quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Quem é o Padre Diocesano?


 
É bom recordar o que pode entrar no esquecimento e avivar na memória conceitos que parecem antiquados. Recordar é viver e saber viver bem é ser feliz.

1- Padre Diocesano- é o padre incardinado (pertencente) em uma Igreja Particular, em uma Diocese, consagrado totalmente a ela, posto a serviço dela, para pastoreá-la, em íntima união com o bispo e com os demais membros do Presbitério formam uma profunda unidade.

2- Padre incardinado- A incardinação é a expressão do vínculo jurídico, teológico, espiritual, esponsal, pastoral, do padre com a Igreja Particular com a Diocese (cf. DDV.74).

A incardinação traz consigo uma total consagração à Igreja particular ou à Diocese, para servi-la em união com o Bispo e os demais integrantes do Presbitério.


3- Isto supõe um profundo conhecimento da própria Diocese, de sua realidade geográfica e cultural, de suas riquezas e carências, no campo social, econômico, político, religioso, de sua história vivida por seus bispos, seus padres, seus diáconos, religiosos(as), consagrados(as), fiéis cristãos leigos, e num grande amor por esta porção do Povo de Deus.

E isto tudo supõe sentir-se chamado, vocacionado por Deus, aqui e agora, nas atuais circunstâncias históricas desta Igreja Particular, desta Diocese, para aqui ser pastor. Estamos dentro de uma comunidade, a comunidade diocesana, que deve ser sentida como a nossa comunidade, a nossa família.


O conhecimento dela, da Diocese, deve ser para o Padre Diocesano, motivação constante, a fim de crescer na vida de oração, sentir-se estimulado a buscar mais o seu próprio aprofundamento dentro das exigências evangelizadoras e pastorais desta Igreja Particular e se doar, sempre mais, para que Jesus seja conhecido, amado, servido e seguido por esta porção do Povo de Deus que, em união com o bispo diocesano e os demais membros do Presbitério, lhe foi confiado.


4- E ser pastor aqui dentro de uma pastoral de conjunto e orgânica significa:
a)- animar a comunhão eclesial, para que a Palavra de Deus, a Vida de Deus, a Ação de Graças, sejam presença viva e atuante no mundo em que se vive;
b)- coordenar a comunidade eclesial no exercício do seu ser profético, sacerdotal e régio;
c)- presidir esta mesma comunidade para que o sacerdócio comum dos fiéis cristãos leigos e leigas, se integre na plena unidade do plano salvífico divino, levado a efeito por Jesus Cristo.
d)- discernir e ajudar a comunidade eclesial no discernimento dos carismas e dos sinais dos tempos .


O sacerdócio comum dos cristãos fiéis leigos necessita do sacerdócio ministerial para chegar à sua plenitude.

Por sua vez, os fiéis cristãos leigos devem colaborar com o sacerdócio ministerial, pelo menos rezar pelos que estão investidos desse sacerdócio e empreender todos os esforços a fim de que não faltem vocacionados para esse sacerdócio (Lc.37).

A Igreja é um Povo, uma Família, um Corpo, o Corpo de Cristo, no qual todos têm a sua função própria.
Animar, coordenar, presidir, discernir e realizar tudo isso em espírito de serviço . (Mc. 10,45; Jo. 13,15).


5- Três grandes realidade sobressaem no ministério e na vida de um Padre Diocesano:
5.1- A Igreja Particular ou Diocese.
5.2- O Bispo Diocesano.
5,3- O Presbitério.
São estas realidades que definem o carisma, a missão e a espiritualidade, a razão de ser do padre diocesano.

5.1-Igreja Particular ( Diocese) - é a porção do Povo de Deus confiada ao bispo e ao Presbitério os quais tornam Cristo sacramentalmente presente nela pelo Evangelho e pela Eucaristia,(CD,11; CDC § 68; Ef. 4,10).

A Igreja Católica (Universal) subsiste nas e a partir das Igrejas Particulares.

5.2-O Bispo, pastor próprio, sucessor dos apóstolos, tem poder próprio, ordinário e imediato. Ele não é o representante do Papa mas, é o Vigário de Jesus Cristo nesta Igreja Particular. O bispo é nela o princípio e o fundamento visível da unidade.

