estrangeiros ficam satisfeitos”.
 
Acompanhada em Paris por seu marido, com o qual conseguiu se encontrar depois de sua fuga, Jinan vive atualmente em um campo de refugiados curdos no Curdistão iraquiano.
 
“Se voltarmos aos nossos povoados, haverá outros genocídios contra nós. A única solução seria se tivéssemos uma região nossa sob proteção internacional”, conclui.
 

O dia em que o Papa João Paulo II salvou um sacerdote

 
Quero contar um fato da vida de São João Paulo II, e que muito me impressionou. Este fato real foi contado por Scott Hahn em Nova York, num dos programas da Madre Angélica – EWTN.
 
Um sacerdote norte-americano da arquidiocese de Nova York foi rezar em uma das paróquias de Roma quando, ao entrar, se encontrou com um mendigo. Depois de observá-lo por um momento, o sacerdote se deu conta que conhecia aquele homem. Era um companheiro de Seminário, ordenado sacerdote no mesmo dia que ele. Agora mendigava pelas ruas.
 
O padre, depois de identificar-se e saudá-lo, escutou dos lábios do mendigo como havia perdido sua fé e sua vocação. Ficou profundamente estremecido.
 
No dia seguinte, o sacerdote chegado a Nova York teria a oportunidade de assistir à Missa privada do Papa João Paulo II, a quem poderia saudar no final da celebração, como de costume. Ao chegar a sua vez, sentiu o desejo de se achegar ao Santo Padre e pedir que rezasse por seu antigo companheiro de Seminário, agora mendigo e contou a sua situação ao Papa.
 
Um dia depois, recebeu um convite do Vaticano para jantar com o Papa, e que solicitava que levasse consigo o mendigo sacerdote. O sacerdote voltou à paróquia onde tinha encontrado o padre mendigo e comentou com ele o desejo do Papa. Uma vez convencido o mendigo, ele o levou a seu lugar de hospedagem, lhe ofereceu roupa e um bom banho.
 
O Papa, depois do jantar, disse ao sacerdote americano que desejava ficar a sós com o mendigo, e pediu ao mendigo padre que o ouvisse em Confissão. O homem, impressionado, lhe respondeu que já não era sacerdote, ao que o Papa contestou “uma vez sacerdote, sacerdote sempre”. “Mas eu estou fora de minhas faculdades de presbítero”, insistiu o padre mendigo, que recebeu como resposta: “Eu sou o Bispo de Roma, posso me encarregar disso”.
 
O homem escutou o Papa em Confissão e pediu ao Papa que, por sua vez, o escutasse em Confissão também. Depois disso, chorou longamente nos ombros de João Paulo II. Ao final, João Paulo II lhe perguntou em que paróquia ele estava mendigando; e lhe designou assistente do pároco na mesma paróquia, e encarregado de dar atendimento aos mendigos.
 
 

EUA: desbaratada pelo menos uma ameaça terrorista contra o papa Francisco

 
É alto o alarme de segurança nos Estados Unidos para a visita do papa Francisco, que chega ao país no próximo dia 19 de setembro. A inteligência norte-americana já desbaratou pelo menos uma ameaça contra o pontífice, conforme declaração do presidente da comissão da Câmara para a segurança interna, o deputado Michael McCaul. Ele disse ao programa “This Week“, da rede ABC, que há particular atenção aos riscos de atentados por parte dos chamados “lobos solitários”.
 
McCaul não deu detalhes dos riscos existentes, mas citou que foi diretamente informado a respeito deles durante uma reunião com o Serviço Secreto. “O papa é uma pessoa muito apaixonada. Ele gosta de estar no meio das pessoas e isto envolve riscos notáveis para a segurança. Estamos monitorando atentamente toda possível ameaça. Uma, em particular, já foi identificada e desmantelada, mas, com a chegada dele aos EUA já próxima, estamos particularmente vigilantes para garantir a máxima proteção”.
 

Francisco celebra missa para cubanos e visita Fidel Castro em Havana

 
O papa Francisco se encontrou neste domingo com os cubanos em uma missa emotiva na Praça da Revolução, após a qual foi visitar Fidel Castro em sua residência de Havana.
 
“O serviço sempre observa o rosto do irmão, toca sua carne, sente sua proximidade a em alguns momentos até a ‘padece’ e busca sua promoção”, expressou o papa diante de uma multidão de fiéis, que lotou a praça desde a madrugada.
 
No entanto, alertou que “há um ‘serviço’ que serve, mas devemos ter cuidado com o outro serviço, a tentação do ‘serviço’ que ‘se’ serve. Há uma força de exercer o serviço que tem como interesse beneficiar aos ‘meus’, em nome do ‘nosso'”.
 
O pontífice advertiu contra a ambição pessoal e o individualismo em uma época de transição econômica e política: “o cristão é convidado sempre a deixar de lado suas buscas, afãs, desejos de onipotência ante o olhar concreto aos mais frágeis”.
 
Por meio das tarefas a assumir como “cidadão”, “servir significa, em grande parte, cuidar da fragilidade. Cuidar dos frágeis de nossas famílias, de nossa sociedade, de nosso povo”, disse.
 
“Ser cristão implica servir a dignidade de seus irmãos, lutar pela dignidade de seus irmãos e viver para a dignidade de seus irmãos”, completou, repetindo três vezes a palavra “dignidade”.
 
Pouco depois, durante o Angelus, o Papa defendeu a paz na Colômbia e declarou que não pode acontecer outro fracasso no caminho da reconciliação neste país, que enfrenta um conflito armado interno há meio século.
 
“Por favor, não temos o direito de nos permitir outro fracasso neste caminho de paz e reconciliação”, disse.
 
“Neste momento, me sinto no dever de dirigir meu pensamento à querida terra da Colômbia, consciente da importância crucial do momento presente, no qual, com esforço renovado e movidos pela esperança, seus filhos estão buscando construir una sociedade em paz”, disse Francisco em referência às negociações entre o governo deste país e a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
 
As negociações de paz que acontecem em Havana, iniciadas em novembro de 2012 entre o governo colombiano e as Farc, pretendem acabar com um conflito armado que deixou 220.000 mortos em meio século e seis milhões de deslocados, segundo os dados oficiais.
Reunião com Fidel
 
Depois da missa, o Papa se dirigiu à residência de Fidel Castro, de 89 anos, onde ambos tiveram um “encontro muito familiar, muito informal” na presença da esposa do líder máximo, Dalia Soto del Valle, assim como de seus filhos e netos, informou o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi.
 
