sábado, 31 de agosto de 2013

Desafio urgente: a responsabilidade socio-ambiental das empresas


Já se deixou para trás o economicismo do Nobel, Milton Fridman que no Time de setembro de 1970 dizia:” a responsabilidade social da empresa consiste em maximalizar os ganhos do acionistas”. Mais realista é Noam Chomsky: “As empresas é o que há de mas próximo das instituições totalitárias. Elas não têm que prestar esclarecimento ao público ou à sociedade. Agem como predadoras, tendo como presas as outras empresas. Para se defender, as populações dispõem  apenas de um intrumento: o Estado. Mas há no entanto uma diferença que não se pode negligenciar: enquanto, por exemplo, a General Electric, não deve satisfação a ninguém, o Estado deve regularmente se explicar à população”(em Le Monde Diplomatique Brasil, n. 1,  agosto 2007, p. 6).

Já há décadas que as empresas se deram conta de que são parte da sociedade e que carregam a responsabilidade social no sentido de colaborarem para termos uma sociedade melhor.

Ela pode ser assim definida: A responsabilidade social é a obrigação que a empresa assume de buscar metas que, a meio e longo prazo, sejam boas para ela e também  para o conjunto da sociedade na qual está inserida.

Essa definição não deve ser confundida com a obrigação social que significa o cumprimento das obrigações legais e o pagamento dos impostos e dos encargos sociais dos trabalhadores. Isso é simplesmente exigido por lei. Nem  significa a resposta social: a capacidade de uma empresa de responder às mudanças ocorridas na economia globalizada e na sociedade, como por exemplo, a mudança da politica econômica do governo, uma nova legislação e as trasformações do perfil dos consumidores. A resposta social é aquilo que uma empresa tem que fazer para adequar-se e poder se reproduzir.

 Responsabilidade social vai além disso tudo: o que a empresa faz, depois de cumprir com todos os preceitos legais, para melhorar a sociedade da qual ela é parte e garantir a qualidade de vida e  o meio ambiente? Não só que ela faz para a comunidade, o que seria filantropia, mas o que ela faz com a comunidade, envolvendo seus membros com projetos elaborados e supervisionados em comum. Isso é libertador.

Nos últimos anos, no entanto, graças à consciência ecológica despertada pelo desarranjo do sistema-Terra e do sistema-vida surgiu o tema da responsabilidade socio-ambiental. O fato maior ocorreu no dia 2 de fevereiro do ano de 2007 quando o organismo da ONU que congrega 2.500 cientistas de mais de 135 países o Painel Intergovernamental das Mudanças Climáticas (IPCC), após seis anos de pesquisa, deu a público seus dados. Não estamos indo ao encontro do aquecimento global e de profundas mudanças climáticas. Já estamos dentro delas. O estado da Terra mudou. O clima vai variar muito, podendo, se pouco fizermos, chegar  até a 4-6 graus Celsius. Esta mudança, com 90% de certeza, é androgênica, quer dizer, é provocada pelo ser humano, melhor, pelo tipo de produção e de consumo que já tem cerca de três séculos de existência e que hoje foi globalizado. Os gases de efeito estufa, especialmente o dióxido de carbono e o metano são os principais causadores do aquecimento global.

A questão que se coloca para as empresas é esta: em que medida elas concorrem para despoluir o planeta, introduzir um novo paradigma de produção, de consumo e de elaboração dos dejetos, em consonância com os ritmos da natureza e a teia da vida e não mais sacrificando os bens e serviços naturais.

Esse é um tema que está sendo discutido em todas as grandes corporações mundiais, especialmente depois do relatório de Nicholas Stern (ex-economista-senior do Banco Mundial), do relatório do ex-vice presidente dos USA Al Gore, “Uma verdade incômoda” e dos várias Convenções da ONU sobre o aquecimento global. Se a partir de agora não se investirem cerca de 450 bilhões de dólares anuais para estabilizar o clima do planeta, nos anos 2030-2040 será tarde demais e a Terra entrará numa era das grandes dizimações, atingindo pesadamente a espécie humana. Uma reunião de julho de 2013 da Agencia Internacional de Energia (AIE) enfatizava que as decisões tem que ser tomadas agora e não em 2020. O ano 2015 é nossa última chance. Depois será tarde demais e iríamos ao encontro do indizível.

