quinta-feira, 15 de junho de 2017

O Brasil realmente é o país da impunidade?

Com certeza, em uma pesquisa popular, a maior parte das respostas será no sentido de que o Brasil é o país da impunidade.
 
 
Acredito, inclusive, que até eu e você já dissemos isso ao menos uma vez na vida; outros até acreditam realmente nisso.
 
E não há nenhum problema, pois somos induzidos a pensar assim, é mais “interessante”(!).
 
Impunidade”, segundo o dicionário, é: “1 Estado de impune 2 Falta de castigo devido”; sendo que “impune” significa: “1 Que ficou sem castigo 2 Que não foi reprimido”.
 
Assim, é de se supor que no “país da impunidade” não tenha presos ou processos criminais, certo?!
 
Todavia, não é o que ocorre na realidade, ao menos não é o que os dados demonstram.
 
Segundo informações do CNJ, “Com as novas estatísticas, o Brasil passa a ter a terceira maior população carcerária do mundo, segundo dados do ICPS, sigla em inglês para Centro Internacional de Estudos Prisionais, do King’s College, de Londres. As prisões domiciliares fizeram o Brasil ultrapassar a Rússia, que tem 676.400 presos”.
 
Continua, “A nova população carcerária brasileira é de 715.655 presos. Os números apresentados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) a representantes dos tribunais de Justiça brasileiros, nesta quarta-feira (4/6), levam em conta as 147.937 pessoas em prisão domiciliar. Para realizar o levantamento inédito, o CNJ consultou os juízes responsáveis pelo monitoramento do sistema carcerário dos 26 estados e do Distrito Federal. De acordo com os dados anteriores do CNJ, que não contabilizavam prisões domiciliares, em maio deste ano a população carcerária era de 567.655.”.
 
Ademais, se a taxa de crescimento das prisões continuar no mesmo ritmo, um em cada 10 brasileiros estará atrás das grades em 2075.
 
No meu Estado (ES), a população carcerária cresceu 287% em sete anos. Em 2005, eram 5.136 pessoas presas. Em 2012, 14.790.
 
Como afirmar, então, que um país com tantos presos é o país da impunidade?
Podemos punir mal, mas não há possibilidade de afirmar que não punimos.
 
Acho melhor pensar por outra ótica, pelo lado de que é interessante (para o Estado) difundir essa ideia da impunidade.
 
É esse “medo” (imposto) que controla a nação.
 

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