segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Existe vida extra-terrestre?

Cientistas da NASA descobriram uma estrela Trappist-1, distante 39 anos luz da Terra, com sete planetas rochosos, três dos quais com possibilidade de água e assim de vida. Esta descoberta recolocou a questão de eventual vida extra-terrestre. Façamos alguns reflexões sobre o tema, fundadas em nomes notáveis na área.
 
As ciências da Terra e os conhecimentos advindos da nova cosmologia nos habituaram a situar todas as questões no quadro da grande evolução cósmica. Tudo está em processo de gênese, condição para surgir a vida.
 
A vida é tida como a realidade mais complexa e misteriosa do universo. O fato é que há cerca de 3,8 bilhões de anos, num oceano ou num brejo primordial, sob a ação de tempestades inimagináveis de raios, de elementos cósmicos do próprio Sol em interação com a geoquímica da Terra, esta levou até à exaustão a complexidade das formas inanimadas. De repente, ultrapassou-se a barreira: estruturaram-se cerca de 20 aminoácidos e quatro bases fosfatas. Como num imenso relâmpago que cai sobre o mar ou brejo, irrompeu a primeiro ser vivo.
 
Dando um salto quântico e qualitativo, emergiu na Terra, em nosso espaço-tempo curvo, num canto de nossa galáxia média, num sol secundário, num planeta de quantité négligeable, a Terra, a grande novidade: a vida. A Terra passou por 15 grandes dizimações em massa, mas como se fora uma praga, a vida jamais foi extinta.
 
 
Vejamos, rapidamente, a lógica interna que permitiu a eclosão da vida. À medida que avançam em seu processo de expansão, a matéria e a energia do universo tendem a se tornar cada vez mais complexas. Cada sistema se encontra num jogo de interação, numa dança de troca de matéria e de energia, num diálogo permanente com o seu meio, retendo informações.
 
Biólogos e bioquímicos, como Ilya Prigogine (prêmio Nobel em química, 1977), afirmam que vigora uma continuidade entre os seres vivos e inertes. Não precisamos recorrer a um princípio transcendente e externo para explicar o surgimento da vida, como o fazem, comumente, as religiões e a cosmologia clássica.    Basta que o princípio de complexificação, autoorganização e autocriação de tudo, também da vida, chamado de princípio cosmogênico, estivesse embrionariamente naquele pontozinho ínfimo, emerso da Energia de Fundo que depois explodiu. Um dos mais importantes físicos quânticos da atualidade, Amit Goswami, sustenta a tese de que o universo é matematicamente inconsistente sem a existência de um princípio ordenador supremo, Deus. Por isso, para ele, o universo é autoconsciente (O universe autoconsciente, Rio 1998).O mesmo pensa talvez o maior cosmólogo atual Brian Swimme (The hidden Heart of the Cosmos, 1996).
 
A Terra não detém o privilégio da vida. Segundo Christiann de Duve, prêmio Nobel de biologia (1974) que escreveu uma das mais brilhantes obras sobre a vida, disse em seu livro Poeira vital: a vida como imperativo cósmico:
“Há tantos planetas vivos no universo quanto há planetas capazes de gerar e sustentar a vida. Uma estimativa conservadora eleva o número à casa dos milhões. Trilhões de biosferas costeiam o espaço em trilhões de planetas, canalizando matéria e energia em fluxos criativos de evolução. Para qualquer direção do espaço que olhemos, há vida (…). O universo não é o cosmo inerte dos físicos, com uma pitada a mais de vida por precaução. O universo é vida com a necessária estrutura à sua volta”( Op.cit.1997,p. 383).
 
É mérito da astronomia, na faixa milimétrica, ter identificado um conjunto das moléculas nas quais se encontra tudo o que é essencial para dar início ao processo de síntese biológica (Longair, M. As origens do nosso universo, 1994, p. 65-6). Nos meteoros e meteoritos, encontraram-se aminoácidos. Esses, sim, são os eventuais portadores das arquibactérias da vida. Houve, provavelmente, vários começos da vida, muitos frustrados, até que um definitivamente se firmou.
 
Presume-se que as mais diversas formas de vida originaram-se todas de uma única bactéria originária (Wilson, O . E., A diversidade da vida, São Paulo, 1994).  Com os mamíferos, surgiu uma nova qualidade da vida, a sensibilidade emocional e o cuidado. Dentre os mamíferos, há cerca de 70 milhões de anos, destacam-se os primatas, e depois, por volta de 35 milhões de anos, os primatas superiores, nossos avós genealógicos, e há 17 milhões de anos, nossos predecessores, os hominidas. Há cerca e 8-10 milhões de anos, emergiu na África o ser humano, o australopiteco. Por fim apareceu, há 100 mil o Homo sapiens-sapiens/demens-demens do qual somos herdeiros imediatos (Reeves, H. e outros, A mais bela história do mundo, Petrópolis, 1998).
 
A vida não seria fruto do acaso (contra Jacques Monod, O acaso e a necessidade, Petrópolis, 1979). Bioquímicos e biológicos moleculares mostraram (graças aos computadores de números aleatórios) a impossibilidade matemática do acaso puro e simples. Para que os aminoácidos e as duas mil enzimas subjacentes pudessem se aproximar e formar uma célula viva, seriam necessários trilhões e trilhões de anos, mais do que os 13,7 bilhões de anos, a idade do universo. As possibilidades são de 10 em potência, 1000 contra um. O assim chamado acaso é expressão de nossa ignorância.
 
Estimamos que o sentido da evolução ascendente é produzir mais e mais condições para a irrupção da vida, também extra-terrestre como na lua Europa de Júpiter e os três planetas rochosos de Trappist-1.
Com razão disse o famoso físico britânico Freeman Dyson (*1923): ”quanto mais examino o universo e os detalhes de sua arquitetura, mais acho evidências de que o universo sabia que um dia, lá na frente, iríamos surgir”(Disturbing the Universe, 1979, p. 250).
 
 
Leonardo Boff junto com o cosmólogo Mark Hathaway trata detalhamente o tema em o O Tao da Libertação, Vozes 2010.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

“O modelo atual de polícia não funciona”, diz Cláudio Beato

O sociólogo defende que Guardas Municipais ganhem mais protagonismo para evitar casos como o do Espírito Santo. “A segurança pública deve ser mais municipalizada”, diz.
 
A paralisação dos policiais militares do Espírito Santo chega ao décimo dia com um saldo de 146 mortos até as 10 horas desta segunda-feira (13), segundo o Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo (Sindipol). Alguns policiais começaram a se apresentar no fim de semana, mas as mulheres dos praças seguem ocupando os quartéis do estado, impedindo a volta à normalidade. O dia amanheceu com ônibus circulando na Grande Vitória e o comércio, os postos de saúde e as escolas ensaiando uma retomada das atividades.
 
