sábado, 28 de fevereiro de 2015

Às agressões humanas, a Terra responde com flores

Mais que no âmago de uma crise de proporções planetárias, nos confrontamos hoje com um processo de irreversibilidade. A Terra nunca mais será a mesma. Ela foi transformada em sua base fisico-quimica-ecológica de forma tão profunda que acabou perdendo seu equilíbrio interno. Entrou num processo de caos, vale dizer, perdeu sua sustentabilidade e afetou a continuação do que, por milênios, vinha fazendo: produzindo e reproduzindo vida.

 Todo caos possui dois lados: um destrutivo e outro criativo. O destrutivo representa a desmontagem de um tipo de equilíbro que implica a erosão de parte da biodiversidade e, no limite, a diminuição da espécie humana. Esta resulta ou por incapacidade de se adaptar à nova situação ou por não conseguir mitigar os efeitos letais. Concluído esse processo de purificação, o caos começa mostrar sua face generativa. Cria novas ordens, equilibra os climas e permite os seres humanos sobreviventes construírem outro tipo de civilização.
Da história da Terra aprendemos que ela passou por cerca de quinze grandes dizimações, como a do cambriano há 480 milhões de anos, que dizimou 80-90% das espécies. Mas por ser mãe generosa, lentamente, refez a diversidade da vida.

 Hoje, a comunidade científica, em sua grande maioria, nos alerta face a um eventual colapso do sistema-vida, ameaçando o próprio futuro da espécie humana. Todos podem perceber as mudanças que estão ocorrendo diante de nossos olhos. Grandes efeitos extremos: por um lado estiagens prolongadas associadas à grande escassez de água, afetando os ecossistemas e a sociedade como um todo, como está ocorrendo no sudesde de nosso país. Em outros lugares do planeta, como nos USA, invernos rigorosos como não se viam há decênios ou até centenas de anos.
 
O fato é que tocamos nos limites físicos do planeta Terra. Ao forçá-los como o faz a nossa voracidade produtivista e consumista, a Terra responde com tufões, tsunamis, enchentes devastadoras, terremotos e uma incontida subida do aquecimento global. Se chegarmos a um aumento de dois graus Celsius de calor, a situação é ainda administrável. Caso não não fizermos a lição de casa ao diminuirmos drasticamente a emissão de gases de efeito estufa e não reorientarmos nossa relação para com a natureza na direção da auto-contenção coletiva e de respeito aos limites de suportabilidade de cada ecossistema então preve-se que o clima pode se elevar a quatro e até seis graus Celsius. Aí conheceremos a “tribulação da desolação” para usarmos uma expressão bíblica e grande parte das formas de vida que conhecemos não irão subsistir, inclusive porções da humanidade.
 
A renomada revista Science de 15 de janeiro de 2015 publicou um trabalho de 18 cientistas sobre os limites planetários (Planetary Bounderies: Guiding human development on a changing Planet). Identificaram nove dimensões fundamentais para a continuidade da vida e de nosso ensaio civilizatório. Vale a pena citá-las: (1) mudanças climáticas; (2) mudança na integridade da biosfera com a erosão da biodiversidadae e a extinção acelerada de espécies;(3) diminuição da camada de ozônio estratosférico que nos protege de raios solares letais;(4) crescente acidificação dos oceanos;(5) desarranjos nos fluxos biogeoquímicos (ciclos de fósforo e de nitrogênio, fundamentais para a vida);(6) mudanças no uso dos solos como o desmatamento e a desertificação crescente;(7) escassez ameaçadora de água doce;(8)concentração de aerossóis na atmosfera(partículas microscópicas que afetam o clima e os seres vivos); (9) introdução agentes químicos sintéticos, de materiais radioativos e nanomateriais que ameaçam a vida.
 
Destas nove dimensões, as quatro primeiras já ultrapsssaram seus limites e as demais se encontram em elevado grau de degeneração. Esta sistemática guerra contra Gaia pode levá-la a um colapso como ocorre com as pessoas.

 E apesar deste cenário dramático, olho em minha volta e vejo, extasiado, a floresta cheia de quaresmeiras roxas, fedegosos amarelos e no canto de minha casa as “belle donne” floridas, tucanos que pousam em árvores em frente de minha janela e as araras que fazem ninhos debaixo do telhado.
Então me dou conta de que a Terra é de fato mãe generosa: às nossas agressões ainda nos sorri com flora e fauna. E nos infunde a esperança de que não o apocalipse mas um novo gênesis está a caminho. A Terra vai ainda sobreviver. Como asseguram as Escrituras judeo-cristãs:“Deus é o soberano amante da vida”(Sab 11,26). E não permitirá que a vida que penosamente superou caos, venha a desaparecer.
 
Leonardo Boff é colunista do JBonline, filósofo, teólogo e escritor
 
https://leonardoboff.wordpress.com/

HISTÓRIA DE SÃO JUDAS TADEU

 
Sua ligação com Jesus
 
São Judas Tadeu, nascido em Caná de Galiléia, na Palestina, era filho de Alfeu (ou Cleofas) e Maria Cleofas. O pai, Alfeu, era irmão de São José e a mãe, prima-irmã de Maria Santíssima. Portanto, Judas Tadeu era primo-irmão de Jesus, tanto pela parte do pai como da mãe.
 
Um de seus irmãos, Tiago, também foi chamado por Jesus para ser apóstolo. Era chamado de Tiago Menor para diferenciar do outro apóstolo Tiago que, por ser mais velho que o primeiro, era chamado de Maior.
 
Judas Tadeu tinha quatro irmãos: Tiago, José, Simão e Maria Salomé. O relacionamento da família de Judas Tadeu com o próprio Jesus Cristo, pelo que se consegue perceber na Bíblia é o seguinte: Alfeu (Cleofas) era um dos discípulos a quem Jesus apareceu no caminho de Emaús, no dia da ressurreição. Maria Cleofas, uma das piedosas mulheres que tinham seguido a Jesus desde a Galiléia e permaneceram ao pé da cruz, no Calvário, junto com Maria Santíssima .
 
Dos irmãos dele, Tiago foi um dos doze apóstolos, que se tomou o primeiro bispo de Jerusalém. José, apenas conhecido como o Justo. Simão foi o segundo bispo de Jerusalém, após Tiago. E Maria Salomé, a única irmã, foi mãe dos apóstolos Tiago Maior e João evangelista.
 
É de se supor que houve muita convivência de Judas Tadeu com o primo e os tios. Essa fraterna convivência, além do parentesco, pode ter levado são Marcos a citar Judas e os irmãos como irmãos de Jesus (Mc 6,3).
 

Citações na Bíblia
 
A Bíblia trata pouco de Judas Tadeu. Mas, aponta o importante: Judas Tadeu foi escolhido a dedo, por Jesus, para apóstolo. Quando os evangelhos nomeiam os doze escolhidos, consta sempre Judas ou Tadeu entre a relação. O livro dos Atos dos Apóstolos também se refere a ele (At 1,13). Além dessas vezes em que Judas Tadeu aparece entre os colegas do colégio apostólico, apenas uma vez é citado especialmente nas Escrituras. Foi no episódio da santa Ceia, na quinta-feira santa, narrado por seu sobrinho João evangelista (Jo 14,22). Nesta oportunidade, quando Jesus confidenciava aos apóstolos as maravilhas do amor do Pai e lhes garantia especial manifestação de si próprio, Judas Tadeu não se conteve e perguntou: "Mestre, por que razão hás de manifestar-te só a nós e não ao mundo?" Jesus lhe respondeu afirmando que teriam manifestação dele todos os que guardassem sua palavra e permaneces- sem fiéis a seu amor. Sem dúvida, nesse fato, Judas Tadeu demonstra sua generosa compaixão por todos os homens, para que se salvem todos. A fidelidade, coragem e perseverança dos Doze Grandes Homens do Evangelho, contribuíram para que o nome de Jesus viesse ser o mais admirado, citado e respeitado dos nomes.

