sábado, 27 de julho de 2013

Momento exige diálogo, diz papa Francisco sobre manifestações

Douglas Corrêa e Paulo Virgílio
Repórteres da Agência Brasil
Rio de Janeiro - O papa Francisco disse hoje (27), em seu discurso no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, que o momento exige diálogo construtivo, ao se referir às manifestações que ocorrem desde junho em praticamente todas as cidades do país. "Entre a indiferença egoísta e os protestos violentos sempre há uma opção possível: o diálogo, o diálogo entre as gerações, o diálogo entre o povo e todos somos povo, a capacidade de dar e receber, permanecendo abertos à verdade. Um país cresce quando suas diversas riquezas culturais dialogam de maneira construtiva."
 
 
Ele ressaltou, em espanhol, que é fundamental nesse diálogo a contribuição das grandes tradições religiosas. “A coexistência pacífica entre as diferentes religiões se beneficia da laicidade do Estado, que sem assumir como própria nenhuma posição confessional, respeita e valoriza a presença da dimensão religiosa na sociedade, favorecendo suas expressões mais concretas."
Ao reforçar a defesa do diálogo, o papa Francisco destacou a cultura da humanidade social. "O outro sempre tem algo a me dar, quando sabemos nos aproximar dele, com a atitude aberta e disponível, sem preconceitos. Essa atitude eu a definiria como humildade social, que é a que favorece o diálogo. Ou apostamos na cultura do diálogo ou todos perdemos."
 
 
 
 Após o discurso, aplaudido de pé pelos mais de 2 mil convidados, o papa Francisco recebeu cumprimentos e presentes de líderes comunitários e representantes dos vários segmentos da sociedade. A cerimônia terminou com a execução da música tema e do hino da JMJ e com o hino oficial da Cidade do Rio de Janeiro, Cidade Maravilhosa.
De lá, Francisco seguiu em carro fechado para o Centro de Estudos do Sumaré, onde almoça com cardeais do Brasil, a presidência da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e sua comitiva.
 
 
Edição: Talita Cavalcante
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Papa Francisco ganha camisa do Cruzeiro em passagem por Aparecida-SP

Papa Francisco recebeu placa e camisa do Cruzeiro de Dom Raymundo Damasceno Assis
 
Na última quarta-feira, em Aparecida-SP, o papa Francisco recebeu uma camisa personalizada do Cruzeiro das mãos do presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil Dom Raymundo Damasceno Assis, que é mineiro de Capela Nova e é cruzeirense.

A camisa tinha o número 10 às costas com o nome “Papa Francisco”.

”Fizemos uma placa para o papa e uma camisa personalizada. Isso já estava combinado há muito tempo com Dom Raymundo quando soubemos que o papa viria ao Brasil. A foto foi tirada na quarta-feira por pessoas do seminário”, contou a relações públicas do Cruzeiro, Rita de Cássia.
 
 

Papa Francisco e a "Água no Feijão"

Para o filósofo, Francisco é jesuíta sem ser “soldado de Cristo” e, sem dúvida, é um missionário

Francisco é francamente moderno e o mais secular possível. Seu discurso na favela de Varginha não abusa das palavras “Jesus” ou “Deus”. Menciona-as com incrível parcimônia, e em contextos muito determinados e apropriados.
No caso de Jesus, vale destacar: “A Igreja está ao lado de vocês, trazendo-lhes o bem precioso da fé, de Jesus Cristo, que veio 'para que todos tenham vida, e vida em abundância' (Jo 10,10).” No caso de Deus: “Queridos amigos, certamente é necessário dar o pão a quem tem fome; é um ato de justiça. Mas existe também uma fome mais profunda, a fome de uma felicidade que só Deus pode saciar. Fome de dignidade.”
 
 
Vida em abundância e moral da dignidade. Quem não vê novidade nessas citações é porque não está atento às mudanças que o papa Francisco está introduzindo na Igreja Católica. Novidades que o fazem “papa dos pobres”, mas em um sentido muito especial.
Os meios de comunicação estão certos quando dizem que ele é “o papa dos pobres”. Todavia, a política tradicional, ainda polarizada por religiões que se pretendem maiores que a do papa, a da “direita” e a da “esquerda”, vão cair do cavalo, ou melhor, do burro, se apostarem no que sempre apostaram, ou seja, em utilizar do discurso papal para seus intentos.
Francisco está longe de ser o anticomunista João Paulo II (ou o policial deste, Ratzinger, que virou Bento 16) e também distante de protetores e tutores de pobres, os marxistas da Teologia da Libertação. É claro que ele tem uma doutrina social, mas ele não acredita nos manuais de sociologia que informam os estudantes de ciências humanas de que, no mundo moderno, a política substituiu a religião. Ele acha isso uma bobagem imensa. Ele aposta claramente na ideia da riqueza histórica da Igreja Católica em ter seus próprios heróis. Ela não precisa da cantoria de um Padre Marcelo ou da cantoria dos que dizem ter lido Karl Marx.

 
Seu discurso dirigido aos pobres e aos jovens é recheado de mensagens diretas, em linguagem simples, quase que internética – fantasticamente atual para um professor de filosofia com mais de setenta anos – e completamente inteligível a todos. As imagens de seu discurso são de vitalidade, são terrenas sem serem moralistóides ou de revolta meramente adolescente. Para quem conhece um pouco de filosofia e história do cristianismo, é possível identificá-las nos heróis internos. Com um carisma distinto de qualquer outro papa antes que eu tenha visto, ao vivo ou por filme, Francisco tem um sorriso sincero, mostra felicidade e fé, tem uma energia absurda para sua idade e, enfim, é jesuíta sem ser “soldado de Cristo”. Isto é, sem dúvida trata-se de um missionário. Mas é avesso à disciplina que não a própria, e tem desdém pela disciplina da corporação, muitas vezes formal. Sua disciplina vem de seu franciscanismo, de seu singelo flertar com os ideais da Igreja dos pobres de São Francisco de Assis. É como se ele evocasse um tipo de São Francisco que tivesse rejeitado ser enclausurado em uma Ordem – a velha fórmula da Igreja do passado de cooptar revoltados, gente com disposição à dissidência, como os Luteros da vida.
A mensagem de Francisco é a da abundância, o que contraria um certo tipo de direita e também uma esquerda marxista meio inculta, que sempre disseram aos pobres que eles deveriam viver sem o “consumismo” (leia-se: consumo). Mas, ao mesmo tempo, a mensagem de Francisco é a de negação da “cultura do descartável”. Nisso, não se refere às coisas, mas às pessoas tornadas descartáveis. Então, evoca a capacidade de acolhimento, o que se casa muito bem com a frase nacional de que possível sempre por “mais água no feijão”, que ele utilizou magistralmente, como um mestre positivo da retórica.
 
