quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Te desejo um Ano Novo de plenitude e paz

 
De repente, num instante fugaz, os fogos de artifício anunciam que o Ano Novo está presente e o ano velho ficou para trás.

De repente, num instante fugaz, as taças de champagne se cruzam e o vinho francês borbulhante anuncia que o ano velho se foi e o Ano Novo chegou.

De repente, os olhos se cruzam, as mãos se entrelaçam e os seres humanos, num abraço caloroso, num só pensamento, exprimem um só desejo e uma só aspiração: paz e amor.

De repente, não importa a nação, não importa a língua, não importa a cor, não importa a origem, porque todos são humanos e descendentes de um só Pai, os homens lembram-se apenas de um só verbo: amar.

De repente, sem mágoa, sem rancor, sem ódio, os homens cantam uma só canção, um só hino, o hino da liberdade.

De repente, os homens esquecem o passado, vivem o presente sonham com o futuro venturoso, de como é bom viver…

Um Ano Novo de cheio de Jesus para todos!
 
Com carinho, sempre.
 

Padre Décio - Sacerdote Católico
Alma boa que ajuda a gente.

Oração de final de ano

 
Senhor, nesta noite santa, depositamos diante de Tua manjedoura todos os sonhos, todas as lágrimas e esperanças contidos em nossos corações.
Pedimos por aqueles que choram sem ter quem lhes enxugue uma lágrima. Por aqueles que gemem sem ter quem escute seu clamor.
Suplicamos por aqueles que Te buscam sem saber ao certo onde Te encontrar.
Para tantos que gritam paz, quando nada mais podem gritar.
Abençoa, Jesus Menino, cada pessoa do planeta Terra, colocando em seu coração um pouco da luz eterna que vieste acender na noite escura de nossa fé.
Fica conosco, Senhor!
Padre Décio - Sacerdote Católico
 ALMA BOA QUE AJUDA A GENTE.

Quem é Jesus Cristo?

Quem é Jesus Cristo? Diferentemente da pergunta "Deus Existe", bem poucas pessoas perguntam se Jesus Cristo existiu ou não. Geralmente se aceita que Jesus foi de fato um homem que andou na terra, em Israel, há quase 2014 anos. O debate começa quando se analisa o assunto da completa identidade de Jesus. Quase todas as grandes religiões ensinam que Jesus foi um profeta, um bom mestre ou um homem piedoso. O problema é que a Bíblia nos diz que Jesus foi infinitamente mais do que um profeta, bom mestre ou homem piedoso.
 

 C.S. Lewis, em seu livro Mero Cristianismo, escreve o seguinte: “Tento aqui impedir que alguém diga a grande tolice que sempre dizem sobre Ele [Jesus Cristo]: ‘Estou pronto a aceitar Jesus como um grande mestre em moral, mas não aceito sua afirmação em ser Deus.’ Isto é exatamente a única coisa que não devemos dizer. Um homem que foi simplesmente homem, dizendo o tipo de coisa que Jesus disse, não seria um grande mestre em moral. Poderia ser um lunático, no mesmo nível de um que afirma ser um ovo pochê, ou mais, poderia ser o próprio Demônio dos Infernos. Você decide. Ou este homem foi, e é, o Filho de Deus, ou é então um louco, ou coisa pior... Você pode achar que ele é tolo, pode cuspir nele ou matá-lo como um demônio; ou você pode cair a seus pés e chamá-lo Senhor e Deus. Mas não vamos vir com aquela bobagem de que ele foi um grande mestre aqui na terra. Ele não nos deixou esta opção em aberto. Ele não teve esta intenção.”

 Então, quem Jesus afirmou ser? Segundo a Bíblia, quem foi? Primeiramente, vamos examinar as palavras de Jesus em João 10:30: “Eu e o Pai somos um.” Em um primeiro momento, pode não parecer uma afirmação em ser Deus. Entretanto, veja a reação dos judeus perante Sua afirmação: “Os judeus responderam, dizendo-lhe: Não te apedrejamos por alguma obra boa, mas pela blasfêmia; porque, sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo” (João 10:33). Os judeus compreenderam o que Jesus havia dito como uma afirmação em ser Deus. Nos versículos seguintes, Jesus jamais corrige os judeus dizendo: “Não afirmei ser Deus”. Isto indica que Jesus realmente estava dizendo que era Deus ao declarar: "Eu e o Pai somos um” (João 10:30). Outro exemplo é João 8:58, onde Jesus declarou: “Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão existisse, eu sou.” Mais uma vez, em resposta, os judeus tomaram pedras para atirar em Jesus (João 8:59). Ao anunciar Sua identidade como “Eu sou”, Jesus fez uma aplicação direta do nome de Deus no Velho Testamento (Êxodo 3:14). Por que os judeus, mais uma vez, se levantariam para apedrejar Jesus se Ele não tivesse dito algo que creram ser uma blasfêmia, ou seja, uma auto-afirmação em ser Deus?

 João 1:1 diz que “o Verbo era Deus”. João 1:14 diz que “o Verbo se fez carne”. Isto mostra claramente que Jesus é Deus em carne. Tomé, o discípulo, declarou a Jesus: “Senhor meu, e Deus meu! (João 20:28). Jesus não o corrige. O Apóstolo Paulo O descreve como: “...grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo” (Tito 2:13). O Apóstolo Pedro diz o mesmo: “...nosso Deus e Salvador Jesus Cristo” (II Pedro 1:1). Deus o Pai também é testemunha da completa identidade de Jesus: “Mas, do Filho, diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos; Cetro de eqüidade é o cetro do teu reino” (Hebreus 1:8). No Velho Testamento, as profecias a respeito de Cristo anunciam sua divindade: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” (Isaías 9:6).

 
 Então, como argumentou C.S. Lewis, crer que Jesus foi um bom mestre não é opção. Jesus claramente e inegavelmente se auto-afirma Deus. Se Ele não é Deus, então mente, conseqüentemente não sendo também profeta, bom mestre ou homem piedoso. Tentando explicar as palavras de Jesus, “estudiosos” modernos afirmam que o “Jesus verdadeiramente histórico” não disse muitas das coisas a Ele atribuídas pela Bíblia. Quem somos nós para mergulharmos em discussões com a Palavra de Deus no tocante ao que Jesus disse ou não disse? Como pode um “estudioso” que está 2014 anos afastado de Jesus ter a percepção do que Jesus disse ou não, melhor do que aqueles que com o próprio Jesus viveram, serviram e aprenderam (João 14:26)?
 
 Por que se faz tão importante a questão sobre a identidade verdadeira de Jesus? Por que importa se Jesus é ou não Deus? O motivo mais importante para que Jesus seja Deus é que se Ele não é Deus, Sua morte não teria sido suficiente para pagar a pena pelos pecados do mundo inteiro (I João 2:2). Somente Deus poderia pagar tamanho preço (Romanos 5:8; II Coríntios 5:21). Jesus tinha que ser Deus para que pudesse pagar nossa dívida. Jesus tinha que ser homem para que pudesse morrer. A Salvação está disponível somente através da fé em Jesus Cristo! A natureza divina de Jesus é o motivo pelo qual Ele é o único caminho para a salvação. A divindade de Jesus é o porquê de ter proclamado: “Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim” (João 14:6).
 
Crer em Jesus como Filho de Deus é o que nos aproxima da verdade jesuânica e que nos coloca como portadores da sua missão divina neste mundo. Aquele que crê em Jesus, este realiza sua missão neste mundo e terá a vida eterna em Deus sendo ressuscitado no dia da plenitude total.