“O papa foi com um pequeno grupo à residência do comandante”, destacou Lombardi.
Em sua reunião, abordaram alguns temas da atualidade internacional, como os danos ao meio ambiente.
 
Francisco e Fidel trocaram presentes, alguns livros e CD.
 
Em particular, “o comandante deu ao papa o livro ‘Fidel e a religião’ com uma dedicatória: para o papa Francisco, por sua fraternal visita a Cuba”, indicou Lombardi.


O pontífice também se reuniu à tarde no Palácio da Revolução de Havana com o presidente Raúl Castro, que assumiu o governo após a doença de seu irmão Fidel, em um ato considerado pelo Vaticano como uma visita de cortesia.
 
Dissidentes detidos
 
Antes da missa, três opositores foram detidos quando começaram a gritar frases contra o governo no momento em que Francisco chegava de papamóvel à praça, segundo um fotógrafo da AFP.
 
Os detidos pertencem à União Patriótica de Cuba, um grupo opositor ativo no leste da ilha, segundo o líder do movimento, José Daniel Ferrer, que disse que eles foram à praça “para denunciar a repressão”.
 
A visita de Francisco a Cuba é a primeira etapa de uma viagem que também o levará aos Estados Unidos, a partir de terça-feira.
 
O papa argentino é reconhecido por ter mediado secretamente a aproximação entre os dois inimigos da Guerra Fria.
 
Mas durante a missa ele não fez alusões políticas, nem ao embargo dos Estados Unidos sobre a ilha, nem à dissidência ou ao exílio.
 
Mas o cardeal Jaime Ortega, arcebispo de Havana, falou sobre a aproximação entre Estados Unidos e Cuba.
 
“Que este processo de renovação nas relações entre Cuba e Estados Unidos, que Sua Santidade tanto favoreceu e que tanto agradece o nosso povo, se estenda não apenas aos altos níveis políticos, mas que alcance os povos e muito especialmente o nosso povo cubano que vive aqui e nos Estados Unidos”, disse Ortega.
 
Na homilia, Francisco também prestou homenagem aos cubanos: “um povo que tem gosto pela festa, pela amizade, pelas coisas belas”.
 
“É um povo que tem feridas, como todo povo, mas que sabe estar com os braços abertos, que marcha com esperança, porque sua vocação é de grandeza”, disse o papa.
 
Entre os 3.500 convidados especiais presentes na missa estavam a presidente argentina Cristina Kirchner e o presidente cubano Raúl Castro.
 
A Praça da Revolução foi o local em que também celebraram missas os papas João Paulo II em 1998 e Bento XVI em 2012, entre um grande monumento em homenagem ao herói nacional José Martí e um retrato gigante de Ernesto Che Guevara.
 
Neste domingo à noite, após uma cerimônia na catedral, Francisco teve um encontro com jovens cubanos. Foi uma oportunidade de mostrar sua espontaneidade em um diálogo improvisado, durante o qual estimulou a coragem de uma juventude em dificuldades em uma ilha em plena transição econômica.
 
Na segunda-feira e terça-feira, o pontífice visitará Holguín e Santiago de Cuba, na região leste da ilha.
 

Crise de refugiados prossegue e naufrágio deixa 13 mortos


Milhares de migrantes prosseguiam neste domingo com a viagem para a Áustria e para o oeste e o norte da Europa, atravessando Croácia, Hungria e Eslovênia, que tentam impedir o grande fluxo, ao mesmo tempo em que uma nova tragédia marcou a fuga dos refugiados.
 
Treze pessoas morreram neste domingo, incluindo seis crianças, e várias são consideradas desaparecidas após a colisão na Turquia de uma balsa com um bote de migrantes que seguia para a Grécia, informou a agência de notícias Dogan. O acidente aconteceu na costa de Canakkale, noroeste da Turquia.
 
Quarenta e seis refugiados estavam no bote que afundou no Mar Egeu, segundo a agência Dogan, que não revelou a nacionalidade das vítimas.
 
A Guarda Costeira conseguiu salvar 22 passageiros e continua procurando possíveis sobreviventes.
Nos últimos meses, muitos migrantes, em sua maioria sírios, tentaram viajar da Turquia para as ilhas gregas mais próximas, porta de entrada para a União Europeia (UE).
 
As condições de travessia do Mar Egeu são perigosas e os naufrágios frequentes.
No total, 274 migrantes morreram afogados desde o início do ano em águas turcas e 53.200 foram resgatados pela Guarda Costeira, segundo o governo.
 
Desde janeiro, quase 310.000 refugiados entraram no território da União Europeia através da Grécia, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM). Quase 2.800 pessoas morreram durante a travessia em naufrágios.

Neste domingo, a Marinha italiana resgatou 250 pessoas, enquanto na Líbia outras 215 foram salvas em alto-mar.
 
Fluxo incessante
 
Neste domingo, a Hungria reabriu a fronteira com a Sérvia no posto de Röszke, onde foram registrados confrontos entre a polícia e os migrantes na quarta-feira passada.
 
Em Nickelsdorf, cidade austríaca na fronteira com a Hungria, a polícia regional calculou em 4.700 os refugiados que chegaram durante a noite.
 
Eles serão levados para centros de recepção, que já abrigam mais de 10.000 migrantes que entraram no país no sábado.
 
De acordo com a Cruz Vermelha, outros 2.000 entraram na Alemanha, evitando os postos de fronteira.
 
A polícia austríaca informou que as autoridades húngaras transportaram os migrantes de ônibus para dois centros de registro próximos da fronteira.
 
Muitos prosseguiram imediatamente para a Áustria, sem encontrar resistência das autoridades húngaras.
 
Apesar dos anúncios do governo da Hungria, as cercas de alambrado ao longo da fronteira não foram concluídas, segundo correspondentes da AFP.
 
O fluxo de migrantes que entra na Croácia a partir da Sérvia continua sendo grande. Zagreb contabilizou 21.000 entradas desde quarta-feira e espera a manutenção da tendência.
 
