quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

SABORES E VALORES DO NATAL

Faustino Vicente
Embora estejamos vivendo uma das épocas mais brilhantes da história da humanidade, em termos de descobertas científicas e de invenções tecnológicas, precisamos estar atentos para que esses fatos, que aproximam as distâncias, não nos levem à “distanciar as proximidades”.
Essas transformações derrubaram barreiras e ampliaram fronteiras, impactando o nosso cotidiano e transformando o nosso estilo de vida. A evolução nos deixou como herança um profundo abismo entre a ilha de ricos e o oceano de pobres.
Esta abordagem no final de ano,que é o período onde o espírito de solidariedade é mais abrangente, e envolvente, é oportuna para uma reflexão sobre a nossa caminhada pessoal, profissional e social. As organizações devem analisar, além da frieza dos números contábeis, qual foi o saldo do balanço social da sua trajetória.
A fraternidade universal deve ser desenvolvida de forma incondicional, independentemente de raça, credo religioso ou condição social, pois além de atender as necessidades materiais, mínimas e dignas, para a sobrevivência das pessoas, deve abranger todas as demais carências físicas e emocionais, que pelo seu aspecto democrático atingem pobres e ricos, negros e brancos, homens e mulheres, crianças e idosos. A educação e a saúde, de excelente qualidade, representam o alicerce da promoção humana.
Movimento exemplar de maior destaque atualmente no mundo, é o que leva o nome de responsabilidade social, voluntariado ou Terceiro Setor. O marketing social, que abriga essa tendência, tem sido responsável pelo despertar da percepção das pessoas em partilhar o mais precioso tesouro da nossa era – o conhecimento – certidão de nascimento da cidadania.
Para que os “sabores” do Natal deixem de ser efêmeros e passem agregar valores ao nosso relacionamento inter-pessoal, basta observarmos o que a natureza insiste em nos mostrar. Segue um modelo edificante da verdadeira essência do Natal. Quando um ganso bate as asas, cria uma área de sustentação para a ave que voa logo atrás. Voando em formação V, todos do bando tem um desempenho 71% melhor do que teriam se voassem separados. Pessoas que compartilham dons, competências e habilidades podem atingir suas metas mais rápido e facilmente. Sempre que um ganso sai da formação, sente subitamente a resistência do ar ao tentar voar sozinho. Rapidamente, volta para formação,aproveitando o movimento da ave imediatamente à sua frente.
Se tivermos a mesma “sensibilidade” dos gansos, permaneceremos em formação com aqueles que comungam com os nossos objetivos e nos disporemos a aceitar a sua ajuda, assim como prestar a nossa colaboração aos outros. Quando um ganso líder se cansa, ele passa para trás e imediatamente outro assume o seu lugar, voando para a posição da ponta. É preciso sistematizar o revezamento das tarefas pesadas e dividir a liderança. As pessoas, assim como os gansos, são dependentes umas das outras.
Os gansos de trás, na formação, grasnam para motivar os da frente e aumentar a velocidade. Incentivos e estímulos são indispensáveis quando queremos manter ou melhorar a qualidade e o ritmo dos trabalhos em equipe. Quando um ganso fica doente e fraco ou é abatido, dois gansos saem da formação V e seguem-no para ajudá-lo e protegê-lo. Ficam com ele até que ele esteja apto para voar, ou até que acabe morrendo. Só assim, eles voltam ao procedimento normal, com outra formação ou vão atrás de outro bando. Se nós tivermos a solidariedade que os gansos demonstram, também estaremos ao lado de pessoas que estão vivendo momentos difícies.
Concluímos que, através do comportamento dos gansos, a natureza tem sido incansável em sinalizar que –amar o próximo como a ti mesmo – é o único caminho que poderá conduzir os povos a tão sonhada “terra prometida” – a Paz mundial.
* Faustino Vicente - Consultor de Empresas e-mail: faustino.vicente@terra.com.br- Jundiaí (Terra da Uva) SP

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

QUE PAÍS É ESSE?


