segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Papa ‘tem apoio’ para mudanças em reunião que discute gays

Autoridades católicas discutem entendimento da Igreja em relação a homossexuais

A ênfase do papa Francisco em se concentrar nos "aspectos positivos, e não negativos, da sexualidade humana" parece ter ganho apoio de muitos bispos durante um sínodo - assembleia que reúne autoridades religiosas - no Vaticano, de acordo com o correspondente da BBC News em Roma, David Willey.
 
Membros do alto clero presentes na reunião, que pretende revisar os ensinamentos católicos sobre a família, pediram nesta segunda-feira que a Igreja adote uma postura mais positiva sobre homossexualidade.
 
Um relatório preliminar escrito por bispos em meio ao sínodo de duas semanas diz que homossexuais têm "talentos e qualidades para oferecer à comunidade cristã".
 
"Será que somos capazes de receber essas pessoas e garantir que elas terão um espaço fraterno em nossas comunidades?", diz o documento.
 
O relatório não contesta o longo histórico de oposição da Igreja ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, mas alguns grupos de direitos homossexuais consideram as declarações como um avanço.
 
Grupos conservadores, no entanto, rejeitaram o relatório, considerado por um deles "uma traição".
Mais de 200 bispos estão participando do sínodo desde o dia 5 de outubro. O encontro foi convocado pelo papa Francisco para debater aborto, contracepção, homossexualidade e divórcio.
 
O papa Francisco disse aos jornalistas após a Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro no ano passado: "Se uma pessoa busca a Deus e tem boa vontade, quem sou eu para julgar?".
 
Ele é o primeiro pontífice a usar a palavra "gay" em público ao invés de "homossexual".
Seu antecessor, o papa Bento 16, se referiu aos relacionamentos homossexuais como "intrinsecamente desordenados" em um documento do Vaticano escrito em 1986 - quando ele era o principal assessor do papa João Paulo 2º.

Relatório foi considerado avanço por grupos de direitos homossexuais
 

Avanço ou traição?

 
O relatório preliminar diz ainda: "Sem negar os problemas morais relacionados com as uniões homossexuais, deve-se notar que há casos nos quais a ajuda mútua até o ponto do sacrifício constitui um apoio precioso na vida dos parceiros."
 
A ONG Human Rights Campaign, uma das principais organizações de direitos homossexuais dos Estados Unidos, diz que o documento traz "uma mudança drástica de tom".
 
O grupo de direitos humanos Quest, baseado em Londres, disse que partes do relatório representam um "avanço".
 
No entanto, a organização conservadora católica Voice Of The Family afirmou que o documento é uma "traição". O co-fundador do grupo, John Smeaton, disse que é "um dos piores documentos oficiais já escritos na história da Igreja".
 
No ano passado, uma pesquisa lançada pelo papa Francisco sugeriu que a maioria dos católicos rejeita os ensinamentos da Igreja sobre sexo e contracepção.
 

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