segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

BH, uma cidade sempre moderna

PUBLICADO EM 12/12/16 - 03h00

O obelisco da Praça Sete de Setembro está localizado no coração de Belo Horizonte

 Desde a sua construção até hoje, quando completa 119 anos, a capital mineira é símbolo de modernidade.  Belo Horizonte foi planejada e construída para ser a cidade mais moderna do país, o oposto da colonial Ouro Preto. Após a Proclamação da República, os republicanos queriam uma capital símbolo da modernidade. “A república foi criada pela elite, que tinha que convencer a população que ela seria benéfica. Ela precisava apagar tudo que lembrasse a monarquia e mudar a capital Ouro Preto, ligada ao ciclo do ouro”, narra a historiadora Neuma Horta. Em quatro anos, o então arraial Curral Del Rei se transformou na capital de Minas Gerais, organizada, com avenidas largas e conjuntos urbanos harmônicos, como em Washington, nos Estados Unidos, e La Plata, na Argentina.
 
O planejamento à época era para 300 mil habitantes, dentro do perímetro da avenida do Contorno. Mas 119 anos depois, comemorados nesta segunda-feira (12), Belo Horizonte já atinge 2,5 milhões de moradores. Enquanto São Paulo e Rio de Janeiro precisaram de 500 anos para terem grandes populações, a capital mineira cresceu rápido e já foi a terceira cidade mais populosa do país. “Graças a Deus, agora somos a sexta, porque esse título não é bom”, comenta a historiadora.
 
Já o predicado de cidade modernista, Belo Horizonte nunca perdeu. Pelo contrário, ao longo do tempo, ela se reinventa. Na década de 40, BH reafirmou seu perfil inovador quando o arquiteto Oscar Niemeyer projetou o Conjunto Moderno da Pampulha, que acaba de ser reconhecido como Patrimônio Cultural da Humanidade. “Recentemente, a empresa Google instalou o escritório na cidade, porque os maiores engenheiros estão aqui. O bairro São Pedro, na região Centro-Sul, é comparado ao Vale do Silício, por ter grandes empresas de tecnologia e desenvolvimento”, destaca Neuma.
 
Ambiente.
 
Tanta modernidade terminou escondendo parte da natureza de BH, que era toda cortada por rios e tomada por árvores. Apesar disso, ela ainda é considerada uma das capitais mais arborizadas. São 70 parques na cidade, sendo o Parque Municipal Américo Renné Gianetti, localizado na área central, o maior deles. Já as águas estão todas cobertas por ruas e avenidas. Quem vê o ribeirão Arrudas sendo canalizado hoje vai se lembrar, um dia, que ali embaixo tem um rio, mas as próximas gerações nem vão imaginar, como acontece com a maioria das águas da cidade. Você sabia que em frente à igreja da Boa Viagem passa um rio?
 
À época das canalizações, entre 1948 e 1973, as prefeituras diziam que estavam limpando a cidade por conta do mau cheiro dos córregos. Resultado: dos 654 km de rios, 165 km estão revestidos. Restaram 96 km em leito natural. Uma propaganda do Diário de Minas, de 1973, sobre o córrego do Acaba Mundo, dizia: “Em nome do progresso a prefeitura eliminou-o da paisagem, abrindo em seu lugar uma ampla avenida pavimentada”.
 
Por outro lado, se, para baixo, já não temos mais rios para olhar, para cima, BH consegue manter a vista do horizonte bela, sem inúmeros blocos de concreto altíssimos. Mesmo carregando a alcunha de progressista, a capital mineira tem legislações restritas de altimetria, uso e ocupação do solo, resistindo a um movimento que ocorre em metrópoles como Recife e São Paulo, cada vez mais consumidas pelos arranha-céus.
 
O Acaiaca, na região do centro, foi o primeiro edifício alto de BH, construído em 1947, no estilo art déco, com 30 andares e 120 m de altura. É, até hoje, o maior prédio da cidade. Na época, ele se tornou diversão para os belo-horizontinos que iam andar de elevador lá, já que foi a primeira máquina do tipo por aqui. “Por ter sido construído durante a Segunda Guerra Mundial, o edifício também é um dos poucos que possuem abrigo aéreo”, conta a historiadora.
 
Preservação.
 
A prefeitura se esforça atualmente para ter conjuntos arquitetônicos inteiramente protegidos, como o da Pampulha. Os conjuntos do Cidade Jardim e do Santa Tereza já estão em processo de tombamento. A Lagoinha e o corredor da Augusto de Lima, no Barro Preto, serão os próximos.

Programe-se:
 
Comemoração. O projeto “Viva BH! 119”, em comemoração ao aniversário da cidade, realizado pela Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte (Belotur) em parceria com a Fundação Municipal de Cultura e secretarias, trará, até o dia 30 de dezembro, exposições nos Centros de Atendimento ao Turista (CATs) e Centros Culturais da cidade.
 
Encontro lúdico. Oficinas e jogos com o tema ‘Belo Horizonte’ estarão disponíveis para os visitantes dos CATs e Centros Culturais, como tabuleiro, quebra-cabeça, memória e dominó, orientados por uma equipe para proporcionar uma sensibilização turística e aprendizado histórico e cultural.
 
Exposições. Poemas e desenhos produzidos por alunos da Rede Municipal de Educação de Belo Horizonte, que participaram dos projetos “Pampulha Poética” e “No Traçado da Pampulha”, em 2016, também estarão expostos nos CATs até o dia 30. Mais informações no site www.vivabh.ml.
 

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