Parte de entrevista do ROMÁRIO ao jornalista Cosme Rimoli - TV Record .

- Você foi recebido com preconceito em Brasília?

Olha, vou ser claro para quem ler entender como as coisas são. Há o burro, aquele que não entende o que acontece ao redor. E há o ignorante, que não teve tempo de aprender. Não houve preconceito comigo porque não sou nem uma coisa nem outra. Mesmo tendo a rotina de um grande jogador que fui, nunca deixei de me informar, estudar. Vim de uma família muito humilde. Nasci na favela. Meu pai, que está no céu, e minha mãe ralaram para me dar além de comida, educação. Consciência das coisas... Não só joguei futebol. Frequentei dois anos de faculdade de Educação Física. E dois de moda. Sim, moda. Sempre gostei de roupa, de me vestir bem. Queria entender como as roupas eram feitas. Mas isso é o de menos. O que importa é que esta sede de conhecimento me deu preparo para ser uma pessoa consciente... Preparada para a vida. E insisto em uma tese em Brasília, com os outros deputados. O Brasil só vai deixar de ser um país tão atrasado quando a educação for valorizada. O professor é uma das classes que menos ganha e é a mais importante. O Brasil cria gerações de pessoas ignorantes porque não valoriza a Educação. E seus professores. Não há interesse de que a população brasileira deixe de ser ignorante. Há quem se beneficie disso. As pessoas que comandam o País precisam passar a enxergar isso. A Saúde é importante? Lógico que é. Mas a Educação de um povo é muito mais.

- Essa ignorância ajuda a corrupção? Por exemplo, que legado deixou o Pan do Rio?

Você não tenha dúvidas que a ignorância é parceira da corrupção. Os gastos previstos para o Pan do Rio eram de, no máximo, R$ 400 milhões. Foram gastos R$ 3,5 bilhões. Vou dar um testemunho que nunca dei. Comprei alguns apartamentos na Vila Panamericana do Rio como investimento. A melhor coisa que fiz foi vender esses apartamentos rapidamente. Sabe por quê? A Vila do Pan foi construída em cima de um pântano. Está afundando. O Velódromo caríssimo está abandonado. Assim como o Complexo Aquático Maria Lenk... É um escândalo! Uma vergonha! Todos fingem não enxergar. Alguém ganhou muito dinheiro com o Panamericano do Rio. A ignorância da população é que deixa essa gente safada sossegada. Sabe que ninguém vai cobrar nada das autoridades. A população não sabe da força que tem. Por isso que defendo os professores. Não temos base cultural nem para entender o que acontece ao nosso lado. E muito menos para perceber a força que temos. Para que gente poderosa vai querer a população consciente? O Pan do Rio custou quatro vezes mais do que este do México. Não deixou legado algum e ninguém abre a boca para reclamar.

- Se o Pan foi assim, a Copa do Mundo no Brasil será uma festa para os corruptos...

Vou te dar um dado assustador. A presidente Dilma havia afirmado quando assumiu que a Copa custaria R$ 42 bilhões. Já está em R$ 72 bilhões. E ninguém sabe onde os gastos vão parar. Ningúem. Com exceção de São Paulo, Rio, Minas, Rio Grande do Sul e olhe lá...Pernambuco... Todas as outras sete arenas não terão o uso constante. E não havia nem a necessidade de serem construídas. Eu vi onze das doze... Estive em onze sedes da Copa e posso afirmar sem medo. Tem muita coisa errada. E de propósito para beneficiar poucas pessoas. Por que o Brasil teve de fazer 12 sedes e não oito como sempre acontecia nos outros países? Basta pensar. Quem se beneficia com tantas arenas construídas que servirão apenas para três jogos da Copa? É revoltante. Não há a mínima coerência na organização da Copa no Brasil.

- São Paulo acaba de ser confirmado como a sede da abertura da Copa. Você concorda?