Muitos passam pelo posto fronteiriço de Tovarnik, de onde são levados de trem e ônibus para a fronteira húngara, até as localidades de Beremend e Letenye.
 
Apesar das divergências entre Croácia e Hungria sobre os migrantes, a realidade na fronteira mostra um sistema particularmente eficaz de cooperação entre os países vizinhos.
 
No sábado à noite, por exemplo, na passagem croata-húngara de Baranjsko Petrovo Selo – Beremend, região nordeste da Croácia, 11 ônibus croatas transportaram 600 migrantes.
 
A passagem de um país para o outro seguia um protocolo bem ajustado: um ônibus croata parava na fronteira, os passageiros desciam e caminhavam até a Hungria, onde embarcavam em um ônibus húngaro que partia imediatamente.
 
Na manhã deste domingo, a chuva afetava a localidade de Beremend. Do lado croata não havia policiais nem ônibus, mas uma emissora de rádio informou que veículos serão enviados nas próximas horas.
 
Segundo a polícia, 4.906 refugiados entraram na Hungria no sábado, 166 procedentes da Sérvia e 4.740 da Croácia.
 
Neste domingo, 700 migrantes aguardavam para entrar na Eslovênia a partir da Croácia, em vários postos da fronteira.
 
Divisões na UE
 
O incessante fluxo migratório aumenta a pressão sobre a União Europeia (UE), que convocou uma reunião de cúpula para a próxima quarta-feira em Bruxelas para tentar superar as profundas divisões.
O comissário para a Ampliação da UE, Johannes Hahn, afirmou no sábado que a Europa deveria incentivar as pessoas que fogem na guerra na Síria a que permaneçam nos países vizinhos, com a entrega de ajuda. Ele propôs, em particular, a liberação de até um bilhão de euros para a Turquia, que já recebeu quase dois milhões de deslocados.

http://pt.aleteia.org/2015/09/20/crise-de-refugiados-prossegue-e-naufragio-deixa-13-mortos/

Física, fé e Verdade com V maiúsculo

 
“… se eles possuíram luz suficiente para poder perscrutar a ordem do mundo,
como não encontraram eles mais facilmente aquele que é seu Senhor?”
Sabedoria 13,9
 
Em todo ser humano palpita o desejo do infinito. Em alguns a pulsação é forte; em outros, quase letárgica, mas não há exceção: somos movidos pela expectativa de algo que vai além de nós mesmos, das nossas experiências sensoriais. Nunca houve, e parece-me que jamais haverá, consenso sobre o que exatamente é ou em que consiste esse “infinito”. No entanto, o objeto desta busca interminável costuma ser chamado sempre da mesma forma: verdade. A Verdade é o núcleo da fé. Na física, a verdade é uma meta a se buscar sempre, embora inalcançável. Analisando com cuidado os dois casos, é possível concluir que a verdade procurada pelos físicos é uma parte da Verdade proclamada pela fé.
 
A questão da existência e significado da verdade aparece na física quando nos questionamos sobre a realidade de um modelo físico. São modelos físicos para a órbita dos planetas, por exemplo, os epiciclos de Ptolomeu (séc. II) ou as órbitas elípticas de Kepler (séc XVII). Os dois modelos tentam explicar a posição dos planetas no céu ao longo do tempo, mas se baseiam em trajetórias diferentes para os astros. Apesar de partirem de pressupostos completamente diferentes (no primeiro a Terra é o centro das órbitas, enquanto, no segundo, o centro é o Sol), ambos preveem os mesmos resultados observacionais em muitos casos, embora Kepler sempre tenha resultados melhores. Sabemos, no entanto, que Kepler não deu a resposta final, pois, três séculos mais tarde, Einstein publicou a Teoria da Relatividade Geral e nos apresentou uma nova visão de como são os movimentos planetários em sua realidade íntima. O conhecimento evoluiu e nos foi dada uma visão melhor de como é a natureza. E ninguém deve ter receio de afirmar que a resposta de Einstein ainda não é a definitiva! A história da ciência nos ensina isso. Só sabemos que é a melhor hoje; nada podemos afirmar sobre amanhã.
 
Assim como a evolução da nossa compreensão das órbitas planetárias, há muitos outros casos na física: a estrutura da matéria, dos átomos, a natureza da energia e do calor, a própria interpretação dos postulados quânticos, etc. Em todas estas áreas, podemos notar nitidamente um avanço nas teorias, bem como um convencimento próprio da nossa capacidade de entender o mundo, a natureza. Os físicos constroem teorias que tentam não só prever como a natureza se comporta, mas que também descrevam, em sua essência mais íntima, a própria realidade da natureza. A esta realidade própria chamemos de “verdade”. É um conceito abstrato, do qual nunca teremos conhecimento pleno, visto que as nossas teorias estão em constante aprimoramento. É um erro dizer que as teorias físicas são só modelos matemáticos para os resultados experimentais. Elas são muito mais que isso. São tentativas humanas de se aproximar dessa realidade última da natureza. Para os ateus, esta “verdade” buscada na física é um acaso, que não tem sentido em si mesmo. Existe simplesmente por existir. Para os que creem em Deus, entretanto, especialmente para os que compartilham da visão cristã de criação, o nosso percurso em direção ao conhecimento da realidade última da natureza é um caminhar em direção ao Deus criador.
 
A teologia cristã é bem clara: a Verdade é o próprio Deus uno e trino, que, por um ato infinito de amor de Deus Pai, nos criou livres, nos redimiu em seu Filho e nos chama a participar deste mistério por meio de seu Espírito de Verdade. A visão cristã da criação, portanto, justifica plenamente esse ímpeto humano de buscar o infinito, de lançar os seus mais profundos esforços em busca dessa Verdade “inalcançável”. A grande novidade da mensagem são as aspas na palavra inalcançável, pois, pela fé, somos capazes de alcançá-la. A meu ver, a física, e toda ciência de modo geral, é um meio excepcional para esta busca: não se opõe a ela, mas a completa, a torna mais fácil, como ensinou o papa João Paulo II em sua carta encíclica Fides et Ratio: “A fé e a razão constituem como que as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade”. Iluminados pela fé, podemos finalmente dizer que, também na física, Verdade se escreve com “V” maiúsculo.
 
