segunda-feira, 20 de outubro de 2014

"Brasil precisa se associar ao Cern", diz pesquisador

Participante da descoberta do bóson de Higgs, físico brasileiro Sérgio Novaes defende conclusão do processo de admissão ao centro europeu de pesquisas nucleares, que precisa de aval do Congresso.
 
Um dos poucos brasileiros a participar da descoberta do bóson de Higgs, o professor Sérgio Novaes, do Instituto de Física Teórica da Unesp em São Paulo, continua a busca por partículas que expliquem do que é feito o Universo e como ele funciona.
 
O físico é um dos cerca de três mil pesquisadores do Cern, o centro europeu de pesquisas nucleares, que se dedicam a fazer experimentos com o maior acelerador de partículas do mundo – o Grande Colisor de Hádrons (LHC), instalado em Genebra, na Suíça.
 
Além de Novaes, outros 115 pesquisadores brasileiros atuam em quatro diferentes experimentos com o LHC. Em São Paulo, o físico coordena o Sprace (Centro Regional de Análises de São Paulo), projeto de computação de alto desempenho que faz o processamento e a simulação dos dados gerados pelo detector de partículas CMS (Solenoide de Múon Compacto), instalado no acelerador.
 
Detector de partículas ATLAS, no Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (Cern)
 
Em entrevista à DW, ele ressalta a importância de o governo concluir o processo de admissão do Brasil ao Cern, para se tornar o primeiro país latino-americano membro do centro internacional de pesquisas, que completou 60 anos na segunda-feira 29.
 
A entrada no Cern, que não é unanimidade entre a comunidade científica brasileira, ainda precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional.
 
Deutsche Welle: Desde a descoberta do bóson de Higgs, em 2012, quais pesquisas sua equipe tem desenvolvido?
 
Sérgio NovaesNosso pessoal trabalha em duas áreas, principalmente. Chamamos de “pesquisa além do modelo padrão”. Tentamos verificar se há indícios de alguma física além daquela que já é conhecida. Outra área em que temos trabalhado é na colisão de heavy ions para reproduzir o que seriam as partículas do início do Universo.
 
DW: Qual é o nível de complexidade desses experimentos?
 
Sérgio Novaes : Lidamos com eventos muito raros num mar de coisas que não nos interessa. Extrair um sinal desse fundo é algo muito complicado. A quantidade de dados é enorme, e as técnicas de análise dos dados são muito complexas. Para lidar com eles é necessário montar uma estrutura computacional que abarca cerca de 200 centros em todo o mundo. Operamos um desses centros em São Paulo [Centro Regional de Análise de São Paulo, Sprace]. Para se ter ideia, a cada um trilhão de eventos que realizávamos aparecia um bóson de Higgs em meio a todas as outras partículas. E na parte de instrumentação, trabalhamos num, digamos, estado da arte, com alta tecnologia de pixels.

DW: E qual é a importância do bóson de Higgs para as pesquisas que estão sendo desenvolvidas no momento?

Sérgio Novaes:  De alguma forma, ele fecha um ciclo muito importante, que era o do modelo padrão. O bóson de Higgs foi colocado como uma proposta teórica aventada na década de 1960. Durante 40 anos, tentou-se buscar um mecanismo distinto para dar massa às partículas, mas com a descoberta do bóson de Higgs esse modelo se fecha. O fato de homem ter sido capaz de aventar matematicamente um mecanismo para dar massa às partículas é um grande exemplo da capacidade humana de interpretar a natureza com teoria e cálculo. No início, não havia nenhuma evidência da existência dessa partícula e, hoje, temos uma teoria bastante consistente. Continuamos a buscar evidências de que exista algo além da Física tradicional.

DW: E de que forma isso ajudaria a explicar a origem do Universo?

Sérgio Novaes:  O pessoal vende “um pouco demais” essa ideia. Passar da realidade para a ficção é muito fácil.

DW: Que outras partículas são analisadas?

Sérgio Novaes: Temos trabalhado na investigação de possíveis partículas pesadas que se manifestam no acelerador. Também é necessário mostrar como o bóson de Higgs se acopla às outras partículas. Isso ainda vai durar muito tempo. No ano que vem, a energia do acelerador será dobrada, o que irá ampliar a possibilidade de explorar a produção de partículas mais pesadas, que até agora não foram descobertas.