Como posso concordar? Colocaram lá três tijolinhos em Itaquera e pronto... E a sede da abertura é lá. Quem pode garantir que o estádio ficará pronto a tempo? Não é por ser São Paulo, mas eu não concordaria com essa situação em lugar nenhum do País. Quando as pessoas poderosas querem é assim que funcionam as coisas no Brasil. No Maracanã também vão gastar uma fortuna, mais de um bilhão. E ninguém tem certeza dos gastos. Nem terá. Prometem, falam, garantem mas não há transparência. Minha luta é para que as obras não fiquem atrasadas de propósito. E depois aceleradas com gastos que ninguém controla.

- O que você acha de um estádio de mais de R$ 1 bilhão construído com recursos públicos. E entregue para um clube particular.

Você está falando do estádio do Corinthians, não é? Não vou concordar nunca. Os incentivos públicos para um estádio particular são imorais. Seja de que clube for. De que cidade for. Não há meio de uma população consciente aceitar. Não deveria haver conversa de politico que convencesse a todos a aceitar. Por isso repito que falta compreensão à população do que está acontecendo no Brasil para a Copa.
- A Fifa vai fazer o que quer com o Brasil?
Infelizmente, tudo indica que sim. Vai lucrar de R$ 3 a R$ 4 bilhões e não vai colocar um tostão no Brasil. É revoltante. Deveria dar apenas 10% para ajudar na Educação. Iria fazer um bem absurdo ao Brasil. Mas cadê coragem de cobrar alguma coisa da Fifa. Ela vai colocar o preço mais baixo dos ingressos da Copa a R$ 240,00. Só porque estamos brigando pela manutenção da meia entrada. É uma palhaçada! As classes C, D e E não vão ver a Copa no estádio.
O Mundial é para a elite. Não é para o brasileiro comum assistir.
- Ricardo Teixeira tem condições de comandar o processo do Mundial de 2014?

Não tem de saúde. Eu falei há mais de quatro meses que ele não suportaria a pressão. Ser presidente da CBF e do Comitê Organizador Local é demais para qualquer um. Ainda mais com a idade que ele tem. Não deu outra. Caiu no hospital. E ainda diz que vai levar esse processo até o final. Eu acho um absurdo.

- Muito além da saúde de Ricardo Teixeira. Você acha que pelas várias denúncias, investigações da Polícia Federal... Ele tem condições morais de comandar a organização Copa no Brasil?

Não. O Ricardo Teixeira não tem condições morais de organizar a Copa. Não até provar que é inocente. Que não tem cabimento nenhuma das denúncias. Até lá, não tem condições morais de estar no comando de todo o processo. Muito menos do futebol brasileiro...
Entrevista concedida ao repórter Cosme Rímoli, da TV Record.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Fernanda Brum grava música sobre Maria

A cantora evangélica Fernanda Brum deu um passo para a unidade plena entre os cristãos surpreendendo a muitos – católicos e protestantes – gravando uma canção em seu álbum sobre Maria, deixando de lado uma fobia desnecessária infelizmente ainda pregada por muitos.

A música foi ainda contemplada por um comentário no blog de Padre Joãozinho, scj, sacerdote da Igreja Católica e ministro de música cuja opinião é bastante influente no meio. Ele afirma que, apesar de surpreendente para alguns, não existe polêmica em torno do tema pois Maria faz parte do Evangelho. Confira o que ele disse em seu blog:
“Algo de novo está acontecendo. Acabo de ouvir, com satisfação, a canção gravada pela evangélica FERNANDA BRUM: Maria. Faz tempo que a grande maioria dos evangélicos mantém um estranho pudor para falar sobre Maria. É estranho porque sendo “evangélicos” deveriam cantar todo o Evangelho. É o que acontece nesta bela intepretação de Fernanda Brum que canta o primeiro capítulo do evangelho de Lucas. A mãe sorri e o Filho agradece!”
Maria

Era uma mulher sensível a Deus serva submissa viveu ao
Senhor sempre rendida bendita entre as mulheres exemplo
será pra sempre bendita é o fruto do seu ventre
Alcançou graça no Senhor ela disse em seu coração:

Engrandece alma minha meu Deus e meu salvador, pois
sua graça e misericórdia são de geração...em geração.

