segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Cães e gatos ferais viram ameaça em Curitiba

Problema já acontece em outros países, como a Austrália, e agora começa a preocupar as autoridades em Curitiba.
Quando soltos no meio ambiente, felinos voltam a caçar, como manda seu instinto (foto: Valquir Aureliano)
 
É difícil acreditar que aquele gato ou cachorro, muitas vezes extremamente carinhosos e fieis aos donos, possam representar algum tipo de risco ao ecossistema. Contudo, o rápido crescimento da população e, principalmente, o abandono desses animais, preocupa cada vez mais a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMMA) de Curitiba. Na questão dos gatos — que podem ser considerados domiciliados, semidocimiliados, não domiciliados ou ferais — o maior problema no momento envolve os gatos ferais, que ameaçam a fauna nativa curitibana. 
 
Os gatos ferais, segundo definição aceita mundialmente, são descendentes de gatos domésticos que se perderam de casa e/ou foram abandonados e forçados a aprender a viver nas ruas ou em ambientes com pouco contato humano, como armazéns, fabricas e prédios abandonados, ou seja, voltam quase à origem selvagem.
 
“Apesar de acharmos que cães e gatos são animais de companhia, eles são topo de cadeia alimentar. O gato é um leão pequeno e o cachorro é um lobo pequeno, aquele lobo selvagem mesmo. Eles caçam filhotes de capivara, podem pegar quero-quero e o gato ainda sobe nos ninhos”, explica Alexander Biondo, diretor do Departamento de Pesquisa e Conservação de Fauna, da SMMA.
 
“Se você soltar um coelho, um pintinho ou até alguma cobaia no meio ambiente, isso tem um impacto. E quando você solta um gato, ele mata passarinho. Temos de ter a consciência de que em uma cidade como Curitiba, com tantos parques, temos de priorizar a nossa fauna nativa. E o problema se torna ainda mais sério porque é praticamente invísivel para a maioria da população”, completa.
 
A questão envolvendo gatos em meios urbanos, inclusive, é a mais preocupante, já que os felinos possuem uma sociabilização pós-nascimento mais curta. Enquanto um cachorro, para começar a se desenvolver e/ou crescer como feral, precisa não ter contato com outros cães ou pessoas por quatro meses, no caso dos gatos esse tempo se reduz pela metade.
 
Outra questão é o rápido crescimento populacional desses animais, já que os predadores são poucos e a castração tradicional não tem produzido resultados tão positivos como o esperado, já que é feita aos seis meses de idade, quando os gatos já atingiram a puberdade — eles podem atingir a maturidade sexual aos 3,5 meses de idade — e 20% deles já tiveram ninhadas, sendo a maioria (mais de 53%) indesejadas.
 
“Hoje, no caso dos gatos, fala-se muito na castração pediátrica. É que eles atingem a puberdade antes dos cães. Então o sistema de castração tradicional acaba inviabilizado como controle populacional porque a gata já teve três ou quatro filhotes, e cada um deles ainda vai ter uma ninhada. É uma conta absurda”, afirma Alexander.

Mas o principal causador deste problema não são os gatos, mas a posse irresponsável. O gatos ferais são resultado do descuido dos donos e do abandono.

Atualização
Atualmente, 100% dos gatos são adotados em feiras de adoção em Curitiba e, recentemente, uma parceria foi firmada entre a Prefeitura de Curitiba e o Hospital Veterinário da Faculdade Evangélica para castração de 500 gatos, incluindo a castração pediátrica.
 

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