domingo, 31 de julho de 2011

ARMADURA DO CRISTÃO

Efesios 6, 10 a 20
10 Finalmente, irmãos, fortalecei-vos no Senhor, pelo seu soberano poder. 11Revesti-vos da armadura de Deus, para que possais resistir às ciladas do demônio. 12 Pois não é contra homens de carne e sangue que temos que lutar, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal espalhadas nos ares.13 Tomai portanto a armadura de Deus, para que possais resistir nos dias maus e manter-vos inabaláveis no cumprimento do vosso dever. 14 Ficai alerta, à cintura cingidos com a verdade, o corpo vestido com a couraça da justiça, 15 e os pés calçados de prontidão para anunciar o Evangelho da Paz. 16 Sobretudo embraçai o escudo da fé, com que possais apagar todos os dardos inflamados do Malígno. 17 Tomai, enfim, o capacete da salvação e a espada do Espírito, isto é, a palavra de Deus.
18 Intensificai as vosas invocações e súplicas. Orai em todas circunstâncias, pelo Espírito, no qual perseverai em intensa vigília de súplica por todos os cristãos.19 e orai também por mim, para que me seja dado anunciar corajosamente o mistério do Evangelho, 20 do qual eu sou embaixador, prisioneiro. E que eu saiba apregoa-lo publicamente, e com desassombro, como é meu dever!

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Diversidade sexual

 
Começo a presente reflexão com duas citações. A primeira: “quem nunca meteu a mão em alguma namorada”, foi mais ou menos esta a declaração de Bruno, então goleiro do Flamengo, para defender seu colega Adriano, acusado na ocasião de violência contra sua namorada. A segunda: “quem não teve uma namoradinha que teve que abortar”, esta do governador do Rio, Sérgio Cabral, governador do Rio.
 Passo agora à consideração sobre algumas afirmações do Dr. Dráuzio Varela em artigo, publicado na Imprensa local sobre “Violência contra homossexuais”. A tese de fundo é que a frequência dos fatos constitui o costume e o costume institui o direito. Assim: “Não há descrição de civilização alguma que não faça referência à existência de mulheres e homens homossexuais. Apesar dessa constatação, ainda hoje esse tipo de comportamento é chamado de antinatural”.
Imagine leitor (a), a ampliação desse argumento aplicado à pedofilia e aos outros crimes em geral. Logo a seguir o Dr. Dráuzio coloca em cheque o conceito de lei natural: “os que assim julgam partem do princípio de que a natureza (ou Deus) criou órgãos sexuais para que os seres humanos procriassem; portanto, qualquer relacionamento que não envolva pênis e vagina vai contra ela (ou Ele)”. Logo depois amplia seu raciocínio voltando ao princípio de que os costumes se justificam por si mesmos, colocando no mesmo patamar de dignidade o beijo erótico e o sexo anal entre heterossexuais.
 É claro que o sentido maior da existência de haver macho e fêmea nas espécies animais, com pênis e vagina, é a procriação. Criado que fui na “roça”, pude observar que o “costume” dos irracionais - porco, gado, equinos, caprinos e outros, - é de só “fazerem sexo” quando a fêmea entra em cio, que é uma função biológica ligada à maturação do óvulo na fêmea. Nunca vi um par de irracionais do mesmo sexo, machos ou fêmeas, em real coito e, muito menos em união estável. Um casal de humanos, que tenha vivido uma vida sexual digna, em sincero amor, se gerou filhos, haverá de dizer que o melhor que o sexo lhes ofereceu foi a graça dos filhos e de uma amizade consolidada.
 Este, - o aprofundamento do amor e a consolidação da amizade -, constitui também uma dimensão fundamental da vivência matrimonial de modo a justificar a vida sexual também de pessoas eventualmente estéreis. Não deixará, entretanto, de ser fecundo o amor de um casal nessas condições, porque os dois poderão adotar filhos ou se empenhar no serviço à comunidade humana.
É necessário ainda afirmar que, mesmo na vida matrimonial, a vivência sexual deve respeitar o sentido da sexualidade humana, no que deve ser levada também em conta a anatomia do sexo. O amor e o respeito devem estar presentes nesse que constitui o mais envolvente dos abraços entre um homem e uma mulher. Se a busca do prazer, mesmo pactuado, for a razão primeira da relação, ou seja, se a relação não for presidida por uma amor sincero, haverá nela um vazio de dignidade que progressivamente levará ao esvaziamento a união do casal. Não é por acaso que se multiplicam os divórcios nessa cultura hedonista, onde os costumes, mesmo os maus costumes, se tornam direitos. O argumento de que se constatou, em “muitas” espécies animais, práticas homossexuais é inútil, pois carece de maior esclarecimento. As exceções, sobretudo as do mundo dos bichos, não podem servir para justificar as práticas humanas.
A fidelidade dos casais de cisnes, embora não constitua argumento a favor da indissolubilidade do matrimônio, é um belo símbolo do significado do amor que une um casal. Por fim, o Dr. Dráuzio deixa escapar, em seu artigo, uma pitada de bom senso, ao afirmar: “Não sejamos ridículos, quem escolheria a homossexualidade se pudesse ser como a maioria dominante? Se a vida já é dura para os heterossexuais, imagine para os outros.”
 O adjetivo “dominante” é desnecessário, por insinuar que a questão é meramente cultural. Estou de acordo que a homossexualidade é uma condição sobre a qual a pessoa quase sempre não tem responsabilidade Outra coisa, entretanto, é o homossexualismo. Este se refere ao comportamento sexual vivido. A moral cristã propõe como forma humanizante de lidar com a sexualidade a virtude da castidade pela qual o sexo se inscreve no horizonte do amor. Nesse sentido seria discriminação considerar a pessoa com tendência homossexual incapaz de autodomínio, reduzindo-a à sua própria tendência.
O respeito e o amor às pessoas com configuração homossexual, qualquer que seja sua condição existencial, são de fundamental importância para a paz na família e na sociedade. Ajudá-las a se integrarem com dignidade na vida da Igreja e da sociedade é nossa missão de pastores. Mas é nossa missão também ensinar que matrimônio é a união estável entre homem e mulher a quem, por primeiro, cabe a missão de gerar e educar os filhos.