 
A vida de São Judas Tadeu
 
Depois que os Apóstolos receberam o Espírito Santo, no Cenáculo em Jerusalém, iniciaram a construção da Igreja de DEUS, com a evangelização dos povos. São Judas iniciou sua pregação na Galiléia. Depois viajou para a Samaria e outras populações judaicas. Tomou parte no primeiro Concílio de Jerusalém, realizado no Ano 50. A seguir, foi evangelizar a Síria, Armênia e Mesopotâmia (atual Iraque), onde ganhou a companhia de outro apóstolo, Simão, o "zelote", que evangelizava o Egito.
 
A pregação e o testemunho de São Judas Tadeu, foi realizado de modo enérgico e vigoroso, que atraiu e cativou os pagãos e povos de outras religiões que se converteram ao cristianismo. Ele mostrou que sua adesão a CRISTO era completa e incondicional, testemunhando sua fé com doação da própria vida.
 
São Jerônimo nos assegura que o Apóstolo pregou e evangelizou Edessa, bem como em toda Mesopotâmia (Iraque).
 
No ano 70, foi martirizado de modo cruel, violento e desumano; morrendo a golpes de machado, desferidos por sacerdotes pagãos, por se recusar a prestar culto à deusa Diana.
 
Devido ao seu martírio, São Judas Tadeu é representado em suas imagens/estátuas segurando um livro, simbolizando a palavra que anunciou, e uma machadinha, o instrumento de seu martírio.
Suas relíquias atualmente são veneradas na Basílica de São Pedro, em Roma. Sua festa litúrgica celebra-se, todos os anos, na provável data de sua morte: 28 de outubro de 70.
 
Curiosidades acerca de São Judas Tadeu
  • Santa Gertrudes e São Bernardo de Claraval entre muitos outros Santos, também foram fervorosos cultivadores do culto a SÃO JUDAS TADEU. Santa Gertrudes escrevendo sua biografia, conta que JESUS lhe apareceu aconselhando invocar São Judas Tadeu, até nos "casos mais desesperados". A partir de então, cresceu a fé do povo na especial intercessão do Santo, principalmente nos "casos impossíveis".
  • Certa vez, Santa Brígida estava orando, quando teve uma visão de Jesus. Este lhe disse:
  • Invocai com grande confiança ao meu apóstolo Judas Tadeu. prometo socorrer a todos quantos por seu intermedio a mim recorrerem.

  • Conforme conta o historiador Eusébio, Judas Tadeu teria sido o esposo nas núpcias de Caná (bodas de Caná), isso explicaria a presença de Maria e de Jesus.
  • Devido à notoriedade de Tiago na Igreja primitiva, Judas Tadeu era sempre lembrado como o irmão de Tiago
  • No texto grego São JUDAS é chamado LEBEU que significa: "LEB" - CORDATO, BONDOSO, OU CORAJOSO. TADEU porém, vem da palavra siríaca "THAD" que quer dizer: MISERICORDIOSO, BENIGNO.
  • nome de São JUDAS foi muitas vezes substituído pelo de TADEU, por causa do nome de Judas Iscariotes, o traidor. Os próprios Evangelistas como São João, ao se referirem a São JUDAS TADEU, Apóstolo, diziam: JUDAS, não o Iscariotes ou o traidor.
  • Apóstolo cujo nome lembra o "traidor" de JESUS, Judas Iscariotes, teve sua devoção esquecida durante muitos séculos. Mas a Providência Divina se manifestou no momento oportuno, para exaltar as suas qualidades e notável humildade, transformando-o no querido e poderoso Santo intercessor das "causas impossíveis", que consegue junto ao CRIADOR as graças necessárias, em benefício de todos aqueles que buscam e procuram o seu inestimável auxílio.
 
São Judas, irmão do Senhor
  • O Santo Apóstolo Judas foi um dos doze apóstolos do Senhor, e sua origem é a tribo de Judá, de onde descende também David e Salomão. São Judas nasceu em Nazaré, Galileia, filho de José, o Justo, a quem a Puríssima Virgem Maria desposou. Segundo a tradição, a mãe de Judas foi Salomé, filha de Hagai. Este, por sua vez, era filho de Baraquiá, irmão de São Zacarias, o pai do precursor do Senhor, o Profeta São João Batista. Judas era irmão do apóstolo São Tiago, o Justo, o primeiro hierarca da Igreja de Jerusalém. O Santo Apóstolo era mais conhecido como «Judas de Tiago», ou seja, o irmão do apóstolo Tiago. Ele, em sua grande humildade, preferia este sobrenome, pois se considerava indigno de ser chamado irmão do Senhor, segundo a carne, porque julgava-se pecador diante de Deus por sua falta de fé e de amor fraterno.
  • O Santo Evangelista João, o Teólogo, atesta este pecado de Judas, a sua falta de fé, quando escreve: «Nem seus irmãos creram nele» (Jo 7,5). Explicando esta passagem do Evangelho, São Teofilacto interpreta que os irmãos aqui mencionados eram os filhos de José. E assinala: «Nem mesmo os seus irmãos, os filhos de José (entre os quais, Judas) creram nele – isto é, em Jesus. E, de onde vem esta incredulidade? Da tola falta de vontade e da inveja, porque é mais comum nas pessoas sentirem inveja de seus próprios parentes que de estranhos». Fica, portanto, claro, que Judas pecou contra o Senhor por causa da sua pouca fé.
  • Do mesmo modo, Judas mostrou a sua falta de amor fraterno para com Jesus quando José, no seu regresso do Egipto, decidiu dividir suas terras entre os filhos nascidos de sua primeira esposa. Queria também dar uma parte para Jesus, que era ainda apenas um menino, nascido de maneira sobrenatural da Puríssima Virgem Maria. Porém, os três filhos de José não admitiram compartilhar com Cristo, já que havia nascido de outra mãe; somente São Tiago, o quarto filho, concordou que Jesus fosse seu co-proprietário da parte que lhe coube, pelo que, mais tarde, foi chamado de «Irmão de Jesus». Consciente dos seus pecados anteriores, pela sua falta de fé e de amor fraterno, Judas não se atreveu a chamar-se o «irmão de Cristo», mas somente «irmão de Tiago», como escreve em sua epístola: «Judas, servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago». (Jd 1,1)
  • Além de ser chamado «Apóstolo irmão de Tiago», Judas tinha ainda outros títulos. O evangelista Mateus o chamava Lebeu e Tadeu. Estes nomes foram-lhe atribuídos com razão, pois, Lebeu significa «fervoroso». No apóstolo Judas, este título significaria que, após ter cometido pecados contra o Cristo Deus por sua incredulidade, mais tarde veio a crer em Jesus como o verdadeiro Messias, e se uniu a ele de todo o seu coração. O Apóstolo Judas era também chamado «Tadeu», que significa «aquele que presta louvor», porque ele glorificou e confessou a Cristo Deus, proclamando o seu Evangelho a muitas nações.
  • Muito pouco se sabe sobre a vida e as atividades do Santo Apóstolo Judas, além do fato de que ele se casou com uma mulher chamada Miriam. Tudo o que se sabe, além disso, é que durante o reinado de Domeciano (81-96 d.C.), dois netos de Judas, que trabalhavam a terra com suas próprias mãos, foram levados pelo mesmo Imperador, por calúnias feitas por hereges, dado que eram descendentes de Davi e parentes do Senhor. Mas, depois que o Imperador teve a certeza de que não significariam qualquer risco político para ele, foram postos em liberdade.
  • Tal como os outros «irmãos do Senhor, o apóstolo Judas empreendeu muitas missões, levando e difundindo o evangelho de Cristo. Pouco depois da ascensão aos céus do Senhor Jesus Cristo, o apóstolo Judas, tal como fizeram todos os demais apóstolos de Cristo, saiu em viagens missionárias para levar o Evangelho de Cristo. O testemunho do historiador eclesiástico Nicéforo, assinala: «O divino Judas, que tinha o duplo título de Tadeu e Lebeu, filho de José e irmão de Tiago (que foi jogado do pináculo do templo de Jerusalém), pregou o Evangelho e propagou o Cristianismo, em primeiro lugar na Judeia, Galileia, Samaria, Idumea e, em seguida, na Arábia, Síria e na Mesopotâmia. Finalmente, ele chegou à cidade de Edessa, que pertencia ao rei Abgar, onde o Evangelho já havia sido anunciado por outro Tadeu, um dos setenta Apóstolos. Lá, o apóstolo Judas empreendeu e concluiu o que o outro Tadeu não tinha terminado”.
  • Existem algumas indicações que permitem presumir que o Santo Apóstolo Judas tenha pregado o Cristianismo também na Pérsia, onde escreveu sua epístola universal em língua grega. A ocasião ou razão para que tenha escrito esta epístola, não se sabe. Tais fatos foram ocultados por essa gente ímpia, entre a comunidade dos crentes que, convertendo a graça de Deus numa oportunidade para praticar o mal e pecar, e, sob o pretexto e disfarce da liberdade religiosa, permitiram-se cometer todo o tipo de ações abomináveis. Esta curta epístola contém muitos pensamentos profundos e muita doutrina edificante. Em parte, trata de ensinamentos dogmáticos: o mistério da Santíssima Trindade, a encarnação do Filho de Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo, a diferença entre bons e maus anjos, e o terrível Juízo que está por vir; de outra parte, trata de ensinamentos morais: a exortação a evitar a impureza do pecado – a injúria carnal, blasfêmia, orgulho, desobediência, inveja, ódio, rancor e traição. O Apóstolo aconselha a todos a permanecer fiéis em seus deveres, a sua fé, oração e amor; recomenda que nos preocupemos em corrigir os errantes e de evitar os hereges, cuja moral, espiritualmente daninha, descreve ele claramente, explicando que os hereges morrerão como o povo de Sodoma (Jd 1,7 ss).
  • Além disso, o Apóstolo São Judas afirma em sua epístola que, para a nossa salvação, não é suficiente a conversão do paganismo ao cristianismo, mas que, além da fé, é preciso realizar as obras apropriadas aos cristãos e dignas de salvação; cita então, como exemplo, os anjos e homens que foram punidos por Deus: aos anjos que não conservaram a sua dignidade, Deus lhes prendeu com eternas correntes, submetendo-os à escuridão eterna até ao dia do terrível Juízo (Jd 1,16). Deus também, depois de ter retirado a salvo o seu povo do Egipto, fez perecer aos incrédulos, que o negaram e caíram em depravação, não vivendo de acordo com a lei de Deus (Jd 1,5), Em suma, o apóstolo Judas revela, com poucas palavras, grandes verdades em sua epístola.
  • O Santo Apóstolo Judas visitou ainda muitas outras terras, pregando o Evangelho, convertendo os povos à fé cristã e guiando-os pelo caminho da salvação. Assim fazendo, chegou às terras situadas no entorno do Monte Ararat, onde converteu muita gente da idolatria ao cristianismo. Despertou, portanto, o mal-estar dos sacerdotes pagãos contra ele. Estes agarraram-no e, depois de submetê-lo a numerosas torturas, suspenderam-no numa cruz atravessando em seu corpo lanças. Assim terminou a luta e a vida do Santo Apóstolo Judas, que partiu para junto de Cristo Deus para receber dele a coroa da eterna recompensa no céu.