Um anjo de Deus me disse: Não temas és escolhida é ti
um favor foi concedido
Teu filho será vestido de glória e poder divino, virá
salvação desse menino
Alcançou graça no Senhor ela disse em seu coração:


Engrandece alma minha meu Deus e meu salvador, pois
sua graça e misericórdia são de geração...em geração.



http://www.vagalume.com.br/fernanda-brum/maria-saibas-que.html#ixzz1ffGxxhDK

É tempo de acreditar...

Vivemos em um mundo cujo caos é visível aos nossos olhos, a decadência moral é visível nos gestos, nas palavras e nos atos dos seres humanos, homem e mulher. Na politica não existe ética, tornou se uma profissão como outra qualquer onde o poder monetário é que vale, verdadeiramente, politica se tornou a arte de ganhar bem “pegando o bem dos outros” como se este gesto fosse natural. Em nome de Jesus faz se uma politicagem porca em busca de votos  e de um cargo politico onde quem ganha é apenas o “eleito” e quem perde é o eleitor. Perdeu se o senso do bem comum, da partilha e da fraternidade que tão bem foi vivida outrora por homens  e mulheres (uma minoria) cujo pensamento era o amor a Deus e ao próximo como a si mesmo. Hoje nossos gestos são de indiferença aos valores humanos que nos levam a sermos justos, honestos e íntegros, aprendemos a olhar os seres humanos como se fossem instrumentos do nosso crescimento financeiro licito e ilícito. Deus se tornou uma mercadoria fácil de ser vendida, em seu nome impérios políticos são construídos e a degradação moral e religiosa cresce levando Deus e a Religião ao descredito total.  

No campo religioso não é diferente, além das religiões tradicionais surgem no cenário mundial cada dia novas seitas pregando a verdade divina em nome do “bem próprio” e não do bem comum. A base do ensinamento continua sendo Jesus e sua mensagem divina, mas cada um a adapta de acordo com seus interesses. O pensamento jesuanico é apenas a base para doutrinas diversas que tem como pano de fundo o bem próprio e não a partilha fraterna tão bem pregada por Jesus. Varias sãos as doutrinas humanas que surgem a cada dia, homens e mulheres se autodenominam portadores oficiais de Deus e criam doutrinas em cima de doutrinas para justificarem suas novas igrejas como se as mesma fossem portadoras da salvação.  O fundamento da fé cristã é Jesus Redentor, nele esta a verdade revelada de Deus, ele é Deus feito homem no meio de nós como revelador da verdade que veio do céu, de Deus nosso Pai Criador e do Espirito Santo Santificador. Jesus e a Biblia são usados  como base de um pensamento religioso que leva a espécie humana cada vez mais em direção ao individualismo religioso que afasta o homem do próprio homem gerando guetos religiosos de poder financeiro egoístas e vazios da verdade de Jesus. Esta ação é maligna porque não tem origem em Deus sumo bem, mas no Maligno, portador do mal.
Mas, ainda é tempo de acreditar, não nas religiões em si mesmas nem nos criadores de doutrinas, mas no ser humano, filho de Deus e portador da graça divina. Os seres humanos por si só são portadores do amor divino e capazes de realizar sua missão fortalecidos pelo poder de Deus Pai criador, do Espirito Santificador e do filho Redentor. Na trindade santa esta a santificação da espécie humana capaz de recuperar sua autoestima e restaurar uma nova vida para si e para a humanidade. É tempo de acreditar, não no católico, no espirita, no protestante, no budista, no ateu, etc., mas sim no Ser Humano criado por Deus Uno e Trino para ser feliz. Não só ser feliz, mas fazer o outro feliz na sua missão terrena buscando uma partilha fraterna que gere um novo ser humano restaurado e capaz de restaurar este planeta azul que Deus nos deu para cuidar.  Só assim estaremos aptos a voltar para a casa celeste de onde saímos um dia para realizarmos aqui em nome de Deus uma missão de amor. A plenitude desta missão é o seguimento dos ensinamentos de Jesus. Aquele que crer em Jesus e por em pratica seus ensinamentos, este será salvo.

