terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Mais uma tragédia anunciada

Por trás da tragédia de Rio Doce, existe a catástrofe empresarial

história empresarial está cheia de tragédias. De 1938 a 1968, a Chisso Corporation despejou mercúrio na Baía de Minamata, no Japão. Estima-se que mais de 3 mil pessoas foram afetadas e apresentaram sintomas graves de envenenamento e deformidades. Muitos morreram. Em 1976, um acidente na planta da Union Carbide em Bhopal, na Índia, lançou gases venenosos na atmosfera. O número de mortes é estimado entre 4 mil e 20 mil pessoas.
 
Em 2010, a explosão em uma plataforma operada pela BP no Golfo do México matou 11 trabalhadores e espalhou óleo por toda a área. Em 2012, em Daca, Bangladesh, o incêndio em um prédio que abrigava uma indústria têxtil matou 112 empregados. Neste ano, na cidade portuária chinesa de Tianjin, explosões relacionadas à estocagem de gases tóxicos em uma área de armazenagem de contêineres mataram mais de cem pessoas e provocaram ferimentos em centenas. 
 
Agora, a Samarco, mineradora controlada pela brasileira Vale e pela anglo-australiana BHP-Billiton, adiciona o seu nome à infame e crescente lista. No dia 5 de novembro, dois reservatórios da empresa com subprodutos de mineração cederam e liberaram uma lama que destruiu o distrito de Bento Rodrigues e poluiu o Rio Doce, fonte de água de muitos municípios.
 
A catástrofe macula uma história de quase quatro décadas de sucesso. Em 2013, a empresa participou da premiação do anuário Melhores e Maiores, da revista Exame, e foi eleita mais uma vez a melhor mineradora do Brasil. Na ocasião, o diretor-presidente Ricardo Vescovi explicou as razões do sucesso da empresa: qualidade da gestão, prática de valores empresariais, priorização da vida, cultura de planejamento e nível educacional dos empregados. A empresa voltou a ser premiada em 2014 e 2015, por crescer em situação econômica desfavorável. Pouco antes do acidente, foi escolhida uma das 150 melhores empresas para trabalhar no Brasil, em pesquisa promovida pela revista Você S.A.
 
As raízes do problema são fincadas na cultura empresarial inconsequente (ANEL – Assembleia Nacional dos Estudantes Livres).
 
Tragédias desse tipo costumam ser seguidas por notável circo. O drama humano e ambiental é amplamente explorado pela mídia. Promotores, advogados e especialistas em relações públicas ganham o palco. Técnicos e pseudotécnicos trocam impressões. Rareiam os fatos, sobram interpretações. Enquanto as vítimas são socorridas e os efeitos ambientais são tratados, densa neblina encobre a causa da tragédia. Em algum momento, os peritos darão seu veredicto.
 
O que, afinal, está por detrás de tais catástrofes? Alguns casos são claro fruto de conduta temerária ou criminosa. Outros se relacionam à chamada incompetência sistêmica, a falta crônica de capacidade para gerir com segurança sistemas organizacionais complexos. Nesses casos, os acidentes são anunciados muito tempo antes de ocorrerem, porque faltam processos, controles e boas práticas.
Organizações mais sofisticadas, de gestão profissional, não estão livres desse tipo de problema. Seus controladores sabem muito bem, entretanto, quanto podem perder com acidentes e são espertos o suficiente para investir em sistemas para proteger seus interesses.
 
Nessas situações, as causas costumam ser outras. A primeira delas refere-se à gestão de riscos. Toda atividade empresarial ou industrial implica riscos, especialmente aquelas de grande impacto sobre o meio ambiente. É inviável evitar totalmente os riscos ou fazer seguros para tudo. Por outro lado, assumir tresloucadamente riscos pode levar à falência. A solução é administrar os riscos e investir em expertise técnica e gerencial. Ocorre que, no limite, se faltar expertise, o cenário para a catástrofe estará montado.
 
A segunda causa relaciona-se com a busca do crescimento. Empresas em fase de expansão, com metas ambiciosas, frequentemente avançam o sinal, submetendo alguns elos de sua cadeia produtiva ao estresse, o que pode gerar rupturas. Novamente, o abismo estará a um passo.
 
A terceira causa relaciona-se à cultura empresarial. Muitas organizações bem-sucedidas, obcecadas com o próprio sucesso e inebriadas com prêmios e honrarias, promovem inadvertidamente atitudes inibidoras da veiculação de más notícias. Tal condição faz com que seus funcionários evitem mostrar suas preocupações e indicar problemas que maculem o estado de euforia realizadora. As consequências do culto do sucesso podem ser nefastas. 
 

Quem é o "japonês bonzinho" da Lava Jato?

Newton Ishii com o pecuarista José Carlos Bumlai sob custódia, na terça-feira 24, em Curitiba

O áudio que levou para a prisão o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) e o banqueiro André Esteves pode ajudar a elucidar parte dos vazamentos acerca da Operação Lava Jato. Em um trecho da conversa, Edson Ribeiro, advogado de Nestor Cerveró, e Bernardo Cerveró, filho do ex-diretor da Petrobras, afirmam que um agente da Polícia Federal vende informações sigilosas.
 
O diálogo ocorre após Delcídio relatar aos interlocutores ter visto, com André Esteves, uma cópia da minuta da delação premiada negociada por Cerveró com os procuradores. O senador petista discute o teor do material, lamenta o vazamento e diz não saber quem vazou. Ele, então, ouve de Edson Ribeiro: "É o japonês. Se for alguém é o japonês". Diogo Ribeiro, chefe de gabinete de Delcídio, que também estava na conversa, complementa. "É o japonês bonzinho".
 
Delcídio pergunta quem seria o "japonês bonzinho" e o advogado de Cerveró diz: "É. Ele vende as informações para as revistas". Na sequência, o senador petista diz que a figura em questão é "o cara da carceragem, ele que controla a carceragem", informação confirmada pelo filho de Cerveró.
 
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Mais tarde, o grupo volta a falar dos vazamentos. Edson Ribeiro levanta suspeitas sobre Sergio Riera, advogado de Fernando Baiano, apontado como operador do PMDB no esquema da Lava Jato, Alberto Yousseff, doleiro que assinou acordo de delação premiada e sobre o "japonês", nas palavras de Bernardo Cerveró. A degravação feita pela PF traz o nome "Milton", mas no áudio é possível ouvir que Edson Ribeiro fala em "Nilton".
 
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Ishii conduz Marcelo Odebrecht para a prisão, em junho
 
Em julho, o blog Expresso, da revista Época, destacou a presença do agente da Polícia Federal Newton Ishii em diversas das prisões de detidos da Lava Jato na superintendência da PF em Curitiba. Ishii é chefe do Núcleo de Operações da PF em Curitiba e tem um passado conturbado.
 
Funcionário da corporação desde 1976, Ishii foi expulso da PF em 2003, acusado de corrupção e de integrar uma quadrilha de contrabandistas. Desde então, o agente já foi reintegrado, com "confiança da direção da PF", segundo a publicação, mas ainda seguiria respondendo processos criminais, civis e uma sindicância.
No pedido de prisão de André Esteves e Delcídio do Amaral, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, manifesta preocupação com o fato de o banqueiro ter tido acesso à delação de Cerveró. "Essa informação revela a existência de perigoso canal de vazamento, cuja amplitude não se conhece", diz o PGR. "Constitui genuíno mistério que um documento que estava guardado em ambiente prisional em Curitiba/PR, com incidência de sigilo, tenha chegado às mãos de um banqueiro privado em São Paulo/SP".

De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, a Polícia Federal vai investigar o vazamento da delação de Cerveró. Segundo a publicação, o ex-diretor da Petrobras informou à cúpula da PF que só ele, seus advogados, familiares e procuradores tiveram acesso. Ainda conforme o jornal, Ishii disse a colegas que seu nome estava sendo usado como "cortina de fumaça" para manchar a Operação Lava Jato.
 

“E se sua mãe tivesse te abortado?”

Quando eu tinha 16 anos, minha mãe dividiu comigo a culpa de ter tentado me abortar.
 
Em novembro, juntamente com outras feministas, escrevi um manifesto feminista para uma revista de moda de grande circulação. Logo na capa, nossos nomes anunciavam o que defendíamos para as mulheres.Houve uma grande repercussão, e com isso, comentários negativos surgiram.
 