Estas questões ambientais são de tal importância que se antepõem à questão da simples responsabilidade social. Se não garantirmos primeiramente o planeta Terra com seus ecosistemas, não há como salvar a sociedade e o complexo empresarial. Portanto: é urgente a responsabilidade socio-ambiental das empresas e dos Estados.

Leonardo Boff escreveu: Sustentabilidade: o que é o que não é, Vozes 2012.
 
 
23/08/2013

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

A origem do terço Católico

A tradição de rezar e meditar, que se formou a partir das tradições dos monges eremitas dos séculos 4 e 5, tornou-se comum nos mosteiros católicos a partir do final do século 10. No século 14, os frades dominicanos introduziram o rosário para facilitar a prática religiosa entre os analfabetos e substituir a meditação dos Salmos, celebrada em coro.

 
O rosário é uma enfiada de 165 contas, correspondentes ao número de 15 dezenas de ave-marias e 15 padre-nossos. O nome se deve a um relato popular de um monge que costumava rezar 150 ave-marias de uma forma que saía de seus lábios como rosas que subiam aos céus e se depositavam na cabeça da Virgem Santíssima. O terço, como o próprio nome diz, representa a terça parte desse cordão de orações. O Papa Pio 5° (1566-1572) deu ao terço o formato de hoje, que consiste em 50 ave-marias intercaladas por dez padre-nossos.
http://www.topgyn.com.br/conso12/religiao/conso12a24.php

ATO DE CONSAGRAÇÃO DA FAMÍLIA À SANTÍSSIMA TRINDADE


“Sagrada Família por sua intercessão queremos através deste ato de fé consagrar à Santíssima Trindade a família (sobrenome da família...). Nesta consagração pedimos a sabedoria que o Espírito Santo infundiu no coração de São José a (nome do pai...) para que ele possa conduzir nossa família com honestidade, pureza e fidelidade. Pedimos a paciência e a mansidão com que o Espírito Santo concedeu à Virgem Maria à (nome da mãe...), para que ela conduza o nosso lar com o mesmo amor e dedicação da Mãe de Deus. Pedimos o Dom da obediência filial do Menino Jesus a (nome(s) do(s) filho(s)...) para que cresçam iluminados pelo Espírito Santo que O(s) conduz(iu) na infância, na adolescência e em toda sua vida de filho.
Sagrada Família, queremos ainda consagrar à Santíssima Trindade todos os outros membros da nossa família (citar aqui os outros nomes...) para que também recebam as graças e os benefícios desta consagração. Consagramos, também, através deste ato de fé todos os bens materiais, dons e talentos que Deus confiou aos membros da nossa família, entregando a Ele, por Sua intercessão, Ó Sagrada Família, o futuro de cada um de nós, pedindo que a Mão Protetora esteja sempre sobre os nossos lares, trabalhos e vidas.
Que os Santos Anjos, que serviram e ampararam a Sagrada Família, acampem agora e permaneçam para sempre ao redor da(s) família(s) (sobrenome da família...) guardando-a(s) de todos os males e livrando-a(s) de todo pecado. Unimo-nos nesta consagração a todos os membros falecidos da nossa família que já se encontram no céu e são nossos intercessores, rogando, juntamente com eles, a Misericórdia do Pai por nossos antepassados que, porventura, ainda aguardam Sua Ressurreição. Amém!...”
http://para-la-caminho.blogspot.com.br/2011/12/dia-da-sagrada-familia-jesus-maria-e.html
 

Consagração a São Miguel Arcanjo

 
Ó Príncipe nobilíssimo dos Anjos, valoroso guerreiro do Altíssimo, zeloso defensor da glória do SENHOR, terror dos espíritos rebeldes, amor e delícia de todos os anjos justos, meu diletíssimo São Miguel Arcanjo, desejando eu fazer do número dos vossos devotos e servos, a vós hoje me consagro, me do e me ofereço e ponho-me a mim próprio, a minha família e tudo o que me pertence, debaixo da vossa poderosíssima proteção.