Deus não vai nos dar o mal

“Batei e se abrirá, buscai e acharei, pedi e Ele concederá, porque o Senhor só quer o nosso bem.” (cf. Lucas 11)
 
A Quaresma é uma subida para o Calvário, para encontrar Jesus e reconhecer até que ponto Ele foi capaz de ir por nós. Mas não é só isso. É ver que também Cristo chegou lá para ressuscitar.
 
Imagine que a Quaresma seja uma escada e cada dia um degrau. Nós, como Cristo, subimos o Calvário para chegar à Sexta-feira da Paixão, e, no sábado à noite, bradar a Ressurreição do Senhor.
 
Existem práticas externas às quais somos chamados a viver na Quaresma, como caridade, jejum e oração. Hoje, a liturgia nos fala de um deles: a oração. A verdadeira oração não é fruto do nosso querer, mas da nossa necessidade.
 
O Salmo de hoje diz: “Naquele dia em que gritei vós me escutastes, Senhor”. Você já viveu isso? Já teve a certeza de que, mesmo não sendo atendido, foi ouvido por Deus? No meu desespero, gritei a Deus e Ele me escutou.
 
Não precisamos, necessariamente, alcançar o que pedimos para ter a certeza de que o Senhor nos ouve. Ele não nos dá o que queremos, mas o que necessitamos. Quantas pessoas se desesperam, porque, há muito tempo, têm pedido a Deus algo, mas Ele parece não escutar! O ponto principal é saber que a oração não é um querer, mas uma necessidade. É um ato livre, porque sabemos que temos necessidade de estar com o Senhor, que é o único que nos completa.
 
O salmista afirma “Naquele dia em que gritei vós me escutastes, Senhor”, porque reconhece que quem o completa é Deus.
 
Não devemos fazer algo para o Senhor, a fim de recebermos algo em troca, mas fazer o caminho de “subida” da Quaresma por nossa necessidade interior de nos completarmos em Deus. Não há outro sentido de vida que não seja Ele.
 
A primeira leitura conta a oração de Éster. Em determinado momento da história, o rei, seu esposo, queria acabar com o povo Hebreu, que era o povo dela. Essa mulher ficou prostrada do amanhecer ao anoitecer em oração na presença do Senhor. O próprio marido queria destruir o povo de sua esposa, por isso ela rezava. Ester não olhava simplesmente para sua necessidade, mas para as necessidades dos outros.
 
Quantas vezes rezamos com viseiras, olhamos só para nós mesmos sem olhar para os outros! Um exemplo de oração é o desta mulher, que não olhou para si, mas para todo seu povo. Não rezou por ela, mas pelos outros, pelas pessoas que ela nem conhecia. Nós, como cristãos, frente a todos esses martírios, temos orado pelas pessoas?
Se somos verdadeiramente cristãos, fazemos parte da nação da cruz. Precisamos fortalecer uns aos outros na oração. Foi pela cruz de Cristo que fomos salvos.
 
Precisamos fazer a oração de Ester: “Deus de Abraão, Deus de Isaac e de Jacó, tu és bendito. Vem em meu socorro, pois estou só e não tenho outro defensor fora de ti, Senhor, pois eu mesma me expus ao perigo. Senhor, eu ouvi, dos livros de meus antepassados, que tu libertas, Senhor, até o fim, todos os que te são caros.
 
Agora, pois, ajuda-me, a mim que estou sozinha e não tenho mais ninguém senão a ti, Senhor meu Deus. Vem, pois, em auxílio de minha orfandade. Põe em meus lábios um discurso atraente, quando eu estiver diante do leão, e muda o seu coração para que odeie aquele que nos ataca, para que este pereça com todos os seus cúmplices. E livra-nos da mão de nossos inimigos. Transforma nosso luto em alegria e nossas dores em bem-estar”.
 
Será que nós, que somos a nação da cruz, temos coragem de nos expor ao perigo pelos outros?
 
Não podemos apenas “ficar de boca aberta” esperando as coisas caírem do céu. Precisamos lutar por aquilo que queremos.
 