Fonte: Dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues
Arcebispo de Sorocaba

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Parada Gay: respeitar e ser respeitado

    Eu não queria escrever sobre este assunto; mas diante das provocações e ofensas ostensivas à comunidade católica e cristã, durante a parada gay deste último domingo, não posso deixar de me manifestar em defesa das pessoas que tiveram seus sentimentos e convicções religiosas e símbolos de sua devoção ultrajados.

    Ficamos entristecidos, quando vemos usados com deboche imagens de santos, deliberadamente associados a práticas que a moral cristã desaprova e que os próprios santos desaprovariam também. Histórias romanceadas ou fantasias criadas para fazer filmes sobre santos e personalidades que honraram a fé cristã não podem servir de base para associá-los a práticas alheias ao seu testemunho de vida. São Sebastião foi um mártir dos inícios do Cristianismo; a tela produzida por um artista cerca de 15 séculos após a vida do santo, não pode ser usada para passar uma suposta identidade homossexual do corajoso mártir. Por que não falar, antes, que ele preferiu heroicamente sofrer as torturas e a morte a ultrajar o bom nome e a dignidade de cristão e filho de Deus!?

    “Nem santo salva do vírus da AIDS”. Pois é verdade. O que pode salvar mesmo é uma vida sexual regrada e digna. É o que a Igreja defende e recomenda a todos. O uso desrespeitoso da imagem dos santos populares é uma ofensa aos próprios santos, que viveram dignamente; e ofende também aos sentimentos religiosos do povo. Ninguém gosta de ver vilipendiados os símbolos e imagens de sua fé. Da mesma forma, também é lamentável o uso desrespeitoso da Sagrada Escritura e das palavras de Jesus – “amai-vos uns aos outros” – como se ele justificasse, aprovasse e incentivasse qualquer forma de “amor”; o “mandamento novo” foi instrumentalizado para justificar práticas contrárias ao ensinamento do próprio Jesus.