É pequena a oferta do meu serviço, sendo como sou um miserável pecador, mas vós engrandecereis o afeto do meu coração; recordai-vos que de hoje em diante estou debaixo do vosso sustento e deveis assistir-me em toda a minha vida e obter-me o perdão dos meus muitos e graves pecados, a graça de amar a Deus de todo coração, ao meu querido Salvador JESUS CRISTO e a minha Mãe Maria Santíssima, obtende-me a aqueles auxílios que me são necessários para obter a coroa da eterna glória. Defendei-me dos inimigos da alma, especialmente na hora da morte. Vinde, ó príncipe gloriosíssimo, assistir-me na última luta e com a vossa alma poderosa lançai para longe, precipitando nos abismos do inferno, aquele anjo quebrador de promessas e soberbo que um dia prostrastes no combate no céu.
São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate para que não pereçamos no supremo juízo. Amém.
 
Fonte: http://www.arcanjomiguel.net

ABUSO SEXUAL - EXPLORAÇÃO SEXUAL - PEDOFILIA...

Em regra, numa definição superficial, abuso sexual tem como motivação a satisfação pessoal do agente, enquanto a exploração sexual tem objetivo de obtenção de lucro.
 
Assim, abuso sexual de crianças e adolescentes compreende, por ex, o estupro de uma criança. Já a exploração compreende, por ex, o agenciamento de prostituição infanto-juvenil ou a pornografia infantil.
É claro que as condutas estão interligadas: se alguém tem relação sexual com uma criança (o que constitui um estupro de vulnerável -art. 217-A do Código Penal, que é um crime ligado à pedofilia), este é um ato genericamente denominado abuso sexual. Se outra pessoa agenciou esta criança para o ato (o que constitui, por sua vez, crime de favorecimento à prostituição de criança ou adolescente-at. 218-B do Código Penal, que outro crime ligado à pedofilia), este é um ato genericamente denominado exploração sexual.

Assim, a exploração sempre leva ao abuso.
Quando a gente fala em combater a pedofilia, na verdade trata-se do combate e prevenção aos crimes ligados a pedofilia.
Pedofilia e uma parafilia, que consiste em atracão sexual por crianças. Mas o Pedófilo não é, via de regra, 'doente mental', e sabe o que está fazendo.
Estupro, favorecimento à prostituição, pornografia infantil, etc. é que são os 'crimes ligados a pedofilia'. A repressão legal ao criminoso (processo e pena) é fundamental, mas o mais importante é a prevenção, que se faz através da EDUCAÇÃO. É esse o objetivo da campanha 'Todos Contra a Pedofilia'. Evitar que tais crimes ocorram. Proteger a criança explorada e abusada.
No Brasil e em todo o mundo existem muitas campanhas educativas nesse sentido. Isso é uma melhora, mas ainda há muito a ser feito: fortalecimento das entidades de atendimento das vitimas, rigor na aplicação da lei penal, educação, educação e educação.

Observo que algumas leis melhoraram com a CPI da Pedofilia,(videartigo:http://todoscontraapedofilia.ning.com/profiles/blogs/crimes-ligados-a-pedofilia-o) as pessoas estão mais conscientes da realidade hoje em dia, alguns municípios tomaram providências mais eficientes de atendimento à vítima... mas, repito, ainda há muito o que se fazer.

A maneira mais eificente de se fazer uma denúncia e conversar diretamente com qualquer autoridade (Promotor de Justiça, Policia Militar, Civil, Federal), Conselho Tutelar, Comissariados, etc. Mas também podem ser feitas anonimamente (disque 100, por ex.).

                                         Casé Fortes

                                                                                           Todos Contra a Pedofilia

A Morte não é Nada


" Santo Agostinho "


"A morte não é nada.
Eu somente passei
para o outro lado do Caminho.

Eu sou eu, vocês são vocês.
O que eu era para vocês,
eu continuarei sendo.

Me dêem o nome
que vocês sempre me deram,
falem comigo
como vocês sempre fizeram.

Vocês continuam vivendo
no mundo das criaturas,
eu estou vivendo
no mundo do Criador.

Não utilizem um tom solene
ou triste, continuem a rir
daquilo que nos fazia rir juntos.

Rezem, sorriam, pensem em mim.
Rezem por mim.

Que meu nome seja pronunciado
como sempre foi,
sem ênfase de nenhum tipo.
Sem nenhum traço de sombra
ou tristeza.

