segunda-feira, 4 de abril de 2011

Alcoolismo na Família.


            Se tens amigos, vizinhos ou colegas do trabalho que sofrem por problemas ligados ao álcool, já se apercebeu, com certeza da gravidade das suas dificuldades. O alcoolismo não atinge unicamente as pessoas dependentes do álcool, mas tem também repercussões na família, no seu conjunto, nas relações profissionais e privadas, assim como na sociedade em geral. Mas há, no entanto, soluções meios e pessoas que poderão ajudar os doentes alcoólicos e as suas famílias a sair dos seus problemas e reencontrar a esperança para todos.
            O processo de resolução deste problema é constituído por 3 etapas: Informação sobre a doença alcoólica; conhecimento e compreensão do papel de cada um no seio da família com problemas ligados ao álcool; procura de ajuda por si próprio e restantes elementos envolvidos no sistema família



            A coisa mais importante a saber: O Alcoolismo não é uma fraqueza de carater, nem um vicio, mas sim uma doença. O alcoolismo é caracterizado por uma dependência do álcool ( etanol ), do ponto de vista físico e psíquico. O indivíduo dependente perdeu a liberdade de se abster no consumo de bebidas alcoólicas,  não conseguindo controlar o seu consumo; a necessidade de beber ocupa os seus pensamentos, modificando o seu comportamento.
            Considera-se que se trata de uma doença complexa, em que as causa são múltiplas:
no indivíduo: no plano biológico genético e psicológico; no meio circundante: a nível social e a nível cultural. A dependência do álcool conduz a uma necessidade física de beber, provocada pela falta de álcool. A isto bem juntar-se a necessidade psicológica de consumir: O indivíduo dependente tem a ideia de não conseguir viver sem álcool.


O problema do alcoolismo não diz respeito apenas à pessoa que consome bebidas alcoólicas. Os membros da sua família, as pessoas mais próximas, são particularmente atingidas no plano afectivo e no seu quotidiano, sentindo-se tão desamparados como o doente alcoólico.
A dependência atinge toda a família, divide-a e isola-a do resto do mundo. Os sentimentos, os pensamentos e os comportamentos de cada membro da família são dirigidos para o consumo de bebidas alcoólicas pelo familiar dependente.
 O alcoolismo é portanto, mais que um problema individual, na medida em que atinge a família no seu conjunto.
Considera-se muitas vezes “ doença do sistema familiar “: uma vez que cada um esta envolvido, quer no processo de desenvolvimento do problema, quer na sua resolução. Para se sair da dependência do álcool, é preciso aprender a conhecer esta doença e desfazer mitos, falsos conceitos e ideias pré-concebidas.


Muitos dos consumidores sentem imediatamente efeitos agradáveis logo que ingerem bebidas alcoólicas: prazer, desinibição e conviabilidade.
No entanto a maior parte das pessoas que as consomem com moderação conseguem-no fazer deste modo durante toda a vida.
Para se beber sem perigo é indispensável a moderação. Consumir moderadamente é beber de modo a não ter problemas, nem os criar nos outros.
Mas o álcool é uma droga que atua de maneiras diferentes, de indivíduo para indivíduo. Em certas situações e em certas pessoas, uma pequena quantidade de álcool basta para fazer desequilibrar no sentido da dependência.


A dependência física e psíquica caracterizam a doença alcoólica. Esta dependência só fica claramente visível quando se instala. Conhecer as diferentes etapas da doença pode ajudar a família a melhor compreender  o que é o alcoolismo e tornar eficaz a ajuda a prestar ao doente e a ela própria.


Por razões diversas certas pessoas perdem o controle do consumo de álcool. Eles encontram no álcool efeitos tão particulares e vantagens tão importantes de ponto de vista psíquico e/ou social, que não conseguem prescindir dele. Daí resulta um consumo de risco. D e fato o organismo habitua-se ao efeito do álcool, assim como a vida social; muitas vezes arranjam inúmeros pretextos para beber em sociedade.


Quanto mais o álcool influenciar a vida do consumidor, mais facilmente se instalará a dependência. A tolerância aumenta, e ele bebe cada vez mais para sentir os seus efeitos. Vai-se afastando pouco a pouco dos outros e começa a perder interesse pelas coisas. Bebe diariamente, muitas vezes ás escondidas e luta para controlar o consumo. Alguns tentam definir os seus limites e conseguem deste modo viver alguns períodos de abstinência. Infelizmente estes períodos são geralmente de curta  duração. Nesta fase o consumo começa a influenciar negativamente a vida do indivíduo, as suas responsabilidades e o seu ambiente familiar e profissional. Há assim um sério risco de alcoolismo.


O álcool domina a vida do indivíduo que se tornou totalmente dependente do álcool. Nesses casos bebe, para não sentir os efeitos da sua falta; o seu organismo tem necessidade de álcool para funcionar “normalmente”. O alcoólico perde as suas ambições, a dependência torna-o inseguro. As suas faculdades intelectuais diminuem, e tem medos não habituais, tornando-se desconfiado e retraído. A família sofre também as consequências dessa mudança.


O abuso do álcool, com o decorrer dos anos, vai causando inúmeros desgastes na saúde. O álcool é um tóxico para o organismo, destruindo células. Grandes doses, bebidas durante um longo período de tempo podem danificar a maior parte dos órgãos vitais.
A dependência instala-se de modo lento e insidioso. Ela pode, mesmo antes de ser reconhecida, ter já causado inúmeros danos, e até provocar em alguns casos, a morte. Esta degradação do corpo é felizmente reversível, ou pelo menos controlável, se o indivíduo parar de beber.


O cérebro é o órgão mais vulnerável: a percepção, a coordenação e as funções motoras deterioram-se. O indivíduo pode perder a memória. 


Um alcoolismo de longa duração afeta o cérebro, o fígado, o coração e o pâncreas; aumenta o risco de cancro, e atinge também o sistema imunitário: as defesas orgânicas diminuem, tornando o indivíduo vulnerável a doenças graves.


Graves lesões orgânicas, cancros, doenças infecciosas, acidentes e suicídios podem conduzir a uma morte prematura.


As pessoas alcoólicas têm uma constante necessidade de justificar os seus excessos relativamente às bebidas. Desenvolvem um mecanismo de defesa, a negação, que lhes permite ignorar que se tornaram dependentes do álcool. Podem assim afirmar que não têm problemas com as consequências desse consumo.  A negação é uma forma de esconder o problema a si próprio e aos outros. Com efeito ele faz batota com a realidade. É por isso que se ouve dizer que “...os alcoólicos são mentirosos“.
A negação é uma atitude muito comum, mesmo admitindo a existência de um problema, os alcoólicos atribuem a causa a tudo, menos ao consumo de álcool.
Por exemplo: “tenho problemas com o meu chefe, mas é porque ele não gosta de mim...” Eles confundem muitas vezes as causas e as consequências:”...se nós não discutíssemos tanto, eu beberia menos”, assim, enquanto o alcoólico encontrar desculpas para continuar a beber, ele não conseguirá abordar o seu verdadeiro problema.



Trabalho realizado no âmbito do Projeto Área Escola. Miranda do Douro

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