domingo, 29 de abril de 2012

Carlinhos Cachoeira: as águas vão rolar?


Texto de Selma Sueli

28 de Abril de 2012 por José Lino

Destaque da Semana

Nesta semana, o que não faltou nos noticiários foram mais e mais detalhes do escândalo que deságua em cascata sobre a cabeça de muitos políticos de Brasília. A Receita Federal registra que o grupo de Cachoeira acumulou um patrimônio de cerca de R$ 30 milhões de reais – auditores identificaram imóveis, avião e automóveis de luxo em nome de pessoas próximas ao contraventor, além de indícios de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. Muito dinheiro. Uma análise preliminar mostra que o contraventor declarava rendimentos que variavam de R$ 60 a R$ 70 mil reais, mas seu patrimônio chegava a mais de R$ 4 milhões de reais.

Na quarta-feira, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do Cachoeira finalmente foi instalada no Congresso. O deputado Odair Cunha, daqui de Minas, escolhido como relator, afirmou ser um petista “fiel”, adiantando que o foco não é o governo, é o contraventor, mas se por acaso acontecer uma mudança de rumo nas investigações, a comissão vai apurar tudo, “doa a quem doer”.
Com 41 dos 63 parlamentares membros, os governistas tem o controle da CPI. O PMDB escalou políticos suplentes e inexperientes, deixando, ao que parece, ao PT, a tarefa de blindar o Planalto. O presidente do Senado, José Sarney, disse que o Congresso viverá “algum tempo de muitas revelações e turbulências”.

E o país inteiro se pergunta: com a CPI de Carlinhos Cachoeira as águas vão ou não rolar? E cabeças? Um passeio pela memória política pode nos ajudar a tentar responder essa pergunta…

Passados vinte anos desde a CPI de Paulo César Farias, cujo principal desdobramento foi o processo de impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello, o Brasil acumula 92 CPIs instauradas no Congresso Nacional nessas duas últimas décadas. Foram comissões criadas pela Câmara, pelo Senado ou Mistas (com senadores e deputados). Entre as já encerradas, cerca de 25% não aprovaram nenhum relatório, ou seja, nenhum documento que, aprovado pela comissão, permitisse que outros órgãos e outras instâncias punissem eventuais culpados de desvios.

Das 92 comissões criadas, sete estão em curso atualmente. Isso inclui a CPI mista do caso Cachoeira e as comissões que investigam supostas irregularidades no ECAD (escritório que faz a arrecadação e distribuição de direitos autorais) e o tráfico internacional de pessoas no Brasil.

O estudo que levantou esses dados aponta que “as CPIs são objeto de sentimentos contraditórios por parte da sociedade e da imprensa. Ao mesmo tempo em que é lugar comum dizer que elas nunca levam a nada, sempre que se acha necessário investigar melhor algum acontecimento no âmbito do governo, defende-se fervorosamente a instalação de CPIs”.
A questão-chave é que essas comissões têm limites de atuação – ou seja, podem investigar, mas não podem indiciar ou punir criminalmente, funções que cabem à Justiça. Daí o motivo de causarem tanto furor e, ao mesmo tempo, tanta frustração entre os brasileiros.

As comissões têm amplos poderes investigativos – para convocar testemunhas e colher provas, por exemplo –, “mas não podem decretar nenhum tipo de prisão, nem aplicar cautelas como indisposição de bens e proibir (suspeitos) de deixar o país”.
No máximo, podem recomendar ao Ministério Público ou ao Tribunal de Contas da União, por exemplo, que prossigam com a responsabilização civil ou criminal das pessoas envolvidas nos casos investigados.

Para Marco Antonio Teixeira, do Departamento de Gestão Pública da FGV de São Paulo, é aí que está mais um motivo da frustração. Ele explica que “O gargalo é o Judiciário. Vemos que o caso do Mensalão, cujo processo é resultado da CPI dos Correios (2005), só agora está na pauta do Supremo Tribunal Federal.” Muitos dos crimes ali investigados já estão prestes a prescrever.

Levantamento do jornal Folha de S. Paulo em setembro do ano passado mostrava que os principais casos de corrupção do país se arrastam há anos ou décadas pela Justiça. Um exemplo é o caso de desvio de dinheiro conhecido como o dos “Anões do Orçamento”, de 1993, que foi alvo de CPI. Dos mais de 31 réus, apenas nove foram condenados. Muitos usaram o subterfúgio de renunciar ao mandato e depois voltaram, nos braços (e no voto) do povo. Hoje, graças à Lei da Ficha Limpa, de iniciativa popular, é bom lembrar, isso não é mais possível.