A vida significa tudo
o que ela sempre significou,
o fio não foi cortado.
Porque eu estaria fora
de seus pensamentos,
agora que estou apenas fora
de suas vistas?

Eu não estou longe,
apenas estou
do outro lado do Caminho...

Você que aí ficou, siga em frente,
a vida continua, linda e bela
como sempre foi."

A Arte da Guerra

A Arte da Guerra é um conhecido tratado militar escrito há cerca de 2400 anos pelo general chinês conhecido como Sun Tzu.

O livro possui traduções para diversas línguas, e de uns anos para cá teve seu foco, inicialmente militar, alterado. Hoje em dia é bastante comum ver aplicações dos escritos de Sun Tzu adaptadas à administração de empresas e até mesmo à auto-ajuda.

Sobre o livro
A obra é dividida em 13 capítulos que exploram diversos aspectos da estratégia militar e foi escrita durante os “Estados Belicosos”, período bastante conturbado da história chinesa em que as relações entre os estados que compunham o império chinês foram bastante estremecidas, ocasionando-se assim diversas guerras dentro da própria China.
Acredita-se que ele tenha sido lido e influenciado grandes estrategistas da Era Cristã como o francês Napoleão Bonaparte na sua conquista da Europa durante o final do século XVIII e início do XIX, o austríaco Adolph Hitler na constituição do Terceiro Reich e no conseqüente domínio alemão sobre a Europa durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e também o chinês Mao Tsé-Tung em sua luta contra os japoneses e na guerra de guerrilhas que deu origem a tentativa de se implantar o comunismo na China, em 1949.

Sobre o autor
Sun Tzu parece ter vivido no século IV a.C e, segundo consta, foi um brilhante general e estrategista militar chinês, afinal, mais de 2 mil anos depois, sua obra ainda está presentes em livrarias de todo o mundo. Até hoje, não existe nenhuma biografia muito confiável sobre sua vida, o que compromete a precisão das informações a seu respeito.
 

terça-feira, 27 de agosto de 2013

A Amizade é Indispensável ao Nosso Ser

A amizade é a única coisa cuja utilidade é unanimemente reconhecida. A própria virtude tem muitos detratores, que a acusam de ostentação e charlatanismo. Muitos desprezam as riquezas e, contentes de pouco, agradam-se da mediocridade. As honras, à procura da qual se matam tanto as pessoas, quantos outros as desdenham até olhá-las como o que há de mais fútil e de mais frívolo?

E, assim, quanto ao mais! O que a uns parece admirável, ao juízo doutros nada é. Mas quanto à amizade, toda a gente está de acordo: os que se ocupam dos negócios públicos, os que se apaixonaram pelo estudo e pelas indagações sapientes, e os que, longe do bulício, limitam os seus cuidados aos seus interesses privados: todos enfim, aqueles mesmos que se entregaram todos inteiros aos prazeres, declaram que a vida nada é sem a amizade, por pouco que queiram reservar a sua para algum sentimento honorável.
 
Ela se insinua, com efeito, não sei como, no coração de todos os homens e não se admite que, sem ela, possa passar nenhuma condição da vida. Bem mais, se é um homem de natureza selvagem, muito feroz para odiar seus semelhantes e fugir do seu contacto, como fazia, diz-se, não sei mais que Timon de Atenas. É preciso ainda que este homem procure um confidente no seio do qual possa verter o seu veneno e o seu ódio. A necessidade da amizade será ainda mais evidente, se ele pudesse admitir que um Deus nos tirasse do seio da sociedade para nos colocar numa solidão profunda, onde, fornecendo-nos em abundância tudo o que a natureza nos pode propinar, nos subtraísse ao mesmo passo a esperança e os meios de ver jamais qualquer face humana.

Qual é a alma de ferro que suportaria uma tal existência e a quem a solidão não tornaria insípidos todos os gozos? Assim tenho por verdadeiras as palavras de Arquitas de Taranto, que entendi recordar a velhos que as ouviram eles próprios de seus pais: «se alguem subir ao céu, e de lá contemplar a beleza do universo e dos astros, todas essas maravilhas deixá-lo-ão indiferente, enquanto que o embasbacarão de surpresa se tiver de contá-las a alguém». Assim, a natureza do homem se recusa à solidão, e parece sempre procurar um apoio: e não o há mais doce que o coração de um terno amigo.
 