DW: Qual a relevância desse trabalho no momento em que o Cern comemora 60 anos de atividades?

Sérgio Novaes: O Brasil colabora com o Cern há muitos anos. Um dos primeiros professores efetivamente contratados foi o físico exilado Roberto Salmeron, que liderou o grupo da Escola Politécnica de Paris no Cern. Houve interações entre teóricos, e o Brasil participou dos experimentos com o LEP [Grande Colisor de Elétrons e Prótons], o acelerador que antecedeu o LHC. A associação do Brasil com o Cern é duradoura e esperamos que ela se intensifique ainda mais. Discute-se há algum tempo a possibilidade de o Brasil se tornar um membro associado do Cern, o que pode revigorar essa interação. Depende do Brasil dar o próximo passo e encaminhar essa proposta ao Congresso Nacional.

http://www.cartacapital.com.br/sociedade/brasil-precisa-se-associar-ao-cern-diz-pesquisador-8444.html

Educação para o futuro em Cingapura

Visando entender um pouco do que se deslumbra para o futuro na educação em Cingapura e na Ásia e o que pode ser aproveitado para países emergentes como o Brasil, visitamos a nova SUTD - Singapore University of Technology and Design. O professor Chong Tow Chong é o seu provost, que poderia ser traduzido como reitor. Ele é natural daquele país, sendo de origem chinesa, e é casado com uma brasileira de origem japonesa, também professora universitária de idiomas em outra universidade importante daquele país/cidade. O currículo do professor Chong é invejável, pois é diplomado em engenharia na Technology Institute of Tokyo, no Japão, com mestrado de engenharia na National University of Singapore e doutorado (Sc.D) no MIT – Massachusetts Institute of Technology dos Estados Unidos.
 
Ele tem uma carreira acadêmica impressionante de mais de 30 anos como professor de Electrical and Computer Engineering da National University of Singapore, sendo autor e coautor de mais de 700 artigos em revistas científicas de prestígio internacional, mais de 5 mil citações em outros artigos da mesma categoria e possui 23 patentes importantes. Todos os acadêmicos sabem que eles são julgados internacionalmente por estes dados. Ele é considerado pioneiro mundial nas pesquisas com materiais fotônicos avançados e de memória não volátil da próxima geração (tradução livre de “pioneering research in advanced photonic materials and the next generation non-volatile memory”). Tem visitado o Brasil com alguma frequência.
 
Esta nova Universidade SUTD foi criada pelo governo de Cingapura em 2012 com a colaboração com o MIT dos Estados Unidos, onde seus alunos podem efetuar pesquisas e programas de intercâmbio. Eles também fazem intercâmbio com a ZJU - Zhejiang University da China, que já figura como a quarta em importância naquele país, bem como com a SMU Singapore Management University.
 
Professor Chong Tow Chong da SUTD Singapore University of Technology and Design
 
A SUTD dá importância destacada com a prática dos estudos efetuados, sendo que as aulas são ministradas nos laboratórios e nas oficinas com as execuções dos trabalhos pelos alunos, seguida da discussão do assunto que denominam de capstone entre todos os participantes, com grande importância para o que chamam de hass, ou seja, um banho de realidade.
 
Capstone seria a culminância de um desafio apresentado que permite aos alunos trabalhar de forma interdisciplinar em uma equipe, para projetar, implementar, testar, completar um documento ou um sistema para executar utilizando o software ou hardware. Hass seria os conhecimentos de humanidades, artes e ciências sociais que determinam as restrições existentes que precisam ser respeitadas nos trabalhos, decorrentes da economia e do meio ambiente em que atuam.
 
Os cursos contam com quatro pilares básicos, e os alunos têm liberdade para complementá-los dentro de suas preferências: o de arquitetura e projetos sustentáveis (architecture and sustainable design), o de engenharia de desenvolvimento de produtos (engineering product development), o de projetos de engenharia de sistemas (engineering systems and design) e o de projeto de sistemas tecnológicos de informações (information systems technology and design).
 
O cronograma dos cursos é dividido por trimestres, havendo espaços para execução de trabalhos individuais ou coletivos. No chamado Summer Times, os seus alunos vão para mais de 300 empresas de importância mundial, onde fazem intercâmbios ou estágios. Dois deles estiveram na EMBRAER trabalhando no projeto e na execução do interior das aeronaves, observando que os sistemas de trabalho dos brasileiros são mais descontraídos, diferentes dos de Cingapura. Conseguem elevadas qualidades trabalhando em equipes, com alegria.
 
