segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Papa envia mensagem a educadores católicos reunidos em São Paulo

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Francisco gravou uma vídeo-mensagem aos participantes do 24º Congresso Interamericano de Educação Católica, realizado em São Paulo de 13 a 15 de janeiro.

Abaixo, a transcrição da mensagem:

(Tradução: Vitor Alves Loscalzo)
 
Quero deixar uma saudação aos docentes da América, reunidos na linda terra brasileira. Organizado pela Confederação Interamericana de Educação Católica.
 
Eu os agradeço pelo o que fazem pela educação; é provavelmente um dos maiores desafios. Vocês sabem que o pacto educativo está quebrado. Vocês sabem que a educação em um mundo no qual, ao centro da organização mundial, não está o homem, e sim o medo. Em um mundo assim, é cada vez mais elitista a educação – e até diria nominalista – no sentido de dar a ela conteúdo de noções; de maneira que não completa o ser humano, pois a pessoa, para sentir-se pessoa, tem que sentir, tem que pensar, tem que fazer...essas três linguagens tão simples: a linguagem da mente, a do coração e a das mãos.
 
Neste momento o trabalho de vocês é muito grande. Eu já sei! Os educadores são os que sofrem, em geral, a maior injustiça. São os mais mal pagos. Não há consciência do bem que pode fazer um educador.
 
É preciso abrir o plano da educação em direção à cultura do encontro. Que os jovens se encontrem entre eles, saibam sentir, saibam trabalhar juntos. Seja da religião que for, seja da etnia que for, da cultura que for...mas juntos pela humanidade. Isso é a cultura do encontro, esse é o momento em que a educação ensina a encontrar-se com as pessoas e a levar adiante obras de semeadura.  Isso foi o que, em Buenos Aires - não a mim, a mim isso não me ocorreu, ocorreu a alguns laicos -, me levou a favorecer o que, naquele momento, se chamou Escola de Vizinhos. Tratava-se de integrar o pensamento, o sentimento das crianças que estavam na educação...todas as suas inquietudes. Isso foi amadurecendo, se desenvolveu e, hoje em dia, é essa associação que se chama SCHOLAS, que está abrindo caminhos através do esporte, da arte... – o esporte educa, educa no que é o trabalho em equipe. A arte educa, a ciência educa, o diálogo educa. Isso é o que faz, hoje em dia, a SCHOLAS, e que, seguramente, está presente no encontro de vocês.
 
A vocês, peço, por favor, que sigam adiante. Que não se fechem a novas propostas, a propostas audazes de educação. A concepção educativa como transmissão de conteúdos, acabou-se. Está esgotada. Um educador brasileiro... Não me recordo o nome... Mattos... [Luis Alves de Mattos]... Dizia que a educação deve estar baseada em três pilares: transmissão de conteúdos, transmissão de hábitos, e transmissão de valores. Uma linda, uma linda expressão! Bom, isso, agora, traduzam em atividades, e aí sim vão fazer a cultura do encontro e não a do desencontro. Ou pior, a cultura de não integração, da exclusão, na qual somente uma elite, por meio de uma educação seletiva, terá o poder no dia de amanhã ou no dia de hoje mesmo. 
 
Eu os agradeço pelo o que fazem, eu os agradeço pela vocação. Ser educador é o  que fez Jesus. Educou-nos. Contra todo um sistema educativo; dos doutores da lei, da rigidez...leiam todos  os “elogios” que Jesus fez àquelas pessoas, no capitulo 23  de São Matheus. E Jesus nos educa por meio de outra maneira, outro estilo. Educa-nos em duas colunas muito grandes: as Bem Aventuranças, no começo do Evangelho e o protocolo sob o qual seremos julgados, que está em Matheus, 25.  Com isso, destruiu todo um sistema educativo baseado em normas, em preceitos, que, em última instância, pode-se dizer que era a profecia de o que  foi a ilustração – hoje em dia a ilustração não nos serve para nada -.
 
Que Deus os abençoe. Rezem por mim. Sigam adiante e trabalhem. E Oxalá os governos sejam consciente e os paguem mais.
 
 

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