segunda-feira, 1 de maio de 2017

DEFINIÇÃO DE PECADO ORIGINAL (CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA)

 
DEFINIÇÃO DE PECADO ORIGINAL (CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA)

Todos os homens estão implicados no pecado de Adão. É São Paulo quem o afirma: «pela desobediência de um só homem, muitos [quer dizer, a totalidade dos homens] se tornaram pecadores» (Rm 5, 19): «Assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte atingiu todos os homens, porque todos pecaram» (Rm 5, 12). A universalidade do pecado e da morte, o Apóstolo opõe a universalidade da salvação em Cristo: «Assim como, pelo pecado de um só, veio para todos os homens a condenação, assim também, pela obra de justiça de um só [Cristo], virá para todos a justificação que dá a vida» (Rm 5, 18).
 
Depois de São Paulo, a Igreja sempre ensinou que a imensa miséria que oprime os homens, e a sua inclinação para o mal e para a morte não se compreendem sem a ligação com o pecado de Adão e o facto de ele nos ter transmitido um pecado de que todos nascemos infectados e que é «morte da alma» (292). A partir desta certeza de fé, a Igreja confere o Baptismo para a remissão dos pecados, mesmo às crianças que não cometeram qualquer pecado pessoal (293).
Como é que o pecado de Adão se tornou o pecado de todos os seus descendentes? Todo o género humano é, em Adão, «sicut unum corpus unius hominis – como um só corpo dum único homem» (294). Em virtude desta «unidade do género humano», todos os homens estão implicados no pecado de Adão, do mesmo modo que todos estão implicados na justificação de Cristo. Todavia, a transmissão do pecado original é um mistério que nós não podemos compreender plenamente. Mas sabemos, pela Revelação, que Adão tinha recebido a santidade e a justiça originais, não só para si, mas para toda a natureza humana; consentindo na tentação, Adão e Eva cometeram um pecado pessoal, mas este pecado afecta a natureza humana que eles vão transmitir num estado decaído (295). É um pecado que vai ser transmitido a toda a humanidade por propagação, quer dizer, pela transmissão duma natureza humana privada da santidade e justiça originais. E é por isso que o pecado original se chama «pecado» por analogia: é um pecado «contraído» e não «cometido»; um estado, não um acto.
Embora próprio de cada um (296), o pecado original não tem, em qualquer descendente de Adão, carácter de falta pessoal. É a privação da santidade e justiça originais, mas a natureza humana não se encontra totalmente corrompida: está ferida nas suas próprias forças naturais, sujeita à ignorância, ao sofrimento e ao império da morte, e inclinada ao pecado (inclinação para o mal, que se chama concupiscência). O Baptismo, ao conferir a vida da graça de Cristo, apaga o pecado original e reorienta o homem para Deus, mas as consequências para a natureza, enfraquecida e inclinada para o mal, persistem no homem e convidam-no ao combate espiritual.
A doutrina da Igreja sobre a transmissão do pecado original foi definida sobretudo no século V, particularmente sob o impulso da reflexão de Santo Agostinho contra o pelagianismo, e no século XVI, por oposição à Reforma protestante. Pelágio sustentava que o homem podia, pela força natural da sua vontade livre, sem a ajuda necessária da graça de Deus, levar uma vida moralmente boa; reduzia a influência do pecado de Adão à de um simples mau exemplo. Os primeiros reformadores protestantes, pelo contrário, ensinavam que o homem estava radicalmente pervertido e a sua liberdade anulada pelo pecado das origens: identificavam o pecado herdado por cada homem com a tendência para o mal («concupiscência»), a qual seria invencível. A Igreja pronunciou-se especialmente sobre o sentido do dado revelado, quanto ao pecado original, no segundo Concílio de Orange em 529 (297) e no Concílio de Trento em 1546 (298).” (CIC – Parágrafos 402-406)
 