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Pouco a comemorar no Ano Internacional da Água

É até difícil ter que falar de sua importância. De tão óbvio chega a ser redundante: lembrar o quanto esse bem natural é essencial para a nossa existência. Mas o fato é que a água sofre com o desprezo e os maus-tratos generalizados.  São governos, empresas e populações que consideram, ou melhor, não consideram a água como algo indispensável e fundamental.

 

Cheguei a usar o bom humor ao retratar uma fictícia animação “Rebelião das Águas” para ressaltar o quanto devemos cuidar da água, pois, sem ela, nós não sobreviveríamos.

Em sala de aula e palestras costumo dizer que o petróleo é visto como mais importante que a água, pois rende royalties e é reverenciado como riqueza, enquanto a água, coitada, é usada de modo muitas vezes aviltante, até mesmo para varrer calçadas, lavar carros, além de outros incontáveis absurdos.

E longe de mim falar mal do petróleo! Ele foi e é responsável por importantes avanços e grandes progressos da humanidade. Mas faça um simples exercício: se o petróleo simplesmente desaparecesse de uma hora para outra, o que aconteceria? No mínimo um grande caos e a quebra de economias pelo mundo afora, entre outras terríveis consequências. Agora, pense o mesmo para a água. Qual o resultado? Somente a extinção da vida no planeta. Aí pergunto novamente: o que é mais importante, a água ou o petróleo?

Prejuízo em números: desperdício de água tratada causa perda de bilhões de reais

Tanta obviedade sobre os cuidados que deveriam ser tomados já deveriam ter sido percebidos, assimilados e corrigidos. Se a água sofreu agressões e contaminações, se em muitas partes do mundo ela já se tornou escassa e se nas grandes regiões metropolitanas do país é necessário buscar o líquido em lugares cada vez mais distantes, temos agora consciência dos desafios e das ações urgentes para mudar essa realidade?

Infelizmente parece que ainda não! Pesquisa divulgada recentemente pelo Instituto Trata Brasil constatou que, as empresas responsáveis pelo tratamento de água no Brasil, perdem em média 35,7% ou cerca de 10 bilhões de reais de faturamento causados por vazamentos, ligações clandestinas e problemas de medição, entre seus principais fatores.

Os problemas de vazamento decorrem da idade avançada e falta de manutenção de boa parte das instalações e encanamentos existentes. As maiores perdas ocorrem no Norte (51,55%) e no Nordeste (44,93%), regiões nas quais as suas populações estão acostumadas a sofrer muito com problemas de abastecimento de água.

A título de comparação, no Japão, o desperdício das empresas de tratamento de água não passa de 3%.

Segundo os pesquisadores responsáveis pelo estudo, as perdas de água e de faturamento representam um dos maiores desafios para a expansão das redes de distribuição de água e até mesmo para a ampliação do saneamento básico no Brasil. O dinheiro que deixa de entrar no caixa das empresas poderia ser utilizado para obras de infraestrutura, mas escorre junto com a preciosa água, pelos buracos da ineficiência.

Pouco a comemorar, mas muito por fazer

O dia 22 de março é o Dia Mundial da Água. Mas em 2013 as Nações Unidas foram além e proclamaram o Ano Internacional da Cooperação da Água, visando chamar a atenção de todos para a importância de se fazer o manejo sustentável dos recursos hídricos.

E já que todos os dias do ano foram destinados a pensar sobre o melhor uso e interromper o grande ciclo de bobagens feito até hoje, talvez seja hora de reverencia-la destinando a ela, água, todo o respeito e carinho que sempre fez por  merecer. Da próxima vez que olhar para esse líquido tão familiar ao nosso corpo, reflita sobre seus hábitos, a maneira como interage e utiliza esse insumo poderoso e vital. Tenho certeza que a partir dessa reflexão estará sendo construída uma nova relação de amor feliz e sustentável.

Água é vida! Um brinde à nossa saúde!