O Ano termina, mas nossa missão não, que 2015 seja repleto da presença de Jesus em nossas vidas e em nossa missão neste Planeta Azul.

 
Com Carinho, sempre.
 
Padre Décio - Sacerdote Católico
ALMA BOA QUE AJUDA A GENTE

Juca Ferreira é o novo ministro da Cultura, que venha a Cultura...

A presidente Dilma Rousseff divulgou nesta terça-feira 30 o nome de mais um ministro para o segundo mandato. O sociólogo Juca Ferreira, atual secretário municipal de Cultura de São Paulo, vai assumir o Ministério da Cultura no lugar de Ana Cristina da Cunha Wanzeler. Ela é ministra interina desde novembro, quando a petista Marta Suplicy entregou a carta de demissão a Dilma com críticas veladas à presidenta. Já Juca foi ministro da Cultura no segundo mandato do governo Lula, após a saída de Gilberto Gil do Ministério.
Juca Ferreira volta ao ministério no novo mandato de Dilma Rousseff
 
Por meio de nota oficial publicada pela Secretaria de Imprensa, a presidenta agradeceu a dedicação de Ana Cristina à frente da pasta. A posse dos ministros está marcada para quinta-feira (1º). Dos 39 cargos com status de ministro no atual governo, faltam ser anunciados 14 pela presidenta.
 
Nesta segunda-feira 29, Dilma anunciou o nome de outros sete ministros: Antonio Carlos Rodrigues (Transporte), Gilberto Occhi (Integração), Miguel Rossetto (Secretária Geral), Patrus Ananias (Desenvolvimento Agrário), Pepe Vargas (Relações Institucionais), Ricardo Berzoini (Comunicações) e Carlos Gabas (Previdência).
 
Na última terça-feira 23, a presidenta havia anunciado outros 13 nomes, como o do petista Jacques Wagner no Ministério da Defesa, além de integrantes do PMDB e de legendas aliadas como PCdoB e o PSD. São eles: Aldo Rebelo (Ciência Tecnologia e Inovação), Cid Gomes (Educação), Eduardo Braga (Minas e Energia), Gilberto Kassab (Cidades) e Kátia Abreu (Agricultura, Pecuária e Abastecimento).
 
Com informações da Agência Brasil
 

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

O país virtual

As manchetes que ornam esta página encabeçaram recentemente o noticiário de dois jornalões nativos. Acima (por incrível que pareça) o Estadão de sexta 5 de dezembro, abaixo O Globo de sábado 6. As duas manchetes poderiam ter saído uma semana antes. Bastaria ter dado repercussão à reportagem de CartaCapital, nas bancas em São Paulo na sexta 28 de novembro e no dia seguinte no Rio e em todo o País. É o que teria acontecido se a nossa mídia fosse digna de um país contemporâneo do mundo, democrático e civilizado.
 
O Estado de S. Paulo e O Globo, cada qual a seu modo, fazem questão de ignorar CartaCapital. Não estão sozinhos nesta prática, e não me refiro apenas a uma reação midiática. Uma porção conspícua da sociedade nativa repudia o jornalismo honesto, ou, por outra, aquele que não diz, ou não escreve, quanto não aprecia ouvir ou ler. Nada disso parece digno de um país democrático e civilizado. E não se daria, digamos, na Europa e nos Estados Unidos, quem sabe não se desse na Argentina, na Bolívia, na Venezuela.
 
 
Sem levar em conta a ofensa à própria razão e às regras do bem-viver, o fenômeno confirma o desrespeito a uma equipe de colegas profissionais e a um repórter, titular da primazia, no caso o excelente Fabio Serapião. Segundo a nossa mídia, só vale o que noticia. É como se CartaCapital e seu site, frequentado por milhões de navegantes, não existissem. Fica assim demonstrado o apego selvagem à virtualidade, exato oposto da realidade.
 
Há sinais inúmeros de tentativa, praticada em todos os quadrantes possíveis, de construir um país virtual, nas mais diversas manifestações, ancorado à visão e às crenças do indivíduo e dos grupos. Há fatias da sociedade graúda, por exemplo, dispostas a acreditar que, ao sabor do escândalo da Petrobras, o impeachment de Dilma Rousseff é inescapável, quando, a bem da verdade factual, a presidenta só poderia ser derrubada pelo golpe, habilitado a jogar a Constituição no lixo.
 
A oposição tucana porta-se como se tivesse ganho a eleição, enquanto o PT apresenta-se como o partido que deixou de ser faz muito tempo, no mínimo desde que chegou ao poder. Nem se fale dos demais. E ali, no centro da reação, dispara Fernando Henrique Cardoso, o cientista político que ninguém leu, a acusar a presidenta de prometer para não cumprir, quando foi ele o autor do maior engodo eleitoral da história do País ao conduzir a campanha eleitoral de 1998 à sombra da estabilidade, para desvalorizar o real 12 dias depois de empossado para o segundo mandato. E quebrar o Brasil.
 
O procurador-geral pede a demissão da diretoria da Petrobras, sem motivo e autoridade para tanto. Já o ministro da Justiça, do alto de sua pompa provinciana, não perde a ocasião para proferir impávidas falastronices, convicto de impressionar o auditório. E o ministro Gilmar Mendes? Em lugar de fazer justiça, dedica-se ao exercício da política, secundado pelo jovem colega Antonio Dias Toffoli, pupilo súbito. Tivesse sido Toffoli nomeado hoje por Dilma, o mesmo Gilmar o definiria como bolivariano. Mas o Brasil é o único país em que crimes contra a humanidade prescrevem e uma Lei da Anistia imposta pela ditadura continua em vigor.
 
Vejam só, não fal­tava quem alimentasse a cer­teza de viver na su­cursal de Miami, ago­ra prefe­re Dubai.
 
 

Indígenas protestam contra sentença e ação missionária

A sentença de um juiz federal em Santarém que disse que indígenas do baixo rio Tapajós eram “falsos” e que a terra indígena em processo de demarcação pela Funai era “inexistente”, tem sido alvo de intensos protestos na cidade. Assim que souberam do conteúdo da decisão de Airton Portela, os povos do Baixo Tapajós e Arapiuns desceram os rios e ocuparam o Fórum. Diversos movimentos sociais da região se uniram aos indígenas, assim como a diocese de Santarém, a Comissão Pastoral da Terra, a Terra de Direitos, entre outras entidades que assinam o manifesto reproduzido ao final deste post.
 
A Justiça Federal fechou as portas e negou-se a receber os manifestantes, que pularam o muro e acamparam dentro das instalações. Um #Occupy na Justiça Federal. Durante a noite, foi feita uma cerimônia ritual. Ou uma “suposta” cerimônia ritual, como diria o juiz de acordo com os termos que ele utilizou na sentença para se referir aos “supostos indígenas”. Nos cartazes, chamam a Justiça de racista.
 
 
Nesse protesto chamou a atenção um cartaz inesperado: dois indígenas portam um cartaz culpando a Mormaii por financiar o “falso antropólogo” Edward Luz . Luz foi contratado pela associação Acutarm, lado oposto aos indígenas no conflito, e elaborou um laudo contra a demarcação da terra indígena. Ele se vangloriou no Twitter por ter produzido os principais argumentos acatados pelo juiz Portela contra os direitos indígenas – mesmo sem ter sido citado na sentença. Os indígenas denunciaram que a Mormaii patrocina uma ação “humanitária” na região em que ONGs ligadas a Luz são beneficiadas, e que isso estaria acirrando ainda mais os conflitos entre as comunidades, e isso repercutiu nas redes sociais.
 
