quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Conheça os cachorros selvagens do Brasil.

           A família dos canídeos brasileiros é formada por seis espécies. Todos vivem escondidos na mata e possuem hábito de caça bem parecido, sendo capazes de atacar animais bem maiores. Nunca foram domesticados pelo homem, embora algumas espécimes tenham sido encontradas vivendo junto com índios.  São eles:
 

LOBO-GUARÁ, Chrysocyon brachyurus: O maior e mais ameaçado, chega a 2 m de comprimento. Tem orelhas largas, patas longas, pelo comprido, vermelho-dourado. Encontrado em todo o Brasil com exceção da Amazônia.
 

CACHORRO-DO-MATO-DE-ORELHA-CURTA, Atelocynus microtis: O menos conhecido, pesa cerca de 10 kg e tem esse nome porque tem orelhas bem pequenas. Habita as florestas tropicas do Brasil, ao sul do Amazonas, do Rio Tocantins ao Mato Grosso.
 
 
CACHORRO-DO-MATO, Cerdocyon thous: O mais conhecido entre eles, é chamado popularmente de lobinho. Chega a 1 m, tem pelo acinzentado e castanho. Encontrado em todo o Brasil com exceção das áreas baixas da bacia Amazônica.
 

RAPOSA-DO-CAMPO, Lycalopex vetulus: Tem 1 m, pelo cinza-amarelado, orelhas e patas avermelhadas. Frequenta os campos  e cerrados do Ceará até São Paulo, Minas Gerais e centro-oeste.
 

GRAXAIM-DO-CAMPO, Pseudalopex gymnocercus: Tem 60 cm, pelo cinza, cauda e orelhas longas, encontrado somente nos campos e capoeiras do Sul do Brasil.


CACHORRO DO MATO VINAGRE, Speothos venaticus: o menor do grupo e que será apresentado a seguir:
 
          O cachorro vinagre ou cachorro do mato vinagre (Speothos venaticus) é o menor canídeo nativo da América do Sul, que habita matas e campos entre o Panamá e o norte da Argentina. São animais semi-aquáticos que conseguem nadar e mergulhar com grande facilidade. O IUCN lista a espécie como vulnerável, devido ao isolamento e esparsa densidade das suas populações e à destruição do seu habitat. Sua distribuição vai desde o Panamá, Colômbia, Venezuela, Guianas, grande parte do Brasil, Equador, Peru, Bolívia Paraguai e Argentina. Atualmente vive em florestas de mata atlântica e campos úmidos de cerrado do Brasil, sendo um excelente nadador prefere regiões alagadas. O cachorro vinagre está seriamente ameaçado de extinção devido, principalmente a derrubada de matas para ocupação de seu território pelo homem.

          O cachorro vinagre é um canídeo de pequeno porte de hábitos diurnos, com cerca de 30 centímetros de altura, 60 de comprimento e 5 a 7 kg de peso. A pelagem marrom avermelhado cobrindo todo o corpo é avermelhada e a cauda relativamente curta é castanha. A cabeça tem um formato quadrado, com orelhas pequenas, e as patas são curtas. Os dedos do cachorro vinagre estão ligados por membranas interdigitais que facilitam a sua natação. Também são ótimos cavadores e com suas unhas abrem galerias no chão, recolhendo-se para dormir em tocas cavadas, buracos de tatus e em ocos de árvores.

          A principal presa destes animais são roedores de grande porte como cutias, pacas e capivaras, por isso seu nome indígena Acutiuara significar dono ou comedor de cutia. Mas também consomem aves, anfíbios e pequenos répteis. Os cachorros vinagre caçam em bandos, sendo os mais sociais dos canídeos do Brasil, podendo reunir-se em matilhas familiares e hierarquizada de 4 a 10 indivíduos. A estrutura social dos grupos é fortemente hierarquizada tal como nos lobos cinzentos e os membros do grupo comunicam entre si através de latidos. 
 
         
 
          O grupo é formado por vários casais monogâmicos e pelas crias do par dominante. Como o cão doméstico, o cachorro-vinagre tem dois períodos de cio por ano, que variam ao longo do ano conforme a região onde vivem. A gestação dura em média 65 dias e resulta em ninhadas de 4 a 6 crias, que nascem em tocas e são alimentadas pelos adultos até aos cinco meses. A maturidade sexual é atingida aos 12 meses e a vida média é de 10 anos.
 
 
Fotos: Parque Ecológico Municipal de Americana
Biólª Silvia Machado
Méd. Vet. Samário Menezes
 
 
 

Depoimentos denunciam padres por pedofilia e sexo dentro de igreja na PB

Depoimentos trazem denúncias de pedofilia por parte de padres (Foto: Reprodução)
 
Investigação foi transferida do MPT para o MPPB, segundo documentos. Arquidiocese da Paraíba diz que não vai se pronunciar sobre o caso.
 
Em um dos depoimentos, um homem que trabalha na Igreja relatou que viu um padre tendo relações sexuais dentro da própria igreja com menores de idade e que a cena se repetiu várias vezes. Ele relatou que o padre levava coroinhas e outros meninos para os quartos construídos atrás da igreja. Os meninos dormiam com o padre e saíam logo cedo, ainda de acordo com o documento.
 
O homem citou pelo menos quatro meninos que seriam abusados pelo padre, todos menores de cidade. Ele relatou que as vítimas eram agradadas pelo sacerdote com roupas e lanches e que também eram levadas para uma granja no interior do estado.
 
Sobre o mesmo padre, um segundo depoente informou que soube do envolvimento dele com cinco coroinhas. Dois deles teriam confirmado essa relação ao depoente. Ele ressaltou que o padre falava muito bem durante as pregações, inclusive contra a homossexualidade.
 
De acordo com o depoimento, um dos coroinhas procurou o depoente quando tinha 14 ou 15 anos explicando que estava saindo da paróquia porque o sacerdote, na própria casa, havia pedido a ele que passasse óleo nele durante o banho. Durante a conversa, o menino estava chorando e duvidando da própria sexualidade, segundo o depoente. Um outro coroinha disse para ele que teve uma convivência sexual plena com o padre dos 14 aos 21 anos.
 
Ainda conforme o depoimento, antes desse padre, havia meninos e meninas coroinhas. Porém, após chegar, ele resolveu admitir apenas rapazes de 15 a 19 anos.