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Décio Márcio, Sacerdote e Teólogo Cristão Católico

Proibido aos Céticos

Vaticano confirma pela primeira vez que padres e clérigos cometem estupros e abusos sexuais em freiras em 23 países, incluindo o Brasil
Ano de 1994, Londres. A freira e médica Maria O’Donohoue, da Missão Médica Santa Maria, concluiu um trabalho de seis anos sobre a Aids no mundo que iria reacender o fogo de uma das questões mais polêmicas para os católicos: o sexo na igreja. “Infelizmente, freiras afirmam que padres as estão explorando sexualmente porque eles temem ser contaminados pelo vírus Hiv em contato sexual com prostitutas e outras mulheres de risco”, escreveu em um dos parágrafos do estudo. O’Donohoue coordenava na época o Fundo Católico Romano para o Desenvolvimento no Exterior (Cafod) e, em fevereiro de 1995, apresentou seu trabalho ao cardeal Eduardo Martínez, diretor da Congregação do Vaticano para as Santas Ordens. A denúncia arrepiou o cardeal, que decidiu investigar mais detalhadamente
Cinco anos depois, pela primeira vez em sua história, o Vaticano admitiu na terça-feira 20 que os padres estupram freiras, além de cometer outros tipos de abusos sexuais contra mulheres. A mais alta instância da Igreja Católica confirmou a violência sexual por parte do clero, depois de serem divulgados os estudos da freira no jornal italiano La Repubblica e no americano National Catholic Reporter. Segundo o relatório, que começou com uma pesquisa sobre a contaminação da Aids nos países africanos, em 23 países religiosos buscam mulheres, entre elas as irmãs, para realizar os prazeres da carne. A maior parte dos casos aconteceu na África, mas a lista também inclui o Brasil, a Itália, a Finlândia, a Índia e a Irlanda
Segundo O’Donohoue, o conceito de celibato é bastante “aberto” na África, onde vivem cerca de 12% do um bilhão de católicos do mundo. Durante séculos houve a poligamia nas sociedades africanas e os padres, ao que parece, não conseguem se desfazer desse legado cultural, acreditando que a igreja proíbe o casamento, mas não os impede de ter filhos. A freira-médica diz que resolveu escrever sobre o assunto porque as freiras “fizeram apelos passionais para membros de congregações internacionais mas não foram atendidas”. Um dos maiores escândalos no clero africano aconteceu no Malawi, onde 29 freiras da mesma congregação engravidaram de padres. Em uma outra diocese, 20 freiras que engravidaram foram expulsas, mas os padres continuaram exercendo o sacerdócio.
Contracepção – O Vaticano proíbe a camisinha e condena o aborto e o uso de métodos artificiais de contracepção, mas há padres que encorajam as freiras a interromper a gravidez. “Alguns chegam a recomendar que as freiras usem contraceptivos, iludindo-as ao dizer que as pílulas protegem da transmissão do vírus Hiv”, diz o relato. Em vários hospitais visitados pela freira, foram recolhidos relatos de irmãs constrangidas por terem sido violentadas. Uma jovem islâmica convertida ao cristianismo foi estuprada por um padre antes mesmo de ser consagrada. Depois de entrar para a congregação, ela descobriu que estava grávida. Pediu socorro ao bispo de sua cidade, que resolveu o caso dando um descanso de duas semanas ao padre estuprador. E a jovem não pôde sequer retornar à sua família muçulmana.
Outro estudo feito pela madre superiora da Congregação Africana das Missionárias de Nossa Senhora, Marie McDonald, mostra que freiras são obrigadas a servir sexualmente seus superiores em troca de benefícios. “Em algumas situações, candidatas a seguir a vida religiosa fazem favores sexuais a padres para garantir seus certificados ou recomendações para serem aceitas nas dioceses”, relata o documento.