    A Igreja católica também refuta a acusação de “homofóbica”. Investiguem-se os fatos de violência contra homossexuais, para ver se estão relacionados com grupos religiosos católicos. A Igreja católica desaprova a violência contra quem quer que seja; não apóia, não incentiva e não justifica a violência contra homossexuais. E na história da luta contra o vírus HIV, ela foi pioneira no acolhimento e tratamento de soro-positivos, sem questionar suas opções sexuais; muitos deles são homossexuais e todos são acolhidos com profundo respeito. Grande parte das estruturas de tratamento de aidéticos está ligada à Igreja. No entanto, ela ensina e defende que a melhor prevenção contra as doenças sexualmente transmissíveis é uma vida sexual regrada e digna.

    Quem apela para a Constituição Nacional para afirmar e defender seus próprios  direitos, não deve esquecer que a mesma Constituição prevê o respeito aos direitos dos outros, aos seus símbolos e organizações religiosas. Quem luta por reconhecimento e respeito, deve aprender a respeitar. Como cristãos, respeitamos a livre manifestação de quem pensa diversamente de nós. Mas o respeito às nossas convicções de fé e moral, às organizações religiosas, símbolos e textos sagrados é a contrapartida que se requer.

    A Igreja católica tem suas convicções e fala delas abertamente, usando do direito à liberdade de pensamento e de expressão. Embora respeitando as pessoas homossexuais e procurando acolhê-las e tratá-las com compreensão e caridade, ela afirma que as práticas homossexuais vão contra a natureza; esta não errou ao moldar o ser humano como homem e mulher. Afirma ainda que a sexualidade não depende de “opção”, mas é um fato de natureza e dom de Deus, com um significado próprio, que precisa ser reconhecido, acolhido e vivido coerentemente pelo homem e pela mulher.

    Causa preocupação a crescente ambiguidade e confusão em relação à identidade sexual, que vai tomando conta da cultura. Antes de ser um problema moral, é um problema antropológico, que merece uma séria reflexão, em vez de um tratamento superficial e debochado, sob a pressão de organizações interessadas em impor a todos um determinado pensamento sobre a identidade do ser humano. Mais do que nunca, hoje todos concordam que o desrespeito às leis da natureza biológica introduz nos seres a desordem e o descontrole nos ecossistemas; produz doenças e desastres ambientais e compromete o futuro e a sustentabilidade da vida. Ora, não seria o caso de fazer semelhante raciocínio, quando se trata das leis inerentes à natureza e à identidade do ser humano? Ignorar e desrespeitar o significado profundo da condição humana não terá consequências? Será sustentável para o futuro da civilização e da humanidade?

    As ofensas dirigidas não só à Igreja católica, mas a tantos outros grupos cristãos e tradições religiosas não são construtivas e não fazem bem aos próprios homossexuais, criando condições para aumentar o fosso da incompreensão e do preconceito contra eles. E não é isso que a Igreja católica deseja para eles, pois também os ama e tem uma boa nova para eles; são filhos muito amados pelo Pai do céu, que os chama a viver com dignidade e em paz consigo mesmos e com os outros.
                                                          28/06/2011 - Atualizado em 05/07/2011
Publicado em O SÃO PAULO, ed. de 28.06.2011
Card. Odilo P. Scherer
Arcebispo de São Paulo