Nada de novo. Como feminista, já estou habituada a isso e nem me incomoda. Infelizmente, criou-se um mito negativo entorno do feminismo e muitas pessoas o assimilam sem ter o conhecimento real do que se trata o movimento. Porém, uma pessoa revoltada pelo fato de a revista que ela assinava abordar um tema de “assassinas”, segundo ela, me mandou uma mensagem revoltada.
 
Na mensagem, ela me questionava sobre meus posicionamentos políticos; criticou nossa pauta pela descriminalização do aborto e fez a inveterada questão que costumam fazer às feministas: “e se sua mãe tivesse te abortado?”
 
Essa pergunta é tão sem noção que só me ocorreu pensar: ora, eu não existiria e não seria obrigada a ler uma mensagem como essa. Não respondi a ela – nunca respondo a esse tipo de mensagem acrítica -, mas neste texto escrevo a resposta: minha mãe tentou me abortar.
 
Eu sou a caçula de três irmãos e uma irmã. Quando eu tinha 16 anos, minha mãe me chamou para uma conversa. Lembro como se fosse hoje, eu estava varrendo a casa e quando cheguei ao quarto dela, ela estava sentada na cama com um olhar preocupado.
 
Eu segui varrendo com má vontade - não gostava -, até que ela me pediu para sentar. Começou dizendo que me amava muito e que eu era seu bebê, da alegria de ser minha mãe, até que disse: “Espero que você não me odeie depois do que vou te contar. Quando soube que estava grávida de você, eu entrei em desespero. Seus irmãos ainda eram bebês, eu tinha acabado de ter sua irmã, e não soube o que fazer. Então, procurei um homem que vendia chás. Expliquei a ele a situação e comprei uma erva. Tomei o chá e aguardei. Depois de um tempo comecei a ficar preocupada porque não fez efeito algum. Voltei a casa do homem e ele disse que além do chá precisava fazer uma simpatia. Fiz e nada. Não adiantou, você quis nascer e não teve jeito, e hoje é meu bebê.”
 
Eu fiquei sem reação na hora. Ela seguiu dizendo do medo que sentiu de eu nascer com algum problema em decorrência do chá, da culpa que sentiu. Eu olhei em seus olhos e disse: mãe, fica tranquila. Eu te amo e você me ama. Ela me abraçou e chorou muito. 
 
Minha mãe nasceu em 1950 numa família rígida. Começou a trabalhar ainda criança no interior de São Paulo e saiu de casa aos 18 para morar e trabalhar na capital paulista em casa de família. Passou por situações de assédio de patrões, de violências, até conhecer e se casar com meu pai. Minha mãe soube desde cedo o que era violência institucional.
 
À época que ela me contou, eu tinha só 16 anos e não soube elaborar muito bem o que dizer a ela, mas minha mãe se libertou depois daquela conversa e passamos a ser mais amigas depois daquilo até sua morte, quando eu tinha 21.
 
Mas hoje, eu também sendo mãe, se pudesse diria mais coisas. Que eu entendia o medo dela de ter mais uma filha com diferença de um ano para a última; que apesar de amar meu pai e ele ter sido ótimo pra mim, eu entendia hoje o quanto ele foi machista com ela. Diria que vivemos em um país onde o Estado controla os corpos das mulheres e justamente por isso elas precisam passar por situações de descaso e desespero. E, que apesar da criminalização do aborto, mulheres realizam o procedimento e mulheres como ela, negras, são as que mais morrem em decorrência disso.
 
Falaria que mulheres negras são as maiores vítimas de mortalidade materna; que o racismo institucional na área de saúde mata mulheres como ela diariamente. A abraçaria de novo para tentar extirpar todo o medo e a angústia que ela sentiu durante minha gestação, a culpa que ela carregou por 16 anos sozinha. 
 
Talvez este texto também pudesse se chamar: "Carta póstuma à minha mãe". Acima de tudo, eu a olharia com ternura nos olhos e diria: "Mãe, não há o que perdoar. O Estado sabe muito bem o que faz."
 

“Minha vagina é poderosa”, diz homem trans ativista

Buck Angel

Buck Angel vem ao Brasil em novembro para conferência internacional 

Um garanhão. Uma vagina. Ao contrário do que a cena pode sugerir, o primeiro não cobiçará a segunda, mas a exibirá como troféu. A vagina, afinal, é parte do corpo do garanhão, que resiste há anos a quaisquer tentativas de retirá-la para dar espaço a um pênis. O garanhão, no caso, é o americano Buck Angel, ativista, produtor de filmes adultos, ícone LGBT e uma das maiores vozes de homens trans do mundo.
 
A coragem que o levou a não abdicar de sua vagina em meio às transformações hormonais pelas quais decidiu passar rendeu a Buck diversos prêmios, como o Feminist Porn Award (2012), e o traz ao Brasil para compartilhar sua experiência com a comunidade trans na 1ª Conferência Internacional [SSEX BBOX] & Mix Brasil, entre os dias 18 e 22 de novembro, dentro do 23o Festival Mix Brasil de Cultura da Diversidade, quando ele ministra também um workshop.
 
“Me sinto muito empoderado pelo fato de ter vivido como mulher antes de me tornar homem, e minha vagina me capacita para entender certas coisas mais do que um homem que nasceu com pênis”, explica em entrevista à CartaCapital
 
O processo de aceitação, ele reconhece, é uma trajetória penosa. Buck lembra de ver as transformações da puberdade como uma traição de seu corpo. “Eu começava a bater nos meus seios para tentar impedi-los de crescer”, conta. “Comecei a beber muito, usar drogas, tentei me matar. Ninguém me falou que eu poderia ser um homem. As pessoas achavam que eu era doente e deveria ir para o hospital.” 
 
Se hoje a comunidade trans ainda sofre para se fazer respeitada, ele alerta, quem tem responsabilidade em reverter esse quadro, assim como o recorde de crimes homofóbicos e contra transexuais no Brasil, é o próprio governo. “Seu governo tem de se envolver e entender o significado de direitos humanos. Somos humanos e temos o direito de viver.”
 
Buck Angel vem ao Brasil em novembro para conferência internacional
 
CartaCapitalO que é gênero?
 
Buck Angel – Essa é uma grande questão e agora, mais do que nunca, difícil de se responder. Acredito que hoje gênero pode ser expresso de muitas maneiras e não apenas nas de homem ou mulher. Algumas pessoas não sentem que são apenas homens, por exemplo, mas homem e mulher. Outras não sentem que aquela terminologia representa a maneira como veem seu corpo. Então, gênero, hoje, para mim, é expresso pelo indivíduo e não por padrões de comunidades. O gênero não pode ser expresso apenas pelas genitais. 
 
CC Você, através de sua história e ativismo, criou o grupo dos homens com vagina. Um homem com vagina é diferente de um homem com pênis?
 
BA – Sim, a principal razão pela qual somos diferentes de homens que nasceram com pênis é termos uma perspectiva diferente do mundo. Muitos de nós crescemos mulher e, após a transição, escolhemos manter nossa vagina. Eu posso dizer por mim: me sinto muito empoderado pelo fato de ter vivido como mulher antes de me tornar homem, e minha vagina me capacita para entender certas coisas mais do que um homem que nasceu com pênis.
Acredito que minha identidade não é apenas minha vagina, e sinto que muitos dos homens com pênis têm sua identidade atrelada a ele, porque é como os homens são criados. Um pênis é muito poderoso para o homem, mas, para mim é a minha vagina que é poderosa. E ela não é toda a minha identidade, mas parte dela.
 

CC Você costuma dizer que se sente um garanhão com vagina. Como é isso?
 
BA O que quero dizer é que me sinto muito poderoso. Acredito que, por nunca ter me sentido como mulher com minha vagina, foi através do meu crescimento como homem que entendi que ela é parte do meu corpo e tenho de aprender a amá-la, pois não vou ter um pênis. Eu tive de aprender a aceitar minha vagina, e isso se tornou um ponto muito específico de transição em minha vida, para que eu pudesse ser dono de mim mesmo. Eu me sinto um garanhão mesmo, me sinto muito poderoso. 
 
CC Você sente atração por homens e mulheres? Em uma transa com homem, define como sexo gay? Por outro lado, se transasse com mulher seria uma transa heterossexual? Como isso pode ser definido?
 