A missão proselitista e os conflitos internos
 
Em seu website, a Mormaii diz que “Só uma marca como a Mormaii com espírito de aventura, arrojada e que vence obstáculos, busca atingir aqueles que precisam de ajuda, mas que dificilmente a receberiam devido às distâncias e barreiras naturais”. Essa “aventura” da Mormaii é o patrocínio do projeto “Águas da Amazônia”, coordenado pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre o desenvolvimento dos Povos e Comunidades tradicionais (NEP-DPTC) do Centro Universitário de Anápolis, do qual Luz faz parte. Foi Luz quem teria sugerido à Mormaii trabalhar nessa região de conflito através de uma parceria com a missão evangélica Asas do Socorro. Segundo ele, o Baixo Tapajós seria uma “região necessitada”.
 
Assim que a denúncia dos indígenas começou a circular, Luz apressou-se nas redes sociais a defender a Mormaii e atacar os indígenas que protestavam: “não tem nenhum "indigena" nesta foto, mas mestiços militantes q querem ser reconhecidos como tal. #AquiNãoMermão”. Luz costuma ser bastante ofensivo e agressivo nas redes contra quem pensa diferente de sua maneira: “please, não deixem esse militonto @felipedjeguaka denegrir vosso trabalho incrível no PA. Façam esse irresponsável responder”. E também: “sorte sua q eu não tenho os advogados da @mormaiioficial senão já tinha te assado na justiça” – escreveu ele, com a intenção de incitar a Mormaii a me processar judicialmente para intimidar este trabalho jornalístico, o que, além de tudo, ainda ameaça a liberdade de imprensa e de expressão.
 
Uma grande confusão no burburinho das redes sociais é a razão dessa aliança. Os indígenas especulam que Luz tenha procurado o investimento da Mormaii para agir em meio ao conflito de que ele mesmo é parte como antropólogo que advoga para um lado. Ao menos, a atuação das missões financiadas pela empresa de surf pode ter tido, até que o caso seja mais esclarecido, um impacto na fomentação dos conflitos e atuação racista na área. É o que informam as lideranças do Conselho Indígena Tapajós Arapiuns (CITA), como Dinael Cardoso.
 
A parceria organizada por Luz que envolve financiamento da Mormaii, a ONG holandesa Terre des Hommes, dona do barco de saúde Abaré, e a missão Asas do Socorro. O contexto da atuação das missões proselitistas na Amazônia, como a Asas do Socorro e da missão do pai de Luz, New Tribes Mission, e a busca por almas para evangelizar, foi objeto de uma longa investigação que publiquei na revista RollingStone.
 
Aventura na selva
 
Os anos de 2010 a 2012 foram bastante tensos na região da Gleba Nova Olinda, no alto rio Arapiuns. As comunidades contrárias a exploração madeireira, muitas das quais se identificam como indígenas, haviam queimado duas balsas lotadas de madeira em protesto. Queriam o fim da exploração madeireira predatória na região. E o barco de saúde Abaré, que era utilizado pelo Projeto Saúde e Alegria, que trabalha desde os anos 1980 na região, estava em disputa. Foi nesse contexto que surgiu a expedição idealizada por Luz para uma região “necessitada”. E essa ação de saúde bucal que ele trouxe para a área, de cunho “humanitário”, pode não apenas ter sido o estopim para acirrar conflitos sociais, como para a prática de proselitismo religioso.
 
Lideranças do CITA, como Dinael Cardoso e João Tapajós, além de outros comunitários entrevistados, disseram que o barco, enquanto funcionou com as missões evangélicas e com a Mormaii, apenas atracava em comunidades evangélicas na Reserva Extrativista Tapajós Arapiuns, como a Prainha do Maró e a Nova Canaã. Teriam se recusado, inclusive, a atracar em comunidades não evangélicas. Essas ações também teriam sido discriminatórias, atendendo apenas àqueles que não se identificavam como indígenas, o que teria provocado mal estar — de acordo com as lideranças do CITA.
 
Procurei a Mormaii para ouvir da empresa a sua versão sobre essas denúncias. Liguei diversas vezes, falei com diferentes atendentes, e enviei e-mails solicitando informações. Eu já havia procurado a Mormaii em 2012, quando fui informado, pela primeira vez, pelos indígenas da região, e ouvi dois representantes da empresa que haviam se mostrado “surpresos” e se recusaram a conceder uma entrevista ou enviar um comunicado – apenas divulguei em minha conta pessoal no Twitter a relação da Mormaii com a missão Asas do Socorro.
 
Desta vez, após a sentença e o protesto dos indígenas, procurei, novamente, a Mormaii, e fui atendido por Sacha Juanuk, gerente comercial, que antes de começar a responder perguntas  pediu o meu endereço pessoal — o que não é usual na relação entre jornalistas e entrevistados— para “enviar informativos”. Em seguida, pediu 48 horas para se pronunciar, e logo depois passou a responder parcialmente as questões, mostrando-se estar surpreso pela situação de conflito no rio Arapiuns e que envolve a ação da empresa.
“Temos hoje todo um release de um material onde deixa muito claro onde a Mormaii participa, chega e o ônus nesse projeto”, afirmou Juanuk. Pedi para ele enviar o material por e-mail para apresentar nesse texto, o que foi recusado. Algumas informações do projeto podem ser acessadas no website da Mormaii, como na página http://www.mormaii.com.br/sem-categoria/2012/05/projeto-social-aguas-da-amazonia-em-nova-missao/
 
Juanuk disse que não sabia que a área de atuação do projeto social era uma área de conflito na Amazônia. “Nossa filosofia de trabalho é levar qualidade de vida e elevar o nível de consciência dos evolvidos”, disse. E disse duvidar “que a Mormaii tenha envolvimento que possa afetar qualquer ser humano. A Mormaii, pela instituição, pela dimensão, afeta o meio ambiente. Mas não é isso, a nossa atividade principal é outra. A Mormaii não tem conhecimento de que essa é uma área de conflito”, insistiu Sacha Juanuk, não antes sem tecer para mim elogios do “seu bom trabalho de jornalista” através do qual, segundo ele, teria ficado sabendo do protesto dos indígenas. Juanuk afirmou que iria buscar mais informações internamente para responder as questões que fiz, porém ele não atendeu mais as ligações.
 
A Missão
 
A Asas do Socorro, parceira da empresa de surf, já foi expulsa da Venezuela e do Suriname, entre outros países, acusada de praticar proselitismo religioso. No Brasil, o proselitismo entre povos indígenas também é proibido — e as agencias missionárias desse cunho foram expulsas, em 1991, de todas as terras indígenas, durante a gestão do sertanista Sydney Possuelo como presidente da Funai. Um dos fatos que levaram à decisão da Funai foi justamente a atuação da missão evangélica presidida pelo pai de Edward Mantonelli Luz (o antropólogo contratado pela Acutarm), que se chama Edward Gomes Luz e é o presidente da New Tribes Mission no Brasil (NTMB), junto dos Zo’é, indígenas que vivem na Calha Norte do Pará e cujo acesso aéreo se dá a partir de Santarém.
 
A sede da New Tribes no Brasil fica na cidade de Anápolis (GO), onde também se localiza a Unievangélica, o  NEP-DPTC  — de Luz filho — e a Asas do Socorro. O contexto dessas organizações missionárias, que integram o guarda chuva da Associação das Missões Transculturais Brasileiras (AMTB) cujas ações são descritas pela Procuradoria Geral da Republica da 6ª Câmara e pela Funai como proselitista, está na reportagem O Mercado de Almas Selvagens.
 