O PECADO ORIGINAL DA BÍBLIA

(1) Romanos 5, 12-21
 
Por isso, como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim a morte passou a todo o gênero humano, porque todos pecaram... De fato, até a lei o mal estava no mundo. Mas o mal não é imputado quando não há lei. No entanto, desde Adão até Moisés reinou a morte, mesmo sobre aqueles que não pecaram à imitação da transgressão de Adão (o qual é figura do que havia de vir). Mas, com o dom gratuito, não se dá o mesmo que com a falta. Pois se a falta de um só causou a morte de todos os outros, com muito mais razão o dom de Deus e o benefício da graça obtida por um só homem, Jesus Cristo, foram concedidos copiosamente a todos. Nem aconteceu com o dom o mesmo que com as conseqüências do pecado de um só: a falta de um só teve por conseqüência um veredicto de condenação, ao passo que, depois de muitas ofensas, o dom da graça atrai um juízo de justificação. Se pelo pecado de um só homem reinou a morte (por esse único homem), muito mais aqueles que receberam a abundância da graça e o dom da justiça reinarão na vida por um só, que é Jesus Cristo! Portanto, como pelo pecado de um só a condenação se estendeu a todos os homens, assim por um único ato de justiça recebem todos os homens a justificação que dá a vida. Assim como pela desobediência de um só homem foram todos constituídos pecadores, assim pela obediência de um só todos se tornarão justos. Sobreveio a lei para que abundasse o pecado. Mas onde abundou o pecado, superabundou a graça.  Assim como o pecado reinou para a morte, assim também a graça reinaria pela justiça para a vida eterna, por meio de Jesus Cristo, nosso Senhor.” (Romanos 5, 12)
(2) 1 Coríntios 15, 21-22 – Em Adão todos morremos
Com efeito, se por um homem veio a morte, por um homem vem a ressurreição dos mortos.Assim como em Adão todos morrem, assim em Cristo todos reviverão.” (I Coríntios 15, 21-22)
(3) Efésios 2, 1-3 Mortos no pecado… pornatureza filhos da ira.  
E vós outros estáveis mortos por vossas faltas, pelos pecados que cometestes outrora seguindo o modo de viver deste mundo, do príncipe das potestades do ar, do espírito que agora atua nos rebeldes. Também todos nós éramos deste número quando outrora vivíamos nos desejos carnais, fazendo a vontade da carne e da concupiscência. Éramos como os outros, por natureza, verdadeiros objetos da ira (divina).”  (Efésios 2, 1-3)
(4) Gênesis Capítulos 2-3; 6, 5; 8,21 – A queda da Humanidade.
(5) Salmo 50; 57 -- concebido em pecado...extraviado desde o ventre
Eis que nasci na culpa, minha mãe concebeu-me no pecado...”(Salmo 50,7)
Desde o seio materno se extraviaram os ímpios, desde o seu nascimento se desgarraram os mentirosos.” (Salmo 57,4)
(6) Jó 14, 1ss; 15, 14 – nascido de uma mulher… imundo..
(7) Sabedoria 1, 12ss; 2, 23ss; Eclesiástico 25, 24 – De Eva veio a Morte.
 
O PECADO ORIGINAL NOS PAIS DA IGREJA

Demonstrações dos Padres não são entendidas como uma prova direta da doutrina uma vez qye os escritos patrísticos não são Escritura Inspirada nem na teologia católica são os padres considerados infalíveis individualmente. No entanto, eles são testemunhas da fé cristã autêntica como foi proferida e desenvolvida no início da Igreja.
 
  • Sobre a doutrina do pecado original - se a crença católica é verdadeira - devemos encontrar nos Padres que o pecado de Adão [e Eva] resultou nas seguintes consequências:
  • Morte para todos (Gn 3; 1 Cor 15: 21f; Rm 5: 12,15; 06:23)
  • Condenação para todos (Rm 5, 16ff)
  •  Um “contágio” herdado - desde o nascimento estamos  “constituidos pecadores” (Romanos 5, 12-19 cf. 7,13ss;
  • Salmo 51: 5 5 Ef 2, 1-3) perda ou falta de graça, santidade, filiação divina
  •  E transmitidos "pela propagação e não por imitação [de Adão]"
 Em relação ao batismo, devemos encontrar o seguinte sobre o sacramento:
  • Remissão do pecado e da recepção do Espírito Santo (Atos 2:38)
  • Regeneração espiritual / o novo nascimento (João 3: 3,5; Tito 3: 5)
  • Restauração da filiação, graça, santidade (Rm 6: 3ff; 8: 11ss)
  • E que o sacramento foi administrado as crianças desde cedo
 