Denúncia ao arcebispo

 O depoente ainda afirmou que fez a denúncia sobre o padre pessoalmente ao então arcebispo da Paraíba, hoje emérito, dom Aldo Di Cillo Pagotto. "Que o depoente narrou tudo para o arcebispo e este, chorando, afirmou que o depoente deveria entender a situação dele como pastor, mas que tentaria resolver; que foi afirmado que tentaria, inclusive, uma ajuda ou tratamento para o Padre; que o encontro com o arcebispo ocorreu há sete anos e nenhuma providência prática foi tomada; [...] que a única coisa que aconteceu com [o padre] foi ganhar novas paróquias”, diz o depoimento.
 
O advogado de Dom Aldo, Sheyner Asfora, disse ao G1 que o arcebispo emérito não responde a nenhum processo e desconhece tudo que foi colhido até hoje pelo MPT. “Uma investigação que devia estar sob o mais absoluto sigilo e nós somos surpreendidos por esse vazamento, que nem se sabe a origem, se são verdadeiros ou não”, disse.
 
De acordo com Asfora, não está sendo respeitada a presunção de inocência. “Se ele for responder a uma ação penal, que assim o faça e que, durante o processo, teremos direito à ampla defesa, ao contraditório e a um juiz imparcial para avaliar tudo isso que ainda vai ser apurado”, pontuou.
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Outros padres

 Os depoimentos aos quais o G1 teve acesso trazem relatos de pedofilia envolvendo mais quatro padres. Em dois casos, o depoente ressalta que as vítimas, todas menores de idade, eram pobres. Há relatos de meninos sendo levados à casa paroquial ou à própria casa do padre e conquistados com presentes.
 
Mudança na investigação

 O procurador-geral da República em exercício, José Bonifácio de Andrade, decidiu liminarmente transferir as investigações de exploração sexual de crianças e adolescentes por membros da Igreja Católica na Paraíba do MPT para o Ministério Público da Paraíba (MPPB). Segundo ele, as denúncias têm repercussão criminal, que é uma atribuição do Ministério Público estadual, e não indicam que a exploração sexual de menores tiveram fins comerciais.

O MPT-PB confirmou que a investigação foi suspensa temporariamente, mas afirmou que vai tomar as medidas cabíveis para que o poder investigatório do MPT seja restaurado e o procedimento retome o seu curso.
 
“O procedimento [no MPT] ainda se encontra sigiloso, somente tendo acesso às peças os advogados devidamente habilitados nos autos, para o regular exercício do direito de defesa dos seus constituintes”, diz em nota o Ministério Público do Trabalho.
 

Janot autoriza MPT a investigar casos de pedofilia na Igreja Católica da PB

Investigação havia sido transferida para o Ministério Público Estadual. Eduardo Varandas garante que vai dar continuidade às investigações.
 
 
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, autorizou que a Procuradoria do Trabalho prosseguisse a investigação dos casos de pedofilia envolvendo a Arquidiocese da Paraíba. A informação é do Ministério Público do Trabalho (MPT). Com essa decisão, o procurador do Trabalho, Eduardo Varandas, informou que vai dar continuidade às investigações.
 
O chefe do Ministério Público da União (MPU) entendeu que não havia conflito de atribuições entre o MPT e o Ministério Público Estadual, haja vista que este apura o aspecto criminal da pedofilia. Já o MPT, averigua a exploração sexual de meninos para fins comerciais como uma forma de trabalho infanto-juvenil.
 
“Vamos prosseguir as investigações com imparcialidade, tranquilidade e eficiência, agora contando com a valorosa parceria da Promotoria”, concluiu o procurador Eduardo Varandas, que preside o inquérito civil. As investigações seguem em segredo de justiça.

As investigações tinham sido transferidas por decisão do procurador-geral da República em exercício, José Bonifácio de Andrade. Segundo ele, as denúncias têm repercussão criminal, que é uma atribuição do Ministério Público Estadual, e não indicam que a exploração sexual de menores tiveram fins comerciais.
 

Gatos do Brasil

 Conheça as 8 espécies de felinos neotropicais.

 
          As espécies de felinos silvestres chegam ao nº de 40 e são encontrados em várias regiões. Podendo ser encontrados nas florestas, regiões altas, frias e até nas áreas desérticas.
 
O comportamento social dos felinos silvestres é variado, a grande maioria das espécies é solitária, outras que vivem em grupo. O sistema de caça pode variar entre ativos caçadores, perseguindo a presa até captura-la, e caçadores de espreita que preferem esperar pacientemente a aproximação da presa. Algumas espécies utilizam dos dois sistema de caça, escolhendo aquele que melhor ao momento.
 
         No Brasil os felinos são de hábitos solitários e predominantemente noturnos que, associado ao comprometimento da população em vida livre devido a perda do habitat natural, faz com que as 8 espécies existentes sejam poucas conhecidas por nós. As espécies de felinos do Brasil podem ser divididas no grupo Maracajá, Puma e Pantera.
 
Os Gatos do Brasil
 
         As oito espécies de felinos do Brasil estão na categoria Vulnerável no status de ameaça de extinção. A grande maioria apresenta um padrão de manchas que formam as rosetas sobre uma coloração amarelo claro ao castanho amarelado. Bem como a grande maioria apresenta um comportamento predominantemente noturno e hábito solitário.
 
-  Jaguatirica - Leopardus pardalis: encontrado em todo o Brasil com exceção do sul do Rio Grande do Sul, vive no cerrado, caatinga, pantanal e principalmente nas florestas. Necessita de até 38 km² de área para viver. Considerado de porte médio, pode chegar até 1m.
 

Jaguatirica
 
 - Gato MaracajáLeopardus wiedii: encontrado nas florestas de todo o Brasil, inclusive nas matas do cerrado. Adaptado à vida arbórea, locomovendo-se facilmente nas árvores. Necessita de uma área de até 15,9km² para viver. Diferente da jaguatirica por possuir tamanho menor (até 60 cm), olhos grandes, focinho saliente, patas grandes e cauda bastante comprida.
 

Gato Maracajá
 
 - Gato do Mato Pequeno Leopardus tigrinus: é a menor espécie de felino do Brasil, de porte semelhante ao gato doméstico, podendo chegar até 50 cm de comprimento. É encontrado em todo o Brasil até o norte do Rio Grande do Sul na áreas de florestas, cerrado, caatinga e em proximidades as áreas agrícolas próximas as matas. Pode ter comportamento diurno em algumas áreas; para viver precisa de área de até 17,4 km².
 

Gato do Mato Pequeno
 
- Gato do Mato GrandeLeopardus geoffroy:  também de tamanho pequeno, podendo chegar a 65 cm. Difere das outras espécies por apresentar um padrão de manchas diferente, que não formam rosetas. Só é encontrado no sul do Rio Grande do Sul, necessitando de uma área de até 12,4 km² para viver.
 

