domingo, 9 de abril de 2017

Após reduzirem salários, vereadores dizem que política não pode ser “balcão de negócio”

Os vereadores da pequena cidade de Água Branca, no Sertão paraibano, esperam dar um exemplo à Paraíba com a redução dos próprios salários de quase R$ 3 mil para um salário mínimo. Procurado pelo blog, o presidente da Câmara Municipal, Mira Martins (Pros), justificou a decisão dizendo que “a política não pode ser um balcão de negócio”. Trocando em miúdos, segundo ele, a proposta visa tirar da política nas próximas eleições quem estiver interessado apenas em dinheiro. “O descrédito das pessoas na política mostra que ela precisa ser mudada”, acrescentou. As sessões na Casa ocorrem a cada 15 dias.
 
 
Martins diz que não foi fácil convencer os colegas, mas todos acabaram aceitando que a proposta era a melhor para a cidade. O prefeito de Água Branca, Tarcísio Firmino (PSB), também abriu mão de receber os vencimentos inerentes ao cargo, optando pelo salário de agente da Receita Estadual. “Ele não recebe os salários de prefeito desde que assumiu o cargo”, diz, orgulhoso, o presidente da Câmara, que não pretende concorrer à reeleição. O salário do prefeito, que ele abriu mão, é de R$ 8 mil e do vice-prefeito, de R$ 4 mil.
 
Matins vai lançar como substituto um filho de 22 anos, para manter a tradição da família na Câmara Municipal de Água Branca. O pai dele foi vereador em duas oportunidades e a mãe em cinco. Os salários dos vereadores que assumirem em fevereiro de 2017 e ficarem no cargo até janeiro de 2021 não poderão ser superiores a um salário mínimo, que hoje fica na casa dos R$ 880,00. Os vencimentos do prefeito, vice e secretários, segundo ele, devem ser votados até o fim do ano em projeto do executivo.
 

Água Branca tem pouco mais de 10 mil habitantes, segundo o IBGE. O dinheiro que sobrar do Legislativo, segundo Martins, será repassado para o Executivo investir em obras. No ano passado, a Casa devolveu R$ 5,6 mil para serem usados na construção de um poço artesiano na zona rural. Neste ano, ele calcula a devolução de R$ 30 mil. Os salários dos nove vereadores custam aos cofres da Câmara Municipal, atualmente, R$ 25,6 mil por mês. Com a mudança, ficará em R$ 8,8 mil.
 
Pela legislação, os vereadores podem alterar os próprios vencimentos até o fim do ano, visando a próxima legislatura. Isso por que eles são impedidos por lei de legislar em causa própria.
 

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