 
Francisco parece apostar mesmo no que falou ao final do discurso de Varginha, de que os pobres não estarão sozinhos, que a Igreja e o papa estarão com eles. Mas, vinda dentro do contexto em que veio, essa frase soou como que a criação de um elo baseado na opção individual. Trata-se de um papa que não quer por canga no devoto porque ele próprio não a aceita.
Todo esse discurso coadunou bem com a resposta do garoto de Varginha, que lembrou que, com a vinda do papa, asfaltaram ruas e fizeram esgotos em sua comunidade, coisa que ele nunca tinha visto, e que ele esperava que serviços assim pudessem continuar a serem feitos após a ida do papa.
Esse argentino vai surpreender ainda mais.
Paulo Ghiraldelli Jr., 55, filósofo, escritor, cartunista e professor da UFRRJ
 
 
 

domingo, 7 de julho de 2013

Igreja Católica escondeu durante anos acusações de pedofilia

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O medo de um escândalo levou a Igreja Católica da Austrália a acobertar as acusações de pedofilia desde os anos 1930, admitiu nesta segunda-feira o principal cardeal do país, no último dia de uma investigação governamental.
 
 
 
 "A primeira motivação foi proteger a reputação da Igreja", declarou o cardeal George Pell, um dos oito cardeais selecionados pelo Papa Francisco para ajudar a reformar a Cúria.  "Só temia o escândalo", disse.
O governo do estado de Victoria (sul) iniciou uma investigação sobre os abusos sexuais cometidos em instituições religiosas ou privadas contra crianças. A Igreja reconheceu em 2012 que pelo menos 620 crianças foram vítimas, somente no estado, de abusos por padres desde os anos 1930.
 
 
"Apresento minhas desculpas, realmente sinto", declarou na segunda-feira o cardeal Pell, atualmente arcebispo de Sydney, no início da audiência.
Na semana passada, o arcebispo de Melbourne, Denis Hart, admitiu que a Igreja demorou muito para reagir ante as acusações de abusos sexuais.
O estado de Nova Gales do Sul também abriu uma investigação. A nível nacional, uma investigação começou em abril e pretende ouvir 5.000 supostas vítimas de agressões em hospícios, escolas, igrejas, associações esportivas ou centros de detenção para menores.
 
 

Fonte:O povo
http://www.todoscontraapedofilia.com.br/site/index.php/about-joomla/2560-igreja-catolica-escondeu-durante-anos-acusacoes-de-pedofilia
   

Primeira vez: STJ homologa sentença eclesiástica do Vaticano e separa casal brasileiro

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Lei de Deus e dos homens

Após acusar a mulher de pedofilia, seu cônjuge conseguiu que Tribunal Eclesiástico de Aparecida (SP) e o Tribunal da Assinatura Apostólica, no Vaticano, anulassem seu casamento religioso.

Para se livrar do casamento não só pelas leis de Deus, mas também dos homens, o ex-marido foi ao STJ e pediu que a decisão religiosa fosse homologada pela Corte, uma vez que no Brasil a união feita pela Igreja também produz efeitos civis.
 
O pedido foi atendido e pela primeira vez o STJ homologou uma sentença religiosa do Vaticano, separando, judicialmente, o casal.
 
                                       
 
O autor da decisão foi o presidente da Corte, Félix Fischer, que se baseou no Estatuto Jurídico da Igreja Católica no Brasil.

O estatuto estabelece que decisões eclesiásticas confirmadas por órgão de controle superior da Santa Sé são consideradas sentenças estrangeiras, que têm valor legal no Brasil.

Lauro Jardim
 
"Infelizmente a cada dia que passa o número de casos de pedofilia é exorbitante. Trazendo diversos transtornos psicológicos e que pode durar a vida toda de uma criança que sofreu abuso sexual" Senador Magno Malta - 20 de fevereiro de 2013
 Fonte: Veja, http://www.todoscontraapedofilia.com.br/site/index.php/about-joomla/2577-primeira-vez-stj-homologa-sentenca-eclesiastica-do-vaticano-e-separa-casal-brasileiro

Brasil pede esclarecimentos aos EUA após denúncia de espionagem

Ministro das Relações Exteriores reagiu à notícia que Brasil estaria entre os países mais monitorados pelos EUA O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, disse neste domingo (7) que o Brasil vai cobrar explicações dos EUA sobre a suspeita de que o governo norte-americano espionou milhões de comunicações eletrônicas e telefonemas de cidadãos brasileiros.
 
 
Segundo reportagem publicada no sábado pelo jornal “O Globo”, o Brasil seria um dos países mais espionados pela Agência de Segurança Nacional (NSA em inglês), em um grupo considerado prioritário para o governo americano, que inclui China, Rússia, Irã e Paquistão. 

Entenda o caso:  Ex-funcionário da CIA diz ter vazado dados sobre vigilância secreta dos EUA
O jornal não revelou o volume de informações monitorado pelos computadores e pelos funcionários da inteligência da NSA, mas citou documentos fornecidos pelo fugitivo Edward Snowden , ex-funcionário de inteligência da agência.         
    
Parte do acesso às comunicações brasileiras teria sido obtido por meio de empresas norte-americanas parceiras de companhias brasileiras de telecomunicações, relatou o jornal sem revelar os nomes das empresas.              

 De acordo com Patriota, o governo brasileiro vai procurar a União Internacional de Telecomunicações (UIT), órgão ligado à Organização das Nações Unicas (ONU) com sede em Genebra, para pedir mudanças nas regras internacionais de segurança e privacidade nas telecomunicações.             
     
Segundo o chanceler brasileiro, o governo da presidente Dilma Rousseff vê com “grande preocupação” a violação do sigilo eletrônico e telefônico de cidadãos brasileiros. Ele disse que o embaixador dos EUA no Brasil, Thomas Shannon, foi acionado para apresentar explicações e que a embaixada do Brasil em Washington também foi orientada a cobrar o governo Barack Obama.
 
Leia a íntegra do pronunciamento feito por Patriota em Paraty (RJ):
“O Governo brasileiro recebeu com grave preocupação a notícia de que as comunicações eletrônicas e telefônicas de cidadãos brasileiros estariam sendo objeto de espionagem por órgãos de inteligência norte-americanos.
O Governo brasileiro solicitou esclarecimentos ao governo norte-americano por intermédio da Embaixada do Brasil em Washington, assim como ao Embaixador dos Estados Unidos no Brasil.
O governo brasileiro promoverá no âmbito da União Internacional de Telecomunicações (UIT) em Genebra, o aperfeiçoamento de regras multilaterais sobre segurança das telecomunicações. Além disso, o Brasil lançará nas Nações Unidas iniciativas com o objetivo de proibir abusos e impedir a invasão da privacidade dos usuários das redes virtuais de comunicação, estabelecendo normas claras de comportamento dos Estados na área de informação e telecomunicações para garantir segurança cibernética que proteja os direitos dos cidadãos e preserve a soberania de todos os países."
 