Contudo, a paralisação dos policiais gerou uma onda de violência de grandes proporções, que escancarou a fragilidade do sistema de segurança pública. “Temos de pensar em outra maneira de organizar a segurança pública, de forma que não dependamos apenas de uma corporação para manter a ordem na cidade”, afirma Cláudio Beato, diretor do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Como alternativa, ele sugere pensar não em uma polícia apenas, mas em uma segurança pública cada vez mais municipalizada. “Temos de repensar o papel das Guardas Municipais, das Polícias Municipais e de uma segurança pública municipal”, afirma. 
 
Em entrevista a ÉPOCA, Beato chama a atenção para a explosão no número de assassinatos no Espírito Santo logo após o início da greve. Segundo ele, trata-se de um fato incomum, que merece ser investigado a fundo. O normal em casos semelhantes é haver um crescimento dos chamados “crimes de oportunidade”, como os que agridem o patrimônio público, não de homicídios. 
 
ÉPOCA –  O que é mais comum acontecer quando a polícia entra em greve? 
Cláudio Beato – Considerando o histórico, o que sabemos de greve – inclusive a de 1997, que atingiu vários estados – é que, quando a polícia para, aumentam os crimes contra o patrimônio, que são os chamados “crimes de oportunidade”. Nessas circunstâncias, são pessoas comuns que cometem determinados crimes. São atos “desorganizados” que não têm a ver, necessariamente, com as organizações criminosas.
 
ÉPOCA – O que chama a atenção no caso recente do Espírito Santo? 
Beato – No caso do Espírito Santo, chama a atenção o aumento considerável dos homicídios após a paralisação da PM. Foram 146 em dez dias, segundo a última contagem da Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social [Sesp-ES]. Isso precisa ser investigado e mais bem esclarecido. Não é natural ter uma correlação direta entre a greve dos praças e o crescimento do número de homicídios. É preciso entender como e onde ocorreram esses crimes.
 
ÉPOCA – Por que vemos um salto tão grande nos crimes na ausência dos PMs? Somos “selvagens” sem o aparato do estado? 
Beato – De forma geral, sem mecanismos de controle social, seja a polícia – que é um dos mais relevantes -- ou qualquer outro, é comum pipocarem os chamados crimes de oportunidade. Assim como houve no Espírito Santo, acontece o saqueamento de lojas e outros tipos de roubo etc. 
 
ÉPOCA – A polícia do Espírito Santo está em situação pior que as de outros estados?
Beato – De forma alguma. Primeiro porque ela está recebendo o salário em dia. Em outros estados, como Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, há o parcelamento do benefício. É uma pena termos chegado a essa situação no país, mas é uma realidade. E mesmo se for isolada a variável salário, segundo informações do governo do Espírito Santo, ele não é o pior do Brasil, mas o 10º no ranking, que considera dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística [IBGE]. Não posso dizer o que está acontecendo em relação às condições de trabalho e a outras questões que afetam o dia a dia dos policiais. Mas melhorias nas condições de trabalho podem ser negociadas em outra instância.

Cláudio Beato, diretor do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança da UFMG (Foto: Agência Câmara )
 
ÉPOCA – Os últimos governos tiveram uma atuação firme no combate ao crime organizado e à violência de forma geral? 
Beato – No primeiro governo de Paulo Hartung [2003-2007], houve uma ação muito decisiva para cortar os tentáculos do crime organizado, que estava se infiltrando em vários poderes, da Assembleia ao Judiciário. Houve ação decisiva na época, que incluiu uma força-tarefa com a Polícia Federal. Isso foi fundamental para diminuir a força do crime organizado, mas talvez não extingui-la. Algo ainda resta. Mas, de forma geral, nos últimos anos as taxas de homícidio vêm diminuindo gradativamente. [O Estado fechou 2016  com uma redução de 15% no número de homicídios, atingindo a menor taxa dos últimos 28 anos]. E Paulo Hartung continuou o trabalho que o governador anterior, Renato Casagrande, começou. Inclusive, manteve o secretário de Segurança, André Garcia.
 
ÉPOCA – Em termos de formação ou desempenho, a polícia do Espírito Santo é diferente das outras?
Beato –
A diferença se dá no grau de formação. Até poucos anos atrás, não havia necessidade de formação superior dos oficiais. Mas, em termos de resultado, não se destaca nem como uma das piores ou melhores. É mediana. O que vemos é que também há problemas dentro da própria estrutura, onde a hierarquia foi quebrada. Isso é algo novo que a paralisação mostrou.
 
ÉPOCA – Especificamente sobre a PM, o que a paralisação recente no Espírito Santo pode nos ensinar? 
Beato – Sobre a PM, há questões a serem pensadas no contexto brasileiro. Existem raízes mais profundas no modelo de polícia, que tem de ser rediscutido. Temos de pensar em outra maneira de organizar a segurança pública, de forma que não dependamos apenas de uma corporação para manter a ordem na cidade. A cidade não pode parar por causa de uma greve. Temos de repensar isso tudo. Nesse contexto, no Brasil todo, a emergência das Guardas Municipais vai adquirir uma proeminência cada vez maior. Já atuavam no Espírito Santo, em cidades como Guarapari, e tentaram minimizar o problema. O fato é que o modelo atual de polícia não funciona. Inclusive a ideia de ser uma PM e de que por isso não pode fazer greve está vencida.
 
ÉPOCA – Que protagonismo deveriam ter os Guardas Muncipais? 
Beato – Temos de repensar o papel das Guardas Municipais, das Polícias Municipais e de uma segurança pública municipal. Em Belo Horizonte, isso tem funcionado muito bem. É positivo ter uma instância municipal que pense a segurança, que não apenas o estado. O estado, às vezes, é uma instância muito ampla e genérica para cuidar de problemas que muitas vezes são locais, circunscritos aos bairros. Temos de pensar não só em polícia, mas em uma segurança pública, cada vez mais municipalizada. Isso é o que temos de fazer para escapar de situações como esta que vimos no Espírito Santo. 
 
ÉPOCA – Como o senhor avalia a estratégia dos policiais de usar suas mulheres na paralisação? 
Beato – Perante a Justiça, essa estratégia não tem funcionado. No entendimento dos procuradores, o fato de as mulheres terem ocupado a linha de frente da greve não exime os próprios policiais de não exerecem sua função. Pelo contrário, eles podem sofrer sanções, independentemente do papel das mulheres. O Ministério Público tem sido muito firme nesses casos.
 