A Quaresma nos ensina a nos colocarmos diante de Deus, de nós mesmos e dos outros. Se estamos subindo degrau por degrau, não podemos ter uma oração egoísta. Quando temos uma oração egoísta, não temos a certeza de que Deus nos ouviu, porque nos encontramos em nosso “mundinho”. Temos o exemplo da princesa Éster, que não ficou em si mesma.
 
Está disposto a não ter uma oração egoísta?
 
A segunda disposição da Quaresma está em ser filho. A nossa relação com Deus deve ser como a de um filho para com seu Pai.
 
“Quem de vós dá ao filho uma pedra, quando ele pede um pão? Ou lhe dá uma cobra, quando ele pede um peixe?” (Lc 11,11)
 
Quando o seu filho lhe pedir um iate ou quiser bater em você, ele terá permissão? Mas quando ele pede um prato de comida você lhe dá? Claro que sim, porque você o ama e quer educá-lo.
 
Ao contrário das leis de hoje, Deus quer nos educar, por isso ele não nos dá tudo o que pedimos.
 
Se você que é pai e mãe, sabe dar o melhor para seu filho, quanto mais Deus! No entanto, precisamos aprender que o Senhor tem um tempo para conceder o necessário a seus filhos.
 
Deus não vai nos dar o mal, Ele vai nos dar o que de bom verdadeiramente necessitamos. Você pode estar pensando que, há muito tempo, tem rezado, feito promessa, calejado o joelho, mas Deus não o está ouvindo. Lembre-se: “Naquele dia em que escutei, vós me escutastes, ó Senhor”.
 
Talvez sua oração seja por uma pessoa que está enferma há muito tempo. Seria muita prepotência nossa acreditar que o melhor para a pessoa seja a recuperação, mas Deus é quem sabe o melhor para cada um.
 
Você, que há tempos pede pela conversão de alguém, será que você não está se convertendo de gotinha em gotinha enquanto reza pela conversão do outro?
 
Precisamos lembrar que nem sempre ouvir será atender. Em muitas situações, podemos não ter respostas, porém é preciso dar sentido às situações que acontecem em nossa vida. Você tem procurado dar sentido à sua vida ou já desistiu de si mesmo, da pessoa pela qual tem rezado e de Deus?

 
Padre Anderson Marçal, Comunidade Canção Nova
Transcrição e adaptação: Rogéria Nair 

http://www.saojudasbh.com.br/Noticia/603

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Campanha da Fraternidade 2015

 

- Objetivo geral da CF - 2015 CNBB

01 - Aprofundar, à luz do Evangelho, o diálogo e a colaboração entre a Igreja e a sociedade, propostos pelo Concílio Ecumênico Vaticano II, como serviço ao povo brasileiro, para a edificação do Reino de Deus.
- Objetivos específicos da CF - 2015 CNBB

01 - Fazer memória do caminho percorrido pela Igreja com a sociedade, identificar e compreender os principais desafios da situação atual.

02 - Apresentar os valores espirituais do Reino de Deus e da doutrina Social da Igreja, como elementos autenticamente humanizastes.

03 - Identificar as questões desafiadoras na evangelização da sociedade e estabelecer parâmetros e indicadores para a ação pastoral.

04 - Aprofundar a compreensão da dignidade da pessoa, da integridade da criação, da cultura da paz, do espírito e do diálogo inter-religioso e intercultural, para superar as relações desumanas e violentas.

05 - Buscar novos métodos, atitudes e linguagens na missão da Igreja de Cristo de levar a Boa Nova a cada pessoa, família e sociedade.

06 - Atuar profeticamente, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, para o desenvolvimento integral da pessoa e na construção de uma sociedade justa e solidária.





Fonte: http://www.portalkairos.net/campanhadafraternidade/default2015.asp#ixzz3Rx1mejaA

Carnaval

O Carnaval é uma festa que é marcada pelo "adeus a carne" que a partir dela se fazia um grande período de abstinência e jejum, como o seu próprio nome em latim "carnis levale" o indica . Para a sua preparação havia uma grande concentração de festejos populares. Cada lugar e região brincava a seu modo, geralmente de uma forma propositadamente extravagante, de acordo com seus costumes.
 
Pensa-se que terá tido a sua origem na Grécia em meados dos anos 600 a 520 a.C, através da qual os gregos realizavam seus cultos em agradecimento aos deuses pela fertilidade do solo e pela produção. Passou a ser uma comemoração adotada pela Igreja Católica em 590 d.C..  antes da Quaresma.
 
 
É um período de festas regidas pelo ano lunar no cristianismo da Idade Média. O Carnaval moderno, feito de desfiles e fantasias, é produto da sociedade vitoriana do século XX. A cidade de Paris foi o principal modelo exportador da festa carnavalesca para o mundo. Cidades como Nice, Santa Cruz de Tenerife, Nova Orleans, Toronto e Rio de Janeiro se inspiraram no Carnaval parisiense para implantar suas novas festas carnavalescas. Já o Rio de Janeiro criou e exportou o estilo de fazer carnaval com desfiles de escolas de samba para outras cidades do mundo, como São Paulo, Tóquio e Helsinque.
 
O Carnaval do Rio de Janeiro está atualmente no Guinness Book como o maior Carnaval do mundo, com um número estimado de 2 milhões de pessoas, por dia, nos blocos de rua da cidade. Em 1995, o Guinness Book declarou o Galo da Madrugada, da cidade do Recife, como o maior bloco de carnaval do mundo.
 
 
A festa carnavalesca surgiu a partir da implantação, no século XI, da Semana Santa pela Igreja Católica, antecedida por quarenta dias de jejum, a Quaresma. Esse longo período de privações acabaria por incentivar a reunião de diversas festividades nos dias que antecediam a Quarta-Feira de Cinzas, o primeiro dia da Quaresma. A palavra "Carnaval" está, desse modo, relacionada com a ideia de deleite dos prazeres da carne marcado pela expressão "carnis valles", que, acabou por formar a palavra "Carnaval", sendo que "carnis" em latim significa carne e "valles" significa prazeres.
 
Em geral, o Carnaval tem a duração de três dias, os dias que antecedem a Quarta-Feira de Cinzas. Em contraste com a Quaresma, tempo de penitência e privação, estes dias são chamados "gordos", em especial a terça-feira (Terça-Feira Gorda, também conhecida pelo nome francês Mardi Gras). O termo mardi gras é sinônimo de Carnaval.
 
 
O Carnaval da Antiguidade era marcado por grandes festas, onde se comia, bebia e participava de alegres celebrações e busca incessante dos prazeres. O Carnaval prolongava-se por sete dias nas ruas, praças e casas da Antiga Roma, de 17 a 23 de dezembro. Todas as atividades e negócios eram suspensos neste período, os escravos ganhavam liberdade temporária para fazer o que quisessem e as restrições morais eram relaxadas. As pessoas trocavam presentes, um rei era eleito por brincadeira e comandava o cortejo pelas ruas (Saturnalicius princeps) e as tradicionais fitas de lã que amarravam aos pés da estátua do deus Saturno eram retiradas, como se a cidade o convidasse para participar da folia.
 
No período do Renascimento as festas que aconteciam nos dias de carnaval incorporaram os baile de máscaras, com suas ricas fantasias e os carros alegóricos. Ao caráter de festa popular e desorganizada juntaram-se outros tipos de comemoração e progressivamente a festa foi tomando o formato atual.
Sobre a origem da palavra, não há unanimidade entre os estudiosos. Há quem defenda que a palavra Carnaval deriva de carne vale (adeus carne!) ou de carne levamen (supressão da carne). Esta interpretação da origem etimológica da palavra leva-nos, indubitavelmente, para o início do período da Quaresma, uma pausa de 40 dias nos excessos cometidos durante o ano, excessos esses que incluem, segundo a religião católica, a alimentação. Assim, a Quaresma era, na sua origem, não apenas um período de reflexão espiritual como também uma época de privação de certos alimentos como a carne.
 