"As manifestações não foram nada demais", diz o sociólogo Francisco de Oliveira

Em entrevista ao iG, Oliveira admite desconhecer os motivos dos protestos e diz que eles não mudam nada no cenário político do País.
 
 
As manifestações que chacoalharam o Brasil nas últimas semanas não foram nada demais, talvez apenas um espasmo diluído na falta de demandas claras. A opinião é do sociólogo Francisco de Oliveira, professor emérito da Universidade de São Paulo (USP), um dos ícones do pensamento de esquerda no Brasil. De acordo com ele, não existe no Brasil um cenário de crise que justifique mobilizações permanentes.
Em entrevista exclusiva ao iG , Oliveira admitiu desconhecer os motivos que levaram milhões de brasileiros às ruas e afirma categoricamente que não é o único. “Ninguém sabe. Estão todos chutando hipóteses”.
Segundo ele, a onda de manifestações “não muda nada” no cenário político nacional pois, embora tenha reagido de forma “risível” à voz das ruas, Dilma tem plenas condições de reverter o desgaste até o final do mandato. Ex-colaborador e desde de 2003 crítico contumaz de Luiz Inácio Lula da Silva, Oliveira não descartou a possibilidade de retorno do ex-presidente em 2014 mas advertiu que isso seria “péssimo” para o País pois “Lula quer ser o Perón do Brasil”.
Leia os principais trechos da entrevista:
iG - O que aconteceu nas ruas do Brasil nas últimas semanas?
Francisco de Oliveira Nada demais. É um pouco inédito devido ao fato de que se deu em várias partes do País, coisa que não era comum ocorrer. As manifestações mais fortes sempre se deram no Rio e São Paulo e desta vez se apresentaram em várias partes do País de forma bastante intensa. Mas não há uma explicação. Primeiro levantaram os preços das passagens, os governos recuaram e aquilo se transformou em uma manifestação sem sentido. De fato vivemos numa conjuntura política em que não há motivo para crise.
iG – Isso explica o fato de as manifestações terem perdido a força?
FO – Sim. Não tem um foco e, portanto não tem o que reivindicar. Ninguém mantém parte da população em estado de tensão em que vá para a rua todos os dias. É esperar demais.
iG – Os R$ 0,20 foram um catalisador. É possível surgir outro fato capaz de provocar o mesmo efeito?
FO – Difícil. Numa sociedade complexa como o Brasil você não mantém as pessoas na rua sempre.
iG – O que levou essas pessoas para a rua?
             

FO – Não sei e ninguém sabe. Estão todos chutando hipóteses. A primeira delas foi o aumento da tarifa de transporte mas isso é tão pouco para mover tanta gente. É claro que foi um estopim mas não é capaz de manter uma mobilização.
iG – Alguns estudiosos apontam um motivo mais emocional, vinculado à natureza juvenil, do que racional.
FO – É difícil tentar qualquer explicação. É claro que há um componente emocional. As pessoas que saem às ruas para protestar podem se unir e podem não se unir mas o componente maior era político, embora sem objetivos. A reação da Polícia Militar, por exemplo, acirra, as pessoas ficam com raiva, mas isso passa.
iG – O que muda no cenário político com os protestos?
FO – Não muda nada. A reação da presidente foi risível. Ela quis responder ao clamor das ruas com um plebiscito. Isso é piada. Ela não entende o que é política, principalmente política de massas, e veio com essa de constituinte e plebiscito. Isso é para rir. Uma coisa é responder à voz das ruas com ações factíveis. O que ela propôs não é factível por razões formais, legais etc. Ela não sabe do que se trata. Não entende nada.
iG – As pesquisas mostram uma queda vertiginosa da aprovação de Dilma.
FO - A essa altura ninguém sabe para onde vai o governo. Essa queda da Dilma pode não ser consistente. Com uma administração razoável nos meses que lhe restam Dilma pode se recuperar. Marina (Silva) é fogo de palha e Aécio (Neves) enfrenta forte desgaste na base dele que é Minas Gerais. Dilma pode se recuperar. É só não fazer besteira.
iG – Qual a melhor maneira para fazer a reforma política? O senhor mesmo chegou a elaborar um projeto para o Instituto Cidadania antes da eleição de Lula.
FO – A reforma política é uma coisa muito complicada. Não é fácil. Primeiro tem que ir para o Congresso, a não ser que se dê um golpe de Estado. O Congresso é o lugar apropriado e ele não age assim de repente. Não pode ser de um dia para o outro. A reforma se faz para sair de uma crise. A Constituinte de 1988, por exemplo, foi feita por causa das tensões, equívocos e erros da ditadura. Não se faz a frio. Se o Congresso sempre trabalhasse em alta consciência seria possível. Mas não é assim que o Congresso trabalha. É fácil pensar e difícil executar uma reforma dessas. Não dá pra ser uma coisa despirocada. É preciso organizar os grupos, estes grupos precisam eleger seus partidos e os partidos atuar no Congresso. Fora isso é um ato de ditadura.
 
 
iG – Dilma está isolada?
FO – Ela nunca teve poder. A Dilma é uma criação do Lula e o Lula tirou o corpo. Ela não tem uma vivência política capaz de articular uma reforma complexa. Dilma não tem âncora em nenhum partido. O PMDB brinca com ela a torto e a direito. O PT não é confiável para uma reforma dessa envergadura. O PT não mobiliza mais ninguém. Nem o Lula. Por isso ele fica quieto.
iG – A direita tem capacidade de mobilização?
FO - Não tem nada. Nem a direita nem a esquerda. Alguém vai para a rua por causa da maioridade penal? Imagine.
iG – O que faria o senhor ir para a rua?
FO – Muito pouca coisa. Na medida em que uma sociedade como a brasileira vai evoluindo política e economicamente fica mais difícil chamar o povo para a rua. Nem tem motivo. A Dilma, mesmo sendo um macaco numa loja de louças, não é uma péssima presidente. Ela é uma presidente medíocre, criação do Lula, sem muito traquejo político, com uma base parlamentar enorme mas que na verdade não é nada. Não tem crise no sentido crítico da palavra capaz de levar alguém para a rua. O que motivou os rapazes é uma coisa até hoje sem definição. Ninguém sabe por que eles ficaram tanto tempo na rua, de Fortaleza a Rio Grande do Sul, fazendo manifestações sem explicações lógicas nem políticas. Permanecerá um mistério na história das manifestações de massa no Brasil essa explosão, esse rastilho de pólvora.
iG – Foi um espasmo?
FO – Pode ter sido. As manifestações pegaram fogo com a história das passagens de ônibus e logo, logo morreram.
iG – Existe alguma semelhança entre os protestos no Brasil e no exterior?
FO – Nenhuma. Na raiz de todos estes protestos lá na Europa e nos EUA havia a crise. No Brasil não tem uma crise econômica que detona a crise política. Aqui não tem nada disso. O que existe é uma espécie de euforia que é falsa também. Os condicionantes de crise não estão aí. As passeatas não são sinal de crise. Isso é uma bobagem. Não são quaisquer 50 rapazes nas ruas que vão provocar uma crise. E a presidente quis dar uma resposta mas acabou dando um tiro na água.
 
 
iG – Qual é o caminho?
FO – O caminho é pela política. Não há outro. O Congresso pode ser ruim, avacalhado, mas não tem outro jeito. Todo Congresso é ruim por definição. A primeira coisa seria organizar os grupos mas quais são os grupos organizados? Nenhum.
iG – Lula pode voltar emn 2014?
FO – Tomara que não. Boa parte das dificuldades que Dilma enfrenta são devidas ao Lula. A possibilidade existe porque há um vazio, muitos políticos sem expressão. Mas seria péssimo para o Brasil. Lula quer se tornar uma espécie de Perón do Brasil.
 