SANTO IRINEU DE LIÃO (180 d.C)
"Por outros termos, trata-se de Adão, o homem modelado em primeiro lugar, acerca do qual a Escritura refere que Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança”. Nós todos derivamos dele e por causa disso herdamos o seu nome. Ora, se o homem foi salvo, também salvo deve ser o homem que foi modelado em primeiro lugar. De fato, seria por demais irracional dizer que não é libertado pelo vencedor do inimigo quem diretamente foi ferido pelo mesmo inimigo e que foi o primeiro a experimentar a escravidão, ao passo que seriam libertados os filhos gerados por ele na mesma escravidão." (Contra as Heresias - Livro III, 23, 2)
 
TERTULIANO (200 d.C)
Por fim, em todos os casos de irritação, desprezo e repugnância, você pronuncia o nome de Satanás. Ele é quem chamamos o anjo do mal, o autor de todos os erros, o corruptor de todo o mundo, por meio do qual o homem foi enganado no início para que ele transgredisse o mandamento de Deus. Por conta de quem o homem transgressor foi entregue à morte; e a raça humana inteira, que foi infectado por sua semente, foi feito o transmissor da condenação." (O Testemunho da Alma 3, 2)
Porque por um homem veio a morte, por um homem também vem a ressurreição” [1 Coríntios 15, 21]. Aqui, pela palavra homem, que é composto de um corpo, como mostrado já muitas vezes, temos, eu entendo que é um fato que Cristo tinha um corpo. E se todos nós somos feitos para viver em Cristo como Nós fomos feitos para morrer em Adão, então, como na carne Fomos feitos para morrer em Adão, então, também na carne fomos feito para viver em Cristo. Caso contrário, se o que vem à vida em Cristo não viesse a ter lugar naquela mesma substância em que nós morremos em Adão, o paralelo seria imperfeito.” (Contra Marcião 5- 9, 5)
 
ORÍGENES  (244 d.C)
 “A Igreja recebeu dos Apóstolos o costume de administrar o batismo até mesmo para crianças. Pois aqueles a quem foram confiados os segredos dos mistérios divinos sabiam muito bem que todos carregam a mancha do pecado original, que deve ser lavada com água e o espírito. (Orígenes In Rom. Com. 5,9:)
Se as crianças são batizadas “para a remissão dos pecados” cabe uma pergunta: de que pecados se tratam? Quando eles poderiam pecar? Como podemos aceitar tal testemunho para o batismo de crianças, a menos que se admita que ‘ninguém está sem pecado, mesmo quando sua vida na terra não tenha durado mais que um dia’?. As manchas do nascimento são removidas pelo mistério do batismo. Se batiza crianças porque ‘se alguém não nascer da água e do espírito, é impossível entrar no reino dos céus.’”  (Orígenes, Homilia sobre o Evangelho de Lucas 14, 1)
Havia muitos leprosos em Israel nos dias do profeta Eliseu, mas nenhum deles foi purificado, senão Naamã, o sírio, que pertencia ao povo de Israel. Considere o grande número de leprosos que tinha até então ‘em Israel segundo a carne’. Veja, por outro lado, a espiritual Eliseu, nosso Senhor e Salvador, que purifica no mistério do batismo os homens cobertos pelas manchas da lepra e dirige-lhe estas palavras: ‘Levanta-te, vai ao Jordão, e a tua carne ficará limpa’. Naamã se levantou, foi tomar banho e cumpriu o mistério do batismo, ‘sua carne ficou como a carne de uma criança.’ Que criança? Daquele que ‘no banho de regeneração’ nasce em Cristo Jesus.” (Orígenes, In Luc. hom. 33, 5)
Se você gosta de ouvir o que os outros santos disseram sobre o nascimento físico, ouça Davi, quando ele diz: ‘Eu fui formado, assim diz o texto, em maldade, e minha mãe me concebeu no pecado’; mostra que toda alma que nasce em carne carrega a mancha da iniquidade e do pecado. É por isso que esta frase citada acima: Ninguém está livre de pecado, nem mesmo a criança que tem apenas um dia. Tudo isso pode ser adicionado a consideração da razão sobre o motivo que tem a Igreja para o costume de batizar crianças, pois este sacramento da Igreja seja para a remissão dos pecados. Certamente, se não houvesse crianças em necessidade de remissão e perdão, a graça do batismo pareceria desnecessária.” (Orígenes, Homilia sobre Levítico 8, 3)
 
