sábado, 22 de outubro de 2011

Mal social globalizado

Certamente não é (ainda) o fim do capitalismo a ser anunciado por esse formidável movimento de indignação diante do sofrimento imposto pela falta de controles do sistema financeiro nos Estados Unidos e na Europa. A natureza dessas manifestações talvez possa ser condensada em duas queixas entoadas, respectivamente, em Lisboa: “Essa dívida não é nossa”, e em Nova York: “Nós fomos vendidos, os bancos foram resgatados”.

O grito “Ocupem Wall Street”, antes de ser um protesto contra a economia de mercado, exprime o profundo sentimento de injustiça social derivado da incapacidade dos governos que permitiram a destruição do emprego e do patrimônio de milhões de honestos cidadãos assaltados, de forma imoral, por um sistema financeiro desinibido com suas inovações. São os trabalhadores desempregados as grandes vítimas do contágio desse mal social.
O homem, ao construir o mundo com o seu trabalho, exerce uma pressão seletiva no sentido de aumentar a sua liberdade de expressão. Há uma evolução civilizatória e quase biológica que amplia o altruísmo e a solidariedade social, exatamente porque a cooperação é mais produtiva e libera mais tempo para a expressão criativa do homem.
Uma das construções mais impressionantes de Marx é a sua leitura do papel do trabalho nos Manuscritos de 1844, antes de ele ter sido seduzido pela leitura de David Ricardo. O trabalho é o processo pelo qual o homem se produz e projeta fora dele as condições de sua existência e a sua capacidade de transformar o mundo.
Com as políticas sociais, o Estado do Bem-Estar Social transformou (transitoriamente!) o sistema salarial alienante de Marx no símbolo da segurança do trabalho. Ele dá a garantia para o funcionamento das instituições, particularmente os mercados e a propriedade privada.
Os economistas precisam incorporar, como dizia o etnólogo Marcel Mauss (Sociologie et Anthropologie, 1950), que o trabalho é o “fato global”. O desemprego involuntário é o impedimento insuperável do cidadão de se incorporar à sociedade. Por motivos que independem de sua vontade, ele não pode sustentar honestamente a si e à sua família. O desemprego involuntário é o “mal social global”! Não importam filosofia ou ideologia. No estágio evolutivo da organização social que o homem continua procurando, para fazer florescer plenamente a sua humanidade, são a natureza e a qualidade do seu trabalho que o colocam na sua posição social e econômica, afetam sua situação física
É com esse sentido do papel do trabalho, com o qual o homem se constrói e produz um mundo onde tenta se acomodar em uma estrutura social conveniente que devemos entender os protestos dos enragées, que se intensificam na Europa e nos EUA. Não se trata de excluídos sociais (talvez alguns deles o sejam), mas de cidadãos honestos, educados, que até há bem pouco tempo tinham a oportunidade de ganhar o sustento de sua família, educar seus filhos, comprar sua casa, enfim, viver a vida dignamente com o fruto de seu trabalho.
 É verdade que nos EUA alguns deles já estão na terceira geração vivendo à custa dos outros, graças à miopia e inércia de um Estado do Bem-Estar distraído. Mas a renda média do americano não cresce desde 1996 e a distribuição de renda tem piorado sistematicamente. A reação do povo será medida nas eleições de novembro de 2012. O desconforto é enorme. O presidente Obama referiu-se a ele ligeira e quase temerosamente. O secretário do Tesouro, Timothy Geithner, empurrou a culpa para o sistema financeiro, que “aumentou as tarifas bancárias em resposta aos novos controles de Wall Street, ampliando a irritação popular contra ele”. E o presidente do FED, Bernanke, com aquela figura de Papai Noel arrependido, limitou-se a afirmar que “as pessoas estão descontentes com o estado da economia. Elas reprovam – e não sem razão – o setor financeiro pela situação em que nos encontramos e estão descontentes com a resposta das autoridades”. Que autoridades? Obama, Geithner e Bernanke!
Quando se trata de entender o verdadeiro papel do trabalho, os economistas do mainstream saem muito mal na foto: tratam-no apenas como um fator de produção, sujeito às leis da oferta e da procura. Por definição, não há desemprego involuntário. Como disse um economista que viria a ser premiado com o Nobel, o desemprego em massa é apenas uma manifestação de “vagabundagem da classe trabalhadora”.
Nesse tom, comovido, o velho Karl agradece o incentivo…
                             Delfim Netto22 de outubro de 2011 às 8:34h / CartaCapital