BA – Eu faço sexo com homem e mulher, sou bissexual. Quando eu faço sexo com um homem, sim, é sexo gay. Alguns argumentam que não se trata de sexo gay, pois eu tenho uma vagina e então seria sexo hétero. Isso não é verdade, pois eu sou um homem, só que com uma vagina. Quando estou com uma mulher, estou tendo uma relação heterossexual, ainda que muitos digam que se trata de sexo lésbico.
 
Eu estou tentando quebrar essas ideias sobre o que significa ser homossexual, homem, mulher. Por que a gente sempre tem de estar dentro de determinadas caixinhas e dizer, por exemplo, “eu sou um homem gay, que gosta de outros homens gays”? Por que não podemos ser apenas seres humanos, que gostam de pessoas? É para isso que estou lutando: para que as pessoas parem de se rotular.
 
CC Por que você nunca pensou em implantar um pênis?
 
BA – Na verdade, eu quis ter um pênis, no início da minha transição, há mais de vinte anos. À época, não havia muita informação com médicos ou na internet, então tive de descobrir como poderia ter um. Para mim foi importante quando percebi que não teria um pênis. Não gostei da forma como seria realizada a cirurgia, não gostei do fato de haver muita chances de eu perder o meu orgasmo e a sensibilidade em meus genitais. Se eu escolhesse ter um pênis não seria algo funcional. Para mim, eu tive de olhar: o que é mais importante? E a resposta é sexo, eu amo sexo. Então eu decidi que não teria um pênis.

Buck Angel vem ao Brasil em novembro para conferência internacional

CCComo foi o processo de transição de Susan para Buck?
 
BA Eu sempre me senti muito muito homem, minha vida sempre foi muito masculina. Aos 15 anos, meus seios começaram a crescer, e isso criou muitos problemas para mim. Comecei a beber muito, usar drogas, tentei me matar. Ninguém me falou que eu poderia ser um homem, não era como é hoje.
As pessoas antes achavam que eu era doente e deveria ir para o hospital, passar por avaliações psiquiátricas, porque elas não me entendiam. Eu era identificado como uma mulher gay, mas não estava feliz com isso. Aos 20 anos, percebi que queria fazer uma mudança de sexo e comecei o processo de mudar o meu corpo e a tomar testosterona. Tive uma terapeuta em Los Angeles que se tornou um instrumento fundamental para eu me encontrar como sou hoje. Por causa dessa mulher eu consegui ver que não era louco.
 
CC Em outras ocasiões você lembra ter se sentido traído por seu corpo na puberdade. Qual a imagem que mais o chocou nessa época?
 
BA – A imagem que mais me chocou foi a dos meus seios. Quando meus seios começaram a crescer eu pegava as minhas mãos fechadas e começava a bater neles para tentar impedi-los de crescer. Minha mãe olhava aquilo e dizia: “O que você está fazendo?”, e eu gritava: “Eu não quero isso, não quero ter esses seios”. E ela: “Mas você é uma garota, tem de tê-los”. Até que comecei a detestar meu corpo demais... Ele fazia eu me sentir uma mulher, e eu nunca havia me sentido assim. É destruidor para os trans se sentirem traídos por seu corpo.
 
CC Muitos diziam que você não seria homem até ter um pênis. Mas você mesmo percebeu que isso não o torna um homem. O que é ser homem, afinal?
 
BA – Essa é a pergunta de 1 milhão de dólares! Se eu encontrasse a resposta para essa pergunta, eu seria Deus, porque não é possível encontrar uma determinada resposta a ela. Eu poderia dizer por mim, mas o que me faz homem é diferente do que é para os outros. Acho que homem que nasce biologicamente homem tem uma ideia diferente do que é ser homem. Minha ideia do que é ser homem é ser vulnerável, amoroso, amar a mim mesmo e entender que somos humanos. Eu acho que temos de retreinar os homens para que sejam mais respeitosos. Não é só porque você é um homem que é a coisa mais importante desse mundo, e acredito que muitos homens pensem assim.
 
CC Como enxerga as tentativas da mídia de tratar o tema da transexualidade, às vezes de maneira preconceituosa, como recentemente aconteceu com você no talk show do Jô Soares
 
BA – Foi horrível, mas o engraçado é que isso acontece o tempo todo comigo. Porque as pessoas olham para mim e fazem piada. Mas quando estão falando de mim, colocando minha foto para outros verem, sinto que estou educando. Por que não me levam para o programa e discutimos isso para todo o Brasil? Por que fizeram piada de mim? Porque não me entenderam. E é assim que as pessoas reagem àquilo que não entendem: riem daquilo. Quero ir ao programa quando eu estiver no Brasil para discutir com eles e mudar suas opiniões sobre isso. Garanto que pedirão desculpas para mim.
 
CC Uma de suas mensagens enquanto ativista é tentar fazer com que as pessoas pensem fora de caixinhas normativas, de hetero, homossexual etc. Como fazer isso se desde o nascer somos bombardeados com atividades, cores e assuntos destinados para meninos, meninas, gays, lésbicas etc?
 
BA – O que sempre digo às pessoas é: saiam ao mundo de forma autêntica como são e parem de ficar assustadas com o que falam sobre vocês. É a única maneira de a gente começar a mudar e de as pessoas começarem a perceber que não há caixinhas, criaram essas caixas e agora temos de descriá-las. Nós, enquanto trans, temos uma oportunidade agora de fazer uma grande mudança no mundo, mas não se conformando com ideias normativas. Não se trata de ser trans ou não, mas de uma evolução sobre gênero e sexualidade. É a oportunidade de fazer o mundo um lugar melhor.
 
CC Que tipo de manifestação você recebe em suas redes sociais e como as monitora?
 
BA  Tenho sorte de ter muitos fãs ao redor do mundo, inclusive no Brasil. Eu não acredito quantos fãs tenho no Brasil, sou como uma estrela aí. No caso do programa do Jô Soares, todo mundo começou a tuitar, a colocar no meu Facebook, e eu comecei a ler. Mas isso acontece comigo o tempo todo. As pessoas mandam citações sobre mim, administro as redes o tempo todo, traduzo quando preciso.
 
CCO Brasil é campeão mundial em crimes homofóbicos e também contra transexuais. Você pensa em falar sobre isso quando vier a São Paulo, em novembro, para a 1ª Conferência Internacional [SSEX BBOX] & Mix Brasil?
 
BA Quero falar sobre como as pessoas podem se mobilizar para chegar até o governo e mudar isso. Temos de falar sobre o seu país e o ódio contra a comunidade LGBT. Para mim, é louco o Brasil ter a mais alta taxa de assassinato de trans em todo o mundo. Esse tema tem de ser levado de maneira mais séria, e essa é uma das razões que me fazem ir para aí, pois me sinto instado a ajudar essa comunidade.
 
E sei que minha voz tem algum peso. A comunidade de homens trans apenas agora está ficando conhecida no mundo. Eu tenho amigos no Brasil, mas eles não têm tanto apoio. Acho que nos próximos anos a comunidade de homens trans no Brasil ganhará grande visibilidade. Mas, antes, quem tem o principal papel para mudar isso é o seu governo. Seu governo tem de se envolver e entender o significado de direitos humanos. Somos humanos e temos direito de viver.

Buck Angel vem ao Brasil em novembro para conferência internacional

CCEssa será a sua primeira vez no Brasil? O que espera daqui? Como produtor e ator de filmes adultos, você planeja filmar algo por aqui?
 
BA – Sim, terei apenas uma semana aí, mas será muito importante e transformador participar de uma conferência que tende a causar muitas mudanças em seu país. E se eu tiver tempo, vou querer filmar. Encontrei, por exemplo, um homem trans cuja parceira é uma mulher trans, e eles querem fazer um filme para mim. Isso será incrível! E também queria uns garotos brasileiros para meus filmes. Seria demais!
 

Alcoolismo é doença

Dez por cento da população brasileira sofre com o alcoolismo. Os homens estão à frente nessa estatística com 70% dos casos, enquanto as mulheres correspondem a 30%. "O alcoolismo é a doença mental mais comum no mundo”, afirma Sérgio Nicastri, psiquiatra do Hospital Israelita Albert Einstein.
 
Alcoolismo é doença
 

Apesar de comum e dos altos índices de adictos, ainda existe muita dúvida e preconceito em torno da doença, o que dificulta o tratamento. “Encarar o problema de frente é um desafio para o doente e para sua família. “Ainda existem pessoas que enxergam o alcoolismo como fraqueza, falta de caráter, e não como uma doença”, avalia o médico.
 
