sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Francisco vai receber Leonardo Boff em Roma

O papa Francisco pediu, ao chegar ao Brasil, um exemplar de "Francisco de Assis e Francisco de Roma", do teólogo Leonardo Boff, na qual o autor analisa o processo de ruptura que o pontífice pôs em prática na Igreja com a volta às origens do Cristianismo.

"Entreguei o livro ao arcebispo do Rio, Orani Tempesta, e ele já o entregou ao papa", me disse Boff no momento em que estava embarcando para encontros com mais de mil jovens em Santa Catarina e São Paulo.

 
Sobre a possibilidade de Francisco encontrar-se com o teólogo brasileiro que seu antecessor, Bento XVI, condenou ao silêncio quando era prefeito da Congregação da Fé, Leonardo explica: "Não pude cancelar um compromisso que tinha com esses jovens. Por isso, só poderei estar no Rio no sábado, último dia da visita do papa".
 
Boff disse-me, porém, que "uma amiga do papa dos tempos de arcebispo de Buenos Aires, com a qual ele fala por telefone todas as semanas, me disse ter perguntado ao pontífice se ele tinha a intenção de receber-me e a resposta foi: ‘Vou recebê-lo, mas só depois de concluir a reforma da Cúria´".

O encontro será oficial, o que não impedirá Francisco de receber o teólogo informalmente no Rio, antes de regressar a Roma. Boff é hoje um defensor incondicional da revolução que o papa está levando a cabo na Igreja, a qual Leonardo define como "ruptura".

Filho do guerreiro Inácio de Loyola


Boff confirmou-se também o que já havia declarado ao jornal O Globo, que Francisco pretende reabilitar os mais de 500 teólogos condenados pela Igreja durante os anos em que nela mandavam Ratzinger e Wojtyla, mas não o fará enquanto Bento 16 estiver vivo.

Boff acredita que a Cúria romana, na linha da doutrina de Maquiavel, use de todos os meios para manter-se no poder e que venha a boicotar a renovação de Francisco. Não obstante, o teólogo recorda também que este papa, além de ter escolhido simples de Francisco de Assis, "é um jesuíta".

Quando lhe perguntei o que isto significa, Boff respondeu sorrindo: “Significa que ele é filho de Inácio de Loyola, o grande estrategista da Companhia de Jesus, que sobrevive até hoje depois de passar por todos os vendavais a que foi submetida, não só por parte da Cúria romana, mas até de um papa que acabou dissolvendo-a para vê-la ressuscitar mais tarde com força ainda maior. Perseguida ontem pela Igreja de Roma, a Companhia de Jesus conta hoje com um papa todo seu. Francisco está muito bem respaldado”.

 
*Juan Arias é correspondente do El País no Brasil. Tradução: Marco Lacerda
 

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