Trabalharam numa equipe de 56 componentes contando um orientador durante quatro meses, considerando a política, economia, aspectos sociais, tecnológicos, legais e considerações ambientais do Brasil, dentro das limitações impostas pelo FAA – Federal Aviation Administration dos Estados Unidos.
 
Fora do trabalho, visitaram outras instituições que atuam no Brasil neste segmento e ficaram impressionados do orgulho dos brasileiros com o seu País, além de participarem de algumas churrascadas e chopadas. Revelam no seu depoimento que desejam voltar ao país, inclusive para eventos esportivos internacionais.
 
A SUTD ocupa atualmente um espaço junto à outra grande universidade de Cingapura, mas já conta com o seu novo campus construído para o qual deve se mudar no próximo ano. Conta com cerca de 30% de estudantes provenientes de outros países, notadamente asiáticos. Considera a possibilidade de aceitar brasileiros para o seu doutoramento, o que seria uma grande oportunidade de intercâmbio, o que pode ser feito também como no caso da EMBRAER.
 
 

Drogas são achadas em carro diplomático do Vaticano na França

Carro usado por bibliotecário emérito do Vaticano havia sido enviado para a revisão há pouco tempo                    

Um carro diplomático do Vaticano que transportava quatro quilos de cocaína foi interceptado pela polícia alfandegária da França em um pedágio próximo a Chambéry, na região dos Alpes franceses.
 
Além da cocaína, 200 gramas de maconha foram encontrados em bagagens no carro com chapa diplomática, ocupado por dois italianos, de 30 e 41 anos, que permanecem detidos para interrogatório.
 
Segundo investigadores franceses, o veículo pertence ao cardeal argentino Jorge Maria Mejía, de 91 anos, bibliotecário emérito do Vaticano, responsável pelos arquivos secretos da instituição religiosa.
 
O Vaticano confirmou, segundo a agência I.Media, especializada na Santa Sé, que um de seus carros diplomáticos foi apreendido na França com droga a bordo, mas ressaltou que nenhum membro ou funcionário do Estado está envolvido diretamente no caso.
 
Como os dois italianos não possuem passaporte diplomático, nada até o momento permitiria suspeitar o envolvimento do Vaticano nessa operação de tráfico, de acordo com fontes judiciais ouvidas pela imprensa francesa.
 

Descoberta e apreensão

A descoberta e apreensão da droga ocorreu no domingo, mas a notícia só foi divulgada nesta terça-feira na França, inicialmente pela rádio RTL.
 
Os primeiros elementos das investigações permitiram apurar que o secretário particular do cardeal argentino havia enviado o carro para revisão alguns dias antes.
 
Suspeita-se que os italianos teriam aproveitado para ir até a Espanha para comprar a droga, convencidos de que escapariam, no retorno à Itália, dos controles nas fronteiras graças à chapa diplomática do carro. Mas essa versão ainda não foi confirmada, afirmaram fontes judiciais francesas.
A polícia judiciária de Lyon foi encarregada das investigações pelo ministério público de Chambéry.
 
Em janeiro, a alfândega alemã havia interceptado um pacote destinado ao Vaticano contendo 14 preservativos sexuais repletos de cocaína, segundo o jornal Bild am Sonntag.
 
De acordo com a publicação, a caixa continha 340 gramas de cocaína, com valor estimado de 40 mil euros, e havia sido enviada de um país da América do Sul. O destinatário do pacote não foi identificado.
 
 

Vaticano afasta bispo paraguaio por proteger padre acusado de abuso sexual

O Monsenhor Rogelio Plano é membro do movimento conservador Opus Dei
 
O Papa Francisco afastou um bispo paraguaio acusado de proteger um padre suspeito de ter abusado sexual de fiéis.
 
O Vaticano disse que o "Sumo Pontífice decidiu substituir o Monsenhor Rogelio Livieres Plano" como bispo da Cidade do Leste.
 
Esta é a segunda vez em uma semana que o Papa toma uma medida disciplinar contra membros do seu clero por escândalos de abuso sexual na América Latina.
 
Há dois dias, o Papa havia ordenado a prisão de Jozef Wesolowski, um diplomata do Vaticano acusado de abusar sexualmente de crianças enquanto estava em seu posto na República Dominicana.
 