 
Todas as datas eclesiásticas são calculadas em função da data da Páscoa, com exceção do Natal. Como o Domingo de Páscoa ocorre no primeiro domingo após a primeira lua cheia que se verificar a partir do equinócio da primavera (no hemisfério norte) ou do equinócio do outono (no hemisfério sul), e a Sexta-Feira da Paixão é a que antecede o Domingo de Páscoa, então a Terça-Feira de Carnaval ocorre 47 dias antes da Páscoa.
 
O Carnaval ocorre 47 dias antes da Páscoa, em fevereiro, geralmente, ou em março, conforme o Cálculo da Páscoa, ocorre próximo do dia de Lua Nova .

Assim, o carnaval pode ser próximo do ano novo chinês, antes ou próximo de 19 de fevereiro. No século XXI, a data em que ocorreu mais cedo foi a 5 de fevereiro de 2008 e a que ocorrerá mais tarde será a 9 de março de 2038. Embora seja possível em outros séculos o dia do Carnaval não ocorrerá 3 ou 4 de fevereiro durante todo o século XXI.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Carnaval

De acordo com a Bíblia, o que é a amizade verdadeira?

 
O Senhor Jesus Cristo nos deu a definição de um verdadeiro amigo: "Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos. Vós sois meus amigos, se fazeis o que eu vos mando. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer" (João 15:13-15). Jesus é o exemplo puro de um verdadeiro amigo, pois Ele deu a sua vida por seus "amigos". Além disso, qualquer um pode tornar-se Seu amigo por confiar nEle como o seu salvador pessoal, nascendo de novo e recebendo nova vida nEle.

Há um exemplo de verdadeira amizade entre Davi e Jônatas, filho de Saul, que, apesar do seu pai perseguir e tentar matar Davi, permaneceu ao lado do seu amigo. Você pode achar essa história em 1 Samuel, do capítulo 18 até o capítulo 20. Algumas passagens pertinentes são 1 Samuel 18:1-4; 19: 4-7; 20:11-17, 41-42.
 

 Provérbios é uma outra boa fonte de sabedoria a respeito de amigos. "Em todo tempo ama o amigo, e na angústia se faz o irmão" (Provérbios 17:17). "O homem que tem muitos amigos sai perdendo; mas há amigo mais chegado do que um irmão" (Provérbios 18:24). A questão aqui é que, para ter um amigo, é preciso ser um amigo. "Leais são as feridas feitas pelo que ama, porém os beijos de quem odeia são enganosos" (Provérbios 27:6). "Como o ferro com o ferro se afia, assim, o homem, ao seu amigo" (Provérbios 27:17).

O princípio da amizade também é encontrado em Amós. "Andarão dois juntos, se não houver entre eles acordo?" (Amós 3:3). Os amigos compartilham os mesmos interesses. Um amigo é alguém em quem se pode ter total confiança. Um amigo é alguém com quem se compartilha respeito mútuo, não com base em mérito, mas com base em uma semelhança de espírito.
 

 Finalmente, a verdadeira definição de um amigo de verdade vem do apóstolo Paulo: "Dificilmente, alguém morreria por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém se anime a morrer. Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores" (Romanos 5:7-8). "Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos" (João 15:13). Essa sim é a verdadeira amizade!
 

 

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Mulheres são maioria entre os internautas brasileiros

© Ingram Publishing/Thinkstock Internet: classe C representa mais da metade dos internautas brasileiros
 
 
São Paulo – Um levantamento do Ibope Inteligência traçou um perfil do público brasileiro de internet. De acordo com a pesquisa, o público feminino é maioria. Entre os usuários de internet, 53% são do sexo feminino e 47% do sexo masculino.
De acordo com a pesquisa, a maior parcela de usuários de internet no Brasil é da classe C (o Ibope usa a definição do IBGE para divisão de classes). Os números mostram que 52% dos usuários são da classe C, 34% são da classe B, 10% das classes D/E e 4% da classe A.
O acesso à internet ainda é desigual no Braisl. Entre pessoas das classes D/E, apenas uma a cada cinco são internautas. Já na classe A, a taxa de acesso à rede é de 92%.
Em uma imagem geral, 53% dos brasileiros são ativos na internet. Mais da metade da população nacional acessou conteúdo online nos três meses anteriores à pesquisa.
Entre os internautas brasileiros, predominam pessoas entre 35 e 54 anos. Esses respondem por 34% dos usuários de internet do país. Logo atrás estão aqueles entre 25 e 34 anos, representando 32% das pessoas que acessam a rede.
Pessoas acima de 55 anos são os que menos usam a internet e representam apenas 7% dos internautas. Adolescentes entre 16 e 24 anos são 28% dos usuários.
Outra informação que a pesquisa do Ibope mostra é que o acesso é mais comum entre pessoas com escolaridade mais alta. Entre os que completaram o curso superior, 90% têm acesso à internet.
Entre aqueles que têm ensino médio, 71% acessam a internet. Na parcela da população que tem apenas ensino fundamental, 24% usam a internet.
A região Sudeste do país concentra 49% dos internauras do país. Em seguida, vem a região Nordeste, com 22%, Sul, com 14%, Centro-Oeste, com 8%, e Norte, com 7%.
A pesquisa do Ibope foi realizada em dezembro de 2014. A amostra contou com pessoas de acima de 16 anos e ouviu 12.012 pessoas.

Em 10 anos, água de reúso poderia abastecer 3,5 mi



A água de reúso é apontada por especialistas como a solução mais barata e viável para a crise hídrica em São Paulo. Um relatório entregue à Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), em dezembro de 2014, aponta que, em dez anos, seria possível criar um sistema que reutilizasse cerca de 10 metros cúbicos por segundo, capaz de abastecer 3,5 milhões de habitantes.
Todo o esgoto seria transformado em água potável, o que também ajudaria a despoluir os rios de São Paulo. "Isso significa uma independência hídrica buscada pelo Estado e milhões de reais poupados em recursos. É a única alternativa que temos no momento", diz o professor de Hidrologia da Universidade de São Paulo (USP) e autor do relatório, Ivanildo Hespanhol. "Nós ainda estamos vivendo os mesmos paradigmas dos romanos. Trazendo água cada vez de mais longe, de áreas que já estão com estresse hídrico", afirmou.
O valor do projeto gira em torno de R$ 3 bilhões, quantia inferior aos R$ 3,5 bilhões orçados pelo governo de São Paulo no conjunto de oito obras para equacionar a crise - entre elas a construção de novos reservatórios, adutoras e interligação de rios. A proposta é divida em três fases, com metas para 2020, 2025 e, por fim, 2035.
"O reúso aumenta a segurança hídrica da região e nos dá novas opções de abastecimento, mas mesmo assim precisamos de todas as medidas em conjunto. Elas não se excluem", afirma Antonio Eduardo Giansante, especialista em recursos hídricos.
Nos primeiros cinco anos, a meta é investir em melhorias das cinco estações de tratamento de esgoto (ETEs) do Sistema Alto Tietê (Barueri, Parque Novo Mundo, ABC, São Miguel e Suzano). Haveria substituição das membranas de ultrafiltração, que ajudam no processo de reúso. Juntas, as cinco ETEs têm capacidade de 15,8 m³/s e passariam para 24,8 m³/s. "Com pequenas medidas, nós conseguiríamos fazer o reúso potável indireto, realocando a água do esgoto e encaminhando para os reservatórios", explica.
Após uma década, a água tratada do esgoto - com auxílio de componentes químicos como o carvão ativado - já estaria diretamente na torneira dos paulistanos. "Não é um processo inovador, mas uma quebra de paradigma. São Paulo precisa acabar com o estigma de que o esgoto é ruim e não serve para nada", afirma Hespanhol.
A última fase da proposta é apostar no tratamento total do esgoto de São Paulo e na construção de novas ETEs. A meta seria reutilizar para consumo humano 80% do esgoto produzido. "O fator positivo é que a população veria esse processo como uma segurança de abastecimento. O que precisaríamos contornar é o preconceito que temos com o esgoto produzido", diz Hespanhol.
Estações. Se depender do governador Geraldo Alckmin (PSDB), a água de reúso deve estar na torneira do paulistano a partir de dezembro de 2015. No fim do ano passado, o tucano anunciou a construção de duas novas Estações de Produção de Água de Reúso (Epar). A ideia é tratar o esgoto e depois despejar a água na Represa do Guarapiranga, na zona sul, e no Rio Cotia, em Barueri.
A proposta apresentada seria o primeiro passo para o cumprimento das sugestões dos especialistas. Com o projeto, 2 mil litros de esgoto seriam transformados em água potável por segundo. A Sabesp apresenta a proposta como forma de reduzir a sobrecarga no Cantareira - hoje, 2,3 milhões de clientes anteriormente atendidos pelo sistema são abastecidos pelo Guarapiranga e Alto Tietê.
De acordo com a Sabesp, em uma Epar, o esgoto passa por duas fases de tratamento antes de ser despejado no manancial: primeiro, é feito o tratamento, cujo produto final é um líquido já despoluído. Essa água, antes de ser devolvida para a natureza, passa por um novo tratamento no mesmo local, virando água de reúso. A Sabesp garante que o processo segue as leis nacionais.
Campinas. Um procedimento similar está previsto para ser adotado em Campinas, no interior paulista. A água de reúso, tratada, será misturada aos Rios Atibaia e Capivari e depois distribuída para 7% da população. Na semana passada, a prefeitura anunciou que vai estudar métodos para utilizar a água de reúso diretamente na rede de abastecimento da cidade.
 