Pedro e Paulo: colunas da Igreja

    Neste domingo, por ser o primeiro depois do dia 29 de junho, celebramos a solenidade de São Pedro e São Paulo, duas colunas da Igreja.  Ambos foram apóstolos e deram a vida por Cristo, em Roma, por ocasião das perseguições de Nero (cerca de 64 dC). Jesus é a pedra angular da Igreja; nós somos “concidadãos dos santos e moradores da casa de Deus”, edificados sobre o alicerce dos apóstolos (Ef 2,19-20).
     É surpreendente constatar o quanto nossa fé deve a esses dois apóstolos que percorreram caminhos diferentes, até serem apóstolos de Jesus Cristo. Olhando-os hoje, e tomando consciência do que fizeram, percebemos melhor como age a graça de Deus no coração das pessoas e na história do mundo. O próprio Paulo testemunhou aos cristãos de Corinto: “Há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. Há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. Há diferentes atividades, mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos. A cada um é dada a manifestação do Espírito, em vista do bem de todos” (1Cor 12,4-7). “Em vista do bem de todos”, Deus escolheu dois homens extraordinários, que se completam e que muito nos ensinam.
    Quem era Pedro? Era um pescador. Certamente teria morrido pescador, se Jesus não tivesse passado um dia em sua vida. Deixemos a descrição desse momento para o evangelista Mateus: “Caminhando à beira do mar da Galiléia, Jesus viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André. Estavam jogando as redes ao mar, pois eram pescadores. Jesus lhes disse: ‘Segue-me, e eu farei de vós pescadores de homens’. Eles, imediatamente, deixaram as redes e o seguiram” (Mt 4,18-20). Nesse “imediatamente” está um pouco do temperamento de Pedro: era uma pessoa impulsiva, sanguínea, de reações imediatas.  Passará a seguir o Mestre pelas estradas, da Galiléia à Judéia; acompanhará suas pregações e milagres; fará intervenções oportunas e inoportunas. Dirá palavras sublimes: “Tu és o Cristo, o filho de Deus vivo!” (Mt 16,16); mas dirá, também, palavras desconcertantes: “Não sei de que estás falando” (Mt 26,70), respondeu a uma criada que, após a prisão de Jesus, dele se aproximou, apontando-o como um dos que acompanhava Jesus. Talvez nenhuma ocasião tenha sido tão dolorosa para ele como aquela em que Jesus, por três vezes, lhe perguntou: “Tu me amas?” (Jo 21,15-19). Sua resposta, após a terceira vez em que foi interrogado, demonstrou que tinha feito uma verdadeira experiência da verdade – e a verdade é irmã da humildade: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que te amo”. Poucos deram, ao longo da história da Igreja, um testemunho tão comovente de Jesus Cristo.
    O caminho de Paulo até tornar-se apóstolo de Jesus Cristo foi muito diferente. Filho de um judeu de Tarso, estudou em Jerusalém, especializando-se em estudos bíblicos. Zeloso observante das leis judaicas, se preocupou com a expansão da Igreja de Jesus que estava apenas surgindo. Tendo recebido cartas de recomendação para as sinagogas de Damasco, queria levar presos para Jerusalém “os homens e mulheres que encontrasse, adeptos do Caminho” (At 9,2). Mas Jesus o esperava na entrada de Damasco. “De repente, viu-se cercado por uma luz que vinha do céu. Caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: ‘ Saulo, Saulo, por que me persegues?’ Saulo perguntou: ‘Quem és, Senhor?’ A voz respondeu: ‘Eu sou Jesus, a quem tu estás perseguindo’” (At 9,3-5). Saulo, que depois disso passou a se chamar Paulo, teve, no momento de sua conversão, sua primeira lição a respeito do cristianismo – lição que marcará seu apostolado e suas cartas: Jesus se identifica com seus discípulos. A partir daí, Cristo tornou-se uma verdadeira paixão na vida desse apóstolo, a ponto de testemunhar aos gálatas: “Eu vivo, mas não eu: é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20). Dedicou sua vida para anunciá-lo a judeus e a pagãos.
    Pedro e Paulo: dois irmãos nossos; dois apóstolos de Jesus Cristo; duas colunas da Igreja. Por isso, neste dia, peçamos ao Pai: “Concedei à vossa Igreja seguir em tudo os ensinamentos destes apóstolos, que nos deram as primícias da fé”.
Dom Murilo S.R.Krieger, scj
Arcebispo de São Salvador da Bahia - BA