'Tolerância zero'

 
A Igreja já lidou com 3,5 mil casos de abuso em todo mundo ao longo da última década.
O Papa prometeu "tolerância zero" contra este tipo de crime.
 
Em relação ao novo caso, o Vaticano disse que se tratou de uma "decisão difícil, tomada por sérias razões pastorais" depois de uma investigação sobre o bispo, a diocese e seus seminários.
 
David Willey, correspondente da BBC em Roma, esclarece que Livieres Plano estava no centro de uma disputa sobre a promoção de um padre argentino acusado de comportamento sexual impróprio.
 
Willey acrescenta que o Papa Francisco vem insistindo que não sejam conferidos privilégios para bispos quando há algum tipo de envolvimento em crimes sexuais contra crianças.
 
Livieres Plano é membro do movimento conservador Opus Dei e teria entrado em conflito com membros progressistas de sua diocese.
 

Papa 'acredita que um em cada 50 clérigos católicos é pedófilo', diz jornal

Na entrevista, papa também falou de outros temas polêmicos, como o celibato e a máfia italiana

Um jornal italiano disse neste domingo que, em uma entrevista, o papa Francisco admitiu que cerca de 2% dos clérigos católicos, ou um em cada 50, seriam pedófilos.

Segundo o jornal La Reppublica, o pontífice disse que o abuso sexual de crianças era como uma "lepra" que infecta toda a igreja e pediu que o problema "seja confrontado com toda a severidade que demanda".
 
"Há padres, bispos e cardeais entre esses 2% de pedófilos. Outros, em um número ainda maior, sabem (dos abusos), mas ficam em silêncio. Eles punem (os pedófilos), mas não explicam a razão", teria dito o papa. "Para mim, essa situação é intolerável."
 
No entanto, após a publicação do texto, o porta-voz do papa, Federico Lombardi, disse que a entrevista publicada pelo jornal não correspondia às palavras exatas do papa e que aquilo não era uma entrevista propriamente dita.
 
O porta-voz afirmou ainda que o jornalista não usou um gravador e que as frases do papa foram baseadas apenas na memória dele, e não na transcrição de uma gravação.
 
O analista da BBC para assuntos do Vaticano em Roma David Willey disse que é recorrente haver uma ambiguidade planejada nas declarações feitas pelo papa em ocasiões em que não há um discurso pronto.
 
Willey também questionou o argumento do porta-voz do papa de que não foi uma entrevista: "Desde quando uma entrevista papal não é uma entrevista?"
 

'Bastão'

 
Até o momento, o Vaticano vem se recusando a quantificar a extensão dos escândalos de abuso sexual na Igreja Católica. Há estatísticas disponíveis apenas para países desenvolvidos. Em nações em desenvolvimento, há apenas números soltos.
 
Na entrevista, o papa foi citado dizendo que a estimativa de 2% vinha de dados confiáveis fornecidos por conselheiros do Vaticano. Isso representaria cerca de 8 mil padres de um total de 414 mil em todo o mundo.
 
Apesar de a incidência de pedofilia como um distúrbio psiquiátrico na população em geral não ser precisa, há estimativas que colocam esse número em menos de 5%.
 
O jornal usou como manchete a frase "Papa afirma: Assim como Jesus, vou usar um bastão contra os padres pedófilos", em mais uma frase contestada pelo porta-voz papal.
 
No ano passado, Francisco endureceu as leis do Vaticano contra abuso infantil e, no início do mês, pediu perdão para as vítimas dos padres, em seu primeiro encontro com essas pessoas desde que foi escolhido papa.
 
Muitas das vítimas de abuso criticam a postura do Vaticano em não punir os clérigos de mais alto escalão acusados de abafar os escândalos.
 

Celibato

 
Na mesma entrevista ao La Reppublica, o papa teria indicado que haveria margem de manobra na questão do celibato clerical.
 
Questionado sobre o assunto, ele lembrou que a proibição do casamento de religiosos foi adotada 900 anos após a morte de Jesus Cristo e que em algumas igrejas do cristianismo oriental permitem que seus sacerdotes se casem.
 
Em maio, ele também tratou do assunto, quando disse a jornalistas que o celibato não era um dogma. "É uma regra que eu aprecio muito, mas visto que não é um dogma, a porta está sempre aberta."
 