SÃO CIPRIANO DE CARTAGO (250 d.C)
Porém em relação com o caso das crianças, na qual disse que não devem ser batizados no segundo diz ou terceiro dia depois do nascimento, e que a antiga lei da circuncisão deve ser considerada, pela qual pensa que alguém que de nascer não deve ser batizado e santificado dentro de 8 dias, todos nos pensamos de uma maneira muito diferente em nosso concílio. Por que neste curso que pensas tomar, nada está de acordo, se não que todos julgamos que a misericórdia e graça de Deus não devem ser negada a nenhum nascido do homem. Por que como disse o senhor em seu evangelho: “o Filho do Homem não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las.” Na medida em que possamos, devemos depois procurar que se possível, que nenhuma alma se perca...
Por outro lado, a fé nas escrituras divinas nos declaram que todos, sejam crianças ou maiores, temos a mesma igualdade nos dons divinos...
A razão pela qual cremos que ninguém deve ser impedido de obter a graça da lei, por que na lei que foi ordenada, e a circuncisão espiritual não deve ser impedida pela circuncisão carnal, senão que absolutamente todos os homens tem que ser admitidos à graça de Cristo., já que também Pedro nos Atos dos Apóstolos fala e diz: “Deus me mostrou que eu não deveria ligar para qualquer homem comum ou imundo.”. Mas se nada poderia impedir a obtenção da graça aos homens, e o mais atroz de todos os pecados não pode por obstáculos aos que são maiores. Mas se até aos que são os maiores pecadores, e os que haviam pecado contra Deus, quando creem, lhes é concedido a remissão dos pecados e nada se vê impedindo o batismo e a graça, deveríamos impedir um bebê? Que sendo recém nascido, não há pecado, salvo, que nascido da carne de Adão, contraiu o contágio da morte antiga em seus nascimento?...
E, portanto, querido irmão, esta foi nossa opinião no concílio, que por nós, nada deve impedir o batismo e a graça de Deus, que é misericordioso, amável e carinhoso para com todos. Que, posto que é observado e mantido em respeito a tudo, nos parece que se deve respeitar em todos os casos inclusive nos das crianças...”   (Carta 58, 5  a Fidus)
Se, no caso de os piores pecadores e dos que antigamente pecaram muito contra Deus, quanto mais tarde eles acreditam, a remissão de seus pecados é concedida e ninguém está impedido do Batismo e graça, quanto mais, então, que um infante não seja detido, o qual, tendo, mas recentemente nascido, não cometeu nenhum pecado, exceto que, nascido da carne de acordo com Adão, ele contraiu o contágio dessa antiga morte de seu primeiro nascimento . Por isso mesmo é que ele se aproxima mais facilmente para receber a remissão dos pecados: porque os pecados perdoados Nele não são seus, mas os de outro.” (Carta 64, 5)
 
METÓDIO DE FELIPO (300 d.C)
O homem também foi criado sem corrupção... Mas quando aconteceu que ele transgrediu o mandamento, ele sofreu uma terrível e destrutiva queda e foi reduzido a um estado de morte. O Senhor diz que foi por causa disso que Ele mesmo desceu do céu para o mundo, tomando a licença das fileiras e os exércitos dos anjos... Foi para este fim que o Verbo se colocou sobre a humanidade: que Ele poudesse superar a serpente e que Ele mesmo pudesse colocar para baixo a condenação que primeiro veio a existir quando o homem foi arruinado. Porque convinha que o maligno não fosse derrotado por outro, mas por aquele ele havia enganado, e quem ele estava gozando de que mantinha em sujeição. De nenhuma outra maneira poderia o pecado e a condenação serem destruído, exceto criar de novo esse mesmo homem - aquele de quem se dizia: “Vieste da do pó e ao pó retornarás” [Gen 3, 19] - e por sua ruína a frase , por causa dele [Adam], foi pronunciada sobre todos. Assim, apenas como em Adão todos anteriormente morriam, então de novo em Cristo, que sobrepujou Adão, todos são feitos para viver [1 Coríntios 15, 22].” (O Banquete das 10 Virgens ou Sobre a Castidade 3, 6)
 
AFRAÁTES DO SÁBIO PERSA (340 d.C)
"Com efeito, uma vez que o primeiro ser humano deu ouvido e escutou à serpente, ele recebeu a sentença de maldição, pela qual ele se tornou o alimento para a serpente; e a maldição passou para toda a sua descendência." (Afraates o Sírio, Tratados 6:14; 7: 1; 23: 3)
 