Esse pensamento tem a ver com a história. Apenas nos últimos trinta anos a dependência passou a ser vista como uma doença, com sintomas e sinais bem definidos. “Ela é uma condição patológica que tira a liberdade do indivíduo de optar pelo consumo ou não de bebida alcoólica”, explica o psiquiatra do Einstein.
 
Encarar o problema de frente é um desafio para o doente e para sua família.
Histórico familiar de alcoolismo é um fator importante. Nesse caso a pessoa herda geneticamente a predisposição à dependência e pode apresentar maiores chances de aderir ao vício de bebidas alcoólicas. Entretanto, outros fatores devem ser observados: ansiedade, angústia e insegurança também deixam as pessoas mais vulneráveis à bebida. Além disso, condições culturais, fácil acesso ao álcool e os valores que cercam seu consumo também influenciam na dependência.

Quando é dependência

A medicina trabalha com critérios claros e bem definidos para diagnosticar casos de dependência de qualquer tipo de droga. Essa inovação no diagnóstico ocorreu na década de 80 e pode ser aplicada em qualquer indivíduo. Alguns desses critérios são:
  • Perda de controle: desejo incontrolável de consumo.
  • Tolerância: necessidade de consumir doses maiores para obter o mesmo efeito de quando se bebia menos.
  • Síndrome de abstinência: surgimento de sintomas físicos e psíquicos quando o consumo é reduzido ou interrompido.
  • Tentativa de evitar a síndrome de abstinência: busca pela droga para não sentir os sintomas da abstinência.
  • Saliência do consumo: a droga é mais importante do que tudo o que o indivíduo valorizava.

É preciso tratar

Toda mudança de comportamento apresenta dificuldade
Os primeiros passos rumo à recuperação são reconhecer-se doente e querer mudar de vida. A partir daí, o dependente deve procurar um profissional da saúde mental (psicólogo ou psiquiatra) que vai avaliar o quadro, examiná-lo e conversar com a família.
 
“Toda mudança de comportamento apresenta dificuldade. Por isso, o melhor tratamento é aquele que é decidido em conjunto com o paciente, o médico e a família, pois o dependente precisa de apoio de todas as pessoas que estão à sua volta”, explica o psiquiatra.
 
Internar ou não, por quanto tempo e onde são outras etapas que devem ser avaliadas sempre com a ajuda de um médico.
 
O medo dos sintomas da abstinência são muito comuns entre pacientes. “O que poucas pessoas sabem é que hoje existem medicamentos que ajudam a diminuir esses sintomas. Além disso, utilizamos estratégias psicológicas que deixam o paciente em estado de alerta e preparado para enfrentar as situações difíceis”, diz o dr. Nicastri.
 
Apenas nos últimos trinta anos a dependência passou a ser vista como uma doença, com sintomas e sinais bem definidos

Consumo de baixo risco

Beber é sempre um risco. Afinal, apenas uma dose de álcool no sangue já é suficiente para diminuir o estado de atenção. Por isso, fala-se em consumo de baixo risco, ou seja, ingestão de quantidades de álcool que não causam dependência.
 
Para os homens essa quantidade significa 14 doses por semana e não mais que quatro doses por ocasião. Já para as mulheres, 12 doses por semana e apenas duas por evento. Uma dose corresponde a 10 gramas de álcool, o equivalente a uma latinha de cerveja ou uma taça de vinho bem servida.
 
Vale dizer que o alcoolismo é apenas uma das doenças causadas pelo álcool. Uma pessoa pode não desenvolver dependência e ter uma série de outros problemas de saúde, como a cirrose.

Atendimento no Einstein

O Hospital Israelita Albert Einstein oferece o Programa de Tratamento de Dependentes de Álcool e Drogas, o PAD. Uma equipe especializada nessa área desenvolve programas de prevenção e assistência no tratamento.
 
Saiba mais sobre dependência de álcool e drogas no site www.einstein.br/alcooledrogas .
 

Ator de 'Glee' é preso acusado de pedofilia

Ator de Glee - Foto/Divulgação: Google
 
A imprensa americana está em polvorosa com uma notícia envolvendo um dos atores jovens mais conhecidos do país. Mark Salling virou um verdadeiro ícone da garotada em todo o mundo por ter feito parte do seriado musical 'Glee'. No produto dramatúrgico que foi exibido pela Fox e pela TV Globo, ele deu vida a 'Noah Puck Puckerman'. Nesta terça-feira, o ator, foi preso acusado de pedofilia por portas materiais contendo pornografia infantil.

Material adulto com crianças estava na casa de ator polêmico

De acordo com informações da revista Variety, repercutidas no Brasil pelo portal de notícias UOL,  a polícia dos Estados Unidos foi até a casa de Mark Salling no estado americano da Califórnia. Os profissionais de segurança adentraram no local após receberem um mandado de revista do Departamento de Crimes de Internet. A operação é voltada aos crimes cibernéticos contra crianças e adolescentes e está sendo encabeçada pela polícia de Los Angeles. Outros locais na região também sofreram revista. 

Silêncio depois de prisão

Até o momento, o ator de 'Glee' não se pronunciou sobre a prisão. A assessoria de comunicação dele também não  está passando informações sobre o caso, como relatam as agências de notícias internacionais. A única coisa que foi confirmada é de fato que houve a prisão e que a polícia dos Estados Unidos deixou um papel com o mandado para isso na mansão de Salling. O órgão de segurança, no entanto, não deu detalhes revelando se o ator estava ou não em sua residência e onde ele teria sido encontrado. 
 
Em janeiro deste ano, Mark Salling já tinha se envolvido em encrenca com a justiça. O profissional das artes recebeu um processo de seu ex-amor. Ele e Roxanne Gorzela se envolveram em uma namoro, que teria acabado em agressão sexual. De acordo com Roxanne, o ator a empurrou depois que ela teria se negado a ter uma relação íntima sem camisinha. Por conta do ato, Salling precisou desembolsar uma fortuna, quase três milhões de dólares, que convertidos para reais chegariam a R$ 11 milhões. 

http://br.blastingnews.com/mundo/2015/12/ator-de-glee-e-preso-acusado-de-pedofilia-00713431.html

Natal: sempre que nasce uma criança é sinal de que Deus ainda acredita no ser humano

Estamos na época de Natal mas a aura não é natalina, é antes de sexta-feira santa. Tantas são as crises, os atentados terroristas, as guerras que, juntas, as potências belicistas e militaristas (USA, França, Inglaterra, Russa e Alemanha) conduzem contra o Estado Islâmico, destruindo praticamente a Síria com uma espantosa mortandade de civis e de crianças como a própria imprensa tem mostrado, a atmosfera contaminada por rancores e espírito de vindita na política brasileira, sem falar dos níveis astronômicos de corrupção: tudo isso apaga as luzes natalinas e amortecem os pinheirinhos que deveriam criar uma atmosfera de alegria e de inocência infantil que ainda persiste em cada pessoa humana.
 
Quem pôde assistir o filme Crianças Invisíveis, em sete cenas diferentes, dirigido por diretores renomados como Spike Lee, Katia Lund, John Woo entre outros, pode se dar conta da vida destruída de crianças, de várias partes do mundo, condenadas a viver do lixo e no lixo; e ainda assim há cenas comovedoras de camaradagem, de pequenas alegrias nos olhos tristes e de solidariedade entre elas.
 
E pensar que são milhões hoje no mundo e que o próprio menino Jesus, segundo os textos bíblicos, nasceu fora de casa, numa mangedoura de animais porque não havia lugar para Maria, em serviço de parto, em nenhuma estalagem de Belém. Ele se misturou com o destino de todas estas crianças maltratadas pela nossa insensibilidade.
 
Mais tarde, esse mesmo Jesus, já adulto dirá:”quem receber esses meus irmãos e irmãs menores é a mim que recebe”. O Natal se realiza quando ocorre esse acolhimento como aquele que o Padre Lancelotti organiza em São Paulo para centenas de crianças de rua sob um viaduto e que contou, por anos, com a presença do Presidente Lula.
 
No meio desta desgraceira toda, no mundo e no Brasil, me vem à mente o pedaço de madeira com uma inscrição em pirografia que um internado num hospital psiquiátrico em Minas Gerais me entregou por ocasião de uma visita que fiz por lá para animar os atendentes. Lá estava escrito: ”Sempre que nasce uma criança é sinal de que Deus ainda acredita no ser humano”.
 