 

Exaustão

BRASÍLIA - Condenados pelo Supremo têm mandato de deputado e, não bastasse, viram membros da Comissão de Constituição e Justiça.
 
Um pastor de viés racista e homofóbico assume nada mais, nada menos que a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara.
 
Um político que saíra da presidência do Senado pela porta dos fundos volta pela da frente e se instala solenemente na mesma cadeira da qual havia sido destronado.
 
O arauto da moralidade no Senado nada mais era do que abridor de portas de um bicheiro famoso. E o Ministério Público, terror dos corruptos, é ameaçado pelo Congresso de perder o papel de investigação.
 
 
A chefe de gabinete da Presidência em SP usa o cargo e as ligações a seu bel-prazer, enquanto a ex-braço direito da Casa Civil, afastada por suspeita de tráfico de influência, monta uma casa bacana para fazer, possivelmente... tráfico de influência.
 
Um popular ex-presidente da República viaja em jatos de grandes empreiteiras, intermediando negócios com ditaduras sangrentas e corruptas.
 
Um ex-ministro demitido não apenas em um, mas em dois governos, tem voz em reuniões estratégicas do ex e da atual presidente, que "aceitaram seu pedido de demissão".
 
Ministros que foram "faxinados" agora nomeiam novos ministros e até o vice de um governador tucano vira ministro da presidente petista.
 
Na principal capital do país, incendeiam-se dentistas, mata-se à toa. Na cidade maravilhosa, os estupros são uma rotina macabra.
 
Enquanto isso, os juros voltam a subir, impostos, tarifas e preços de alimentos estão de amargar. E os serviços continuam péssimos.
 
É por essas e outras que a irritação popular explode sem líderes, partidos, organicidade. Graças à internet e à exaustão pelo que está aí.
 
 
 
A primeira batalha foi ganha com o recuo dos governos do PT, do PSDB e do PMDB no preço das passagens. Mas, claro, a guerra continua.
 
Jornalista ELIANE CANTANHÊDE

Cadê o lula???????

BRASÍLIA - Acossados pela pressão popular, Executivo, Legislativo e Judiciário sacodem e despertam num estalar de dedos, ou em votações simbólicas, uma lista quilométrica de reivindicações adormecidas. Além do tomate, há um outro grande ausente: o ex-presidente Lula.
 
O Brasil está de pernas para o ar e os Poderes estão atônitos diante da maior manifestação em décadas, mas o personagem mais popular do país, famoso no mundo inteiro, praticamente não disse nada até ontem.
 
 
Confirma assim uma sábia ironia do senador e ex-petista Cristovam Buarque: "Tudo o que é bom foi Lula quem fez; o que dá errado a culpa é dos outros". Hoje, a "outra" é Dilma Rousseff, herdeira do que houve de bom e de ruim na era Lula.
 
Na estreia de Haddad, Lula roubou a cena e a foto, refestelado no centro da mesa, dando ordens e assumindo a vitória como sua. Nos melhores momentos de Dilma, lá está Lula exibindo a própria genialidade até na escolha da sucessora. E agora?
 
Haddad foi obrigado a engolir o recuo das passagens, Dilma se atrapalha, errática, sem rumo. Nessas horas, cadê o padrinho? O que ele tem a dizer ao mais de 1 milhão de pessoas que estão nas ruas e, especialmente, aos 80% que o veneram no país?
Goste-se ou não de FHC, concorde-se ou não com o que diz, ele se expõe, analisa, dá sua cota de responsabilidade para o debate. Dá a cara a tapa, digamos assim. Já Lula, como no mensalão, não sabe, não viu.
 
Desde o estouro das primeiras pipocas, afundou-se no sofá e dali não saiu mais, nem para ouvir a voz rouca das ruas. Recolheu-se, preservou-se, deixou o pau quebrar sem se envolver. As festas pelo aniversário do PT e pelos dez anos do partido no poder? Não se fala mais nisso.
 
Como marido e mulher, companheiros e partidários prometem lealdade "na alegria e na tristeza". Mas isso soa meio antiquado e Lula é pós-moderno. Deve estar se preparando para quando o Carnaval chegar.
 
Eliane Cantanhêde, jornalista, é colunista da Página 2 da versão impressa da Folha, onde escreve às terças, quintas, sextas e domingos. É também comentarista do telejornal "Globonews em Pauta" e da Rádio Metrópole da Bahia.

O que está em jogo na reforma política

28/06/2013 - Alerta plebiscito

Financiamento de campanha

    
 
Como é hoje: Para financiar as campanhas eleitorais, os partidos políticos podem receber recursos privados, além de doações empresariais.
Proposta: O financiamento passaria a ser público, proveniente de um fundo partidário. Assim, haveria menor influência do poder econômico nas campanhas. Outra ideia é o financiamento misto, com recursos públicos e privados. Algumas propostas defendem ainda o fim das doações empresariais — ficaria permitido apenas as doações feitas por pessoa física.
Como mudar: Projeto de lei, que deve ser aprovados por maioria simples da Câmara e do Senado, em caso de lei ordinária, ou por maioria absoluta, quando a lei é complementar.

 
As manifestações se espalharam pelo País e o desgoverno se prepara para democratizar a sua tirania. 
Gen. Bda Rfm Valmir Fonseca Azevedo Pereira
Brasília, DF, 27 de junho de 2013 
Esta é a oportunidade de sacramentar os padrões chavistas na mambembe democracia nacional.
Tem gente que não acredita, mas assistiremos à manipulação da vontade popular, que pode ser contra isto ou aquilo, mas que acabará como inocente útil da canalhada.

Meus amigos é fácil ganhar uma batalha através do que seria a apoteose da democracia, basta juntar um grupo de dez estudiosos (?) , alcunhados de isentos (?), e favoráveis aos seu objetivos e entregar a eles a discussão do problema.
Ou, dos dez, apenas seis ou sete podem ser da tropa amiga; em qualquer caso, a teoria do seu interesse será votada, “democraticamente”.
 É uma espécie de Comissão da Verdade, com membros escolhidos para que a sua unanimidade destorcida aparente retratar as aspirações da sociedade brasileira.