 EFRAIM DA SÍRIA (+373 d.C)
 “Adão pecou e ganhou todas as dores, e o mundo, seguindo o seu exemplo, toda a culpa. E não levou nenhum pensamento de como ele poderia ser restaurado, mas apenas de como sua queda oudesse ser mais agradável por isso. Glória a Ele que veio e restaurou-o!” (Hinos da Epifania 10, 1)
 
ATANÁSIO DE ALEXANDRIA (360 d.C)
Adão, o primeiro homem, alterou o seu curso, e através do pecado, a morte entrou no mundo .... Quando Adão transgrediu, O PECADO se estendeu a todos os homens.” (Discursos contra os arianos 1, 51)
SÃO CIRÍLO DE JERUSALÉM (370 d.C)
A coroa da cruz levou para a luz aqueles que estavam cegos pela ignorância, soltou todos aqueles que estavam acorrentados por seus pecados, e resgatou a totalidade dos homens. Não é de admirar que o mundo inteiro está redimida. Ele não era um mero homem, mas o unigênito Filho de Deus, que morreu em seu nome. Na verdade, um só homem pegou, Adão, tinha o poder de trazer a morte para o mundo. Se, pela ofensa de um, a morte reinou sobre o mundo [Rom 5, 17], por que não a vida mais apropriadamente reinaria pela justiça de um? Se eles foram expulsos do paraíso por causa da árvore e por comerem, não deveriam agora os crentes entrar mais facilmente no paraíso por causa da árvore de Jesus? Se esse homem primeiro formado da terra inaugurou a morte universal, não deve Ele que o formou da terra trazer vida eterna, já que Ele próprio é a vida?” (Leituras Catequéticas 13, 1-2)
 
SÃO BASÍLIO MAGNO (379 d.C)
Pouco dado, muito recebido; pela doação o pecado original é descarregado. Assim como Adão transmitiu o pecado por sua comida perversa, destruímos esse alimento traiçoeiro quando curamos a necessidade e a fome do nosso irmão.... Para os presos, o Batismo é o resgate, perdão de dívidas, morte do pecado, a regeneração da alma , uma peça de roupa resplandecente, um selo inquebrável, uma carruagem para o céu, um protetor real, um presente de adoção.” (Elogio sobre os mártires 8, 7; 13, 5)
 
SÃO GREGÓRIO DE NAZIANZO
Isso vai acontecer, eu acredito... que esses últimos mencionados[crianças que morrem sem batismo] não serão nem admitidos pelo justo julgamento a glória do Céu, nem condenados a sofrer punição, uma vez que, embora não sejam selados [pelo batismo], eles não são maus.... Pois do fato de que não merecem punição não se seguem que são digno de serem honrados, mais do que se segue que aquele que não é digno de uma certa honra merece por conta disso que ser punido.”(Oração 40, 23)
 
DIDÍMO O CEGO (398 d.C)
Se Cristo tivesse recebido Seu corpo de uma união conjugal e não de outra maneira seria suposto que ele também está sujeito a uma prestação de contas por causa do pecado, que, de fato, todos os que são descendentes de Adão contraíram por sucessão.” (Contra os maniqueístas 8)
 