Reinaldo Canto
Jornalista especializado em Sustentabilidade e Consumo Consciente e pós-graduado em Inteligência Empresarial e Gestão do Conhecimento. Passou pelas principais emissoras de televisão e rádio do País. Foi diretor de comunicação do Greenpeace Brasil, coordenador de comunicação do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente e colaborador do Instituto Ethos. Atualmente é colaborador e parceiro da Envolverde, professor em Gestão Ambiental na FAPPES e palestrante e consultor na área ambiental

http://www.cartacapital.com.br/carta-verde/pouco-a-comemorar-no-ano-internacional-da-agua/?autor=599

domingo, 4 de agosto de 2013

DIA DO SACERDOTE

No DIA DO SACERDOTE, o meu abraço à todos e um lembrete. Vocês são representantes de Deus no nosso meio. Tem por missão arrebanhar e alimentar almas. E a sociedade, de tão consumista, anda carente de espiritualidade. Fico triste com alguns que se limitam a seguir os dogmas e ignoram aqueles que os procuram em busca de uma palavra de fé. Não de frases prontas, mas de palavras certas, do coração, para a pessoa certa. Inventam tantas regras que espantam os fiéis da casa de Deus.
 

Reedito aqui uma das minhas reflexões, que acho oportuno para este dia: A condição humana para experimentar o amor requer reciprocidade no carinho, proteção, fidelidade, segurança, confiança. Amar sem se sentir amado, esvazia. Foi por isso que Deus, através de Jesus, se fez presente no meio de nós para humanizar o que já era divino, o amor. 

Jesus poderia ter fingido todas as experiências humanas para cumprir sua missão e, com certeza, isso distanciaria mais ainda os homens de Deus, não conquistaria a confiança e a fidelidade dos primeiros seguidores. Seria hipocrisia. Ele viveu de verdade as limitações, frustrações da sua época. Não é isso que nos faz aproximar de certas pessoas? Quando percebemos que alguém nos compreende por ter vivido o mesmo que estamos vivendo, nos sentimos mais acolhidos.
 
Infelizmente, a teologia medieval distanciou essa intimidade pretendida de Deus e os Homens. Criou a imagem de um Deus distante, que pune e castiga. Camuflou a experiência AMOR por TEMOR. Retratou um Jesus que nunca sorri, sério, melancólico. Com certeza ele teve motivos para fazer cara feia quando expulsou os mercadores do templo, por exemplo, sofreu decepções e dores no fim de sua vida terrena, mas também teve bons motivos para sorrir. Vivia cercado de crianças e pessoas simples ao seu redor. Para conseguir isso deveria ter sido muito simpático, sorridente, brincalhão e justo.

Tenho pena de alguns de seus pastores (de várias religiões), que não conseguem ser simpáticos e próximos dos fiéis. Não descem da sua arrogância. Deveriam arrebanhar em vez de espantá-los. Para mim não é vocação. Se Jesus voltasse, usaria o chicote de novo.

Geraldo Magela Pontes.

           

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Padre Beto: “Existem muitos padres gays dentro da Igreja”

Excomungado pela Igreja Católica, Padre Beto fala ao iGay sobre homossexualidade entre os padres, homofobia religiosa, celibato e defende o amor gay.
 
No último mês de abril, o paulista Roberto Francisco Daniel, o Padre Beto , ficou conhecido em todo o Brasil depois de ser excomungado pela Igreja Católica por causa da sua visão progressista da sexualidade. Aos 47 anos, ele foi obrigado a deixar a sua paróquia na cidade de Bauru, no interior de São Paulo, por defender, entre outras posições, o amor gay. Ele também não escondia que a homossexualidade é algo que existe dentro da instituição.

Curiosamente, mais de dois meses depois da excomunhão, o papa Francisco surpreendeu o mundo nesta semana ao declarar que os gays não devem ser marginalizados pela sociedade, indo de encontro ao que pensa Roberto. Aliás, mesmo expulso da Igreja, ele se recusa a abandonar a alcunha ‘padre’. “Continuo sendo padre, essa é minha vocação... minha paixão”.



 
Nesses meses de afastamento, Padre Beto se concentrou em escrever um livro sobre o que aconteceu com ele e sobre a necessidade de renovação nas posições da denominação religiosa sediada no Vaticano. Lançado na última terça-feira (30), “Verdades Proibidas” (Editora Astral Cultural) traz à tona temas tabus para Igreja Católica, como a homossexualidade, a homofobia religiosa e o celibato.