________________
O prof. Alexandre Zabot, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), é físico e doutor em Astrofísica. Aleteia lhe agradece pela generosidade de compartilhar conosco os seus artigos sobre as relações entre fé e ciência e convida os leitores a conhecerem o rico blog do professor, AlexandreZabot.

http://pt.aleteia.org/2015/09/21/fisica-fe-e-verdade-com-v-maiusculo/

Histórico: a bandeira da Santa Sé, hasteada pela primeira vez na sede da ONU

No próximo dia 25 de setembro, a sede da Organização das Nações Unidas em Nova Iorque vai hastear pela primeira vez a bandeira da Santa Sé. É o mesmo dia em que o papa Francisco visitará e fará um histórico discurso na assembleia da ONU.
 
Conforme decidido em conjunto pelo Vaticano e pela secretaria geral da ONU, não haverá nenhuma cerimônia especial: a bandeira será hasteada juntamente com as dos demais países.
 
A bandeira do Vaticano é formada por duas bandas verticais, uma em amarelo e a outra em branco. O brasão de armas do Vaticano está centrado na parte branca. Também chamada de bandeira papal ou bandeira pontifícia, ela foi adotada em 7 de junho de 1929, com o Tratado de Latrão, que criou juridicamente o atual Estado da Cidade do Vaticano.
 
Com proporção de 1:1, a bandeira vaticana é uma das duas únicas bandeiras nacionais do mundo em formato quadrado. A outra é a da Suíça.
 


Papa ataca riqueza da Igreja e exalta a pobreza e a misericórdia

 
  
A pobreza é para os religiosos “o muro e a mãe” contra o mundanismo, afirmou neste domingo o papa Francisco ao discursar com veemência na Catedral de Havana. O pontífice pediu aos fiéis “que jamais se cansem de perdoar”.
 
“A riqueza pauperiza”, criticou o papa argentino, com uma expressão séria e de exasperação, diante de centenas de religiosos, freiras sacerdotes e seminaristas cubanos. Antes, ele havia entregue ao cardeal cubano, Jaime Ortega, o texto que estava lendo, pedindo que depois divulgasse a mensagem.
Com o rostro avermelhado devido ao calor úmido, a expressão particularmente tensa e indignada, Jorge Bergoglio lançou uma acusação sobre o problema das instituições ricas da igreja, preocupadas sobretudo com a economia e a boa gestão, e cujos membros podem “terminar mal e de maneira medíocre” caso se esqueçam dos “dos mais pobres, dos mais abandonados, dos mais doentes”.
 
“Por favor, não se cansem de perdoar, não tenham medo da misericórdia”, acrescentou o pontífice, que em dezembro começará um Ano Santo da misericórdia no mundo.
 
Em seu sermão improvisado, o papa reconheceu que o conflito é “desejável” e até “necessário” na Igreja.
 
A duas semanas de um sínodo dedicado à família que leva a conflitos internos agudos e a tensões entre os cardeais, Francisco pediu uma Igreja com diferentes carismas, “em que todo mundo não diga o mesmo”.
 
“Que possamos ser próximos, estar perto, com nossas diferenças, manias, estilos, mas próximos. Com nossas discussões, brigas, falando pela frente, e não por trás. Que sejamos pastores próximos ao nosso povo, que não deixemos de questionar por nossa gente”, clamou.
 
“Os conflitos, as discussões na Igreja são previsíveis e, até me animo a dizer, necessárias. Sinal de que a Igreja está viva e que o Espírito continua atuando, a continua dinamizando”, completou.
“Ai dessas comunidades onde não há um sim e um não! São como esses casamentos em que não se discute porque se perdeu o interesse, se perdeu o amor”, argumentou no texto.
 

Papa Francisco simplifica procedimentos de nulidade matrimonial

 
Foram anunciadas na manhã de terça-feira (08/09) as principais mudanças decididas pelo Papa em relação aos processos de nulidade matrimonial.
 
O objetivo do Papa não é favorecer a nulidade dos matrimônios, mas a rapidez dos processos: simplificar, evitando que por causa de atrasos no julgamento, o coração dos fiéis que aguardam o esclarecimento sobre seu estado “não seja longamente oprimido pelas trevas da dúvida”.
 
As alterações constam nos dois documentos ‘Mitis Iudex Dominus Iesus’ (Senhor Jesus, manso juiz) e ‘Mitis et misericors Iesus’ (Jesus, manso e misericordioso), apresentados na Sala de Imprensa da Sé.
 
A reforma foi elaborada com base nos seguintes critérios:
 
1.    Uma só sentença favorável para a nulidade executiva: não será mais necessária a decisão de dois tribunais. Com a certeza moral do primeiro juiz, o matrimônio será declarado nulo.
 
2.    Juiz único sob a responsabilidade do Bispo: no exercício pastoral da própria ‘autoridade judicial’, o Bispo deverá assegurar que não haja atenuações ou abrandamentos.
 
3.    O próprio Bispo será o juiz: para traduzir na prática o ensinamento do Concílio Vaticano II, de que o Bispo é o juiz em sua Igreja, auspicia-se que ele mesmo ofereça um sinal de conversão nas estruturas eclesiásticas e não delegue à Cúria a função judicial no campo matrimonial. Isto deve valer especialmente nos processos mais breves, em casos de nulidade mais evidentes.
 
4.    Processos mais rápidos: nos casos em que a nulidade do matrimônio for sustentada por argumentos particularmente evidentes.
 
5.    O apelo à Sé Metropolitana: este ofício da província eclesiástica é um sinal distintivo da sinodalidade na Igreja.
 
6.    A missão própria das Conferências Episcopais: considerando o afã apostólico de alcançar os fiéis dispersos, elas devem sentir o dever de compartilhar a ‘conversão’ e respeitarem absolutamente o direito dos Bispos de organizar a autoridade judicial na própria Igreja particular. Outro ponto é a gratuidade dos processos, porque “a Igreja, mostrando-se mãe generosa, ligada estritamente à salvação das almas, manifeste o amor gratuito de Cristo, por quem fomos todos salvos”.
 