O plebiscito é um perguntório para a população, que poderá aprovar ou rejeitar as opções que lhe são propostas.

No Brasil, o uso do plebiscito é uma “faca de dois legumes”, pois mais da metade dos pretensos alfabetizados, isto é, que apenas desenham o seu próprio nome, é capaz de entender um pequeno texto de simplório contexto.

 “Muitos liberais temem que o plebiscito seja manipulado pelo governo e resulte na falsa aprovação popular a medidas antidemocráticas e muitas vezes contrárias aos próprios anseios, interesses, ideias e reivindicações da sociedade”, disse o “cientista político”, João Carlos Feichas Martins.

A estória tem início a partir das perguntas que serão elaboradas e, logicamente, os seus elaboradores estarão aos serviços do patrocinador da coleta da opinião pública.

É visível que o nosso próximo e apressado plebiscito servirá para atender os anseios da esquerda, que promoverá a debacle do Poder Legislativo, como instrumento democrático.

O Judiciário, com menor intensidade, pois já é cooptado pelo Executivo, também deverá ser devidamente debilitado.

Os inocentes podem acreditar que o plebiscito será empregado para efetivar mudanças no País, como uma mini - reforma política, contudo, o que testemunharemos é a clonagem, por exemplo, das atividades da Comissão da Verdade.

Não importam as reclamações de que a Comissão da Verdade é um poço de parcialidade, que seus membros foram escolhidos a dedo, não para buscar a verdade, mas para atingir os ex - agentes da repressão e as suas instituições de origem.

Não sabemos se adianta este alerta, pois o desgoverno, gerador e condutor de uma relação de perguntas sobre as insatisfações que pululam na sociedade brasileira, não se arriscará com indagações que poderiam pôr em dúvida a sua capacidade de administrar o País, ou enfraquecer - se.

Teremos um plebiscito dirigido com o objetivo de ludibriar e cooptar para uma tirania obtida através de distorcida manipulação da democracia.
Algo similar foi aplicado em Cuba e na Venezuela, estes dois portentosos países comunistas das nossas vizinhanças.

É evidente que tantas quantas forem as propostas para o despertar desta Nação, em todas serão embutidas, implícita ou explicitamente, os anseios da PeTizada.

Assim, com a aplicação da “deliberação democrática” você só poderá esperar um tipo de decisão, a unilateral, e desgraçadamente favorável aos desatinos do desgoverno.
 

Os interesses do PT e o lado oculto do plebiscito de Dilma

Presidente usa impulso dos protestos nas ruas para tentar emplacar uma perigosa reforma política que o PT fracassou em implementar no Congresso.

MAU EXEMPLO - Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, presenteia presidente Dilma Rousseff com uma imagem do falecido coronel Hugo Chávez. Na Venezuela, referendos foram usados para dar uma máscara de legitimidade a um governo autoritário (REUTERS/Ueslei Marcelino)
 

“(O plebiscito) É um instrumento popular para legitimar governos e conferir aos governantes superpoderes, um cheque em branco para que o governante dê o significado à autorização dada pelo povo nas urnas. Isso pode manietar o povo”, Gustavo Binenbojm, professor de Direito Administrativo e Constitucional da UERJ e da FGV
Destinado a confrontar a população com questões objetivas e diretas, a realização de um plebiscito é uma ferramenta legítima do processo democrático. A história recente, entretanto, demonstra que ele pode ser utilizado para propósitos pouco nobres: vizinhos sul-americanos recorreram ao mecanismo para tentar governar diretamente com o povo, passando por cima das instituições democráticas e se perpetuando no poder. Em resposta à inédita onda de protestos que chacoalhou o Brasil, a presidente Dilma Rousseff propôs uma consulta popular para promover uma reforma política no país - ainda que nenhum cartaz tenha reivindicado isso. A estratégia bolivariana, tirada da manga no momento mais crítico do seu governo, acoberta um perigoso interesse: aprovar o financiamento público de campanha e o voto em lista, antigos sonhos do PT.
 
 
Como avalia o ex-ministro da Justiça Miguel Reale Júnior, a opção pelo plebiscito “joga areia nos olhos do povo”. Um levantamento do Datafolha constatou que a reforma política era uma reivindicação de apenas 1% dos manifestantes que tomaram as ruas de São Paulo nas últimas semanas. Mas o governo não quer perder a oportunidade aberta pelo clima mudancista.

O PT defende o financiamento público de campanha porque seria o maior beneficiário desses recursos, já que tem a principal bancada na Câmara dos Deputados e esse é o critério usado para a divisão do bolo. Com o financiamento público, o partido conseguiria assegurar recursos superiores aos das outras siglas. Caso o caixa dois não seja efetivamente extinto, o que é uma hipótese plausível, o dinheiro de bancos e empreiteiras continuariam a seguir a lógica de favorecer quem tem a chave do cofre - no caso da União, o PT. Por isso, interessava mais ao partido a ideia inicial de Dilma, que incluía uma Assembleia Constituinte com poderes para dar os rumos à reforma. Mas a ideia fracassou por ser inconsistente e sem base jurídica. Ainda assim, o PT aposta na capacidade de mobilização de sua própria militância para moldar o sistema político-eleitoral.

Ciente das intenções de seu principal aliado, o PMDB é majoritariamente contrário ao financiamento público. Os peemedebistas têm bom relacionamento com o empresariado e um elevado número de governos estaduais; também por isso, não veem razões para uma mudança no sistema.
 
Voto proporcional - O sistema de eleição para deputados e vereadores é o segundo ponto-chave que deve constar do plebiscito. A adoção do voto em lista, outro tema que surgirá na consulta, favoreceria o PT. O partido tem questão fechada na defesa desse tema: seguidas pesquisas mostram que, dentre as legendas, o Partido dos Trabalhadores possui, de longe, a maior fatia de eleitorado fiel. O DEM, que se posiciona na centro-direita e não tem concorrentes neste campo, também quer o voto em lista.
O PSDB é a favor do voto distrital, cuja defesa consta do estatuto da sigla. A regra seria bem aplicável em estados como São Paulo e Minas Gerais - onde os tucanos têm maior poder de fogo. Nesses estados, muito extensos e populosos, os candidatos se dividem informalmente entre cidades e regiões, o que já se aproxima do voto distrital. O PSD também fechou questão em defesa do voto distrital.

Para o PMDB, que sofre de fraqueza programática e é mais personalista dos que as outras siglas, a saída defendida é o chamado "distritão". O modelo é o mais simples possível: o eleitor escolhe o candidato, individualmente, e o voto não influencia o desempenho dos outros nomes do partido. Ganham os mais votados e o quociente eleitoral, que provoca o chamado "efeito Tiririca", seria abolido. É como se cada estado fosse um distrito.