SÃO JOÃO CRISÓSTOMO (380 d.C)
Você vê quantos são os benefícios do Batismo, e alguns pensam que sua graça celestial consiste apenas na remissão dos pecados; mas temos enumerado dez honras. Por esta razão, batizar até mesmo crianças, embora eles não sejam contaminados por pecado [ou ainda que eles não têm pecados pessoais]: de modo que pode haver dado a eles a santidade, a justiça, a adoção, a herança, a fraternidade com Cristo, e que eles possam ser seus membros.” (Catequese Batistmal citada por Santo Agostinho no Contra Juliano 1, 6)
Nesta passagem, Santo Agostinho comenta em Contra Julian 1, 6: 22 depois de citar a linha acima em grego:
Mas não tratemos de suposições, ou um possível erro de um copista ou um matiz do tradutor. Cito as palavras de João como se lê no texto grego: ")\"J@ØJ@6"ÂJB"4*\"$"BJ\.@:,<6"ÂJ@4:"DJZ:"J"@Û6§P@<J"”. O que se traduz: “Por isso batizamos crianças, embora elas não tenham pecado." Você vê com certeza que diz: "As crianças não estão manchadas com o pecado” ou o “pecados," mas eles não têm pecado. Entendes pessoalmente, e discussão já não é possível.
Por réplicas, disse que "possui"? A razão é simples, porque ele fala ao coração da Igreja Católica, e acreditava que não seria interpretado de outras maneiras para além das palavras expressas; ninguém tinha levantado essa discussão, e, não sendo contestado esta verdade, ele fala muito seguro.
Agostinho ainda fala:
Você se atreve a opor-se as palavras do santo Bispo João e àqueles tantos ilustres colegas seus e apresenta como um adversário e como um membro dissidente da companhia em que a mais perfeita harmonia reina, Deus me livre! Longe de nós dizer ou pensar tão grande mal deste homem ilustre! Longe de nós pensar que João de Constantinopla abrigue, sobre batismo das crianças e a liberação por Cristo de sua escritura paterna, sentimentos contrários de muitos eminentes colegas, em particular Inocêncio de Roma, Cipriano, Basílio da Capadócia, Gregório Nazianzeno, Hilário da Gália e Ambrósio de Milão. Há, sim, algumas questões sobre as quais eles não concordam, por vezes, estes defensores mais instruídos e invictos da fé católica, sempre guardam a unidade da fé, e podem dizer algo mais verdadeiro e melhor do que outro. Mas a questão que tratamos agora pertence aos fundamentos da fé. Qualquer um que quer, dentro da fé cristã, substituir o que está escrito, ou seja, que a morte entrou no mundo por um homem, e de um homem veio a ressurreição dos mortos; e como em Adão todos morrem, assim em Cristo todos serão vivificados, esforça-se para tirar a nossa fé em Cristo.”  (Contra Juliano Livro I Capitulo 6, 22)
Além disso, Jurgens comenta que Juliano de Eclanum tinha apelado a Crisóstomo em favor do Pelagianismo citando a linha acima de - Ad neophytos - “Nós batizamos até mesmo crianças, embora eles não estejam contaminadas pelo pecado,”, e ele tomou isso como uma negação do pecado original . No entanto, Agostinho teve não apenas o latim, mas o original grego do mesmo texto que se ler: “Nós batizamos até mesmo crianças, embora eles não tenham pecados.” Agostinho insiste que os “pecados” no plural deixa claro que Crisóstomo estava falando de pecados pessoais. Agostinho então exonera Crisóstomo e priva Juliano de sua fonte, citando inúmeras outras passagens de Crisóstomo.