A expulsão da família Luz e a NMTB dos Zo’é foi um duro golpe na vida dos missionários, que nunca desistiram de tentar retornar para a área. Luz filho nunca esqueceu desse trauma, como me disse pelo twitter: “eu morei em STM (Santarém) minha infância e adolescência? Conheço a carência da região faz muito tempo e quero ajudar!”
 
A Funai tem denunciado as investidas da missão New Tribes para tentar retornar para a área indígena e recomeçar o proselitismo entre os Zo’é, como em um programa de Luciano Huck na TV Globo. Os Zo'é são considerados um povo “de recente contato” pela Funai. Uma base forte em Santarém poderia ser uma estratégia geopolítica de atuação. É possível, dessa maneira, que trama politica e econômica em torno da região da Gleba Nova Olinda, no rio Arapiuns, envolva além de problemas de identificação indígena, exploração madeireira, e a sentença do juiz Portela, mas inclusive relação com a expulsão da New Tribes Mission dos Zo’é, em 1991.
 
Outro fato relacionado a este conflito é que, em 1991, o Projeto Saúde e Alegria havia feito uma parceria com a Funai para cuidar da saúde dos Zo’é após a expulsão da New Tribes. A situação era de emergência em razão da intensa mortandade e alta contaminação por gripe e malária que estava dizimando os índios. A missão New Tribes chegou inclusive a ser acusada de genocídio, e o descaso com a saúde dos indígenas era a principal acusação formal da Funai.
 
Vinte anos mais tarde, nas expedições realizadas pelo rio Arapiuns e que podem ter fomentado ainda mais o rivalidade entre as comunidades, foi utilizado o mesmo barco que o PSA sempre utilizou, o Abaré, um barco bastante conhecido na região. Porém, dessa vez, nas mãos do projeto Águas da Amazônia da parceria da Mormaii, Asas do Socorro e NEP-DPCT. Ao contrário de seus usos anteriores, no Abaré, durante essas expedições, novamente de acordo com as lideranças do CITA, a saúde teria sido promovida seletivamente, apenas para pessoas  de uma certa categoria étnica, ou seja, que não se identificavam como indígenas.
 
A sentença de Portela, que segue o argumento de Luz, pode ter colocado mais gasolina nessa disputa que aparentemente vai além de terra e de madeira – mas também de almas. Dada Borari, uma das principais lideranças indígenas da região, é ameaçado de morte e tem sido vítima constante de difamação, seja pelo trabalho do antropólogo contratado por seus inimigos, seja até pela já citada matéria da revista Veja que expunha Dadá, ou mesmo agora, por um juiz federal. Há um temor na região de que a sentença venha a desencadear mais violência física nesse conflito e resultar em mortes.
 
Antes de terminar este texto liguei novamente para a Mormaii, na tarde da quinta-feira 11 de dezembro, para ouvir a versão da empresa sobre essa acusação de lideranças do CITA de que o projeto Águas da Amazônia teria discriminado as pessoas indígenas, mas Juanuk limitou-se a dizer que a “Mormaii vai publicar um comunicado no site” e desligou o telefone.
Abaixo, uma carta dos movimentos sociais de Santarém
 
CARTA CIRCULAR DOS POVOS IN DÍGENAS DO BAIXO TAPAJÓS
 
Nós, povos indígenas de diversas etnias como: Arapiun, Arara-vermelha, Apiaká, Borari, Cumaruara, Jaraky, Maytapú, Munduruku, Munduruku-cara-preta, Tapajó, Tapuia, Tupinambá e Tupaiú, localizados na Região do Baixo Tapajós, dos Municípios de Santarém, Belterra e Aveiro, no Oeste do Pará, além de contarmos com o apoio de etnias de outras Regiões,  COMUNICAMOS à sociedade em geral que, desde hoje (09/12/2014) estamos OCUPANDO o prédio da JUSTIÇA FEDERAL, localizada no Município de Santarem, por prazo indeterminado, como uma forma de protestar contra SENTENÇA JUDICIAL proferida pelo juiz da 2ª VARA FEDERAL, o senhor José Airton Portela, que declara “a inexistência da terra indígena Maró”,localizada na chamada Gleba Nova Olinda. O juiz declara em 106 laudas que os indígenas da T.I Maró seriam uma farsa.
 
Por conta dessa sentença judicial discriminatória, nós, povos indígenas acima mencionados, REAFIRMAMOS nossas identidades indígenas, não aceitamos no decorrer da História e não aceitaremos jamais a violência do branco colonizador, a recusa de nossas crenças, de nossa cultura e de nossos valores. Sabemos que as leis de forma geral não nos favorecem, porém não há lei que possa nos exterminar. Temos clareza que a política implementada pelos governos é anti-indigena e anti-ambiental.
 
Existimos sim, e sobreviveremos a mais um ataque preconceituoso e racista da elite branca santarena, da imprensa vendida, dos setores do agronegócio, e de políticos ruralistas. Resistimos a todas as adversidades no curso de nossa História com muita luta e dessa vez não será diferente.
 
Estamos com apoio de vários movimentos e entidades, na certeza que essa batalha será de longa duração. Por fim, tal sentença esta sintonizada com a escalada de violência na qual o nosso povo é submetido por todo o Brasil, assim queremos responsabilizar o Juiz  Airton Portela por toda e qualquer violência cometida contra os nossos direitos, territórios e principalmente contra as nossas vidas.
 
Santarém, 09 de dezembro de 2014.
Conselho Indígena Tapajós Arapiuns – CITA
Conselho Indígena Intercomunitário Arapiun/Borari
Grupo Consciência Indígena
Comissão Pastoral da Terra – Santarém
Terra de Direitos
Diretório Central dos Estudantes – UFOPA
União dos Estudantes de Ensino Superior de Santarém – UES
Coletivo Juntos
Coletivo Feminista Rosas de Liberdade
Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadores Rurais de Santarém
            
 http://www.cartacapital.com.br/blogs/blog-do-milanez/indigenas-protestam-contra-sentenca-e-acao-missionaria-8383.html                                               

Combate à violência contra a mulher avança pouco nas últimas décadas

As declarações ofensivas do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) contra a deputada Maria do Rosário (PT-RS) durante um discurso na Câmara nesta quarta-feira 10 voltaram a causar indignação e levaram quatro partidos – PT, PC do B, PSOL e PSB – a pedir a cassação do parlamentar.
 
Durante o discurso, Bolsonaro afirmou que só não estupraria a colega porque ela "não merecia". Atitudes como a do deputado contribuem para perpetuar o machismo e a violência contra a mulher, ainda bastante presentes no país.
 
Em 2014, casos de abuso sexual a mulheres no transporte público e o incentivo a esse assédio em uma página no Facebook causaram revolta no Brasil. O fato mostra como a violência contra a mulher continua presente em espaços públicos e privados.
 
 
Há 40 anos, a ONU abriu o debate sobre o tema e declarou 1975 como o Ano Internacional da Mulher, um marco no reconhecimento da igualdade entre homens e mulheres e no combate à discriminação, além da ampliação de direitos às mulheres.
 
Em 1995, na quarta conferência sobre mulheres das Nações Unidas em Pequim, a organização traçou metas para acabar com essa violência. Passado 20 anos, apesar dos avanços, as mulheres continuam em situação vulnerável.
 
"O que determina a violência contra as mulheres é precisamente a questão cultural do machismo. Essa ideia de que homens e mulheres não são iguais", afirma Nadine Gasman, representante da ONU Mulheres Brasil.
 
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), 35% das mulheres no mundo foram vítimas de violência física ou sexual em 2013. Em alguns países, essa realidade atinge 70% da população feminina.
 