ÉPOCA – Em tempos de ajuste e crise fiscal, o senhor acredita que veremos mais greves de policiais, de outras categorias e em outros estados?
Beato – A crise fiscal que os estados enfrentam não ameaça a estabilidade dos PMs exclusivamente, mas de todas as categorais do funcionalismo público, no país inteiro. As cidades e os estados que não cuidaram do ajuste verão proliferar greves de professores e de outras categorias do funcionalismo. O equilíbrio fiscal é uma variável vital para a própria governança das cidades, dos estados e do país. Todos pagam o preço desse ajuste.
 

Igreja teve 4400 denúncias de pedofilia na Austrália em 30 anos

Uma investigação descobriu que 7% dos sacerdotes católicos do país foram acusados de abusar de crianças.

Imagem genérica de padre (iStockphoto/Getty Images)
 
Entre 1980 e 2015, 4.444 incidentes de pedofilia foram denunciados às autoridades eclesiásticas da Igreja Católica na Austrália, mas as denúncias nunca foram investigadas, segundo os dados divulgados nesta segunda-feira por uma investigação de pedofilia na igreja. Em algumas dioceses, mais de 15% dos padres estavam envolvidos.
 
Segundo o relatório da Real Comissão sobre Respostas Institucionais para Abusos Sexuais de Crianças, do governo australiano, 7% dos sacerdotes católicos foram acusados de abusar de crianças no país entre 1950 e 2010.
 
A investigação descobriu ainda que cerca de 20% dos padres de ordens católicas que dirigem institutos de educação na Austrália, como os maristas, foram acusados. A ordem dos Irmãos de São João de Deus teve a mais alta taxa de acusações: 40% dos religiosos estariam envolvidos em casos de pedofilia.
 
A idade média das vítimas – a grande maioria, do sexo masculino – era de 10,5 anos para as meninas e 11,5 para os meninos. Dos 1.880 acusados de abuso de menores, 90% eram homens – outros 500 agressores não foram identificados.
 
A Austrália encomendou a esta comissão, em 2012 e após uma década de crescente pressão para que fossem investigadas as acusações de abusos sexuais de menores em todo o país, um estudo que agora chega à fase final, após quatro anos de audiências. A comissão falou com milhares de sobreviventes e ouviu acusações de abusos sexuais de menores ocorridos em igrejas, orfanatos, clubes esportivos, grupos juvenis e escolas.
 
“Entre 1950 e 2010, 7% dos padres eram supostos criminosos”, disse Gail Furness, advogada encarregada dos interrogatórios da investigação, em Sydney. “Os relatórios eram deprimentemente similares. As crianças eram ignoradas ou, pior, castigadas. As acusações não eram investigadas. Os padres e os (trabalhadores) religiosos eram transferidos”, acrescentou. “As paróquias ou as comunidades para onde eram transferidos não sabiam nada sobre seu passado. Os documentos não eram conservados ou eram destruídos”.
 
A Igreja da Austrália encarregou o Conselho de Verdade, Justiça e Cura a emitir uma resposta. “Estes números são surpreendentes, trágicos, indefensáveis”, disse à comissão o diretor-executivo do conselho, Francis Sullivan.
 
(Com AFP)
 

Bélgica condena jihadista por assassinato na Síria

É a primeira vez que a justiça condena um terrorista por crime realizado em outro país,

Guerra na cidade síria de Kobane (Aris Messinis/AFP)
 
A justiça da Bélgica condenou pela primeira vez um jihadista por um crime de terrorismo cometido em outro país. Nesta segunda-feira, o Tribunal Correcional de Antuérpia, no norte da Bélgica, sentenciou Hakim Elouassaki a 28 anos de prisão por um assassinato cometido na Síria.
 
Hakim Elouassaki, da cidade de Vilvorde, localizada nos arredores de Bruxelas, foi o primeiro  cidadão belga a ser  julgado e condenado diretamente por assassinatos cometidos na Síria. Anteriormente, o tribunal só havia realizado condenações por participação em atividades de grupos terroristas.
 
Elouassaki, de 24 anos, partiu rumo à Síria em outubro de 2012 e, em janeiro de 2013, entrou para o grupo Majlis al-Shura al-Mujahidin, uma facção iraquiana da organização terrorista Al Qaeda. O jihadista já tinha sido condenado anteriormente por sua filiação à facção islamita belga Sharia4Belgium. Ele retornou à Bélgica em abril de 2013, após ter sido gravemente ferido por um granada. 
 
Sem saber que seu telefone estava sendo monitorado pelas autoridades belgas, o jihadista confessou a sua companheira na Bélgica que havia “matado alguém”. Nessa conversa, ele explicou que finalizou sua vítima com um fuzil kalashnikov porque o irmão desta só tinha entregue 30 dos 70 mil euros (cerca de 230 mil reais) exigidos como resgate por sua libertação.
 
A promotoria reproduziu durante o julgamento a gravação com a confissão do crime. Outros jihadistas, detidos na Bélgica em seu retorno da Síria, explicaram que os sequestros são uma forma de arrecadar fundos para os grupos terroristas.
 
Junto a Hakim Elouassaki foram julgados à revelia outros cinco supostos terroristas que também provinham do movimento islamita belga Sharia4Belgium. Entre eles se encontrava Houssien Elouassaki, irmão de Hakim, que provavelmente morreu na Síria, junto a outros dois acusados perseguidos pela justiça por sua participação em um vídeo que filmou uma decapitação. Todos foram perdoados por falta de provas.
 
Elouassaki reconheceu o crime que lhe foi atribuído e identificou sua vítima como um muçulmano xiita de aproximadamente 40 anos, contra quem disparou em um apartamento nos arredores de Aleppo, seguindo instruções de seus superiores. Sua defesa argumentou perante o tribunal que sua confissão se tratava apenas de um relato “heroico” dirigido a outros terroristas, explicações que o tribunal ignorou.
 
(Com agência EFE)
 
 


Protestos contra violência policial atingem a periferia de Paris

Protestos aumentaram desde o estupro cometido por três policiais contra um jovem negro, que estava sob custódia.
 
Van da estação de rádio francesa RTL é queimada na cidade de Bobigny durante manifestação contra a ação violenta da polícia depois de um homem negro ter sido agredido por policiais enquanto era levado sob custóda em Paris - 11/02/2017 (Gregoire Ozan/AFP)
 
 
O estupro cometido por três policiais contra um jovem negro no norte de Paris tem resultado em violentos protestos na capital francesa. Em estado de emergência há quinze meses, a França enfrenta o risco de sofrer outra grave crise em plena campanha eleitoral. Segundo informações do jornal El País, os protestos que antes se limitavam a Paris começaram a se espalhar pelas periferias, chegando a outras seis cidades.
Depois que Théo L. foi detido por três policiais no último dia 02, exames médicos constataram que o jovem possuía graves feridas produzidas por um estupro realizado com um cassetete por um dos policiais. Apesar do apoio demonstrado ao jovem pelo presidente François Hollande em sua visita, e dos pedidos de paz do próprio Théo, milhares de jovens estão indo às ruas. Centenas de carros já foram incendiados e estabelecimentos destruídos desde o início dos protestos.
 