O que significa: “Porque nele todos pecaram”? Pela queda e por causa dele, apesar de não terem comido do fruto da árvore, seus descendentes todos se tornaram mortais. Pois já antes da Lei, havia pecado no mundo; o pecado, porém, não é levado em conta quando não existe lei. Alguns julgam que a expressão: “Antes da Lei” indica o tempo anterior à promulgação da Lei, a saber, a época em que viveram Abel, Noé e Abraão, até o nascimento de Moisés. Que pecado havia então? Uns dizem que ele assinala o pecado cometido no paraíso, que ainda não estava apagado, dizem eles, e vicejava nos frutos, causando de modo geral a morte, que imperava e tiranizava. Por que, então, acrescentou: “O pecado, porém, não é levado em conta quando não existe lei”? Aqueles que concordam conosco afirmam que ele formulou, segundo a objeção dos judeus, o seguinte: Se não há pecado sem lei, porque a morte eliminou a todos os que viveram antes da Lei? A meu ver, o que vamos expor é mais consentâneo à razão e de acordo com o pensamento do Apóstolo. O que é? A asserção de que “já antes da Lei, havia pecado no mundo”, parece-me dizer que, depois de promulgada a Lei, o pecado por transgressão dominou e perdurou enquanto a Lei existia; “o pecado, porém, não é levado em conta quando não existe lei”. Se, portanto, este pecado por transgressão da Lei gera a morte, replicas, como morreram todos os que existiram antes da Lei? Se o pecado foi a raiz da morte e “o pecado não é levado em conta quando não existe lei”, de que modo imperava a morte? Daí se conclui que não foi o pecado por transgressão, mas o pecado de desobediência cometido por Adão que arruinou tudo. E como se comprova? Porque antes da Lei todos morriam. 14. Todavia a morte imperou desde Adão até Moisés, mesmo sobre aqueles que não pecaram. Como imperou? De modo semelhante à transgressão de Adão, que é figura daquele que devia vir. Adão, portanto, é figura de Jesus Cristo. De que modo é figura? perguntas. Adão para os seus descendentes, apesar de não terem comido do fruto da árvore, foi causa de morte, através do alimento; doutro lado, Cristo para os seus, que não haviam praticado o bem, foi conciliador da justiça, concedida a todos nós por meio da cruz[...] de sorte que se um judeu te disser: É possível que apenas um, Cristo, pratique o bem, e obtenha a salvação para todo o orbe? – possas replicar-lhe: É possível que um só, Adão, tenha desobedecido e o mundo inteiro foi condenado?” (Homilia 10,1 Sobre Romanos)
Jurgens comenta sobre a passagem assim e Romanos 5, 12:
Crisóstomo sabia grego também, e ele nunca supôs que isso significava nada, exceto causa. Ele ainda refere-se a passagem ao pecado original, e entende pela cláusula “porque todos pecaram” que o que se quer dizer é “porque todos pecaram [em Adão]”, não é só que todos pecaram em seqüência depois de Adão, mas todos pecaram em conseqüência de Adão [...] a cláusula final exige claramente para a interpretação “porque todos pecaram em Adão”. Ele não precisa exclui o pecado pessoal, mas ele deve incluir o pecado original [...] Crisóstomo e os Padres em geral viram Rom 5, 12 como se referindo ao pecado original. A menção do pecado causando a morte, e morte sendo, portanto, a todos os homens era suficiente; por isso deve-se admitir que os Padres, em geral, não distinguem facilmente entre pecado original e seus efeitos. Assim, por Crisóstomo, o próprio fato de que os homens morrem, mesmo sem o “porque todos pecaram”, chama a atenção para o pecado original.” (The Faith of the Early Fathers Pg 115-116)
Crisóstomo continua:
De modo que, como pela desobediência de um só, todos se tornaram pecadores, assim pela obediência de um só, todos se tornaram justos. Esse dito parece levantar não pequena questão, que facilmente se resolverá através de cuidadosa atenção. Qual é a questão? Assegurar que, pela desobediência de um só, todos se tornaram pecadores. Não é inverossímil que em consequência do pecado o primeiro homem fez-se mortal com todos os seus descendentes; mas seria lógico que pela desobediência de um homem um outro se tornasse pecador? A conclusão seria que não devia ser castigado a não ser que ele mesmo se tornasse pecador. O que significa nesse trecho o termo: Pecadores? A meu ver, ser réu de suplício e condenado à morte. O Apóstolo mostrou claramente e em muitas passagens que, tendo morrido Adão, todos nós nos tornamos mortais.(Homilia 10,1 Sobre Romanos)
 