Poderá haver ato de fé e de esperança maior que este? Em algumas culturas de África se diz que Deus está de uma forma toda especial presente nos assim chamados por nós de “loucos”. Por isso eles são adotados por todos e todos cuidam deles como se fossem um irmão ou uma irmã. Por isso são integrados e vivem pacificamente. Nossa cultura os isola e não se reconhece neles.
 
O Natal deste ano nos remete à essa humanidade ofendida e a todas as crianças invisíveis cujos padecimentos são como os do menino Jesus que, certamente, no severo inverno dos campos de Belém, tiritava na mangedoura. Segundo lenda antiga, foi aquecido pelo bafo de dois velhos cavalos que como prêmio ganharam, depois, plena vitalidade.
 
Vale lembrar o significado religioso do Natal: Deus não é um velho barbudo, de olhos penetrantes e juiz implacável de todos os nossos atos. É uma criança. E como criança não julga ninguém. Quer apenas conviver e ser acarinhado. Da mengedoura nos vem esta voz: ”Oh, criatura humana, não tenhas medo de Deus. Não vês que sua mãe enfaixou seu bracinhos? Ele não ameaça ninguém. Mais que ajudar, ele precisa ser ajudado e carregado no colo”.
 
Ninguém melhor que Fernando Pessoa entendeu o significado humano e verdadeiro do menino Jesus:
”Ele é a Eterna Criança, o Deus que faltava. Ele é humano que é natural. Ele é o divino que sorri e que brinca. E por isso é que eu sei com toda certeza que ele é o Menino Jesus verdadeiro. É a criança tão humana que é divina. Damo-nos tão bem um com o outro, na companhia de tudo, que nunca pensamos um no outro…Quando eu morrer, filhinho, seja eu a criança, o mais pequeno. Pega-me tu ao colo e leva-me para dentro de tua casa. Despe o meu ser cansado e humano. E deita-me na cama. E conta-me histórias, caso eu acorde, para eu tornar a adormecer. E dá-me sonhos teus para eu brincar até que nasça qualquer dia que tu sabes qual é”.
 
Dá para conter a emoção diante de tanta beleza? Por causa disso, vale ainda, apesar dos pesares, celebrar discretamente o Natal.
 
Por fim tem alto significado esta última mensagem singela  e encantadora: “Todo menino quer ser homem. Todo homem quer ser rei. Todo rei quer ser “deus”. Só Deus quis ser menino”.
 
Abracemo-nos mutuamente, como quem abraça a Criança divina (o puer aeternus) que se esconde em nós e que nunca nos abandonou.
 
E que o Natal seja ainda uma festa discretamente feliz.
 
 
 
 
Leonardo Boff escreveu O Natal, a bondade e a jovialidade de nosso Deus,Vozes,Petrópolis 2003.
 
 

Lamento e lágrimas pelo Rio Doce

Fiquei chocado com os eventos da contaminação do Rio Doce. Acho que a VALE-Samarco matou o Rio Doce. Matou também o Rio das Velhas. Matou muito mais coisas.

Uma profunda tristeza se abateu sobre mim. Tristeza que veio com a lama tóxica, este absurdo subproduto da mineração, que escorreu do coração de Minas, para matar um pedaço dela mesma – um dos mais belos pedaços – e uma boa porção do Brasil, no qual está até o nosso querido Espírito Santo. Chorei. Chorei de verdade. Senti no peito e não deu para segurar.

Ah! Aquelas proféticas palavras de Drumond, hoje tão citadas na mídia social, mas por tanto tempo esquecidas… “O Rio? É  Doce, A Vale? Amarga. Quantas toneladas exportamos de ferro? Quantas lágrimas disfarçamos sem berro?“. Pois é. Desta fez não deu para disfarçar. Saíram.

Quanto descobri a política, nos anos do colegial, no início dos sessenta, fui viver naquela grande plantação de sonhos que foram as lutas pelas reformas de base. Neste contexto, por vários motivos que não vem ao caso neste momento, terminei por mergulhar de cabeça em uma luta deflagrada pelos estudantes de geologia da Escola Nacional de Minas, em Ouro Preto. Organizei conferencias, fiz cartazes, estas coisas. Este movimento terminou por empolgar Minas. O movimento se chamava “O Minério não dá duas safras”.

Os conteúdos, ainda me lembro bem, eram mais ou menos assim. O Minério é a carne, aliás os ossos, do território. Não pertence a uma geração, mas deverão servir aos brasileiros das gerações futuras. Seu uso deve ser limitado. Isto não atrapalharia o desenvolvimento, pois países que não possuem minérios também se desenvolvem. Sendo território presente e futuro dos brasileiros, não deveria ser entregue a empresas privadas e jamais a empresas estrangeiras.

A campanha alertava também para uma importante questão. O território onde o minério está assentado é um dos pedaços mais preciosos do patrimônio histórico brasileiro. Seus arraiais, vilas, cidades, ruas e praças. Formam o cenário de importantes lutas políticas e sociais do Brasil. Esta paisagem tinha que permanecer garantida, para os que viessem depois, no futuro, conhecessem nossas raízes e os cenários da nossa história.

Ou seja, deveriam ser estabelecidos limites quantitativos e também geográficos, territoriais e paisagísticos. E muitas outras coisas. Acho que se pensava em uma lei para estabelecer os limites da mineração. Como se pode observar, ainda não se colocava a questão ecológica. Também ainda não existia a Usina de Tubarão.

Como o amigo pode perceber sou daquele povim simples que aprendeu a amar o Brasil admirando sua beleza e impressionado com sua grandeza, e, que aprendeu também, que somos os seus senhores e os responsáveis por ele.

Naquela bela adolescência política, como mineiro que começava a amar a construção da história, me sentia como um guardião, um defensor, daquele “coração de ouro em peito de ferro” que o Brasil possui nas nossas minas gerais, como está escrito no panteão da Escola de Minas de Ouro Preto, junto aos restos mortais de um antigo diretor da Escola.

É verdade que dali, de nossas belas montanhas, já desceram muitas riquezas, que iam sempre embora para enriquecer outros povos do mundo….

Mas também é verdade que das vertentes das nossas serras, da Serra do Espinhaço, da Serra da Canastra, da Mantiqueira, da Moeda, do Curral, e muitas outras sempre desceram águas limpas e puras, que se debulhavam em cachoeiras para nosso encanto e para o prazer, para a alegria, e para molhar, alimentar e embelezar o Brasil. São Francisco, Jequitionha, Doce, Mucuri, Paraibuna e tantos e tantos. Sentíamos certo orgulho do que o nosso estado oferecia.

Orgulho só comparável àquele que sentíamos por sermos o berço de ideias tão bonitas sobre o Brasil, defendidas com fervor, com o sangue, vida e desterro, pelos dos revolucionários de 1789, que testemunharam a nossa invencível vontade de independência e de liberdade.

Estas ideias, estes sonhos e estes testemunhos também desciam junto com nossas águas, jorravam de nossas nascentes, escorregavam por nossas cachoeiras e inundavam o Brasil de esperança e de civismo. Sonhos que desciam bonito levando também consigo a beleza simples da mais bela e rica paisagem urbana do Brasil Colonial.

Destas montanhas de ouro e ferro, também descia arte. Muita arte. Junto com os Profetas em pedra sabão de Aleijadinho e a exuberante arte sacra mineira, descia também uma das mais gostosas literaturas de toda a língua portuguesa, como nos apresenta mestre Guimarães Rosa. Tudo descia junto com nossas poesias, que estão entre as mais belas que já soubemos fazer, como nos mostra Drumond.

A poesia mineira carrega em sua beleza e em sua densidade algo mais que a beleza da criação poética. Traz o compromisso radical dos seus poetas com as liberdades e a autonomia cultural do Brasil, como se pode constatar pela presença de Alvarenga Peixoto, Cláudio Manoel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga e outros ali no panteão dos revolucionários mineiros de ‘89, que está na mesma praça de Ouro Preto.

De Minas sempre desceram sonhos, encantamentos, mitos, caipirês gostoso, queijin, rapadurinha, costelinha de porco com torrêsmin e um feijãozin tropeiro. Muita cachaça boa. As melhores que nosso país aprendeu fazer. Muita carne, muito pequi, buriti… E desceu muita musica. Músicas lindas de todos os tipos e da melhor qualidade. Que encantaram e continuam a encantar o Brasil e o mundo.

