segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Número de mulheres chefes de família cresce e vai a 40,5%

O número de famílias brasileiras chefiadas por mulheres aumentou até dez pontos percentuais nos últimos dez anos, segundo a Síntese de Indicadores Sociais (SIS) 2016 divulgada pelo IBGE no início deste mês. A pesquisa – que tem a base de dados referentes à 2015 – aponta que 40,5% dos arranjos familiares no Brasil tinham uma pessoa do sexo feminino como responsável no ano passado. Isso ao passo em que, em 2005, 30,6% desses mesmo arranjos eram comandados por mulheres.
 
A publicação do IBGE considera como responsável pelo lar aquela pessoa que é, de uma forma geral, apontada como referência para uma determinada família em qualquer lugar do Brasil. Ou seja, neste sentido, pode ser aquela que arca com todas as despesas de um domicílio ou que contribui com a maior parte da renda. Em outro sentido, pode representar também aquela que, sem ser a provedora financeira máxima, é vista como organizadora e coordenadora da rotina e gastos familiares.

Cláudia Guerra: salários em mesmos postos não são iguais (Foto: Celso Ribeiro)
 
Na avaliação da historiadora e integrante do Núcleo de Estudo de Gênero e Pesquisa sobre a Mulher (Neguem) da UFU, Cláudia Guerra, o aumento exponencial de mulheres na chefia de famílias está relacionado, dentre outras razões, ao crescimento do número de mães solteiras. “Fator que, no entanto, não vem acompanhado por salários iguais entre os sexos para mesmas funções, o que se traduz em maior empobrecimento de mulheres.”
 
A situação da professora Juliana Bianchini exemplifica o argumento da historiadora. A educadora da rede municipal é a principal provedora do lar em que vive com a filha Larissa, de 16 anos, há, pelo menos, cinco anos em Uberlândia. “O pai está morando fora do País e, pelas circunstâncias da vida, assumi a responsabilidade total daqui. Mulher é mais dedicada e, hoje em dia, tem oportunidades (no mercado)”, disse.
 
Estudo aponta diferença salarial
 
O estudo Síntese de Indicadores Sociais (SIS) 2016 divulgado pelo IBGE no início deste mês aponta também que a diferença salarial entre mulheres e homens que ocupam mesmos cargos no País aumentou nos últimos anos. Em 2015, o rendimento das mulheres equivalia a 76% da remuneração dos homens. Algo até cinco pontos percentuais superior ao verificado em 2005.
 
No ano passado, o rendimento médio real do trabalhador brasileiro foi de R$ 2.012 por mês. Já a trabalhadora recebeu R$ 1.522, em média.
 

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