Segundo a porta-voz da Anistia Internacional na Alemanha sobre violação de direitos humanos das mulheres, Gunda Opfer, a violência doméstica, cometida por parceiros ou familiares, é a forma mais frequente de agressão contra mulheres. Em uma pesquisa entre 45 países, o Paquistão foi o líder na violência doméstica, seguido da Rússia e da Bolívia.
 
Números elevados no Brasil
 
No Brasil, os números da violência contra a mulher também são alarmantes. Assim como em outros países, 71,8% das situações de violência física ou sexual cometidas contra a mulher ocorrem no ambiente doméstico.
 
Além disso, uma pesquisa realizada com jovens entre 16 e 24 anos mostrou que 78% das mulheres já foram vítimas de assédio em locais públicos, sendo que 31% delas já sofrem abuso dentro do transporte público.
 
"As causas para a discriminação e a violência contra a mulher são as tradições enraizadas de que a mulher não possui os mesmos direitos que os homens, tradições de que as mulheres são consideradas seres humanos de segunda classe e tratada quase como propriedade dos homens", afirma Opfer.
Segundo Gasman, a visão de que homens e mulheres não são iguais e o pensamento machista também são propagados pelas próprias mulheres. E justamente essa forma de pensar é o que leva uma grande parcela da população a culpar a vítima pela agressão sofrida, além de concordar com atitudes machistas.
 
Uma pesquisa entre jovens brasileiros mostrou que 25% dos entrevistados acreditam que mulheres que usam roupas curtas estão se oferecendo e 48% dos ouvidos acham errado a mulher sair sozinha só com amigos.
 
Já na pesquisa Tolerância social à violência contra a mulher, do Ipea, divulgado no início deste ano, 58,5% dos entrevistados concordam que se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros no Brasil. Enquanto 42,7% dos ouvidos disseram que se a mulher agredida continua com parceiro é porque ela gosta de apanhar.
 
Educação para combater a violência
 
Para a integrante da Comissão de Estudos à Violência de Gênero da Ordem dos Advogados do Brasil no Paraná Erika Paula de Campos, políticas públicas que promovam campanhas educativas e de orientação contra a violência e o machismo são fundamentais para combater esse mau.
 
"As pessoas não sabem os direitos que elas têm. E, às vezes, em muitos casos elas acham que fizeram alguma coisa errada e são merecedoras daquele tratamento desrespeitoso que afeta sua dignidade e a sua honra como mulher e ser humano", afirma Campos, que também é professora de Direito na PUC-PR.
 
Para a especialista, o país possui leis suficientes para combater esse problema, mas o número de denúncias ainda é pequeno, seja por medo ou vergonha, seja por falta de informação.
 
Gasman, da ONU, concorda que, nessa área, há leis avançadas na América Latina, mas governos precisam promover campanhas para incentivar a denúncia e oferecer a proteção necessária às mulheres que denunciam seus agressores.
 
Leis para acabar com a violência doméstica existem em cerca de dois terços dos países do mundo. No Brasil, a Lei Maria da Penha entrou em vigor em 2006.

http://www.cartacapital.com.br/sociedade/combate-a-violencia-contra-a-mulher-avanca-pouco-nas-ultimas-decadas-2480.html

Papa Francisco lista 15 doenças que atingem a Cúria Romana

O Papa Francisco recebeu hoje (22), em audiência na Sala Clementina, os membros da Cúria Romana para os tradicionais votos de Boas Festas. No seu discurso, o pontífice referiu as quinze doenças da Cúria convidando todos a pedirem perdão a Deus que “nasce na pobreza da gruta de Belém para nos ensinar a potência da humildade”. O Papa pede um verdadeiro exame de consciência na preparação do Natal.

 

 Ao apontar estas quinze doenças ou tentações, o Papa Francisco esclarece que não dizem respeito apenas à Cúria Romana, mas são um perigo para qualquer cristão, diocese, comunidade, congregação, paróquia e movimento eclesial.

O Papa Francisco observou que “seria belo pensar na Cúria Romana como um pequeno modelo de Igreja, ou seja, como um corpo que tenta seriamente e quotidianamente de ser mais vivo, mais são, mais harmonioso e mais unido em si próprio e com Cristo.”


O Santo Padre afirmou ainda a Igreja não pode viver sem ter uma relação vital, pessoal e autênctico com Cristo. “Vai-nos ajudar o catálogo das doenças, na esteira dos padres do deserto” – afirmou o Papa Francisco que passou a apresentar as quinze doenças ou tentações:

Sentir-se imortal ou indispensável – “Uma Curia que não faz auto-crítica, que não se atualiza é um corpo enfermo”. É o “complexo dos eleitos, do narcisismo”;

Martalismo – provêm de Marta – é a doença do excesso de trabalho – os que trabalham sem usufruirem do melhor. A falta de repouso leva ao stress e à agitação;

A mentalidade dura – ou seja, quando se perde a serenidade interior, a vivacidade e a audácia e nos escondemos atrás de papeis, deixando de ser “homens de Deus”;

A excessiva planificação – “quando o Apóstolo planifica tudo minuciosamente e pensa que assim as coisas progridem torna-se num contabilista”. É a tentação de querer pilotar o Espírito Santo;

Má coordenação – quando se perde a comunhão e o “corpo perde a sua harmoniosa funcionalidade”;

O Alzheimer espiritual – esquecer a história do encontro com Deus. Perda da memória com o Senhor. Criam muros e são escravos de ídolos.

Rivalidade e vã glória – quando o objetivo da vida são as honorificiências. Leva-nos a ser falsos e a viver um falso misticismo.

Esquizofrenia existencial – “vivem uma vida dupla fruto da hipocrisia típica do mediocre e do progressivo vazio espiritual que livenciaturas e títulos académicos não podem preencher”. Burocratismo e distância da realidade. Uma vida paralela.

Mexericos – nunca é demais falar desta doença. Podem ser homicidas a sangue frio. “É a doença dos velhacos que não tendo a coragem de falar diretamente falam pelas costas”. Defendamo-nos do terrorismo dos mexericos;

Cortejar os chefes – Carreirismo e oportunismo. “Vivem o serviço pensando unicamente àquilo que devem obter e não ao que devem dar”. Pode acontecer também aos superiores;

Indiferença perante os outros – quando se esconde o que se sabe. Quando por ciúme sente-se alegria em ver a queda dos outros em vez de o ajudar a levantar”;

Cara fúnebre – para ser sérios é preciso ser duros e arrogantes. “A severidade teatral e o pessimismo estéril são muitas vezes sintomas de medo e insegurança”. “O apóstolo deve esforçar-se por ser uma pessoa cortês, serena, entusiasta e alegre e que transmite alegria...”. “Como faz bem uma boa dose de são humorismo”;

Acumular bens materiais – “Quando o apóstolo tentar preencher uma vazio existencial no seu coração acumulando bens materiais, não por necessidade, mas só para sentir-se seguro”;

Círculos fechados – viver em grupinhos. Inicia com boas intenções mas faz cair em escândalos;

O lucro mundano e exibicionismo – “quando o apóstolo transforma o seu serviço em poder e o seu poder em mercadoria para obter lucros mundanos ou mais poder.
 
 
O Papa Francisco concluiu o seu discurso recordando de ter lido uma vez que “os sacerdotes são como os aviões, fazem notícia só quando caiem...”. “Esta frase” – observou o Papa – “é muito verdadeira porque delineia a importância e a delicadeza do nosso serviço sacerdotal e quanto mal poderia causar um só sacerdote que cai a todo o Corpo da Igreja”.