Pode-se imaginar o que foi para minha alma simples de sertanejo mineiro ver descer das mesmas montanhas, tão amadas, aquela lama tóxica que está matando o mundo, a natureza, as plantas, os bichos, os peixes e matará as pessoas. Que está matando rios, lagos, e que matará também um pedaço do oceano Atlântico. Um crime, uma bandidagem. E tudo isto só para alguns ganharem dinheiro…

Junto com a imagem da lama chegou uma grande tristeza. Um profundo silêncio, um aperto de coração, denso e grave. Aquela dor. Acho que a lama feriu o coração do Brasil.

Para não me alongar:

  1. O governo mineiro é da VALE; a bancada mineira no congresso é da VALE, o sistema político do pais, corrompido – todo -, palco e moldura de tantos escândalos, é corrompido também pela VALE;

  2. A imprensa é da VALE;

  3. E tantas outras coisas que não cabe aqui referir.

Este foi o modo com o qual me envolvi com o drama/tragédia da contaminação do Rio Doce. Tão boa e tão oportuna. Demorei para comentá-la porque não saberia falar deste tema senão do modo como fiz agora. Relacionando-o com o início dos meus sonhos políticos, da aprendizagem da cidadania e com o início da minha militância.

O sentimento que dominou foi a tristeza, que acabou escorrendo em lágrimas disfarçadas ao inteirar-me dos fatos, mas que saltaram copiosas, quentes e tristes quando vi no Face Book um filme sobre o  rompimento da barragem e o Rio de Lama que se formou. A cada filme, e são muitos, continuam a rolar.

Esta lama é uma derrota para o Brasil, para seu presente e seu futuro. É um sonho que virou pesadelo, um sorriso que virou grito.

Sei que atravessaremos mais esta. Mas não precisava tanto.

Com um abraço fraterno

Luiz Gonzaga

 
 
Luiz Gonzaga de Souza Lima, mineiro, que de Petrópolis optou por viver em Cumuruxatiba, no Sul da Bahia, perto de onde as naus de Cabral aportaram. Escolheu viver perto dos índios como um monge para dai pensar o Brasil e o mundo. Posssui sólida formação como cientista político e analista da história brasileira, além de ter sido militante contra a ditadura militar e ter vivido por anos exilado na Itália.
 
 

Os olhos milagrosos da Virgem de Guadalupe



















Um dos maiores milagres de Nossa Senhora de Guadalupe é a sua própria imagem, projetada sobre um tecido feito de cacto que não costuma durar mais de 20 anos. No entanto, o manto com a imagem milagrosa da Mãe de Deus existe há quase cinco séculos sem que os peritos em pintura e química tenham encontrado nele qualquer sinal de corrupção! Além de ter passado intacto por um período de 16 anos em que permaneceu sem proteção nenhuma, o tecido foi “vítima” de um grave acidente em 1971: alguns peritos deixaram cair ácido nítrico sobre toda a imagem. Nem sequer a força desse ácido altamente corrosivo, porém, conseguiu danificá-la.

 
A vasta quantidade de estudos científicos realizados com a imagem aponta que a Virgem de Guadalupe não foi pintada sobre o pobre tecido: ela está, de algum modo, estampada “acima” do tecido, como que “flutuando” ligeiramente sobre ele, sem tocá-lo!
 
Quanto à imagem propriamente dita de Maria, que é representada grávida, há nela toda uma miríade de elementos inexplicáveis. Vamos destacar aqui apenas seus olhos.
Os olhos milagrosos da Virgem de Guadalupe
  • Assim como a figura das pessoas com as quais falamos se reflete em nossos olhos, estão refletidos nos olhos de Nossa Senhora as figuras do índio Juan Diego, do bispo da Cidade do México e do intérprete entre eles. Cientistas dos Estados Unidos estudaram as imagens refletidas e concluíram que as figuras não são pintadas, mas gravadas nos olhos de uma pessoa viva.
  • O diminuto tamanho das córneas na imagem, de cerca de 7mm a 8mm, descartam a possibilidade de pintura. Além disso, o rudimentar tecido de fibras do cacto maguey apresenta poros e falhas na costura que são maiores que as próprias córneas da imagem. Nem mesmo a tecnologia de hoje permite reproduzir tamanha riqueza de detalhes sobre um tecido tão inadequado.

  • Os estudos dos olhos da Virgem de Guadalupe levaram à descoberta de 13 pequenas imagens. Mas as surpresas vão além. 1 milímetro da imagem foi ampliado 2.500 vezes e descobriu-se que, num dos seus pontinhos microscópicos, pode-se ver a pupila do bispo dom Zumárraga, que aparece por inteiro na pupila de Nossa Senhora. Acontece que, também na pupila do bispo, está refletida a imagem de Juan Diego mostrando o poncho com a imagem da Virgem de Guadalupe.

  • A imagem de Juan Diego, portanto, aparece duas vezes: uma nos olhos da Virgem e outra nos olhos do bispo, que, por sua vez, está refletido nos olhos da Virgem.
  • O papa Bento XIV, em 1754, declarou sobre a imagem: “Tudo nela é milagroso: uma imagem que provém de flores colhidas num terreno totalmente estéril, no qual só podem crescer espinheiros… Uma imagem estampada numa tela tão rala que, através dela, podem-se ver o povo e a nave da Igreja… Deus não agiu assim com nenhuma outra nação”.

5 milagres que a ciência tentou, mas nunca conseguiu explicar

Um milagre é um acontecimento sobrenatural, ou seja, acima do natural: ele contraria as leis da natureza e a ciência não consegue explicá-lo, por mais que os cientistas analisem, reanalisem e debatam.
 
Há relatos de milagres em praticamente todas as religiões, e, ao longo do tempo, a ciência desmentiu muitos deles. Outros, porém, continuam inexplicáveis e assombrosos, como estes dez, listados pelo site Live Science.
 
Particularmente chamativo é o fato de que, dos dez milagres listados, todos os dez são milagres cristãos – e seis deles envolvem Nossa Senhora!

Destacamos cinco dos milagres listados pelo Live Science:

1 – O milagre do sol, em Fátima

milagre do sol

Em 13 de outubro de 1917, 70 mil pessoas, incluindo jornalistas, testemunharam o milagre que tinha sido anunciado pelas três crianças a quem Nossa Senhora tinha aparecido. Ao meio-dia, depois de uma forte chuva que parou de repente, as nuvens se abriram diante dos olhos de todos e o sol surgiu no céu como um disco luminoso opaco, que girava em espiral e emitia luzes coloridas. O fenômeno durou cerca de 10 minutos e está na lista oficial de milagres reconhecidos pelo Vaticano. Os céticos tentam atribuir o evento ao fenômeno atmosférico do parélio, mas sem provas e sem explicar como foi que as crianças o “previram”.

2 – O sangue de São Januário

milagre januario

São Januário ou “San Gennaro”, em italiano, é o padroeiro de Nápoles. Ele foi martirizado no século
IV e um pouco do seu sangue foi guardado em um relicário. Devendo estar completamente seco depois de 1.700 anos, o que acontece é que, todo ano, em 19 setembro, o sangue se liquefaz diante de milhares de fiéis. A liquefação começou a acontecer depois do terremoto de 1980, que matou mais de 2.500 pessoas em Nápoles. Os cientistas têm muitas teorias sobre o caso, mas até hoje não conseguiram explicar o fenômeno.

3 – O corpo incorrupto de Santa Bernadete de Lourdes

milagre sta bernardete

O corpo de Santa Bernadete de Lourdes, que faleceu em 1879, continua em exposição na Capela de Santa Bernadete, na França, perfeitamente incorrupto. A primeira exumação foi feita em 1909 e os médicos que a realizaram ficaram surpresos ao constatar que o corpo não só não exalava qualquer odor, como também estava em perfeito estado de conservação. A pele se mostrava macia e com consistência quase normal ao ser cortada, o que é inexplicável pelas leis da natureza. O corpo foi reavaliado em outras duas ocasiões, com as mesmas constatações de incorruptibilidade milagrosa.