Pressa - Nos últimos dois anos, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se empenhou pessoalmente nas negociações para a implementação da reforma política defendida pelo PT. Mas, no Congresso, o tema emperrou. O partido já havia desistido de fazer uma reforma que valesse para as eleições de 2014 porque, nesse caso, a mudança precisaria estar aprovada até o início de outubro deste ano. Mas os protestos nas ruas foram vistos pelo PT como uma "janela de oportunidade".  O partido não quer perder o impulso dado pelas manifestações populares. Por isso, tem pressa. E não é só: o momento atual é perfeito para que a sigla molde a reforma política ao seu gosto. Dono da maior bancada na Câmara e hóspede do Palácio do Planalto, o PT não pode garantir que esse cenário será o mesmo na próxima legislatura.

Com uma militância ativa em torno dos pontos centrais, além de braços organizados em sindicatos e entidades estudantis, o PT aposta que poderá converter essa força de mobilização em resultados no plebiscito. Para isso, é até bom que o eleitor comum, desmobilizado, não participe do processo. "Seguramente não são todos os cidadãos que vão se interessar por participar do plebiscito, mas todos aqueles que têm interesse neste debate terão espaço concreto de atuação: poder votar e ajudar a definir as prioridades da reforma política", disse o ministro da Educação, Aloizio Mercadante.

O presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), estranha a pressa repentina. "É no mínimo curioso. O governo tem pressa para encontrar o caminho diversionista e fugir da crise", diz ele. O deputado Rubens Bueno, líder do novo MD (fusão do PPS com o PMN) na Câmara, defende que o Congresso elabore a reforma e a população apenas decida se aprova ou rejeita as mudanças, em bloco: "A nossa ideia básica é o Congresso Nacional votar todas essas sugestões e submetê-las a um referendo na mesma data das eleições do ano que vem", diz.

Riscos e obstáculos - A cegueira momentânea causada pelo anúncio inesperado da presidente encobre uma dificuldade técnica: o de apresentar, por plebiscito, questões para as quais a votação pode não apresentar maioria. “Basta haver três perguntas para não ser plebiscito. Imagine que, no sistema eleitoral (proporcional, distrital e distrital misto), um tipo consiga 35% dos votos, o outro 34% e o terceiro 31%. Não há formação de maioria”, alerta Reale Júnior, que considera impossível usar esse modelo de votação para um tema como a reforma política. “Não há necessidade de chamar as pessoas para definir a reforma. É uma falta de juízo”, completa Reale, reiterando que os temas em jogo são bastante complexos.

Na última quarta-feira, o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Ayres Britto, comparou o plebiscito proposto agora com a entrega de um “cheque em branco” aos deputados e senadores que já miram nas eleições de daqui a um ano e meio. A metáfora de Britto é uma referência à grande margem de indefinição que pode resultar da votação que se desenha. O roteiro estabelecido para os plebiscitos é, em resumo, a criação de um decreto legislativo com um terço de aprovação de uma das Casas, a discussão dos temas e das perguntas ao eleitor, a apuração e o encaminhamento da decisão ao Congresso, que deve seguir a orientação das urnas. O rito é perfeito, por exemplo, para a decisão sobre a emancipação de um município. Mas incompatível com questões como financiamento público de campanhas ou sistemas de votação. Afinal, os eleitores definirão “se” algo deve ser feito, entregando aos parlamentares a decisão sobre “como” isso será posto em prática.

“Esse processo pode resultar em uma deliberação da população no vazio”, afirma Gustavo Binenbojm, professor de Direito Administrativo e Constitucional da UERJ e do curso de pós-graduação em Direito da Fundação Getúlio Vargas.

O plebiscito de Dilma, por enquanto, está mergulhado em incertezas. “A expressão ‘reforma política’ é nesse momento um rótulo em uma caixa vazia. Ninguém sabe ao certo quais medidas serão propostas”, explica o coordenador-geral do instituto de Direito da PUC-Rio, Adriano Pillati, para quem é preciso, no mínimo, de três a quatro meses de debate sobre o tema com a população.

A saída apontada pelos especialistas para que seja assegurada a participação popular, mas de forma mais prudente, é, ao fim do processo, a realização de um referendo. Depois de o Congresso fazer o texto da reforma política, a população seria convocada às urnas para dizer sim ou não sobre uma proposta real. Tecnicamente, é possível haver o plebiscito antes e o referendo depois – apesar de não se eliminar, com isso, os problemas na origem da proposta de agora. “Existe um risco de a opção da população ser desvirtuada. Por isso, deveria haver plebiscito e referendo”, afirma Ivar A. Hartmann, professor de Direito da FGV do Rio de Janeiro.

No momento, a demanda indiscutível da população nas ruas é por uma política menos corrupta e mais voltada para o interesse público. A reforma política – necessária e que se arrasta há anos sem que haja consenso – surgiu como a tradução possível feita pelos governantes para retomar o diálogo com os brasileiros. “Há uma esperança enorme em torno da reforma política. Apesar de necessária, nenhuma reforma produz políticos melhores. O que muda os políticos é a sociedade, através do voto”, lembra Adriano Pillati.
 
FONTE: DEFESANET
 

Plebiscito - o golpe da consulta popular

Reportagem na edição de VEJA desta semana mostra que o PT tenta imprimir verniz democrático à ideia, mas o objetivo de plebiscito é dar mais dinheiro ao partido e instituir o voto de cabresto
Pieter Zalis
Depois de ter de recuar da tentativa desesperada de convocar uma assembleia constituinte, o governo decidiu propor a realização de um plebiscito para fazer uma reforma política. A diferença entre as propostas é que a primeira afrontava a democracia de forma explícita e a segunda é um golpe disfarçado. Ambas, porém, têm os mesmos propósitos: desviar o foco das manifestações e servir ao projeto de poder do PT. Pelos planos do governo, a consulta popular ocorreria em agosto e teria o resultado homologado no início de outubro. Assim, as regras já valeriam para as eleições de 2014. Se emplacar sua manobra, o PT terá os seguintes motivos para comemorar:
• Será o partido cujo caixa receberá mais dinheiro público. Embutido na proposta de reforma política do governo está o obsessivo desejo do PT de impor o financiamento - exclusivamente - público de campanha. Pelo modelo, pessoas e empresas continuarão a poder fazer doações, mas para um fundo, sem escolher destinatários. O dinheiro será dividido conforme a votação do partido na eleição anterior. Se o sistema for adotado em 2014, com o quadro eleitoral mais provável, Dilma terá quase 70% do bolo: 67,59%.
 