Os relatórios finais de CPIs também podem recomendar, ao próprio Legislativo, a cassação de um congressista envolvido em denúncias. Mas daí isso terá que ser analisado pelo Conselho de Ética da Casa, e quando se trata de Conselho de ética em Brasília, todo mundo fica com a pulga atrás da orelha…

Mas a CPI está aí. Cachoeira está preso e Demóstenes Torres, qual vagalume político, aparece e desaparece nos plenários, desfilando impávido, como a lembrar aos seus pares: só eu? E os outros?

E a gente cantarolando: “As águas vão rolar…”

Alcoolismo, uma doença social 
Luciane Evans - Estado de Minas
Publicação: 22/09/2010 18:36
A cena do padre Almir Adomiran Duarte na BR 381, morto dentro de seu automóvel na companhia de garrafas de vodka, deixando para trás um rastro de mortes causadas pela sua imprudência, chocou o país. E mais que isso. Indignou populações que esperavam de religiosos bons exemplos. Restou a Diocese de Itabira, para qual o padre atuava, anunciar que irá apoiar as famílias das vítimas do acidente, em ajuda solidária e também econômica. “Não é culpa da instituição, mas estamos vendo uma consequência do pecado”, afirmou o vigário geral da Diocese de Itabira, Francisco Guerra.

Com problemas sérios de alcoolismo, Almir, que tinha 41 anos, voltava na tarde de terça-feira de Belo Horizonte depois de ter ido tratar a sua dependência na capital. Seguia para Itabira. Mas, próximo ao trevo de Caeté, na Grande BH, ele não resistiu, parou em um bar na estrada e bebeu vodkas. Depois disso, ele seguiu o seu caminho. Dirigindo o Gol GLL 7510, ultrapassou pelo acostamento dois veículos, em alta velocidade, na BR 381, em Roças Novas, no Km 421. Ele perdeu a direção, invadiu a contramão e bateu de frente com uma carreta que carregava 50 toneladas de cimento. A carreta tombou na pista, engolindo dois outros carros. No rastro, além do padre, mais três pessoas mortas e outras três gravemente feridas.

Alcoolismo

A notícia estremeceu Itabira, na Região Central. Considerado querido na cidade, Almir, como era de conhecimento de muitos, sofria de problemas com o alcoolismo e, há alguns meses, vinha desrespeitando seus limites na direção, conduzindo embriagado e em alta velocidade. Nesta quarta-feira, às 17h, ele foi
enterrado em Itabira e, antes do sepultamento, o vigário geral da Diocese de Itabira, padre Francisco Guerra celebrou uma missa em homenagem ao religioso e às outras vítimas do acidente. “Estamos todos abatidos. Ele atuou 15 anos como padre, em Ipatinga e Itabira, atualmente estava na paróquia de São Gonçalo do Rio Abaixo. Ele não foi afastado porque dizia que o ofício o ajudava na recuperação”, comentou o vigário.
Segundo ele, a Diocese sabia do problema de alcoolismo de Almir e, há um ano, estava acompanhando todo o seu tratamento e incentivando-o a largar o vício. Segundo o vigário, a instituição irá procurar as famílias das vítimas e oferecer ajuda, tanto no sentido psicológico quanto financeiro. “Infelizmente,
reconhecemos que foi ele quem provocou toda a tragédia.” Ele ressalta que Almir nunca esteve alcoolizado durante os ritos da igreja. “Ele era um homem muito ético e, quando tinha suas crises, preferia ficar em casa, assim, colocávamos outro religioso para substituí-lo. Infelizmente vivemos numa sociedade complexa, com epidemia do crack e do álcool. Vícios podem pegar qualquer pessoa, inclusive do clero.
Familiares

Enquanto Itabira lamenta, as cidades mineiras derramaram nesta quarta-feira seu pranto. Em Espera Feliz, na Região da Mata, a prefeitura decretou luto por três dias. No acidente causado por Almir, dois homens, considerados personalidades no município, perderam a vida. Ronaldo Antônio Lopes, de 57 anos, era motorista da prefeitura. Naquele dia, estava de folga e, como de costume, ofereceu para levar dois militares, Cláudio José da Silva, cabo da Polícia Militar da cidade e José Rodrigues de Souza, de 43 anos, também cabo da PM. Os três estavam dentro do Santana Placa KMS 3604, de Muriaé, que foi “engolido” pela carreta carregada de cimento. Cláudio e Ronaldo morreram na hora. José teve fraturas na bacia e foi levado para o Hospital João XXIII. Nesta quarta, os corpos dos dois foram aguardados no Ginásio Poliesportivo de Espera Feliz por nada menos do que 1,2 mil pessoas.

