segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Pedofilia: presidente dos bispos Austrália pede desculpas em nome da Igreja

Melbourne (RV) - “Profundamente consciente do mal e da dor causados pelo abuso, mais uma vez faço meu pedido de desculpas em nome da Igreja católica. Sinto muito pelo dano provocado à vida das vítimas de abusos sexuais. Como disse recentemente o Papa Francisco, ‘é um pecado que nos envergonha’.”
 
Arcebispo de Melbourne e presidente dos bispos australianos, Dom Denis J. Hart
 
São palavras do arcebispo de Melbourne e presidente da Conferência Episcopal da Austrália, Dom Denis J. Hart, escritas numa mensagem dirigida aos católicos do país, no dia em que, após quatro anos de trabalho, a “Comissão de investigação sobre as respostas das instituições aos abusos sexuais contra menores”, a autoridade máxima investigativa sobre o fenômeno da pedofilia na história da Austrália, publicou os resultados da investigação realizada desde 2013 sobre Igrejas, escolas, entidades de beneficência, organizações comunitárias, grupos de escoteiros e clubes esportivos, bem como governos locais e polícia.
 
Segundo a investigação, 7% dos padres católicos da Austrália são causados de ter cometido abusos contra menores a partir de 1950. A idade média das vítimas era de dez anos e meio para as meninas e pouco mais de onze anos e meio para os meninos.
 
Ao todo, entre 1980 e 2015 foram apresentadas 4.444 denúncias por episódios de pedofilia ocorridos em mais de mil estruturas de propriedade da Igreja católica.
 
“Escrevo a vocês no momento em que tem início a audiência final que envolve a Igreja católica junto à Comissão real de investigação sobre os abusos sexuais contra crianças. Para as vítimas e os sobreviventes, para a comunidade católica e a mais ampla comunidade australiana, essa audiência pode ser um momento difícil e também doloroso”, lê-se na mensagem de Dom Hart.
 
“A Comissão real está analisando as provas que recebeu e buscando entender como e por qual motivo essa tragédia se verificou.” “Nas próximas três semanas as provas apresentadas durante as audiências da Comissão real serão analisadas, serão publicadas as estatísticas acerca do alcance dos abusos e será explorado o caminho a seguir”, acrescenta o presidente dos bispos australianos.
 
Muitos dos nossos bispos e outros líderes católicos comparecerão diante da Comissão real. Deverão explicar o que a Igreja está fazendo para mudar a velha cultura que permitiu a continuação dos abusos e sobre como pretende aplicar novas políticas, estruturas e proteção para salvaguardar as crianças.
“O Papa Francisco convidou toda a Igreja a encontrar a coragem requerida para adotar todas as medidas necessárias para proteger de todas as formas a vida de nossas crianças, de modo que tais crimes jamais possam se repetir”, ressalta o arcebispo. (Sir / RL)
 
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