sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Congresso Eucarístico de Belém: Celebração da Igreja

Cardeal Odilo Pedro Scherer
Arcebispo de São Paulo (SP)

  
No domingo, 21 de agosto, após a Missa na praça da basílica de nossa Senhora de Nazaré, foi encerrado o 17º Congresso Eucarístico Nacional de Belém; ato final foi uma majestosa procissão pelas ruas da cidade, até à frente da Catedral “Nossa Senhora da Graça”, junto do Forte do Presépio, onde nasceu Belém. “Aqui esta cidade volta hoje às suas origens, onde há 400 anos ela foi fundada, para renovar o seu pacto com Cristo”, proclamou Dom Alberto Taveira Corrêa, arcebispo de Belém.
 
A celebração do Congresso encheu uma semana inteira, tendo no seu centro a Eucaristia. A partir do tema – “Eucaristia e partilha na Amazônia missionária” – foi realizada uma extensa programação, com celebrações diárias, na Catedral de Belém envolvendo os diversos componentes do povo de Deus: leigos e suas organizações, religiosos e demais consagrados, os sacerdotes, os diáconos e bispos. Mas também foram destacados os próprios “bens da Igreja”, que são a Palavra de Deus, a Eucaristia, a Confissão e os demais sacramentos e a missão da Igreja; houve até primeira comunhão de crianças, numa envolvente celebração no estádio.
 
O Congresso Eucarístico, de fato, transcorreu como um verdadeiro Congresso eclesial, confirmando que “a Eucaristia faz a Igreja”. Enquanto “Congresso eclesial”, em torno da Eucaristia, não podia faltar a dimensão da caridade e da misericórdia. Após uma missa na Sé de Belém presidida pelo Legado Pontifício para o Congresso, o Cardeal Dom Cláudio Hummes, com a participação do pobres e moradores de rua, houve um almoço comunitário com eles. A partilha fraterna e a misericórdia foram sempre lembradas, como dimensões imprescindíveis da vida cristã e eclesial; houve um dia dedicado às confissões em todas as paróquias de Belém. Bispos e padres participantes do Congresso atenderam às confissões e também se confessaram. 
 
A dimensão missionária do Igreja esteve no centro do Congresso. Enquanto eram recordados os 400 anos do início da evangelização da Amazônia, foi também evidenciada a urgência da ação missionária no imenso território amazônico; a partilha eclesial e missionária de pessoas e de recursos materiais é inseparável da Eucaristia. As dioceses e prelazias da Amazônia dependem muito dessa partilha na realização de sua missão. 
 
Nos simpósios teológicos, bem frequentados, foi feita a reflexão sobre diversos aspectos da Liturgia e da vida eucarística da Igreja. Jornadas pastorais, que envolveram os participantes do Congresso nas 6 Regiões Episcopais da Arquidiocese, trataram de temas como a catequese e a evangelização, a caridade, o serviço aos doentes, a família, os jovens. Houve uma vigília eucarística em todas as paróquias.
 
Mas na Igreja nunca falta Maria, a Mãe de Jesus e de seus discípulos. Em Belém, é muito grande a devoção a Nossa Senhora de Nazaré e a procissão do “Círio de Nazaré”, que se faz todos os anos em sua homenagem, em outubro, é um dos maiores eventos religiosos do Brasil. Maria foi recordada com “mulher eucarística”, que viveu a “comunhão” com Jesus de maneira única; ela ensina toda a Igreja a viver conforme a vontade de Deus. É também ela a primeira missionária, que mostrou e continua mostrando ao mundo o seu filho, Jesus, convidando-nos a fazer tudo o que ele ordenou.
 
E não podiam faltar a partilha fraterna e a hospitalidade. São Paulo já recomendava a hospitalidade aos cristãos da Igreja primitiva e o povo das paróquias de Belém foi acolhedor e hospitaleiro para com os peregrinos. Belém também tem muito a mostrar para os hóspedes; além do mercado do “Ver-o-Peso”, com os produtos típicos da Amazônia, há muita história, belas igrejas e museus, com arte apreciável. 
 
O Congresso Eucarístico de Belém foi um verdadeiro Congresso eclesial, mostrando a riqueza e a diversidade da vida da Igreja e o envolvimento dos seus membros na vida das comunidades locais. Foi uma grande “semeadura”, assim como é toda obra evangelizadora da Igreja. Os frutos virão a seu tempo.
Publicado em O SÃO PAULO, de 24 08 2016

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