Gato do Mato Grande
 
 - Gato PalheiroLeopardus colocolo: espécie com aparência semelhante ao gato doméstico, com pelo mais longo, cara mais larga, orelhas mais pontiagudas e cauda curta em relação aos outros felinos silvestres. Pode atingir até 60 cm de comprimento. Possuem coloração entre cinza amarelado ao marrom  avermelhado, com listras escuras e largas nas patas. Essas listras variam de duas a três nas patas dianteiras  e de três a cinco nas patas traseiras, sendo a principal característica da espécie. Sua distribuição no Brasil ainda é incerta, mas já foi encontrado no Rio Grande do Sul, partes do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, Piauí e Bahia, normalmente em áreas abertas como pampas, cerrado, pantanal e banhados.
 

Gato Palheiro
  
 - Gato MouriscoPuma yagouaroundi: de porte pequeno-médio pode chegar até 70 cm de comprimento, com cabeça pequena e alongada, orelhas pequenas e pernas curtas em relação ao corpo. Possui coloração uniforme amarronzada-negra, acinzentada ou vermelho-amarelada. É encontrado em todo o Brasil, com exceção do sul do Rio Grande do Sul, vivendo em florestas, cerrado, caatinga, pantanal, vegetação secundária, etc. Com área de vida bastante variada e de atividade predominantemente diurna.
 
   
Gato Mourisco       
        
                                                                   Gato Mourisco
 
 - SuçuaranaPuma concolor:  é a segunda maior espécie de felino do Brasil, podendo atingir 155 cm de comprimento e até 70 kg. De coloração uniforme marrom cinzentado e marrom avermelhado. Encontrado em todo o Brasil, habitando os mais variados ambientes, precisando de uma área de até 155 km².
 

Suçuarana
 
 - Onça PintadaPanthera onca: é o maior felino do continente americano. Com corpo robusto, compacto e musculoso podendo atingir até 170 cm de comprimento. Originariamente encontrada em todo o Brasil, hoje está restrita a região norte, parte do Pantanal e algumas regiões isoladas do sudeste e sul. Habitando áreas de vegetação densa, com suprimento de água abundante.
 

Onça Pintada
 
            As espécies Gato do Mato Pequeno, Gato do Mato Grande, Gato Mourisco e Onça Pintada podem apresentar indivíduos melânicos, ou seja, de pelagem preta:
 
 
   
 
Fotos: http://www.biolib.cz
Para saber mais acesse na Ecoloja o Guia de Campo dos Felinos do Brasil
 

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Despedida do Card. Dom Paulo Evaristo Arns,amigo dos pobres e meu amigo e mestre

 
Perdi um mestre, um mecenas, um protetor e um amigo entranhável. Coisas importantes vão ser ditas e escritas sobre o Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, falecido hoje, dia 14 de dezembro. Não direi nada. Apenas dou meu testemunho.
 
Conheci-o no final dos anos 50 do século passado em Agudos-SP quando ainda era seminarista. Voltou de Paris com fama de ser doutor pela Sorbone. No seminário com cerca de 300 estudantes introduziu metodologias pedagógicas novas. Fez-nos conhecer a literature grega e latina, linguas que dominava como dominamos o verenáculo. Fez-nos ler as tragédias de Sófocles e de Eurípedes em grego. Sabíamos tanto grego que até representamos a Antígona em grego. E todos entendiam.
 
Depois vim a conhecê-lo em Petrópolis como professor dos Padres da Igreja e da história cristã dos dois primeiros séculos. Obrigava-nos a ler os clássicos em suas linguas originais, São Jerônimo, seu preferido, em latim e São João Crisóstomo, em grego.

 Quando o visitei há dois anos no convento de religiosas na periferia de São Paulo o encontrei lendo sermões em grego de São João Crisóstomo.
 
Foi nosso Mestre de estudantes durante todo o tempo da teologia em Petrópolis de 1961-1965. Acompanha com zelo cada um em suas buscas, com um olhar profundo que parecia ir ao fundo da alma. Era alguém que sempre procurou a perfeição. Até entre nós estudantes disputávamos para ver quem encontrava algum defeito em sua vida e atividade. Cantava maravilhosamente o canto gregoriano no estilo de Solemnes, mais suave do que o duro de Beuron que predominava até a chegada dele.
 
Durante quatro anos o acompanhei na pastoral da periferia. Nas quintas-feiras à tarde, no sábado à tarde e no domingo todo, acompanhei-o na capela do bairro Itamarati em Petrópolis. Visitava casa por casa, especialmente as famílias portuguesas que cultivavam flores e horticutura. Onde chegava logo fundava uma escola. Estimulava os poetas e escritores locais. Depois da missa das 10.00 os reunia na sacristia para ouvir os poemas e os contos que haviam produzido durante a semana. Estimulava intelectualmente a todos a lerem, escreverem e a narrarem para os outros as histórias que liam.
 
Era um intelectual refinado, conhecedor profundo da literatura francesa. Escreveu 49 livros. Instigava-nos a seguir o exemplo de Paul Claudel que costumava cada dia a escrever pelo menos uma página. Eu segui seu conselho e hoje já passei dos cem livros.

 O que sempre me impressinou nele foi seu amor e seu afeto franciscano pelos pobres. Feito bispo auxiliar de São Paulo ocupou-se logo com as periferias, fomentando as comunidades eclesiais de base e empenhando pessoalmente Paulo Freire. Como era tempo da ditadura, especialmente férrea em São Paulo, logo assumiu a causa dos refugiados vindo do horror das ditaduras da Argentina, do Uruguai e do Chile. Sua missão especial foi visitar as prisões, ver as chagas das torturas, denunciá-las com coragem e defender os direitos humanos violados barbaramente. Correu riscos de vida com ameaças e atentados. Mas como franciscano, sempre mantinha a serenidade como quem está na palma da mão de Deus e não nas garras dos policiais da repressão.
 
Talvez seu feito maior foi O Projeto Brasil: Nunca Mais desenvolvido por ele, pelo Rabino Henry Sobel e pelo Pastor presbiteriano Jaime Wright com toda uma equipe de pesquisadores. Foram sistematizadas informações de mais de 1.000.000 de páginas contidas em 707 processos do Superior Tribunal Militar. O livro publicado pela Editora Vozes “Brasil Nunca Mais” teve papel fundamental na identificação e denúncia dos torturadores do regime militar e acelerou a queda da ditadura.
 