O jornal italiano também cita trechos da entrevista em que Francisco teria falado da máfia italiana.
De acordo com o jornalista, o papa admitiu que alguns clérigos o desafiam ao tolerar os mafiosos e, apesar de condenarem os crimes, não denunciam abertamente a ação do crime organizado.
 

Papa ordena 1ª prisão dentro do Vaticano de acusado de pedofilia

Josef Wesolowki é acusado de abusar sexualmente de crianças na República Dominicana
 
O papa Francisco ordenou pessoalmente nesta terça-feira a detenção de um ex-arcebispo e ex-embaixador da Santa Sé acusado de pedofilia, no primeiro caso de prisão no Vaticano de alguém suspeito de cometer esse crime.
 
O polonês Jozef Wesolowski, de 66 anos, foi representante diplomático da Igreja Católica (núncio) na República Dominicana de 2008 a 2013.
 
Ele havia sido chamado de volta ao Vaticano no ano passado, após terem surgido acusações na mídia do país caribenho de que ele teria cometido abuso sexual de crianças.
 
Em junho deste ano, Wesolowski foi destituído do cargo de arcebispo por um tribunal do Vaticano. Desde então, ele vivia dentro de um convento na cidade-estado.
 
Segundo um porta-voz da Santa Sé, Wesolowski está sendo mantido em prisão domiciliar no mesmo local devido à fragilidade de sua saúde.
 

Fato inédito

 
É a primeira vez que um prelado do alto escalão da Igreja Católica é preso dentro do Vaticano.
Em Roma, ele aguardava o julgamento de sua solicitação de imunidade diplomática por parte da Justiça dominicana e da Polônia, onde nasceu.
 
O arcebispo deve ir a julgamento no fim deste ano também em um tribunal do próprio Vaticano.
De acordo com o porta-voz papal, o padre italiano Federico Lombardi, o papa Francisco ordenou pessoalmente a prisão do prelado para que as acusações graves possam ser examinadas sem atraso.
 
Desde que foi escolhido para chefiar a Santa Sé, no ano passado, o pontífice argentino vem tentando estabelecer como uma das marcas de sua administração o combate às denúncias de pedofilia dentro da Igreja Católica.
 

Papa ‘tem apoio’ para mudanças em reunião que discute gays

Autoridades católicas discutem entendimento da Igreja em relação a homossexuais

A ênfase do papa Francisco em se concentrar nos "aspectos positivos, e não negativos, da sexualidade humana" parece ter ganho apoio de muitos bispos durante um sínodo - assembleia que reúne autoridades religiosas - no Vaticano, de acordo com o correspondente da BBC News em Roma, David Willey.
 
Membros do alto clero presentes na reunião, que pretende revisar os ensinamentos católicos sobre a família, pediram nesta segunda-feira que a Igreja adote uma postura mais positiva sobre homossexualidade.
 
Um relatório preliminar escrito por bispos em meio ao sínodo de duas semanas diz que homossexuais têm "talentos e qualidades para oferecer à comunidade cristã".
 
"Será que somos capazes de receber essas pessoas e garantir que elas terão um espaço fraterno em nossas comunidades?", diz o documento.
 
O relatório não contesta o longo histórico de oposição da Igreja ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, mas alguns grupos de direitos homossexuais consideram as declarações como um avanço.
 
Grupos conservadores, no entanto, rejeitaram o relatório, considerado por um deles "uma traição".
Mais de 200 bispos estão participando do sínodo desde o dia 5 de outubro. O encontro foi convocado pelo papa Francisco para debater aborto, contracepção, homossexualidade e divórcio.
 
O papa Francisco disse aos jornalistas após a Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro no ano passado: "Se uma pessoa busca a Deus e tem boa vontade, quem sou eu para julgar?".
 
Ele é o primeiro pontífice a usar a palavra "gay" em público ao invés de "homossexual".
Seu antecessor, o papa Bento 16, se referiu aos relacionamentos homossexuais como "intrinsecamente desordenados" em um documento do Vaticano escrito em 1986 - quando ele era o principal assessor do papa João Paulo 2º.

Relatório foi considerado avanço por grupos de direitos homossexuais
 

Avanço ou traição?

 
O relatório preliminar diz ainda: "Sem negar os problemas morais relacionados com as uniões homossexuais, deve-se notar que há casos nos quais a ajuda mútua até o ponto do sacrifício constitui um apoio precioso na vida dos parceiros."
 
