sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Pedofilia na Igreja: o papa Francisco lava as mãos

Josef é um polonês de 65 anos. Foi morar na República Dominicana. Gosta de transar com meninos púberes. Pagava garotos pobres para isso, que pegava nas ruas miseráveis de Santo Domingo. Chegou a levar até cinco meninos ao mesmo tempo para a cama. Um deles, um engraxate de 13 anos, contou que Josef filmava tudo no celular. Uma reportagem de TV revelou o caso em agosto de 2013. O que você acha que aconteceu com Josef?

 A resposta é nada. A responsabilidade é do Papa Francisco. Josef Wesolowski era o núncio papal na República Dominicana. Era o enviado do papa a Santo Domingo há cinco anos, para onde foi enviado por Bento 16. Foi ordenado em 1972, pelo igualmente polonês Karol Wojtyla, depois papa João Paulo II. Um outro padre polonês que trabalha na República Dominicana enfrenta acusações parecidas.

 No último dia 13 de janeiro, o Vaticano anunciou que Wesolowski enfrentará dois julgamentos, um canônico, outro criminal. Onde? No Vaticano. No primeiro, o pior que pode acontecer é deixar de ser sacerdote. No segundo, poderia até cumprir pena. Onde? Dentro do próprio Vaticano. Depois de ser julgado pelos colegas... Você pode imaginar tamanha impunidade acontecendo caso Josef fosse um civil, ou mesmo um rabino, pastor ou monge budista? Eu não. Mas a Igreja Católica é outro departamento: é uma religião, uma nação, e uma entidade transnacional. Responde a ninguém.
 
 
São casos revoltantes como esse que levaram a ONU a, finalmente, se manifestar de maneira oficial sobre os inúmeros casos de pedofilia entre padres, e sobre a responsabilidade da Igreja Católica nisso tudo. A carta da ONU exige que a Igreja faça a coisa certa. Que Roma faça o mínimo: explicite as acusações de pedofilia contra sacerdotes; entregue-os às autoridades policiais de cada país, para investigação no local; em caso de crime comprovado, expulse-os. O Vaticano retruca: já estamos fazendo tudo que é necessário; o documento da ONU foi influenciado por movimentos pro-gay; a Igreja tem autonomia para lidar com a questão como achar melhor.

 É arrogância e crueldade, que a simpatia pessoal do papa não tem como disfarçar. Francisco é a unanimidade do momento. Sorri, dispensa pompa, fala sem firulas. Fechou o ano simultaneamente como Homem do Ano da Time, e popstar do ano na edição de natal da revista Rolling Stone. No ano passado, prometeu enfrentar com rigor a pedofilia pandêmica no clero, milhares de casos comprovados, e sabe-se lá quantos outros que nunca vieram à luz. Em dezembro, foi anunciada a criação uma comissão de experts para lidar com a questão. É como no Brasil: quando você não quer resolver nada, crie uma comissão.
 
Josef Wesolowski
 
O papo do papa é só isso: papo. O caso Wesolowski explicita. A Igreja está fazendo exatamente o contrário do que a ONU exige. Agiu em segredo. Não explicitou as acusações contra  Wesolowski. Não o entregou às autoridades do país onde os crimes aconteceram para investigação no próprio local, para que confrontasse seus acusadores. Roma sumiu com ele da República Dominicana. Anunciaram uma investigação interna, genérica. Onde está o monsenhor neste momento? A igreja cala. Provavelmente no próprio Vaticano, de onde não pode ser extraditado para a República Dominicana: como núncio papal, tem imunidade diplomática.
 
O papa lava as mãos. Segue a política de sempre: transferir os padres criminosos para outras paróquias, abafar, e negar satisfações aos menores abusados, à lei, ao mundo. Jamais enfrentará a pedofilia dos padres. Porque não quer e porque não pode. Não quer, porque obedecer aos ditames recomendados pela ONU significaria expor as entranhas da Igreja ao escárnio público, ao escrutínio da imprensa, e abaixar a cabeça para poderes civis, e portanto laicos e mutáveis, permeáveis às pressões sociais. Impensável, se você defende a que sua igreja é a única representante na Terra de um ser eterno, onipresente, onisciente e onipotente.
 
E não pode por causa do celibato que a igreja impõe a padres e freiras, que não mudará sob o novo papa nem por milagre. Decidir não transar pelo resto da vida é como decidir não enxergar, não ouvir, não pensar. Vai contra o que há de mais precioso na vida. Vai contra a própria vida. Que tipo de homem opta pela autocastração? Não há perversão pior que a abstinência. Uma entidade que exige a castidade de seus integrantes atrairá uma quantidade desproporcional de pervertidos. Enquanto padres não puderem ter uma vida sexual natural, saudável e aberta - heterossexual ou homossexual, contanto que entre adultos que consentem -  esses casos criminosos continuarão. É inevitável.

http://noticias.r7.com/blogs/andre-forastieri/2014/02/06/pedofilia-na-igreja-o-papa-francisco-lava-as-maos/

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