Parada Gay usa santos e cria polêmica

                             Afronta aos cristãos católicos
Ao completar 15 anos, evento reúne pelo menos 4 milhões na Paulista e não foge de temas controversos, como a união homossexual
      A 15.ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo reuniu pelo menos 4 milhões de pessoas, segundo os organizadores, na Avenida Paulista. E causou polêmica usando santos em uma campanha pelo uso de preservativos.
    Em 170 cartazes distribuídos em postes por todo o trajeto, 12 modelos masculinos, representando ícones como São Sebastião e São João Batista, apareciam seminus ao lado das mensagens: "Nem Santo Te Protege" e "Use Camisinha". "Nossa intenção é mostrar à sociedade que todas as pessoas, seja qual for a religião delas, precisam entrar na luta pela prevenção das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST). Aids não tem religião", diz o presidente da Parada, Ideraldo Beltrame.
Os 12 modelos que posaram na campanha
    Ao eleger como tema "Amai-vos Uns Aos Outros", a organização uniu a vontade de conclamar seguidores com a de responder a grupos religiosos - que vêm atacando sistematicamente o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo. Na Marcha para Jesus, na quinta, a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em favor da união estável homoafetiva foi ferozmente atacada.
    Mas nesse ponto nem as opiniões de evangélicos dissidentes, que fundaram igrejas inclusivas e acompanham a Parada, convergem. "Não tinha necessidade de usar pessoas peladas para representar santos. Faz a campanha, mas não envolve as coisas de Deus", acha a pastora lésbica Andréa Gomes, de 36 anos, da Igreja Apostólica Nova Geração. "A campanha foi mais de encontro aos ditames da Igreja Católica. Nós não temos santos", diz o pastor José Alves, da Comunidade Cristã Nova Esperança.
    A enfermeira Gilda Mitre, de 38 anos, que assistiu à Parada, entende que a campanha é "ecumênica": "Aquilo é um recado para todas as igrejas", diz.
Parada Gay: respeitar e ser respeitado
       Para alguns, porém, a mensagem não ficou clara. A advogada aposentada Renata Meirelles, de 73, que se define como "agnóstica", acha que "a Parada deveria ser um movimento político, e não esse carnaval". "Olha para aquilo", diz ela, apontando para um rapaz vestido de Mulher Gato, que se esgueirava com as "garras" na direção dela.
    Os 12 modelos que posaram na campanha animaram o trio elétrico 16. Suas imagens vão decorar também as caixas dos 100 mil preservativos que a organização pretende distribuir somente neste ano.
    Valsa frustrada. Os trios elétricos iniciaram a parada às 13h30, com a prometida versão remixada de Danúbio Azul. A ideia de levar os participantes a dançar a valsa, em comemoração aos 15 anos do evento, foi frustrada pela superlotação da avenida.

REAÇÕES
Gilda Mitre - Enfermeira
"A gente ouve muito mais evangélicos falando abertamente contra a união homoafetiva do que católicos.  Então, esses santos representam Cristo também"

Rodrigo Lane - Ator
"Pelo menos vamos ver se a Igreja acorda, olhando para esses homens maravilhosos (dos cartazes)"
Beatriz Nogueira - Socióloga
"No mundo dos civilizados, a gente ainda está engatinhando. Infelizmente, temos de criar polêmica para defender o óbvio"
O Estado de S. Paulo – SP
27 de junho de 2011 | 0h 00
Paulo Sampaio e Flávia Tavares - O Estado de S.Paulo
/ colaborou Rodrigo Burgarelli