Papa: os pecados da mídia são desinformação, calúnia e difamação

Roma,  
Os pecados dos meios de comunicação são a desinformação, a calúnia e a difamação, foir o que disse o Santo Padre Francisco aos dirigentes, trabalhadores, funcionários e familiares da televisão da Conferência Episcopal, TV2000, que recebeu na Sala Paulo VI, nesta manhã.
 
 
Como de costume no Papa, desenvolveu seu discurso em três ideias principais, neste caso, "três pensamentos que tenho particularmente no coração sobre o papel do comunicador".
 
Em primeiro lugar, o Papa observou que os meios de comunicação católicos têm uma missão muito difícil no que diz respeito à comunicação social: "tentar preservar-se do que a corrompe para outras finalidades”. Aliás, Francisco alertou que muitas vezes a comunicação "foi submetida à propaganda, às ideologias, aos fins políticos ou de controle da economia e da tecnologia". Por isso, explicou que o que é bom para a comunicação é, em primeiro lugar, a paresia, ou seja, “a valentia para falar na cara, com franqueza e liberdade”. Se estamos realmente convencidos do que temos a dizer, as palavras vêm, disse o Papa. Mas "se estamos preocupados com os aspectos táticos, o nosso discurso será artificial e pouco comunicativo, sem gosto. Um falar de laboratório, e isso não comunica nada”. E assim, o Santo Padre advertiu que a liberdade é também a do respeito às modas, os lugares comuns, as fórmulas pré-concebidas; que ao final anulam a capacidade de comunicar: cada palavra tem dentro de si uma centelha, fogo de vida, despertar essa centelha para que venha. Esta é a primeira tarefa do comunicador”, afirmou.
 
Em segundo lugar, o Papa indicou que a comunicação evita tanto "encher" quanto "fechar". Se “enche” quando se tende a saturar a nossa percepção com slogans em excesso que, em vez de colocar no pensamento o lema, o apaga, explicou. E acrescentou que se "fecha" quando, em vez percorrer o longo caminho da compreensão, se prefere o breve de apresentar pessoas como se fossem capazes de resolver todos os problemas, ou, pelo contrário, como bodes expiatórios em quem despejar toda a responsabilidade. O Papa também observou um erro comum dentro de uma comunicação cada vez mais rápida e irrefletida: "correr rapidamente para a solução, sem permitir o esforço de representar a complexidade da vida real". Assim, observou a segunda tarefa do comunicador: abrir e não fechar, “que será mais fecundo quanto mais se deixe conduzir pela ação do Espírito Santo, o único capaz de construir unidade e harmonia".
 
Por fim, apontou a terceira tarefa do comunicador: “falar à toda a pessoa”. Por isso, Francisco pediu para evitar os que são os pecados dos meios de comunicação: a desinformação, a calúnia e a difamação. A esse respeito esclareceu que a desinformação “empurra a dizer a metade das coisas, e isso leva a não poder fazer-se um juízo preciso da realidade”. Uma comunicação autêntica – destacou – não está preocupada em bater: a alternância entre alarmismo catastrófico e desconexão     
 
reconfortante, dois extremos que continuamente vemos propostos na comunicação de hoje, “não é um bom serviço que os meios podem oferecer às pessoas”. Dessa forma, o Papa indicou que é preciso falar às pessoas em seu conjunto: à sua mente e ao seu coração, “para que saibam ver além do imediato, além de um presente que corre o risco de ser esquecido e temido futuro”.
 
Concluindo seu discurso, o Papa encorajou-os nesta fase que estão vivendo a "repensar e reorganizar vosso profissionalismo à serviço da Igreja", assim como lhes agradeceu pelo que fazem “com profissionalismo e amor ao Evangelho” e pelo seu “esforço de honestidade, profissional e moral com o qual quereis fazer o vosso trabalho”.
 

Violência psicológica: o que é e como evitar

violência psicológica pode ser definida por um tipo de violência que envolve um dano psicológico a uma pessoa agredida. A violência psicológica é compatível com a violência física ou violência verbal mesmo que não haja danos visíveis e fotografáveis. O dano causado a uma pessoa que tenha sido vítima de uma agressão sexual não é apenas o dano decorrente das lesões físicas a ela ou seu corpo, o trauma psicológico do evento é um tipo psicológico de  violência psicológica.
 
As pessoas não precisam te tocar para agir com  violência psicológica. Elas podem usar palavras como ameaças de morte, xingamentos, ameaçando seus amigos e parentes e até tirar a própria vida para te impedir de ir do lado contrário. Algumas pessoas usam a  violência psicológica como uma forma de tortura para evitar que seu companheiro fuja, denuncie os maus tratos ou encontre outra pessoa para viver. A  violência psicológica é muito comum entre casais, infelizmente.
 

Não existe justificativa para a  violência psicológica

Além de doença mental por parte do agressor, nenhuma pessoa deve sofrer  violência psicológica. As pessoas agredidas costumam se sentir culpadas porque sofrem danos mentais neste nível, mas não devem. A principal ferramenta e causa da  violência psicológica é inibir as pessoas, deixá-las se sentindo impotente e incapazes de reagir. É uma arma branca, usada como uma ferramenta de guerra sem ferir e por isso as pessoas acreditam não haver motivos para queixas. A  violência psicológica pode acontecer no trabalho também, com agressões contra raça, cor e forma de se vestir e atuar de um profissional. 

Não cale diante do problema

Pessoas que sofrem de  violência psicológica costumam não contar sobre sua situação. Isso porque não há nenhuma cicatriz externa e não há(segundo elas) o que relatar. Contudo, ameaças de morte e de ferir são crime diante da lei e devem ser denunciados na delegacia. Uma boa dica é gravar a conversa e mostrar a policiais ao registrar um Boletim de Ocorrência. Tal medida pode separar de vez o agressor do agredido, com direito a ordem de restrição de contato em uma distância mínima a partir de 50 metros. 
 

Procure ajuda

Se você sofre com  violência psicológica, procure ajuda de parentes, amigos e profissional. Os danos podem ir de pequenos traumas a se relacionar socialmente até isolamento social completo. Conte a amigos e tende fugir do agressor o mais rápido possível, buscando a lei caso seja necessário.

http://www.relacionamentos.org/cotidiano/violencia-psicologica-o-que-e-e-como-evitar

Novo ministro do Esporte foi expulso do PFL flagrado com dinheiro da IURD

Em julho de 2007, o agora ministro do Esporte, George Hilton, foi expulso do PFL por ter sido flagrado no aeroporto de Belo Horizonte com malas de dinheiro que seriam provenientes de doações de membros da Igreja Universal do Reino de Deus.
Então, ele era deputado estadual e a Polícia Federal o flagrou com 11 caixas de papelão com dinheiro e cheques, algo na casa dos R$ 600 mil segundo calculou a PF à época.
 
deputado federal baiano do PRP-MG, George Hilton
 
Não há nada que esteja ruim que não possa piorar.
 
Assim, a presidenta Dilma Rousseff trocou Aldo Rebelo (que irá para o ministério de Ciência e Tecnologia!) pelo deputado federal baiano do PRP-MG, George Hilton, a figura faceira cuja foto você vê acima.
 
Seus predicados para assumir o ministério do Esporte são eloquentes: ele é radialista , apresentador de TV, teólogo e animador, além de pastor da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD).
Foi indicado por Marcelo Crivela.
 
O esporte mais uma vez fica relegado a alguém da terceira divisão.
Não satisfeita, Dilma nomeou, para o ministério dos Transportes, o vereador Antonio Carlos Rodrigues (PR-SP) de relações umbilicais com a Mancha Verde.
A oposição tem por que festejar.
 
Certa mesmo estava Luciana Genro, do PSOL, quando disse: “Dilma fará exatamente o que falou que Aécio faria”.
 