Segundo o jornal El País, gritos e cartazes pedem justiça para o jovem Théo nas ruas da periferia de Paris. Principalmente, em sua cidade, em Aulnay-sous-Bois, uma zona de conflito habitada por uma grande porcentagem de imigrantes ou filhos de imigrantes procedentes do norte da África.
 
Um dos incidentes mais graves foi registrado durante este fim de semana. Manifestantes queimaram automóveis e lançaram pedras e parafusos contra policiais, que responderam com bombas de gás lacrimogênio e detenções.

No fim de semana, a polícia afirmou ter resgatado uma menina de 5 anos de dentro de um veículo em chamas. No entanto, segundo informações do jornal, um jovem manifestante de 16 anos contradisse a versão policial, dizendo que foi ele quem salvou a menina. “Não sou um herói. Só quero estabelecer a verdade”, disse em um blog.
 
A França ainda vive a difícil recordação dos protestos que aconteceram em 2005, quando dois jovens morreram eletrocutados enquanto eram perseguidos pela polícia. O ocorrido provocou três semanas de protestos com a depredação de 300 edifícios, 100 carros queimados e 130 policiais feridos.
 
 

Padre citado em Spotlight é encontrado morto na prisão

Suspeito de abusar de uma criança de 10 anos, Bonifácio Buzzi havia sido detido na última sexta; governo diz que ele se enforcou na cela.
 
Padre Bonifácio Buzzi (VEJA)
 
O padre Bonifácio Buzzi, de 57 anos, foi encontrado morto na manhã deste domingo em uma cela do presídio de Três Corações, no interior de Minas Gerais. O pároco havia sido preso na última sexta-feira, em Joinville (SC), acusado de ter abuso sexualmente de uma criança de 10 anos. Buzzi é um dos nomes que aparece na lista do filme Spotlight como exemplo de casos de pedofilia acobertados pela Igreja Católica.
 
Segundo o governo de Minas, o religioso estava sozinho na cela e se matou. Em nota, a Secretaria de Estado de Defesa Social afirmou que o corpo foi encontrado durante “procedimentos de liberação para a visitação”. Conforme o texto, Bonifácio se enforcou com uma “teresa”, corda feita com lençol. “O detento deu entrada na unidade de Três Corações no sábado por meio de um mandado de prisão preventiva. Ele estava sozinho na cela. A unidade já abriu uma investigação preliminar para apurar o ocorrido. As Polícias Militar e Civil foram acionadas”, informou a secretaria.
 
Buzzi já recebeu duas condenações por abusar de crianças, em 1995 e 2004. Na primeira sentença, ficou em prisão domiciliar por quatro anos após ser flagrado abusando de garotos com idades entre 10 e 15 anos dentro de um hospital psiquiátrico, em Minas. Em 2004, foi preso novamente por abusar de um menino de 11 anos. Dessa vez, Buzzi cometeu o ato logo após celebrar uma missa na cidade de Mariana (MG). Acabou sendo condenado por 13 anos no regime fechado, mas ficou foragido até 2007, quando cometeu outro crime e foi capturado.
 
O padre ganhou liberdade no ano passado após cumprir um sexto da pena e seguiu para a cidade de Três Corações, onde fez novas vítimas. Pela lei da Igreja, a punição aplicada a Buzzi foi bem mais branda. O salário de 2 800 reais foi cortado pela instituição, mas ele nunca teve as funções sacerdotais totalmente revogadas pelo Vaticano, onde responde a um processo canônico que ainda não foi concluído.
 
(Com Estadão Conteúdo) 
 

ES vive 'mais grave crise do Brasil', avalia especialista em segurança

Opinião é do coronel José Vicente da Silva, ex-secretário nacional da pasta.
Sem PMs nas ruas, população capixaba vive momentos de caos e medo.
 
Mulheres dos policiais miltares bloqueiam portão de saída de quartel (Foto: Fernando Madeira/ A Gazeta)
 
O bloqueio de batalhões feito por familiares de policiais militares, impendido a saída da corporação, fez com que o Espírito Santo chegasse a "mais grave crise de Segurança Pública do momento no Brasil", afirma o coronel José Vicente da Silva, ex-secretário nacional da Segurança (2002). O especialista avaliou que a situação é pior do que a ocorrida na região Norte do país durante as rebeliões no sistema prisional, que marcaram o início de 2017.
 
O comparativo, segundo ele, diz respeito à má gestão do Executivo estadual em ambas as situações. “O que nós tivemos no Rio Grande do Norte foi uma irresponsabilidade do governo do estado. De certa forma aconteceu como no Espírito Santo, o governo não cuidou e virou uma panela de pressão. A primeira estava limitada ao território do presídio, a do Espírito Santo coloca em risco toda a sociedade", explicou.
 

O impasse aqui ocorre porque o movimento, protagonizado por mulheres de PMs, pede reajuste salarial, e o governo diz que não há como fazer isso dentro dos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal.

Tudo começou no dia 3 de fevereiro, quando algumas mulheres fizeram um ato com cartazes em frente ao destacamento da Serra, cidade da Grande Vitória. No dia seguinte, o movimento começou a ganhar força, ocupando os portões de vários batalhões no estado.

Desde o dia 4, sem os policiais nas ruas, a criminalidade instalou um caos no território capixaba: em nove dias, foram contabilizados 142 mortes violentas –  só no dia 6 fevereiro, foram 40  –, situação que fez com que o Departamento Médico Legal de Vitória começasse a semana passada superlotado.

Também houve 200 atendimentos na Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos da capital só na segunda-feira (6).

Furtos, saques e dias parados renderam um prejuízo estimado em R$ 300 milhões ao comércio até este sábado (11).

Por conta de tudo isso, lojas, repartições públicas, escolas e postos de saúde ficaram fechados durante a semana, e alguns retomam as atividades aos poucos. Os ônibus chegaram a parar, mas circulam em horário especial de acordo com os acontecimentos do dia.
Militares da Força Nacional e das Forças Armadas estão nas ruas desde a noite do dia 6, mas os crimes continuaram. De acordo com o Ministério da Defesa, atualmente, 3.130 homens atuam no Espírito Santo.

