domingo, 14 de setembro de 2014

Caso de pedofilia na República Dominicana abala o Vaticano

Arcebispo abusava de meninos que trabalhavam como engraxates na orla em Santo Domingo.
 
 
Santo Domingo, República Dominicana. Ele era uma figura conhecida dos engraxates que trabalham na orla da praia. Os meninos contam que ele chegava no fim da tarde para buscar um deles e levá-lo para a praia rochosa ou para um monumento deserto, onde fazia as vezes de um verdadeiro herói católico. Os meninos dizem que ele oferecia dinheiro para que eles desempenhassem atividades sexuais. Eles o chamavam de “o italiano”, pois ele falava espanhol com sotaque italiano.
 
Foi só depois de ser expulso do país, contam os meninos, e sua fotografia aparecer em todos os jornais, que eles descobriram sua verdadeira identidade: tratava-se do arcebispo Jozef Wesolowski, embaixador do Vaticano na República Dominicana.
 
“Ele realmente me seduziu com dinheiro”, afirmou Francis Aquino Aneury, 17, que tinha 14 anos quando o homem que ele conheceu enquanto engraxava sapatos começou a oferecer valores cada vez mais altos em troca de favores sexuais. “Eu me sentia muito mal. Sabia que aquilo não era a coisa certa, mas eu precisava do dinheiro”.
 
Essa é a primeira vez que um embaixador do alto escalão do Vaticano, também conhecido como “núncio apostólico” – que atua como um enviado pessoal do papa – foi acusado de abuso sexual de menores. Isso repercutiu por todo o Vaticano e por dois países de maioria católica que recentemente começaram a lidar com os abusos sexuais cometidos por membros da igreja: a República Dominicana e a Polônia, onde Wesolowski foi ordenado pelo arcebispo Karol Józef Wojtyla, que veio a se tornar o papa João Paulo II.
 
 
A situação também criou um teste para o papa Francisco, que afirmou que o abuso sexual de crianças “é um crime horroroso” e afirmou que traria a Igreja Católica Apostólica Romana a uma era de “tolerância zero” contra os abusos. Para padres e bispos que abusaram de crianças, afirmou a repórteres em maio, “não haverá privilégios”.
 
Wesolowski já enfrentou a pena mais dura da lei canônica da igreja, depois da excomunhão: em 27 de junho, foi expulso do sacerdócio pelo Vaticano e reduzido a um leigo. O Vaticano, que é uma cidade-Estado com sistema judicial próprio, afirmou que pretende abrir um processo criminal contra Wesolowski.
 
Wesolowski, 66, foi ordenado aos 23 anos. Em 1999, foi indicado como núncio apostólico na Bolívia e em 2002 passou pelo Cazaquistão, Tadjiquistão, Quirguistão e Uzbequistão. Em 2008, foi enviado à República Dominicana.
 
DESCONFIANÇA

 Receio.
O caso abalou a República Dominicana, país onde a maioria da população é católica. “As pessoas costumavam dizer que queriam que os filhos frequentassem a igreja”, afirmou o reverendo Rogelio Cruz, padre da cidade. “Agora elas dizem que jamais deixariam seus filhos em uma igreja católica”.

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