4 – A imagem da Virgem de Guadalupe

milagre guadalupe

A imagem de Nossa Senhora de Guadalupe surgiu em 1531, quando o índio Juan Diego disse ter visto a Virgem Maria num campo próximo da Cidade do México. Como prova, ele apresentou seu manto, um tecido feito de fibra de cacto e de qualidade bem pobre, no qual a imagem de Maria teria sido “impressa” depois da aparição. O material foi analisado em diversas ocasiões por cientistas, que nunca conseguiram determinar como a imagem surgiu sobre o tecido. Mais impressionante ainda: não é uma imagem pintada ou estampada “no” tecido: ela “flutua” ligeiramente “acima” do tecido! Igualmente sem explicação é a perfeita preservação do manto e da imagem mesmo depois de 500 anos. O ícone está exposto na Basílica de Guadalupe, no México.

5 – O Santo Sudário

milagre sudario

Provavelmente a relíquia mais famosa da História, o Sudário de Turim não é considerado um milagre propriamente dito, mas nenhuma explicação conseguiu até hoje comprovar o que ele é e como a imagem impressa nele foi gerada. Trata-se do tecido que teria envolvido o corpo de Jesus no sepulcro. A imagem impressa no sudário seria, portanto, a do seu corpo. Exaustivamente analisado e estudado por uma volumosa quantidade de cientistas, o sudário parece apresentar o mesmo fenômeno do manto com a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe: a impressão do suposto corpo de Jesus não é direta sobre o tecido, mas “flutua” ligeiramente acima dele. As tentativas de reproduzir a impressão nunca deram certo e até hoje não se explica de que forma a imagem foi gerada sobre o sudário; o que parece mais provável é que ela tenha sido impressa mediante a irradiação de uma luz poderosa, originada do próprio corpo que ficou impresso. Para os fiéis, trata-se de uma “prova” da ressurreição de Cristo. A datação da relíquia também é controversa: alguns exames situam a sua origem na Idade Média, mas pesquisas posteriores indicam que o tecido foi produzido entre 280 a.C. e 220 d.C., podendo, portanto, ser da época de Cristo. Os estudos continuam.
 

13 de dezembro de 304: a jovem Santa Luzia é morta por amor a Cristo

Luzia, nascida na cidade italiana de Siracusa em uma família rica e cristã, era considerada uma das jovens mais belas da região. Seu pai morrera quando Luzia tinha 5 anos, e sua mãe, Eutíquia, sofria de graves hemorragias internas.
 
A grande convicção cristã de Luzia fez com que ela se consagrasse secretamente a Nosso Senhor Jesus Cristo e lhe oferecesse a sua virgindade perpétua.
 
Ela e a mãe decidiram fazer uma peregrinação à cidade de Catânia, onde se encontrava o corpo da virgem Santa Águeda, que morrera por se recusar a adorar os ídolos. O Evangelho pregado na Santa Missa daquele dia foi o da mulher que sofria de hemorragias internas, iguais às da mãe de Luzia. Ela então pensou: “Se aquela mulher, ao tocar nas vestes do Senhor, ficou curada, será que Santa Águeda não pedirá ao Senhor que cure minha mãe da mesma forma como Ele curou aquela mulher?” Luzia então pediu à mãe que esperasse todos saírem da igreja para irem rezar junto ao corpo da santa.
 
Enquanto isso, em êxtase, Luzia sonhou que anjos rodeavam Santa Águeda e que esta lhe dizia: “Luzia, minha irmã, por que pedes a mim o que tu mesma podes conceder?” Luzia saiu do êxtase e foi procurar a mãe, que lhe disse ter sido curada. Luzia aproveitou esse momento para revelar à mãe que havia feito voto de virgindade a Jesus e que distribuiria seus bens aos pobres. Sua mãe disse: “Luzia, minha filha, tudo o que é meu e do teu falecido pai é teu. Portanto, faz o que quiseres”.
 
Elas então começaram a distribuir seus bens aos pobres. Um jovem muito rico e pagão, que se enamorara de Luzia, perguntou à mãe dela o motivo de tanto esbanjamento de dinheiro. Em resposta, Eutíquia lhe disse: “Luzia achou bens muito mais valiosos do que esses”. O jovem não entendeu que ela falava dos bens celestes.
 
Luzia e sua mãe davam mais e mais dinheiro aos necessitados, dilapidando a grande fortuna da família – e dando ao jovem a certeza de que Luzia era cristã. Ele a denunciou ao prefeito de Siracusa, Pascásio, que, furioso com a grande fé de Luzia, mandou-a para o imperador Diocleciano. Este tentou persuadi-la a se converter aos ídolos, mas Luzia se mostrou cheia do Espírito Santo diante de Diocleciano.
 
Vendo que nada a convertia, o imperador mandou que a levassem para uma casa de prostituição, mas foi em vão: ninguém conseguia tirar Luzia dali, nem sequer com uma junta de bois. Os soldados saíram envergonhados por não conseguir movê-la: era como se os pés da virgem cristã estivessem fincados no chão como raízes de um planta.
 
Eles tentaram então atear fogo ao seu corpo, mas Luzia orou e as chamas não a atingiram. Como nada havia dado certo, foi-lhe aplicado um dos castigos mais pavorosos imagináveis: um soldado, a mando do imperador, arrancou-lhe os olhos. No mesmo instante, porém, surgiram em seu rosto novos olhos, perfeitos e mais belos que os anteriores.
 
Resolveram decepar-lhe a cabeça. Enquanto Luzia proclamava “Adoro um só Deus verdadeiro e a Ele prometi amor e fidelidade”, o golpe certeiro fez sua cabeça rolar pelo chão. Era 13 de dezembro do ano de 304.
 
Os cristãos recolheram seu corpo virginal e a sepultaram nas catacumbas de Roma. Sua fama de santidade se espalhou por toda a Itália e depois para o mundo. Hoje, Santa Luzia é venerada como a “Santa da Visão”.
 
 

O milagre que levou “Obi Wan Kenobi” a converter-se ao catolicismo

Sir Alec Guinness é um dos atores mais reconhecidos do século 20. Embora tenha atuado em muitos filmes ao longo de sua vida e ter ganho muitos prêmios, é conhecido mundialmente por ter interpretado o personagem Obi-Wan Kenobi na trilogia original de Star Wars. O que muita gente não sabe é que à idade de 42 se converteu ao catolicismo, em parte devido a um fato milagroso.
 
 
Guinness nasceu em 1914 em Londres em uma família com problemas. Nunca conheceu seu pai e se criou na pobreza. Apesar de ter recebido a Confirmação na Igreja anglicana aos 16 anos, não estava seguro do que realmente pensava sobre a religião. Logo trocou a fé anglicana pelo presbiterianismo, o ateísmo, o marxismo, o budismo. E, como um típico inglês de princípios do século 20, o catolicismo não lhe inspirava interesse algum.
 
Enquanto ensaiava para a obra Hamlet, um sacerdote anglicano se aproximou dele e explicou que fazia mal o sinal da cruz e mostrou-lhe o modo correto. Este encontro teve um impacto espiritual no ator que recuperou certo interesse no anglicanismo.
 
Sentiu-se mais atraído à fé anglicana durante o turbilhão da Segunda Guerra Mundial, mas em 1954 aos 40 anos de idade outra experiência o levou a considerar o catolicismo.
 
Estava na França trabalhando no filme “O Padre Brown”, baseado no famoso sacerdote que resolvia crimes, criado pelo escritor católico britânico GK Chesterton. Ele era o protagonista e andava vestido como sacerdote católico. Enquanto caminhava pela rua, um menino do lugar o confundiu com um verdadeiro sacerdote. O menino correu, tomou sua mão com confiança, e caminhou com ele.
 
A confiança e o afeto do menino para com os sacerdotes católicos tiveram um profundo impacto nele e começou a pensar seriamente no catolicismo.
 
Sobre esta experiência alguma vez disse: “Enquanto continuava minha caminhada, pensei que uma Igreja que podia inspirar tanta confiança em um menino, fazendo que os sacerdotes, embora desconhecidos, fossem de tão fácil acesso, não podia ser tão intrigante ou horripilante como tantas vezes era apresentada. Comecei a me desprender de meus antigos preconceitos que foram aprendidos e absorvidos”.
 
Pouco depois, seu filho Mateo contraiu poliomielite e parecia estar perto da morte. Desesperado e procurando ajuda divina, Guinness começou a visitar uma igreja católica local para orar.
Então fez um trato com Deus: se Mateo se curava, ele se converteria ao catolicismo.
 