 
http://www.msn.com/pt-br/noticias/brasil/em-10-anos-%C3%A1gua-de-re%C3%BAso-poderia-abastecer-35-mi/ar-AA9r23w?ocid=iehp

Petrobrás criou empresa de fachada para construir gasoduto bilionário

© Foto: Agência Petrobras O trecho do empreendimento que fica na Bahia foi inaugurado com pompa em 26 de março de 2010.
Constataram que a ANP autorizou a construção e a operação do gasoduto sem analisar os documentos das empresas e sem avaliar se o projeto era adequado.
A Petrobrás criou "empresas de papel" para construir e operar a rede de gasodutos Gasene, conforme constatação da Agência Nacional de Petróleo (ANP) reproduzida numa auditoria sigilosa do Tribunal de Contas da União (TCU).
O trecho do empreendimento que fica na Bahia - e, de acordo com técnicos do tribunal, teve os custos superfaturados em mais de 1.800% - foi inaugurado com pompa em 26 de março de 2010 pelo governo federal.
Oito dias depois, a então ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, deixou o governo para se candidatar à Presidência da República. Ela foi à festa de inauguração em Itabuna (BA) com o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente da Petrobrás na época, José Sérgio Gabrielli, e a então diretora de Gás e Energia da estatal, Graças Foster, atual presidente da empresa.
Auditores do TCU
A agência reguladora pediu uma cópia do contrato de operação e manutenção do trecho entre Cacimbas (ES) e Catu (BA) em 4 de março de 2010, conforme ofício anexado ao processo que tramitou na ANP. Não houve exame do contrato, "repetindo o mero check listpromovido na fase de autorização para a construção", escreveram os auditores. Três semanas depois, Lula e Dilma inauguravam o trecho, hoje em operação.
Documentos revelam como as empresas criadas para a construção da rede de gasodutos - uma engenharia financeira para dar aspecto de empreendimento privado ao negócio - tinham características de fachada. Um contrato de prestação de serviços foi assinado em maio de 2005 entre a Transportadora Gasene S.A., constituída pela Petrobrás para tocar as obras, e a Domínio Assessores Ltda., um escritório de contabilidade no Rio.
As duas empresas aparecem no contrato com o mesmo endereço: Rua São Bento, no quinto andar de um prédio no Centro. O próprio contrato menciona que o escritório de contabilidade "concordou em fornecer à contratante um endereço para abrigar sua sede".
O mesmo documento diz que o dono da Domínio, Antônio Carlos Pinto de Azeredo, se comprometia a exercer o cargo de presidente da Transportadora Gasene, função ocupada entre 2005 e 2011.
Em reportagem publicada pelo GLOBO em 24 de dezembro, Azeredo declarou que era apenas um "preposto" da Petrobrás no cargo, com o exercício de uma "função puramente simbólica". O fato de existir um laranja à frente da empresa, responsável por investimentos de R$ 6,3 bilhões, corrobora o aspecto de fachada do empreendimento - uma sociedade de propósito específico (SPE) com capital privado, administrada por uma empresa chinesa contratada sem licitação e com comprovados gastos públicos, conforme a auditoria.
"A ANP considerou que as firmas transportadoras criadas nesse arranjo financeiro 'seriam apenas empresas de papel'", constataram os técnicos do TCU no relatório da auditoria. A subsidiária da Petrobrás responsável por operar as redes de gasoduto é a Transpetro, que assinou contrato com a Gasene.
A interpretação da ANP sobre o aspecto de fachada do empreendimento é compartilhada pelos auditores do TCU. "Em toda a cadeia quem estabelece os desígnios é a Petrobrás. Desse modo, assevera-se que este contrato para operação e manutenção com a Transpetro e os demais realizados visaram apenas a formalizar a relação de subordinação entre as sociedades, de modo a dar contornos legais e de aparente normalidade a toda estruturação financeira que foi desenvolvida", cita a auditoria, que ainda será votada, mas já foi enviada para os procuradores da República responsáveis pela Operação Lava-Jato para que seja incorporada às investigações de corrupção na estatal.
Mesmo tendo apontado a existência de "empresas de papel", a ANP abdicou da atribuição de fazer uma análise técnica do empreendimento, conforme conclusão de inspeção feita em três processos da agência relacionados ao Gasene - um com pedido de autorização da construção de um trecho, outro com instrução de decreto de utilidade pública para o gasoduto e um terceiro sobre aprovação dos projetos de referência. "Em termos de análise técnica da ANP, a inspeção constatou que ela inexistiu, limitando-se, nos processos de autorização para construção e operação, a checar a entrega dos documentos exigidos", afirmam os auditores.
"Chama atenção o fato de um projeto dessa magnitude, na ordem de R$ 3,78 bilhões (valor referente somente ao trecho Cacimbas-Catu), não ter avaliação crítica dos estudos apresentados pela Petrobrás para efeitos de autorização para a construção", afirmam. Segundo a auditoria, a ANP deixou de avaliar a viabilidade do projeto bilionário, embora o capital social da empresa contratada fosse de apenas R$ 10 mil, indicando que poderia tratar-se de fachada.
A inauguração do trecho do gasoduto em Itabuna, na Bahia, teve a participação de autoridades graduadas do governo Lula. Cerca de 5 mil pessoas compareceram ao parque de exposições. Dilma discursou com referências ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O Gasene, apesar da operação financeira para configurá-lo como empreendimento privado, foi incluído no PAC e contou com 80% de financiamento pelo BNDES. Uma empresa chinesa, a Sinopec International Petroleum Service Corporation, foi subcontratada sem licitação, por R$ 266,2 milhões, para gerenciar o gasoduto.
- O PAC não é ficção, e o Gasene hoje prova isso. Demos um show de competência aqui - discursou Dilma.
Fiador da candidatura de Dilma, eleita em outubro daquele ano, Lula também discursou:
- Essa obra significa mais um degrau na conquista de independência do Nordeste brasileiro. Nós não estamos tirando nada de nenhum lugar do Brasil.
Participaram ainda Gabrielli, que é da Bahia, e o governador do Estado na ocasião, Jaques Wagner (PT), reeleito naquele ano, além de Graças Foster e do presidente da Transpetro, Sérgio Machado. Gabrielli responde a acusações relacionadas à sua gestão, como o prejuízo de US$ 792 milhões na compra da refinaria de Pasadena, no Texas, e o superfaturamento na construção da refinaria de Abreu e Lima (PE).
Wagner é o atual ministro da Defesa e um dos principais conselheiros de Dilma. Graça balança no cargo devido à crise na Petrobrás. E Machado, incriminado por delatores do esquema de desvio de recursos da estatal, licenciou-se do cargo de presidente até ontem.
O Gasene foi incorporado pela Transportadora Associada de Gás (TAG), subsidiária da Petrobras, em janeiro de 2012, com ativos de R$ 6,3 bilhões. Os três trechos já foram concluídos: são 130 quilômetros entre Cacimbas e Vitória (ES); 303 quilômetros entre Cabiúnas (RJ) e Vitória e 954 quilômetros entre Cacimbas e Catu.
A auditoria do TCU foi feita no trecho mais longo. Além de superfaturamento, os técnicos apontaram dispensa ilegal de licitação, inexistência de projeto básico e pagamento sem a prestação do serviço. A votação na sessão reservada de 9 de dezembro foi suspensa devido a pedido de vista. O relatório aponta como responsáveis pelas irregularidades Gabrielli e o ex-presidente da Transportadora Gasene Antônio Carlos Azeredo. Os técnicos sugerem a aplicação de multas aos dois.
Ao GLOBO, a Petrobrás informou que "já apresentou esclarecimentos detalhados nos processos de auditoria do TCU no Gasene e aguarda sua manifestação". A ANP informou que "só vai se pronunciar depois da publicação do acórdão do TCU. O acórdão é o instrumento final pelo qual o TCU se pronuncia como órgão fiscalizador", informou a agência.