Em entrevista ao iGay , Padre Beto comentou sobre todos esses assuntos, apontando inclusive os casos de sacerdotes católicos que ‘escondem sua homossexualidade atrás da batina’.
O religioso falou ainda sobre seu otimismo com a figura do papa Francisco, apesar de ter a convicção de que o pontífice não vai conseguir mudar a posição da Igreja sobre a comunidade LGBT.
 
iG: Como surgiu a vocação para ser padre? 
Padre Beto:
A vocação surgiu quando eu tinha 26 anos. Foi um processo de reflexão diante do confronto com a morte. Tive uma pessoa da família que faleceu e isso me fez refletir sobre a minha própria morte. Me questionei sobre as realizações que eu alcançaria quando minha vida acabasse. A educação cristã que eu tive também ajudou, cresci em uma comunidade paroquial. Jesus sempre foi meu modelo de vida.
 
iG: E como é esse modelo de vida representado pela figura de Jesus?
Padre Beto: Jesus era revolucionário, mas essa característica foi amenizada pela Igreja. Ele é visto num representação romântica das palavras amor e da paz. Acontece que o amor dele era comprometido, tanto que isso o levou a arregaçar as mangas. Jesus inclusive combateu preceitos religiosos, como o do “atire a primeira pedra quem nunca pecou”, em relação às prostitutas.
 
iG: Sua formação é diversificada, passando pelo Direito, pela História e pela Comunicação, além da Teologia. Essa bagagem acadêmica influiu no seu posicionamento progressista?
Padre Beto: Certamente. Mas também é preciso levar em conta o fato deu eu ter entrado tarde no seminário. Entrei já adulto,não um adolescente, como é comum. Ingressei com muita experiência de vida, não era mais virgem. Isso fez com que eu pudesse ter uma visão mais realista do ser humano. Minha formação acadêmica contribuiu para que eu tivesse um olhar mais crítico da instituição e da própria sociedade.
 
iG: O senhor está há mais de dois meses fora da igreja, como tem sido esse período? Existe um sentimento de injustiça? Padre Beto: Me sinto injustiçado pelo o que aconteceu, mais ainda pela forma como aconteceu. Não cometi crime algum, apenas levantei pontos de reflexão. A Igreja não me respeitou como humano, não respeitou minha família. Minha mãe é cardíaca, poderia ter morrido. A comunidade da qual eu fazia parte também foi desrespeitada.
 
iG: O senhor tem vontade de voltar ao sacerdócio? 
Padre Beto:
Eu pretendo voltar sim ao sacerdócio, continuo sendo padre, essa é minha vocação. É como se eu fosse um jogador de futebol que é impedido de jogar, mas que não pensa em fazer outra coisa. O sacerdócio é minha paixão, sou apaixonado por Jesus Cristo, não tem como não ser. Estou esperançoso com o papa Francisco, que ele traga o retorno da Igreja Católica que reflete, por isso estou entrando na justiça comum.




iG: Qual a posição atual da Igreja Católica em relação à homossexualidade? Por que este assunto ainda causa tanta controvérsia?
Padre Beto: Infelizmente, a posição da igreja é “eu aceito o gay, mas não aceito a homossexualidade”, que vem da percepção de que a sexualidade é uma opção. Sexualidade é uma orientação, algo que nasce com o individuo. Mas ele só floresce como pessoa quando convive bem com a própria sexualidade. Com essa visão antiquada, o homossexual católico sente que vive em pecado. Isso é um absurdo.

iG: Muitos religiosos, de diversas denominações, dizem que a aceitação dos gays pela sociedade é um sinal de falência da família. Com o senhor encara esse pensamento? 
Padre Beto: É um pensamento muito questionável, para não dizer absurdo. Homossexualidade não é contagiosa, não é algo que passe por comportamento. Aceitar os gays na Igreja fará com que as famílias vivam de maneira mais saudável, porque o tema vai ser tratado com muito mais naturalidade. Por exemplo, os filhos que hoje são adotados por casais gays compreenderão as diferenças com muito mais tranquilidade no futuro.