Neste domingo, segundo a Sesp, 250 policiais fardados foram fazer patrulhamento na Grande Vitória. No Sul do Estado, foram 275 PMs; e na região Norte, 350. A maioria está atuando a pé, mas segundo a assessoria da Sesp, há veículos empregados nas operações. Em dias normais, dois mil policiais militares fazem o patrulhamento em todo o estado.

De onde veio a crise

 O G1 escutou especialistas da área de Segurança Pública, Direito e Ciência Política para entender como o estado chegou a esse ponto.
 
O governo não tinha um plano de emergência no caso de acontecer uma crise como esta. Eles deveriam estar monitorando a situação"
 
Coronel José Vicente da Silva, especialista em Segurança Pública
 
O coronel José Vicente da Silva classificou o nível de gravidade da crise da Segurança Pública do Espírito Santo como 5, enquanto a crise do sistema penitenciário do Norte fica com nível 4.
“Além da violência acontecendo de uma forma muita rápida, essas situações incentivam mais criminosos a agirem. Isso afetou o funcionamento das instituições, repartições municipais e até da Justiça. As instituições não podem parar”.
 
O especialista em Segurança afirma que houve despreparo dos governos. “Não se deixa a categoria esperar tantos anos sem reajuste, o mínimo que fosse tinha que ser dado. A polícia fez um bom trabalho, reduzindo a violência no Espírito Santo, e não houve reconhecimento. O governo não tinha um plano de emergência no caso de acontecer uma crise como esta. Eles deveriam estar monitorando a situação”, falou.
 
O coronel acredita que uma possibilidade para ajudar a conter essa crise seria o governo federal pagar as horas extras de trabalho aos policiais militares até que seja negociada uma solução definitiva.

O doutor em Ciências Sociais Vitor de Angelo, especialista em política, acredita que a paralisação da Polícia Militar expressa uma insatisfação por parte do funcionalismo público em relação às políticas adotadas pelo governador Paulo Hartung (PMDB). Isto é, para o professor, o ajuste fiscal feito em 2015 pelo Executivo estadual estabilizou as contas, mas colocou em xeque a relação com seus servidores.

7º Dia: em frente ao BME, homens e mulheres fazem bloqueio contra a saída de militares (Foto: Marcelo Prest/ A Gazeta)
 
"Isso diz respeito à forma com que ele [governador Paulo Hartung] se relaciona com o funcionário público e a política salarial aplicada a essa categoria em particular. A política foi dura e isso se reflete no funcionalismo"
Vitor Angelo, cientista social
 
“Isso diz respeito à forma com que ele se relaciona com o funcionário público e a política salarial aplicada a essa categoria em particular. A política foi dura e isso se reflete no funcionalismo”, disse o professor.
A falta de diálogo por parte do governo é o motivo para que a situação tenha se agravado, segundo o cientista político. “É quase um grito de desespero e não uma faca no pescoço, como fala o secretário da Segurança”, afirmou.
Outro aspecto analisado é que as figuras das autoridades que ficaram à frente da resolução do problema, o governador em exercício, César Colnago (PSDB), e o secretário da Segurança, André Garcia, não têm força para tranquilizar a população.

O governador Paulo Hartung passou por um procedimento cirúrgico em São Paulo e está de licença médica. Ele retornou ao estado no dia 8 de fevereiro, em meio à crise.
"As autoridades perderam a capacidade de inspirar segurança, de apontar caminhos. Isso pode ser contraposto com o que é divulgado nas mídias sociais, que põe medo. Paulo Hartung deu uma sorte danada de estar em São Paulo quando aconteceu, mas política e tragédia pessoal não se dissociam".



 5º Dia: Governo do Estado faz coletiva sobre o movimento de greve da Polícia Militar (Foto: Marcelo Prest/ A Gazeta)
 
Ilegalidade das manifestações

 Depois de um pedido feito pelo governo estadual, o desembargador Robson Luiz Albanez declarou a paralisação ilegal e determinou a restauração imediata da segurança pública. Caso contrário, as associações que representam a Polícia Militar ficam sujeitas a multa diária de R$ 100 mil.

Desde o dia 5 de fevereiro, as negociações com os manifestantes foram suspensas pelo secretário André Garcia, mas, na quinta-feira (9), as mulheres de PMs voltaram a negociar com o governo não entraram em acordo após uma reunião que durou 10h. Na sexta (10), representantes dos policiais militares e do Governo do Estado chegaram a um acordo em uma reunião sem a participação das mulheres.
 
Reivindicação por causa da defasagem é legítima, mas a paralisação de serviços de segurança pública ligados ao policiamento ostensivo é inconstitucional"
Fabrício de Oliveira Campos, advogado
 
Os familiares protestam no lugar dos PMs porque eles são proibidos pelo Código Penal Militar de fazer greve ou paralisação. A pena para o PM que participar em atos desse tipo pode chegar a dois anos de prisão.
 
O advogado Fabrício de Oliveira Campos explica que a Constituição Federal proíbe que os policiais militares façam greve e se organizem em sindicatos, sendo permitida apenas a formação associações. A princípio, os familiares podem responder por desobediência.
 
“Reivindicação por causa da defasagem é legítima, mas a paralisação de serviços de segurança pública ligados ao policiamento ostensivo é inconstitucional”, afirma.
 
Qualquer pessoa que interrompa o serviço da polícia, segundo Campos, precisa ser removida.“Lamentavelmente a gente vê uma espécie de escoramento. Se cidadãos se colocassem em frente aos batalhões, a polícia tiraria essas pessoas. Não foi vista nenhuma negociação por parte da polícia para que eles saíssem”, explicou.
 
O advogado voluntário da pastoral carcerária do Espírito Santo, Gilvan Vitorino, critica o posicionamento do secretário de Segurança André Garcia sobre a dificuldade de negociação com os manifestantes.
 
“Eu acho isso um contrassenso na política. Isso não tem a ver com o fato de ser ilegal ou legal. Se a população está em risco, cabe ao secretário negociar. E os policiais militares não podem exercer suas funções sem condições de trabalho”, opinou.
 
Já o coronel José Vicente da Silva pensa o contrário. “Este não é o momento de negociar. A prioridade é a segurança da população”, disse.

O que diz o governo?

 O secretário de Estado de Economia e Planejamento, Regis Mattos Teixeira, explica que em meio à pior crise econômica da história do país, com graves reflexos sobre a economia do Estado, o Governo do Espírito Santo, “agindo de forma responsável, desde o início desta administração”, tem adotado medidas para garantir o equilíbrio entre despesas e receitas, fortemente impactadas pela queda da arrecadação, com o objetivo de garantir a manutenção de pagamentos de servidores e fornecedores em dia e de oferecer à população serviços essenciais, especialmente os das áreas de Segurança, Saúde e Educação.
 