Eu pessoalmente sou-lhe profundamente grato por me ter acompanhado no processo doutrinário movido contra mim pelo ex-Santo Ofício em 1982 em Roma sob a presdência do então Card. Joseph Ratzinger. No diálogo que se seguiu ao meu interrogatório entre o Card. Ratzinger, o Card. Lorscheider, o Card. Arns com a minha participação, ele corajosamente deixou claro ao Card. Ratzinger:”esse documento que o Sr. publicou há uma semana sobre a Teologia da Libertação não corresponde aos fatos que nós bem conhecemos; essa teologia é boa para os fiéis e para as comunidades; o Sr. assumiu a versão dos inimigos desta teologia que são os militares latino-americanos e os grupos conservadores do episcopado, insatisfeitos com as mudanças na pastoral e nos modos de viver a fé que este tipo de teologia implica” E continuous: “cobro do Sr. um novo documento, este positivo, que valide esta forma de fazer teologia a partir do sofrimento dos pobres e em função de sua libertação”. E assim ocorreu, três anos após.
 
Tudo isso já passou. Fica a memória de um cardeal que sempre esteve do lado dos pobres e que jamais deixou que o grito do oprimido por seus direitos violados ficasse sem ser ouvido. Ele é uma referência perene do bom pastor que dá sua vida pelos pequenos e sofredores deste mundo.
 
Leonardo Boff é teólogo e foi aluno do Card. Dom Paulo Evaristo Arns.
 

Embaixador russo morre após ser baleado em atentado na Turquia;

"Não esqueçam de Alepo, não esqueçam da Síria", gritou o atirador, que foi morto pela polícia de Ancara; autor dos disparos agia como segurança.
 Reprodução/Twitter
Atirador disparou contra o embaixador durante o discurso de abertura de uma exposição
 
O embaixador russo em Ancara, Andrei Kharlov, morreu a caminho do hospital, nesta segunda-feira (19), após ter sido baleado, durante o discurso de abertura de uma exposição de arte no Contemporary Arts Center, no centro da capital da Turquia.
 
Os disparos foram feitos em uma sala que tinha acesso restrito de público por um homem que entrou na sala aparentemente disfarçado de segurança e com documentação de policial. Em fotos tiradas durante o evento. homem aparece atrás do embaixador russo. No final do discurso, o atirador disparou por trás da autoridade russa, que caiu imediatamente no chão.
 
Após os disparos, o atirador gritou palavras de ódio contra a intervenção da Rússia na Síria. "Não esqueçam de Aleppo, não esqueçam da Síria", disse o jovem, que aparenta ter cerca de 30 anos. Há informações de que ele tenha dito também "nós morremos em Alepo, você morre aqui".
 
Em um vídeo da emissora NOS, que gravava o discurso do embaixador, é possível ouvir quando o atirador grita a frase "Allah Akbar" (Deus é Grande), usada comumente por terroristas do Estado Islâmico antes de realizar grandes atentados. 
 
Depois do ataque, a polícia de Ancara reagiu, atirando contra o criminoso, que foi morto. De acordo com os portais do país, o tiroteio entre o atirador e os policiais durou mais de 25 minutos.
 
Mais tarde, o homem que matou Andrei Karlov, foi identificado como um policial chamado Mert Altintas. Altintas, de 22 anos, fazia parte do departamento especial de Polícia de Ancara e tinha entrado na corporação em 2014. 
 
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, definiu como um "ato terrorista" o assassinato do embaixador russo Andrei Karlov em um evento de arte em Ancara, na Turquia.
 
"Hoje é um dia trágico para a diplomacia russa. Hoje, em Ancara, em um evento público, o embaixador russo foi fatalmente ferido", disse a porta-voz. Zakharova ainda informou que o caso será levado, na próxima segunda-feira (26), ao Conselho de Segurança das Nações Unidas. O ataque também deixou pelo menos outros três feridos.
 

Reação da Rússia e alerta para nova crise

 
Segundo a agência de notícias russa Sputnik, a Embaixada da Rússia na Turquia ainda não emitiu nenhuma nota oficial sobre o caso. O ataque, no entanto, ocorre a alguns dias da visita do ministro das Relações Exteriores, Mevlut Cavusoglu, ir a Rússia.
 
O incidente pode voltar a gerar uma crise diplomática entre turcos e russos. No ano passado, o abatimento de um caça russo, que estava realizando ataques aéreos na Síria, fez com que os dois países emitissem uma série de restrições para seus cidadãos viajarem para ambos os países.
 
No entanto, após diversas tentativas, o presidente russo Vladimir Putin e seu homólogo turco Recep Tayyip Erdogan fizeram as pazes e a situação voltou a normalizar.
 
Por sua localização, a Turquia é peça fundamental na questão do conflito sírio. Na fronteira com o país de Bashar al-Assad, os turcos são fundamentais tanto para os russos como para a União Europeia.
 
Para os primeiros, apesar da rivalidade histórica, o presidente russo tenta obter alguma ajuda de Erdogan a Bashar al-Assad. Por sua vez, os europeus fecharam um acordo com Ancara na questão da crise migratória. Atualmente, 3,5 milhões de sírios moram em território turco e a UE se comprometeu a ajudar. Além de tudo isso, há ainda a questão dos separatistas curdos, que promovem uma série de atentados no país e são frequentes alvos de bombardeios de Erdogan.
 
* Com informações da Agência Ansa.
 

Cães abandonados viram predadores na Floresta da Tijuca

Vira-lata capturada no Jardim Botânico agora foi colocada para adoção - Hermes de Paula
RIO - Animais negligenciados invadem áreas de conservação do país e causam desequilíbrio. Na Floresta da Tijuca, a onça há mais de século desapareceu. Lobo nunca existiu. Mas um predador cada vez mais numeroso extermina a já ameaçada fauna dali. Da paca ao tatu, cutia sim, nenhum animal silvestre escapa dos cães que vagam pela floresta e caçam em matilhas. O problema é tão grave que há um estudo em curso no Parque Nacional da Tijuca (PNT). E não é apenas lá. Biólogos alertam que o cão doméstico se tornou o principal predador da vida silvestre no Brasil.

Os cães, nem todos sem dono, invadem unidades de conservação e matam animais muito maiores do que eles, como antas e veados, adverte a bióloga Isadora Lessa. A tese de doutorado de Isadora na Universidade de Brasília (UnB) investiga o impacto dos cães no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (Goiás), no Cerrado.