 
• A candidatura de Marina Silva estará praticamente enterrada: pelas mesmas regras, a ex-senadora, que teve 20 milhões de votos em 2010, mas que agora tenta criar um novo partido, ficaria com ínfimo 0,16% do dinheiro público. Com a campanha inviabilizada, deixaria de ameaçar a liderança de Dilma. Aécio Neves (PSDB) teria direito a 21,77% do dinheiro e Eduardo Campos (PSB), a 6,56%.
• A institucionalização do voto de cabresto. O PT defende o voto em lista fechada para o Legislativo. Por esse método, o eleitor não vota em candidatos, mas na sigla. Traduzindo: os caciques petistas indicam os candidatos a deputado e depois chamam o povo para pagar a campanha. É muita cara de pau.
• À custa dos cofres públicos, Luiz Inácio Lula da Silva aparecerá na TV como garoto-propaganda do PT. O partido planeja aproveitar o tempo dos programas de televisão destinados à discussão das questões do plebiscito para fazer propaganda do governo e atacar adversários, com o ex-presidente no comando do show.
 
Desde maio, o presidente do PT, Rui Falcão, tenta coletar assinaturas para apresentar esse mesmo projeto de reforma política no Congresso. O argumento que colore os cartazes é que a reforma reduziria "a força do poder econômico" nas eleições, já que acabaria com as doações de bancos e empreiteiras - apontados como os vilões da corrupção. Ocorre que, como sabe muito bem o PT, Lula é hoje o maior amigo das empreiteiras, em cujos jatos viaja e para cujos interesses faz um descarado lobby. "O maior problema de corrupção eleitoral do Brasil vem de recursos que entram pelo caixa dois", lembra o professor de direito eleitoral Carlos Gonçalves Júnior, da PUC de São Paulo. Nenhum país adota o sistema defendido pelo PT. A Dinamarca, a nação menos corrupta do mundo, não restringe o financiamento, mas fiscaliza o uso do dinheiro e pune quem o desvia - estas, sim, medidas efetivas de combate à roubalheira. Para levar ao Congresso a proposta apresentada por Falcão, o PT precisa de 1,4 milhão de assinaturas. Só conseguiu 120 000. A ideia do plebiscito não passa, portanto, de uma tentativa de driblar a falta de apoio popular à iniciativa.
 
 
Não fosse o oportunismo escancarado da proposta, a própria iniciativa do plebiscito já é uma farsa. "Nesse tipo de processo, há um risco muito grande de o povo ser usado para legitimar as posições do plantonista no poder. Ditadores sempre se valem de plebiscitos", alerta Carlos Velloso, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal. O fato de a reforma política ser um assunto complexo, com o qual a população não tem familiaridade, aumenta ainda mais o risco de a consulta popular ser manipulada a ponto de ganhar o lado que tiver contratado o marqueteiro mais competente. Por mais necessária que seja, e com isso concordam todos os partidos e todos os governos, a reforma foi um tema rarefeito nas manifestações. Os brasileiros não clamam pela reforma política, mas pela reforma ética dos políticos.
 
Enviado por email por Julio Melo

REPORTAGEM-BOMBA DE VEJA DETONA O DELETÉRIO PLEBISCITO BOLIVARIANO DO PT!

 
A reportagem-bomba da revista Veja que chega às bancas neste sábado vem quente, tinindo. A chamada de capa não poderia ser melhor: "O verdadeiro plebiscito", e ironiza o bizarro comportamento do governo do PT e do Congresso Nacional, cuja maioria faz parte da base alugada. Frente à sucessão de protestos que eclodiram nas últimas semanas no Brasil esses semoventes a serviço do lulismo protagonizaram um comportamento completamente fora da realidade como se Brasília estivesse numa galáxia distante e não no Planalto Central do Brasil.

A ideia do plebiscito e de reforma política, que em nenhum momento chegou a ser reivindicado nas ruas foi a primeira providência da "presidenta", mais perdida que cachorro em tiroteio. Um detalhe inteligente da reportagem: Veja simula um plebiscito com as perguntas que não estão na pauta do PT!

Entretanto, quem acompanha diariamente este blog foi informado em primeira mão que a reforma política e o tal plebiscito que apareceram repentinamente já tinham amadurecido nos laboratórios bolivarianos do PT sob a orientação de Lula. Tanto é que uma completa e cara campanha de marketing já estava pronta para ser desovada pelo PT, incluindo cartilha de lavagem cerebral, cartazes coloridos e outras peças com a finalidade de tornar palatável um golpe de estado à moda bolivariana.

Em outras palavras, estava em curso a execução do projeto do Foro de São Paulo, organização fundada por Lula e Fidel Castro em 1990, destinada a impulsionar o socialismo em todo o continente latino-americano.

Deve-se assinalar que apesar dos contra-tempos o PT não desistiu de fazer do Brasil uma nova Venezuela. Esta é a questão fundamental que precisa ser compreendida. Como o PT é um partido revolucionário e não democrático, somente sua proscrição livrará o Brasil dessa chaga maldita que é a permanente agitação, intranqüilidade, insegurança, corrupção, violência e a deletéria ameaça comunista.

Além da reportagem-bomba que eviscera o poder do lulopetismo, Veja ainda traz outra matéria suculenta: "O império de Eike Batista  caiu", em que vai fundo e retira o diáfano véu da fantasia lulística que cobre esse ídolo de pés de barro. 

E, para completar, Veja também mostra como o contribuinte brasileiro paga pelo apoio do governo a setores privados. Aliás, esse é um dos aspectos mais funestos desses tempos em que o contubérnio dos governos e mega grupos empresariais globais vai fazendo evaporar a fronteira que divide o que é público e o que é privado.

Esta é uma das facetas do tal "socialismo do século XXI", que faz coincidir o interesse de empresários em regimes do tipo bolivariano, justamente porque esses governos de viés comunista preconizam o "controle social da mídia", eufemismo para a censura à imprensa. O objetivo é um só: guardar em segredo a tenebrosa corrupção que permeia as negociatas com governos, como se viu nas obras destinadas à Copa do Mundo. A conta desse festim diabólico é paga sempre pelos contribuintes. Afinal, não existe almoço grátis.

Por tudo isso, vale comprar a edição de Veja desta semana, recheada de informações que ao longo da semana foram escamoteadas pela grande mídia.
 

segunda-feira, 1 de julho de 2013

A infiltração do marxismo cultural no Brasil

Em 1964, antes do início do processo mundial de transformações culturais, os militares estavam preocupadíssimos com a situação do comunismo no Brasil.
Católicos fazem passeata em favor da família e ao regime militar

Enquanto os EUA viviam Woodstock e a revolução cultural, o Brasil vivia um regime de exceção, de um governo civil-militar que foi instaurado para evitar a instalação do comunismo no Brasil. Em 1964, antes do início do processo mundial de transformações culturais, os militares estavam preocupadíssimos com a situação do comunismo no Brasil. A Igreja brasileira apoiava os militares, fazendo diversas manifestações populares contra o comunismo no país. A Igreja brasileira era conservadora e anticomunista[1].
 
