quarta-feira, 31 de maio de 2017

Escândalo de abuso sexual de menores choca futebol inglês

 
Sequência de denúncias de abuso sexual causou comoção no Reino Unido (iStockphoto/Getty Images)

O noticiário esportivo da Inglaterra foi abalado nesta semana por uma sequência de denúncias de ex-jogadores de futebol, que dizem ter sido vítimas de abuso sexual quando ainda eram crianças. Na quarta-feira, Andy Woodward, ex-zagueiro com passagens por pequenos clubes ingleses, revelou à emissora BBC que foi abusado durante quatro anos por Barry Bennell, seu treinador nas categorias de base do Crewe Alexandra, time do noroeste da Inglaterra que hoje disputa a 4ª divisão. A denúncia encorajou outros atletas que também se disseram vítimas do treinador pedófilo – que foi várias vezes preso, mudou de nome e hoje está foragido. 
 
Woodward contou ter sofrido o primeiro abuso aos 11 anos, semanas depois de estrear pelo Crewe. Na época, ele jogava em seu time do bairro e foi convidado justamente pelo treinador Bennel a integrar a equipe, que mantinha ligações com o Manchester City. “Só queria jogar futebol e vi o clube como o início de um sonho. Só que eram os meninos de natureza suave e os mais frágeis que Bennell buscava. Eu era uma criança que achava que ele ajudaria no começo do futebol”, afirmou Woodward. Ele conta que não teve coragem de denunciar o treinador, pois sofria ameaças.
 
Andy Woodward, em entrevista à BBC (Reprodução)
 
As revelações de Woodward desencadearam uma série de outras denúncias. Ao todo, sete atletas se disseram vítimas de pedofilia por parte de treinadores: além de Woodward, Chris Unsworth, Jason Dunford, Paul Stewart, Steve Walters,  David White e outro, que preferiu preservar sua identidade. 
Unsworth, de 44 anos, formado nas divisões de base do Manchester City e do Crewe Alexandra, relatou que foi violentado por Barry Bennel “entre 50 e 100 vezes” a partir dos nove anos.
 
“Estava vendo pela televisão a revelação de Andy e não disse nada. Joguei com ele quando jovem e o conhecia muito. Quando pensei sobre aquilo, disse a mim mesmo que deveria contar e ajudar as pessoas. Nunca tinha contado a ninguém”, afirmou Unsworth, que deixou o futebol aos 16 anos, à BBC.
 
Jason Dunford, outro ex-jogador do Crew Alexandra, também revelou ter sido violentado pelo treinador. “Lembro do dia que Bennell começou a tocar em mim e eu pedi que não o fizesse. Depois disso, ele começou a me atormentar, dizendo que eu jogaria a cada domingo, depois ficaria no banco sem atuar e, em seguida, fora do time”, disse Dunford.  Outros casos foram registrados quando Bennell trabalhava no Whitehill FC, uma equipe amadora de Manchester.
 
Paul Stewart, um renomado jogador inglês, se uniu às denúncias. Sem citar o nome do agressor, disse que também foi vítima de abuso sexual por parte de um treinador, quando era criança. “As cicatrizes mentais levaram-me a ter outros problemas com bebidas e drogas. Queria que as pessoas soubessem o quanto é difícil”, disse Stewart, jogador com passagens por Manchester United, Liverpool, Tottenham e seleção inglesa, ao jornal inglês Daily Mirror.
 
Stewart revelou ainda que o treinador ameaçava matar a sua família caso ele contasse algo a alguém. Ele disse ainda que o número de casos pode superar uma centena e comparou o escândalo com o de Jimmy Savile, apresentador da BBC, já morto, que abusou de mais de 200 crianças e adultos durante mais de 50 anos.
 
Gordon Taylor, presidente do sindicato dos jogadores profissionais da Inglaterra (PFA), afirmou que a entidade foi contactada mais de dez vezes por jogadores para denunciar casos de abuso.  A Federação Inglesa (FA) também criou uma linha telefônica para que os ex-jogadores possam fazer suas denúncias.
 

O treinador pedófilo


O ex-treinador britânico Barry Bennell (Reprodução)

Barry Bennell tem hoje 62 anos e está foragido. Após as últimas denúncias, policiais foram até sua casa, na cidade de Milton Keynes, e deixaram o local carregando caixas e um cachorro. Segundo os principais jornais britânicos, Bennel foi preso três vezes por abuso sexual de menores. Em 1998, ele foi  condenado a nove anos de prisão após admitir 23 acusações de abuso sexual contra meninos de 9 a 15 anos de idade.
 
Há dois anos, Bennell voltou a ser condenado a dois anos de prisão por abusar de uma criança de 12, em Macclesfield, mas seguia respondendo em liberdade. Desde então, ele utilizava um nome falso, Richard Jones, e vivia em Milton Keynes, em uma rua próxima a escolas. 
 

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