Energia Termosolar: A usina Gemasolar, na Andaluzia, funciona até de noite

Publicado em março 21, 2012 

A usina Gemasolar possui painéis que refletem os raios do sol numa grande intensidade. Foto: divulgação
Na usina Gemasolar, ninguém se preocupa quando o céu está nublado: graças a uma tecnologia única no mundo, a energia acumulada quando o sol brilha permite produzir eletricidade mesmo à noite ou em dias chuvosos. 
A central, que entrou em operação em maio passado, não passa despercebida na planície andaluza, no sul da Espanha.
Já na autoestrada, entre Sevilha e Córdoba, percebe-se sua torre iluminada, na qual estão colocados 2.650 painéis solares de 120 metros quadrados cada, dispostos em um imenso círculo de 195 hectares.
“É a primeira usina solar do mundo que trabalha 24 horas por dia, sendo assim funciona tanto de dia quanto de noite!”, explica Santiago Arias, diretor técnico da Torresol Energy, que administra a instalação.
Seu mecanismo é “muito fácil de ser explicado”, garante: os painéis, ao refletir a luz do sol sobre a torre, transmitem a ela “uma concentração de energia equivalente a 1.000 vezes a que recebemos em terra”.
A energia é armazenada em um enorme recipiente com milhares de quilos de sais fundidos, a uma temperatura superior a 500 graus. Esses sais superaquecidos vão servir, em seguida, para produzir vapor e este aciona uma turbina, gerando assim a eletricidade, como numa usina termelétrica solar clássica.
É esta capacidade de estocar energia que torna a Gemasolar tão diferente, permitindo que “à noite continuemos a produzir eletricidade com a energia acumulada durante o dia”, precisa Santiago Arias.
Assim, “utilizo esta energia da forma que interessa a mim, não a ditada pelo sol”.
O balanço é muito positivo: a usina “produz 60% a mais de energia, em relação a uma outra que não possui este sistema de armazenamento”, podendo funcionar 6.400 horas por ano, contra as 1.000 e 2.000 horas produzidas por uma central comum.
“A quantidade de energia que produzimos por ano é equivalente ao consumo médio de 30.000 lares na Espanha, portanto, de cerca de 90.000 pessoas”, explica Santiago Arias, proporcionando uma economia anual de 30.000 toneladas de CO2.
Encorajadas por um generoso sistema de ajuda pública, a geração de energia renovável vem sendo estimulada na Espanha, número dois no mundo em termos de aproveitamento da luz solar e primeiro na geração de energia eólica da Europa, à frente da Alemanha.
Em 2011, o país cobriu um terço de sua demanda de eletricidade com as energias renováveis, principalmente a eólica (16%), enquanto que a solar, embora não tão importante (4%), dobrou em um ano, segundo a administradora da rede de transmissão elétrica REE.
Para o projeto Gemasolar, foi preciso, também, a contribuição de investidores estrangeiros: a Torresol Energy é formada pelo grupo espanhol de engenharia Sener (60% do conjunto) e a empresa de energias renováveis Masdar, financiada pelo governo de Abu Dhabi.
Mas “uma usina deste tipo custa caro, não pela matéria-prima utilizada, que é gratuita, mas pelos enormes investimentos exigidos”, reconhece Santiago Arias. A conta ultrapassa os 200 milhões de euros.
Mas, “no dia em que o empreendimento começar a trazer lucros (em 18 anos, calcula), a usina se transformará em máquina de fabricar notas de 1.000 Euros!”, brinca, lembrando que o preço do barril de petróleo, que era de 28 dólares em 2003, beira, agora, os US$ 130. (N.C.: já está abaixo dos 55 e o pay back deve ser agora de 40 anos. Sem dinheiro do governo, isto é do povo, esse modelo não funciona.)
Em termos imediatos, a crise econômica projeta, no entanto, uma sombra nos projetos deste tipo: a Espanha, à beira da recessão e comprometida com um programa de austeridade, acaba de suspender os subsídios concedidos a novas centrais de produção de energia renovável.
“Temos três projetos parados” devido a esta suspensão, comenta Santiago Arias, admitindo, também em um contexto de desaceleração mundial, não ter conseguido ainda vender para outros países a tecnologia Gemasolar, apesar do grande interesse despertado fora da Espanha.
Matéria da AFP, no Yahoo Notícias.
EcoDebate, 21/03/2012

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Uma década sem Dorothy Stang e com muito sangue na terra

Dorothy Stang
Assassinato de Dorothy Stang comoveu o Brasil, mas segue impune
 
A missionária Dorothy Stang foi assassinada em 12 de fevereiro de 2005, no interior de Anapu, cidade na beira da Transamazônica, no Pará. Desde então, parte da quadrilha que organizou o crime passou pela cadeia. Em um levantamento feito pela EBC (sim, é preciso fazer um levantamento para descobrir se alguém está preso), foi constatado que ninguém, efetivamente, está na cadeia pelo crime — apenas o pistoleiro que reincidiu em mais homicídios.
 
Os dois mandantes que participaram diretamente do caso, Vitalmiro Bastos de Moura, o “Bida”, e Regivaldo Pereira Galvão, o “Taradão”, estão soltos. Outros poderosos fazendeiros e madeireiros da região que também tiveram participação na organização e financiamento, conseguiram escapar já na fase dos inquéritos. Comenta-se pelo menos o nome de um grande madeireiro, que foi vice-prefeito em Anapu e candidato a prefeito em Altamira, que também teria participação no crime — Bida fugiu utilizando a pista de pouso de sua propriedade, num jogo aparentemente de cartas marcadas. Taradão foi condenado a 30 anos, mas não cumpriu a pena. Esses outros que permanecem anônimos na justiça integram o chamado “consórcio”, que ficou protegido pela impunidade em razão da “falta de provas”.
O levantamento da EBC detalha o paradeiro dos criminosos:
 
Clodoaldo Batista, um dos autores do assassinato condenado a 18 anos de prisão, cumpre pena em regime semiaberto em um centro de recuperação em Belém. Rayfran das Neves Sales, autor dos disparos, foi condenado a 27 anos de prisão, cumpriu quase nove anos na cadeia e teve direito à progressão de regime, com prisão domiciliar. Em outubro de 2014, entretanto, ele foi detido novamente acusado de envolvimento em outro assassinato. Amair Feijoli Cunha, indicado como intermediário e condenado a 17 anos, cumpre prisão domiciliar em Tailândia, no sudeste do Pará.
 