Regis Mattos explica que a despesa executada na Segurança Pública passou de R$ 1,8 bilhão em 2014 para R$ 2,027 bilhões em 2016 – um aumento de 12,6% no período. Já a soma dos investimentos feitos pelo Governo do Estado nessa mesma área, nesses dois últimos anos, foi de R$ 74,8 milhões.
 
De acordo com o secretário, nos últimos sete anos (2010 a 2016) o Governo do Estado concedeu reajuste e reestruturação das carreiras de 38,85%, abrangendo todos os militares. E que em decorrência desse reajuste e também de promoções, progressões, e do aumento de efetivos na corporação, a folha de pagamento dos militares teve um acréscimo de 46% nos últimos cinco anos.

Alerta

 O secretário informa que o Estado está sob alerta do Tribunal de Contas quanto aos gastos com pessoal, registrando um percentual de 45,46% da Receita Corrente Líquida, que se aproxima do limite prudencial (46,55%), que implica em vedações como proibições de contratações, criação de cargos e pagamento de horas extras. O limite máximo de gastos com pessoal, estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), é de 49%.
 
“É importante destacar que a situação fiscal do Estado não dá espaço para concessão de aumento aos servidores, com quem o Governo sempre dialogou com total transparência”, diz o secretário.

Para o Governo, um reajuste neste momento seria uma irresponsabilidade e um risco para a economia capixaba. “A concessão de aumento de salários levaria o Governo a desorganizar suas contas, o que, consequentemente, comprometeria a oferta de serviços públicos e o pagamento em dia do funcionalismo, a exemplo do que já acontece em outros Estados do Brasil”, diz o secretário.                      

Remuneração     
                  
Na categoria Praças, a remuneração inicial (soldado) é de R$ 2.646,12, que acrescida de R$ 405,91 da escala extra, chega a R$ 3.052,06, que corresponde a menos de 20% do total de militares do Estado. Ao final da carreira, última referência de subtenente, o salário de R$7.108,48, acrescido de R$1.090,44, pode chegar a R$ 8.198,92.
 
Direitos Humanos

 "Nós somos comprometidos com o diálogo pleno e franco com os movimentos reivindicatórios organizados. Mas repudiamos qualquer tentativa de pessoas, agentes políticos, entidades ou órgãos colegiados que tentam aproveitar desse momento com o objetivo de tirar vantagem política ou ter visibilidade ou ganhos estritamente pessoais. Não será um movimento partidário ou de associações que irá diminuir os esforços feitos pelo Governo. Não vamos desrespeitar a lei e tampouco perdoar criminosos, principalmente sob chantagem. Nosso Estado vem lutando para manter as contas em dia, para avançar na redução de homicídios - já são sete anos consecutivos de queda - e, também, na redução de feminicídios. Lamentamos que grupos políticos se aproveitem desse momento de dificuldade para auferir vantagens políticas", disse o secretário de Direitos Humanos Julio Pompeu.
 




Sintomas da Febre Amarela

Os sintomas da febre amarela surgem cerca de 3 a 6 dias após a picada de um mosquito Haemagogus Sabethes infectado com o vírus, sendo esta chamada de fase aguda da doença.
 
Depois da fase aguda, os sintomas podem desaparecer por 1 ou 2 dias, porém rapidamente surgem outros sintomas, mais graves, que podem levar à morte, dando origem à fase tóxica da febre amarela.
Assim, os primeiros sintomas, que caracterizam a fase aguda incluem:
  1. Febre alta;
  2. Mal-estar geral;
  3. Dor em todo o corpo e dor muscular, principalmente nas costas e joelhos;
  4. Sensibilidade à luz;
  5. Náuseas e vômitos;
  6. Perda de apetite;
  7. Tonturas.
Já os sintomas da fase tóxica são:
  • Icterícia, caracterizada pela pele e olhos amarelos;
  • Dor abdominal;
  • Vômitos com sangue;
  • Sangramentos pelo nariz, boca e olhos;
  • Doença dos rins e do fígado;
  • Problemas cardíacos;
  • Convulsões.
A febre amarela não se transmite entre pessoas, sendo transmitida apenas pela picada do mosquito e, por isso, a única medida de prevenção para a febre amarela é através da vacinação. Veja quando deve ser feita a vacina contra febre amarela.
 

O que fazer em caso de suspeita

Em casos de suspeita de febre amarela é muito importante ir rapidamente a um pronto-socorro para fazer um exame de sangue e confirmar a presença do vírus. É também aconselhado não tomar nenhum medicamento em casa, pois podem conter substâncias que piorem os sintomas da doença.
Todos os casos de febre amarela devem ser sempre notificados para as autoridades sanitárias, pois esta é uma doença com alto risco de provocar um surto.

Como é feito o tratamento

O tratamento da febre amarela serve apenas para aliviar os sintomas da doença, pois não há nenhum tratamento para eliminar o vírus. Dessa forma, normalmente é feito com internamento no hospital para fazer remédios analgésicos e antitérmicos, como o Paracetamol, diretamente na veia, de forma a reduzir as dores e a febre.
 
Durante o tratamento, é muito importante evitar tomar medicamentos com ácido acetilsalicílico, como a aspirina, pois essa substância aumenta o risco de desenvolver hemorragias, que podem colocar em risco a vida.
 
Clínico geral
 

Pedofilia: presidente dos bispos Austrália pede desculpas em nome da Igreja

Melbourne (RV) - “Profundamente consciente do mal e da dor causados pelo abuso, mais uma vez faço meu pedido de desculpas em nome da Igreja católica. Sinto muito pelo dano provocado à vida das vítimas de abusos sexuais. Como disse recentemente o Papa Francisco, ‘é um pecado que nos envergonha’.”
 
Arcebispo de Melbourne e presidente dos bispos australianos, Dom Denis J. Hart
 
São palavras do arcebispo de Melbourne e presidente da Conferência Episcopal da Austrália, Dom Denis J. Hart, escritas numa mensagem dirigida aos católicos do país, no dia em que, após quatro anos de trabalho, a “Comissão de investigação sobre as respostas das instituições aos abusos sexuais contra menores”, a autoridade máxima investigativa sobre o fenômeno da pedofilia na história da Austrália, publicou os resultados da investigação realizada desde 2013 sobre Igrejas, escolas, entidades de beneficência, organizações comunitárias, grupos de escoteiros e clubes esportivos, bem como governos locais e polícia.
 
Segundo a investigação, 7% dos padres católicos da Austrália são causados de ter cometido abusos contra menores a partir de 1950. A idade média das vítimas era de dez anos e meio para as meninas e pouco mais de onze anos e meio para os meninos.
 
