terça-feira, 2 de setembro de 2014

Pedestre é principal vítima do trânsito em SP; em 2014, 178 morreram até abril.

Há uma semana, desde 25 de agosto, três ruas da zona oeste de São Paulo tiveram a velocidade reduzida de 60 km/h para 50 km/h. A diminuição aconteceu após a enfermeira Cristiane de Abreu, 37 anos, e sua filha de 8 anos terem sido atropeladas em um domingo pela manhã em frente a um centro de cultura. O atropelamento aconteceu em 17 de agosto. A menina está bem, mas Cristiane continua internada em estado gravíssimo. O motorista estava com a carteira vencida e admitiu que dormia no momento da colisão.
 
 
Segundo dados da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), somente de janeiro até abril deste ano, 178 pedestres morreram em acidentes de trânsito. Em 2013, 514 transeuntes morreram em acidentes de trânsito em toda a capital. Em oito anos, de 2005 a 2013, os óbitos diminuíram 31%, mas o pedestre continua sendo quem mais morre nas ruas paulistanas. 
 
 
 
“Pelo Código de Trânsito Brasileiro, o pedestre deve ter preferência nas ruas, seguido pelo ciclista e depois pelo motorista. Mas, na prática, acontece o contrário: a rua é do motorista. O pedestre fica por último, é um cidadão de terceira classe", afirma o engenheiro e presidente da Associação Brasileiro de Pedestres (Abraspe), José Ignácio.
 
 
Ignácio explica que as principais causas dos atropelamentos são a desatenção, o sono e a ingestão de álcool ou drogas. Por isso, diz ele, diminuir a velocidade é só um passo. "É preciso que haja uma rígida fiscalização e que os pedestres sejam vistos com a real importância que eles têm”.
 
 
Mais devagar ou... menos rápido
 
Diminuir a velocidade de ruas e avenidas é uma estratégia internacional de transformar a cidade num espaço mais agregador. Em São Paulo, o velocímetro já baixou em algumas vias importantes. Há menos de dez anos, por exemplo, a velocidade máxima na avenida Paulista era de 70 km/h. Diminuiu para 60 km/h e, recentemente, caiu para 50 km/h. No corredor da avenida 23 de maio, que corta a cidade, o motorista também anda mais devagar: o limite passou de 80 km/h para 70 km/h e, em alguns trechos, 60 km/h.
 
 
Um avanço ainda tímido para muitos engenheiros de trânsito, uma vez que o risco nessa rotação ainda é muito alto. Um estudo do Departamento de Trânsito britânico revelou que se um veículo atinge uma pessoa a 32 km/h, existe a probabilidade de 5% dos pedestres morrerem, de 65% sofrerem lesões e de 30% sobreviverem ilesos. Se alguém é atingido por um veículo em uma velocidade de 64 km/h, 85% podem morrer e os 15% restantes sofrem algum tipo de lesão.
 
 
 

Nenhum comentário:

Postar um comentário