Maioria esmagadora quer fim do voto secreto

17/10/2011  Senado Federal-Portal de Notícias DataSenado
Em recente enquete promovida pelo DataSenado, 96,1% dos internautas manifestaram-se a favor do fim do voto secreto no Congresso Nacional. Apenas 3,9% entendem que o voto secreto deve ser mantido. A enquete foi realizada de 30 de setembro a 16 de outubro de 2011, contando com a participação de 12.217 internautas.
Alguns dos participantes, além de registrar o voto, enviaram considerações sobre o projeto. Uma manifestação sintetizou o sentimento da maioria das mensagens, bem como da maioria dos votantes: "o voto aberto ou ostensivo será um novo paradigma na forma de se fazer política. A transparência ou reforça os partidos, ou os desintegra. O voto será partidário, como sempre foi e o será, porém o cidadão comum, como eu, terá a oportunidade de conhecer como o senador representa o seu representado (o cidadão comum)".

Hoje, pela Constituição do Brasil, deputados e senadores estão sujeitos à perda de mandato se incorrerem em algumas situações. Se desrespeitarem algumas proibições constitucionais, se tiverem procedimento declarado incompatível com o decoro parlamentar ou se sofrerem condenação criminal em sentença transitada em julgado, os demais deputados e senadores decidem em votação secreta pela perda do mandato. Porém, tramitam atualmente no Senado os Projetos de Emenda Constitucional 50/2006 e 86/2007, que propõem, respectivamente, que, em tais situações, o voto dos parlamentares seja ostensivo ou aberto.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Vaticano se nega a intervir após indiciamento de bispo nos EUA

O Vaticano se nega a "intervir no processo judicial em curso" nos Estados Unidos após o indiciamento, esta semana, de um bispo americano por não ter denunciado um padre por pedofilia, declarou este domingo um porta-voz da Santa Sé, o padre Federico Lombardi.

"Há um processo judicial em curso, não temos a intenção de intervir neste processo. Além disso, qualquer intervenção poderia ser interpretada como uma interferência", disse o padre Lombardi, em resposta a uma pergunta da AFP sobre este caso.
O bispo da diocese de Kansas City-St Joseph (Missouri, centro), Robert Finn, é acusado de não ter denunciado um caso de pedofilia no qual um sacerdote é acusado, informou uma fonte judicial na sexta-feira passada.

O bispo, indiciado na própria diocese, é o eclesiástico no cargo mais elevado da hierarquia católica americana a ser denunciado em um caso de pedofilia, segundo o jornal Kansas City Star.

Em um comunicado à imprensa, o bispo e a diocese se declararam inocentes, acrescentando que "o bispo desmente qualquer ação criminal (...) e se defenderá com todo o vigor".

O líder católico, que dirige uma diocese de 134.000 membros, é acusado de ter tentado encobrir durante cinco meses o comportamento de um sacerdote de sua diocese, Shawn Ratigan, que ministrou de junho de 2005 até o mesmo mês de 2009, e a quem a justiça acusa de posse de imagens pornográficas de menores.

Ratigan, de 45 anos, foi acusado por um grande júri, em agosto passado, de 13 delitos de produção, tentativa de gravação e posse de pornografia infantil, em um caso em que as vítimas tinham de 2 a 12 anos e, às vezes, foram filmadas enquanto dormiam.

Segundo o escritório Rebecca Randles, de Kansas City, que representa uma menina e seus pais que entraram no processo como parte civil, o sacerdote guarda em seu computador centenas de imagens de crianças pequenas, nuas e vestidas, em poses "sexualmente explícitas", as quais publicou na internet.

As imagens foram descobertas por um técnico que fazia manutenção no computador do sacerdote e informou ao representante da paróquia o que havia encontrado.

A informação galgou instâncias superiores da Igreja durante cinco meses até chegar à mais alta hierarquia da diocese, sem que o caso fosse levado a polícia, como manda a lei.

Segundo a parte civil, ao contrário, as autoridades eclesiásticas "montaram um plano para ajudar Ratigan a ocultar que recibia e distribuía pornografia infantil". Elas destruíram o computador para evitar que a polícia encontrasse pistas das mensagens enviadas, mentiram e deram informações abrandadas.

O bispo afirmou no comunicado "ter cooperado em todos os estágios com a polícia e a justiça".
                                                                                                                                                                                                                                                            Redação do DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR
                                                                                                                                                                                                                                                           16/10/2011 | 21h28 | Pedofilia