E este blog, bem, este blog, em férias, definitivamente se dará ao direito de descansar.
Como protesto, entra em greve de silêncio.
Até quando?
Nem ele sabe.
 

Papa Francisco pede perdão às vítimas da pedofilia na Igreja

Esta é a primeira vez que Francisco pede perdão em nome da Igreja pelos abusos sexuais de que foram vítimas milhares de jovens AFP

O Papa pediu nesta sexta-feira "perdão" às vítimas de abusos sexuais por parte de membros da Igreja. Francisco lamentou os "danos causados" às crianças e defendeu que os padres pedófilos devem ser punidos com penas "muito severas".
 
"Sinto-me na obrigação de assumir todo o mal cometido por alguns padres um número pequeno deles em relação a todos os padres que existem e de pedir pessoalmente perdão pelos danos que os abusadores sexuais causaram nas crianças", disse o Papa Francisco ao receber no Vaticano uma delegação da Comissão Católica Internacional para as Crianças. 
 
O Papa anterior, Bento XVI, já tinha feito um pedido de desculpas por estes crimes cometidos por membros da Igreja Católica em todo o mundo. Foi em Junho de 2010, quando repudiou os crimes que foram cometidos durante décadas mas que ensombraram o seu pontificado. Francisco fez agora o mesmo o pontífice já tinha falado nestes crimes, para denunciá-los e condená-los, mas não tinha pedido perdão por eles em nome da Igreja. 
 
"A Igreja está consciente deste mal. Não queremos recuar quanto ao tratamento deste problema ou às sanções que devem ser aplicadas". Pelo contrário, sublinhou: "Penso que devem ser severas. Não podemos prejudicar as crianças".
 
Dando continuidade à luta contra a pedofilia iniciada pelo seu antecessor, Francisco criou uma comissão para a protecção da infância de que faz parte uma vítima irlandesa, Mary Collins.
 
Mas em Janeiro, o Vaticano foi criticado pelo Comité das Nações Unidas para a Infância que, num relatório, acusou a Igreja Católica de continuar a proteger padres suspeitos de abusos e a não obrigar as dioceses a denunciar os crimes de forma a estes serem punidos.
 
Associações de antigas vítimas têm considerado que o Papa Francisco ainda nada fez nesta matéria. São particularmente críticas da forma como defende a resposta da Igreja ao escândalo, e apelam a outras organizações para que não colaborem na ocultação dos crimes ou deixem que caiam no esquecimento.
 
O Papa comentou ainda o início do debate, na Europa, sobre a "teoria de género" e as novas orientações educativas que pode originar. Francisco criticou aquilo a que chamou de "manipulação educativa". "Gostaria de manifestar o meu desagrado em relação a qualquer tipo de experimentalismo educativo com as crianças. Não podemos fazer experiências com as crianças e com os jovens", sublinhou.
 
"Os horrores de manipulações educativas que já testemunhámos nas grandes ditaduras do século XX ainda não desapareceram. Ainda estão aí, em autores e em propostas distintas que, a pretexto da modernidade, empurram as crianças e os jovens para a ditadura do 'pensamento único'", disse o Papa Francisco.
 
O Papa pediu a todos os que estão empenhados na defesa dos direitos humanos que preservem uma "boa formação antropológica" que considerou essencial para fazer face aos "desafios" que "as culturas contemporâneas e a mentalidade divulgada pelos media representam para a família e para a educação".
 
 

Pedofilia na Igreja: o papa Francisco lava as mãos

Josef é um polonês de 65 anos. Foi morar na República Dominicana. Gosta de transar com meninos púberes. Pagava garotos pobres para isso, que pegava nas ruas miseráveis de Santo Domingo. Chegou a levar até cinco meninos ao mesmo tempo para a cama. Um deles, um engraxate de 13 anos, contou que Josef filmava tudo no celular. Uma reportagem de TV revelou o caso em agosto de 2013. O que você acha que aconteceu com Josef?

 A resposta é nada. A responsabilidade é do Papa Francisco. Josef Wesolowski era o núncio papal na República Dominicana. Era o enviado do papa a Santo Domingo há cinco anos, para onde foi enviado por Bento 16. Foi ordenado em 1972, pelo igualmente polonês Karol Wojtyla, depois papa João Paulo II. Um outro padre polonês que trabalha na República Dominicana enfrenta acusações parecidas.

 No último dia 13 de janeiro, o Vaticano anunciou que Wesolowski enfrentará dois julgamentos, um canônico, outro criminal. Onde? No Vaticano. No primeiro, o pior que pode acontecer é deixar de ser sacerdote. No segundo, poderia até cumprir pena. Onde? Dentro do próprio Vaticano. Depois de ser julgado pelos colegas... Você pode imaginar tamanha impunidade acontecendo caso Josef fosse um civil, ou mesmo um rabino, pastor ou monge budista? Eu não. Mas a Igreja Católica é outro departamento: é uma religião, uma nação, e uma entidade transnacional. Responde a ninguém.
 
 
São casos revoltantes como esse que levaram a ONU a, finalmente, se manifestar de maneira oficial sobre os inúmeros casos de pedofilia entre padres, e sobre a responsabilidade da Igreja Católica nisso tudo. A carta da ONU exige que a Igreja faça a coisa certa. Que Roma faça o mínimo: explicite as acusações de pedofilia contra sacerdotes; entregue-os às autoridades policiais de cada país, para investigação no local; em caso de crime comprovado, expulse-os. O Vaticano retruca: já estamos fazendo tudo que é necessário; o documento da ONU foi influenciado por movimentos pro-gay; a Igreja tem autonomia para lidar com a questão como achar melhor.

 É arrogância e crueldade, que a simpatia pessoal do papa não tem como disfarçar. Francisco é a unanimidade do momento. Sorri, dispensa pompa, fala sem firulas. Fechou o ano simultaneamente como Homem do Ano da Time, e popstar do ano na edição de natal da revista Rolling Stone. No ano passado, prometeu enfrentar com rigor a pedofilia pandêmica no clero, milhares de casos comprovados, e sabe-se lá quantos outros que nunca vieram à luz. Em dezembro, foi anunciada a criação uma comissão de experts para lidar com a questão. É como no Brasil: quando você não quer resolver nada, crie uma comissão.
 
Josef Wesolowski
 
O papo do papa é só isso: papo. O caso Wesolowski explicita. A Igreja está fazendo exatamente o contrário do que a ONU exige. Agiu em segredo. Não explicitou as acusações contra  Wesolowski. Não o entregou às autoridades do país onde os crimes aconteceram para investigação no próprio local, para que confrontasse seus acusadores. Roma sumiu com ele da República Dominicana. Anunciaram uma investigação interna, genérica. Onde está o monsenhor neste momento? A igreja cala. Provavelmente no próprio Vaticano, de onde não pode ser extraditado para a República Dominicana: como núncio papal, tem imunidade diplomática.
 
O papa lava as mãos. Segue a política de sempre: transferir os padres criminosos para outras paróquias, abafar, e negar satisfações aos menores abusados, à lei, ao mundo. Jamais enfrentará a pedofilia dos padres. Porque não quer e porque não pode. Não quer, porque obedecer aos ditames recomendados pela ONU significaria expor as entranhas da Igreja ao escárnio público, ao escrutínio da imprensa, e abaixar a cabeça para poderes civis, e portanto laicos e mutáveis, permeáveis às pressões sociais. Impensável, se você defende a que sua igreja é a única representante na Terra de um ser eterno, onipresente, onisciente e onipotente.
 