Ao todo, entre 1980 e 2015 foram apresentadas 4.444 denúncias por episódios de pedofilia ocorridos em mais de mil estruturas de propriedade da Igreja católica.
 
“Escrevo a vocês no momento em que tem início a audiência final que envolve a Igreja católica junto à Comissão real de investigação sobre os abusos sexuais contra crianças. Para as vítimas e os sobreviventes, para a comunidade católica e a mais ampla comunidade australiana, essa audiência pode ser um momento difícil e também doloroso”, lê-se na mensagem de Dom Hart.
 
“A Comissão real está analisando as provas que recebeu e buscando entender como e por qual motivo essa tragédia se verificou.” “Nas próximas três semanas as provas apresentadas durante as audiências da Comissão real serão analisadas, serão publicadas as estatísticas acerca do alcance dos abusos e será explorado o caminho a seguir”, acrescenta o presidente dos bispos australianos.
 
Muitos dos nossos bispos e outros líderes católicos comparecerão diante da Comissão real. Deverão explicar o que a Igreja está fazendo para mudar a velha cultura que permitiu a continuação dos abusos e sobre como pretende aplicar novas políticas, estruturas e proteção para salvaguardar as crianças.
“O Papa Francisco convidou toda a Igreja a encontrar a coragem requerida para adotar todas as medidas necessárias para proteger de todas as formas a vida de nossas crianças, de modo que tais crimes jamais possam se repetir”, ressalta o arcebispo. (Sir / RL)
 
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Mulheres de PMs dizem que resistirão 'até morrer'; entenda as reivindicações

Esposas e mães protestam e impedem saída de PMs para patrulhamento. Falta de PMs nas ruas causou uma onda grave de violência no estado.
 
Há seis dias acomodadas em tendas e barracas na frente de Batalhões e Quartel da Polícia Militar na Grande Vitória e em cidades do interior do Espírito Santo, mães, esposas e irmãs resistem e impedem a saída dos policiais militares para o policiamento.
 
De um lado, elas enfrentam a hostilidade de parte da população que discorda do movimento por estar à mercê da violência. De outro, veem no caos instaurado a única maneira de lutar por aquilo que consideram de direito de seus familiares.

Mulheres seguram cartazes com reivindicações da categoria e recados ao Governo (Foto: Naiara Arpini/ G1)

Na tarde desta quarta-feira (8), o G1 foi até a frente do Quartel do Comando Geral (QCG) da Polícia Militar e ao Batalhão de Missões Especiais (BME), para conversar com as manifestantes e entender como um protesto iniciado por aproximadamente 10 mulheres cresceu a ponto de resultar na maior crise de segurança da história do Espírito Santo.
 
Como tudo começou?

 Era manhã de sexta-feira (3), quando um pequeno grupo de esposas e mães se reuniram em frente ao Destacamento da Polícia Militar (DPM) do bairro Feu Rosa, na Serra.
 
Elas seguravam os cartazes com dizeres “O pior salário do Brasil” e “Não suportamos tanto descaso” e impediam a saída de policiais militares para o patrulhamento. As familiares fizeram isso porque os policiais militares não podem fazer greve ou protestar.
 
Ao contrário da maioria dos protestos pacíficos, o ato resistiu às horas e as mulheres passaram a noite em frente ao Destacamento.
 
No sábado de manhã (4), a ideia já havia se espalhado através das redes sociais e aplicativos de mensagens. Inspirados pelo movimento das mulheres da Serra, mais familiares já ocupavam a frente de unidades policiais em outros municípios. Eles formavam um bloqueio na porta dos batalhões e impediam a saída dos PMs para o patrulhamento das cidades.
 
As reivindicações eram as mesas do primeiro grupo: reajuste salarial, reposição da inflação, insalubridade, periculosidade, adicional noturno, entre outros benefícios não concedidos aos militares do Espírito Santo.
 
Quem são as mulheres que protestam?

 As manifestantes, que resistem há seis dias à espera de uma proposta do Governo do Estado, são mães, esposas, namoradas, irmãs e amigas de policiais militares. Em sua maioria, mulheres que se propuseram a passar dias e noites nas portas das unidades policiais para defender a melhoria das condições de trabalho dos PMs.

Mulheres tem comida, bebida e carregadores de
celular (Foto: Naiara Arpini/ G1)
 
Elas se revezam para que o movimento não perca a força, discutem as ações e, em alguns momentos, oram pedindo proteção e coragem para continuar.
 
No interior das tendas montadas, têm o suficiente para enfrentarem - se preciso for - os próximos dias: comida, água, carregadores de celular, cadeiras e barracas de camping.
 
Segundo as manifestantes, um supermercado próximo tem cedido alimentos e deixado as mulheres usarem o banheiro.
 
Mesmo sem uma liderança definida, o movimento tem um discurso unificado, evidenciado reclamações de mulheres que partilham dos mesmos problemas e rotinas.
 
Veja algumas das principais reivindicações sob a perspectiva das protagonistas do ato e a resposta do Governo para cada uma delas.
 
‘A PM tem o pior salário da categoria no Brasil e não recebe benefícios’
O piso salarial de um soldado da Polícia Militar é R$ 2.646,12, enquanto a média nacional é de R$ 3.980, segundo a Associação dos Oficiais Militares do Espírito Santo.
 
“Se eles quiserem ganhar um pouco mais, precisam fazer três escalas extras, o que dá mais de 18 horas de serviço, por mês. Há sete anos, eles não recebem um real de reajuste e há quatro estão sem correção inflacionária. Eles não têm vale-transporte, não têm auxílio-alimentação, não tem plano de saúde. A Justiça já determinou o pagamento do tíquete-refeição, e o governo de nega. Se o policial bater com a viatura, ele que tem que pagar. Eles arriscam a vida todos os dias para ganhar um salário que não paga o que eles e nós passamos”.
- Empresária, 31 anos, noiva de policial militar
 
O que o Governo diz?  "A declaração dos policiais militares de que a categoria tem o pior piso estadual é equivocada. Uma tabela baseada em dados da Pnad de 2015 mostra que o piso capixaba é o 10º maior entre os 26 Estados e o Distrito Federal. O subsídio inicial de um soldado da PM é de R$ 2.646 que, com os 15% da remuneração pela escala especial, passa para R$ 3.052.
 
O Executivo estadual já ultrapassou o limite de alerta de despesas com pessoal (44,1% da Receita Corrente Líquida) estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e que, com 45,09%, se aproxima do limite prudencial (46,55%), que já implica vedações como proibições de contratações, criação de cargos e pagamento de horas extras. Um reajuste neste momento seria uma irresponsabilidade e um risco para a economia capixaba.
 