7.    O apelo à Sé Apostólica: será mantido o apelo à Rota Romana, no respeito do antigo princípio jurídico de vínculo entre a Sé de Pedro e as Igrejas particulares.
 
8.    Previsões para as Igrejas Orientais: considerando seu peculiar ordenamento eclesial e disciplinar, foram emanadas separadamente as normas para a reforma dos processos matrimoniais no Código dos Cânones das Igrejas Orientais.
 
Diante dos jornalistas credenciados, o juiz decano do Tribunal da Rota Romana, Mons. Pio Vito Pinto explicou que os decretos (motu proprio) são resultado do trabalho da comissão especial para a reforma destes processos, nomeada pelo Papa em setembro de 2014.
 
Também estavam na coletiva o Cardeal Francesco Coccopalmerio, Presidente do Pontifício Conselho para os Textos Legislativos, e o arcebispo jesuíta  Luis Francisco Ladaria, secretário da Congregação para a Doutrina da Fé.
 

Nulidade matrimonial: os 7 pontos importantes da reforma de Francisco

 
O Papa Francisco assinou uma histórica reforma para simplificar e acelerar o processo de nulidade do matrimônio. De agora em diante, ele não deve durar mais que um ano, no máximo. A inovação foi apresentada em 8 de setembro no Vaticano por um grupo de quatro especialistas em direito canônico e um especialista em teologia.
 
Somente dois papas na história recente da Igreja haviam feito uma reforma sobre as causas de declaração de nulidade matrimonial: Bento XIV (1741) e Pio X (1908), segundo explicou o decano da Rota Romana e presidente da comissão encarregada, Dom Pio Vito.
 
De fato, 21 regras (cânones) foram modificadas no Código de Direito Canônico e no Código dos Cânones das Igrejas Orientais.
 
Outro aspecto importante é que esta reforma está centrada em dois aspectos: os pobres e a proximidade da Igreja dos que sofrem, tudo em sintonia com o Concílio Vaticano II.
 
Apresentamos, a seguir, os 7 pontos chaves dos dois documentos do Papa Francisco, “Mitis Iudex Dominus Iesus” e ”Mitis et misericors Iesus”, explicados também pelos especialistas da comissão encarregada de redigir os novos preceitos.
 
1. O julgamento da Igreja é gratuito
A “revolução franciscana” no processo de nulidade acata a gratuidade, requerida dentro das possibilidades das conferências episcopais, salvo a justiça e a dignidade salarial dos funcionários dos tribunais. O Papa quer demonstrar que a Igreja está ligada à salvação das almas, não a um negócio.
 
2. O bispo tem novos poderes
O bispo tem uma responsabilidade maior e deve garantir que os processos respeitem a ordem moral. O bispo diocesano, dentro da colegialidade, se une à força dos tribunais regionais, interdiocesanos e sinodais. Os bispos de cada diocese agora terão seus próprios tribunais e, se for o caso, poderão determinar a presença de apenas um juiz, sempre clérigo. Além disso, os bispos contarão com a ajuda dos tribunais regionais ou interdiocesanos, bem como da equipe do seu próprio tribunal.
 
3. O casamento é indissolúvel, não há nem uma vírgula de mudança nisso
A reforma diz respeito à declaração de nulidade do matrimônio, à sua validez. Nulidade é diferente de anulação. A anulação se dá quando se cancela algo que existe. A nulidade acontece quando não houve casamento, por não terem se dado as condições de sua validez; portanto, não existiu casamento. Não se pode anular o que não existiu; é por isso que se fala de nulidade, não de anulação.
 
4. O matrimônio é válido quando…
O matrimônio é válido quando há ausência de impedimentos, o que inclui sobretudo o consentimento livre dos cônjuges. A doutrina sobre o casamento não muda. Ele continua sendo indissolúvel.
 
5. Há nulidade matrimonial quando…
A nulidade acontece quando não se cumpre o ponto anterior. Neste caso, simplesmente não houve matrimônio válido, porque existiam impedimentos à união.
 
6. A duração dos processos
Os processos de nulidade serão mais curtos. É uma abertura às massas. O juiz agora é o bispo, que terá dois consultores, com os quais discutirá a certeza moral sobre os fatos para a nulidade. Se ele tiver certeza moral, pronunciará a decisão; do contrário, enviará o caso ao processo ordinário.
 
7. A sentença
Não há certeza dupla (conformidade), ou seja, a sentença afirmativa não recorrida ipso facto é executiva. Além disso, quando se entra com recurso depois de uma sentença afirmativa, este pode ser rejeitado in limine, pela evidente falta de argumentos. Isso costuma acontecer em caso de apelação instrumental, para prejudicar a outra parte; muitas vezes, o cônjuge não católico já voltou a se casar civilmente.
 
Detalhes sobre o trabalho da comissão
 
Dom Vito comentou que, no processo de realização da reforma, o Papa Francisco quis acompanhar tudo do começo ao fim. Ele buscou a lei máxima: a salvação das almas. A reforma foi votada por unanimidade. Além disso, o Papa conversou com especialistas internacionais externos à comissão.
O maior objetivo é socorrer os fiéis que se afastam da Igreja sob a sedução da chamada “mundanidade” da nossa época, concluiu Dom Vito.
 

Por que o católico não pode ser Espírita?

  
Cada religião possui seus dogmas, seus artigos de fé. Se duas religiões possuíssem os mesmos pensamentos e dogmas não seriam duas, mas apenas uma.
 
Por isso, uma pessoa não pode participar de duas religiões, pois não cumprirá honestamente nem uma, nem outra.
 
O católico não pode ser espírita porque:
 
1. O católico admite a possibilidade do Mistério e aceita Verdades sempre que tem certeza que foram reveladas por Deus.
 
2. O espírita proclama que não há mistérios e tudo o que a mente humana não pode compreender é falso e deve ser rejeitado.
 
3. O católico instruído crê que Deus pode e faz milagres.
 
4. O espírita rejeita a possibilidade de milagres e ensina que Deus também deve obedecer as leis da natureza.
 
5. O católico crê que a Bíblia foi inspirada por Deus e, portanto, não pode conter erros em questão de fé e moral.
 
6. O espírita declara que a Bíblia está cheia de erros e contradições e que esta nunca foi inspirada por Deus.
 
7. O católico crê que Jesus enviou o Espírito Santo aos apóstolos e seus sucessores para que pudessem transmitir fielmente a sua doutrina.
 
