quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Conheça os cachorros selvagens do Brasil.

           A família dos canídeos brasileiros é formada por seis espécies. Todos vivem escondidos na mata e possuem hábito de caça bem parecido, sendo capazes de atacar animais bem maiores. Nunca foram domesticados pelo homem, embora algumas espécimes tenham sido encontradas vivendo junto com índios.  São eles:
 

LOBO-GUARÁ, Chrysocyon brachyurus: O maior e mais ameaçado, chega a 2 m de comprimento. Tem orelhas largas, patas longas, pelo comprido, vermelho-dourado. Encontrado em todo o Brasil com exceção da Amazônia.
 

CACHORRO-DO-MATO-DE-ORELHA-CURTA, Atelocynus microtis: O menos conhecido, pesa cerca de 10 kg e tem esse nome porque tem orelhas bem pequenas. Habita as florestas tropicas do Brasil, ao sul do Amazonas, do Rio Tocantins ao Mato Grosso.
 
 
CACHORRO-DO-MATO, Cerdocyon thous: O mais conhecido entre eles, é chamado popularmente de lobinho. Chega a 1 m, tem pelo acinzentado e castanho. Encontrado em todo o Brasil com exceção das áreas baixas da bacia Amazônica.
 

RAPOSA-DO-CAMPO, Lycalopex vetulus: Tem 1 m, pelo cinza-amarelado, orelhas e patas avermelhadas. Frequenta os campos  e cerrados do Ceará até São Paulo, Minas Gerais e centro-oeste.
 

GRAXAIM-DO-CAMPO, Pseudalopex gymnocercus: Tem 60 cm, pelo cinza, cauda e orelhas longas, encontrado somente nos campos e capoeiras do Sul do Brasil.


CACHORRO DO MATO VINAGRE, Speothos venaticus: o menor do grupo e que será apresentado a seguir:
 
          O cachorro vinagre ou cachorro do mato vinagre (Speothos venaticus) é o menor canídeo nativo da América do Sul, que habita matas e campos entre o Panamá e o norte da Argentina. São animais semi-aquáticos que conseguem nadar e mergulhar com grande facilidade. O IUCN lista a espécie como vulnerável, devido ao isolamento e esparsa densidade das suas populações e à destruição do seu habitat. Sua distribuição vai desde o Panamá, Colômbia, Venezuela, Guianas, grande parte do Brasil, Equador, Peru, Bolívia Paraguai e Argentina. Atualmente vive em florestas de mata atlântica e campos úmidos de cerrado do Brasil, sendo um excelente nadador prefere regiões alagadas. O cachorro vinagre está seriamente ameaçado de extinção devido, principalmente a derrubada de matas para ocupação de seu território pelo homem.

          O cachorro vinagre é um canídeo de pequeno porte de hábitos diurnos, com cerca de 30 centímetros de altura, 60 de comprimento e 5 a 7 kg de peso. A pelagem marrom avermelhado cobrindo todo o corpo é avermelhada e a cauda relativamente curta é castanha. A cabeça tem um formato quadrado, com orelhas pequenas, e as patas são curtas. Os dedos do cachorro vinagre estão ligados por membranas interdigitais que facilitam a sua natação. Também são ótimos cavadores e com suas unhas abrem galerias no chão, recolhendo-se para dormir em tocas cavadas, buracos de tatus e em ocos de árvores.

          A principal presa destes animais são roedores de grande porte como cutias, pacas e capivaras, por isso seu nome indígena Acutiuara significar dono ou comedor de cutia. Mas também consomem aves, anfíbios e pequenos répteis. Os cachorros vinagre caçam em bandos, sendo os mais sociais dos canídeos do Brasil, podendo reunir-se em matilhas familiares e hierarquizada de 4 a 10 indivíduos. A estrutura social dos grupos é fortemente hierarquizada tal como nos lobos cinzentos e os membros do grupo comunicam entre si através de latidos. 
 
         
 
          O grupo é formado por vários casais monogâmicos e pelas crias do par dominante. Como o cão doméstico, o cachorro-vinagre tem dois períodos de cio por ano, que variam ao longo do ano conforme a região onde vivem. A gestação dura em média 65 dias e resulta em ninhadas de 4 a 6 crias, que nascem em tocas e são alimentadas pelos adultos até aos cinco meses. A maturidade sexual é atingida aos 12 meses e a vida média é de 10 anos.
 
 
Fotos: Parque Ecológico Municipal de Americana
Biólª Silvia Machado
Méd. Vet. Samário Menezes
 
 
 

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