sábado, 19 de março de 2016

O patrimônio ameaçado em MARIANA

         É excelente para o mundo e, em especial, para a nossa cidade de MARIANA esta notícia da UNESCO. Nossos sítios paisagísticos e arqueológicos precisam ser preservados. Os Morros Santo Antônio e Santana (Gogô) de Mariana já foram tombados, em 2008, pelo município como sítio arqueológico e paisagístico, baseado em processo desenvolvido pela Secretaria Municipal de Cultura e Conselho Municipal do Patrimônio Artístico e Cultural (COMPAC), sendo o então Secretário Marcílio Queiroz presidente do COMPAC. Sem dúvida, foi uma patriótica decisão.
Este tombamento já está inscrito no Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (IEPHA). Aguardamos que o Governo Federal o reconheça também conforme foi requerido por mim em 4/12/2009, representando a Prefeitura Municipal de Mariana, e o protocolei, em Brasília, no Gabinete da Presidência/IPHAN, em 08 de dezembro de 2009, considerando sua importância para o Brasil. Cabe à população de Mariana, aos mineiros e brasileiros exigir que isto se cumpra.  
 
 
Com o apoio da Arquidiocese de Mariana, do ICHS/UFOP, do Ministério Público/SEDESE e do IPHAN, a Fundação Cultural e Educacional da Arquidiocese de Mariana (FUNDARQ), pela empresa ARTEFACTOS, sob a direção da arqueóloga Alenice Baeta, vem desenvolvendo importantes trabalhos arqueológicos para a revitalização dos Jardins Históricos do Palácio Velho dos Bispos. Trata-se de uma obra fundamental para o Patrimônio Cultural de Mariana. A população marianense precisa conhecer este projeto e sua execução que, aliás, não causa qualquer prejuízo a ninguém. Pelo contrário, vai valorizar o espaço em si e toda a vizinhança. Por isso, estamos ansiosos por sua conclusão.
  Estas realizações, ou seja, obras dos morros de Santo Antônio e Santana (Gogô) e dos Jardins Históricos darão mais visibilidade a Mariana, sobretudo agora que devemos mostrar ao Brasil e ao mundo que a tragédia ocorrida, em 5 de novembro, no subdistrito de Bento Rodrigues, atingindo Paracatu de Baixo, Barra Longa e outros municípios, não vai nos manter ajoelhados perante a História. Os municípios mineradores, já de há muito, precisam buscar outras alternativas econômicas. Não podem continuar refém da mineração. Não será ação de alguém isolado, mas de todos que temos compromisso com Mariana, com Minas, com o Brasil e com a própria Humanidade.


Este compromisso se estende à memória dos milhares que deixaram, durante os séculos 18 e 19, sua marca e sua vida nos Morros de Santo Antônio e Santana (Gogô), daqueles que a lama da Barragem do Fundão consumiu, das centenas de pessoas que tudo perderam e do meio ambiente agredido inexoravelmente. É preciso reconstruir a História para construir um futuro digno. Não nos declinemos desta honra. É, antes de tudo, um dever inalienável e intransferível sob qualquer argumento.
Roque Camêllo
Presidente da Casa de Cultura-Academia Marianense de Letras, Diretor Executivo da FUNDARQ e membro do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais. 
 

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