8. O espírita declara que os apóstolos e seus sucessores não entenderam os ensinamentos de Cristo e que tudo quanto transmitiram está errado ou foi falsificado.
 
9. O católico crê que o papa, sucessor de São Pedro, é infalível em questões de fé e moral.
O espírita declara que os papas só espalharam o erro e a incredulidade.
 
10. O católico crê que Jesus instituiu a Igreja para continuar a sua obra.
O espírita declara que até a vinda de Allan Kardec, a obra de Cristo estava inutilizada e perdida.
 
11. O católico crê que Jesus ensinou toda a Revelação e que não há mais nada para ser revelado.
O espírita proclama que o Espiritismo é a terceira revelação, destinada a retificar e até mesmo substituir o Evangelho de Cristo.
 
12. O católico crê no mistério da Santíssima Trindade.
 
13. O espírita nega esse augusto mistério.
 
14. O católico crê que Deus é o Criador de tudo, Ser pessoal, distinto do mundo.
O espírita afirma que os homens são partículas de Deus (verdadeiro panteísmo).
 
15. O católico crê que Deus criou a alma humana no momento de sua união com o corpo.
O espírita afirma que nossa alma é resultado de lenta e longa evolução, tendo passado pelo reino mineral, vegetal e animal.
 
16. O católico que o homem é uma composição substancial entre corpo e alma.
O espírita afirma que é composto entre perispírito e alma e que o corpo é apena um invólucro temporário, um “alambique para purificar o espírito”.
 
17. O católico obedece a Deus que, sob severas penas, proibiu a evocação dos mortos.
O espírita faz desta evocação uma nova religião.
cpa_falsas_doutrinas_1
 
18. O católico crê na existência de anjos e demônios.
19. O espírita afirma que não há anjos, mas espíritos evoluídos e que eram homens; que não há demônios, mas apenas espíritos imperfeitos que alcançarão a perfeição.
20. O católico crê que Jesus Cristo é verdadeiramente o Filho Unigênito de Deus, Segunda Pessoa da Santíssima Trindade.
21. O espírita nega esta verdade fundamental da fé cristã e afirma que Cristo era apenas um grande médium e nada mais.
22. O católico crê também que Jesus é verdadeiro homem, com corpo real e alma humana.
Grande parte dos espíritas afirma que Cristo tinha apenas um corpo aparente ou fluídico.
23. O católico crê que Maria é a Mãe de Deus, Imaculada e assumta ao céu. O espírita nega e ridiculariza todos os privilégios de Maria.
24. O católico crê que Jesus veio para nos salvar, por sua Paixão e Morte.
O espírita afirma que Jesus não é nosso Redentor, mas apenas veio para ensinar algumas verdades e de modo obscuro; e que cada pessoa precisa remir-se a si mesma.
25. O católico crê que Deus pode perdoar o pecador arrependido.
O espírita afirma que Deus não pode perdoar os pecados sem que se proceda rigorosa expiação e reparação feita pelo próprio pecador, sempre em novas reencarnações.
26. O católico crê nos Sete Sacramentos e na graça própria de cada Sacramento.
O espírita não aceita nenhum Sacramento, nem mesmo o poder da graça santificante.
27. O católico crê que o homem vive uma só vez sobre a Terra e que desta única existência depende a vida eterna.
28. O espírita afirma que a gente nasce, vive, morre e renasce, e progride continuamente (reencarnação).
29. O católico crê que após esta vida exista o céu e o inferno.
30. O espírita nega, pois crê em novas reencarnações.
 
Texto do Frei Boaventura Kloppenburg, O.F.M.
 

Movimento negro invade debate da PUC-SP e provoca a indignação de quase 300 estudantes

debate puc
 
O debate, pouco antes da confusão
 
Participei de um barraco delicioso ontem à noite. Fui à PUC-SP discutir programas assistenciais com o Eduardo Suplicy, a Luciana Temer e o José Maria Eymael. O debate começou em alto nível, ponderado e generoso. Todos concordavam que é preciso virar a página ideológica e aproveitar propostas que funcionem, venham elas do Milton Friedman ou do Paul Krugman. Até que seis ou sete militantes do Coletivo de Negros e Negras da PUC invadiram o Tucarena e interromperam a discussão. Disseram que eram cotistas da universidade e estavam indignados por não terem sido chamados para o debate. Foi assim que eu conheci alguns exemplares de um personagem comum hoje em dia: o ativista que sabota a própria causa.
 
Trezentos estudantes assistiam o evento, e eu pude ver que quase todos eles sentiram uma repulsa imediata à abordagem. Propusemos aos manifestantes que escolhessem um representante para participar do debate com a gente. Mas eles recusaram. Queriam gritar como adolescentes mimados, sem respeitar as regras do debate e as inscrições para perguntas.
 
Conseguimos conter o grupo e manter o debate por uma hora. Expus com detalhes a ideia de que o pior inimigo dos pobres é o Estado, que impede os brasileiros de empreender e mantém programas de “Bolsa Família ao contrário”, tirando dos pobres para dar ao governo e aos ricos. Logo depois, a coisa saiu do controle. Os manifestantes interromperam o debate e começaram a discursar sobre o sofrimento dos negros do Brasil. A causa é genuína e relevante, mas os modos do grupo espantaram quase toda a plateia. Depois, eles determinaram uma censura: “acabou o debate. Ninguém aqui vai falar mais nada”. Até mesmo o Eduardo Suplicy ficou assombrado com a intolerância da tropa. O que mais me impressionou foi o desrespeito à igualdade. Parece que o grupo se achava superior e por isso não precisava seguir as regras como pessoas comuns.
 
Depois da palestra, alguns estudantes negros, que não participavam do protesto e estavam ali para ouvir, me pediram desculpas e se disseram envergonhados com a confusão. Outros pediram dicas de soluções liberais para a pobreza. Fiquei com a alma lavada. A imaturidade e a falta de educação dos manifestantes fizeram muita gente encarar minhas ideias com benevolência.
 
