quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Depoimentos denunciam padres por pedofilia e sexo dentro de igreja na PB

Depoimentos trazem denúncias de pedofilia por parte de padres (Foto: Reprodução)
 
Investigação foi transferida do MPT para o MPPB, segundo documentos. Arquidiocese da Paraíba diz que não vai se pronunciar sobre o caso.
 
Em um dos depoimentos, um homem que trabalha na Igreja relatou que viu um padre tendo relações sexuais dentro da própria igreja com menores de idade e que a cena se repetiu várias vezes. Ele relatou que o padre levava coroinhas e outros meninos para os quartos construídos atrás da igreja. Os meninos dormiam com o padre e saíam logo cedo, ainda de acordo com o documento.
 
O homem citou pelo menos quatro meninos que seriam abusados pelo padre, todos menores de cidade. Ele relatou que as vítimas eram agradadas pelo sacerdote com roupas e lanches e que também eram levadas para uma granja no interior do estado.
 
Sobre o mesmo padre, um segundo depoente informou que soube do envolvimento dele com cinco coroinhas. Dois deles teriam confirmado essa relação ao depoente. Ele ressaltou que o padre falava muito bem durante as pregações, inclusive contra a homossexualidade.
 
De acordo com o depoimento, um dos coroinhas procurou o depoente quando tinha 14 ou 15 anos explicando que estava saindo da paróquia porque o sacerdote, na própria casa, havia pedido a ele que passasse óleo nele durante o banho. Durante a conversa, o menino estava chorando e duvidando da própria sexualidade, segundo o depoente. Um outro coroinha disse para ele que teve uma convivência sexual plena com o padre dos 14 aos 21 anos.
 
Ainda conforme o depoimento, antes desse padre, havia meninos e meninas coroinhas. Porém, após chegar, ele resolveu admitir apenas rapazes de 15 a 19 anos.

Denúncia ao arcebispo

 O depoente ainda afirmou que fez a denúncia sobre o padre pessoalmente ao então arcebispo da Paraíba, hoje emérito, dom Aldo Di Cillo Pagotto. "Que o depoente narrou tudo para o arcebispo e este, chorando, afirmou que o depoente deveria entender a situação dele como pastor, mas que tentaria resolver; que foi afirmado que tentaria, inclusive, uma ajuda ou tratamento para o Padre; que o encontro com o arcebispo ocorreu há sete anos e nenhuma providência prática foi tomada; [...] que a única coisa que aconteceu com [o padre] foi ganhar novas paróquias”, diz o depoimento.
 
O advogado de Dom Aldo, Sheyner Asfora, disse ao G1 que o arcebispo emérito não responde a nenhum processo e desconhece tudo que foi colhido até hoje pelo MPT. “Uma investigação que devia estar sob o mais absoluto sigilo e nós somos surpreendidos por esse vazamento, que nem se sabe a origem, se são verdadeiros ou não”, disse.
 
De acordo com Asfora, não está sendo respeitada a presunção de inocência. “Se ele for responder a uma ação penal, que assim o faça e que, durante o processo, teremos direito à ampla defesa, ao contraditório e a um juiz imparcial para avaliar tudo isso que ainda vai ser apurado”, pontuou.
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Outros padres

 Os depoimentos aos quais o G1 teve acesso trazem relatos de pedofilia envolvendo mais quatro padres. Em dois casos, o depoente ressalta que as vítimas, todas menores de idade, eram pobres. Há relatos de meninos sendo levados à casa paroquial ou à própria casa do padre e conquistados com presentes.
 
Mudança na investigação

 O procurador-geral da República em exercício, José Bonifácio de Andrade, decidiu liminarmente transferir as investigações de exploração sexual de crianças e adolescentes por membros da Igreja Católica na Paraíba do MPT para o Ministério Público da Paraíba (MPPB). Segundo ele, as denúncias têm repercussão criminal, que é uma atribuição do Ministério Público estadual, e não indicam que a exploração sexual de menores tiveram fins comerciais.

O MPT-PB confirmou que a investigação foi suspensa temporariamente, mas afirmou que vai tomar as medidas cabíveis para que o poder investigatório do MPT seja restaurado e o procedimento retome o seu curso.
 
“O procedimento [no MPT] ainda se encontra sigiloso, somente tendo acesso às peças os advogados devidamente habilitados nos autos, para o regular exercício do direito de defesa dos seus constituintes”, diz em nota o Ministério Público do Trabalho.
 

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