Na semana passada, por exemplo, dois cachorros mataram uma anta. O cão é um predador extremamente eficiente e, de longe, o mais abundante no Brasil. As pessoas temem as onças. Deveriam temer os cães. No Parque Nacional de Brasília há matilhas com até 20 animais, vários deles voltaram a um estado selvagem — adverte ela, uma das autoras de um estudo recém-publicado sobre os danos causados por cães domésticos em áreas protegidas em todo o país.

FERAIS, ERRANTES, PERIGOSOS

Autor de um dos primeiros estudos sobre cães domésticos em florestas, Mauro Galetti, professor do Departamento de Ecologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Rio Claro, é categórico sobre os riscos:

— O cão doméstico é o predador dominante nas áreas silvestres do Brasil. Ele não só mata diretamente quanto transmite doenças. Na reserva de Santa Genebra, no estado de São Paulo, os cães extinguiram os veados. A situação está fora de controle e não há solução à vista. Precisam ser capturados — salienta Galetti.

A transformação do cão doméstico em selvagem é obra daquele que se autoproclamou o seu melhor amigo, o ser humano. Matilhas de cães domésticos caçadores são um fenômeno que ocorre em outras partes do mundo, e mais um sinal de desequilíbrio do Antropoceno, a era dos homens.

Segundo cientistas, a maioria dos cães domésticos que caçam em florestas tem donos. Mas estes os criam soltos. Passam dias a perambular fora de casa e ninguém se importa se comem, se estão doentes ou por onde andam. Quase nunca são castrados e se reproduzem livremente. Alguns são animais abandonados pelos mais variados motivos, verdadeiros cães sem dono. Alguns voltam a um estado que a ciência chama de feral. Isolados dos humanos, se reproduzem na floresta e adotam um comportamento totalmente selvagem. A maioria, porém, é o que os pesquisadores chamam de semisselvagem. Eles não temem o homem e, por isso mesmo, são os mais agressivos. Podem ir para a casa de um dono buscar abrigo e usar a floresta como área de caça. Cães são ótimos caçadores. É só lembrar que o lobo e ele são a mesma espécie: Canis lupus e Canis lupus familiaris, respectivamente. Além disso, como o homem, se adaptam a qualquer ambiente e são resistentes.

— O problema é gravíssimo e ignorado. O cão é um hiperpredador porque tem uma população muito maior do que aquela que o meio ambiente pode suportar. Ele mata não apenas para se alimentar, mas por instinto. Mata e não come. Na Ilha Grande vimos um cão de coleira matar um tatu e não comer. A natureza não suporta uma pressão desse tipo. A culpa, claro, não é dos cachorros, mas de seus donos — afirma a professora do Departamento de Ecologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) Helena Bergallo, uma das orientadoras da tese de Isadora e coordenadora do Projeto de Pesquisa em Biodiversidade da Mata Atlântica.

No estudo que ela e Isadora fizeram com outros cientistas, viram que há registro de predação por cães em 31 parques nacionais de Norte a Sul do Brasil. E a Floresta da Tijuca se tornou um microcosmo do que acontece no país. Mesmo nas trilhas mais ermas e de acesso mais difícil há cães caçando. Alguns têm sido flagrados pelo trabalho pioneiro da coordenadora de pesquisa do PNT, Katyucha Von Kossel de Andrade Silva, cuja tese de mestrado investiga o impacto dos cães nos animais do parque. Ela espalhou dezenas de armadilhas fotográficas pelo Setor Floresta. E não para de flagrar cães.

— Alguns são ferais. Mas a maioria é errante, tem dono. Eles formam matilhas e são uma tragédia para os mamíferos silvestres, principalmente pacas, tatus, cotias, mas pegam até macacos. E afugentam os cachorros do mato, que são tímidos e de outra espécie. Vimos cães mesmo em lugares quase inalcançáveis da mata. Só não pudemos colocar armadilhas em zonas mais próximas à Grajaú-Jacarepaguá, mas ali o risco eram bandidos, outro tipo de perigo — explica ela.

Katyucha reclama que moradores do Alto da Boa Vista e do Horto deixam seus cachorros soltos. Lamenta também os animais abandonados.

— O cachorro adoece, fica velho ou simplesmente enche a paciência do dono e este o abandona. É uma covardia e um crime. Há gente cruel que deixa os cães à própria sorte. Já vimos uma matilha que era formada por um vira-lata pequeno, um médio e um grande cego e velho — conta.

DOENÇAS PARA HOMENS E ANIMAIS

O abandono foi o destino da vira-latinha de cerca de 2 anos capturada semana passada perto de um lago do Jardim Botânico do Rio de Janeiro.


— Soa surreal, mas a predação por cães é a principal causa de morte dos mamíferos silvestres do Jardim Botânico. Eles chegam pelas trilhas ou são abandonados no Horto e acabam aqui. Já enfrentamos problemas com matilhas, uma delas liderada por um poodle. Aqui são uma ameaça. Já mataram tapitis (coelhos silvestres), esquilos, tatus, pacas. Esta foi capturada antes de causar mais estragos. É mansa com pessoas, mas não com animais. O abandono de cães é um ato profundamente cruel e irresponsável — lamenta a coordenadora do Projeto de Conservação da Fauna do Jardim, Gabriela Heliodoro, cujo mestrado investiga as doenças transmitidas pelos cães domésticos à fauna da Mata Atlântica.

Segundo ela, os cães ferais e semisselvagens se tornam transmissores de raiva, cinomose, leishmaniose, parvovirose, toxoplasmose entre outras doenças.

— Como não são vacinados, eles se tornam um reservatório de raiva — alerta ela.
http://oglobo.globo.com/sociedade/sustentabilidade/caes-abandonados-viram-predadores-na-floresta-da-tijuca-19583787

Ataques de cães a humanos são frequentes em trilhas do Rio

RIO - Pesquisadores e visitantes relatam problemas com matilhas em florestas urbanas. Os bichos do mato viram refeição. Mas o antigo melhor amigo, o homem, não está a salvo de ataques de cães ferais ou semisselvagens. Isadora Lessa relata que no Parque Nacional de Brasília matilhas com mais de 15 cães atacam, por vezes, visitantes. Na Floresta da Tijuca não há grupos tão grandes, mas sobram histórias de ataques.