A ONG Human Rights Campaign, uma das principais organizações de direitos homossexuais dos Estados Unidos, diz que o documento traz "uma mudança drástica de tom".
 
O grupo de direitos humanos Quest, baseado em Londres, disse que partes do relatório representam um "avanço".
 
No entanto, a organização conservadora católica Voice Of The Family afirmou que o documento é uma "traição". O co-fundador do grupo, John Smeaton, disse que é "um dos piores documentos oficiais já escritos na história da Igreja".
 
No ano passado, uma pesquisa lançada pelo papa Francisco sugeriu que a maioria dos católicos rejeita os ensinamentos da Igreja sobre sexo e contracepção.
 

domingo, 5 de outubro de 2014

Ex-ministro do STF, Rezek diz que negar carteira de advogado para Joaquim Barbosa é mancha na história da OAB

 
 
Joaquim Barbosa em sua última sessão no STF em 1º de Julho; OAB ameaçou rejeitar carteira de advogado a ex-presidente do STF      
              
O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Francisco Rezek disse nesta quinta-feira (02) que a tentativa de se negar a carteira de advogado para o antigo ministro do STF Joaquim Barbosa é um dos maiores desastres da história da OAB e criticou o que chamou de aparelhamento político da instituição. O antigo magistrado cobrou duramente um posicionamento público do presidente da Ordem, Marcus Vinicius Furtado.
 
“Pode parecer um episódio isolado, mas é um dos maiores desastres que aconteceram na história da Ordem dos Advogados do Brasil. De um certo modo, aquilo que inúmeros advogados já vêm percebendo como espécie de aparelhamento político da Ordem”, falou.
 
Rezek mostrou-se, ainda, perplexo pelo fato de que o presidente da OAB-DF, Ibaneis Rocha, usar de sua posição de presidente da OAB e acusar Barbosa de falta de idoneidade moral para exercer a advocacia quando Barbosa é, segundo ele, um dos homens de maior integridade moral que já passaram pela vida pública do Brasil
 
“Pode lhe faltar diplomacia, podem acusá-lo, às vezes, de carente de boas maneiras, mas nunca pôr em dúvida a idoneidade moral desse homem. Eu achei um desastre, uma lástima, um episódio vergonhoso. Eu gostaria de saber se o presidente da OAB nacional tem algo a dizer sobre isso ou se ele vai se evadir do dever de fazer um comentário”, declarou.
 
Questionado sobre o aparelhamento político da instituição, Rezek disse que esse funcionamento começou no Rio de Janeiro e se espalhou para outras partes do Brasil. O antigo ministro do Supremo explicou que o presidente nacional da OAB precisa restabelecer a ordem e demonstrar a tradição de idoneidade nos tratos públicos. 
 
 

Regional da CNBB lança comunicado condenando Dilma, Marina e mais 8 partidos.

 
O Regional Sul I da CNBB acaba de divulgar um panfleto no qual condena a postura de 9 partidos políticos brasileiros que se comprometeram com a legalização do aborto em seus estatutos. O documento, intitulado “Eleições 2014: Em defesa da Vida ou a favor do Aborto”, orienta os católicos a não votarem nestas legendas, sob pena de estarem fazendo uma “opção política imoral”. São os partidos citados:
 
PT
PSOL
PPS
PV
PSTU
PCO
PCdoB
PDT
PCB
 
Apesar de não ter seu partido na lista, a presidenciável Marina Silva, atualmente no PSB (Partido Socialista Brasileiro), também foi acusada de colaborar com o avanço do aborto no país. Segundo o texto, a opção de propor um plebiscito sobre o tema, posição da candidata socialista, é “um absurdo” já que “ninguém gostaria que seu direito de viver dependesse de um plebiscito”. O texto relembra, ainda, a postura radical da dep. Luíza Erundina, chefe de campanha de Marina, que, quando prefeita de São Paulo, implantou o aborto na rede pública de saúde da capital paulistana.
 
Nas últimas eleições presidenciais, o aborto foi um dos temas candentes da campanha. Segundo analistas políticos, a eleição só não foi resolvida em primeiro turno, porque a candidata que liderava as pesquisas de então, Dilma Roussef (PT), enfrentou forte resistência de setores religiosos da sociedade que questionavam sua postura favorável ao aborto. O questionamento mais vigoroso veio por parte da Igreja Católica, que, por meio desse mesmo Regional da CNBB, orientou seus fiéis a não votarem na candidata petista.
 
