quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Igreja no Brasil presente nas Olimpíadas 2016

Projetos marcam a participação eclesial no maior evento esportivo do mundo.
Promoção de valores humanos, atendimento religioso na Vila Olímpica e desenvolvimento de projetos sociais são algumas das principais iniciativas da Igreja no Brasil para os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos Rio 2016, que acontecerão de 5 a 21 de agosto e de 7 a 18 de setembro, respectivamente. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), a Pastoral do Turismo (Pastur) e as arquidioceses que recebem os jogos, entre elas a da cidade-sede das Olimpíadas, Rio de Janeiro, realizam ações de evangelização durante o evento.
 
“Sabemos que o mundo dos esportes é um campo, ao mesmo tempo, fértil e aberto para a evangelização. O Rio de Janeiro vai receber esses grandes eventos esportivos e a arquidiocese não pode se omitir diante da responsabilidade de fazer com que o Evangelho seja anunciado e os legados humanos e sociais se destaquem”, afirma o arcebispo do Rio de Janeiro, cardeal Orani João Tempesta.
 

Ações pastorais e sociais

 
A arquidiocese do Rio é responsável pela evangelização na cidade-sede dos jogos. Na Vila Olímpica, local que recebe as delegações, há uma “capelania” inter-religiosa para atendimento dos atletas. Um sacerdote foi nomeado para a ocasião. Nas paróquias próximas à Vila, as pessoas são acolhidas e podem participar de celebrações de missas em diferentes idiomas. 
 
 
Alguns símbolos fortalecem os “laços entre a evangelização e o mundo dos esportes”, como as bandeiras Olímpica e Paraolímpica, abençoadas pelo papa Francisco em sua visita ao Brasil, em 2013, e a Cruz Olímpica e o ícone da Paz, objetos que marcam a presença da Igreja nos grandes eventos esportivos mundiais.
 
Além disso, duas iniciativas representam o caráter social da ação da Igreja nos Jogos Rio 2016: “Rio se Move” e “100 dias de Paz”. 
 
Em parceria com a CNBB, a CRB e entidades alemãs, o projeto “Rio se Move” pretende dar maior visibilidade a iniciativas existentes na Cáritas arquidiocesana em prol dos que sofrem de exclusão social presente na dinâmica dos grandes eventos, assim como às ações da Pastoral do Esporte.
 
Por sua vez, a iniciativa “100 dias de paz”, que começou no dia 15 de junho e prosseguirá durante cinquenta dias após as Paraolimpíadas, engloba diversas atividades a serem realizadas antes, durante e depois dos Jogos Olímpicos, com a finalidade de atingir jovens, atletas e o público em geral, levando os valores cristãos católicos ao esporte. Os 100 dias de paz fundamentam-se na Trégua Olímpica, criada no século VIII a.C, com o objetivo de estabelecer a paz entre os países em conflito.
 

Desafios e esperanças

 
Diante do atual contexto de crise no Brasil e em particular no estado do Rio de Janeiro, cardeal Orani Tempesta acredita que a população do Rio pode reencontrar e reanimar as esperanças com a realização dos jogos na cidade. “A par dos legados econômicos e de infraestrutura, que almejamos que se convertam em benefícios para a nossa sofrida sociedade, há valores perenes ligados às Olimpíadas que podem e devem ser cultivados, pois contribuem para a promoção das pessoas”, disse durante reunião do Comitê Rio 2016 com os Líderes Religiosos.
 
“Em meio à nossa sofrida realidade atual, podemos afirmar que as Olimpíadas são, realmente, um marco de esperança, que deve prosseguir adiante. Uma esperança que não se apresenta inatingível, mas aponta para o futuro, pois parte de cada um de nós, quando buscamos trabalhar pela ‘civilização do amor’”, falou ao citar um trecho da encíclica do papa Francisco Laudato Si’ – sobre o cuidado da casa comum.
 

“Este é o nosso sonho olímpico" 

 
A Pastoral do Turismo no Brasil lançou Campanha “Este é o nosso sonho olímpico”, com valores humanos e cristãos que não podem faltar para que aquela que é considerada “a maior festa do esporte mundial” seja para todos e todas. 
 
A Campanha acontece por meio de publicações semanais nas redes sociais. “Trata-se de uma ‘palavra’, uma presença da Igreja num momento importante como este. Nossos limites nos possibilitam apenas uma ação assim. Mas faremos dela um grito, um despertar, um vírus do bem nas redes sociais. Esperamos que aqueles que têm acesso, que vejam, ao menos uma vez, os ‘memes’, reflita um pouco, saia da lógica do mercado e do mundo para pensar, efetivamente, em jogos saudáveis sob todos os aspectos”, explica o coordenador nacional da Pastoral, padre Manoel de Oliveira Filho.
 
A Campanha alerta para questões como a proteção e cuidado com a vida e o meio ambiente e pretende, ainda, favorecer o diálogo entre as diferentes culturas presentes no evento mundial.
 

“Jogue a Favor da Vida”

 
A partir do modelo de trabalho desenvolvido na Copa do Mundo no Brasil 2014 contra a prática do turismo sexual, a Rede Internacional das Consagradas contra o Tráfico Humano Talitha Kum e a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB) seguem com a Campanha “Jogue a Favor da Vida”. De acordo com a organização, os Jogos Olímpicos são oportunidades de lazer, cultura e emprego temporário, mas, também, ocasião para intensificar o turismo sexual, com ação de quadrilhas que se organizam para aliciar, explorar e traficar pessoas.
 
A Campanha, que tem como lema “Exploração sexual não é turismo, é crime”,  busca prevenir os riscos do turismo sexual, alertando os turistas que irão ao Rio de Janeiro, principalmente, para que não paguem por prestações sexuais de pessoas que podem estar envolvidas no tráfico humano.
 
A proposta é mobilizar o maior número de participantes nas mídias sociais, levando o debate para dentro das escolas e com os turistas que virão para o Brasil.
 

Viva a solidariedade

 
Com a finalidade de dar continuidade às ações do projeto "Rio se move" e com o objetivo de realizar pelo país atividades socioeducativas, esportivas e de solidariedade, a CNBB, a CRB e a Associação Nacional de Educação Católica do Brasil (Anec) apresentaram o projeto “Viva a Solidariedade!”. A iniciativa levará as ações do projeto iniciado na arquidiocese do Rio de Janeiro para o âmbito nacional. Para isso, propõe às instituições educacionais e eclesiais a realização de ideias que visem contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e solidária, promovendo, por meio do espírito olímpico, momentos de interação entre a família, escola e comunidade.
 
 
Para participar, basta inscrever a instituição que deseja fazer parte  e cadastrar a ação solidária no site do projeto. Uma assessoria técnica dos organizadores vai acompanhar essa ação e posteriormente dar ênfase ao trabalho, divulgando-o.
 
Saiba mais sobre o #VivaaSolidariedade no site: http://anec.org.br/vivasolidariedade/
 

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