Em João Monlevade, na Região Central, o clima também foi de tristeza e revolta. Geraldo Bastos, de 67 anos, era comerciante e, na tarde de terça-feira, seguia pela BR 381 no sentido BH – Vitória. E, quando a carreta tombou na pista, ela bateu sobre a sua D20 GHP 6558, Geraldo morreu na hora. Seu vizinho, José de Calazans Batista, que estava na D20 como passageiro, quebrou o fêmur e passa bem. A viúva Marisa Domingues Bastos, diz que a família é católica e está decepcionada. “O padre não tinha apoio de ninguém. Vamos correr atrás dos nossos direitos”, garantiu, emocionada.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Teólogos da Corte


Por causa da aula que você vai ver no link abaixo, o Padre Paulo Ricardo está sendo perseguido em Cuiabá-MT. Mexeu com o PT que, segundo ele, teria "domesticado" a Igreja Católica. Realmente, antes do PT chegar ao poder, todos os anos a CNBB (que reúne os bispos do Brasil) incomodava os governantes (até na época dos militares) com suas críticas ácidas. Parte do clero tenta pressionar o Arcebispo de Cuiabá, Dom Milton Antônio dos Santos, SDB, e a CNBB para que o Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior seja imediatamente afastado das atividades de magistério (...), que seja afastado de todos os meios de comunicação social em todo e qualquer suporte. Vale à pena assistir ao vídeo que deu origem à polêmica.

Comentário do Jornal dos Amigos
É a coragem do padre Paulo Ricardo em dizer que o rei está nu é que nos incentiva a uma postura cada vez mais de oposição ferrenha ao governo central que aí está, totalmente perdido em corrupção e moralmente sem compostura.

Esta é uma postura totalmente eclesiástica de calar a boca de quem não concorda com suas idéias. É lamentavel ver a hierarquia católica tentar impor o silêncio aos sacerdotes que buscam ter uma vivência mais jesuânica levando a sério os ensinamentos de Jesus Cristo e sendo fiéis ao seu batismo, exercendo seu munus sacerdotal como Sacerdote, Profeta e Rei. Acabou o tempo em que se escondia os erros eclesiásticos dos olhos do povo, precisamos mostrar ao mundo que mesmo sendo homens pecadores somos também cercados da misericordia divina e capazes de assumir nossos erros como igreja santa e pecadora. Somos portadores da verdade, herdamos de Jesus Cristo este compromisso com a busca da verdade, não podemos ficar calados diante das injustiças do mundo, principalmente as que são cometidas contra os sacerdotes da própria Igreja. Cremos no mesmo Deus, pregamos o mesmo Evangelho, acreditamos na mesma doutrina e somos o Alter Cristus, "o outro cristo" no meio e para o povo de irmãos que pregam a mesma verdade ensinada por Jesus. Não podemos nos calar, que a verdade seja dita e que ela nos liberte. Sou solidário não só com o Padre Paulo Ricardo, mas com muitos e muitos Sacerdotes que são perseguidos por Bispos e Clero sem compromisso, preocupados em formar administradores e esquecidos de formar Sacerdotes para salvar almas e dar testemunho da verdade de Jesus Cristo, o Filho de Deus gerado no ventre de Maria e acolhido por José, O JUSTO.

Páscoa da Ressurreição

Cristo Ressuscitou. Vida nova se inicia; tristeza e desânimo pertencem ao passado; esperança e otimismo contagiam nossa existência. Jesus venceu a morte para permanecer sempre conosco. A vitória de Cristo sobre a morte marca a nossa existência e fundamenta a nossa fé. Sua presença entre nós nos enche de alegria. Ele nos convida a sair de nós mesmos, busca-lo onde se encontra e anuncia-lo como salvador e redentor da humanidade.
Com carinho, Décio Marcio.