O texto está assinado pelos representantes das dioceses da região Sul I e pelo presidente desta seção, o Bispo de Santo André, Dom José Benedito Simão.
 
Aos que pedem…AQUI A FONTE:
 

ELEIÇÕES 2014: EM DEFESA DA VIDA OU A FAVOR DO ABORTO?

 
(Texto aprovado na reunião da Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 – CNBB, em 23/08/2014)
Em janeiro de 2014, o papa Francisco, ao dirigir-se ao corpo diplomático sediado no Vaticano, declarou que «causa horror só o pensar que haja crianças que não poderão jamais ver a luz, vítimas do aborto», pecado que o santo padre qualificou de manifestação da «cultura do descarte» contemporânea e «negação da dignidade humana»
 
 
A dignidade inviolável da vida humana inocente, em todas as suas fases, não é apenas um princípio do Evangelho como também um fundamento para a construção de uma sociedade que promova efetivamente a dignidade da pessoa humana. É com esse pensamento, e com o propósito de atender aos apelos do papa Francisco, como também dos papas anteriores, Bento XVI e S. João Paulo II, que a Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul-1 da CNBB vem a público, neste período de eleições, propor uma reflexão sobre esse assunto de vital importância, sem medo de exercer igualmente o papel profético da denúncia, convencida de que calar-se sobre este ponto equivaleria a omitir-se gravemente no cumprimento de sua missão.
Infelizmente, ao se fazer um balanço sobre a atuação do atual governo na questão da defesa da vida, os resultados obtidos foram indiscutivelmente sombrios. Neste período de governo, podemos assinalar os seguintes fatos:
 
01) A Presidente deu continuidade e renovou por três vezes o convênio com a Fundação Oswaldo Cruz, tendo por objeto o “estudo e pesquisa para legalizar o aborto no Brasil”; ao ser renovado pela presidente, o objeto passou a ser estrategicamente designado como “estudo e pesquisa sobre o aborto para fortalecer o Sistema Único de Saúde”, mas a equipe contratada continuava sendo a mesma, constituída pelos principais ativistas e representantes das ONGs que promovem, no Brasil, o reconhecimento dos “direitos sexuais e reprodutivos das mulheres”, expressão eufemística criada na Conferência do Cairo para abrir espaço ao direito do aborto.
 
02) Nomeou como ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres a socióloga Eleonora Menicucci, que fez diversos pronunciamentos públicos apoiando a legalização do aborto. Em 6 de junho de 2012, essa ministra declarou à Folha de São Paulo que «o governo entende que não é crime orientar uma mulher sobre como praticar o aborto». No mesmo dia a Secretaria de Atenção à Saúde do próprio Ministério declarou ao mesmo jornal que «o Sistema de Saúde brasileiro passará a acolher as mulheres que desejam fazer aborto e orientará como usar corretamente os métodos existentes para abortar» e que «Centros de aconselhamento indicarão quais são, em cada caso, os métodos mais eficazes».
 
03) Em fevereiro de 2013, o então ministro da Saúde, atualmente candidato ao governo do Estado de S. Paulo, em reunião com o presidente da Câmara Federal, solicitou que fosse votado em regime de urgência, um projeto de lei de autoria da deputada Iara Bernardi (PT), reapresentado em 2013 como PL 03/2013. Tal projeto de lei, apresentado simplesmente como dispondo sobre “atendimento obrigatório e integral de pessoas em situação de violência sexual”, não menciona explicitamente a palavra ‘aborto’, mas, conforme reconheceu sua própria autora, a deputada Iara Bernardi (PT), procura dar força de lei às normas técnicas do Ministério da Saúde que dispõem sobre o aborto supostamente legal, ainda que não haja no Brasil lei alguma definindo o aborto como direito em caso algum.
 
Após ter sido impulsionado em todas as etapas de tramitação por parlamentares da frente governista, este PL 03/2013 foi aprovado por unanimidade na Câmara dos Deputados em 5 de março e no Senado em 4 de julho, sendo transformado na Lei Federal n. 12.845/2013 após ter sido sancionado e promulgado pela presidente Dilma Rousseff (PT) no dia 1º de agosto de 2013. Essa Lei n. 12.845, que ganhou o apelido de Lei Cavalo de Troia pela forma enganosa como foi apresentada ao Congresso, institui o aborto como prática obrigatória em todos os hospitais públicos e conveniados com o SUS, sem respeito pela objeção de consciência dos hospitais mantidos pela Igreja Católica ou outras comunidades religiosas. Exige-se que o médico pratique o aborto, mesmo contra a própria consciência, quando não houver outro médico disposto a praticá-lo.
 