O único lado lamentável é que grupos de malucos como esse Coletivo de Negros e Negras da PUC estão provocando uma antipatia nas universidades quanto às causas dos brasileiros discriminados. Quando você quer que alguém escute o que você tem a dizer, que se coloque no seu lugar e entenda o seu ponto de vista, o primeiro passo é conquistar a empatia do interlocutor. Não se consegue isso no grito.
 
Fui embora da PUC-SP com a impressão de que ninguém prejudica tanto os negros do Brasil quanto parte do próprio movimento negro.
 

Um inadiável acerto de contas com a Mãe Terra

A encíclica do Papa Francisco sobre “O cuidado da Casa Comum”(Laudato Si) está sendo vista como a encíclia “verde”semelhantemente como quando dizemos economia “verde”. Eis aqui um grande equívoco. Ela náo quer ser apenas “verde” mas propõe a ecologia “integral”.
 
Na verdade, o Papa deu um salto teórico da maior relevância ao ir além do ambientalismo verde e pensar a ecologia numa perspectiva holística que inclui o ambiental, o social, o político, o educaciional, o cotidiano e o espiritual. Ele se coloca no coração do novo paradigma segundo o qual cada ser possui valor intrínsceo mas está sempre em relação com tudo, formando uma imensa rede como aliás o diz exemplarmente a Carta da Terra.
 
Em outras palavras, trata-se de superar o paradigma da modernidade. Este coloca o ser humano fora da natureza e acima dela como “seu mestre e dono (Descartes), imaginando que ela não possui nenhum outro sentido senão quando posta a serviço do ser humano que pode explorá-la a seu bel-prazer. Esse paradigma subjaz à tecnociência que tantos benefícios nos trouxe mas que simultaneamente gestou a atual crise ecológica pela sistemática pilhagem de seus bens naturais.

 E o fez com qual voracidade que ultrapassou os principais limites intransponíveis (a Sobrecarga da Terra). Uma vez transpostos, colocam em risco as bases físico-química-energéticas que sutentam a vida (os climas, a escassez de água, os solos, a erosão da biodiversidade entre outros). É hora de se fazer um ajuste de contas com a Mãe Terra: ou redifinimos uma nova relação mais cooperativa para com ela e assim garantimos a nossa sobrevivência ou podemos conhecer um colapso planetário.
 
O Papa inteligentemente se deu conta desta possibilidade. Daí que sua encíclica se dirige a toda a humanidade e não apenas aos cristãos. Tem como propósito fundamental cobrar um novo estilo de vida e uma verdadeira “conversão ecológica”. Esta implica uma novo modo de produção e de consumo, respeitando os ritmos e os limites da natureza também em consideração das futuras gerações às quais igualmente pertence a Terra. Isso está implícito no novo paradigma ecológico.
 
Como temos a ver com um problema global que afeta indistintamente a todos, todos são convocados a dar a sua contribuição: cada país, cada instituição, cada saber, cada pessoa e, no caso, cada religião como o cristianismo.

 Em razão desta urgência, o Papa juntamente com a Igreja Ortodoxa instituíu todo o dia 1º de setembro de cada ano como o “Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação”. Assevera claramente que “devemos buscar no nosso rico patrimônio espiritual as motivações que alimentam a paixão pelo cuidado da criação”(Carta do Papa Francisco de 6/08/2015). Observe-se a expressâo “paixão pelo cuidado da criação”. Não se trata de uma reflexão ou algum empenho meramente racional mas de algo mais radical, “uma paixão”. Invoca-se aqui a razão sensível e emocional. É ela e não simplesmente a razão que nos fará tomar decisões, nos impulsionará a agir com paixão e de modo inovador consoante a urgência da atual crise ecológica mundial.
 
O Papa tem consciência de que o cristianismo (e a Igreja) não está isento de culpa por termos chegado a esta situação dramática. Durante séculos pregou-se um Deus sem o mundo, o que propiciou o surgimento de um mundo sem Deus. Não entrava em nenhuma catequese o mandato divino, claramente assinalado no segundo capítulo do Genesis, de “cultivar e cuidar o jardim do Éden” (2,15). Pelo contrário, o conhecido historiador norte-americano Lynn White Jr ainda em 1967 (The historical Roots of our Ecologic Crisis, em Science 155) acusou o judeo-cristianismo com sua doutrina do domínio do ser humano sobre a criação como o fator principal da crise ecológica. Exagerou como a crítica o tem mostrado. Mas de todos os modos, suscitou a questão do estreito vínculo entre a interpretação comum sobre o senhorio do ser humano sobre todas as coisas e a devastação da Terra, o que reforçou o projeto de dominação dos modernos sobre a natureza.
 
O Papa opera em sua encíclica (nn. 115-121) uma vigorosa crítica ao antropocentrismo dessa interpretação. Entretanto, na carta de instauração do dia de oração com humildade suplica a Deus “misericórdia pelos pecados cometidos contra o mundo em que vivemos”. Volta a referir-se a São Francisco com seu amor cósmico e respeito pela criação, o veradeiro antecipador daquilo que devemos viver nos dias atuais.
 
Cabe concluir com as palavras do grande historiador Arnold Toynbee:”Para manter a biosfera habitável por mais dois mil anos, nós e nossos descendentes temos que esquecer o exemplo de Pedro Bernardone, (pai de São Francisco), grande empresário de tecidos no século XIII e seu bem-estar material e começar a seguir o modelo de Francisco, seu filho, o maior entre todos os homens que viveram no Ocidente…Ele é o único ocidental que pode salvar a Terra” (em ABC, Madrid 19/12/1972, p. 10).
 
 
Leonardo Boff é colunista do JB on-line e escreveu Opção Terra: a solução da Terra não cai do céu, Record 2010.
 

Marcha contra o aborto mobiliza BH em defesa da vida

 
“Oh bebê, pode nascer! Aqui tem gente lutando por você!”, esse foi o grito de guerra da 1º “Marcha pela vida”, realizada neste último sábado (19) pelo Grupo de Ação Política (GAP) em parceria com o Instituto Inconformados e a Liga Universitária da Igreja Batista da Lagoinha, entre outras instituições. A manifestação aconteceu das 9h às 12h30 e teve concentração na praça da Estação e percorreu pelo Centro de Belo Horizonte.
 