A água não é uma mercadoria


A Assembleia Geral das Nações Unidas em 2010 declarou o acesso à água potável e às redes de esgoto como um direito humano básico. Mas há menos consenso em como se deve gerir o fornecimento desta água; deve ser uma atividade privada ou, pelo contrário, reservada às autoridades públicas. O debate não é novo, mas cobrou mais importância recentemente. Na Itália, a lei que estipulava a privatização do fornecimento de água para junho de 2012 foi recusada de forma maioritária pelos cidadãos em um referendo.

Na maior parte dos casos, a privatização não incluiria a totalidade das infraestruturas de fornecimento como poços, depósitos ou condutos. O núcleo da discussão está na gestão do fornecimento da água por parte do setor privado através de concessões. Os que favorecem esta liberalização insistem em que a gestão privada é mais eficiente e menos cara que a gestão pública, uma hipótese que de qualquer modo não conta até o presente momento com evidência empírica.

Cerca de 200 milhões de pessoas no mundo (6% da população urbana mundial) recebem o fornecimento de água através de redes de propriedade pública, mas de gestão privada. Só 70 milhões de pessoas recebem seu fornecimento através de redes que são totalmente privadas (concretamente na Inglaterra e em Gales, alguns lugares do Chile e dos Estados Unidos).

O aumento de atores privados no serviço da água, especialmente nos anos ‘80 e 90, já que parecia um próspero negócio, está suscitando preocupação pelo incremento de preços e a queda na qualidade do serviço, especialmente nas zonas rurais mais deprimidas. Mas alguns duvidam que as empresas privadas, que procuram primeiramente o benefício econômico por sua atividade mais que o bem geral, sejam as organizações adequadas para proporcionar serviços sociais básicos como o fornecimento de água potável.

Diante de tais objeções, o político, científico e ativista dos direitos humanos, o italiano Riccardo Petrella promoveu em 2001 o “Contrato Mundial da Água”, que deveria garantir o acesso básico à água para todos, assim como assegurar um fornecimento sustentável de água em todo mundo. Segundo a proposta de Petrella em seu Manifesto sobre a água, as políticas da água precisam de um enfoque de investimentos no longo prazo que garantam os direitos dos cidadãos à co-decisão em assuntos relacionados com a água.

Este aspecto tão importante da participação encontrou uma nova expressão na Europa com a denominada Iniciativa Cidadã Europeia. Este instrumento, incluído no Tratado de Lisboa, dá aos cidadãos da União Europeia (UE) a possibilidade de “convidar” a Comissão Europeia a originar medidas legislativas dentro do marco de competências da UE. O Instituto Europeu de Pesquisa em Políticas de Água, fundado pelo próprio Petrella, está promovendo esta Iniciativa Cidadã Europeia que pretende uma revisão da Diretiva-Marco Europeia sobre a Água do ano 2000. Os promotores querem que a UE declare a água legalmente como um “bem comum” que precisa da responsabilidade compartilhada dos cidadãos. Por isso, os cidadãos devem ter direitos reconhecidos para a co-decisão, mais que a simples informação ou consulta.


O processo de Iniciativa é complicado, lento e caro. No entanto, oferece a possibilidade de embarcar-se num amplo debate que permita desenhar o fornecimento de água no futuro e, além disso, saber quem será o responsável. Especialmente num sistema político como o da UE que com frequência é criticado por suas limitações em instrumentos democráticos e de participação. Este enfoque resulta esperançoso para estabelecer um diálogo amplo sobre uma questão tão sensível. A iniciativa combina a preocupação pelo fornecimento de água como o uso de instrumentos de participação democráticos, que incide em vários desafios da governança ambiental.

Fonte:Thorsten Philipp