Apesar de o regime de exceção ser chamado de ditadura, quando comparado às outras ditaduras da América Latina, vê-se que o regime no Brasil não foi tão violento assim. A contagem de vítimas de perseguição, feita pelos próprios movimentos esquerdistas, chegou a cerca de trezentas pessoas, levando em consideração que em diversos momentos o exército se confrontou com guerrilhas ou se envolveu em confrontos armados. Ao contrário, é notório que a repressão militar representou o crescimento da cultura comunista no país, pois os militares achavam que o comunismo que devia ser evitado era o comunismo armado, deixando de lado o comunismo cultural, chegando até mesmo a subsidiá-lo. O governo militar dava dinheiro para publicações comunistas. Tal realidade é confirmada pelos próprios marxistas.
Os militares eram liberais e por isso acreditavam que era preciso dar espaço também para a esquerda. Os militares tinham medo da insurreição armada, dando aos marxistas uma válvula de escape: as universidades. Os espiões nas salas de aula só verificavam se os professores ensinavam algo no que diz respeito à revolta armada. Quando isso era comprovado, o indivíduo era levado para interrogatório e, esporadicamente, torturado. Os militares brasileiros não souberam identificar e combater o marxismo cultural, mas somente o marxismo armado.
 
Autor de novelas da Rede Globo de Televisão, Dias Gomes foi um dos responsáveis em levar ao lares brasileiros a revolução cultural gramsciana
 
Aproveitando-se dessa situação, alguns autores comunistas passaram a se aproveitar de novelas para ir, pouco a pouco, apresentando o conteúdo revolucionário para a nação[2]. As novelas (realidade que ainda hoje continua no Brasil) se prestaram a levar à frente a proposta da escola de Frankfurt de revolução cultural. Mas, para a população em geral, a grande impressão era a de que as novelas eram expressão da sociedade capitalista decadente americana e que estavam por destruir o cristianismo e a família brasileira.
Atualmente, no Brasil, ganha grande exposição nas novelas um dos grandes bastiões da revolução cultural: a promoção da cultura homossexual. Para que se explique a importância do homossexualismo no contexto revolucionário é necessário fazer um pequeno resgate histórico e teórico. Marcuse, percebendo que a revolução marxista não eclodiu através da luta de classes, se aproveitou de uma realidade característica do ser humano (a inveja), para alimentar um combustível de revolta. Pierre Bourdieu[3], por sua vez, sistematizou a revolta no conceito de excluído[4], que foi criado para promover a questão da inveja. Aí entram os homossexuais[5], pois o seu desejo de igualdade com os heterossexuais os leva constantemente à revolta.
Seguindo fielmente esta cartilha, as novelas brasileiras tem buscado apresentar a cultura homossexual principalmente pela exploração do lesbianismo, uma vez que os grandes opositores do homossexualismo, os homens heterossexuais, aceitam mais facilmente o relacionamento entre duas mulheres do que o relacionamento entre dois homens. O machismo do brasileiro é o maior empecilho para a aceitação do homossexualismo neste país[6].
 
Lesbianismo usado como navio quebra gelo pelo movimento gay no Brasil
 
Os que pensam a revolução cultural sabem que seu trabalho deve ser feito de forma lenta, gradual, dando a impressão de naturalidade, ou seja, dando a impressão de que a sociedade caminha assim naturalmente. O marxismo cultural, no Brasil, já conseguiu a hegemonia cultural e da mídia. Pela política da dominação de espaços, já dominaram a classe falante (jornalistas, cineastas, psicólogos, padres, juízes, políticos, escritores) que é formada no pensamento do marxismo cultural. Não existe nenhuma universidade brasileira que seja exceção... principalmente as católicas.
Tudo isso é fruto de um descaso histórico dos conservadores[7], que permitiu que o marxismo cultural tomasse conta das universidades. Em qualquer curso universitário é possível constatar tal realidade através de um ódio frontal e fundamental ao cristianismo, aos valores cristãos e mais especificamente ao catolicismo tradicional. E o que se vê é que a classe falante revolucionária, apesar de ser minoria, domina hegemonicamente os meios de produção da cultura, enquanto a maioria de brasileiros mudos, conservadores em muitos aspectos, não tem representação, imaginando que seu posicionamento é compartilhado por poucos[8].

Referências

  1. Com relação à Igreja no Brasil, a mudança no panorama se deve, em grande parte, à Teologia da Libertação, mas também por influência do Concílio Vaticano II. Porém, a realidade eclesial será abordada com maior clareza em outro momento. Esta aula se dedicará à análise dos acontecimentos civis.
  2. Dias Gomes, por exemplo, transpôs para as novelas a mentalidade marxista. Através de suas obras, aproveitando-se do liberalismo militar e do liberalismo capitalista de Roberto Marinho, fomentou a aceitação do divórcio na sociedade brasileira. Na sua mais famosa novela, Roque Santeiro, apresentou uma caricatura da Igreja, apresentada como uma farsa, mostrando que estaria interessada somente no dinheiro e na opressão dos pobres.
  3. Sociólogo francês.
  4. Na realidade, tal conceito nasceu de um pensamento marxista. Foi um termo cunhado para explorar a inveja como combustível capaz de eclodir uma revolução. O combustível da inveja é capaz de produzir uma revolta. Os acontecimentos de protestos nas bolsas de valores no mundo inteiro, por exemplo, não é outra coisa que simplesmente fruto da inveja: as pessoas querem ter mais. Nunca houve uma sociedade que possuísse tanto, mas que ao mesmo tempo fosse tão infeliz.
  5. Existe algo de muito inquietante no homossexualismo por sua própria natureza, pois ele está numa situação em que sua própria opção de vida sexual o coloca contra a realidade biológica da ordem das coisas. Querem igualdade, organizam passeatas, mas não existe ideologia nesse mundo que consiga tal intento, pois a estrutura da realidade não é de acordo com o que estão querendo ou exigindo. Não existe ideologia no mundo que consiga mudar o fato de que de uma união homossexual não irá produzir fruto. Exatamente por isso o movimento homossexual é um dos mais utilizados para quebrar a ordem das coisas.
  6. A tática revolucionária, porém, é bastante simples: se é possível aceitar o relacionamento homossexual entre duas mulheres, qual a razão de ainda serem criadas barreiras para a aceitação do relacionamento homossexual entre dois homens?
  7. Tanto no que diz respeito aos militares, quanto à elite capitalista brasileira e à própria Igreja.
  8. Tal característica conservadora da população brasileira ainda pode ser comprovada numa análise encomendada por um grande jornal que mostrou que 70% da população brasileira ainda tinha posições conservadoras em questões morais (não aceitação do aborto, não aceitação do casamento gay, defesa da indissolubilidade do matrimônio, do valor da castidade e da virgindade, da pena de morte, contra a liberação das drogas).
 http://padrepauloricardo.org/aulas/a-infiltracao-do-marxismo-cultural-no-brasil