A atividade reuniu aproximadamente mil pessoas, entre elas idosos e crianças, que se mobilizaram a favor da vida e contra o aborto. Ao som de um trio elétrico os participantes se posicionaram nos sinais de trânsito e nas ruas com faixas, cartazes e panfletos pró-vida.
 
Durante a mobilização houve apresentação de dança e teatro. Além disso mulheres que decidiram não abortar compartilharam testemunhos. Outro destaque da manhã, foi o ato simbólico ao redor da Praça Sete. Nele, os participantes se reuniram com faixas, cartazes, bebês de bonecas e balões com água tingida de vermelho, simbolizando o útero e declaram o grito de guerra.
 
 
Um das coordenadoras do GAP, Viviane Petinelli, informou que a marcha superou as expectativas,“Houve a participação de pessoas de diferenças crenças, raças e idades a favor de uma mesma bandeira. E também teve a brilhante atuação da polícia militar durante a concentração da marcha”, destacou.
 
Nas redes sociais, o GAP comentou a iniciativa: “Entendemos que cada vida vale muito e que todos têm o direito de nascer, portanto, não permitir que um bebê nasça é um claro atentado contra a vida e dignidade do ser humano. Por isso, lutamos, mobilizamos, conscientizamos por meio de panfletos, manifestações artísticas, testemunhos de mulheres que decidiram não abortar e sobreviventes do aborto e gritos de guerra. Lutamos pela saúde das nossas mulheres e pela vida dos nossos bebês. Pela vida e contra o aborto!” declarou o grupo.a de vermelho, simbolizando o útero e declaram o grito de guerra.
 
 

A questão do aborto

Desde que a pessoa tenha dinheiro para pagar, o aborto é permitido no Brasil. Se a mulher for pobre, porém, precisa provar que foi estuprada ou estar à beira da morte para ter acesso a ele. Como consequência, milhões de adolescentes e mães de família que engravidaram sem querer recorrem ao abortamento clandestino, anualmente.
 
A técnica desses abortamentos geralmente se baseia no princípio da infecção: a curiosa introduz uma sonda de plástico ou agulha de tricô através do orifício existente no colo do útero e fura a bolsa de líquido na qual se acha imerso o embrião. Pelo orifício, as bactérias da vagina invadem rapidamente o embrião desprotegido. A infecção faz o útero contrair e eliminar seu conteúdo.
 
O procedimento é doloroso e sujeito a complicações sérias, porque nem sempre o útero consegue livrar-se de todos os tecidos embrionários. As membranas que revestem a bolsa líquida são especialmente difíceis de eliminar. Sua persistência na cavidade uterina serve de caldo de cultura para as bactérias que subiram pela vagina, provoca hemorragia, febre e toxemia.
 
A natureza clandestina do procedimento dificulta a procura por socorro médico, logo que a febre se instala. Nessa situação, a insegurança da paciente em relação à atitude da família, o medo das perguntas no hospital, dos comentários da vizinhança e a própria ignorância a respeito da gravidade do quadro colaboram para que o tratamento não seja instituído com a urgência que o caso requer.
 
A septicemia resultante da presença de restos infectados na cavidade uterina é causa de morte frequente entre as mulheres brasileiras em idade fértil. Para ter ideia, embora os números sejam difíceis de estimar, se contarmos apenas os casos de adolescentes atendidas pelo SUS para tratamento das complicações de abortamentos no período de 1993 a 1998, o número ultrapassou 50 mil. Entre elas, 3.000 meninas de dez a quatorze anos.
 
Embora cada um de nós tenha posição pessoal a respeito do aborto, é possível caracterizar três linhas mestras do pensamento coletivo em relação ao tema.
 
 
Há os que são contra a interrupção da gravidez em qualquer fase, porque imaginam que a alma se instale no momento em que o espermatozoide penetrou no óvulo. Segundo eles, a partir desse estágio microscópico, o produto conceptual deve ser sagrado. Interromper seu desenvolvimento aos dez dias da concepção constituiria crime tão grave quanto tirar a vida de alguém aos 30 anos depois do nascimento. Para os que pensam assim, a mulher grávida é responsável pelo estado em que se encontra e deve arcar com as consequências de trazer o filho ao mundo, não importa em que circunstâncias.
 
No segundo grupo, predomina o raciocínio biológico segundo o qual o feto, até a 12ª semana de gestação, é portador de um sistema nervoso tão primitivo que não existe possibilidade de apresentar o mínimo resquício de atividade mental ou consciência. Para eles, abortamentos praticados até os três meses de gravidez deveriam ser autorizados, pela mesma razão que as leis permitem a retirada do coração de um doador acidentado cujo cérebro se tornou incapaz de recuperar a consciência.
 
Finalmente, o terceiro grupo atribui à fragilidade da condição humana e à habilidade da natureza em esconder das mulheres o momento da ovulação, a necessidade de adotar uma atitude pragmática: se os abortamentos acontecerão de qualquer maneira, proibidos ou não, melhor que sejam realizados por médicos, bem no início da gravidez.
 
Conciliar posições díspares como essas é tarefa impossível. A simples menção do assunto provoca reações tão emocionais quanto imobilizantes. Então, alheios à tragédia das mulheres que morrem no campo e nas periferias das cidades brasileiras, optamos por deixar tudo como está. E não se fala mais no assunto.
 
A questão do aborto está mal posta. Não é verdade que alguns sejam a favor e outros contrários a ele. Todos são contra esse tipo de solução, principalmente os milhões de mulheres que se submetem a ela anualmente por não enxergarem alternativa. É lógico que o ideal seria instruí-las para jamais engravidarem sem desejá-lo, mas a natureza humana é mais complexa: até médicas ginecologistas ficam grávidas sem querer.
 
Não há princípios morais ou filosóficos que justifiquem o sofrimento e morte de tantas meninas e mães de famílias de baixa renda no Brasil. É fácil proibir o abortamento, enquanto esperamos o consenso de todos os brasileiros a respeito do instante em que a alma se instala num agrupamento de células embrionárias, quando quem está morrendo são as filhas dos outros. Os legisladores precisam abandonar a imobilidade e encarar o aborto como um problema grave de saúde pública, que exige solução urgente.