Outra novidade da Lei Cavalo de Troia é a definição de “violência sexual” como “qualquer relação sexual não consentida”, expressão que permite ser interpretada da maneira mais ampla possível e sem necessidade de apresentação de qualquer prova, nem mesmo boletim de ocorrência. Aliás, desde setembro de 2007, o PT assumiu em seu programa estatutário a legalização do aborto e a execução dessa prática em todos os casos no serviço público. Além do PT mais oito partidos políticos, registrados no Tribunal Superior Eleitoral, incluem explicitamente em seus estatutos ou programas a legalização do aborto, a saber: o Partido Comunista Brasileiro (PCB), o Partido Popular Socialista (PPS), o Partido Comunista do Brasil (PCdoB), o Partido da Causa Operária (PCO), o Partido Democrático Trabalhista (PDT), o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) e o Partido Verde (PV).
 
Quanto à realização de um plebiscito sobre a legalização do aborto, em 2007, quando da visita do papa Bento XVI ao Brasil, o então secretário-geral da CNBB declarou que “Colocar em plebiscito o direito de matar é um absurdo. Ninguém gostaria que seu direito de viver dependesse do resultado de um plebiscito”. S. João Paulo II na sua encíclica “Evangelium Vitae” assim se expressa: “Quando uma maioria parlamentar ou social decreta a legitimidade da eliminação, mesmo sob certas condições, da vida humana ainda não nascida, por ventura não assume uma decisão ‘tirânica’ contra o ser humano mais débil e indefeso? Porventura (os crimes contra a humanidade) deixariam de ser crimes, se, em vez de terem sido cometidos por tiranos sem escrúpulos, fossem legitimados por um consenso popular? Não se pode mitificar a democracia até fazer dela o substituto da moralidade.” (EV 70). Infelizmente, a candidata do PSB à Presidência da República apoia a realização de um plebiscito sobre a legalização do aborto no Brasil. Esse posicionamento contradiz o direito à inviolabilidade da vida humana desde a concepção até à morte natural, sempre defendido pela Igreja.
 
 
É bom que se recorde igualmente que os serviços de aborto, supostamente legal (sendo que não há lei que defina o aborto como direito no Brasil), começaram na prefeitura de São Paulo, em 1989, durante a gestão da atual coordenadora geral da campanha de Marina Silva, com a portaria n. 692/1989, do então Secretário Municipal de Saúde, hoje candidato do PV, que também apoia explicitamente o aborto em seu programa estatutário.
 
 
Em seu artigo sobre “Fé e Política”, o Bispo de Guarulhos SP, escreve:” Se um candidato…escolheu um partido que tem posições contrárias à defesa da vida, desde a sua concepção até à morte natural, e vincula e obriga os seus membros a esta posição, seria imoral para o cristão fazer tal opção política.” (Folha Diocesana de Guarulhos, n° 212, julho de 2014).

A Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul-1 da CNBB recomenda a todos os cidadãos muito discernimento nestas eleições, para que o nosso voto fortaleça a defesa da Vida Humana em todas as suas fases e não contribua a espalhar a “cultura do descarte” de seres humanos, denunciada pelo papa Francisco.
 
COMISSÃO EM DEFESA DA VIDA DO REGIONAL SUL-1 DA CNBB ASSINAM ESTE FOLHETO OS COORDENADORES DAS COMISSÕES DIOCESANAS EM DEFESA DA VIDA (CDDVS) DAS (arqui)DIOCESES (em ordem ALFABÉTICA) DE:

 Campinas – Diácono João VICENTE DA Silva; Guarulhos – Maria LEÔNIA DA Silva; Itapetininga – Irmã Aparecida Reis; S. André – ROBERTO VERTAMATTI; S. José dos Campos – João Pinheiro Neto; E, o Coordenador da Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1- pe. Berardo Graz “Autorizam a divulgação deste texto o Presidente da Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 da CNBB, DOM JOSÉ BENEDITO SIMÃO, e o Bispo Referencial da Pastoral Familiar do mesmo Regional Sul 1 DOM EMÍLIO PIGNOLI”
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