E não pode por causa do celibato que a igreja impõe a padres e freiras, que não mudará sob o novo papa nem por milagre. Decidir não transar pelo resto da vida é como decidir não enxergar, não ouvir, não pensar. Vai contra o que há de mais precioso na vida. Vai contra a própria vida. Que tipo de homem opta pela autocastração? Não há perversão pior que a abstinência. Uma entidade que exige a castidade de seus integrantes atrairá uma quantidade desproporcional de pervertidos. Enquanto padres não puderem ter uma vida sexual natural, saudável e aberta - heterossexual ou homossexual, contanto que entre adultos que consentem -  esses casos criminosos continuarão. É inevitável.

http://noticias.r7.com/blogs/andre-forastieri/2014/02/06/pedofilia-na-igreja-o-papa-francisco-lava-as-maos/

Em carta, Padre Fábio de Melo acaba com polêmica em torno de declaração mal entendida.

 
Padre Fábio de Melo não teve mais paz depois de sua participação no programa “De Frente com a Gabi” (SBT). Tudo por um adendo mal contextualizado que gerou revolta em alguns católicos que sugeriram, inclusive, uma petição pedindo a ex-comunhão do sacerdote. A declaração dizia que Jesus queria instaurar o Reino de Deus, mas o que pudemos dar a Ele foi a Igreja.
 
Nesta quarta-feira,22,  o sacerdote publicou uma carta em seu site oficial onde afirma que este é um momento “sofrido”. Para acabar de vez com as acusações e críticas impiedosas, Padre Fábio, pede desculpas. 
Eu assumo que errei ao usar a expressãoEu não estava numa sala de aula, lugar onde a Ortodoxia convive bem com a dialética. Não considerei que muitos telespectadores poderiam não entender o contexto da comparação. E por isso peço desculpas. E junto às desculpas, faço minha retratação.Nunca tive problema em assumir meus equívocos”, disse o padre.
O sacerdote finalizou agradecendo pelas orações dos fieis que o acompanham neste tempo e dispensando sua bênção.
 
Leia carta na íntegra
 
Queridos amigos,
Em virtude da polêmica que envolveu minha fidelidade à Ortodoxia Católica, venho esclarecer alguns pontos.
 
Em nenhum momento da minha vida atentei contra a sacralidade da Igreja Católica Apostólica Romana. Sou Mestre em Teologia Dogmática e zelo muito para que minha pregação esteja de acordo com os ensinamentos da Igreja. Este é o credo que professo: “Creio na Santa Igreja Católica Una, Santa, Católica e Apostólica.” Nunca inventei uma crença particular, ou um modo diferente de compreender esta profissão de fé.
 
A expressão que usei no programa de “De frente com Gabi”, “Jesus queria o Reino de Deus, mas nós demos a Ele a Igreja” é uma expressão muito usada nos bastidores acadêmicos que frequentei em minha vida, e está distante da proposta herética que ela já representou em outros tempos. O significado evoluiu.
 
Nossa Fundação é Santa, pois fomos instituídos pelo Cristo. “A Igreja é um corpo, em que nós somos os membros e Jesus Cristo é a cabeça (Col 1,18; I Cor 12,27). Na cabeça o Reino já está estabelecido. Em Cristo, o Reino já está plenamente manifestado. Mas os membros do corpo ainda estão no contexto da busca, pois continuamos arrastando as consequências adâmicas do nosso pecado. E por isto, mesmo que em Cristo o Reino já esteja plenamente manifestado, em nós, Igreja, povo de Deus, ele continua sendo a meta que nunca deixamos de buscar.
 
O Concílio Vaticano II, através de sua Constituição Dogmática Lumen Gentium, enfatizou que a Igreja é povo de Deus. O povo é errante, pois apesar de estar mergulhado nas graças do batismo, ainda sofre as consequências da fragilidade que o pecado lhe deixou. O mesmo Concílio declarou “O Reino de Cristo já presente em mistério, cresce visivelmente no mundo pelo poder de Deus…” (LG 3).
 
Presente em mistério. Isto é, cabe a nós, membros deste corpo, apressar a sua chegada. A Igreja é triunfante, mas também é peregrina, penitente, pois que carrega em sua carne a fragilidade de seus membros.
 
Sim, a Igreja é santa, mas comporta em seu seio os pecadores que somos nós. E por isso dizemos, também com o perigo da imprecisão teológica: “A Igreja é Santa e pecadora”. Bento XVI sugeriu modificar a expressão. “A Igreja é Santa, mas há pecado na Igreja”. Notem que ele salvaguarda a santidade na essência.
 
Mas o pecado existe na Igreja. Por isto rezamos nas liturgias diárias pelo Santo Padre, pelos bispos, pelo clero, pelo povo de Deus. Clamamos por purificação, luzes em nossas decisões, pois sabemos que é missão do Espírito encaminhar na terra a Igreja que ainda não é Reino de Deus (porque maculada pelos nossos pecados), e que ao Cristo damos diariamente. Mas nós caminhamos na esperança. Sabemos que um dia todas as partes do corpo estarão agindo em perfeita harmonia com a cabeça. Seremos a “Jerusalém Celeste”.
 
 
Eu assumo que errei ao usar a expressão. Eu não estava numa sala de aula, lugar onde a Ortodoxia convive bem com a dialética. Não considerei que muitos telespectadores poderiam não entender o contexto da comparação. E por isso peço desculpas. E junto às desculpas, faço minha retratação. Nunca tive problema em assumir meus equívocos. Usei uma expressão que carece ser contextualizada com outras explicações, para que não pareça irresponsável, nem tampouco herética.
Repito. Eu não nego nem neguei a definição dogmática expressa na Lumem Gentium, Número 5.
 
“O mistério da santa Igreja manifesta-se na sua fundação. O Senhor Jesus deu início à Sua Igreja pregando a boa nova do advento do Reino de Deus prometido desde há séculos nas Escrituras: «cumpriu-se o tempo, o Reino de Deus está próximo» (Mc. 1,15; cfr. Mt. 4,17). Este Reino manifesta-se na palavra, nas obras e na presença de Cristo. A palavra do Senhor compara-se à semente lançada ao campo (Mc. 4,14): aqueles que a ouvem com fé e entram a fazer parte do pequeno rebanho de Cristo (Luc. 12,32), já receberam o Reino; depois, por força própria, a semente germina e cresce até ao tempo da messe (cfr. Mc. 4, 26-29). Também os milagres de Jesus comprovam que já chegou à terra o Reino: «Se lanço fora os demónios com o poder de Deus, é que chegou a vós o Reino de Deus» (Luc. 11,20; cfr. Mt. 12,28). Mas este Reino manifesta-se sobretudo na própria pessoa de Cristo, Filho de Deus e Filho do homem, que veio «para servir e dar a sua vida em redenção por muitos» (Mt. 10,45).”
 
E quando Jesus, tendo sofrido pelos homens a morte da cruz, ressuscitou, apareceu como Senhor e Cristo e sacerdote eterno (cfr. Act. 2,36; Hebr. 5,6; 7, 17-21) e derramou sobre os discípulos o Espírito prometido pelo Pai (cfr. Act. 2,33). Pelo que a Igreja, enriquecida com os dons do seu fundador e guardando fielmente os seus preceitos de caridade, de humildade e de abnegação, recebe a missão de anunciar e instaurar o Reino de Cristo e de Deus em todos os povos, e constitui o germe e o princípio deste mesmo Reino na terra. Enquanto vai crescendo, suspira pela consumação do Reino e espera e deseja juntar-se ao seu Rei na glória.
 
Agradeço pela prece dos que me acompanharam neste momento tão sofrido.
Com minha benção,
Padre Fábio de Melo”.