Armadilhas noturnas na Floresta da Tijuca captura flagrantes de animais na mata, como este cão - Divulgação
O professor de educação física e corredor de montanha Chico Santos, que treina e dá aulas nas estradas e trilhas da floresta, já precisou quebrar a lanterna em um cachorro que o atacou numa trilha perto do Solar da Imperatriz. O cão grande e semelhante a uma mistura de pitibull com labrador caça ali e persegue quem se aproxima de seu território. Santos, como outros frequentadores da floresta, acreditam que ele é dos moradores de uma casa na vizinhança.

‑ Até na estrada já vi problemas. Uma amiga foi mordida ao descer da Vista Chinesa. Aquele é um dos cães que vemos sempre rondando por ali ‑ diz.

Outro frequentador assíduo da floresta e profundo conhecedor de seus caminho, Jeremias Freitas, o coordenador de sinalização e manejo da Trilha Transcarioca é outro que sempre se depara com cães. Gabriela Heliodoro, do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, observa que alguns cães podem se tornar muito agressivos e atacar quem cruza o seu caminho.

‑ Alguns são desconfiados e não se aproximam. Mas há alguns que realmente partem para cima. É mais uma irresponsabilidade de donos negligentes ou que os abandonam ‑ salienta.

Santos e Freitas já viram muitos cães abandonados. Principalmente nas imediações da Vista Chinesa e da Mesa do Imperador.

‑ É uma tremenda covardia. Os cachorros ficam por lá sem ter para onde ir. Eles podem caçar, mas também são vulneráveis a cobras. Já encontramos até um buldog francês na Vista Chinesa. Esse teve sorte e um amigo o adotou. Mas a maioria fica por lá ‑ conta Santos.

Freitas e Gabriela destacam ainda o problema das pessoas que violam a proibição de levar animais domésticos para o Parque Nacional da Tijuca e levam seus cães para passear nas trilhas, principalmente as que levam a cachoeiras, como a da Gruta.

‑ Alguns são arrogantes e acham que não fazem nada de errado. Não só desrespeitam a lei e colocam os animais silvestres em risco quanto ainda expõe seus cães de estimação ao perigo. Eles são alvos fáceis para cobras, por exemplo. Já vi um cachorro despencar da Cachoeira da Gruta e o dono nem ligou. É bem o tipo de gente irresponsável que leva cães para a floresta ‑ destaca Freitas.

http://oglobo.globo.com/sociedade/sustentabilidade/ataques-de-caes-humanos-sao-frequentes-em-trilhas-do-rio-19583367

AS COMUNIDADES INDÍGENAS EM MINAS GERAIS

Por Ana Paula Ferreira de Lima*

No Estado de Minas Gerais há atualmente doze etnias indígenas espalhadas em dezessete territórios diferentes.
As etnias são: Maxakali,, Xakriabá, Krenak, Aranã, Mukuriñ, Pataxó, Pataxó hã-hã-hãe, Catu-Awá-Arachás, Caxixó, Puris, Xukuru-Kariri e Pankararu.

As doze etnias que vivem atualmente no Estado de Minas Gerais são pertencentes ao tronco lingüístico Macro-Jê e contam aproximadamente com onze mil indivíduos.
 
O povo indígena conhecido hoje como Krenak, habitante da margem esquerda do Rio Doce, município de Resplendor, na região Leste de Minas Gerais, formou-se ao longo de um processo histórico marcado pelo caráter violento da expansão econômica sobre aquela região, originalmente de densa mata atlântica, onde diversos grupos de 'Botocudos' - resistindo à colonização em outras zonas já 'conquistadas' pelos brancos - se abrigaram até meados do Século XIX.
 
 
Os Botocudos - nome com o qual os portugueses pejorativamente os designavam, em referência aos adornos usados nas orelhas e nos lábios - ou Borum - termo que significa 'gente', em língua indígena, e que segundo o qual os Krenak designam hoje a si e aos demais índios, em oposição aos Kraí, os não-índios - eram falantes de uma mesma língua, apesar das significativas variações dialetais que serviam para demarcar diferenças entre os diversos grupos nos quais se compunham.
 
O grupo liderado por Krenak foi o último a negociar com as autoridades governamentais seu processo de 'pacificação' e 'civilização', ocorrido logo no início dos trabalhos do recém-inaugurado Serviço de Proteção aos Índios e Localização de Trabalhadores Nacionais, em 1911.
 
O povo Aranã também tem sua origem na história dos Botocudos. Distinguiam-se, no entanto, politicamente, de outros grupos Botocudos, mantendo inclusive uma pequena variação dialetal, significativa da distância que mantinham estrategicamente, como forma de reafirmarem sua diferença dos demais. Os Aranã foram aldeados pelos missionários capuchinhos em 1873, no Aldeamento Central Nossa Senhora da Conceição do Rio Doce, onde grassaram epidemias que dizimaram a população. Alguns sobreviventes migraram para o Aldeamento de Itambacuri, de onde saíram os ancestrais dos Aranãs de hoje, para o trabalho em fazendas na região do Vale do Jequitinhonha.
 
Fixados nos municípios de Martinho Campos (fazenda Criciúma) e Pompéu (fazenda São José) - região centro-oeste mineira (aproximadamente 206 km de Belo Horizonte) - os Caxixó somam cerca de 100 indivíduos na comunidade do Capão do Zezinho, área rural que concentra o maior contingente populacional caxixó. Foi a comunidade do Capão do Zezinho, localizada às margens do rio Pará, que deu início à luta caxixó pelo reconhecimento étnico oficial.
 
Tribo Krenak
 
Situados no nordeste de Minas Gerais, entre os vales do Mucuri e do Jequitinhonha, os Maxakali são habitualmente descritos pela literatura referente à etnia e pelos organismos governamentais ou não governamentais que atuam junto a eles a partir de uma dupla perspectiva: Por um lado, enfatiza-se a sua "resistência cultural" - a permanência da sua língua própria e o uso restrito do português apenas para as situações do contato interétnico; a intensa vida ritual e a recusa a se inserirem na lógica da produção capitalista - a despeito dos seus mais de duzentos anos de contato; e por outro, se lhes percebe como um "grupo problema", devido ao alto grau de conflito e violência internos, ao alcoolismo e ás precárias condições alimentares e de saúde. Por "preservar" sua língua e tradições "originais", os Maxakali tendem a ser percebidos como símbolo de resistência indígena em Minas Gerais e região. Na verdade, embora suas características e sua atual inserção no contexto dos demais povos indígenas da região sejam de fato excepcionais, ao contrário de outros segmentos indígenas que passaram por intensos processos de subjugação à autoridade colonial a partir do início do século XIX, e cujos descendentes atuais são resultantes de processos de transferências e amalgamentos compulsórios de segmentos étnicos e linguísticos em geral originalmente muito diversos, como, tipicamente, seus vizinhos e "parentes" Pataxó atuais, os atuais Maxakali descendem de apenas dois bandos desta etnia originalmente contatados em áreas próximas à que ainda hoje se localizam.
 