5.3- O Presbitério deve estar ligado estreitamente ao bispo. Ele e o Presbitério formam uma profunda unidade sacramental. E o Presbitério é um dos elementos fundamentais na identidade e espiritualidade do padre diocesano. Este, junto com seu bispo, é a presença sacramental de Cristo, a visibilização sacramental de Nosso Senhor Jesus Cristo. Bispo e padre em comunhão edificam a Igreja que é por natureza, comunhão e sem comunhão não há pastoral (PO.14). A comunhão é a espinha dorsal de todo ser da Igreja.


6- Na Santíssima Trindade, esta Igreja possui a sua fonte e a sua origem, o seu modelo de vida e a sua meta final. E é nesta Igreja Particular, na qual o presbítero, o padre, está inserido, incardinado, que ele, pode desenvolver a sua vida de comunhão com Deus e com a comunidade eclesial através do desenvolvimento de suas atividades pastorais, como evangelizar e ensinar, santificar e apascentar. É nesta Igreja particular que cada presbítero, cada padre, tem e assume a obrigação de buscar a perfeição por causa de sua condição de configurado e consagrado com Cristo pelo Sacramento da Ordem., “mesmo na fraqueza da condição humana”, porque “se tornaram instrumento vivo do sacerdócio eterno de Cristo, a fim de prosseguir no tempo a sua obra admirável que restaurou com divina eficácia a humanidade inteira .” (PDV,20).


Com os padres, com o Evangelho, com a Eucaristia, com o Espírito Santo, somos os elementos aglutinadores e construtores da comunhão eclesial nessa Igreja Particular de Juiz de Fora, com dimensão de universalidade: católica, apostólica, santificadora, servidora, missionária e misericordiosa.


7- Porém, nós também fazemos parte de um Povo- O POVO DE DEUS. E um elemento importante de identidade e espiritualidade do padre diocesano é o amor e O respeito profundo pela porção, pela parcela desse mesmo Povo que nos foi confiado e que está na Igreja Particular.

Todos nós que formamos esse Povo- bispo, padre e leigos, somos co-responsáveis pelo crescimento e pela difusão desta Igreja, a fim de que o Reino de Deus se torne realidade sempre mais vivida , aqui e agora.

Somos um Povo conquistado por Deus, um Povo profético, um Povo sacerdotal, um Povo régio, um Povo santo, um Povo peregrino, um Povo enviado por Deus, um Povo ungido, um Povo servidor, um Novo Israel, o Povo da Nova e Eterna Aliança que nasceu de Deus (cf. Jo. 1,12).


Gerado por Ele no Sangue precioso de Jesus, peregrino na história, sob a ação do Espírito Santo e hoje também sob a ação de nós, bispos e padres, legítimos pastores colocados pelo próprio Deus como seus dirigentes sob o Único Mestre, Pastor e Guia, o próprio Senhor Jesus.

Somos um Povo eleito, Povo vocacionado, Povo enviado, Povo da Nova Aliança, Povo consagrado, Povo das promessas, Povo sacerdotal,, Povo servidor, Povo evangelizador, Sacramento de Deus, Semente de unidade, de esperança, de salvação, plantada por Deus no coração do mundo, no Brasil e no mundo.

8- E é como parte desse Povo, que o padre é chamado a amadurecer a consciência de Igreja Particular na qual você está incardinado, isto é, inserido por uma ligação ao mesmo tempo jurídica, espiritual e pastoral.

“O tremendo mistério e nunca bastante meditado: o padre diocesano, na sua DIOCESANEIDADE, devorado pela caridade, pelo zelo pastoral, amando profundamente a sua Igreja Particular, colaborando com ela na salvação de muitos da porção do Povo de Deus, do Povo de Deus que forma esta Igreja Particular, cuja meta é criar comunhão com Deus pela oração; comunhão com os outros irmãos no amor fraterno; procurando dar testemunho do “Sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito”(Mt.5,48) e no “Nisto todos conhecerão que sois os meus discípulos se tiverdes amor uns pelos outros”(Jo. 15,35).


Dom Eurico dos Santos Veloso
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora(MG)

Bibliografia:
Lorscheider, Aloísio
Identidade e espiritualidade do padre diocesano
Petrópolis- RJ: Vozes, 2007
 
http://www.acaojose.com.br/ver_doutrina.asp?id=138
 

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