A alocação de recursos para a área de segurança foi uma das poucas que tiveram crescimento nos últimos anos: de 12,6% entre 2014 (R$ 1,8 bilhão) e o ano passado (R$ 2,27 bilhões). No período, a folha de pagamento da Polícia Militar subiu 11,1%, de R$ 1,012 bilhão para R$ 1,125 bilhão".
 
‘A PM do ES não tem plano de saúde e o HPM não tem médicos’
“Os policiais não são como o governador, que vai para o Sírio Libanês. Os policiais vão para posto de saúde, para os hospitais públicos, como todo cidadão comum. Eles ficam à mercê, como qualquer um da população. Nós temos o Hospital da Polícia Militar (HPM), mas não temos médico dentro do HPM, não temos plano de saúde”.

-  Ordilene Martins Campos, esposa de um policial militar da reserva
 
“O que a sociedade está passando agora, é o que nós passamos todos os dias. Essa é a nossa realidade. Todos os dias a gente tem medo de que o nosso noivo, marido, pai, tomem tiro no meio da rua. Eles sabiam da periculosidade da profissão deles? Sim. Porém, é injusto o que eles ganham para isso. É inadmissível uma profissão de risco como a de um policial não ter um plano de saúde. O que qualquer empresa básica oferece ao seu funcionário. Se meu esposo levar um tiro, ele vai ter que ir para um Pronto Atendimento”.
- Autônoma, 27 anos, noiva de policial militar
 
O que o Governo diz? O G1 procurou, mas a Secretaria de Segurança Pública não respondeu até o fechamento da reportagem.
 
‘Materiais de trabalho da PM estão sucateados’
“Muita gente está achando que a gente só está aqui pelo salário, mas é pela segurança. Meu marido não tem colete a prova de balas, tem PM aqui que sequer tem armamento. Eu nunca sei se ele vai voltar [para casa, depois do trabalho]. Por mim, meu marido teria outra profissão”.
- Graciele, assistente administrativo, 29 anos, esposa de policial militar
“A maioria das viaturas está danificada. Algumas estão sem freio, outras com a direção quebrada. Eles dizem que não tem verba para a manutenção”.
- Empresária, 31 anos, noiva de policial militar
 
O que o Governo diz? O G1 procurou, mas a Secretaria de Segurança Pública não respondeu até o fechamento da reportagem.
 
‘Promoções estão atrasadas’
“Meu marido está com a promoção dele atrasada há dois anos. Por dois anos a promoção dele não sai. Mas a dos oficiais sai”.
- Dona de casa, 29 anos, noiva de policial militar
 
O que o Governo diz? O G1 procurou, mas a Secretaria de Segurança Pública não respondeu até o fechamento da reportagem.
 
Sem PMs

 Desde sábado (4), o estado vive uma onda de violência com mortes, saques e assaltos. Nos últimos cinco dias, 90 pessoas foram mortas na Grande Vitória, segundo o Sindicato da Polícia Civil. Nesta quarta-feira, os ônibus não circularam e escolas e postos de saúde seguem fechados.
 
Negociação

 A primeira reunião com apresentação de propostas entre mulheres de policiais militares e governo ocorreu nesta quarta-feira (8), 5º dia de protesto. A conversa ocorreu a portas fechadas e terminou sem acordo.
As representantes do movimento pediram anistia para elas e para os policiais militares, e o reajuste de 48%, que representa as perdas salariais da categoria.
Uma nova reunião  acontece na tarde desta quinta-feira (9), com a contra proposta do governo.
 

Exorcizando Nossos Demônios

Texto Bíblico: Lucas 8.35-37: “Muita gente foi ver o que havia acontecido. Quando chegaram perto de Jesus, viram o homem de quem haviam saído os demônios. E ficaram assustados porque ele estava sentado aos pés de Jesus, vestido e no seu perfeito juízo. Os que haviam visto tudo contaram ao povo como o homem tinha sido curado. Aí toda a gente da região de Gerasa ficou com muito medo e pediu que Jesus saísse da terra deles. Então Jesus subiu no barco e foi embora”.

Reflexão: Você tem um problema de estimação? Um pecadinho que nunca deixou, por que acha que não há nada de mais? Talvez, como os gerasenos, queiramos permanecer com nossos porcos e com nossos endemoniados? É mais fácil, uma vez que já conhecemos e eles não nos incomodam tanto! Diz as Escrituras que Jesus não pode realizar ali os milagres que havia feito em Samaria. Será que também temos impedido o agir do Senhor em nossa vida, preferindo ficar com nossos “porcos e endemoniados”, a sermos libertos pelo poder da graça de Deus? É verdade que alguns dos nossos problemas não têm a característica de ser um deslize de estimação, mas não podemos nos descuidar, porque se não agirmos com coragem e fé, continuaremos a mantê-los quando deveríamos jogá-los fora. Precisamos combater qualquer sinal de acomodação em nossa forma de reflexão ante a nossas atitudes. Não dá para minimizar com a vida, mesmo que seja inconscientemente, tratar como comum, normal e nem nos expor à verdade da Palavra de Deus. O apóstolo Paulo nos exorta a uma transformação do nosso caráter, da nossa forma de pensar e viver. Jesus liberta-nos das prisões da alma, das amarras que o nosso inimigo quer nos aprisionar. Assim como fez com o endemoniado geraseno, Ele quer fazer conosco. Quer-nos por em perfeito juízo, sob a direção do seu Espírito Santo, de forma que a nossa vida possa ser uma clara manifestação da Sua graça. Mesmo que cause temor, medo àqueles que estão ao nosso redor, pois quando Jesus se manifesta, causa esta diferença. O Senhor quer jogar fora as nossas muletas de mágoa, nos libertar dos sepulcros nos quais estamos aprisionados, limpar o ódio que suja a nossa alma e que nos põe doentes, porque não conseguimos nos libertar deles. Jesus entrou em nossa cidade, devemos pedir a Ele que faça conosco e nos liberte, de maneira que os nossos demônios sejam exorcizados, mesmo que tenhamos que mudar o nosso negócio, mas que permitamos que Jesus seja o Senhor de nossa vida.

Oração: Amado Senhor, seja bem vindo ao nosso meio, liberta-nos de nossas prisões de alma e dos demônios que nos impedem de viver plenamente. Ajuda-nos a transformar a nossa mente e o nosso coração, de maneira que sempre sejamos gratos a tua ação em nossa vida. É o que oramos em nome de Jesus. Amém!


“Moisés, porém, respondeu ao povo: Não temais; aquietai-vos e vede o livramento do Senhor que, hoje, vos fará; porque os egípcios, que hoje vedes, nunca mais os tornarei a ver. O Senhor pelejará por vós, e vós vos calarei" (Êxodo 14.13-14)