Contra todas as expectativas, seu filho se recuperou. Foi então que Guinness e sua esposa o inscreveram em um colégio jesuíta. Uns anos mais tarde, Guinness, sua esposa e seu filho se converteram ao catolicismo.
 
Guinness seguiu sendo um católico fiel o resto de sua vida até sua morte no ano 2000.
 

Qual é a diferença entre um sacerdote, um frade e um monge?

As palavras “sacerdote”, “frade” e “monge” são termos ambíguos e flexíveis. Na linguagem popular, são aplicados sem propriedade, como se os três fossem equivalentes. No entanto, não querem dizer a mesma coisa.
 
Um sacerdote, na Igreja Católica, é um homem que recebeu o sacramento da Ordem Sacerdotal e que, em virtude de tal sacramento, pode celebrar o sacrifício da Missa e realizar outras tarefas próprias do ministério pastoral. Pode pertencer a uma ordem ou família religiosa, ou a uma diocese.
 
Um monge ou frade, no entanto, é uma pessoa que fez os votos de pobreza, castidade e obediência e pertence a uma congregação ou família religiosa concreta (franciscanos, jesuítas, dominicanos etc.). Pode coincidir, além disso, de que tal religioso seja um sacerdote, mas não necessariamente. Sua vocação não é obrigatoriamente ao sacerdócio.
 
 
Mas qual é a diferença entre um monge e um frade? Isso tem a ver com a origem de cada palavra: “monge” vem do latim tardio “monachus”, palavra para designar os anacoretas, e que já em sua raiz tinha implícito o significado de “solidão”.
 
Isso se relaciona ao surgimento das primeiras experiências de vida contemplativa (nos séculos IV-VI d.C.), como, por exemplo, os Padres do Deserto, eremitas que abandonavam o mundo e viviam no deserto, ou São Bento de Núrsia, fundador da ordem religiosa mais antiga do Ocidente, os beneditinos.
 
Um monge, portanto, é um termo mais adequado para referir-se a homens consagrados que vivem em conventos, dedicados inteiramente à oração e à penitência. É o caso das ordens contemplativas, como a dos Cartuxos.
 
Frade, por outro lado, é um termo mais moderno, que procede da Idade Média (do provençal “fraire”) e significa “irmão”. A palavra “frade” é empregada para ordens dedicadas à vida ativa, como os franciscanos ou hospitalários.
 
O uso desta palavra se relaciona ao surgimento das ordens mendicantes na Baixa Idade Média, que supuseram uma grande mudança na vida religiosa: estes novos religiosos já não se fechavam em conventos afastados das pessoas para se dedicar à oração, senão que estavam nas cidades, dedicados aos pobres, ao ensino, aos doentes etc.
 

O surpreendente dia em que o próprio diabo foi obrigado a louvar a Imaculada Conceição de Maria

 
8 de dezembro de 1854: o papa Pio IX promulga o dogma da Imaculada Conceição de Maria.
 
25 de março de 1858: na festa da Encarnação do Verbo, a Santíssima Virgem aparece em Lourdes para Santa Bernadete e confirma o dogma dizendo: “Eu sou a Imaculada Conceição”.
 
Mais de trinta anos antes, porém, outro fato sobrenatural e surpreendente confirmou a Imaculada Conceição da Virgem Mãe de Deus. E quem a confessou foi alguém que jamais esperaríamos que o fizesse.
 
Era o ano de 1823. O diabo tinha possuído um jovem analfabeto de apenas 12 anos de idade, residente na atual província italiana de Avellino, na região da Apúlia. Estavam na cidade dois religiosos dominicanos, o pe. Gassiti e o pe. Pignataro, ambos autorizados pelo bispo a realizar exorcismos.
 
Os sacerdotes fizeram uma série de perguntas ao diabo que possuía o garoto e, entre elas, uma foi sobre a Imaculada Conceição.
 
O diabo confessou que a Virgem de Nazaré jamais tinha estado sob seu poder: nem mesmo no primeiro instante de sua vida, pois ela já foi concebida “cheia de graça” e toda de Deus.
Embora seja o “pai da mentira”, o diabo pode ser obrigado no exorcismo a dizer a verdade, inclusive em matéria de fé. Foi assim que os dois sacerdotes exorcistas o obrigaram a reverenciar Nossa Senhora e a louvar a sua Conceição Imaculada na forma de versos.
 
Humilhado, o diabo se viu forçado em nome de Cristo a cantar a glória de Maria mediante um soneto em italiano, perfeito em construção e em teologia!
 
Reproduzimos o original italiano e, em seguida, a tradução ao português:
 
Em italiano:
 
Vera Madre son Io d’un Dio che è Figlio
e son figlia di Lui, benché sua Madre;
ab aeterno nacqu’Egli ed è mio Figlio,
in tempo Io nacqui e pur gli sono Madre.
Egli è mio creator ed è mio Figlio,
son Io sua creatura e gli son Madre;
fu prodigo divin l’esser mio Figlio
un Dio eterno, e Me d’aver per Madre.
L’esser quasi è comun tra Madre e Figlio
perché l’esser dal Figlio ebbe la Madre,
e l’esser dalla Madre ebbe anche il Figlio.
Or, se l’esser dal Figlio ebbe la Madre,
o s’ha da dir che fu macchiato il Figlio,
o senza macchia s’ha da dir la Madre.
 
Em português:
 
Sou verdadeira mãe de um Deus que é Filho,
E sou sua filha, ainda ao ser sua mãe;
Ele de eterno existe e é meu Filho,
E eu nasci no tempo e sou sua mãe.
Ele é meu Criador e é meu Filho,
E eu sou sua criatura e sua mãe;
Foi divinal prodígio ser meu Filho
Um Deus eterno e ter a mim por mãe.
O ser da mãe é quase o ser do Filho,
Visto que o Filho deu o ser à mãe
E foi a mãe que deu o ser ao Filho;
Se, pois, do Filho teve o ser a mãe,
Ou há de se dizer manchado o Filho
Ou se dirá Imaculada a mãe.

http://pt.aleteia.org/2015/12/15/o-surpreendente-dia-em-que-o-proprio-diabo-foi-obrigado-a-louvar-a-imaculada-conceicao-de-maria/

Por que na missa não se diz “amém” no final do Pai-Nosso?

A palavra “amém”, um dos vocábulos mais utilizados pelos cristãos, é dificilmente traduzível em seu sentido mais profundo (por isso é mantida em hebraico, o idioma original), e utilizada sempre em relação a Deus.
 
Pronunciar esta palavra é proclamar que se tem por verdadeiro o que se acaba de dizer, com o objetivo de ratificar uma proposição, unir-se a ela ou a uma oração.
 
Por isso, expressar em forma grupal no âmbito do serviço divino ou ofício religioso também significa “estar de acordo” com o que foi dito.
 
A palavra “amém” é utilizada para concluir as orações. No entanto, a oração por excelência, o Pai-Nosso, quando rezado dentro da missa, não é acompanhado pelo “amém” no final. Fora da missa, o “amém” é dito normalmente.
 
Cabe ressaltar que o Pai-Nosso é a única oração da Igreja que está integrada na liturgia da missa.
Mas qual é a explicação para a ausência do “amém” no Pai-Nosso da missa? É simples: não se diz “amém” porque a oração ainda não terminou.
 
Depois de todos rezarem o Pai-Nosso até o “… mas livrai-nos do mal”, ao invés de dizer “amém”, o sacerdote continua a oração sozinho. A liturgia chama isso de “embolismo”, ou seja, essa oração que o padre reza sozinho é uma oração que recolhe e desenvolve a oração precedente.
 
O sacerdote desenvolve a última petição do Pai-Nosso (“livrai-nos do mal”) dizendo:
“Livrai-nos de todos os males, ó Pai, e dai-nos hoje a vossa paz. Ajudados pela vossa misericórdia, sejamos sempre livres do pecado e protegidos de todos os perigos, enquanto, vivendo a esperança, aguardamos a vinda de Cristo salvador.”
 
E o povo responde com uma aclamação muito antiga, cuja origem se perde nos primeiros séculos da história da Igreja:
 
“Vosso é o Reino, o poder e a glória para sempre!”
Assim, o Pai-Nosso fica totalmente integrado à liturgia eucarística, não como um acréscimo, mas como parte fundamental dela.