SÃO PACIANO DE BARCELONA (392 d.C)
Depois que Adão pecou, como observei antes, quando o Senhor disse: ‘Você é pó, e ao pó retornarás’ (Gn 3, 19), Adão foi condenado à morte. Esta condenação foi repassada a raça inteira. Pois todos pecara, já com a sua participação naquela natureza [ipsa iam urgente natura], como diz o Apóstolo: ‘Pois por um só homem o pecado entrou, e através do pecado morreu, e assim ele desceu para todos os homens, porque todos pecaram’ [Rm 5, 12, e veja nota Jurgens, vol 2, pg 144, n3] .... Alguém me dirá: Mas o pecado de Adão merecidamente passou para seus descendentes, porque eles eram nascido dele: mas como é que vamos ser gerados de Cristo, para que possamos ser salvos por meio dele? Não acho que estas coisas de uma forma carnal. Você já viu como é que são gerados por Cristo, nosso Pai. Nestes últimos tempos, Cristo tomou uma alma e com ele carne de Maria: esta carne veio para preparar a salvação...” (Sermões sobre o batismo 2; 6)
 
SANTO AMBRÓSIO DE MILÃO (383 d.C)
Antes de nascermos nós estamos infectados com o contágio, e antes de ver a luz do dia nós experimentamos o prejuízo da nossa origem. Em iniqüidade somos concebidos [cf. Salmos 51: 5] - ele não diz se a maldade de nossos pais ou nossa própria - E em pecados a mãe de cada um lhe dá vida. Nem com isso que ele indica se sua mãe deu à luz em seus próprios pecados ou se os pecados dos quais ele fala pertencem de alguma forma ao nascer. Mas considere e ver o que se quer dizer. nenhuma concepção é sem iniquidade, já que não há pais que não caíram. e se não há nenhum bebê que esteja mesmo um dia sem pecado, muito menos podem as concepções de útero de uma mãe ser sem pecado. Somos concebidos, portanto, no pecado de nossos pais, e é em seus pecados que nós nascemos." (Explicação sobre o profeta Davi 1, 11, 56)
Adão foi trazido a vida; e fomos todos trazidos à existência por ele. Adão pereceu e nele todos perecemos.” (Comentário ao Evangelho de Lucas 7, 234)
Pedro estava puro, mas devia lavar os pés, pois tinha o pecado que vem pela sucessão do primeiro homem, quando a serpente o subjugou e o induziu ao erro. É por isso que se lavam os pés dele, a fim de tirar os pecados hereditários. Portanto, nossos próprios pecados foram perdoados pelo batismo.”  (Sobre os Mistérios 32)
 
AMBROSIASTER OU PSEUDO AMBRÓSIO ( + 384 d.C)
Em quem’ isto é, em Adão – ‘todos pecaram’ [Rm 5, 12]. E ele disse: "em quem", usando a forma masculina, quando ele falava de uma mulher, porque a referência não era para um indivíduo específico, mas para a raça. É evidente, portanto, que todos pecaram em Adão,  -en masse-  por assim dizer; pois quando ele próprio foi corrompido pelo pecado, todos a quem ele gerou nasceram sob o pecado. Por sua causa, em seguida, todos são pecadores, porque todos nós somos dele. Ele perdeu o favor de Deus, quando se desviou.” (Comentários sobre 13 Epístolas Paulinas, Em Romanos 5:12, ver também Jurgens comentários vol 2, pg 179, N1-3)
 
SANTO AGOSTINHO (+ 430 d.C)
Você está condenado por todos os lados. Os numerosos testemunhos em relação ao pecado original, testemunhos dos santos, são mais claros do que a luz do dia. Olha o que um conjunto está no que eu lhe trouxe. Aqui está Ambrósio de Milão... aqui também é João de Constantinopla [Crisóstomo]... Aqui está Basilio... Aqui estão outros também, cujo acordo geral é tão grande que deve movê-lo. Esta não é, como você escreve com uma caneta para o mal, ‘uma conspiração dos perdidos’. Eles eram famosos na Igreja Católica por sua busca pela sã doutrina. Armados e cingidos com armas espirituais, eles travaram guerras extenuantes contra os hereges; e quando tinham fielmente completados os trabalhos dados a eles, adormeceram no colo da paz... Veja onde eu lhe trouxe: a assembléia desses santos não é qualquer uma. Eles não são apenas os filhos, mas também pais da Igreja... sacerdotes santos e bem-aventurados, amplamente conhecidos pela sua diligência na eloquência divina, Irineu, Cipriano, Reticio, Olimpo, Hilário, Ambrósio, Gregório, Inocêncio, João, Basílio - e se você goste ou não, vou acrescentar o presbítero Jerônimo, omitindo aqueles que ainda estão vivos - pronunciei contra você a opinião deles sobre o pecado original na sucessão da culpa de todos os homens, de onde ninguém está isento exceto Ele que a Virgem concebeu sem a lei do pecado guerreando contra a lei da mente...O que eles encontraram na Igreja, eles mantiveram; o que aprenderam, eles ensinaram; o que receberam dos pais, eles transmitiram aos filhos. Nós nunca estivemos envolvidos com você antes que esses juízes; mas nosso caso já foi tentado antes deles. Nem nós, nem você era conhecido deles; mas nós recitamos seus julgamentos proferidos em nosso favor contra você... Estes homens são bispos, sábios, solentes, santos e mais zelosos defensores da verdade contra vaidades tagarelas, em cujo motivo, erudição, e liberdade, três qualidades que você demanda em um juiz, você pode encontrar sem nada a desprezar... Com esses plantadores, bebedouros, construtores, pastores e fomentadores a Santa Igreja cresceu após o tempo dos Apóstolos.” (Contra Juliano 1:7:30-31; 2:10:33-34; 2:10:37)
 

http://www.apologistascatolicos.com.br/index.php/patristica/estudos-patristicos/809-pais-da-igreja-e-o-pecado-original
 

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