Por que o sangue jorra na Amazônia?
 
Quando Laísa Santos Sampaio, irmã de Maria do Espírito Santo da Silva e cunhada de José Cláudio Ribeiro da Silva, foi receber o prêmio póstumo em homenagem a eles da ONU de “Heróis da Floresta”, ela disse: “Na Amazônia tem se intensificado casos de assassinatos de pessoas que como eles defendem a vida na floresta. A Amazônia é manchada de sangue. E essa mancha continua se espalhando.”
 
Na última década, de 2005 até 2014, segundo levantamento da Comissão Pastoral da Terra, foram assassinadas 325 pessoas em razão de conflitos no campo, sendo que mais da metade desses crimes aconteceram na Amazônia (67,3% dos casos). O Greenpeace chama de um “círculo vicioso de mortes, impunidade e mais violência alimenta uma indústria que vem financiando há anos o desmatamento da Amazônia.”
 
Os crimes seguem um padrão muito semelhante. São mortes por encomenda, serviço de pistolagem, por “empresas de segurança”, e as impunidades são sempre garantidas como parte de um sistema que, invertendo a lógica de Max Weber de que o Estado seria o detentor do monopólio do uso legítimo da força, na Amazônia, segundo interpreta a socióloga Violenta Loureiro, esse monopólio é compartilhado com o setor privado. O uso da força cabe tanto ao Estado quanto a classe dominante. Matar, na Amazônia, faz parte do jogo político-econômico.
 
Essa violência pode estar, ou não, associada ao desmatamento — ao contrário do que se popularizou dizer. Isso porque as áreas onde ocorre o desmatamento são também áreas violentas, com uso intensivo do trabalho escravo, assassinato dos trabalhadores e disputa, como numa “fronteira” de expansão, pela terra. Acontece que essa tese que associa desmatamento a assassinados não explica porque, nos últimos anos, diminuiu o desmatamento e continuou alto e constante o assassinato de trabalhadorxs no campo?
 
Do sul do Pará à Terra do Meio
 
Antes de ir para Anapu lutar ao lado dos pequenos agricultores sem-terra que chegavam por lá atrás de um pedaço de chão e de floresta, a missionária Dorothy Stang havia trabalhado, por muitos anos durante a violentíssima década de 1975 a 1985, em Jacundá, no sudeste do Pará. Ela sabia muito bem como essas áreas de disputa na Amazônia são violentas. Sabia como se organizava os sindicatos do crime, os consórcios das mortes dos latifundiários. E sabia que os pobres precisavam de um território para viver — que a migração como “peão do trecho” ou garimpeiro é uma terrível forma de exploração.
Madeira Ilegal
Madeira ilegal na região em que Dorothy Stang foi assassinada
A região de Anapu, ao contrário de outros trechos da Transamazônica, não foi dividida entre pequenos proprietários, mas sim entre grandes latifúndios. Esses latifundiários não só grilaram terras como se beneficiaram de diversos esquemas de corrupção e de investimento públicos que se destinava a “desenvolver” a Amazônia. Foi ali que a “Máfia da Sudam” desviou milhões e milhões.
Por outro lado, chegavam sem parar pobres vindos do Maranhão, expulsos de outras áreas de conflitos nos sul do Pará, garimpeiros que não bamburraram. Por que não organizar esse pessoal para viver da floresta, ao contrário de deixar as terras publicas e a floresta serem consumidas pelos mesmos mafiosos que roubaram milhões do Estado e matam tanta gente? Explicando de forma bem simples, a lógica dos Projetos de Desenvolvimento Sustentável que foram implantados em Anapu tinha tudo para dar certo. Não fosse a funesta aliança entre setores corruptos do Estado e um sindicato do crime que explora os recursos naturais locais para acumular mais e mais dinheiro.
 
O Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Esperança foi talvez o estopim que provocou o consorcio a tramar a morte da missionária. Do outro lado da Transamazônica, um outro PDS Virola Jatobá, vive as mesmas dificuldades. Foi preciso colocar uma guarita, a pedido dos assentados, para evitar a saída indiscriminada de madeira. É difícil imaginar que a guarita vai dar conta de segurar toda a riqueza que está sendo saqueada. Uma investigação do Greenpeace mostrou como ocorre a lavagem da madeira ilegal que sai do Virola Jatobá, feita pela empresa Vitória Régia, de um dos cabeças do assassinato de Dorothy que escapou do inquérito e protegido pela impunidade. O relatório pode ser baixado aqui.
 
Chama a atenção que essa mesma máfia que organiza a extração ilegal de madeiras e grilagem de terras, responsável pela morte da missionária Dorothy Stang, também atua distribuindo crédito ilegal para legalização da produção de carvão, que é consumido pelas siderúrgicas do polo de Marabá. Você pode conferir essa outra profunda investigação do Greenpeace clicando aqui.
 
A produção ilegal de carvão é um dos maiores vetores de desmatamento, de trabalho escravo e de violências. O casal José Cláudio e Maria lutava contra a produção ilegal de carvão dentro do assentamento agroextrativista onde viviam, em Nova Ipixuna. E por isso eram ameaçados de morte. É constrangedor pensar que a mesma máfia que matou Dorothy também tenha envolvimento, ao menos no aspecto econômico, com a morte de Ze Cláudio e Maria.
 
A economia e a política da morte e do saque
 
É a economia, e a organização política, o que tem provocado tantas mortes na Amazônia. A economia predatória, baseada seja na extração dos recursos naturais para a exportação – o chamado neo-extrativismo. Ou a economia da grilagem de terras, da renda fundiária. Esses dois sistemas se articulam na Amazônia, e essa articulação é feita por uma elite extremamente violenta, escravagista, que são os latifundiários, a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) que ocupa, hoje, o espaço da violenta União Democrática Ruralista (UDR).
 
É por isso que mesmo que o desmatamento tenha diminuído, muita gente continua sendo morta. A luta pela terra e pelos recursos dos territórios continua mesmo depois de criados os assentamentos, por exemplo, com a exploração da madeira, ou a expansão da mineração sobre terra de camponeses – no caso do sul do Pará, pela Vale.
 
E depois das mortes físicas, é preciso também operar as mortes simbólicas para esse sistema funcionar. Dorothy Stang, a senhora de 73 anos assassinada com seis tiros, passou a ser difamada localmente como uma guerrilheira e traficante de armas. O que pode parecer — e é — bizarro, faz algum sentido no imaginário local pois evoca-se a memória da Guerrilha do Araguaia, fortemente presente. E como os assassinos do Araguaia continuam impunes e os corpos dos guerrilheiros seguem desaparecidos, faz um certo sentido evocar essa história de terror presente no imaginário local.
 
Com um Congresso reacionário que representa os interesses desses grupos violentos do campo, e com o governo federal aliado a esses grupos e acelerando ainda mais o avanço de mega-projetos que provocam mais disputas por territórios, tudo indica que, infelizmente, os próximos anos devem ser ainda mais duros e violentos. A morte de Dorothy Stang não é um evento do passado, mas uma premonição de um futuro desigual, triste e violento caso essa trajetória não seja mudada.