Atualmente os Maxakali vivem em quatro áreas, as aldeias de Água Boa, município de Santa Helena de Minas; Pradinho e Cachoeira, no município de Bertópolis; aldeia Verde, no município de Ladainha e no distrito de Topázio, no município de Teófilo Otoni.
As etnias Pataxó, Pataxó hã-hã-hãe, Xukuru-Kariri e Pankararu são oriundas de estados do nordeste.
 
Tribo Pataxó
 
Originários de Pernambuco, os Pankararu se espalharam por vários estados brasileiros ao longo do século XX. Este êxodo se deu devido à construção da hidrelétrica de Itaparica no Rio São Francisco, à seca, aos conflitos oriundos da luta pela terra e a inúmeras outras agressões. O grupo familiar de 'Seu' Eugênio Cardoso da Silva e Benvinda Vieira migrou desta região em busca de melhores condições de vida para seus filhos, tendo durante quase 30 anos convivido com outros povos, como: Krahô, Xerente, Karajá e os Pataxó de Minas Gerais.
 
O Povo Pataxó, originário do Sul da Bahia, ocupa a Fazenda Guarani, no município de Carmésia, desde a década de 1970, totalizando aproximadamente 300 pessoas. Há um grupo que vive no município de Itapecerica na Aldeia Muã Mimatxi e outro na aldeia Jundiba Cinta Vermelha, no município de Araçuaí, juntamente com uma família dos Pankararu. Conhecidos pelo seu semi-nomadismo, a chegada dos Pataxó em Minas é consequência de dois fatos históricos importantes: o primeiro o famoso 'Fogo de 51', caracterizado pela ação violenta da polícia baiana que desarticulou sua aldeia, dispersando o Povo Pataxó na região de Porto Seguro; e o segundo a transformação de 22.500 hectares de seu território em parque nacional - o Parque Nacional do Monte Pascoal, criado em 1943 e oficialmente demarcado no ano de 1961 - reduzindo nessa extensão o seu território tradicional.
 
O Povo Xukuru-Kariri é oriundo do município de Palmeira dos Índios, em Alagoas. Após muitos conflitos de terra e mortes de índigenas, algumas famílias se mudaram para Ibotirama e depois para Glória, na Bahia. Também fugindo de conflitos nessas localidades, alguns integrantes deste grupo, que tem como líder José Satiro, vieram, em 1998, para Minas Gerais. Ainda em 1998, os Xukuru-Kariri solicitaram à Funai a compra de uma terra para o grupo em MG. Atualmente o grupo vive no município de Caldas, na região sul do Estado.
 
Os índios conhecidos sob o etnônimo englobante Pataxó Hãhãhãe abarcam, hoje, as etnias Baenã, Pataxó Hãhãhãe, Kamakã, Tupinambá, Kariri-Sapuyá e Gueren, habitantes da região sul da Bahia. Hoje um pequeno grupo vive no município de Teófilo Otoni, Minas Gerais.
 
Os Mokuriñ pertencem ao grande grupo dos povos chamados "Botocudos", aldeados em Itambacuri desde o século XIX pelos frades capuchinhos Frei Serafim de Gorízia e Frei Ângelo de Sassoferato. Os Mokuriñ vivem no município de Campanário.
 
Tribo Maxakali,
 
Antigos habitantes do Vale do São Francisco, os Xacriabá vivem no município de São João das Missões, Norte de Minas Gerais, a 720 Km de Belo Horizonte. Seu processo de contato com os não-índios não difere do ocorrido com os demais povos indígenas, em toda a sua história, sendo marcada por lutas e derramamento de sangue. Após o ano de 1728, depois de receberem título de posse de suas terras, viveram em relativa paz, convivendo com camponeses vindos da Bahia e de outras regiões de Minas Gerais em seus territórios e arredores, em que plantavam roças de subsistência. A partir de 1969, o desenvolvimento de projetos agrícolas na região atraiu fortes grupos empresariais e grandes fazendeiros das cidades vizinhas, acentuando-se a invasão das terras dos Xakriabá . Nos anos 1980, a tensão aumenta de forma insuportável, culminando no assassinato de grandes líderes indígenas.
 
O povo indígena Catú-awa-arachás encontra-se em Araxá, Minas Gerais, devidamente organizado na Associação Andaiá. Os Puris estão se organizando no município de Araponga, região da Mata. É bastante recente a emergência étnica destes dois povos.
 
Tribo Krenak
 
Na região metropolitana de Belo Horizonte vivem diversas famílias de grupos étnicos distintos, de Minas Gerais e de outros estados, sobretudo da Bahia. Há grupos familiares de aranãs, xakriabás, caxixós, pataxós e pataxós hã-hã-hãe, entre outros.
 
Estes grupos migraram para o centro urbano em busca de uma qualidade de vida melhor, já que muitos perderam o território ao longo da história de ocupação das áreas indígenas no interior do país. Os grupos que vivem na cidade possuem direitos e devem se organizar para buscá-los e reivindica-los perante o Estado e a sociedade envolvente.

* Ana Paula Ferreira de Lima nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais. É formada em História pela PUC-MG, trabalha no CEDEFES - Centro de Documentação Eloy Ferreira da Silva - desde 2005, com projetos sociais em comunidades indígenas e quilombolas.