Ex-seminarista portador de HIV perde ação contra diocese em SP

  Um ex-seminarista católico portador de HIV perdeu uma ação contra a diocese de São José do Rio Preto (438 km de SP) por não ter sido ordenado padre. O processo, que correu sob sigilo, foi julgado em novembro de 2009 pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, mas só foi publicado nesta semana. Os advogados do autor dizem que agora irão recorrer.
    O ex-aluno do Seminário Maior Diocesano Sagrado Coração de Jesus demonstrou com testemunhas que era elogiado por colegas e professores, alegando que não foi ordenado padre por discriminação. Ele diz que confessou que era soropositivo a um padre da paróquia do Santíssimo Sacramento e que, por isso, ao terminar o curso em 1999, foi dispensado como sacerdote por suposta falta de vocação.
    O desembargador Mathias Colto, relator do processo, afirmou que "o ingresso no seminário não é garantia da ordenação", e que na avaliação da igreja há 'critérios subjetivos' que o Estado não pode interferir.Ainda, o relator entendeu que não havia prova de que a dispensa ocorreu pela confissão, já que outros fatores poderiam ter levado a avaliação ruim sobre a vocação do ex-seminarista, que pedia R$960 mil de danos morais.
    Já o desembargador Erickson Marques, que votou a favor do autor, disse que "os réus não lograram explicar quais foram os motivos que impediram a sua ordenação, senão o fato de ser ele portador do vírus HiV, enfermidade que não denota qualquer inabilidade para o exercício do ministério sacerdotal".
Folha On-Line – SP
LUCIANO BOTTINI FILHO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Despoluindo o espírito

   O frade dominicano Carlos Alberto Libânio Christo, o Frei Betto, de 66 anos, nasceu em Belo Horizonte e cresceu entre montanhas, como dizem as orelhas de algumas de suas obras infantis. Autor de 51 livros (ganhou dois prêmios Jabuti), é teólogo, jornalista, filósofo e antropólogo. Assessor do ex-presidente Lula, ajudou na coordenação do Programa Fome Zero. Com seu histórico de contestador, diz que a questão ambiental é fundamental para a mudança do modelo de sociedade, que dá prioridade à acumulação e a concentração da riqueza.
    Frei Betto usa termos pouco comuns no discurso ambiental, como ecobionomia, para explicar sua concepção de harmonia entre ambiente, homem e espiritualidade. "A ideia é aprender a lidar com as poluições espirituais, como ira, mágoa, desejo de vingança, ambições desmedidas... É muito importante que cada um saiba despoluir sua subjetividade e sua consciência", diz, para em seguida enumerar iniciativas nessa direção, como superar sentimentos negativos, evitar emoções deletérias, cultivar amizades e usufruir de espaços dedicados à meditação e à oração. "Ajudam a melhorar a qualidade de vida."
    No livro A Arte de Semear Estrelas, Frei Betto propõe que o homem preserve o corpo e seus órgãos vitais, no que chama de ecobiologia interior. "Não tomo refrigerante e cuido da alimentação, para não sobrecarregar meu sistema digestório. Quando almoço, não janto. Se vou jantar, não almoço", diz, citando a máxima de Gandhi, que sugeria "mastigar o sólido como se fosse líquido e o líquido como se fosse sólido."
    Para o teólogo, ecologia é uma palavra equivocada. "Eco significa casa. Logia, conhecimento. Mas não se trata apenas de conhecer a casa. É preciso cuidar da casa. Gosto de ecobionomia, que seria administrar a vida na casa. Mas sei que o termo nunca vai pegar."
    Convento sustentável. Para o frade, a preocupação com as gerações futuras deve se traduzir no equilíbrio entre o consumo e a preservação. "Não conheço ninguém que tome banho mais rápido que eu. Tenho mania de andar com sacola na mão e raramente uso sacolas plásticas. Acho que toda cidade deveria bani-la, como fez BH."
    O convento onde Frei Betto vive, em Perdizes, zona oeste de São Paulo, tem coleta de lixo reciclável. Restos de frutas, verduras e legumes são aproveitados na compostagem da horta de onde vêm as verduras consumidas no local.
    Lá, também há preocupação com o gasto de energia elétrica. "A TV e a geladeira são coletivas. Só tenho um rádio de pilha, do tamanho de um celular, que levo para todos os cantos."
O Estado de S. Paulo - SP
29 de junho de 2011 | 0h 00
Karina Ninni - O Estado de S.Paulo