iG: O senhor ouviu muitos jovens gays quando era padre? Eles sofriam por serem gays em uma igreja que não reconhece sua orientação?
Padre Beto:
Eu aconselhei vários homossexuais, muitos em confissão, sempre os percebia na missa. Notava inclusive que o conflito interno deles se dava não com a igreja, mas com eles próprios ou com Deus. Porque a Igreja os condicionou a acreditar que ser gay é algo pecaminoso. Eles nem se davam conta que precisavam confrontar a instituição que incutiu isso em sua cabeça. Que os fez se perceber como um monstro, uma anomalia. O meu trabalho sempre foi no sentido de esclarecer isto. Mostrar que esse pensamento foi colocado na mente deles pela Igreja.
 
iG: Porque nenhum padre, salvo exceções, como o senhor, não fala sobre homossexualidade? Padre Beto: Eu acredito que os padres, de um modo geral, tem um grande receio de tocar no tema sexualidade em si. Com homossexualidade então, o medo é maior. Porque há o receio de receber alguma advertência dos superiores. Para os padres, defender a posição da Igreja é muito difícil. Se eles fossem honestos, iriam compartilhar da minha opinião, mas eles têm medo.
 
iG: A aceitação dos gays pela Igreja contribuiria para a diminuição da homofobia e o preconceito na sociedade? Padre Beto:  Ajudaria muito. Porém, seria muito bom que acontecesse o inverso, com uma sociedade mais aberta forçando mudanças na Igreja. Ela precisa fazer como Jesus Cristo, que foi vanguardista, que fez a sociedade avançar, que foi até crucificado por seus ideais. A igreja tem que avançar, levar a sociedade para frente. Por isso quero voltar a ser padre.
 
iG: O que o senhor achou da recente declaração do papa Francisco em relação aos homossexuais?  Padre Beto: No momento, o papa Francisco enfrenta uma fúria romana dos que foram nomeados e aceitos pelos papas anteriores. A politica papal, que tivemos com João Paulo II e Bento XVI, tornou inexistente qualquer tentativa de reflexão e diálogo. Joao Paulo II era carismático, tinha uma expressão midiática, mas uma teologia muito conservadora e fechada, assim como o Bento XVI. O papa Francisco tem que fazer uma mudança de estrutura. Eu diria que o discurso dele foi uma tomada de posição consciente para avanços futuros. Ele não vai avançar nos temas casamento e adoção por gays, mas vai abrir um precedente com essa fala.
 
iG: De que maneira? Padre Beto: Veja a declaração do papa, ele disse: “Quem sou eu pra julgar”. Ora, se o sumo pontífice, sucessor de Pedro, se diz incapaz de julgar um homossexual, quem poderá fazer? O papa nos ensinou com isso que o cristão não deve seguir uma cartilha, mas que deve pensar teologicamente. Que o que interessa não é orientação sexual e sim o coração honesto e sincero que busca Deus.
 
iG: Existem padres gays dentro da Igreja Católica? Manter essa condição em segredo é uma desonestidade ou uma questão de sobrevivência?
Padre Beto: 
Você não imagina quantos padres gays existem dentro da Igreja, são muitos. Mas isso não é discutido de jeito nenhum. Eu tenho a impressão de que boa parte deles tenta esconder a homossexualidade atrás da batina. Quando você é padre não existe uma pressão social do casamento, nem cobrança em relação à sexualidade, já que existe o celibato. É uma situação horrível para a Igreja, que acaba formando párocos que não têm vocação para o sacerdócio. Por outro lado, os que têm vocação não abrem a boca para defender os gays como eles, o que é inacreditável.
 
iG: O senhor imagina um futuro em que os padres gays são plenamente aceitos pela Igreja? Padre Beto: Sim. Porque mudaria muita coisa, a Igreja Católica seria muito mais arejada. O mesmo aconteceria se tivéssemos mulheres na hierarquia da instituição. Uma Igreja formada por homens e mulheres, homossexuais e heterossexuais, celibatários ou não, seria infinitamente mais saudável.
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“Verdades Proibidas – Ideias do padre que a Igreja não conseguiu calar”, de Padre Beto. Editora Astral Cultural, 128 páginas.

FONTE: iG São Paulo , por Iran Giusti |