quinta-feira, 5 de maio de 2016

1º de Maio. A luta dos trabalhadores e das trabalhadoras contra a barbárie

Há 130 anos começava a luta dos trabalhadores e trabalhadoras por seus direitos. Uma greve geral em Chicago, Estados Unidos, nos primeiros dias de maio de 1886 marcou a data em que se celebra a busca por melhores condições laborais.
 
De 3 a 4 de maio uma paralisação com a participação de milhares de trabalhadores, que reivindicavam a redução da jornada de trabalho de 16 horas para 8 horas diárias, culminou na morte de 22 pessoas e em dezenas de feridos.
 
Três anos mais tarde no dia 20 de junho, na França, a Internacional Socialista decide convocar anualmente, no dia 1º de maio, uma greve geral para que os trabalhadores e trabalhadoras pudessem batalhar por seus direitos. A data escolhida foi em homenagem aos dias de Chicago.
 
Em 1º de maio de 1891 é realizada uma grande manifestação no norte da França, que dispersada pela polícia acaba com a vida de dez manifestantes. Posteriormente a Internacional Socialista de Bruxelas, na Bélgica, torna a data o dia mundial do pleito por melhores condições laborais. Em 1919 o senado francês reconhece a jornada de 8 horas diárias e o 1º de maio como feriado, fazendo com que, mais tarde, diversos outros países legitimassem a data em homenagem aos trabalhadores.
 
Desumanização
 
 
No entanto, a luta por melhores condições de trabalho nunca deixou de existir e ser tema de discussões. E é isso que se apresenta na edição 233 dos Cadernos IHU ideias, de autoria de Elsa Bevian, intitulado Capitalismo biocognitivo e trabalho: desafios à saúde e segurança. A edição aponta para a precarização constante das condições de trabalho e as consequências desta situação, com o “crescente adoecimento físico e mental dos trabalhadores”.
 
No texto, a professora destaca a desumanização que emerge do capitalismo biocognitivo que leva a situações degradantes dentro das empresas, com uma pressão cada vez maior pela maximização da produção com o menor custo. Segundo Elsa, “a tecnologia está substituindo trabalhadores e eliminando postos de trabalho em todos os ramos econômicos, em larga escala, no planeta. Há mais exigências das empresas sobre os trabalhadores: explorar ao máximo para diminuir o custo, reestruturação produtiva, sistema célula, em que o próprio trabalhador é o “lobo” do trabalhador; não há mais solidariedade, amizade, nem humanismo no ambiente de trabalho, só cobranças e exigências”.
 
Resistência
 
Elsa Bevian frisa que precisamos mudar esse quadro e enfrentar o modelo capitalista, que aliado ao processo de financeirização da vida torna-se obscuro. E ressalta a luta não é fácil, mas que “o capitalismo não pode tudo! O Estado deve permitir a resistência, para que sejamos governados um pouco menos. Não dá para primeiro esperar uma sociedade totalmente perfeita, para que seja possível melhorar a sociedade em que se vive; também é ilusão acreditarmos que vamos conseguir resolver tudo. A resistência hoje é mais difícil, porque a economia é global e a política é local. A ética não é universal, porque a política não é universal, porém as pessoas não são só totalmente governáveis, também têm capacidade de se insurgir, especialmente em sociedades democráticas”.
 
Elsa ainda nos convoca a questionar a pensar sobre outras alternativas com relação ao mundo do trabalho. “Como podemos alimentar o desejo e a possibilidade de sermos um pouco mais capazes de viver com os outros de forma livre? Como podemos ainda nos encantar pela política e nos encontrar na política?”; e assim nos propõe a criar relações de resistência.
 
Foto: Leslie Chavez / IHU
 
Elsa Cristine Bevian
 
É professora titular do Departamento de Direito pela Fundação Universidade Regional de Blumenau – FURB, onde leciona Direito do Trabalho e Direito Sindical e coordenadora do Grupo de Pesquisas Trabalho, Constituição e Globalização na mesma instituição. Possui doutorado em Ciências Humanas pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC. Durante o doutorado, passou pela Universidade Rovira i Virgili, em Tarragona, e pelo Instituto de Pesquisas Sociais (Institut für Sozialforschung), em Frankfurt. Sua Tese doutoral versa sobre “O Adoecimento dos Trabalhadores com a Globalização da Economia e Espaços Políticos de Resistência”. É mestre em Ciência Jurídica pela Universidade do Vale do Itajaí – Univali, possui graduação em Direito pela FURB.
 
O mundo do trabalho
 
O mundo do trabalho, principalmente o brasileiro, anualmente é tema de discussão da Revista IHU On-Line, que sempre faz memória ao dia 1º de maio publicando uma edição da revista à luz de melhores condições de trabalho. Este ano a edição será publicada no dia 2 maio. Confira nesse dia a íntegra da revista aqui.
 
 
 

Nenhum comentário:

Postar um comentário