Fonte: www.cedefes.org.br

http://www.anai.org.br/povos_mg.asp
QUADRO DE ACOMPANHAMENTO DA SITUAÇÃO FUNDIÁRIA DAS TERRAS INDÍGENAS EM MINAS GERAIS Responsável Técnico: José Augusto Sampaio, Consultor Antropólogo Anaí
Atualizado em 20.03.2011
TERRA:Aldeia Verde
POVO:Maxacali (Maxakali)
SIT.JURÍDICA:dominial, adquirida (Funai)
EXTENSÃO:552
COND. ATUAL:Inadequada
MUNICÍPIO(S):Ladainha
POPULAÇÃO:292 (Funasa, 2010)
TERRA:Andaiá (Associação Indígena)
POVO:Araxá
SIT.JURÍDICA:C/ pleito p/ doação (Prefeitura)
EXTENSÃO:?
COND. ATUAL:?
MUNICÍPIO(S):Araxá
POPULAÇÃO:? (sem ocupantes permanentes)
TERRA:Apucaré (Fazenda Alagadiço - parte)
POVO:Pancararu
SIT.JURÍDICA:Cedida em comodato, c/ pleito p/ doação (Diocese de Araçuaí)
EXTENSÃO:62
COND. ATUAL:Inadequada
MUNICÍPIO(S):Coronel Murta
POPULAÇÃO:12 (Funasa, 2010)
TERRA:Caxixó
POVO:Caxixó
SIT.JURÍDICA:Tradicional, em regularização (em identificação)
EXTENSÃO:? (8145 em identificação)
COND. ATUAL:Intrusada, degradada
MUNICÍPIO(S):Martinho Campos e Pompeu
POPULAÇÃO:384 (290 fora da Terra) (Funasa, 2010)
TERRA:Cinta Vermelha - Jundiba
POVO:Pancararu e Pataxó
SIT.JURÍDICA:Dominial (de associação indígena), adquirida; c/ proc. p/ doação à União
EXTENSÃO:78
COND. ATUAL: Inadequada
MUNICÍPIO(S):Araçuaí
POPULAÇÃO:25 (Funasa, 2010)
TERRA:Crenaque
POVO:Crenaque (Krenak)
SIT.JURÍDICA:Tradicional, a regularizar; parc. reservada (homologada/registrada)
EXTENSÃO:4039 (reservada)
COND. ATUAL:Intrusada, degradada
MUNICÍPIO(S):Resplendor
POPULAÇÃO: 341 (Funasa, 2010)
TERRA: Fazenda Alagadiço
POVO:Aranã (Aranã-Caboclo)
SIT.JURÍDICA:Tradicional, a regularizar (a identificar, c/ estudo de fundamentação)
EXTENSÃO:?
COND. ATUAL: Intrusada, degradada
MUNICÍPIO(S):Coronel Murta
POPULAÇÃO:415 (inclusive Terra Fazenda Campo; maioria fora das Terras) (Funasa, 2010)
TERRA:Fazenda Boa Vista - Bairro Pecuário
POVO:Xucuru-Cariri
SIT.JURÍDICA:Dominial, adquirida (DPU); subjúdice
EXTENSÃO:101
COND. ATUAL:Inadequada, intrusada
MUNICÍPIO(S):Caldas
POPULAÇÃO:86 (Funasa, 2010)
TERRA:Fazenda Brejaúba (Parque Estadual do Rio Corrente)
POVO:Pataxó
SIT.JURÍDICA:Ocupada, c/ pleito p/ regularização
EXTENSÃO:450
COND. ATUAL:?
MUNICÍPIO(S):Açucena
POPULAÇÃO:60 (Cimi, 2010; abrangida na Terra Fazenda Guarani (Funasa, 2010))
TERRA:Fazenda Campo
POVO:Aranã
SIT.JURÍDICA:Tradicional, a regularizar (a identificar, c/ estudo de fundamentação)
EXTENSÃO:?
COND. ATUAL:Intrusada, degradada
MUNICÍPIO(S):Coronel Murta
POPULAÇÃO:Abrangida na Terra Fazenda Alagadiço (Funasa, 2010)
TERRA:Fazenda Guarani
POVO:Pataxó
SIT.JURÍDICA:Reservada, regularizada (homologada/registrada)
EXTENSÃO:3269
COND. ATUAL:Degradada
MUNICÍPIO(S):Carmésia, Dores de Guanhães e Senhora do Porto
POPULAÇÃO:289 (Funasa, 2010)
TERRA:Fazenda Modelo Diniz (Aldeia Mouã Mimatxi)
POVO:Pataxó
SIT.JURÍDICA:Ocupada, c/ Proc. p/ aquisição (DPU); subjúdice
EXTENSÃO:92
COND. ATUAL: Inadequada, intrusada, degradada
MUNICÍPIO(S): Itapecerica
POPULAÇÃO:68 (Funasa, 2010)
TERRA:Fazenda Mundo Verde (Aldeia Cachoeirinha)
POVO:Maxacali (Maxakali)
SIT.JURÍDICA:Dominial, adquirida (Funai)
EXTENSÃO:?
COND. ATUAL:Inadequada
MUNICÍPIO(S):Teófilo Otoni
POPULAÇÃO:37 (Funasa, 2010)
TERRA:Maxacali
POVO:Maxacali (Maxakali)
SIT.JURÍDICA: Tradicional, regularizada (homologada/registrada); em revisão
EXTENSÃO:5305 (homologada)
COND. ATUAL:Intrusada, degradada
MUNICÍPIO(S):Bertópolis e Santa Helena de Minas
POPULAÇÃO:1333 (Funasa, 2010)
TERRA:Mucurim
POVO:Mucurim
SIT.JURÍDICA:Tradicional, sem providência (a identificar)
EXTENSÃO:?
COND. ATUAL:Intrusada, degradada
MUNICÍPIO(S):Campanário
POPULAÇÃO:30 (Funasa, 2010)
TERRA:Pataxó Hã-Hã-Hãe no Vale do Mucuri
POVO:Pataxó Hã-Hã-Hãe
SIT.JURÍDICA:Sem providência (c/ pleito p/ aquisição de área a definir)
EXTENSÃO:?
COND. ATUAL:-
MUNICÍPIO(S):Teófilo Otoni
POPULAÇÃO:?
TERRA:Serra da Candonga (Parque Estadual)
POVO:Pataxó
SIT.JURÍDICA:Ocupada, c/ pleito p/ regularização
EXTENSÃO:?
COND. ATUAL:?
MUNICÍPIO(S):Guanhães
POPULAÇÃO:35 ("Hoje em Dia", 2010; abrangida na Terra Fazenda Guarani (Funasa, 2010))
TERRA: Xacriabá (Processos Xacriabá e Xacriabá Rancharia)
POVO:Xacriabá
SIT.JURÍDICA:Tradicional, regularizada (homologada/registrada); em revisão; parc. subjúdice
EXTENSÃO:53074 (homologada: 46415 Xacriabá e 6798 Xacriabá Rancharia)
COND. ATUAL: Intrusada, degradada
MUNICÍPIO(S):Itacarambi e São João das Missões
POPULAÇÃO:8419 (Funasa, 2010)
 

SITUAÇÕES SEM PLEITO DEFINIDO POR TERRA INDÍGENA
°Puri: Povo Puri; duas comunidades - Boné e Estouros - no interior do Parque Estadual da Serra do Brigadeiro, município de Araponga-MG. População: 60 (Cepec, 2007).